Ildefonso dorme ao relento, em frente à Câmara Municipal de Sintra

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1949

E esta noite há um homem que volta a dormir na pedra fria do canteiro de hortenses na esquina do largo Dr. Virgílio Horta, em frente à Câmara Municipal de Sintra.

Já aqui dissemos isto, antes, num outro artigo sobre esta luta do senhor Ildefonso: “a vila do romantismo é governada por gente que tem pedras dentro do peito.  Há anos que este homem pede uma habitação camarária à autarquia de Sintra. E há anos que o autarca lhe nega esse direito. A luta é demasiado desigual. A autarquia, que tem muitos gabinetes cheios de técnicos e de advogados, só precisa de esperar que Ildefonso morra de hipotermia numa noite de frio, ou de pneumonia numa noite de chuva, ou de fome num dia de indiferença.”

Sobre este problema, a advogada Isabel Duarte escreveu que “os cidadãos portugueses, protegidos pela sua constituição, gozam do direito a indignar-se, em privado ou em público, e a eficazmente expressar essa indignação sem serem impedidos por outros de o fazer… (…) … situações existem em que um homem apenas, um único cidadão, sentado num muro ou numa cadeira, na via pública, sem incomodar ninguém, não tendo que se submeter aos burocratas, leva o suserano à loucura, porque, simplesmente, goza do direito de reclamar e pode desencadear mecanismos institucionais contra quem perturba o seu exercício, desde que não perturbe os direitos dos outros. É o caso do Sr. Ildefonso.”

Portanto, o senhor Ildefonso pode estar ali em protesto. Nada na lei o proíbe, apenas a prepotência da edilidade comandada por Basílio Horta não permite que esse direito seja exercido. Nesse abuso, a Polícia Municipal é enviada para uma missão que ofende os direitos de cidadania de Manuel Ildefonso, tira-lhe o pouco conforto que ele tinha quando dormia dentro do seu carro. Ficou apenas com a roupa que tinha no corpo. Foi um assalto, e não foi a primeira vez.

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