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O CARRO QUE NUNCA MAIS CHEGA

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O e-C3 da Citroen nunca mais chega a Portugal. O carro elétrico foi publicitado no final do ano de 2023, o processo de encomendas foi despoletado no início de 2024. Milhares de pessoas sinalizaram a encomenda com dinheiro. Os vendedores não aceitavam menos de mil euros. Estamos no final do quinto mês do ano e o carro não aparece.

As empresas que vão comercializar o veículo não saben sequer dizer aos clientes quando poderão ter o veículo. Houve um tempo em que lhes foi dito “talvez em abril”. Mas nem o “seguramente em maio” se cumpriu. Agora, talvez seja em julho. Quem sabe?

interior do e-C3

A insatisfação dos clientes aumenta, na mesma medida em que outras marcas começam a aparecer com modelos elétricos de valor semelhante, algumas até mais barato. Ou seja, aquilo que foi apresentado como o primeiro modelo europeu a ser capaz de competir com os carros elétricos chineses em termos de preço de venda ao público, começa a ser mentira.

Por estes dias, surgiram de novo artigos promocionais do e-C3 nas revistas da especialidade, o que talvez queira dizer que, finalmente, se aproxima a data em que o carro chegará a Portugal.

As máscaras do nosso contentamento

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Diz-se do estilo românico, em que foram construídos os nossos templos nos séculos XI e XII, que os seus construtores tinham «horror ao vazio», porque procuravam preencher com elementos decorativos tudo quanto era espaço susceptível de receber algo que lhe desse vida. Parece que não gostavam nada de paredes lisas, de capitéis de colunas sem baixo-relevo a condizer.

Não terá sido, no entanto, essa a única época em que tal sedução existiu – que, hoje, parede lisa e sem nada em ambiente urbano é, pela certa, convite irresistível a… delirante pichação!

E se os capitéis das colunas foram, em todo o tempo, alvo aliciante para o canteiro engenhoso, que se dirá das gárgulas dos monumentos antigos? A água acumulada nos telhados carecia de ser escoada por um buraco, mas, para que a descarga não estragasse a parede, urgia que o cano ficasse saliente. Ora, tudo confluía para o cano ser pescoço, a abertura boca e… toca a esculpir a cabeça de um animal ou uma carantonha humana, a rir-se das gentes que lhe passavam por baixo em sério risco corriam de tomarem banho sem querer!… Gárgulas-cabeças, gárgulas-caraças, gárgulas-animais, gárgulas-diabos, gárgulas-palhaços…

Torre de Londres

Estás num dos pátios da vetusta torre de Londres. Olhas para cima e lá estão elas!

Na esquina da esquerda, um monstro em jeito de cão de fila, ameaçadores caninos à mostra, farta juba que o leão lhe emprestou; mete medo!

A meio, porém, uma cabeça coroada, cabelos longos lhe caem de cada lado, o olhar nos longes, a meditar (parece), não mete medo a ninguém e não serviu de gárgula, não.

Já do lado direito, como que pendurado no parapeito da janela gótica, cara de leão feroz, boca escancarada, juba em total desalinho, se quer dizer «vou-te devorar!», não convence mesmo ninguém, está a rir!…

Isto são máscaras ou carrancas urbanas, solenes, impantes. Tem-se-lhes respeito, de vez em quando serão limpas, juba ou cabeleira lavadas… O mesmo se não poderá dizer das carrancas modestas com que já topámos e continuamos a topar, pois mesmo o senhor rural, que pouco tem de seu, acha que pespegar carranca na parede de casa lhe pode acarretar prestígio e, sobretudo, afasta, de certeza, o mau olhado. Por conseguinte, se o construtor lá as pôs, por algum motivo foi, nem que apenas a fim de embelezar a fachada.

Daí até as considerarmos um elemento do património rural construído a preservar vai um passo miudinho e aqui estamos nós, de peito aberto, a garantir: senhores, estas rudes esculturas que não sonham ser mais do que são, assim simplesinhas, precisam mesmo de ficar ali. Vamos mantê-las limpinhas, uma escova macia para lhes retirar o pó dos séculos e que o povo as admire e as crianças lhes dêem os bons-dias!

Expliquemo-nos.

Duas são peanhas de granito (Fig. 5) e a escultura grosseira, a representar um rosto estilizado, exibe-se na face frontal oblíqua da peanha. Não são iguais, mas muito parecidas e terão, decerto, saído da mesma mão de canteiro.

A erosão vai-as desgastando, do narizito já pouco se nota, mas vêem-se bem os olhinhos fundos, redondos, e a boca é um risco em arco numa e um T na outra.

Podemos admirá-las, a meia altura, na parede de uma casa na Rua Francisco Gonçalves Pureza em Cabaços, concelho de Moimenta da Beira.

Ouvimos também o lamento de mais uma peanha mascarada no Beco do Forno, povoação de Paraduça, freguesia de Leomil, do mesmo concelho, também de granito. Poderá servir para base de vaso florido, se lhe quiserem dar serventia, até porque a máscara que, em baixo-relevo, lhe esculpiram faz lembrar, pelo seu nariz afilado, as máscaras dos caretos de Podence, oh! se faz!

E pronto. Lá demos a conhecer mais umas esculturas populares. Pediram-nos elas que as não deixássemos assim incógnitas, meio perdidas e aparentemente sem qualquer préstimo agora. E nós de muito bom grado acedemos ao seu mais do que legítimo pedido. Saúde, amigas!

(artigo em co-autoria com José Carlos Santos)

A Luta de Ildefonso, maio de 2024

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imagens que se repetem

Manuel Ildefonso continua a lutar pelo seu direito de se manifestar nas proximidades do edifício sede da autarquia de Sintra.

A Polícia Municipal continua a tentar impedir que a manifestação se faça.

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TANTO QUE MUDOU NA VIDA DA GENTE

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No tempo do regime de Salazar, começaram-se a ver alguns filmes nas aldeias saloias. Havia uma carrinha que percorria as coletividades para passar filmes. Conseguia-se ver o Zé do Telhado, que roubava aos ricos para dar aos pobres.

Alguns homens não sabiam ler, o que não era impedimento para aprender música. E começaram-se a criar grupos de músicos que, mais tarde, viriam a dar filarmónicas. Alguns músicos concorriam a bandas das Forças Armadas porque, se tivessem que ir para a guerra, sempre poderiam ir para as bandas dos batalhões onde fossem colocados, com destino a Angola, Moçambique, Guiné. Assim, sempre havia menos probabilidades de virem com alguma deficiência física, como pode acontecer quando se vai para a guerra. Neste caso, uma guerra injusta, para satisfazer os grandes interesses de um regime ditatorial como o Salazarismo.

Na altura, só ia estudar quem fosse rico ou vivia bem. Nos pobres, as raparigas iam servir. Algumas eram tratadas como escravas pelos grandes burgueses que agiam como se fossem donos delas. Os rapazes iam para pastores. Quem conseguia andava na escola até fazer a 3ª classe obrigatória. Por volta de 1945, começou a ser obrigatório fazer a 4ª classe.

Saindo da escola, alguns miúdos iam logo aprender um ofício como pedreiro, serralheiro, carpinteiro e outros. Normalmente tinham 10, 11, 12 anos. No caso da carpintaria, a oficina tinha secção de bancos de carpinteiro, existia uma serra manual que era feita pelo próprio. Era montada para pessoas direitas; se fosse canhoto, tinha de aprender a trabalhar à direita. O mesmo acontecia na escola.

Recordo alguns nomes próprios da carpintaria. Assim a serra tinha as armas, o alfeizar, o  trabelho, os tornéis, o cordel, a folha de serra em aço. Na secção de máquinas, falava-se da serra de fita, da garlopa, da desengrossadeira, furar de correntes, furar de brocas, tupia. Os ferros para esta máquina eram feitos pelo próprio mecânico de carpinteiro a partir de molas dos amortecedores de camionetas de carga.

Na oficina, também havia uma casa de banho e o refeitório com lareira para se aquecer os almoços e cozer batatas. Normalmente, batatas com bacalhau ou atum de lata. Era onde o pobre melhor chegava.

Por volta das oito e meia, o puto ia à padaria comprar papos-secos;  passava na mercearia e na taberna, comprava uma fatia de queijo e uma ‘bombinha’, que era uma garrafa de cerveja de 3,5 dl mas cheia de vinho tinto. Depois, ia ajudar nas máquinas. Às 11 horas, cozia as batatas e aquecia os almoços; às cinco, limpava as aparas da oficina, que punha no abrigo com um telheiro. Mais tarde, viria uma camioneta que levava as aparas para os fornos de cozer telhas em barro.

Temos também pessoas na nossa história mais recente que ficaram conhecidas no mundo: Amália Rodrigues, Eusébio (o «Pantera Negra») e Joaquim Agostinho. Havia em algumas tabernas um quadro na parede que dizia:

No fado temos a Amália,
No pedal o Agostinho,
No futebol o Eusébio
E nesta casa o bom vinho.

Em 1974, no dia 25 de Abril, soldados, cabos, sargentos, oficiais, sob o comando do Capitão Salgueiro Maia, trouxeram a liberdade para Portugal com a Revolução dos Cravos.

Desde esse dia somos livres de dizer, de sonhar, de rir, de pensar, de chorar, de escrever, de tocar, de cantar, e as cantigas são também a voz e a arma de um povo.

(todas as fotos são de Alfredo Cunha)

ENFERMEIRO HERÓI

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Terminou o curso de enfermagem pouco antes da Guerra ter eclodido em Gaza. Nunca mais teve um dia de descanso. A história de Omar Ba’losha será digna de ser contada em pormenor, mas o que temos são apenas relatos esparsos e algumas fotografias surripiadas nas redes sociais.

Omar Ba’losha, tem 21 anos de idade, enfermeiro. Não tem nenhuma dificuldade em encontrar trabalho. Não lhe pagam salário, mas se for verdade que existe uma lei da reciprocidade, estamos aqui a falar de um futuro multimilionário. Isto se, entretanto, não “tropeçar” num óbus israelita disparado contra ele.

Em Gaza, Omar optou por fazer atendimento ao “domicílio”. Ele vai onde há gente ferida a precisar de tratamento e onde não há médicos. Está sempre no olho do furacão da vingança israelita. Faz o que pode em situações de emergência, ajuda a sinalizar aos socorristas casos de absoluta necessidade de atendimento hospitalar, recolhe nos escombros dos hospitais o que ainda pode ser útil para tratar as pessoas.

Hospitais destruídos

Em toda a Faixa de Gaza, Israel já destruiu quase tudo, no que diz respeito a estruturas de Saúde: 30 hospitais completamente destruídos, 53 centros de saúde completamente destruídos, 150 centros de saúde parcialmente destruídos, 121 ambulâncias destruídas.

Segundo Al-Quds News, no Hospital Al-Shifa, dezenas de corpos estão a ser descobertos em valas comuns onde os militares israelitas deixaram médicos, enfermeiros, doentes, administradores hospitalares, ou crianças e mulheres que ali se tinham refugiado dos bombardeamentos. O caso do Hospital Al-Shifa não é único nem o de maior dimensão.

Hospital Al-Shifa, Gaza

No tempo em que não havia Segurança Social

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Ganhava-se muito pouco. Em muitas famílias se passava fome. A alimentação era à base de sopa de feijão que levava água, feijão e couves da própria horta e um pouco de toucinho e massa. Se houvesse sardinhas em casa, uma tinha que dar para três irmãos. Azeite nas batatas muito pouco. Carne era só pelo Natal ou pela Páscoa, então lá se matava uma galinha ou um coelho.

Os homens, quando saíam do trabalho, passavam pelas tabernas para beber uns copos, jogar às cartas, ao dominó e, se estivesse de dia, também ao chinquilho. Por vezes, já meio bêbados, quando havia uma discussão mais acesa, então resolvia-se a coisa logo ali e era ao murro. No outro dia, iam para o trabalho com a cara e os olhos inchados e eram gozados pelos colegas. Também havia alguns homens que não se aguentavam e caíam no caminho à vinda para casa e ali ficavam uma ou duas horas até um familiar vir à procura e levá-lo para casa, por vezes com chuva e frio, sujeito a morrer.

Na minha zona, no espaço de 1 km havia cinco tabernas, algumas com mercearia junta. O taberneiro fiava, para se pagar no fim de semana. Sendo assim, se passasse por todas, chegavam a casa bêbados. Alguns homens eram agressivos para com a esposa e, por vezes, com os filhos. Normalmente, discutia-se por não haver comida em casa e o dinheiro não dava para gastar nos copos e, como se costuma dizer, «Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».

Tasca do sr. Prego na praia das Maçãs

Na época da caça ao coelho, um homem com um sacho e um cão ensinado para caçar depressa arranjava um ou dois coelhos que tanto jeito dava. Também se ia ao mar, Ia-se com a maré vazia e montavam-se armadilhas nas poças mais fundas e ficavam de noite. No outro dia, ia-se na maré vazia, mas a da manhã, e sempre tinha alguma coisa: um safio, uma abrótea, um polvo. E assim também era uma maneira de suavizar a fome.

Praia da Ribeira, Cascais, meados do século XX

Os pescadores profissionais saíam para o mar nas suas traineiras levadas a remos, por vezes com muita dificuldade, com o mar muito agitado. Arriscavam a vida para trazer algum peixe e, assim, ganharem algum dinheiro para sustento das famílias. O peixe era entregue na lota, para ser leiloado pela melhor oferta. As peixeiras vinham às aldeias com a canastra à cabeça, vender de porta em porta. Mas, como está escrito na nossa história, sobretudo em relação à época dos Descobrimentos, nós sempre fomos corajosos para enfrentar o mar.

Por volta de 1940, alguns homens iam trabalhar para as Câmaras das suas localidades. Iam para varredores das ruas e para as camionetas para apanhar os lixos. Eram colocados num determinado lugar que, por vezes, ficava a quilómetros de casa. O caminho era feito a pé, por atalhos, no meio de cabeços com tojos e, assim, o percurso ficava mais curto.

A dada altura, a Guarda Florestal começou a contratar mulheres para a limpeza da Serra de Sintra. Vinha uma camioneta média com um encerado a cobrir a carroçaria, que tinha um banco de cada lado para se sentarem seis em cada. A camioneta vinha às aldeias para levar as mulheres a trabalhar oito horas e, depois, à hora de sair ,vinha trazer. Era um trabalho duro para as mulheres, mas também uma forma de ganhar uns escudos para dar de comer aos filhos.

Nesse tempo, não havia Segurança Social. Para uma pessoa pobre, era muito difícil ir ao médico, mas, se tivesse mesmo que ir, tinha de pedir dinheiro emprestado. Depois, havia a diferença de classes: quando esperavas pela tua vez, se, nesse espaço de tempo, chegasse o senhor engenheiro, o senhor arquitecto ou o senhor doutor, passava à frente e lá tinha o pobre que esperar.

Nesse tempo, quando falecia uma pessoa, o velório era feito em casa e, no dia seguinte, fazia-se o funeral. Vinha uma carreta, levava o corpo e, em andamento muito lento, as pessoas seguiam atrás, a pé. Em alguns lugares, chegava-se a andar 6, 7, 8 km para chegar ao cemitério. De volta para casa, quem tivesse alguns trocos vinha na carreira; se não, tinha que vir outra vez a pé.

Nos vários lugares da freguesia existia uma coletividade, onde se faziam bailes para se divertirem ao domingo, mas também para se fazerem bailes de benefício para alguém que estivesse doente e acamado. As pessoas levavam, por exemplo, um coelho assado no forno, um pão de trigo e uma garrafa de vinho, outras levavam animais vivos para se fazer criação. Iam-se leiloando no decorrer do baile e, no fim, o dinheiro apurado era para a pessoa que estava doente.

As raparigas dançavam umas com as outras um bolero, um vira, uma valsa; e, no lado de fora da sala, estavam os rapazes, que, a dois, faziam sinal às raparigas se queriam dançar com eles. E, quando dançavam, era a um palmo de distância entre eles. Para se dançar juntinhos já se tinha que namorar para, depois, se casarem. As raparigas iam para o baile acompanhadas pela mãe ou, então, por um irmão, que normalmente era um miúdo. Tudo para se mostrar respeito! O pior era quando o puto tinha três irmãs a namorar ao mesmo tempo! Ele vinha distante e à frente e, quase a chegar a casa, sentava-se e esperava, esperava, até ter que dizer: «Vou entrar! Se não quiserem vir, problema vosso!». Então, acabava-se logo o namoro, para entrarmos todos juntos em casa.

Nos Santos Populares, fazia-se uma fogueira, montava-se um balcão, assavam-se sardinhas e bebiam-se uns copos. Dançava-se ao som dos banjos e violas. As raparigas queimavam a flor das alcachofras; no dia seguinte, iam ver: se tivesse outra vez flor, era sinal de que o rapaz dos seus sonhos também gostava dela; se não florisse, não gostava e elas ficavam tristes.

Trabalhava-se do nascer ao pôr do sol

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Há muitos anos, a vida era bem difícil.

Vivia-se numa ditadura e não havia liberdade para o quer que fosse. Se falasses mal do Governo e estivesse algum bufo por perto, no outro dia tinhas a PIDE para te levar para a prisão.

A casa onde algumas pessoas pobres moravam era, por exemplo, um barracão, que servira outrora como curral da burra. Ajeitava-se o chão, que era de terra batida, batia-se com um maço, ficava rijo e servia como soalho. Tinha telha à vista e, de vez em quando, lá estava alguma cobra enrolada nos barrotes. A luz era de candeeiro ou lamparina a petróleo ou candeia com azeite.

No quintal, longe de casa, fazia-se um buraco com cerca de 1 m x 1 m x 1,5 ; atravessavam-se duas tábuas que, no conjunto, tinham cerca de 50 cm na largura, para se porem os pés, a fim de se fazerem as necessidades; vedava-se à volta e fazia-se uma porta.

Quem tivesse posses, abria um poço. Depois de se encontrar água, fixava-se um moinho de vento para puxar a água para a rega na horta ou, então, tirava-se a água com um balde e uma corda.

No lume, na lareira, punha-se uma panela cheia de água. Quando estivesse quase a ferver meter, despejava-se para dentro de um alguidar grande de barro ou de zinco e aí se tomava banho.

Para desfazer a barba, um pedacito de sabão azul e branco numa tijela; esfregava-se nele o pincel, punha-se na cara e utilizava-se a gilete, que, por sua vez, se tinha mudar de lâmina, quando esta já não cortasse.

Algumas mulheres lavavam roupa para as senhoras ricas do Estoril. Iam buscar a roupa e depois ia-se numa burra com a albarda e dois cestos, até onde havia uma nascente. Punham-se tarroeiras com pedras em cima para vedar a água e pedras grandes e lisas para fazer os lavadouros.

Na rua, os miúdos de pé descalço jogavam à bola, ao peão, ao berlinde mas com bogalhas apanhadas das carrasqueiras. Não havia dinheiro para comprar berlindes. As raparigas jogavam ao jogo inglês e saltavam à corda.

Dizem os mais antigos que o meu pai, quando teve as primeiras botas, dançava o fandango descalço em cima dos tojos e andava com elas às costas, porque não as aguentava.

Trabalhava-se do nascer ao pôr do sol e, como diz a canção do Zé Fernando de Colares, Sintra:

Coitado do cavador
Tem uma vida amargurada
É de manhã ao sol pôr
A puxar pela enxada
Grupo de saloios na fonte

O trabalho das mulheres era guardar gado para as pessoas que já viviam melhor e já podiam ter alguém para guardar as vacas e as ordenhar para, depois, levarem o leite e fazerem queijos.

as alfaias expostas no Casal Saloio, outeiro do Polima, Cascais

Os homens cortavam mato para a cama dos animais e trabalhavam a terra. Tinham de lavrar os terrenos com uma charrua puxada por uma junta de bois. O homem usava um guilho enfiado num pau comprido para guiar os animais.

exposição de fotografias no Casal Saloio, Outeiro do Polima, Cascais

Semeava-se o trigo, a cevada e a centeio; no fim do Verão, apanhava-se e levava-se para um terreno grande, onde se agrupavam medas e cada uma pertencia a um dono. Ficavam à espera de uma máquina debulhadora, que percorria as localidades da freguesia. A máquina separava as sementes da palha que, por sua vez, seguia para um outro compartimento e já saía em fardos. As sementes levavam-se para o moleiro, para se obter farinha.

moinho na zona da Malveira

Militares da CPLP chegam a Bissau

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Militares da CPLP reunidos em Bissau, para discutir segurança regional e cooperação. O terrorismo, a pirataria marítima, a cooperação militar entre os estados membros, são alguns dos pontos principais a serem debatidos pelos militares da CPLP, como referiu o ministro da Defesa da Guiné-Bissau no início dos trabalhos.

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Musical de Cascais – 110 anos!

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Foi no lotado Auditório Carlos Avilez (Centro das Artes do Estoril), desta feita com a instalação sonora a funcionar em pleno e a emprestar ainda maior brilhantismo a um espectáculo (perdoe-se-me!) inesperado.

Inesperado, porque, mesmo os que acompanhamos de perto as múltiplas  actividades desenvolvidas pela colectividade ao longo do ano ainda não víramos tudo assim junto, a demonstrar um dinamismo ímpar.

– Ele é o Rancho Coral e Coreográfico;

– ele é o conjunto musical, de excelentes executantes e muito bons vocalistas;

– ele é o Grupo de Teatro, sempre versátil e renovador;

– ele é a Escola de Fado, que já deu cartas em cena com aqueles meninos e meninas e elementos já bem para lá do meio século de idade a mostrarem com à-vontade o que já aprenderam (abraço de parabéns, professor Hugo Afonso!);

– ele são as marchas populares e os carros carnavalescos!…

Até o simples enumerar cansa – ao contrário do que sucedeu no Auditório, em que a primorosa sequência dos quadros nunca cansou.

E uma pessoa até se perguntava como é que esta gente consegue (em segundos, dir-se-ia!) ir ao camarim e mudar de traje num ápice! A pressupor, por conseguinte, uma organização, uma equipa bem adestrada e de muito louvar! Para mais eficientemente isso nos mostrarem (não fosse a alguém ter passado despercebido…), numa das cenas, «Magia», os elementos mudaram em palco de roupa, sei lá, cinco, seis vezes, e a gente pergunta onde é que elas traziam tanto traje escondido! Surpreendente.

Valeu a pena e estão de parabéns os muitos responsáveis – tinha de ser uma equipa coesa e entusiástica – pelo espectáculo com que nos brindaram.

No início da sessão, além das palavras protocolares da Presidente da Direcção, Susana Mata Ribeiro, dirigiram palavras de parabéns e do mais amplo agradecimento pelo papel que a Musical representa em Cascais e ofereceram lembranças: pelo Executivo Municipal, o vereador José Duarte d’Almeida, e, pela Junta de Freguesia Cascais / Estoril, o seu presidente, Pedro Morais Soares.

No final, evocaram-se os elementos da Musical recentemente falecidos, o Helder e o Zé Luzia, mediante a entrega de placas evocativas às respectivas viúvas. E foram homenageados sócios que, desde há muito, se têm distinguido na dedicação à colectividade: António Anastácio, Vítor Mata e a própria presidente, entre outros.

Uma noite plena em todos os sentidos, que tão depressa não será esquecida por quantos tiveram a dita de a ela assistir, no reforço bem entusiástico da vida da Musical, na solidariedade amiga do voto muitos anos de vida!

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GUINÉ-BISSAU: A FESTA DOS MANCANHAS

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A festa da 1ª Edição do Festival Internacional da Cultura Mancanha (uma das etnias da Guiné-Bissau) teve um “artista convidado” de grande relevo: o Presidente da República.

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