O BORDEL da política

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Agora que chegou a líder do partido, Montenegro está a ensaiar o discurso para convencer a regressar a casa o eleitorado que fugiu para o Chega. E a primeira manobra foi traçar a fronteira entre o PSD e o Chega, dizendo que, com ele, nunca o PSD se associará a políticas xenófobas ou racistas. E quem fala assim, não é gago.

Há indícios de que este Montenegro é um homem diferente daquele que, no passado, teve declarações políticas consideradas homofóbicas, ao associar homossexualidade ao abuso sexual de crianças. Uma associação de ideias completamente descabida e irreal, porque o abusador tanto pode ser homossexual como heterossexual.

Este caso veio a lume de novo, relembrado pela deputada Isabel Moreira, do PS. “Temos memória” diz ela sobre as opiniões de Montenegro, até porque existem documentos assinados, como é o caso das atas da Assembleia da República sobre as discussões e a aprovação da revisão constitucional de 2004 que introduziu a proibição de discriminação com base na orientação sexual.

Mas, Montenegro deve ter mudado de opinião sobre a homossexualidade, ou não teria convidado Paulo Rangel para vice-presidente do PSD.

Esta será também uma linha de demarcação do PSD e o Chega. André Ventura não hesitou em dizer publicamente que Paulo Rangel era “frouxo em todos os sentidos”, embora haja indícios de que o próprio André guarda alguns esqueletos no armário relativamente a estas questões… o que pode ser um problema para Montenegro separar as águas com Ventura.

A política não precisa de ser um bordel, mas isso depende dos seus protagonistas. Esperemos que Montenegro confirme os bons princípios que diz defender.

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