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O ‘ressuscitado’ tinha de se suicidar

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Os gritos irritados que ouvia ao telefone quase me assustaram. Recente na redação do DN, estávamos no início dos anos 80 do século passado, eu dava toda a razão àquele indignado catedrático, já que na página de Necrologia, como publicidade paga e em jeito de graçola, os seus alunos tinham mandado publicar, com fotografia, o seu anúncio fúnebre. Alegava, fora de si, que estava bem vivo, como confirmava aquela conversa. Mesmo esclarecendo que a publicidade não era da responsabilidade dos jornalistas, a vozearia continuava tão alta que se ouvia ao redor da minha secretária.

O meu Chefe (eu estava na que, então, se chamava Secção de Informação Geral), intrigado com tal barulheira, perguntou-me o que se passava. Pousei o telefone e resumi a situação. Sempre irónico, como era seu timbre, retorquiu: “Se o Diário de Notícias (que é uma instituição) diz que morreu, está morto. Nem que se suicide!” – sabendo que uma chalaça destas, proferida na redação, jamais chegaria às páginas do jornal.

Quando levantei o auscultador para dar a explicação, tudo tinha mudado. O leitor ria à gargalhada, pois tinha ouvido a afirmação do editor. “Não me vou suicidar, obviamente. Mas está certo! Se o Diário de Notícias disse, está dito.” E, percebendo que qualquer desmentido apenas iria reforçar a posição dos seus iconoclastas alunos, desistiu da queixa.

O DN era, assim, uma instituição de referência e de respeitabilidade. Mais de 40 anos depois da chalaça do meu Chefe, ao ver tudo o que se passa com o Global Media Group, interrogo-me sobre o que fizeram à Comunicação Social? E fico com dores na alma. Muitas dores…

Mudaram os tempos, os proprietários, a concorrência, os diretores, as tendências, os grafismos, os jornalistas, os leitores. Mas nada pode justificar o processo em curso, por parte de uns administradores sem categoria nem vergonha, de destruir este património do DN (159 anos) e dos centenários Jornal de Notícias e Açoriano Oriental, dos mais recentes O Jogo e TSF.

Todos os dias alguns dos nossos camaradas escrevem no seu Facebook ‘Hoje é dia 56 (amanhã será 57 e assim sucessivamente) de Dezembro para a maioria dos trabalhadores da GMG’, numa alusão aos ordenados em atraso e aos subsídios de Natal que não foram pagos. Dir-me-ão que há bastantes trabalhadores de outros sectores na mesma situação. É verdade. Mas não é menos verdade que se os primeiros não trabalharem e receberem salários, dos segundo nunca se saberá nada.

Neste momento, além de toda a solidariedade que me merecem os trabalhadores das publicações agora reunidas na Global Media Group (alguns, como referi, sem receberem salários há dois meses!), importa saber que medidas urgentes e eficazes estão a ser tomadas pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, pela Autoridade para as Condições do Trabalho, pela Procuradoria Geral da República perante o que talvez seja o maior ataque à viabilidade e credibilidade da Comunicação Social nos últimos 50 anos, o que significa o maior ataque social à Democracia desde o 25 de Abril.

E apelar ao cidadão comum, em prol da Democracia e do pluralismo, que comprem jornais. Acreditem que fake news na Imprensa, hoje como no passado, são apenas do género daquele anúncio necrológico.

RACISTAS PROVOCAM IMIGRANTES

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Não aconteceu nada que justifique a realização de uma manifestação de protesto “contra a islamização”. Acontece apenas que a extrema-direita precisa de cavalgar aquilo que julga ser o momento oportuno para acicatar ódios e preconceitos. Quando o partido Chega cresce nas sondagens, os fascistas batem palmas e tentam surfar a onda.

A manifestação está marcada para 3 de fevereiro. Consta de uma arruada pela zona do Martim Moniz e avenida Almirante Reis, uma área onde se concentram muitas lojas de comércio e hotelaria de imigrantes asiáticos.

A comunidade asiática em Portugal é conhecida por ser laboriosa e pacífica. Não há índices relevantes de criminalidade. Nada que justifique protestos ou alarme social.

Mas as organizações racistas espalham ideias de perigo, mostram vídeos de muçulmanos a rezar e de indianos a comer à porta das “tasquinhas” da rua do Benformoso, onde se fazem as melhores chamuças de Lisboa, como se fossem atos conspiratórios. Nas redes sociais, há ainda vídeos onde “cidadãos de bem” esmurram imigrantes, exemplos que os grupos racistas tentam promover como legitimos.

Um pouco por todo o país, cartazes estão a ser afixados em locais públicos, pichagens com mensagens racistas e contra a presença de muçulmanos e de imigrantes em geral.

Os grupos racistas que promovem a manifestação têm o propósito de provocar. Qualquer reação mais hostil de contramanifestantes será pretexto para cenas de violência. É a tática habitual deste tipo de arruaceiros.

O direito à manifestação pode ser impedido, caso as autoridades policiais considerem haver perigo ou alarme social com a realização do evento. Manifestamente é o caso. A marcha deveria ser proibida. Está em curso uma recolha de assinaturas com esse fim. O documento já tem milhares de assinaturas e será entregue dia 25 a diferentes responsáveis políticos e institucionais, incluindo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e a procuradora-geral da República, Lucília Gago.

A comunidade imigrante no Martim Moniz e Mouraria olha com apreensão para o protesto. Estas pessoas já têm experiência de serem alvo de ações racistas e xenófobas, nas ruas de Lisboa. Até agora sentiam-se seguras nas ruas do Bairro Alto e Mouraria. Os racistas vão tentar acabar com esse bem-estar.

vídeo – Martim Moniz, 8 da manhã

Vitória da Palestina

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A Palestina classificou-se para os oitavos de final da Taça das Nações Asiáticas pela primeira vez na sua história. O jogo era contra Hong-Kong. A Palestina venceu por 3-0. Se quiserem ver o 1º golo da Palestina, usem este link.

A competição decorre no Qatar e diz respeito ao ano de 2023. O campeonato deveria ter sido realizado em junho e julho do ano passado, na China. Foi adiado devido a um súbito surto de covid-19, a China passou a pasta ao Qatar e tudo isto fez atrasar o calendário.

Jogam 24 seleções, divididas em 6 grupos de 4 equipas. A Palestina está no grupo C. Vejam o quadro dos resultados dos 16 avos.

Gonçalo, artista censurado

cartoon de Hélder Dias

Nos livros do Astérix, o gaulês que resiste aos invasores romanos, há um artista que acaba invariavelmente amarrado e de boca tapada quando se põe a cantar. É o pobre do Assurancetourix, também conhecido por Cacofonix.

O bardo Cacofonix na convenção da AD… 🙂

Na coligação Aliança Democrática também há um entertainer que ninguém quer que apareça: Gonçalo da Câmara Pereira.

A coisa foi de tal modo evidente na  convenção da Aliança Democrática, que serviu de inspiração ao humorista Ricardo Araújo Pereira. Segundo RAP, a AD é “um conjunto de três pessoas composto por duas”. Ou dito de outra maneira, “um ménage à trois em que um não entra”. Parece que o próprio Gonçalo da Câmara Pereira admitiu ordens do PSD para não falar na campanha da AD, o que diz tudo sobre a coisa.

Uma tradição brejeira!

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Numa das quintas da povoação de Moimenta da Beira, existiu célebre convento beneditino de monjas, tendo como patrona Nossa Senhora da Purificação.

Foi seu fundador o padre Fernando Mergulhão, a quem o Papa Clemente VIII concedeu, em 1594, breve para a sua criação, sendo as três primeiras monjas as irmãs do fundador, transferidas, a 17 de Junho de 1596, segundo rezam as crónicas, do convento de Semide, perto de Coimbra, onde haviam professado. Sabe-se ter sido D. Isabel Mergulhão a sua primeira abadessa, que viria a falecer a 14 de Novembro de 1604; e um documento de 1650 informa ter, então, o convento, «três lanços de dormitório, com quarenta celas todas ocupadas».

A fachada do mosteiro

Problemas terá havido depois, que levaram o bispo de Lamego a decretar o seu encerramento, em 1812, tendo as freiras sido transferidas para o Convento das Chagas, de Lamego.

Tinha o mosteiro, como é da praxe, além da parte edificada, a sua cerca, propícia à meditação, ao contacto com a natureza e, inclusive, a horta para abastecimento quotidiano. Nela perene gorgolejava, sem dúvida, a água dalgumas fontes, ornadas, como sempre, das esculturas próprias da época, frequentemente alusivas a figuras da mitologia grega e latina, estávamos, recorde-se, nos tempos do enlevo pela Antiguidade Clássica.

Fonte da Pipa – uma das existentes na cerca

Ora acontece que, um dia, alguma dessas esculturas se danificou e dela se fizeram pedaços reaproveitáveis na obra de consolidação do muro. Então não é que, por não se sabe que artes – se casuais ou propositadas – um dos fragmentos, este cujo perímetro abdominal chega a ter um metro e tem pouco mais de 30 cm de altura, foi postado em posição susceptível de dar azo às mais brejeiras congeminações!… «Cu da Canoa» de imediato o Povo o baptizou, tendo havido quem, para melhor sugestão, lhe tivesse adicionado um pouco de esclarecedora tinta! E assim se pôde ver, durante muito tempo, por alturas do nº 323 da Rua Visconde de Moimenta da Beira.

O local onde o cu esteve durante séculos virado para a rua no muro da cerca do convento

Ainda não logrou descobrir ao certo quem terá sido a Canoa. Sabe-se que monja não foi, mas bem conhecida aldeã, muito popular, e decerto a alcunha lhe adveio por ser de pequena estatura.

Em todo o caso, ainda que mal enjorcado e sem dele se bem perceber, por enquanto, que parte de um corpo poderia este polido fragmento de granito branco representar, optou-se por o transportar para bom recato, uma vez que o muro já se encontra também em mau estado de conservação. A pedra estava completamente desprotegida, corria o risco de levar sumiço e, por conseguinte, a Junta de Freguesia de Moimenta optou, em finais de Dezembro passado, por a guardar, ainda que provisoriamente, na sua sede. Mais não seja que para documentar esta bem picaresca tradição oral.

Os dois lados do mesmo fragmento escultórico

E quiçá algum estudioso dessa nobre arte escultórica consiga dar-lhe uma orientação, a fim de melhor se entender se é mesmo dessa parte do corpo que temos ali um pormenor!…

(em co-autoria com José Carlos Santos)

(atualização aqui)

BENZEMA CONTRA MINISTRO FRANCÊS

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fotomontagem Duas Linhas

Quando Karim Benzema disse, nas redes sociais, apoiar a causa palestiniana, o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, reagiu dizendo que Benzema é afiliado na Irmandade Muçulmana. “Karim Benzema tem ligações notórias, todos sabemos, com a Irmandade Muçulmana”, declarou o ministro no dia 16 de outubro na rede de televisão ‘CNews’.

O que Benzema fez foi escrever na rede X (Twitter) que rezava pelos “habitantes de Gaza, vítimas mais uma vez de bombardeios injustos que não poupam mulheres nem crianças”, uma verdade indesmentível.

Dois dias depois da acusação do ministro, Benzema, vencedor da Bola de Ouro de 2022, negou através do seu advogado, ter alguma ligação com a organização islamita radical, criada no Egito. “Isso é falso! Karim Benzema nunca teve a menor relação com esta organização”, disse o advogado Hugues Vigier em comunicado.

“Rezar pelas populações civis sob bombas que não poupam mulheres nem crianças obviamente não constitui nem ‘propaganda para o Hamas’, nem ‘cumplicidade com o terrorismo, nem atos de colaboração'”, dizia ainda o comunicado.

Karim Benzema avançou para os tribunais franceses, em busca de reparação. O futebolista, que joga agora no Al Ittihad da Arábia Saudita, no passado dia 16 apresentou queixa no Tribunal de Justiça da República, único tribunal autorizado a processar e julgar membros do governo. A informação é adiantada pelo jornal francês RTL. 

recorte da notícia da RTL

Segundo foi noticiado, a queixa fundamenta-se na inexistência factual de qualquer ligação com a irmandade Muçulmana e com os prejuízos sofridos com tal acusação, na honra e na reputação de Benzema.  O futebolista diz-se vítima de “exploração política”, diz que a intenção do ministro parece ser a de criar divisões entre os franceses, de modo a excluir os que não pensam segundo a ortodoxia do Estado.

Os predadores na investigação científica

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Diz o título do artigo de Tiago Ramalho: «Pagar para publicar: ciência em Portugal cada vez mais refém de revistas predadoras»; subtítulo elucidativo também: «As taxas de publicação de artigos estarão a retirar pelo menos oito milhões de euros da ciência portuguesa. Ciência aberta é opção advogada pelos cientistas.

A meu ver – e perdoem-me se me considero de pleno direito no rol dos cientistas – a raiz de todo esse escândalo reside na palavra ‘submissão’, que corresponde, na prática, a uma palavra mais forte e que, apesar de não se crer, bem real: ESCRAVATURA! Assim, em letras garrafais. De resto, a palavra entrou de tal modo no cotio que já se não estranha que, em vez de se apresentar uma «proposta» de publicação, sejamos de imediato enviados para uma página que tem por título SUBMISSÃO! Aí, camarada, vamos ao jugo!

recorte do jornal Público do dia 21 de janeiro de 2024

Não há muito tempo, as instituições editavam revistas onde os seus membros e outros publicavam o resultado das suas investigações em curso ou em vias de conclusão. O artigo era apresentado à direcção da revista, que o lia, ajuizava do seu interesse e, embora pudesse num ou noutro ponto discordar das conclusões a que se havia chegado, sempre que o texto apresentasse lógica expositiva e obedecesse minimamente às regras da publicação, publicava-se. Se alguma dúvida subsistisse, havia sempre duas ou três pessoas do seu conselho de redacção a serem consultadas para dar parecer. Caso houvesse depois quem tivesse ideias diferentes, também elas devidamente alicerçadas em argumentos, a porta estava aberta para publicação.

Hoje, não. A direcção ou o conselho editorial não mandam! Quem manda são os referees, palavra estrangeira que designa uns senhores muito importantes, supostamente especialistas na matéria em questão. O artigo é-lhes enviado e os senhores dizem da sua justiça: publica-se, remodela-se, rejeita-se liminarmente. E o director vê-se de pernas cortadas e, amiúde, nem ousa contrapor, «se eles é que são os especialistas!…».

Mais: criou-se internacionalmente um rol de instituições de sábios  e, menino, se a tua revista não logrou aceitar ser admitida nesse rol, esquece, artigo nela publicada vale… zero!

Criaram-se, pois, critérios de avaliação artificiais, – os tais predadores! – que foram impostos às comissões de avaliação. E chegamos ao ponto de um livro inovador publicado por um catedrático não ter cotação, enquanto o artigo feito por quem soube manusear bem os dados colhidos aqui e além na Internet, tira um parágrafo deste, outro daquele, tenta coser tudo mais ou menos, esse artigo, com muitas citações e, sobretudo, se for redigido em inglês (não interessa se mal ou bem), vale muito mais, na opinião dos avaliadores, boa parte estrangeiros (tem que ser!) que mal arranham (no nosso caso) a língua de Camões. Alias, nem Camões eles sabem quem foi!…

recorte do jornal Público do dia 21 de janeiro de 2024

Tive como Mestre o Doutor D. Fernando de Almeida, catedrático de Arqueologia só depois de se ter formado em Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) e de ter estagiado com o primeiro Nobel português, Egas Moniz. E ele dizia-nos:

– Sabem quantas páginas tem o artigo que mais célebre me tornou enquanto estagiário de Egas Moniz? Cinco, meninos! Apenas cinco! Dava ali a conhecer o resultado inédito de uma das experiência que então leváramos a efeito!

Fez bem o jornal Público em ter aceitado a chamada de atenção de Tiago Ramalho e a entrevista que ele deu a Eloy Rodrigues. Primeiro, porque ele tocou bem a tecla: o dinheiro! O quanto se esvai do bolso de cada um, quando poderia ser mais bem empregado em apoiar a investigação em si. «É a Economia, estúpido!», soube acentuar o diretor de campanha de Bill Clinton nas eleições de 1992. Pois é, senhores, a economia, o dinheirinho que, assim, se vai sub-repticiamente esgueirando para os bolsos de… sabe-se lá quem!

Somos, de resto, constantemente ‘assaltados’ por esses predadores. Hoje mesmo, às 14.33 h, recebi uma mensagem do Science Publishing Group, que começava assim:

«Since your previous publісatіon “Entrevista com José d’Encarnação […] “ has been widely recognized, we’re pleased to invite you to contribute research works in your specialized/interested fields. If you are interested in рaреr ѕuЬmiѕѕion, please ϲlіϲk».

E vinha o atalho que me levaria a saber condições da republicação do que eu já divulgara, porque assim teria maior divulgação, etc. etc.

Em conclusão: caso a Junta Nacional de Investigação Científica não mude os seus paradigmas e não se rebele contra essas normas estrangeiras, vamos continuar assim, escravos, a perder dinheiro e a não contribuir eficazmente para o progresso da Ciência.

E o pior de tudo está bem à vista e, daí, a grande oportunidade do artigo: é que já começou a campanha eleitoral para o 10 de Março e quem é que já ouviu falar um candidato em novas regras para o incremento da investigação científica?

Tempo é de acordar, cientistas!

ISABEL CADA VEZ MENOS RICA

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O Governo de Angola não abandona a perseguição a Isabel dos Santos. Passo a passo, Angola tem seguido o rasto do dinheiro alegadamente desviado pela filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos. Tem sido um combate jurídico, com queixas crime em todos os países onde Isabel dos Santos investiu em propriedades ou unidades industriais e comerciais.

A mais recente peleja foi no Supremo Tribunal de Londres e Isabel dos Santos perdeu a batalha legal para impedir o congelamento de bens num valor a rondar os 700 milhões de euros. A ação legal foi movida em nome da UNITEL, uma empresa de telecomunicações administrada por Isabel dos Santos durante os anos dourados em que o pai era o “dono-daquilo-tudo” em Angola. Documentos judiciais mostram que a UNITEL acusou Isabel dos Santos de “meter no bolso” mais de 450 milhões de euros que a empresa tinha obtido através de empréstimos na banca, em 2012 e 2013.

Isabel diz que está a ser perseguida no âmbito de uma vingança contra ela. Nega irregularidades e diz que as alegações decorrem das suas tentativas de “erradicar a corrupção” quando liderava a Sonangol, a petrolífera estatal angolana.

Mas as evidências de nepotismo de José Eduardo dos Santos foram desmascaradas com o famoso caso Luanda Leaks, que destapou milhares de documentos onde há fortes indícios dos esquemas utilizados por Isabel dos Santos, familiares e outros fiéis do pai para beneficiarem com negócios lucrativos em petróleo, diamantes, telecomunicações, banca e imóveis.

Em 19 de janeiro (há dois dias) o site do ICIJ dava conta de mais um passo judicial de Angola contra a filha do anterior Presidente. Diz o artigo que 12 procuradores angolanos reuniram acusações por alegada gestão danosa da Sonangol, que resultou em prejuízo de 219 milhões de dólares.

Isabel dos Santos já viveu em Londres, mas agora nem pode lá por os pés. Um tribunal londrino ordenou-lhe que revelasse os seus bens, onde se estima que ela tenha propriedades no valor de 40 milhões de euros no Reino Unido. O mesmo tribunal quer saber, ainda, que propriedades Isabel tem no Mónaco e no Dubai, numa estimativa a rondar os 90 milhões de euros.

Em 2022, o Presidente angolano, João Lourenço, sucessor escolhido a dedo por José Eduardo dos Santos, nacionalizou a UNITEL meses depois de as autoridades angolanas terem confiscado as ações de José Eduardo dos Santos, pondo efetivamente termo à sua ligação à empresa. É caso para dizer que José Eduardo dos Santos escolheu com os pés… Ou foi obrigado a “escolher”.

Entretanto, há um mandado internacional da Interpol para a detenção de Isabel dos Santos. Os fundamentos do mandado são os indícios publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), documentos que foram obtidos pelo hacker português Rui Pinto, que revelaram como alegadamente Isabel e outras pessoas beneficiaram de modo ilícito com negócios.

Rui Pinto obteve mais de 715 mil documentos relacionados com as atividades empresariais da multimilionária angolana, partilhou-os com o ICIJ que os espalhou pelas redações de jornais de mais de 20 países. Na sequência disto, as autoridades angolanas acusaram Isabel dos Santos de desviar milhões do país.

Rui Pinto recebeu todos os créditos pelo Luanda Leaks, mas passou já vários anos na prisão pelos Football Leaks, uma ação de pirataria informática semelhante que revelou fugas aos impostos por parte de jogadores de futebol em toda a Europa.

Quanto a Isabel, a fortuna que acumulou diminui rapidamente. Decisões de vários tribunais de diferentes países já congelaram bens que lhe pertencem. Por exemplo, em junho, um tribunal holandês decidiu que documentos falsificados e gestão danosa permitiram a Isabel dos Santos desviar ilegalmente 52,6 milhões de euros da Sonangol por meio de sociedades holandesas. Em Angola, tudo o que estava em nome dela ou de empresas controladas por ela reverteram a favor do Estado ou foram encerradas. Voltar a Angola deve estar fora de hipóteses, caso contrário sempre poderia pensar em recomeçar tudo de novo…

fotomontagem Duas Linhas

Em Portugal, decisões judiciais congelaram-lhe contas bancárias e algumas empresas foram retiradas da sua esfera de influência, como foi o caso, por exemplo, da EFACEC. Lembramo-nos que, em 2020, o juiz Carlos Alexandre mandou arrestar todo o património da empresária em Portugal, como casas, contas bancárias e participações sociais em empresas.

Desde que morreu o pai, a vida de Isabel dos Santos e dos irmãos só tem dado trambolhões. Os que ficaram em Angola já passaram pela prisão e sabe-se lá em que condições permanecem no país, os que estão fora vivem com cada vez menos sossego e dinheiro. A morte do marido nunca foi oficialmente considerada suspeita, mas teve contornos estranhos. Hoje, Isabel vive “aprisionada” em geografias que não aceitam pedidos de extradição para Angola. Se puser o pé fora desse circulo protetor, vai parar à cadeia. Isso é mais que certo.

MAGIAS E ASSOMBRAÇÕES DE SINTRA

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A magia de Sintra, o romantismo da vila, são hoje argumentos do marketing turístico. Mas, há uma origem verdadeiramente mística para essa imagem de mistério que Sintra tem e que não está apenas relacionada com os típicos nevoeiros que persistem quase todo o ano. Tanto na vila como na serra, há muitos locais que são procurados pelos que praticam rituais satânicos ou pagãos.

É bastante comum encontrar vestígios desses rituais pela serra de Sintra, desde S. Eufémia da Serra até ao Santuário da Peninha. Se for à Lagoa Azul ou à Barragem do rio da Mula, no entroncamento na Pedra Amarela, poderá encontrar despojos desses rituais. Alguns são bastante macabros, com a utilização de cadáveres de animais sacrificados, principalmente gatos pretos, sapos ou cabras, desmembrados, decapitados. Um horror.

Noutros locais vai encontrar velas, simbologia, principalmente em grutas ou recantos mais remotos na floresta. Os rituais não são públicos. Os praticantes formam grupos fechados e não gostam muito de observadores. Mas há relatos de gente a cantar, de mãos dadas sujas de sangue, à volta de pequenos altares.

Locais assombrados também são comuns. Claro que há muitas lendas à volta destas coisas, mas a verdade é que alguns eventos não são negados por ninguém, nem mesmo pelos historiadores.

Por exemplo, o antigo hospital de Sintra. O hospital funcionou até à década de 1980. “Nessa altura, quando houve umas obras para transformar o hospital numa clínica privada, os trabalhadores encontraram uma parede oca nas caves, junto à zona onde se faziam as radiografias. Deitaram a parede e o que encontraram fez toda a gente fugir…”, relatava há pouco tempo um jornal nacional. “Encontraram um bispo mumificado sentado num cadeirão”. Dizem que terá sido vítima de uma peste e foi emparedado para não contagiar ninguém.

antigo Hispital de Sintra

O Palácio Nacional tem duas grandes chaminés. Uma arquitetura estranha, de facto. Dizem que são um grande par de binóculos virado para o interior da Terra, que permite ver os mundos sobrenaturais. Essas chaminés estão na cozinha do palácio. Há quem oiça ali choros e gritos de crianças.

Palácio Nacional de Sintra

Foi nesse palácio que viveu o rei D. Afonso VI, aprisionado pelo próprio irmão que cobiçava o trono, D. Pedro. Afonso esteve ali preso durante nove anos, num quarto que hoje tem o seu nome. Viria a morrer em 1683, provavelmente devido a um envenenamento. O seu irmão apoderou-se do trono e tornou-se rei de Portugal, D. Pedro II. Ainda hoje, se diz que é possível sentir a raiva de D. Afonso VI, que morreu em sofrimento, naquele quarto do palácio. E há vários relatos de acidentes “inexplicáveis” com pessoas que se sentem mal, ou tropeçam, ou que se cortam em vidros, cenas que alegadamente acontecem devido às energias negativas do local.

Mas é um edifício muito antigo. Originalmente era um palácio muçulmano, conquistado por D. Afonso Henriques logo em 1147. Mesmo sem magias ou maldições, vale a pena ser visitado.

Na Quinta do Relógio dizem que a rainha D. Amélia, esposa de D. Carlos I (morto no regicídio de 1908), ainda aparece, quando a noite de lua cheia bate com o 31 de outubro. Foi naquela quinta que o casal real passou a noite de núpcias e a alma da rainha gostará de regressar ao local onde foi feliz.

Quinta do Relógio

A história da quinta é antiga de muitos séculos. A má fama do local já vem do tempo em que o trabalho rural era executado por escravos. Garantem que o rei D. Pedro V, chegou a recusar-se entrar na quinta, justificando que não entraria num local onde corria o sangue dos escravos inocentes. A fama ficou e todos dizem que há energias negativas no local, a quinta estará “assombrada” por essa memória da escravatura.

Uma lenda mais recente, conta-nos a história que assombra a Quinta dos Alfinetes. Trata-se de um local onde se celebravam habitualmente casamentos. Numa dessas festas, apareceu um pássaro degolado com um papel onde se lia a palavra “noivo”. Dois meses depois, o noivo morreu. Dizem que o espírito desse noivo permanece por ali.

Quinta dos Alfinetes

Nos dias que correm, parece que a principal assombração de Sintra mora no Largo Vergílio Horta, onde um velho político do tempo do Salazar é visto a entrar num palacete centenário, construído em cima da antiga ermida de São Sebastião.

A Crise do Jornalismo

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Podia começar por responsabilizar em parte os jornalistas, as primeiras vitimas, por muitas das vezes se terem posto a jeito, para que tudo isto acontecesse. Mas não vou por aí, numa altura em que esgrimir culpas, nada acrescenta. Até porque em todas as classes profissionais, eles não são exceção, o instinto de sobrevivência é sempre mais forte de que a consciência de classe.  

A comunicação social deixou de ser um investimento rentável, com interesse para pequenos grupos de acionistas, jornalistas, editores e livreiros, publicitários ou até associações empresariais, por razões diversas. Resta a Igreja por motivos óbvios e um ou outro grande grupo económico que necessita de ter voz própria no mundo mediático, como é por exemplo, o caso da Sonae, com o Público. Este caso até deveria ser estudado. Como o mundo empresarial pode ter um bom jornal, sem estar agarrado a agendas ideológicas. O que já não acontece com o Observador ou o Correio da Manhã. Um com uma clara agenda liberal, associada ao PSD, e o outro um tabloide que mais parece um pasquim.

Salvar a comunicação social livre e democrática é tao urgente como salvar o clima e os ecossistemas. A imprensa escrita e falada é o gás que inalamos todos os dias para conseguirmos olhar o mundo que nos rodeia, para além do nosso circulo restrito de amizades. Que nos põe a pensar, mesmo quando uma noticia nos irrita ou entristece.

Não sendo um negócio rentável há que apresentar soluções para que não morramos todos no obscurantismo medieval do boato, da mentira e insinuação das redes sociais, cuja credibilidade vale menos que um pregão de feira.

Os que se dizem democratas devem ponderar de forma séria e obstinada como salvar o instrumento mais forte na defesa da liberdade e do estado de direito, a Comunicação Social. Sem ela, não só morremos estúpidos, como deixamos de ser livres.

banca de jornais e revistas

Tal como a leitura é importante para a nossa formação ao nível da escrita e da oralidade, incentivar os jovens a ler jornais também é. A ouvir a rádio. A melhor forma de os atrair para essa leitura é o próprio Estado proporcionar através do sistema educativo, aulas com essa temática, e o desenvolvimento de jornais e rádios dentro do agrupamento escolar, com a contratação de profissionais do sector, para ajudar a formar essa gente, não como uma disciplina curricular, mas como formação cívica. Promover o mecenato nessa área, apoiando empresas que os ajudem a formar, por exemplo, uma rádio.

Para o cidadão comum é necessário dar apoios à assinatura de jornais, tanto de circulação nacional como regionais. Através de medidas fiscais que mitiguem a despesa no agregado familiar, com essa compra. O abate em sede de IRS de pelo menos 50% dessa aquisição, deveria ser ponderada.

Não fazer nada é caminhar para o obscurantismo. É isso que queremos?