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AS VIGARICES DA DIREITA

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O estatuto moral e ético irrepreensível com que a direita portuguesa nos tenta convencer a votar neles, e cujo esteio principal é o PSD, está longe de ser credível e consistente. 

A doutrina conservadora liberal está enraizada no PSD como em nenhum outro partido. Este, pela voz dos seus dirigentes, anda há décadas a tentar passar uma falsa mensagem para o eleitorado, assente numa ideia errada e inverosímil, a da sua incorruptibilidade e equidistância dos agentes económicos. Apresentando-se em contraponto a um PS refém de vários interesses e susceptível de ser comprado. 

Claro que o ex primeiro-ministro José Sócrates deu um forte contributo para a criação desse anátema sobre o partido fundado por Mário Soares. E apesar de todas as suas tentativas para não ser julgado, haverá um dia em que se sentará num tribunal algures, para se defender das acusações de que é alvo. 

Ao longo dos últimos vinte anos vimos autarcas, banqueiros e ex governantes ligados ao PSD e ao CDS, condenados com trânsito em julgado, por vários crimes de corrupção, evasão fiscal, prevaricação e tráfico de influências, o que desmente de forma categórica essa ideia peregrina da superioridade moral da direita. Mas convém também dizer que nestes casos, os crimes foram cometidos pela pessoa em si mesma, e não um conluio entre vários dirigentes do partido. Daí eu acreditar que entre os agentes políticos também há pessoas idóneas e com ética, dispostos a não ultrapassar as barreiras da decência.

Com este frenesim todo sobre o escândalo de corrupção e a constituição de vários arguidos, na Madeira, governada há quase 50 anos pelo PSD, entre eles o presidente do governo regional, secretários regionais e o autarca do Funchal, há um pormenor que tem escapado à comunicação social e aos partidos em geral (só Ventura abordou a questão), o qual me deixa preocupado, pois ele revela a verdadeira natureza e o caráter de alguns interlocutores políticos dentro das suas estruturas partidárias. 

Olhemos então para a fuga do deputado Maló de Abreu para o Chega, a pretexto da irreconciliabilidade deste com o seu anterior partido. 

Depois de muitas peripécias com alguns desmentidos à mistura sobre a troca de camisola, eis que passado alguns dias após o anúncio de Maló de Abreu como candidato do Chega, pelo círculo “Fora da Europa”, salta para a comunicação social a notícia sobre o recebimento indevido de ajudas de custo por parte do senhor deputado, eleito pelo círculo de Coimbra, mas a considerar-se residente em Luanda. 

No caso Maló de Abreu é minha percepção, tal como intuiu André Ventura, que ele foi denunciado pelas próprias estruturas do PSD. Uma espécie de vingança. Algo parecido com o que aconteceu a Feliciano Barreiras Duarte, a propósito do seu mestrado, ou de Paulo Rangel, a pretexto da sua condição de homossexual. 

Se nuns casos estamos a falar de grotescos ataques de carácter, já neste caso relacionado com Maló de Abreu, o assunto é grave e obscuro, mostrando que os sociais democratas não são sérios. Será que o PSD anda de mãos dadas com estas habilidades? Mas então são estas as referências morais do PSD? Ocultar uma vigarice durante dois anos, quem sabe, uma ilegalidade, enquanto lhe convinha, e denunciá-la quando se sente traído pelo presumível infractor. 

MOEDAS JÁ ENTROU NA CAMPANHA

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Fez bem o actual Presidente da Câmara de Lisboa em proibir a manifestação dita neonazi, de facto da extrema direita, no Martim Moniz. Na base desta decisão, diz o próprio, está um conjunto de informações e uma análise de riscos feita pelas Forças de Segurança. Não ponho em causa esse estudo. Até o subscrevo. Mas não sejamos ingénuos. 

O Engº Carlos Moedas é uma pessoa inteligente. Essa sua decisão é tão mais correta quanto a sua própria percepção de que se tudo aquilo descambasse em violência contra os imigrantes, o principal prejudicado em termos eleitorais seria ele próprio em particular, e o PSD como força política. 

Sabemos que o Chega é o principal impulsionador destas manifestações anti-islâmicas, numa altura em que a nossa imigração tem uma forte influência de países de cultura muçulmana e hindu. O partido de André Ventura é racista, xenófobo e homofóbico em toda a linha. Mas como quase todos os partidos deste género têm vários padrões de comportamento, segundo a etnia e a crença religiosa. Se quiserem, estratificam a sua aversão às minorias, segundo critérios mais ou menos selectivos. Por exemplo, a Imigração de origem muçulmana é mais rejeitada do que a brasileira. O cigano é mais desdenhado do que o negro. Ainda que todos eles estejam no patamar dos indesejáveis, para o Chega. 

Como o PSD nunca se demarcou do partido de André Ventura de forma credível (lembrem-se do que aconteceu nos Açores), por forma a dar garantias inequívocas de que jamais formaria um governo, neste caso da AD, com base num apoio, mesmo que envergonhado, do Chega, a haver uma manifestação racista com forte probabilidade de ameaças, insultos, agressões e turbulência, tudo isto com cobertura noticiosa, onde as televisões andariam por cada viela e esquina a filmar, existiria o forte risco de condenação pública deste evento. Claro, há um Portugal civilizado que não se revê neste tipo de agendas. Sentir-se-ia revoltado e mesmo ameaçado com aquele espetáculo.

Com imagens chocantes de violência gratuita e racista sobre imigrantes, associadas ao Chega, uma boa parte do eleitorado do centro, que vive naquela faixa de votantes que muda de partido, ou está disposta a abster-se de ir às urnas para castigar quem governa, sentir-se-ia impelido a votar à esquerda. Tudo por não terem garantias claras e sem evasivas, das linhas vermelhas traçadas pelo PSD.

Moedas já entrou na campanha, mas de forma inteligente. Um trunfo para futuro. 

QUEREMOS CASA PARA VIVER

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imagem ilustrativa / fotomontagem Duas Linhas

19 cidades portuguesas foram palco de manifestações simultâneas organizadas pela plataforma Casa Para Viver. O tema da habitação vai marcar a campanha eleitoral das eleições de 10 de março mas só a esquerda parece dar importância ao assunto. A maioria dos partidos de esquerda estiveram presentes, pelo menos em Lisboa e Porto. Nenhum partido da direita apareceu.

Milhares de pessoas saíram este sábado à rua para um protesto pelo direito à habitação, quando os preços de venda ou aluguer de casas atingiram já custos insuportáveis. Num país onde uma larga fatia da mão-de-obra recebe salário mínimo nacional, o drama de conseguir uma casa para viver marca a vida de dezenas de milhar de pessoas, maioritariamente jovens.

Em Albufeira, Aveiro, Beja, Benavente, Braga, Coimbra, Covilhã, Évora, Faro, Funchal, Lagos, Leiria, Lisboa, Portalegre, Portimão, Porto, Setúbal, Sines e Viseu, os manifestantes exigiram políticas sociais para o problema da habitação

no Porto não é asneira…

“Continuamos a ter de lutar para chegar ao fim do mês, com salários miseráveis, sem conseguir comprar casa ou arrendar casa e sem dinheiro para viver dignamente. Temos de partilhar casa até aos quarenta anos e somos empurrados para longe dos centros das cidades, condenados a perder duas e três horas cada dia apenas em viagens, a viver em sobrelotação, em casas sem condições adequadas, ou em pânico perante a ausência de alternativas quando o proprietário resolve não renovar o contrato. Somos vítimas de despejo para dar lugar a hotéis, investimentos turísticos e condomínios de luxo”, é o discurso de quem organizou as manifestações que marcaram o dia.

RACISTAS ESTICAM A CORDA

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O dirigente fascista Mário Machado desafia a proibição da manifestação “Contra a Islamização da Europa” e pede aos seus seguidores para não desmobilizarem e no dia 3 dirigirem-se para Lisboa, como estaria planeado.

Machado diz que não precisa de comunicar às autoridades a realização de uma “ação de protesto”, não revela ainda o local onde os militantes e simpatizantes da extrema-direita se irão concentrar.

Depois do YouTube ter apagado o vídeo, usem o link para a rede Telegram.

Mário Machado a esticar a corda. Porventura, acredita que as cacetadas da polícia de choque serão mais suaves contra a extrema-direita.

Segundo foi noticiado, a decisão da autarquia de Lisboa sustenta-se no parecer da PSP, que “é claro ao salientar um elevado risco de perturbação grave e efetiva da ordem e da tranquilidade pública”.

Na quarta-feira, a Câmara de Lisboa aprovou por unanimidade um voto de repúdio sobre a ação de rua convocada por um grupo neonazi junto ao Martim Moniz. O executivo liderado por Carlos Moedas condenou “toda e qualquer manifestação de caráter violento, racista ou xenófobo na cidade”.

Posteriormente, coletivos antirracistas decidiram preparar uma contramanifestação de “pessoas de todas as cores”, para o mesmo dia e zona.

Que iria haver confrontos entre os dois grupos, isso parecia certo. A manifestação racista realizar-se na zona de Lisboa de maior concentração de residentes e comerciantes de origem asiática, nem todos muçulmanos, era uma óbvia provocação.

O Tratado Pandémico e um problema chamado Bill Gates

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Nos meus artigos fui descrevendo como um ministro de saúde italiano simpatizante do Partido Comunista chinês aproveitou acordos com a China, no âmbito da Nova Rota da Seda, e despoletou uma serie de eventos que criaram o caos num contexto de guerra comercial EUA-China e um Presidente incontrolável, que ousou fazer frente ao Complexo Industrial Militar Americano.

Temos ainda um Deep State Americano sem respeito pelo seu líder e uma crença cada vez mais crescente nos corredores estatais que vigiar os seus próprios cidadãos é algo necessário para fazer frente ao gigante asiático. Ao mesmo tempo, temos grandes corporações (americanas e não só) com grandes simpatias para com o modelo comuno-capitalista mandarim, que se juntam numa espécie de consórcio chamado Fórum Económico Mundial, preocupado em salvar o Mundo e facturar ao mesmo tempo.

A maior força dos países não é tanto o dinheiro, mas a cultura. A apropriação da essência de um povo começa antes de mais pela evangelização. Neste ponto considero que a China está muito mais infiltrada a Ocidente do que se possa pensar.

O problema do novo tratado pandémico

É neste contexto que nos deparamos com um novo Tratado de Preparação e Gestão de Pandemias e com mais de 300 emendas ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI).

Em termos latos, podemos argumentar que este tratado é um decalque pós-moderno de um modelo de venda de Defesa que os EUA implementaram após a II Guerra Mundial pelo mundo, cujos efeitos negativos são visíveis sobretudo em África e na América Latina. A estratégia é simples: a venda de modelos e projeções catastróficas com vista à assinatura, por parte dos Estados, de acordos comerciais com dinheiros públicos. Tal gerou e tem gerado situações caricatas, como o facto de em certos países africanos ser mais fácil levar a vacina da pneumonia do que ser tratado para a malnutrição.

As origens da OMS, enquanto braço da saúde da ONU, assentavam na prevenção primária e na autodeterminação em saúde. Ao longo dos anos e com o crescente investimento privado direccionado, o foco passou para a venda de produtos para solucionar problemas. Um processo altamente inflenciado pelo enviesamento norte-americano que, aparentemente, parece não acreditar em sistemas nacionais de saúde.

A longo prazo esta estrutura colossal trará problemas de retorno, alguns dos quais que já podem ser antevistos: o caso da Polónia que foi processada pela Pfizer por não querer cumprir os contratos das vacinas e os milhões de vacinas que foram deitadas ao lixo porque as pessoas já não as querem.

O site POLITICO diz que mais de 200 milhões de vacinas contra o coronavírus foram para o lixo.

Será de especular que a vacinação obrigatória acabará por se tornar uma necessidade para suportar e justificar a estrutura.

Convém salientar que a OMS enquanto organização intergovernamental não está sujeita à jurisdição de qualquer Tribunal que lhe possa exigir transparência.

O problema Bill Gates

Em 2022 entrevistei o economista Jeffrey Tucker, organizador e principal responsável pela Declaração de Great Barrington, que em 2020 juntou três eminentes epidemiologistas que pediam uma estratégia de gestão pandémica voltada para os vulneráveis (os FOIA – Freedom of Information Act – libertados mais tarde, revelam que Fauci os apelidou de fringe minority (minoria marginal) e promoveu ativamente a sua descredibilização em conjunto com o Reino Unido). A dada altura perguntei-lhe o que ele achava das teorias da conspiração à volta da personagem de Bill Gates. Respondeu-me que era o “tipo dos cheques”, que estava rodeado de pessoas que lhe diziam o que ele queria ouvir.

Resolvi investigar mais sobre o assunto.

O jornalista de investigação Tim Schwab refere, no seu livro “The Bill Gates Problem” que o empresário fundador da Microsoft não se limita a investir nas empresas, também se “intromete” ativamente nelas, interferindo nos processos e, muitas vezes, levando ao próprio insucesso dos projectos. O ambiente tóxico que existiria na Microsoft terá sido transferido para a Fundação Bill e Melinda Gates. Mas o certo é que não perde dinheiro.

É sabido que a Fundação Gates, em conjunto com outras três agências, foram os principais responsáveis pela gestão da pandemia apesar de eles próprios admitirem que não correu como esperado.

Título deste artigo: Como Bill Gates e parceiros influenciaram o controlo da resposta global à Covid – com pouca supervisão

Contrariamente ao que se julga, não foi a Pfizer quem mais lucrou com a corrida desenfreada às vacinas. Foi a BioNtech, empresa então ainda relativamente pequena e sem qualquer produto lançado no mercado. Os três principais acionistas são o CEO Ugur Sahin e os gêmeos alemães Strüngmann, Andreas e Thomas, que forneceram grande parte do capital inicial para a fundação da empresa em 2008.

Conforme descreve o jornalista Jordan Schachtel, a Fundação Gates vendeu 890,000 ações da BioNTech, representando 86% de suas participações anteriores. Com base no tempo e na evolução do preço das ações da BioNTech, Schachtel estima que a fundação faturou 260 milhões de dólares com a venda ou um impressionante retorno de 1500% sobre seu investimento inicial. A maior parte não tributada porque foi investida através da fundação. É esta sorte inesperada que faz Bill Gates parecer o principal beneficiário do súbito sucesso da BioNTech, mas são os Strüngmanns os principais beneficiários do sucesso da empresa alemã.

A subida vertiginosa no preço das ações da BioNTech catapultou brevemente os gémeos para a posição das pessoas mais ricas da Alemanha, com um património líquido estimado em 52 milhões de euros, quando o o preço das ações atingiu seu ponto mais alto no final de 2021. As suas participações na BioNTech valeram mais de € 42 mil milhões.

Por volta de dezembro de 2020, os gémeos Strüngmanns detinham 114.410.338 ações ou quase 47.4% das ações da BioNTech. Isso significa que os gémeos, entretanto, se desfizeram não de quase 900.000 ações, como a Fundação Gates, mas de quase 9 milhões.

E o que dizer das ligações de Bill Gates com a FDA, a agência reguladora do medicamento americana? Em 2017, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA firmou um acordo memorando de entendimento (MOU) com a Fundação Bill & Melinda Gates.

No âmbito desse acordo, as duas entidades concordaram em partilhar informações para “facilitar o desenvolvimento de produtos inovadores, incluindo contramedidas médicas”, tais como diagnósticos, vacinas e terapêuticas para combater a transmissão de doenças durante uma pandemia.

A FDA tem sido criticada pelas suas “portas giratórias”. Dez dos últimos 11 comissários da FDA deixaram a agência e garantiram cargos em empresas farmacêuticas que antes regulamentavam. Da mesma forma, a Fundação Gates contratou membros de elevado escalão da FDA, que trazem consigo conhecimento profundo do processo regulatório.

Por exemplo, Murray Lumpkin teve uma carreira de 24 anos na FDA, actuando como consultor sénior do comissário da FDA e representante para questões globais. Agora, ele é vice-diretor de assuntos regulatórios na Fundação Gates e signatário do MOU.

E Margaret Hamburg, que atuou como comissária da FDA entre 2009 e 2015, está agora no Conselho Consultivo Científico da Fundação Gates.

Bill Gates tornou pública a sua satisfação por ter recebido um retorno de 20 para 1 no seu investimento de 10 mil milhões de dólares no “financiamento e entrega” de medicamentos e vacinas.

“É o melhor investimento que já fiz”, escreveu no Wall Street Journal. “Décadas atrás, esses investimentos não eram apostas seguras, mas hoje quase sempre rendem muito.”

Em Outubro de 2019, a Fundação Gates e o Fórum Económico Mundial acolheram o Evento 201, que reuniu agências governamentais, empresas de redes sociais e organizações de segurança nacional para combater uma pandemia global “fictícia”. Bill Gates é um dos principais entusiastas e mecenas da biossegurança. A Fundação Gates detém ações numa série de empresas farmacêuticas, incluindo Merck, Pfizer e Johnson & Johnson. Investiu milhões no financiamento de ONGs, meios de comunicação e agências internacionais, garantindo

No seu mais recente livro ” Como prevenir a próxima pandemia”, Bill Gates alerta que as futuras pandemias são a maior ameaça à humanidade e que a sobrevivência depende de estratégias globais de preparação para pandemias, posicionando-se firmemente no centro da definição da agenda.

Investiu ainda milhões no financiamento de ONGs, meios de comunicação e agências internacionais, garantindo uma influência política significativa. As contribuições financeiras para os media garantiram a Gates uma cobertura noticiosa favorável. No site da Fundação está, por exemplo, o registo de financiar o jornal The Guardian em 3.5 milhões de dólares durante três anos.

Também o regulador de medicamentos do Reino Unido, o MHRA, admite receber financiamento da Fundação Gates, relativamente a uma série de iniciativas. O nível atual de financiamento recebido da Fundação Gates ascende a aproximadamente 3 milhões de dólares e abrange vários anos financeiros.

O candidato presidencial Robert F. Kennedy Jr rotulou Bill Gates como “o homem mais poderoso na saúde pública”, uma vez que conseguiu orientar a estratégia pandémica da OMS para se concentrar principalmente na vacinação. Numa entrevista, Kennedy afirmou que a OMS “implora” pelo financiamento de Gates, que agora constitui mais de 88% do valor total das doações da OMS provenientes de fundações filantrópicas.

E quanto às relações com o governo alemão? Um artigo recente no site alemão Transparenztest declarava que o governo alemão financia ou é parceiro de vários projetos da Fundação Gates no valor total de 3,8 mil milhões de euros. Algumas das entradas do programa nos dados do governo alemão identificam a Fundação Bill & Melinda Gates (BMFG) como um patrocinador entre outros, enquanto outras entradas a listam como a única ‘fundação/organização’ patrocinadora.

Foi sem supresa que o surgimento da simulação da “Doença X“, apresentada em Davos e defendida pelo Director Geral da OMS como uma das razões para assinar um novo Tratado de Pandemias, tivesse o financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates. Sobre esta questão falarei num próximo artigo.

(continua)

A Democracia no Fio da Navalha

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O país assiste atónito a uma operação policial, com a detenção de um titular de cargo publico, um autarca. Em simultâneo, à constituição de vários arguidos, entre eles o Presidente do Governo Regional da Madeira, à recolha e consolidação de informações com buscas a casas, escritórios e gabinetes por parte do Ministério Público, coadjuvado por inspectores da PJ e o apoio logístico da Força Aérea.

Tudo isto em período pré eleitoral. Uma longa temporada que vai dar para tudo, até ajustes de contas. 

Já estávamos a braços com a “Operação Influencer”, a qual levou à demissão do ainda primeiro-ministro, por um parágrafo no comunicado da Procuradoria-Geral da República que levantava uma suspeita sobre ele.

Já estávamos com a pulga atrás da orelha com a denúncia sobre o processo fiscal e camarário que conduziu a reconstrução da mansão de Luís Montenegro.

Cai na comunicação social uma outra denúncia sobre negócios envolvendo a autarquia de Cascais com indícios de favorecimento na venda de um lote de terreno e construção de um hotel, que mais parece um edifício de apartamentos. 

Um deputado saltimbanco muda de partido político, do PSD para o Chega, por lhe ter sido negado um lugar elegível nas listas da sua anterior agremiação. E logo de seguida é confrontado com o facto de ter recebido 75000€ de ajudas de custo de forma indevida. 

Diz o nosso Chefe de Estado que os tempos da justiça não são os tempos da política. A mim cheira-me mais que a justiça meteu água ao meter-se na política, e anda agora a tentar mostrar que não faz escolhas políticas nem tem agendas, que não a verdade dos factos.

Entretanto aqueles que exigiam a António Costa a sua demissão, pugnando pela ética republicana e referências morais, são os mesmos que agora, travestidos de uma interpretação obtusa desses valores, se recusam a aceitar o mesmo caminho do primeiro-ministro e, pior ainda, desfazem-se em explicações inconsequentes.

No meio de tudo isto o populismo cresce e consolida-se. Temo que o Chega acabe por ser o verdadeiro vencedor das próximas eleições, duplicando o actual número de deputados.

Se a democracia não se regenera, quem vencerá a breve trecho são os seus inimigos. 

cartoon de Hélder Dias

POLÉMICA E CENSURA EM OEIRAS

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Isaltino Morais acusado de censurar a palavra a uma cidadã durante uma sessão de esclarecimento promovida pela autarquia.

O tema era o Plano de Pormenor Norte de Caxias e a polémica gira á volta de uma via rápida que a autarquia vai construir a atravessar uma zona residencial.

Isaltino Morais impediu que fosse dado o microfone a uma cidadã, por ser deputada municipal da oposição. Mónica Albuquerque, eleita pela Coligação Evoluir Oeiras, é residente na zona afetada e pretendia colocar questões.

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Num comunicado, a Coligação Evoluir Oeiras diz que “parte das pessoas que estavam a assistir não gostaram da atitude do autarca e abandonaram o pavilhão onde decorria a sessão de esclarecimentos sobre o Plano de Pormenor Norte de Caxias.”

Segundo o mesmo comunicado, a vereadora da Coligação Evoluir Oeiras, Carla Castelo, interpelou o presidente da Câmara e lamentou “a atitute prepotente e antidemocrática” de Isaltino Morais. “Pensei que tinha vindo a uma sessão de esclarecimentos, mas ao que assisti foi a uma sessão de propaganda” e também abandonou a sala.

A ARTE TAMBÉM CURA

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Estranho título, à primeira vista, para identificar uma exposição de arte, como se a Arte pudesse ser veículo de terapia. Mas é verdade: cura! No caso vertente e em muitos semelhantes. Ou seja, dedicar-se à Pintura, à Escultura ou ao Desenho pode constituir ocupação susceptível de contribuir para se obter maior serenidade e, consequentemente, maior capacidade de travar o aparecimento do mal-estar.
Escreve no catálogo Jaime Silva, professor de Pintura, que tem acompanhado a ascensão de A. Santos Ramos, o pintor: A ideia «A Arte também cura» pretende evidenciar o quanto elas representaram no resgate em túneis de silêncio e de depressão e se tornaram em elementos libertadores e de prazer espiritual.

O excelente catálogo bilingue da mostra – a guardar! – apresenta textos de Jaime Silva, Fátima Geada, Mário Assis Ferreira e Pedro Lima de Carvalho, o curador da exposição. Aí se conta a história do pintor e, de modo especial, se assinala o facto de a convivência com a galeria de arte do Casino Estoril e seus mentores, assim como a pertença à Sociedade Nacional de Belas Artes lhe inocularam o vírus.

E o resultado aí está.
Uma exposição diferente, porque simbiose de tendências, desde o realismo dum autorretrato ao esquemático simbolismo das quatro estações em Bilbau e ao abstracionismo quase dolente das meias-tintas duma «Saudade».

duas obras em exposição: Saudade e Pandemia – a desolação do Jardim da Estrela

Fugindo destes ismos, nem sempre capazes de serem reais, dir-se-á que há um elo de união entre todas as telas expostas: a clara vontade de passar para cada uma delas, de qualquer tamanho que seja, o pormenor que particularmente cativara a atenção, aspecto bem patente, por exemplo, na série «Dualidades».

Teve mui luzida afluência a sessão de abertura, ao final da tarde de sábado, 20. Estará patente na Galeria do Casino Estoril, diariamente, das 15 às 20 horas, até 12 de Fevereiro. Acesso livre.

ROMAN, O ‘ARTISTA’

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Em dezembro de 2023, foi notícia que Abramovich tinha perdido uma demanda judicial para anular sanções impostas pela União Europeia. A União Europeia já instituiu vários pacotes de sanções para tentar penalizar a Rússia pela invasão da Ucrânia, medidas que abarcam empresas e empresários russos de vários setores, nomeadamente energia, banca, indústria, comércio, bolsa. Abramovich é um entre mais de mil pessoas ricas que viram bens congelados, propriedades arrestadas e proibições de viajar. Mas estamos a falar de pessoas muito ricas e que tiveram a precaução de adquirir várias nacionalidades. Abramovich, por exemplo, além do passaporte russo, tem um israelita e outro português. Pelo menos. Ou seja, se viajar com esses documentos não pode ser impedido de entrar nos diferentes países e de fazer o que bem entender com o seu tempo e dinheiro.

Abramovich, por exemplo, investe em arte. As pessoas muito ricas fazem-no, como sabemos. Não apenas por vaidade, mas porque obras de arte são consideradas ativos em constante valorização. Dinheiro em caixa. E é um negócio de élites, longe dos olhares do público. Compra-se e vende-se no mais perfeito anonimato, em leilões online ou de acesso restrito.

Quadro de Lucian Freud, Benefits Supervisor Sleeping foi comprado por Abramovich por 33 milhões de dólares norte-americanos

Dizem os entendidos na matéria, que Abramovich tem uma fortuna imensa em obras de arte. Uma coleção que foi sendo feita nos últimos 15 anos. Uma investigação jornalística divulgou que a coleção abarca obras de mestres russos, europeus e americanos, a saber: Monet, Degas, Matisse, Picasso e Magritte; vários modernistas russos; e artistas contemporâneos britânicos como Lucian Freud, Francis Bacon e David Hockney. Dois quadros da portuguesa Paula Rego também constam da coleção.

Mulher-cão e A Filha do Polícia, as duas obras de Paula Rego adquiridas por Roman Abramovich


“Podíamos encher um museu só com a coleção dele”, disse um especialista de arte ao jornal The Guardian. Segundo a mesma fonte, a coleção de Abramovich, em 2018, foi avaliada em 900 milhões de euros.

La Liseuse, de Pablo Picasso, custou 8 milhões de dólares norte-americanos

Como foi que Abramovich evitou o arresto deste tesouro? As compras são feitas em nome da sociedade offshore Seline-Invest, em que 51% do capital pertence à… ex-mulher de Abramovich. Dasha Zhukova tem nacionalidade norte-americana e vive nos EUA. E não é casada com o russo perseguido. Divorciaram-se em 2016.

Tempos houve em que o ex-casal detinha, cada um, uma participação de 50% nessa sociedade de investimentos. Mas, antes da guerra na Ucrânia ter começado, foi feita uma nova divisão do capital social e Dasha ficou com a maioria. Uma jogada de mestre que só se entende se acreditarmos que Roman tem premonição sobre acontecimentos futuros ou escutou alguma confidência de Putin.

Outro pormenor interessante é sabermos que Zelensky pediu aos americanos para não incluírem o nome de Abramovich na lista dos sancionados. Ao contrário da União Europeia e do Reino Unido, os EUA não impuseram sanções a Abramovich. O argumento de Volodymyr Zelensky foi que Abramovich seria um intermediário útil com o Kremlin.

Abramovich parece que se safou, graças à sua lista de contactos. Teve de vender alguns anéis, como foi o caso do Clube de Futebol Chelsea, mas safou-se com o resto. O negócio do petróleo e gás natural vai de vento em popa, como se sabe. Deixou de vender diretamente à Europa, mas novos parceiros na Índia e na China tratam disso.

Quanto às obras de arte, estão guardadas. De vez em quando, uma ou outra peça aparece por empréstimo em exposições, mas não na Europa enquanto houver sanções.

A LIMPEZA DO CHEGA

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imagem ilustrativa / montagem fotográfica

Para limpar Portugal tem de se começar por algum lado e o Chega começou pelo PSD. Está certo, não devemos descurar o conforto dos progenitores e o Chega parido no PSD zela por isso.

A transferência do deputado Maló do PSD para o Chega contribui para aquela sensação de que há políticos que se vendem barato. Pode ser que se destape mais alguma falcatrua, mas para já a suspeita que atinge Maló é a de ter metido ao bolso 75 mil euros em subsídios e ajudas de custo indevidas, através de um esquema fraudulento de alteração de moradas.

recorte da notícia da revista Sábado

A notícia é avançada esta quinta-feira pela revista Sábado.

Maló não tem sido notícia pelas melhores razões. Quando se soube do convite do Chega para se passar para lá, o deputado disse que a notícia era “baixa política” e que se esse convite existisse diria que não, “à partida e à chegada”. Poucos dias depois confirmou-se que era candidato do Chega. Como diz Daniel Oliveira no Expresso, Maló “começa a sua carreira cumprindo uma espécie de ritual iniciático daquele partido: com uma mentira.”

O problema é que as mentiras não têm sido sancionadas, nem pela justiça nem pelo voto popular. Votar em gente pouco escrupulosa não é novidade, sempre aconteceu e tudo indica que vai continuar a acontecer.

imagem ilustrativa / grafismo editado

Logo de início tivemos o caso das assinaturas falsas detetadas pelo Tribunal Constitucional no processo de legalização do Chega. As assinaturas foram mesmo falsificadas, mas o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa não foi capaz de descobrir quem foi o falsificador, “não foram reunidos indícios suficientes sobre a autoria das falsificações (seja autoria moral ou material)”, informou na altura o DIAP.

recorte da notícia no jornal Observador

E depois tivemos o caso do assessor Manuel Matias, pai da única deputa do Chega, Rita Matias. E tivemos o caso de António Cerqueira, autarca de Vila verde, eleito pelo CDS entre 1976 e 1997, condenado a seis anos de prisão, em cúmulo jurídico, pela prática de três crimes de peculato (uso indevido de bens de instituições públicas), três de falsificação e um de abuso de poder. Foi ainda obrigado a devolver 100 mil euros ao Estado de ordenados recebidos indevidamente.

recorte de notícia publicada no jornal O Minho

As autarquias têm sido um problema. Desde as eleições de 2021, o Chega já perdeu quase metade dos autarcas que elegeu. O caso do vereador de Sintra, Nuno Afonso é apenas o mais mediático, pelo facto de se tratar de um fundador e  nº 2 do partido. O que Nuno Afonso diz de Ventura, não dizem os muçulmanos do toucinho.

Diz ele que Ventura descarta pessoas, “agora que o Chega custa 10 milhões ao Estado e o presidente tem todas as despesas pagas, incluindo carro, portagens, estadias, motoristas, refeições e digestivos.”  E que o nepotismo é prática corrente no Chega, “o amiguismo é prática corrente no partido. Além disso, castiga, persegue e afasta todos os que possam fazer-lhe oposição.”

Numa entrevista à revista Visão, Afonso abre o livro sobre o Chega. “Temos deputados que agridem colegas, parlamentares que ofendem outros deputados, um assessor que ameaça jornalistas, outro que fotografa os computadores dos repórteres e ouve as suas conversas, um eleito que ameaçou um assessor de outro partido, um deputado que supostamente agrediu um militante do Chega dentro da Assembleia”. Parece um filme de cowboys.

Mas a primeira mentira é o pregão de ser um partido antisistema. Não só não recusa nenhuma das mordomias do sistema como vota a favor delas. E, agora, alicia deputados de ética duvidosa que passam diretamente das bancadas do PSD para a sua.