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	<title>Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Duas Linhas</title>
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		<title>ARQUEÓLOGO DE CASCAIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 17:45:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia em Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
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		<category><![CDATA[Guilherme Cardoso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantos arqueólogos portugueses têm o nome numa rua ou rotunda?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/arqueologo-de-cascais/">ARQUEÓLOGO DE CASCAIS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Câmara Municipal de Cascais atribuiu o nome do arqueólogo Guilherme Cardoso a uma rotunda na Amoreira, assinalando um percurso de várias décadas dedicado ao estudo do património arqueológico do concelho. A cerimónia decorreu a 10 de julho, numa iniciativa conjunta da Câmara e da Junta de Freguesia de Alcabideche.</p>



<p><strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/guilherme-cardoso/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/guilherme-cardoso/">Guilherme Cardoso</a></strong> desenvolve trabalho de investigação em Cascais desde o início da década de 1970. Participou na identificação, estudo e valorização de alguns dos mais importantes sítios arqueológicos da região, como a villa romana de Freiria, a villa romana de Outeiro de Polima e o sítio arqueológico de Miroiço, em colaboração com outros investigadores, entre eles <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d&#8217;Encarnação</a></strong>. A sua produção científica ajudou a consolidar o conhecimento sobre a ocupação humana do território de Cascais ao longo de vários milénios.</p>



<p>A atribuição do seu nome a uma rotunda não acrescenta nada ao trabalho já realizado. Mas fixa no espaço público o nome de alguém cujo contributo consistiu precisamente em revelar e preservar a memória de muitos outros que viveram estas terras muito antes de nós.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="906" height="604" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/FB_IMG_1783900192113.jpg" alt="" class="wp-image-50294" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/FB_IMG_1783900192113.jpg 906w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/FB_IMG_1783900192113-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/FB_IMG_1783900192113-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/FB_IMG_1783900192113-696x464.jpg 696w" sizes="(max-width: 906px) 100vw, 906px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/arqueologo-de-cascais/">ARQUEÓLOGO DE CASCAIS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O Calvário das Três Assinaturas (Cartão de Cidadão)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 23:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[burocracia digital]]></category>
		<category><![CDATA[digitalização dos serviços públicos]]></category>
		<category><![CDATA[renovação do cartão de cidadão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao Cuidado do Conselho de Sábios Analógicos da ARTE (Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, I.P.)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-calvario-das-tres-assinaturas-cartao-de-cidadao/">O Calvário das Três Assinaturas (Cartão de Cidadão)</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao Cuidado do Conselho de Sábios Analógicos da ARTE (Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, I.P.)</p>



<p>Ao Excelentíssimo Senhor Presidente do Conselho Diretivo, Engenheiro Manuel Dias. À Vogal das Linhas Tortas, Mónica Letra, ao Vogal do Bloqueio Permanente, João Roque Fernandes</p>



<p><em>Exmos. Senhores,</em></p>



<p><em>É com o dedo indicador esquerdo a tremer de indignação &#8211; uma vez que o direito foi sacrificado no altar da vossa transição digital &#8211; que a recém-eleita direção do F.O.D.A.S.E.(Federação de Organizações de Demagogia e Alianças Secretas Eleitorais), toma a palavra. Acabámos de receber o vosso pedido de &#8220;averiguação forense&#8221;, onde solicitam o número de telefone que originou a chamada para a vossa linha de apoio (21 048 9010).</em></p>



<p><em>A vossa capacidade de transformar um problema técnico num mistério digno de Agatha Christie é, de facto, assinalável. Pedem o número de telemóvel para investigar por que razão um cidadão tem de assinar três vezes o mesmo documento? Se o vosso sistema informático exige um código por página, não precisam de um detetive privado; precisam de um programador que não tenha aprendido a codificar numa máquina de calcular de 1982.</em></p>



<p><em>Como o meu telemóvel original explodiu devido à radiação térmica de tanto receber SMS de validação, deixo-vos o contacto alternativo da sede do F.O.D.A.S.E. No entanto, alerto-vos: a nossa linha só atende se digitarem o código PIN ao ritmo do hino nacional.</em></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>O Triunfo do Masoquismo Estatal</em></strong></h4>



<p><em>A liderança de António Cadabulho assume-se profundamente fascinada pelo vosso trabalho. O Engenheiro Manuel Dias, com o seu passado na Microsoft, conseguiu o impensável: injetar o conceito de &#8220;Ecrã Azul da Morte&#8221; diretamente no sistema nervoso dos portugueses.</em></p>



<p><em>O vosso fluxo de trabalho digital superou a genialidade de Franz Kafka. Dividir a assinatura de um relatório de três páginas num sofrimento em três atos é puro sadismo burocrático:</em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><em>Ato I (A Ilusão):</em></strong><em> O cidadão digita o PIN da Chave Móvel Digital. Espera pelo SMS. O código chega. A primeira página está assinada. Há um brinde mental à modernização do país.</em></li>



<li><strong><em>Ato II (O Castigo):</em></strong><em> O sistema apaga o sorriso da cara do utilizador. Avança para a página dois e exige&#8230; tudo de novo. Novo PIN. Novo SMS. O suor frio começa a descer pela espinha.</em></li>



<li><strong><em>Ato III (O Colapso):</em></strong><em> Terceira página. Terceiro SMS. O cidadão já não usa os dedos; bate com a testa no teclado, chora copiosamente e pede perdão por crimes que não cometeu.</em></li>
</ul>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>O Novo Plano Estratégico proposto pelo F.O.D.A.S.E.</em></strong></h4>



<p><em>Como a ARTE parece empenhada em fazer o país regressar ao ano de 1995 com internet discada, António Cadabulho propõe formalmente a fusão da vossa agência com o F.O.D.A.S.E. Para o próximo plano de desmaterialização, sugerimos a implementação imediata das seguintes medidas:</em></p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong><em>Autenticação por Espirro:</em></strong><em> Para assinar a página quatro, o utilizador deve gravar um áudio a espirrar três vezes para provar que está vivo.</em></li>



<li><strong><em>O Selo Branco Digital:</em></strong><em> Após a introdução do quinto SMS de validação, o cidadão deve lamber o ecrã do computador para selar o documento com ADN.</em></li>



<li><strong><em>Burocracia Circular:</em></strong><em> Um sistema revolucionário onde, após assinar digitalmente, o utilizador recebe um e-mail a ordenar que imprima o PDF, o assine à mão, o digitalize e o envie por telebip.</em></li>
</ol>



<p><em>Parabéns à Troika da Ineficiência: Manuel Dias, Mónica Letra e João Roque Fernandes. Os senhores conseguiram provar que, em Portugal, a fibra ótica serve perfeitamente para nos enforcar em alta definição.</em></p>



<p><em>Com os meus mais sinceros votos de que o vosso servidor mude de PIN a cada cinco segundos,</em></p>



<p><em>António Cadabulho</em></p>



<p><em>Presidente do F.O.D.A.S.E. (Federação de Organizações de Demagogia e Alianças Secretas Eleitorais)</em></p>



<p class="has-text-align-center">Para os que preferem ver bonecos:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="576" height="864" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png" alt="" class="wp-image-50288" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png 576w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1-200x300.png 200w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-calvario-das-tres-assinaturas-cartao-de-cidadao/">O Calvário das Três Assinaturas (Cartão de Cidadão)</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PARTILHEM, O SILÊNCIO É CÚMPLICE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 09:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[crimes de guerra de Israel]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Israel pode ter eleições, mas não é uma dmocracia. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Israel ainda há quem tente salvar a face do Estado, perante os crimes de guerra e o genocídio dos palestinianos em curso. São casos raros, mas de gente corajosa. Para tentar contornar os filtros censórios não escrevo nem falo o nome dessa pessoa. É um jornalista que tem alguma notoriedade noutras redes sociais. O nome dele vem escrito na imagem, em cima à direita.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id=""><iframe title="Israelitas contra o genocídio" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/IGFRq7IpFgw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>O sistema carcerário e penal israelita deve ser dos mais brutais e injustos em todo o mundo. Não se percebe como os regimes democráticos convivem com isso. Por estes dias, o caso do médico Abu Safiya tornou-se num símbolo da luta pela justiça e liberdade.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Libertem os Prisioneiros" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/ZPfXlbsMWVY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>Fiz reportagens em Israel, Cisjordânia e Gaza nos anos de 1989 e 2013. O intervalo temporal entre as duas viagens permitiu-me perceber que a política israelita de asfixia dos territórios ocupados era sistemática e cada vez mais severa. O tempo mudou a natureza do conflito, que começou por ser de ocupação territorial para, agora, ser de extermínio da população palestiniana.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Gaza e Palestina, reportagem de 2014" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/tJUrgEjVTms?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p></p>
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		<title>MILITARIZAÇÃO EM CURSO EM UNIVERSIDADES ALEMÃS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/militarizacao-em-curso-em-universidades-alemas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[indústria de armamento da Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[militarismo]]></category>
		<category><![CDATA[rearmamento da Alemanha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há cidades cuja geografia é marcada pelo rio, pela serra ou pelo mar. Kassel, no coração da Alemanha, também tem o rio Fulda, mas nela vê-se a marca da cinza. Quem percorre as suas ruas da cidade baixa, mesmo nas manhãs mais límpidas, sente um peso na terra um eco subterrâneo de 1943, quando 75% da cidade ruíram sob o fogo dos Aliados, pagando o preço de ser, já nessa altura, um bastião da indústria bélica. Hoje, as chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland não fumegam pólvora, mas exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama. E é precisamente nesta cidade, tão linda e com tantos parques, onde a História parece ter-se esquecido de sarar, que se trava uma batalha silenciosa, mas fundamental, pelo futuro da razão académica.</p>



<p>Em causa está a revogação da chamada «Zivilkausel», a cláusula civil de paz, na Universidade de Kassel. Setenta instituições de ensino superior alemãs subscreveram, outrora, o compromisso de que a investigação científica se consagraria, exclusivamente, a fins pacíficos. Kassel era uma dessas vozes éticas no deserto do progresso técnico. Contudo, a nova vaga de rearmamento que varre a Alemanha, esse <em>Zeitenwende</em> que tantos aplaudem como necessidade geopolítica, ameaça agora transformar os laboratórios em extensões dos quartéis. A ciência, que deveria ser o farol da humanidade, corre o risco de se tornar a bússola da artilharia.</p>



<p>O problema não reside na pureza abstrata da investigação, sabemos que o conhecimento é, por natureza, ambivalente e que os frutos da física podem alimentar hospitais ou mísseis. A questão crucial é a <em>intencionalidade</em> e a <em>influência.</em> Quando a maior concentração de indústria armamentista do país se instala à porta da universidade, abolir a cláusula de paz não é um gesto de transparência; é um convite aberto para que o dinheiro sujo da guerra dite as prioridades científicas. E a tragédia anuncia-se em dois atos: em primeiro lugar, os fundos públicos, que deveriam nutrir o espírito crítico e a coesão social, poderiam ser desviados para financiar a morte. Em segundo lugar, e mais sinistro, a universidade deixaria de ser o templo do debate para se tornar o escritório de projetos das multinacionais do aço.</p>



<p>Perante este cenário, o Senado da Universidade hesita. Composto por apenas três estudantes, nove professores, três académicos e dois administrativos, este órgão reflete um desequilíbrio de poder gritante, a voz dos que aprendem é abafada pelos que já decidiram. Após três horas de discussão, o Conselho Académico adiou a decisão. Mas o adiamento, longe de ser uma vitória, cheira a tática de dilação. A sugestão de criar uma comissão de ética é, no limite, uma manobra burocrática, uma cortina de fumo para ganhar tempo e esvaziar a resistência que, entretanto, se ergue com cartazes e gritos do lado de fora do campus. A ASTA, representação estudantil, apela a uma votação geral, um gesto democrático que a razão louva, mas que a urgência do momento condena – porque, enquanto se contam votos, os canhões continuam a ser forjados.</p>



<p>Mas o que está em jogo transcende as fronteiras do estado do Hesse. A Alemanha, pela sua força económica e moral, é um modelo. E quando a Alemanha se militariza, todo o continente estremece. Países como Portugal, situados na margem atlântica, sentem a pressão tectónica deste rearmamento. Num país que deveria semear o espírito social, a cultura de paz e a resiliência comunitária, a onda belicista germânica ameaça impor uma lógica de subalternidade: “Se a Alemanha se rearma, nós também temos de o fazer.” Mas esta é uma falácia perigosa. A Europa não precisa de mais exércitos; precisa de mais pedagogia. Precisa de dominar a arte da diplomacia e da fraternidade, em vez de competir na corrida ao armamento.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-1024x576.avif" alt="" class="wp-image-50276" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-1024x576.avif 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-300x169.avif 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-768x432.avif 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-696x392.avif 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal-1068x601.avif 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Rheinmetal.avif 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="624" height="402" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall.jpg" alt="" class="wp-image-50277" style="width:464px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall.jpg 624w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall-300x193.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A vontade militar e o delírio belicista avançam a passos largos na sociedade germânica, infiltrando o discurso político, a imprensa e agora a academia. Para onde caminha a Alemanha dos nobres poetas e dos pensadores? Mas as universidades devem ser os baluartes contra essa maré. Criar espaços de guerra dentro dos muros onde se cultiva o saber é uma contradição tão absurda como cultivar espinhos num jardim de flores. O exército já tem os seus quartéis onde pode ter os seus laboratórios; a ciência deve ter os seus laboratórios de paz.</p>



<p>A memória de Kassel, essa cidade arrasada até aos alicerces, deve servir de advertência. Os fantasmas de 1943 não pedem vingança; pedem memória. Revogar a cláusula de paz agora, quando o dinheiro manda e a Europa rearma, não é apenas um precedente perigoso para outras universidades que observam este caso; é uma traição àqueles que, sobre os escombros, juraram que nunca mais.</p>



<p>Apelamos, pois, à razão e ao coração de cada cidadão europeu. A razão diz-nos que a investigação civil e a ética não são obstáculos ao progresso, mas a sua única garantia de sustentabilidade. O coração diz-nos que os jovens que hoje protestam em Kassel são a consciência viva de um continente que já se despedaçou duas vezes. Não os deixemos sós. Que a Europa não se deixe cegar pelo brilho efémero do aço. Que a cláusula de paz não seja um papel rasgado ao vento, mas o alicerce sobre o qual construímos, finalmente, uma cultura de paz duradoura. Porque, se a universidade deixar de ser o lugar onde se sonha com um mundo melhor, quem o fará por nós?</p>
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		<title>O KARMA É LIXADO!…</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 18:37:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ex-diretor da PJ apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[fugas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Ministro da Administração Interna apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[segredo de Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-karma-e-lixado/">O KARMA É LIXADO!…</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça, não só para garantir que a investigação possa prosseguir sem alertar os possíveis infractores, mas também, e principalmente, para que estes não possam ser incriminados pela população antes de julgados, e condenados, não é um problema exclusivo dos portugueses. Acontece um pouco por todo o mundo, mas obviamente com mais frequência nos países latinos e de terceiro mundo.</p>



<p>A diferença, em Portugal, é que estas informações são cirurgicamente usadas para atacar e destruir adversários ou derrubar um concorrente directo quer na política quer na profissão. E são conseguidas com uma facilidade que nos deveria preocupar.</p>



<p>Todos vimos, já, nos diversos canais de televisão, as gravações da audição de arguidos, em primeiro interrogatório pelo Ministério Público, por vezes na presença do Juiz. O caso do ex-Primeiro Ministro José Sócrates é um desses exemplos.</p>



<p>É rara a semana sem “fuga de informações em segredo de Justiça”, que serão amplamente usadas pela Comunicação Social. Não havendo qualquer preocupação dos responsáveis no sentido de detectar os autores desse crime. Porque é um crime.</p>



<p>A verdade é que esta realidade é da conveniência de muitos. A acusação deixa passar as informações que lhe interessam sejam conhecidas, de modo que a “opinião publicada” influencie a opinião pública condenando, antecipadamente, os arguidos. Principalmente aqueles contra os quais não haja provas concludentes da sua culpabilidade.</p>



<p>Isto porque, se o arguido chegar ao Tribunal fragilizado “pela certeza absoluta da sua culpabilidade” por parte dos seus conterrâneos, envenenados durante meses e meses com informações falsas, ou deturpadas, ou incompletas (o que acaba por dar no mesmo) as probabilidades de dali sair absolvido são mínimas.</p>



<p>E nas poucas vezes em que tal acontece continuará a ser, para a imensa maioria da população, culpado (como aconteceu no caso recente do desaparecimento de uma mulher grávida, na Murtosa, com o homem acusado de a ter assassinado apesar de ter sido absolvido por um Tribunal de Júri e pelo Tribunal da Relação).</p>



<p>E porquê? Porque sim. Porque toda a gente sabe o que os jornais, as estações de rádio e os canais de televisão disseram. Porque toda a gente ouviu os ilustres comentadores a garantir essa culpabilidade. Para a comunicação social estas fugas são um maná. O aumento de vendas de jornais e de audiências nas rádios e televisões é, atualmente, para muitos desses órgãos, o grande objectivo. Maior do que escrever textos isentos.</p>



<p>Também por isso, o grande poder em Portugal pertence, hoje, aos representantes da justiça. Os magistrados e autoridades policiais têm mais força e influência do que qualquer político porque este estará, a qualquer momento, sujeito a uma devassa total à sua vida incluindo escutas telefónicas que podem durar anos.</p>



<p>Isso mesmo é reconhecido, e aceite, por todos. Como se prova pelo facto de os magistrados auferirem ordenados muito superiores aos principais políticos do país. É rara a semana em que um destes não seja alvo de ataques, vindos muitas vezes de quem menos esperam.</p>



<p>O mais recente exemplo (ia escrevendo “o último exemplo”, mas corrigi a tempo) é o do actual Ministro da Administração Interna, Dr. Luís Neves, que deixou o cargo de Director-Nacional da Polícia Judiciária, onde tinha feito um trabalho por muitos elogiado.</p>



<p>Acusam-no, poucos meses depois de tomar posse, de tirar proveito da ligação com um empreiteiro (e divulgam gravações telefónicas entre ambos), que teria conseguido dez por cento de todas as obras levadas a cabo por aquela polícia, quando dos seus mandatos, para conseguir, posteriormente, algum proveito em obras numa (ou duas) casa(s) sua(s) num monte alentejano. E colocam em causa a legitimidade nalgumas daquelas empreitadas pagas pela Polícia Judiciária.</p>



<p>Divulgam, agora. Agora que já não é o Director-Nacional da Polícia Judiciária. Agora que é Ministro. Agora que é político. A imensa maioria das pessoas que conheço poem as mãos no fogo pela honestidade e integridade do Dr. Luís Neves. Nem me atrevo a duvidar da mesma. Todavia… o Karma é lixado.</p>



<p>Fosse hoje e talvez tivesse, no seu antigo posto, lutado com mais convicção contra aqueles que beneficiam deste nojo que são as fugas de informação.</p>
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		<title>A SOLIDÃO DOS COMPETENTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 23:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[TEMPO de PENSAR]]></category>
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		<category><![CDATA[experiênciaprofissional]]></category>
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		<category><![CDATA[velhos são os trapos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/a-solidao-dos-competentes/">A SOLIDÃO DOS COMPETENTES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo da vida, algumas pessoas acumulam conhecimento, experiência, capacidade de análise e sentido de responsabilidade. Aprendem a resolver problemas, a antecipar dificuldades, a tomar decisões em momentos complexos e a assumir consequências. Esse percurso não acontece de um dia para o outro. É construído através de anos de trabalho, de erros corrigidos, de sucessos alcançados e de fracassos superados. Mas existe um momento em que muitos desses homens e mulheres descobrem algo inesperado. Quanto mais sabem, menos são ouvidos. Quanto mais experiência acumulam, menos espaço lhes é concedido para a utilizar.</p>



<p>A sociedade contemporânea valoriza frequentemente a novidade acima da profundidade. O imediato acima do duradouro. A aparência da inovação acima da substância do conhecimento.<br>Quem alerta para os riscos é muitas vezes visto como pessimista. Quem recorda experiências anteriores é acusado de estar preso ao passado. Quem procura ponderação é considerado lento num mundo que vive obcecado pela velocidade.</p>



<p>Muitos profissionais experientes conhecem bem esta realidade. São chamados para cerimónias, homenagens e discursos. Mas raramente são integrados nos processos onde poderiam continuar a contribuir. São respeitados simbolicamente, mas ignorados na prática. É uma forma subtil de exclusão.</p>



<p>A competência continua a ser reconhecida. O problema é que deixou de ser utilizada. E quando isso acontece surge uma sensação difícil de explicar. A pessoa continua capaz. Continua lúcida. Continua disponível. Mas percebe que o seu conhecimento deixou de ser procurado. Não porque tenha perdido valor. Mas porque a sociedade se habituou a procurar respostas rápidas em vez de reflexão aprofundada.</p>



<p>Esta solidão não afeta apenas os mais velhos. Também atinge profissionais de diferentes idades que recusam o facilitismo, que procuram fazer bem o seu trabalho e que mantêm um forte sentido de exigência consigo próprios. Em muitos ambientes, a competência pode tornar-se desconfortável. Porque questiona. Porque exige rigor. Porque desmonta ilusões. Porque lembra que os resultados dependem de esforço, preparação e responsabilidade. Por isso, os competentes encontram-se frequentemente isolados. Não por escolha. Mas porque a mediocridade organizada tende a proteger-se de quem expõe as suas fragilidades.</p>



<p>A história mostra, contudo, que as sociedades avançam graças a pessoas que persistem apesar desse isolamento. Investigadores, professores, médicos, engenheiros, artistas, empresários, trabalhadores anónimos e cidadãos comuns que continuaram a fazer o que acreditavam ser correto, mesmo quando o reconhecimento tardava. A verdadeira competência raramente é ruidosa. Não procura aplausos permanentes. Procura utilidade. Procura contribuir. Procura deixar algo melhor do que encontrou.</p>



<p>Talvez por isso a sociedade tenha o dever de prestar mais atenção aos seus competentes. Não para os transformar em figuras intocáveis.<br>Mas para aproveitar aquilo que sabem. Porque quando os competentes se calam, perde-se mais do que conhecimento. Perde-se discernimento. Perde-se memória. Perde-se capacidade de antecipar erros. Perde-se inteligência coletiva.</p>



<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre. E talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja precisamente esta: criar condições para que o conhecimento, a experiência e a competência continuem a ter voz. Porque o futuro constrói-se com inovação. Mas sustenta-se sempre sobre aquilo que os competentes aprenderam antes de nós.</p>



<p><br></p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU, A NOVA CONSTITUIÇÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 22:46:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Bacelar Gouveia]]></category>
		<category><![CDATA[nova Constituição na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nova Constituição da Guiné-Bissau. O texto foi aprovado pelo Conselho de Transição e criticado pela oposição</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há uma nova Constituição da Guiné-Bissau. O texto foi aprovado pelo Conselho de Transição e criticado pela oposição. Os principais argumentos para a condenação é que a nova Constituição muda o sistema de governo, instituindo um regime presidencialista e que se trata de uma Constituição aprovada quando o Estado tem um Governo saído de um golpe de estado e subalternizado a um grupo de militares.</p>



<p>A Deutsch Welle ouviu a opinião do constitucionalista português Jorge Bacelar Gouveia. Em síntese, Bacelar Gouveia diz que se a nova Constituição for referendada pelo povo, em caso de vitória ganhará legitimidade e nega que o texto institui um regime presidencialista.</p>



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</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo</figcaption></figure>
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		<title>A ROMARIA DE NOSSO SENHOR DOS CAMINHOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[a vida na aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[Rãs]]></category>
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		<category><![CDATA[romaria de Nosso Senhor dos Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[Sátão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>quando era criança eu ia com meus pais à romaria de Nosso Senhor dos Caminhos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ano a ano, quando era criança, no último dia de Maio, eu ia com meus pais, todos os anos, à romaria de Nosso Senhor dos Caminhos, que tinha a sua Capela nas Rãs, uma pequena povoação do concelho do Sátão a que se associam hoje as povoações de Romãs e Decermilo. Beira Alta plena.</p>



<p>Partíamos às seis horas, ainda manhã alta e sonolenta, na camioneta da carreira e, trinta quilómetros andados, estávamos nas Rãs. Descíamos agora a pé, meia hora a bom andar, até ao Santuário do Senhor dos Caminhos, levantado num chão com cercania de pinheiros, não longe do curso do rio Vouga, que tem nascente perto, a dois passos da Senhora da Lapa e que ali corre ainda devagar.</p>



<p>Havia já tendas armadas no lugar, ouvia-se o bru-á-á da gente em rodopio, romeiros que, de joelhos, davam voltas à capela e outros, como nós, entrando na capela, davam as três voltas rituais em redor do altar-mor, que isso permitia a arquitectura do lugar. Meu pai entregava umas moedas, por esmola, ao mordomo sentado numa mesa ali ao pé e trazia para casa o “registo” do Senhor dos Caminhos no seu altar, impresso em cor azul que minha mãe, ao chegar a casa, colava no frontal com massa de pão e ali ficava até à próxima romaria.</p>



<p>A procissão vinha da aldeia, Santo Lenho sob o pálio, a banda seguindo a tocar, foguetes no ar a estralejar, anjinhos no seu lento caminhar, um mar de gente e os andores com imagens que pareciam naturais e que contavam a caminhada de Cristo para o Calvário, imagens de uma cenografia exemplar a deslumbrar meus olhos de criança. Havia, depois, aquela longa cerimónia, a missa e o sermão, missa cantada com a banda a acompanhar. Gente apertada na capela. Incenso perfumando o ar. Ao findar da cerimónia, meio-dia já passado, voltava o alegre vozear da gente.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="908" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-4.jpg" alt="" class="wp-image-50154" style="width:313px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-4.jpg 960w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-4-300x284.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-4-768x726.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-4-696x658.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="571" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1024x571.png" alt="" class="wp-image-50157" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1024x571.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-300x167.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-768x428.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1536x857.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-696x388.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1392x777.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1068x596.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1320x736.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x.png 1814w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A gente sentava-se numa mesa de taberna improvisada. Cheirava bem, ao abrir-se uma bolsa de retalhos, onde vinha o galo assado, o salpicão, pastéis de bacalhau e as fritas que hoje chamamos rabanadas. Comprava-se ao vendeiro o vinho que (supostamente) era do Dão e os pães de trigo de quatro quartos, que, ainda hoje, comprados na Lapa, sabem bem.</p>



<p>Demorava-se a gente no terreiro. Encontravam-se por lá amigos certos com os quais os adultos se entretinham a falar. Armados numa vara, um homem circulava vendendo os eternos “moinhos de papel”, de cores vistosas, que nós chamávamos “ventoinhas” e que uma brisa leve fazia rodopiar. Em tendas pequeninas, que os mordomos deixavam armar em lugar já marcado por velha tradição, as doceiras vendiam confeitos e beijinhos, rebuçados, doce da Teixeira, cavacas e santinhas doces com imagem de papel.</p>



<p>E, quando a tarde caía, demorada, subíamos a ladeira por onde toda a gente vinha a pé e esperávamos, na estrada, a meio da aldeia, a paragem da camioneta que vinha de Viseu e nos levava.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="605" height="406" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao.jpg" alt="" class="wp-image-50150" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao.jpg 605w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px" /><figcaption class="wp-element-caption">Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos. Rãs. Sátão.</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="603" height="340" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2.jpg" alt="" class="wp-image-50151" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2.jpg 603w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px" /><figcaption class="wp-element-caption">Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos (1905). Rãs. Sátão. A colunata visível, à esquerda, construída em desconhecida data para abrigo de romeiros, roubada a cobertura, nunca chegou a ser utilizada como tal. Permanece como poética memória na paisagem.</figcaption></figure></div></div>
</div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/a-romaria-de-nosso-senhor-dos-caminhos/">A ROMARIA DE NOSSO SENHOR DOS CAMINHOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O PAÍS ENCALHADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 08:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[economia de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[modelo de desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os países que lideram o desenvolvimento científico e industrial não afastam investigadores nem atrasam pagamentos aos bolseiros da investigação…</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-pais-encalhado/">O PAÍS ENCALHADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os países que lideram o desenvolvimento científico e industrial não afastam investigadores nem atrasam pagamentos aos bolseiros da investigação…</p>



<p>Mas Portugal continua a privilegiar o sector do turismo e dos serviços, como se daí conseguissemos dar emprego decente aos nossos jovens.</p>



<p>O que dizem as parangonas sobre o nosso crescimento do PIB, não nos leva para perto, sequer, dos parceiros europeus. É um crescimento sempre abaixo dos 70% da média europeia.</p>



<p>A nossa dívida externa, que não é para pagar mas para gerir (ouvi dizer), esmaga a  possibilidade de subirmos no <em>ranking</em> europeu. O tecido empresarial é maioritariamente de micro, pequenas e médias empresas e quase todas viradas para os serviços e para o turismo.</p>



<p>Produz-se pouco e estamos sempre, mas sempre, dependentes dos fundos estruturais.</p>



<p>O investimento externo não vem, porque a justiça é lenta e o fisco injusto. O que vemos é um marcar passo permanente porque continuamos com mão de obra de baixos salários, tão baixos que nem servem para animar o mercado interno.</p>



<p>Como é que se passa para uma economia que tem a sua estrutura no conhecimento e inovação, se se aposta no imobiliário, turismo, serviços…?</p>



<p>Pagamos caro as formações dos nossos jovens e eles, findo os cursos, não vêm hipótese nenhuma em conseguir empregos capazes por cá. Emigram para os países que não gastaram um cêntimo nessas formações.</p>



<p>Mas que atraso de vida.</p>



<p>E a música deste fado que não nos larga:</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="81" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado.jpg" alt="" class="wp-image-50217" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado.jpg 589w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado-300x41.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-pais-encalhado/">O PAÍS ENCALHADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O VÍCIO DA GUERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 23:05:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[as novas guerras de Trump]]></category>
		<category><![CDATA[EUA atacam Irão]]></category>
		<category><![CDATA[política da canhoneira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os americanos viciaram-se na guerra</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-vicio-da-guerra/">O VÍCIO DA GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os americanos viciaram-se na guerra. O que temos visto é a aplicação do método negocial com a pistola apontada à cabeça do interlocutor. Foi assim com o Irão. Enquanto decorriam negociações, choveram bombas. Agora, durante um cessar-fogo criado precisamente para negociar a paz, voltaram os bombardeamentos. A guerra interrompe as negociações; as negociações servem apenas para preparar o ataque  seguinte.</p>



<p>Em Gaza, a farsa é ainda mais obscena. Washington financia, arma, abastece e protege diplomaticamente o exército israelita. Diz querer a paz enquanto garante que nunca faltam bombas para os israelitas prosseguirem com o plano genocida de limpeza étnica de extermínio dos palestinianos. </p>



<p>Os Estados Unidos já nem escondem a lógica que orienta a sua política externa. Não procuram compromissos. Procuram obediência. Não querem adversários convencidos. Querem adversários vencidos.</p>



<p>A negociação deixou de ser um instrumento para evitar a guerra. Tornou-se uma arma da própria guerra: ganha tempo, desorienta o adversário, cria ilusões, divide opiniões públicas e permite preparar o ataque seguinte, dá tempo para as fábricas de armamento e munições reporem os arsenais gastos. </p>



<p>Quem continua a acreditar que Washington negoceia para alcançar a paz talvez devesse perguntar por que razão os bombardeamentos surgem tantas vezes antes de a tinta secar nos comunicados sobre o diálogo.</p>



<p>Não há paz possível quando uma das partes fala através de ultimatos e mísseis. Não há boa-fé quando os bombardeiros mantêm os motores ligados e os porta-aviões permanecem em posição.</p>



<p>A história recente mostra-nos que para os Estados Unidos o que eles chamam de paz é apenas mais um caminho para a subjugação de outros povos.</p>
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