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	<title>Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Duas Linhas</title>
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		<title>O LIMOEIRO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sílvia Quinteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 00:48:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>- Dê-lhe com um pau. Mas com força.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Durante anos, o limoeiro do meu quintal deu um limão por temporada. Um único. Esquisito, disforme. Feio, coitado: nem verde nem amarelo, coberto de cicatrizes acastanhadas.</p>



<p>Perguntei-me sempre se seria do solo ou se o limoeiro, sábio à sua maneira, sentiria que para azeda basta a vida e que um limão era suficiente.</p>



<p>Fosse porque fosse, ali continuava ele, teimoso, a dar o seu fruto anual, como se assim justificasse as regas, os cuidados e o pedaço de chão ocupado.</p>



<p>E estava eu prestes a cortá-lo quando uma vizinha me disse que o segredo era simples: bater-lhe. Isso mesmo. Segundo ela, os limoeiros gostam de ser postos na ordem.</p>



<p>&#8211; Dê-lhe com um pau. Mas com força. Olhe, aproveite quando estiver marafada com alguma coisa. Uma pessoa alivia e eles aprendem.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A princípio, não sei se por não acreditar no remédio milagroso ou por pena da pobre árvore, ignorei a sugestão. Mas um limão? Um único? É muita falta de consideração. Não há como não levar a peito tamanha desfeita. E, vai de lá, num dia menos bom, mais por impulso do que por convicção, acabei por seguir o conselho. Primeiro, umas pancadinhas hesitantes, mas depois…</p>



<p>Tomei-lhe o gosto e, nos últimos meses, não há crise de mau feitio que não acalme com umas boas pauladas. Se foi por isso ou não, não sei, mas este ano parece outro. Enlouqueceu. Tem mais limões do que folhas. Frutos enormes, brilhantes, amarelos e perfumados. Nunca tinha dado para mais do que um mísero chá; agora, são às dezenas &#8211; centenas, talvez. Não falta cá por casa limonada, <em>lemon curd</em>, <em>limoncello,</em> bolos, tartes e tortas de limão, mousses e gelados, tudo polvilhado com umas raspas, claro está…</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Diz o povo que não há fome que não dê em fartura, que quanto mais me bates mais gosto de ti, que quando a esmola é muita o santo desconfia… E eu fico a olhar para esta abundância e pergunto-me: será esta uma forma de demonstrar obediência? Um gesto tardio de afeto? Um desabafo vegetal? Um ataque cítrico em resposta às tareias? Haverá algum mecanismo de defesa arborícola que transforme trauma em vitamina C? Ou terá a humanidade andado a subaproveitar uma técnica agrícola de enorme eficácia e baixo custo?</p>



<p>Ah, se ao menos eu fizesse parte da brigada da gratidão… agradeceria mais e questionaria menos.</p>
</div></div>
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		<title>NÃO HÁ FORMA DE CONTORNAR ISTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 23:57:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[relações de poder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A complexidade da mente humana ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>ATENÇÃO</strong>, comunidade científica de vão de escada e diagnosticadores de bancada! O que temos diante dos olhos não é um labirinto para formigas, nem o gráfico das suas ações na bolsa. É o legítimo, o único, o histórico Perfil de Rossolimo. Trata-se da representação gráfica dos resultados psicológicos de um indivíduo. Sim, devemos este belíssimo instrumento ao psiquiatra russo Rossolimo, o homem que decidiu que a complexidade da mente humana ficava muito melhor resumida num desenho do que em três anos de terapia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="788" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-1024x788.jpeg" alt="" class="wp-image-49450" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-1024x788.jpeg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-300x231.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-768x591.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-696x536.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-1392x1071.jpeg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-1068x822.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47-1320x1016.jpeg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-28-at-14.26.47.jpeg 1440w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Para facilitar a sua consulta — e evitar que confunda o seu cunhado com um génio incompreendido —, o criador dividiu a humanidade em quatro categorias visuais muito simples:</p>



<p><strong>Gráfico A</strong>: O indivíduo normal. (Diz-se que existe, mas funciona como o Monstro de Loch Ness: há quem jure que já viu um, mas faltam provas fotográficas).</p>



<p><strong>Gráfico B:</strong> Uma ligeira deficiência intelectual. (O perfil perfeito para aquele colega de trabalho que responde a e-mails com &#8220;olá&#8221; no assunto e o texto no corpo&#8230; ou vice-versa).</p>



<p><strong>Gráfico C: </strong>Deficiência profunda. (A curva exata de quem tenta puxar uma porta onde está escrito, em letras gigantes, &#8220;EMPURRE&#8221;).</p>



<p><strong>Gráfico D:</strong> Imbecil. (Uma categoria intemporal, cujo gráfico parece uma linha reta vertical de pura teimosia).</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-072211c62212ae772f5a57b58dc9a990"><strong>AVISO LEGAL DE EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE (LEIA COM</strong> <strong>ATENÇÃO)</strong>:</p>



<p>Fica desde já lavrado em ata, com carimbo invisível e assinatura reconhecida pelo bom senso, que este autor NÃO SE RESPONSABILIZA por quaisquer efeitos secundários resultantes da leitura deste gráfico. Se, ao olhar para a Linha B, se lembrou imediatamente do seu chefe; se a Linha C lhe recordou a última reunião de condomínio; ou se a Linha D é a fotocópia cuspida e escarrada daquele seu ex-namorado que achava que o leite vinha do pacote e não da vaca&#8230; o problema é inteiramente seu. Não venha pedir indemnizações se decidir imprimir este gráfico, colá-lo na testa de terceiros no meio da rua e gritar: &#8220;Olha, Rossolino previu-te em 1910!&#8221;. As comparações são da inteira responsabilidade da sua imaginação (ou da triste realidade que o rodeia). Use com moderação. Ou não.</p>
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		<title>O QUE É BOM PARA RICARDO É BOM PARA TODOS OS OUTROS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 14:34:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça igual para todos]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça para pobres]]></category>
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		<category><![CDATA[Ricardo Salgado condenado]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Salgado não vai cumprir pena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Medida excepcional permitirá a Ricardo Salgado não cumprir a pena de 10 anos de prisão</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A eventual aplicação pelo tribunal de uma medida excepcional que permita a Ricardo Salgado não cumprir a pena de 10 anos de prisão a que foi condenado, deveria ser replicada “às muitas dezenas de reclusos que cumprem pena, em situação semelhante,” diz a Associação Portuguesa de Apoio ao Recliso (APAR) em comunicado.</p>



<p>Uma medida dessa amplitude “seria um excepcional avanço no respeito pelos Direitos Humanos, sendo que, se continuar a ser uma excepção, mais se reforçará a ideia de que há uma Justiça para os ricos e outra para os pobres”, diz a APAR, espelhando um sentimento generalizado pela população portuguesa.</p>



<p>A APAR disponibiliza-se para fornecer a quem de direito os “nomes de largas dezenas de reclusos que sofrem de doença idêntica à que padece Ricardo Salgado (e de outras até mais graves), e que daquela medida deveriam beneficiar, saindo de cadeias absolutamente impróprias para ali habitarem seres humanos, mesmo saudáveis.”</p>



<p>É um facto que o respeito pelos Direitos Humanos é um pilar fundamental da administração da Justiça.</p>
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		<title>MARIA E A BALA PERDIDA*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 05:50:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
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		<category><![CDATA[Pedreira dos Húngaros]]></category>
		<category><![CDATA[polícia aos tiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/maria-e-a-bala-perdida/">MARIA E A BALA PERDIDA*</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os factos remontam a ‘Outubro de 1987, no <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/">antigo bairro da Pedreira dos Húngaros</a></strong>, um território difícil onde a pobreza se misturava com injustiça social e discriminação, mistura fértil para o surgimento de muitos pequenos criminosos, bandidos pilha galinhas, tráfico e consumo de droga’. </p>



<p>Assim, começa a saga de Maria com ‘a bala nunca foi extraída do corpo. A criança sobreviveu, mas tem tido uma vida com a saúde fragilizada.</p>



<p>Os relatos publicados confirmam que foram os agentes da Polícia Judiciária que levaram a criança para o hospital. Os mesmos relatos falam da responsabilidade da polícia, que, frequentemente, entrava no bairro já de pistola na mão’.</p>



<p>Ora, passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça. Quer que o Estado assuma a responsabilidade que tem pelo peso de uma bala cravada no peito desde criança’. Na Provedoria de Justiça, Maria espera encontrar alento para uma luta contra o Estado que se adivinha difícil.</p>



<p>Estes os factos que mudaram a vida de Maria, menina/mulher, uma menina que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/">há 40 anos vive com uma bala no corpo</a></strong>, de um tiro perdido, de uma intervenção musculada da Polícia Judiciária num dos Bairros mais perigosos da periferia de Lisboa.</p>



<p>Chegados aqui, encontramos várias camadas jurídicas: responsabilidade do agente policial, responsabilidade do Estado, eventual responsabilidade médica/hospitalar e o papel institucional da Provedoria de Justiça.</p>



<p>Sem entrar na análise concreta destas camadas jurídicas, porque não se conhecem elementos para tal, importa dissecar o que pode hoje fazer a Provedoria de Justiça.</p>



<p>Neste sentido, pode solicitar processos clínicos, explicações técnicas, pareceres fundamentados da não extração. De posse destes poderá recomendar a reavaliação clínica, uma junta médica, a observação em centro especializado ou a reapreciação do caso. Em todo o caso, as recomendações não são vinculativas, mas têm peso institucional e político.</p>



<p>A Provedoria de Justiça poderá, igualmente, identificar se houve um mau funcionamento administrativo, nomeadamente desleixo, falta de resposta, ausência de acompanhamento, num quadro em que deve realçar o direito à saúde e à dignidade da pessoa.</p>



<p>O mais provável é que a&nbsp;Provedoria de Justiça&nbsp;possa pressionar para reavaliação médica especializada, recomendar uma junta médica independente, sendo altamente improvável que consiga impor o pagamento de indemnização ou obrigar a uma cirurgia, a qual deverá ser ponderada diante da situação concreta da paciente.</p>



<p>Maria, menina/mulher, nunca poderá ter a vida que uma bala perdida lhe roubou, nem tão pouco ser indemnizada.</p>



<p><sub>*Vítor Fonseca, autor deste artigo, é advogado</sub></p>
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		<title>A OPINIÃO DO CIRURGIÃO JOÃO HAGATONG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 23:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[João Hagatong]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É preciso perceber os efeitos da permanência da bala ao fim de 40 anos dentro do peito de Maria</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/a-opiniao-do-cirurgiao-joao-hagatong/">A OPINIÃO DO CIRURGIÃO JOÃO HAGATONG</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A descrição técnica indica que o projétil se encontra muito próximo da coluna vertebral, ficou alojado relativamente próximo do plano cutâneo (15 mm). Isto sugere que o <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/">projéctil</a></strong> poderá não estar tão próximo do coração como foi explicado à doente durante décadas, mas sim localizado numa região paravertebral posterior torácica. Nessa localização, as dores crónicas descritas por Maria tornam-se ainda mais plausíveis, porque os nervos intercostais podem sofrer irritação contínua; pode existir erosão óssea progressiva; fibrose muscular e aderências profundas podem desenvolver-se; movimentos respiratórios podem gerar microtraumatismos repetidos e a proximidade da coluna pode originar dor neuropática irradiada e incapacidade funcional importante”, diz este médico cirurgião.</p>



<p>João Hagatong diz, ainda, que a opção pela <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/">extração da bala</a></strong> deve ser ponderada, à luz das atuais capacidades que a tecnologia fornece à medicina.</p>



<p>“Há 40 anos TAC de alta resolução praticamente não existia, cirurgia torácica minimamente invasiva era muito limitada e o risco cirúrgico era muito superior. Hoje é possível fazer reconstrução 3D,&nbsp; localizar exatamente o projétil, avaliar relação com nervos, vasos e coluna e ponderar remoção cirúrgica muito mais segura.”</p>



<p>Resumindo uma longa apreciação clínica, podemos afirmar que João Hagatong recomenda, antes da cirurgia, um estudo aprofundado da situação. É preciso perceber os efeitos da permanência da bala ao fim de 40 anos dentro do peito de Maria.</p>



<p>“Sem menosprezar eventuais riscos cirúrgicos elevados, o projéctil encapsulado será removível se estiver estabilizado em tecido fibroso e afastado de grandes vasos. Dependendo de avaliação médica, poderá existir indicação cirúrgica, sobretudo perante dor incapacitante e destruição costal. A referência às costelas danificadas merece investigação muito séria, porque erosão óssea crónica, osteíte, pseudoartrose ou inflamação local prolongada podem justificar incapacidade funcional real.”</p>



<p>Segundo este cirurgião, a bala não deverá estar “encostada ao coração”, mas sim alojada perto das vértebras, o que explica “a dor crónica incapacitante”.</p>



<p>João Hagatong conclui que “Maria deveria ser observada num centro hospitalar com cirurgia torácica, cirurgia da coluna, medicina da dor, imagiologia avançada e avaliação médico-legal especializada.”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/a-opiniao-do-cirurgiao-joao-hagatong/">A OPINIÃO DO CIRURGIÃO JOÃO HAGATONG</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O BURACO DA BALA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 05:57:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[polícia aos tiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há feridas que nunca saram</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/">O BURACO DA BALA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há feridas que nunca saram, mesmo se a carne fecha e a cicatriz suaviza. A <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/">bala que se cravou no peito de Maria</a></strong>, tinha ela apenas 5 anos de idade, deixou-lhe para sempre um buraco aberto na alma.</p>



<p>Maria cresceu com a bala alojada a milímetros do coração e da coluna vertebral. Um dos relatórios médicos localiza bem o projéctil:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="243" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-1024x243.jpg" alt="" class="wp-image-49405" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-1024x243.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-300x71.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-768x182.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-696x165.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico-1068x254.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/recorte-relatorio-medico.jpg 1137w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">recorte do relatório médico de 1 de agosto de 2008</figcaption></figure>



<p>Será uma localização melindrosa, não somos médicos para discutirmos essa questão. Mas achámos estranho que a bala não tenha sido extraída. Em 40 anos, as técnicas cirurgicas evoluíram, os médicos hoje fazem milagres. E então perguntámos:</p>



<p>&#8211;&nbsp;Maria, chegou alguma vez a pedir que se fizesse essa cirurgia?</p>



<p>&#8211; &nbsp;Sim, pedi várias vezes. Mas fugi sempre&#8230;</p>



<p>&#8211; Explique-me o que quer dizer com &#8220;fugi sempre&#8221;. Pediu para lhe extraírem a bala? Chegou a haver alguma cirurgia marcada, foi a consultas de preparação para a cirurgia? Quando diz que fugiu, foi porque tinha medo de que alguma coisa corresse mal? Alguma vez pediu apoio psicológico? A Maria pode ter um caso de stress pós-traumático (frequente em casos de violência física ou emocional)&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" width="397" height="611" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/maria.jpg" alt="" class="wp-image-49414" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/maria.jpg 397w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/maria-195x300.jpg 195w" sizes="(max-width: 397px) 100vw, 397px" /><figcaption class="wp-element-caption">Maria Albuquerque</figcaption></figure></div>


<p>&#8211; Quando digo que fugi sempre, refiro-me a uma fuga real e ditada pelo medo mais profundo e instintivo: o medo de morrer. Eu cheguei a receber chamadas do hospital para ir a consultas e falar diretamente com o neurocirurgião. Mas a verdade é que nunca fui. Nunca cheguei a avançar para exames de preparação ou a marcar a cirurgia, porque o pânico me bloqueava. No fundo, cada vez que pensava em ir ou quando me falavam que seria preciso assinar papéis de consentimento, o meu coração recuava. Eu receava o pior e o medo de morrer falava mais alto do que tudo.</p>



<p>Nunca tive apoio psicológico para lidar com isto, mas sei bem que carrego traumas severos. O meu marido foi morto com dois tiros. Por causa disso, qualquer situação ligada a tiros me deixa em estado de choque; a lembrança vem de imediato e a dor é insuportável. Quando o senhor fala em stress pós-traumático, toca exatamente na ferida. A minha dor não é só a da bala que ficou; é a dor de reviver a violência que me levou o marido. Fugi do neurocirurgião e das consultas porque, no meu íntimo, o medo de não resistir à cirurgia era o reflexo do pânico de ter o mesmo fim trágico que ele teve. Hoje vivo de ansiolíticos.</p>



<p>É um relato tremendo. Uma vida em tiroteio permanente. Balas reais que matam gente e não deixam morrer fantasmas. A cicatriz está lá, ligeiramente acima da mama direita, mas a bala não ficou apenas cravada numa zona anatómica complexa.</p>



<p></p>
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		<title>O DESARMAMENTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:12:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[encíclica papal Manifica Humanitas]]></category>
		<category><![CDATA[fé e ciência]]></category>
		<category><![CDATA[guerra e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIV]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E se a maior ameaça à nossa liberdade não viesse de um exército invasor, mas de um algoritmo?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>E se a maior ameaça à nossa liberdade não viesse de um exército invasor, mas de um algoritmo? Esta questão incómoda atravessa a primeira encíclica do Papa Leão XIV,&nbsp;<em><strong><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html" type="link" id="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html">Magnifica Humanitas</a></strong></em>, um documento que surpreende não apenas pela sua profundidade teológica, mas pela coragem de colocar a ciência e a fé frente a frente com o monstro silencioso do nosso tempo que caracterizará uma nova época: a inteligência artificial.</p>



<p>O que torna este texto verdadeiramente único é o facto de não ter sido escrito num gabinete eclesiástico isolado. Ao lado do Papa, na sua apresentação, estavam cientistas de renome, como Christopher Olah (cofundador da <strong><a href="https://www.anthropic.com/" type="link" id="https://www.anthropic.com/">Anthropic</a></strong> e diretor de investigação sobre a interpretabilidade da IA), numa demonstração clara de que o diálogo entre a razão técnica e a sabedoria humanista é não só possível, mas urgente. Leão XIV não condena a tecnologia; quer «desarmá-la». E desarmar a IA, como explica a encíclica, «significa retirá-la da lógica da competição armada». Tal como a energia nuclear, a inteligência artificial não pode ser refém de uma corrida insana pelo algoritmo mais potente ou pela base de dados mais gigantesca, movida por vantagens geopolíticas ou lucros obscuros.</p>



<p>Desarmar não é renunciar. É, antes, impedir que a tecnologia domine o ser humano. É humanizá-la, torná-la acessível a todos e aberta ao debate. Neste ponto, o Papa é incisivo: a transformação digital, com as suas promessas de eficiência e inovação, não pode servir de desculpa para «uma cadeia de exploração que é deliberadamente mantida na obscuridade». Quantos trabalhadores, quantos pobres e marginalizados, aqueles que «não têm voz», são silenciados por algoritmos que discriminam na saúde, no emprego ou na segurança? Quantos países do Sul Global vêem os seus dados saqueados num novo «colonialismo digital»?</p>



<p>Mas Leão XIV vai mais longe. Aborda o uso militar autónomo da IA e declara que não é «admissível deixar decisões mortíferas» a cargo da tecnologia. Sistemas de armas praticamente fora do controlo humano são uma linha vermelha que a fé e a razão não podem cruzar. E com igual veemência, critica o transhumanismo e o pós-humanismo, essas ideologias que sonham com um ser humano aumentado, esquecendo que a dignidade da pessoa reside precisamente na sua fragilidade, no seu corpo, na sua consciência, no seu sentido moral, coisas que «as máquinas nunca possuirão».</p>



<p>Este posicionamento tem um destinatário claro. O Pontífice responde, sem os nomear diretamente, aos que como o presidente dos EUA, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/trump-ou-a-caricatura-dele-proprio/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/trump-ou-a-caricatura-dele-proprio/">Trump</a></strong>, lhe querem negar o direito de se pronunciar sobre assuntos políticos. E, internamente, Leão XIV põe fim a discussões excessivamente centradas em questões internas da Igreja, afirmando que «há coisas mais importantes do que a moral sexual». Com esta encíclica, ele redefine prioridades: a proteção da pessoa humana na era digital é a grande causa comum.</p>



<p><em>Magnifica Humanitas</em>&nbsp;é um grito de alerta e um abraço ao mesmo tempo. O Papa Leao XIV, declara-se «chamado a contemplar outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os clamores dos pobres e da terra que ressoam no meu coração». Não se trata apenas de evitar o mal. Trata-se de construir um futuro «para toda a família humana», onde os países ricos e pobres, as instituições e os indivíduos, os centros de poder e as periferias colaborem.</p>



<p>A IA precisa de ser desarmada. Mas, primeiro, precisamos de desarmar os nossos corações da arrogância de acreditar que a tecnologia pode substituir a fé e a ética. Porque, no fundo, a questão não é se as máquinas pensarão como nós, mas se nós continuaremos a agir como humanos.</p>



<p><sup>(adaptação da crónica publicada primeiro em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=10968" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=10968">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
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		<title>ELOGIO DA MAÇÃ E DA CASTANHA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 08:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[castanhas]]></category>
		<category><![CDATA[Confraria da Castanha]]></category>
		<category><![CDATA[Confraria da Maçã Portuguesa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Começo por citar pequeno parágrafo de um bonito texto de Sophia de Melo Breyner Andresen: A coisa mais antiga de que me lembro é de um quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima de uma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Começo por citar pequeno parágrafo de um bonito texto de Sophia de Melo Breyner Andresen: <em>A coisa mais antiga de que me lembro é de um quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima de uma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, una e inteira.</em></p>



<p>Permito-me parafrasear o texto de Sophia. E dizer que, das imagens mais antigas de que me lembro, não é a do mar, que conheci muito tarde, é a do pequeno horizonte da quinta do meu pai, vestido, ao longe, por uma singular mancha de castanheiros antigos, muitos deles seculares, debruado junto aos ribeiros, que regavam a pequena quinta por renques de macieiras, de que evoco a cor vibrante das maçãs Bravo de Esmolfe, a luzidia cor das maçãs camoesas, o delicioso sabor acre das maçãs reinetas, que aprendi a dizer cabaçais, e eu, como Sofia, nessas poéticas tardes de outono, ali encontrava a felicidade perfeita. Ali, em Sernancelhe.</p>



<p>Nesse vizinho chão, onde teve seu berço a Confraria da Maçã Portuguesa, a maçã, seu emblemático fruto, é designada como “fruto da terra, das raízes e da luz”.</p>



<p>Singulares estes apelativos de profundo significado.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fruto da terra, deste chão que vem sendo povoado desde o Neolítico, como atesta esse alfobre de monumentos dolménicos, que hoje são cartaz ao longo dos trilhos que atravessam a serra de Leomil ou da Lapa; este chão que foi romano, foi godo, mouro e cristão; este chão que pertenceu ao rei; que pertenceu a senhorios laicos e eclesiásticos, onde habitaram lavradores livres e jornaleiros sujeitos; este chão onde os homens agora se igualam em seus direitos, onde labutam ainda com algum suor.</p>



<p>Chão de húmus propício, no aconchego do vale, onde correm ribeiros e o Rio Távora e onde nasce o rio Vouga.</p>



<p>Chão de encostas soalheiras, onde os frutos ganham os distintivos da cor e do sabor, que, ao despertar o outono, se soltam, agora, sobre as modernas paletes que os levarão aos quatro cantos do mundo.</p>



<p>Fruto da terra!&#8230;</p>



<p>Fruto das raízes e da luz!&#8230;</p>



<p>Fruto das raízes. Quer dizer que vem de longe, do princípio, de um tempo que mal pode chamar-se assim, porque ainda não existia a história.</p>



<p>A maçã vem do tempo em que Javé, o mundo já criado, vinha passear com Eva e Adão nesse Jardim que lhes talhara, o místico Jardim de Éden de que nos conta o <em>Génesis,</em> ao descrever os mitos fundadores da nossa cultura judaico-cristã.</p>



<p>Por esse mito, escrito em livro santo, sabemos que Javé ali fizera desabrochar as macieiras e uma delas havia, preciosa, que estava no meio do Jardim, de que Eva e Adão não poderiam recolher frutos.</p>



<p>Seduzida pela cor, pelo perfume, num outono qualquer, Eva colheu uma maçã e deu outra a Adão.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553-799x1024.jpg" alt="" class="wp-image-49384" style="width:795px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553-799x1024.jpg 799w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553-234x300.jpg 234w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553-768x984.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553-696x892.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Tiziano_Vecelli_-_Adam_and_Eve_c_1550_-_MeisterDrucke-768553.jpg 983w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">Adão e Eva de Tiziano Vecelli &#8211;<em>1550</em></figcaption></figure></div>


<p>E, pela vez primeira neles, se gerou o verdadeiro conhecimento, isso que fora atribuição divina até ali. Maçã, fruto da luz. Eva e Adão reconheceram que estavam nus. Conheceram a sua desobediência. E deixaram a seus filhos, mais tarde, nós, essa capacidade de conhecer, de distinguir, o livre arbítrio que nos faz homens.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Maçã, fruto da terra, das raízes e da luz.</p>



<p>Fruto do Paraíso, o primeiro fruto que teve nome na nossa história, na nossa cultura.</p>



<p>Da castanha não nos fala o Livro do <em>Génesis.</em></p>



<p>Mas ei-la, logo ali.</p>



<p>Eva e Adão, fechadas as portas do Éden, caminharam sobre uma terra ainda vazia, abrindo os primeiros caminhos. Javé deu-lhes por agasalho, era outono, tempo das maçãs maduras, uma túnica de cordeiro. Não lhes encheu o bornal da merenda.</p>



<p>E Eva e Adão, os primeiros viventes nesta terra dos homens que agora é nossa, encontraram o primeiro alimento nas castanhas que, nesse virginal outono, se despejavam pelo chão, por onde abriam caminho. Foram eles quem primeiro as conheceu. E chamaram pão às castanhas que comeram. Fruta-pão, nome que nossos avós, seus filhos, mantiveram e Árvore-do-pão chamaram aos castanheiros.</p>



<p>E eis-nos celebrando, hoje, estes dois frutos. São ambos antigos. Desse princípio de mundo. Basta ver alguns troncos de castanheiros vizinhos, que têm mais de mil anos. Vieram, as árvores-mãe de ambos os frutos desse Oriente longínquo, onde o Éden pousara.</p>



<p>Cobrem hoje a nossa terra. Os frutos multiplicaram-se em variedades, a maçã e a castanha, como as raças dos homens.</p>



<p>Ambos se tornaram pão. Ambos foram indispensáveis ao longo da nossa história. Manjares do povo. De reis e senhores. Manjares da gente do trabalho. Manjares de cerimónia operados em cenóbios antigos.</p>



<p>Magníficos frutos celebrados por poetas, por ilustres pintores do tempo de Grão Vasco ou pelos naturalistas do século XIX, que todos deixaram em museus singulares representações.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="558" height="541" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-castanha.png" alt="" class="wp-image-49381" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-castanha.png 558w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-castanha-300x291.png 300w" sizes="auto, (max-width: 558px) 100vw, 558px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="506" height="551" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-maca.png" alt="" class="wp-image-49382" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-maca.png 506w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/confraria-da-maca-275x300.png 275w" sizes="auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Maçã e castanha, que estas Confrarias irmãs celebram, ano a ano, e permanentemente os celebram junto de quantos, lavradores diligentes, empresários activos, autarquias empenhadas, que, nestes tempos de globalização, com empenho, com suor, com alegria, com muito trabalho, muita dedicação, com a luz do sol dos verões das Terras do Demo e os frios benfazejos, com as águas de outono, dádiva da Mãe-Natureza, bênção que se tornará propiciadora da colheita que se espera generosa.</p>



<p>Frutos de esperança, nestas terras, a maçã e a castanha.</p>
</div></div>
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		<title>O GRANDE TROPEÇÃO COLETIVO DA HUMANIDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 23:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[primata com telemóvel]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>- Ah, a humanidade… Essa magnífica espécie...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Já não há metáforas que possam ter alguma equivalência ao declínio humano. Quando suspiro, penso: &#8211; Ah, a humanidade… Essa magnífica espécie que descobriu como dividir o átomo, mas que ainda não percebeu que o sinal de “Puxar” na porta não é um convite para um duelo de força física.</p>



<p>Se olharmos de longe, somos um prodígio de engenharia biológica. De perto, somos basicamente semelhantes a um primata ansioso com um smartphone na mão, a tentar convencer-se de que é o centro do universo enquanto tropeça nos próprios atacadores. O triunfo da lógica (ou a falta dela) leva-me a concluir que o que mais me fascina no Sapiens não é a sua inteligência, mas a sua dedicação quase religiosa ao absurdo.</p>



<p>Somos o único animal que paga fortunas por comida que nos faz mal, para depois pagar fortunas por medicamentos que combatem os efeitos dessa comida. Inventamos o conceito de “Tempo” apenas para dizer o dia inteiro que não o temos, enquanto o gastamos com meras futilidades. Acreditamos em teorias da conspiração complexas — como a Terra ser plana ou o mundo ser governado por lagartos — porque aceitar que a realidade é apenas um caos aleatório, onde ninguém está realmente ao comando, é, aparentemente, demasiado assustador.</p>



<p>Dizem que a Internet seria a “Biblioteca de Alexandria” no bolso de cada cidadão. O resultado? Temos acesso a todo o conhecimento humano acumulado e usamos essa ferramenta divina para discutir com desconhecidos se o ananás deve ou não estar na pizza, ou para partilhar fotos de torradas que se parecem com o rosto de uma celebridade. Criámos a Inteligência Artificial porque, convenhamos, a inteligência natural já dava sinais de fadiga.</p>



<p>A nossa irracionalidade é a nossa verdadeira “impressão digital&#8221;. É o que nos faz comprar um fato de banho em pleno inverno porque está em promoção e ignorar as alterações climáticas porque “hoje até está um bocadinho de frio&#8221;. O ser humano é um mestre na arte de ignorar o óbvio. Construímos castelos de cartas sobre fundações de ignorância e depois ficamos genuinamente ofendidos quando a gravidade decide fazer o seu trabalho. Somos criaturas que temem o escuro, mas que passam a vida a fechar os olhos à luz dos factos.</p>



<p>No fundo, talvez a nossa estupidez seja a nossa maior defesa. Se fôssemos totalmente lógicos, a vida seria uma folha de Excel cinzenta e impecável. Sem a nossa gloriosa capacidade de sermos absurdos, quem é que riria das piadas? Quem é que compraria o “manual de autoajuda para ser feliz em 5 passos”?</p>



<p>Ainda continuando a falar de aberrações: a política e a guerra. São os dois passatempos favoritos da humanidade quando nos cansamos de ser apenas individualmente estúpidos e decidimos ser catastróficos em grupo. Se a história humana fosse um exame de condução, já teríamos tido a licença perdida no primeiro milénio; no entanto, continuamos a acelerar em direção ao muro, discutindo quem escolhe a música no rádio.</p>



<p>Quanto à política, parece um teatro do absurdo em alta definição. É o único setor onde se pode ser promovido por falhar espetacularmente. O cenário político global atingiu um nível de surrealismo que faz as pinturas de Salvador Dalí parecerem fotografias de passaporte. Vivemos a &#8220;Era das Bolhas Algorítmicas&#8221;, onde a sátira está morrendo porque a realidade é mais ridícula do que qualquer piada. As pessoas consomem notícias por feeds personalizados que apenas confirmam o que elas já pensam, impossibilitando qualquer diálogo racional.</p>



<p>No auge da ironia, líderes envolvidos em conflitos brutais são sugeridos para prémios de paz. A guerra é o monumento máximo à nossa incapacidade de partilhar um planeta pequeno. Gastamos biliões em arsenais nucleares que, se alguma vez forem usados, garantem que ninguém restará para contar quem ganhou. É o equivalente a comprar um seguro de vida onde a casa explode e o segurado morre.</p>



<p>A política e a guerra provam que a inteligência humana é uma ferramenta poderosa, mas que, infelizmente, costuma ser entregue a pessoas com o equilíbrio emocional de uma criança de cinco anos a quem roubaram o brinquedo — a diferença é que agora o “brinquedo” tem ogivas nucleares.</p>
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		<title>OTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 18:48:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passear pelas ruas quase desertas do centro urbano</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Decidi quebrar o enguiço e, em serena manhã de domingo, passeei-me pelas ruas quase desertas do centro urbano. Vi a calma do mercadinho, ao ar livre, no largo traseiro à igreja paroquial&#8230; </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="371" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-mercado.png" alt="" class="wp-image-49356" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-mercado.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-mercado-300x109.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-mercado-768x278.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-mercado-696x252.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>&#8230; a semiobscuridade do templo, deserto – a hora de missa já passara – convidava à oração.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="424" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-igreja.png" alt="" class="wp-image-49357" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-igreja.png 424w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-igreja-221x300.png 221w" sizes="auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Espreitei um alpendre. Saudosas do seu tempo útil, queixaram-se-me da ferrugem que as consumia alfaias agrícolas ao abandono: charruas, uma grade de bicos, uma roda (para tirar água de poço?)… E segredaram-me:</p>



<p>– Se pedisses à Junta de Freguesia que olhasse por nós. Até poderíamos ficar limpinhas, num espaço jeitoso, a contar aos meninos de agora para que é que nós servíamos…</p>



<p>– Sabem – respondi-lhes – eu não sou de cá. Vim para um casamento…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="741" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-alfaias-velhas.png" alt="" class="wp-image-49360" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-alfaias-velhas.png 741w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-alfaias-velhas-300x233.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-alfaias-velhas-696x541.png 696w" sizes="auto, (max-width: 741px) 100vw, 741px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Deixei-as, porque, de repente, uns dizeres junto às portas me chamaram a atenção:</p>



<p>– Olá, vizinha, bom dia! Que significam estes dizeres?</p>



<p>– É dos Reis. Os grupos passam a cantar as Janeiras e pintam esses dizeres! Uma tradição nossa!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="884" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-escritos.png" alt="" class="wp-image-49362" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-escritos.png 884w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-escritos-300x195.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-escritos-768x500.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-escritos-696x454.png 696w" sizes="auto, (max-width: 884px) 100vw, 884px" /></figure></div>


<p>Li depois a explicação mais à frente, num painel, em português e inglês:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="307" height="506" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa.png" alt="" class="wp-image-49363" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa.png 307w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-182x300.png 182w" sizes="auto, (max-width: 307px) 100vw, 307px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="639" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-1024x639.jpg" alt="" class="wp-image-49364" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-1024x639.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-300x187.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-768x479.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-696x434.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1-1068x667.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-placa-1.jpg 1075w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>
</div></div>



<p>Pensei de novo nas alfaias. Se calhar, a Junta, que pôs este letreiro e até mandou fazer azulejo a mostrar como era antigamente o Largo Dr. Mário Madeira, um dos largos mais concorridos do lugar, se calhar, até era capaz de pensar nelas…</p>



<p>Depressa, porém, outra parede me chamou a atenção, a anunciar um Centro de Interpretação. Um Centro de Interpretação? – pasmei.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="441" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-centro-de-interpretacao.png" alt="" class="wp-image-49367" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-centro-de-interpretacao.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-centro-de-interpretacao-300x129.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-centro-de-interpretacao-768x331.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ota-centro-de-interpretacao-696x300.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Estava encerrado, mas vim a descobrir depois de que é que se tratava: do Canhão Cársico de Ota, classificado como “monumento natural local”, «o mais espectacular e extenso vale em canhão das regiões calcárias portuguesas»! Totaliza 316,29 ha e encontra-se localizado entre as aldeias da Atouguia das Cabras e da Ota.</p>



<p>Um canhão é, do ponto de vista geológico, um vale estreito, geralmente provocado pela constante erosão das águas ao longo de milhões de anos. Neste caso, o culpado foi mesmo a Ribeira da Ota, curso de água sazonal que nasce na Serra de Montejunto e que percorre a Serra da Ota, onde se formaram inúmeras cascalheiras ao longo de 2,5 km, devido à erosão flúvio-cársica das paredes verticais que formam actualmente o canhão.</p>



<p>Gerou-se, dessa sorte, um ecossistema de características invulgares, propício a que a população para aí organize passeios, a fim de, serenamente, observar espécies raras, animais (o bufo-real, o corvo, o melro azul, a garça-vermelha, a águia cobreira, o noitibó, a águia-calçada…), assim como fósseis abundantes&#8230; Enfim, numa comunhão única! Hélder Cardoso, entomólogo do Bombarral, teve mesmo ocasião de aí instalar uma estação para estudo das borboletas nocturnas, que constituem excelentes indicadores da saúde do ambiente.</p>



<p>Muito longe estava eu, portanto, de vir a saber que este canhão me levaria a esquecer – pelo menos, durante algum milagroso tempo – os bem diferentes, mortíferos e barulhentos canhões da actualidade bélica!&#8230;</p>



<p>E, assim, Ota passou a ter, para mim, superior encanto.</p>
</div></div>
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