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PS OCUPA LUGAR VAGO DO PSD

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O PSD está tão próximo do Chega quanto os grupos fascistas e neonazis. A deriva do PSD para a direita nota-se mais ainda quando percebemos que o novo líder do PS tem um discurso que se destina a ocupar o espaço ao centro que o PSD deixa vago com essa deriva.

No parlamento europeu ou na campanha eleitoral nos Açores, Pedro Nuno Santos referiu-se a essa aproximação dos partidos do centro-direita à extrema-direita.

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CARROS NOVOS COM ‘CAIXA NEGRA’

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Todos os aviões têm, os automóveis não tinham mas vão passar a ter. Falamos da “caixa negra”, um aparelho que regista tudo o que se passa no veículo. É mais do que um tacógrafo (que está montado nos veículos pesados e só regista velocidades), não é tanto como o que existe nos aviões porque não regista conversas tidas a bordo.

A partir de julho deste ano, a “caixa negra” será obrigatória em todos os automóveis novos vendidos na União Europeia. A ideia já vem de 2022, mas a implementação tem sido adiada, até agora.

Tecnicamente, o aparelho chama-se EDR (Event data Recorder), vai fazer parte de todos os veículos de passageiros até nove lugares e veículos comerciais que não excedam os 3500 kg.

O EDR será mais uma ferramenta para a análise de acidentes e na atribuição de responsabilidades nesses acidentes.

Além de ser capaz de registar vários parâmetros antes da colisão e 0,3 segundos após o impacto, o EDR regista os dados de velocidade, travagem e até a resposta dos sistemas de segurança do automóvel.

Atualmente, recorre-se a serviços de peritagem para se perceber se o condutor circulava em excesso de velocidade antes do acidente. Com a caixa negra, este serviço deixa de ser necessário, uma vez que o veículo fornecerá essa informação. Além disso, é possível ficar-se a saber se os passageiros usavam todos cintos de segurança no momento do acidente — o que recorrendo ao serviço de peritagem é mais difícil de concluir. Outra mais-valia da caixa negra é que pode vir a permitir aos fabricantes de automóveis melhorarem os sistemas de segurança.

A caixa negra nos automóveis vai registar dados de telemetria, como:

  • A pressão no acelerador ou as rotações do motor
  • O ângulo de viragem e a velocidade angular em graus
  • A velocidade nos últimos 5 segundos
  • O recurso aos travões
  • A direção do Delta V (aceleração positiva ou negativa)
  • A ativação dos airbags e pré-tensores dos cintos
  • O uso dos cintos de segurança e as dimensões dos ocupantes
  • A variação da velocidade à qual o veículo foi submetido após o impacto
  • A aceleração longitudinal em metros por segundo ao quadrado

O que não sabemos é quanto vão encarecer os automóveis com mais este acessório.

ABUSO SEXUAL NAS REDES SOCIAIS

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As empresas proprietárias de redes sociais têm “sangue nas mãos” por não protegerem as crianças das crescentes ameaças de predação sexual nas suas plataformas.

A acusação foi proferida pelo senador republicano Lindsey Graham, numa audiência em que o Senado dos EUA interrogou Mark Zuckerberg, o dono da Meta, empresa proprietária de várias plataformas, nomeadamente o Facebook, Instagram, Messenger e LinkedIn.

Foi dito que as empresas de media social colocam os lucros acima dos interesses dos utentes, nomeadamente crianças.

Os senadores estão a interrogar os responsáveis das principais redes sociais globais, a saber, Facebook, X (Twitter), TikTok e Discord, entre outras.

As preocupações dos senadores prendem-se com aquilo a que se chama “sextortion” financeira, na qual um predador engana um menor para enviar fotos e vídeos explícitos, para depois comercializar essas imagens em redes de pornografia ou pedir às famílias das crianças somas avultadas pelo resgate das imagens.

No início da audiência, foi exibido um vídeo em que crianças falavam sobre terem sido vítimas nas redes sociais. Na sala de audiências, dezenas de pais seguravam fotos de seus filhos que, segundo eles, foram prejudicados devido às redes sociais.

Zuckerberg foi coagido a pedir desculpas, olhando diretamente para as pessoas que exibiam as fotos na audiência.

A maioria das empresas que gerem redes sociais revelam preocupações com a “segurança da comunidade”, implementaram algoritmos que filtram palavras e imagens que possam ser consideradas ameaçadoras para essa “segurança da comunidade”. O problema é que o algoritmo não distingue uma fotografia de um nu artístico de uma imagem pornográfica, não distingue ironia de ameaça, não distingue democracia de ditadura e, no final, acaba a censurar sem nexo.

Para as empresas, o problema que mais as preocupam é a questão financeira. No horizonte está a aprovação nos EUA de legislação que permita responsabilizar as empresas de modo a facilitar que as vítimas processem plataformas de tecnologia e lojas de aplicativos.E depois dos EUA, chegará a vez da Europa.

É uma ninfa

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Muito nos congratulamos, obviamente, por ter dado a conhecer o Cu da Canoa, de Moimenta da Beira.

Em primeiro ligar, porque, como se teve oportunidade de indicar em comentário, houve logo quem viesse explicar o enigma: «Canoa» era o nome por que era conhecida uma anã, casada, que vivia em Moimenta da Beira. Daí a alcunha. Os anões constituem sempre motivo de ternura e são, por vezes, de alguma brincadeira maldosa por parte dos seus vizinhos, mas não só não passam despercebidos como se tornam verdadeiros ‘personagens’ na terra. Todos conhecemos «O Corcunda de Notre Dame» – que era… anão!

Em relação à anã de Moimenta, porventura, até, um dia, alguém lhe chamou «anoa» e, por deformação, viria a aparecer Canoa, o nome por que passou a ser conhecida.

Recordar-se-á que, no final da nossa nota, escrevemos:

«E quiçá algum estudioso dessa nobre arte escultórica consiga dar-lhe uma orientação, a fim de melhor se entender se é mesmo dessa parte do corpo que temos ali um pormenor!…».

Atendeu ao nosso apelo Gustavo Monteiro de Almeida, que, no dia 28, comentou:

«Foi com muita curiosidade que li o presente artigo e, quanto à parte do corpo a que corresponderá o fragmento da estátua, apenas posso confirmar que me parece, realmente, ser o fundo das costas de uma senhora, sendo a parte oposta as pernas, uma delas coberta por tecido, vendo-se logo acima o umbigo. Seria a representação de alguma ninfa? Será fragmento de uma estátua, não do séc. XVI, mas bem mais antiga, quiçá romana e pertencente a um ninfeu de uma antiga villa romana que possa ter existido em “Monumenta” e que, no séc. XVI, foi descoberta e reaproveitada para se fazer a cerca do convento?».

Fragmento escultórico guardado na Junta de Freguesia de Moimenta da Beira

Teve a gentileza – que muito agradecemos – de inclusive propor a reconstituição do que poderia ter sido a escultura completa.

Tendo a estátua da ninfa, procuremos um ninfeu

Dava-se o nome de ninfeu, na época romana, a um local consagrado às Ninfas, divindades aquáticas; ou seja, no âmbito da arquitectura de sumptuosas vivendas com jardim, constituía como que «uma fonte monumental erigida contra um muro articulado com nichos, frequentemente decorados com colunas e estatuária». O modelo, aliás, ganhou grande popularidade pela Europa, nos palácios do século XVIII. Temos disso testemunho no Palácio de Queluz e na Quinta Real de Caxias, fonte essa que se reproduz.

Cascata da Quinta Real de Caxias

A proposta de Gustavo Almeida reveste-se, pois, da maior verosimilhança, inclusive atendendo à hipótese de a existência de eventual fonte, ornada de figuras mitológicas desnudadas, não ter caído nas boas graças dos devotos construtores do beneditino convento. Por outro lado, a ideia de o topónimo Moimenta ter provindo da palavra latina monumenta, que significaria lugar de monumentos antigos, mais vem atestar quanto a proposta pode, na verdade, ser deveras aceitável.

ninfeu de Vila Quintili, Roma

(artigo em co-autoria com José Carlos Santos)

PROTESTO EM SINTRA HÁ 6 ANOS

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O protesto de Manuel Ildefonso entrou já no sexto ano. Este sem-abrigo de Sintra leva a cabo um dos mais longos protestos de sempre em Portugal. A luta de Manuel Ildefonso é pela atribuição de uma habitação social, mas a Câmara Municipal não tem sido capaz de encontrar uma solução para o problema.

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Não tem sido fácil, a vida de Manuel Ildefonso. É uma história triste, em vários planos: perde o emprego, perde a família, fica doente, perde a casa.

A viver na rua, Ildefonso teve de suportar durante anos o bullying da Polícia Municipal. Foi escorraçado do local que escolheu para o protesto, voltou sempre. Foi despojado das suas coisas, nunca as recuperou. Dormiu ali ao relento, à chuva e ao frio. Dormiu em casas abandonadas e em garagens emprestadas. É onde ainda dorme.

CONTROLAR A INFORMAÇÃO

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Jornalista desde 1980, passei pela RTP e LUSA (do setor empresarial do Estado) e pelos privados, tanto em Portugal como em França, Angola e Timor-Leste. Em todo o lado senti tentativas de controlo, de censura e de condicionamento dos jornalistas.

Nas redações, sabemos bem como se manipula a informação. Um dos esquemas mais comuns é a escolha do repórter. Quando querem que determinado tema seja maltratado, escolhem um nabo. É para isso que eles existem. Para estragar a mensagem, nada melhor que uma má reportagem. Mas também vi chefes de redação cortar palavras de textos, bufaria nas redações entre jornalistas, diretores aceitarem encomendas do patrão e o patrão tentar influenciar diretamente o repórter saltando por cima da hierarquia. Ou seja, nada garante que um órgão de comunicação social privado seja mais independente que um público.

CONTROLAR A INFORMAÇÃO COM MEIGUICE

É assim, em todo o mundo. Num recente artigo no site Duas Linhas sobre um outro tema, mas que se cruza com este, vem a história de como Bill Gates faz negócios na área da saúde pública à escala global, conflituando os seus interesses de empresário patrocinando a Organização Mundial de Saúde e controlando importantes grupos de comunicação através de contribuições financeiras encapotadas de filantropismo.

Nesse artigo, está escrito que Bill Gates investiu “milhões no financiamento de ONGs, meios de comunicação e agências internacionais, garantindo uma influência política significativa. As contribuições financeiras para os media garantiram a Gates uma cobertura noticiosa favorável. No site da Fundação está, por exemplo, o registo de financiar o jornal The Guardian em 3.5 milhões de dólares durante três anos.

Como se diz ‘não’ a um patrocinador deste quilate? E, no entanto, dir-se-ia que o The Guardian não precisaria de aceitar pagamentos para abordar determinados temas. O jornal pertence ao Guardian Media Group, que engloba os jornais The Guardian, The Observer e o semanário The Guardian Weekly. O jornal tem uma edição on-line e dois sites vocacionados para a política internacional, Guardian Australia e Guardian USA. Parece bonito, mas a crise chega a todo o lado. O mercado publicitário transferiu-se para as redes sociais, como se sabe. Quem passou a cobrar foi o Zuckerberg (Facebook, Messenger, LinkedIn), Shou Zi Chew (Tik Tok), o próprio Bill Gates (Microsoft), Musk (X/Twitter) entre outros.

CONTROLAR A INFORMAÇÃO À BRUTA

O tempo muda tudo, até mesmo a vontade das pessoas. No The Guardian, por exemplo, houve um problema fraturante que abalou as estruturas do grupo, quando publicaram os primeiros documentos fornecidos por Edward Snowden sobre crimes de guerra cometidos pelas tropas norte-americanas no Afeganistão, e os projetos relacionados com segurança e espionagem da NSA (agência de segurança dos EUA).

Snowden foi acusado de espionagem, teve de fugir para a Rússia para não ser preso e condenado a prisão perpétua. O The Guardian viu os seus jornalistas serem perseguidos, proibidos de entrar nos EUA sob pena de serem detidos.

O GCHQ (Government Communications Headquarters, um serviço de inteligência britânico encarregado da segurança e da espionagem e contraespionagem nas comunicações) entrou em ação e o jornal The Guardian foi obrigado a destruir os seus computadores em frente aos agentes do serviço de inteligência britânico (GCHQ), em 20 de julho de 2013.

Então, depois disto tudo, terão pensado no The Guardian que antes Bill Gates que os capangas dos serviços secretos americanos e ingleses. Eu não balanço entre esses “dois amores”… digo que só o controlo público poderá garantir a independência perante os poderes político e económico.

Bebedeira alucinada de sangue

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O Tribunal Penal Internacional ordenou a Israel que ponha fim à matança indiscriminada de palestinianos. Os juízes foram claros: 25.700 palestinos estão mortos. Há 1,7 milhão de pessoas sem casa, 93% estão vivendo em situação de fome extrema. A devastação é total.

Israel não obedece e continua a destruir e a matar, numa bebedeira alucinada de sangue que não tem qualquer justificação.

Já todos percebemos que enquanto contar com o apoio dos EUA, o Governo israelita não irá mandar parar com a infame ação militar que lançou em vingança dos ataques que sofreu a 7 de outubro de militantes do Hamas.

Partilhem este vídeo(link para a rede Telegram).

Assim, a atividade dos jornalistas palestinianos é fundamental para a denúncia do que se passa na Faixa de gaza e na Cisjordânia (onde também já morreram centenas de pessoas). Os jornalistas palestinianos têm sido dizimados pelos snipers e artilheiros israelitas. Já morreram mais de 120 repórteres, um número inédito em 3 meses de combates, sendo que os jornalistas não são combatentes e não devem ser confundidos como tal.

Nós, aqui, sentados numa secretária a ver os vídeos que eles disseminam pela net, temos o dever de os publicar e partilhar pelas redes sociais, mesmo se os donos das redes sociais não gostam da má publicidade a Israel e os filtros implementados censuram esses conteúdos. Se muitos partilharem, o sistema de filtragem não irá funcionar. Se muitos partilharem, seremos suficientes para forçar o Governo português a deixar de apoiar apenas o direito de defesa do agressor e passar a reconhecer também o direito de defesa do agredido.

fotograma do vídeo

Os jornalistas e grupos de defesa dos direitos humanos em Gaza precisam dessa ajuda (para além de comida e de reposição de equipamentos destruídos). Se todos contribuirmos, não só ajudamos a formar opinião como também contribuímos para a recolha de provas de crimes de guerra, ajudando assim a constituir um caso inquestionável contra Israel.

O vídeo que publicamos devia estar disponível livremente pelo mundo inteiro. Partilhem.

fotograma do vídeo

Partilhem, por favor.



O massacre de 49 gays

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O átrio estava repleto de amigos e admiradores do encenador que há pouco nos deixou. Muita gente do Teatro, sobretudo, além das autoridades locais ligadas à Cultura.

Seguiu-se a representação da peça «A Andorinha», do dramaturgo catalão Guillelm Clua, nascido a 13 de Junho de 1973. A encenação é de Cucha Carvalheiro, tradução de Miguel Graça, cenografia de Fernando Alvarez, canção original de Tiago Machado e participação especial áudio de FF.

Em cena, durante todo o espectáculo, Luísa Cruz e José Condessa, que – ouso acrescentar desde já – constituem sérios candidatos ao galardão de melhores actores do ano, atendendo à excelência das suas interpretações. Bastará dizer que, ao contrário do que poderia esperar-se, dada essa circunstância de um permanente diálogo unicamente a dois, os espectadores jamais deram mostras de cansaço, de menor atenção ou de menor sintonia.

Na cidade de Orlando, nos Estados Unidos, em 2016, um fanático entrou numa discoteca, na altura frequentada por homossexuais e desatou a disparar indiscriminadamente, matando 49 pessoas.

as vítimas do massacre de Orlando

O caso inspirou Guillelm Clua para pôr em cena a necessidade do respeito a ter em relação às tendências sexuais de cada um. Optou, pois, por imaginar que Ramón, aí presente, lograra escapar ao morticínio por o seu amigo se haver postado diante do atirador, morrendo em seu lugar.

É, pois, Ramón que, a pretexto de receber lições de canto, vai ter com a mãe do seu amigo. Era seu intento, disse, aperfeiçoar-se para interpretar bem «A Andorinha», a canção que a mãe lhe cantava para o adormecer e, no memorial a realizar em honra dela, ele desejava não fazer má figura.

Mal recebido, por não ter a voz bem colocada, acaba, pouco a pouco, por lograr que a lição se prolongue o bastante para que Amélia, a professora, fique a saber o que realmente aconteceu, ela que não aceitara lá muito bem a orientação do filhote assassinado. Aliás, nem lograra aperceber-se bem, na altura, como é que exactamente tudo se passara. Compreende-se, pois, a densidade do diálogo entre os dois, a vivacidade da troca de argumentos, o íntimo enleio entre as diversas ‘tonalidades’ (digamos assim) do amor.

Uma hora e quarenta minutos sem intervalo – não poderia haver pausa, cortava-se o fio à meada! – em que dois mundos, duas gerações e duas mentalidades se digladiam, para, no final, sobressair, em clima de (agora, já natural) serenidade, a plena aceitação do Outro como ele é.

Escreve-se no convite que este é «um elenco extraordinário desejado por Carlos Avilez». Não me custa a crer. Primeiro, porque o jovem José Condessa, formado na Escola Profissional de Teatro de Cascais, já dera provas bastantes de ser actor à altura de arcar com tamanha responsabilidade, a contracenar com uma actriz, Luísa Cruz, de largo palmarés (recorde-se que, licenciada em Teatro e Cinema pelo Conservatório Nacional de Lisboa, recebeu, em 1989, do semanário Se7e o prémio de Actriz Revelação). Depois, porque é este um tema de intervenção e nessa linha sempre se pautou a companhia do Teatro Experimental de  Cascais.

«A Andorinha» estará em cena, no Auditório Carlos Avilez, até 11 de Fevereiro.

A DOÇURA DO SILÊNCIO

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O talento de Margarida Chagas Lopes, assente numa sólida formação académica, não se limita à escrita poética, domina todos os discursos que atravessam com elegância verbal as fronteiras simbólicas uns dos outros.

Não há personagens fictícias nos seus poemas. É ela a personagem principal adivinhada em representação de todas, sob a roupagem de múltiplas vivências, coloridas ou monocromáticas. No mundo que a (nos) rodeia, cumpre com o maior rigor a função mais acabada da Literatura: interrogar a realidade sobre as suas incoerências, numa metodologia de questionamento e denúncia subtis.

É uma poesia feita de sinfonias verbais bem codificadas, sem encenações demagógicas. Nunca se adentra pela floresta dos mitos, nem se impõe nas suas convicções, mas tão-pouco se demite do foco principal das muitas fragilidades e grandezas do ser humano.

Em ‘Ao Postigo’ há a preocupação primeira com a fractura evidente entre esses extremos, fractura que abrange uma universalidade de temas que vêm do passado até à violência generalizada do presente. É sobre esse “corpus de estudo”  que a autora se debruça, num mundo de perplexidades sobre as quais constrói – e convida a construir – uma ampla teia reflexiva.

A sua grande preocupação é o papel de interveniente social no julgamento das atitudes desviantes do ser humano, que o levam a perder-se num labririnto agressivo de jogos de poder, antes da inevitável chegada ao fim. “Um mesmo mar os tragou! Um mar que se dividiu, mas sem traço/de união…” –  UM MESMO MAR.

Margarida Chagas Lopes desempenha esse papel sempre com a maior tranquilidade, porque ‘Ao Postigo’ é um destino próximo de todos, um corpo em (re)construção emocional, uma casa fechada, mas com uma janela entreaberta aos cicios de outras vidas pessoais, que ali podem revelar segredos sem temer a sua profanação. Conhecidos de quem escuta, intemporais, comuns a todos os homens e mulheres, não causam surpresa, nem carecem de perguntas, só receberão respostas: “Pega no já sabido e dá-lhe vida nova” –  A INVENÇÃO DO VELHO.

Os versos de ‘Ao Postigo’ são estradas, caminhos já percorridos com sugestões de ramais ainda por explorar, que incitam o leitor a fazer viagens interiores em redor de si mesmo, no sentido de aprender o acolhimento aos raios de sol que ainda espreitam. “Viver não tem receita, só quem arrisca vence”- DANÇA DE RODA. E nesse labor de se livrar de embaraços, há-de encontar os nichos afectivos onde o bem-estar aguarda de braços abertos.

Na dialéctica entre um mundo de excessos e outro de carências, sentimo-nos vizinhança destas páginas, habitantes de um lugar próximo onde só um postigo de referência, digno de reverência também, nos poderá ir cobrindo com os seus véus protectores.

Não haja a ilusão de uma descrição autobiográfica definitiva de momentos intimistas, apenas. Adivinhamo-la, sim, mais como emparelhamento com outras biografias de idêntico recorte. Já o comprometimento com causas universais tem uma identidade definida, e acrescenta a vontade própria da autora numa mudança radical de paradigma de vida, à empática ansiedade alheia.

‘Ao Postigo’ é a mais perfeita metáfora da existência, que ainda pode aproveitar as últimas incidências da luz natural para aquecer os instantes disponíveis e fazer sorrir. “Um postigo entreabriu-se por aqui, a medo, quando já não se/ esperava…”- do poema que dá o título ao livro.

Vou pela convicçao de Margarida Chagas Lopes: pode sempre haver um recomeço em nichos de ternura que unem, confortam e compensam da solidão no meio de tanto ruído. “Arruma o casulo, põe lenha na lareira/veste de linho novo, recomeça a sorrir” – VESTIR DE LINHO NOVO.

E recomeçaremos em leituras sucessivas de ‘Ao Postigo’, na doçura de um silêncio guardado em local secreto.

PEDRO NUNO SANTOS: quanto mais fala, melhor lhe sai

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A campanha de Pedro Nuno Santos já vai em velocidade de cruzeiro. O novo líder do PS percorre o país e quanto mais fala melhor lhe sai o discurso.

Na Alfândega do Porto, onde o partido apresentou aos militantes propostas para a próxima legislatura, o discurso do líder sustentou-se em duas ideias: uma, que este PS sabe ouvir os anseios do povo: duas, a oposição só traz ideias velhas.

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A campanha ainda vai no adro, mas o novo líder do PS sabe que ganha pontos se lembrar aos eleitores as falsas promessas do PSD quando venceu as eleições de 2015, especificamente que não iria cortar nos rendimentos das pessoas, que não iria haver austeridade. E todos sabemos o que aconteceu aos salários da Função Pública, ao rendimento dos pensionistas, às carreiras profissionais de enfermeiros, professores, etc.