Esta é uma expressão que pessoas razoavelmente escolarizadas associam aos tempos do império romano. Ruínas de edifícios que fazem as ‘”delícias’ de milhões de turistas, tipo Coliseu de Roma, continuarão a memória dos espetáculos, cada vez mais encenados e banalizados pelos média, dos projetos políticos dos grandes imperadores: pão e circo para a plebe, seguramente mais circo do que pão.
Fado, Fátima e Futebol, dois mil anos depois, nesta ponta ocidental do grande imperio, não andava longe dessa estratégia política. Hoje, são os media a substituir todas as formas de amolecimento da vontade. Do pão, são asseguradas migalhas, os “generosos” subsídios que o poder dito socialista distribui pelo povo.
Como professora de Historia, sempre desafiei os alunos a compararem o seu tempo com o de períodos históricos antigos. “Não se pode comparar”, diziam alguns. Julgavam-se uns felizardos porque tinham televisão, depois pc’s e mais recentemente telemóveis. Evoluímos muito, diziam outros. Mas, ouvindo informação como “1% da população acumulou este ano mais riqueza do que os restantes 99%”, desacreditavam ou ficavam em silêncio.
É dificil aceitar que esta é a humanidade que evoluiu muito.
É uma espécie de delírio, uma tentativa de desenhar o impossível. É uma forma diferente de linguagem. Na poesia, por vezes as palavras são mais do que costumam ser. Quando leio poemas, tento imaginar se o texto saiu de repente ou se foi parido com dor, com palavras riscadas e substituídas até à forma final. Nunca descobri a resposta.
Estivemos a ler “Sabemos que as pedras têm Alma”, o terceiro livro de Carmo Baião, o segundo de poesia. Um livro dedicado a José Saramago e em memória dos sacrifícios impostos aos que construíram o palácio de Mafra.
páginas 18 e 19, “Sabemos que as pedras têm Alma”
Ah! mas como pode ser cruel a poeta! O rei ia nu, de facto…
págins 61 e 63, “Sabemos que as pedras têm Alma”
E um dia, é possível que se oiça um fado cantado assim…
página 54, “Sabemos que as pedras têm Alma”
Maria do Carmo Morais Baião é uma alentejana de Baleizão, que estudou no Porto e, hoje, vive em Cascais. Gosta de animais e de viajar. É do Benfica. Ela própria, uma espécie de imperfeição poética.
Reconhecidas as desigualdades, adormecem sob o zumbido da indiferença, acordam ao som dos megafones que exigem que continuem a dançar, conforme as vozes que lideram. Não importa a troco de quanto… As despesas fixas têm de ser pagas…
O pior de tudo é esse estado de apatia. Os outros vão caindo ao lado e a multidão avança sem olhar para as vítimas, sem um abraço, ou uma palavra solidária. Os deserdados não são uma unidade homogénea, salve-se quem puder. E faria tanta diferença a união! Tornou-se natural não ajudar. Talvez mais fique do bolo, se alguns não resistirem.
Nem o exemplo dos que nada tinham, há meio século, e repartiam com o vizinho do lado a magra ceia, lhes serve de lição para hoje. “O poder tende a corromper”. Não vai apiedar-se dos que escolhem o silêncio, ou a resignação.
Os + ricos de Portugal. Fonte: Diário de Notícias
A indiferença favorece ainda a identidade das vozes de comando, que ninguém conhece. Adivinha-se-lhes a proximidade pelos que vestem bem, ou esgotam a lotação dos restaurantes e hotéis com mais estrelas. E depois compram as casas mais caras do mercado, os automóveis topo de gama.
Os campos de concentração ainda existem, com nova configuração. São as favelas das grandes metrópoles, donde os mais jovens têm esperança de sair, emigrando, e onde os mais velhos se resignam a esperar a morte na degradação constante.
A miséria não é uma invenção. Há corpos esquecidos em pedaços de cartão, no vão das portas da cidade, ao fundo das escadas de prédios degradados. Corpos de gente que já teve identidade, família, emprego e hoje se recusa a mostrar o rosto.
A morte ronda por todo o lado. O cheiro pútrido vindo de longe, contamina a passagem dos dias. Predadores de riquezas naturais, do subsolo ou das florestas, atacam populações indefesas, ou instituições credíveis. Têm uma “organização” sob o aparente caos.
Abalar estruturas que suportam os estados aspirantes à democracia, é promover o apoio aos que se agarram e perseguem o poder como feras esfaimadas.
As imagens dos teatros de guerra, pelo mundo, perturbam as consciências. Gerações itinerantes avançam e recuam ao sabor das marés “políticas”, do terrorismo organizado. Ou então olham o vazio em campos onde futuro é uma palavra desconhecida, transformados em lamaçais, quando chove. A cobiça empurra pessoas iguais a todas as outras para o patamar abaixo do limiar da pobreza. A impunidade faz crescer as ervas ruins.
Voltemos aqui, onde à luz do caos mundial parece que habitamos um paraíso. Bem sabemos o que encobre, mas a ilusão ainda alimenta a esperança. Toda a gente merece dignidade: cuidados de saúde, habitação, acesso ao ensino, reza a Constituição do estado de direito. Se nem todos têm essas benesses, quem ofende a Constituição?…
Pedro e Luísa viviam num T2 com três crianças, num bairro privilegiado. Diziam-se da classe média, com cultura superior. Um deles perdeu o emprego. Hoje habitam uma garagem, paredes meias com uma oficina de automóveis. São os novos pobres da democracia. Pintaram. Não podem remodelar. As divisões são cortinados do IKEA oferecidos…O resto é improvisar para dar um ar de normalidade à prole. Prioridades são os cuidados de saúde, alimentação saudável e educação formal apoiada em valores sólidos.
“Não queremos divulgação…cá nos vamos arranjando”. Até quando?
Amália teve que deixar a casa espaçosa que habitava com os dois filhos, depois de formalizado o divórcio. Curso superior também. O ex-marido casou de novo, viaja muito…A responsabilidade da educação dos adolescentes, recai toda sobre os ombros dela. Os privilégios antigos, acabaram. Hoje são quase pobres. Só a dignidade os impede do colapso.
Maria e Vasco perderam o emprego ao mesmo tempo. Arranjaram depois um negócio que faliu. Mantêm uma tenda minúscula num recanto semi-escondido. Primeiro foram os meses numa praia batida pelo vento, onde a maré ameaçava a “casa”. Agora num terreno quase abandonado, com conhecimento dos vizinhos. Quando chove são recolhidos num canto de uma das garagens.
“Aqui podemos ficar sem dar nas vistas… mas sabe como ele é, como sempre foi. Empreendedor, nunca resignado, resistente à aceitação de caridade alheia. Nem os filhos, lá longe, sabem o que estamos a passar… seria um constrangimento. Mas agora está doente… até pediu que lhe acabasse com o sofrimento, porque devia ser uma questão de meses… devo fazer o que me pede e acabar depois comigo?”
Maximino Serra, o último dos guerrilheiros antifascistas na luta contra Salazar, vai ser homenageado com uma estátua implantada em local ainda a designar.
Falecido recentemente, Maximino Serra foi expulso do PS pouco tempo antes de falecer. A expulsão foi confirmada por Carlos César, o atual Presidente do PS. O “pecado” de Maximino foi ter integrado o último lugar dos suplentes de uma lista de independentes nas eleições autárquicas no concelho onde vivia.
A expulsão de Maximino Serra provocou indignação entre os militantes socialistas que têm memória ou estudaram os movimentos políticos da oposição à ditadura de Salazar. Não será o caso de César que, antes do 25 de abril de 1974 era um menino filho de boas famílias, enquanto Maximino participava no assalto ao quartel de Beja, no desvio de um avião comercial, participava na campanha de Humberto Delgado, no assalto ao paquete Santa Maria, vivia exilado em Marrocos e no Canadá, corria mil perigos e passava fome.
A vida do aventureiro daria um filme. Mas há de dar uma estátua. Em comunicado, uma comissão organizadora anuncia esta intenção e promete divulgar mais pormenores sobre a homenagem no próximo dia 25 de abril.
A embaixadora Ana Gomes confessa já ter chorado ao ouvir o hino nacional. No entanto, concorda com Dino Santiago e António Alçada Baptista e também ela aceita que o hino deve ser mudado.
Na SIC, onde faz comentário sobre a atualidade, Ana Gomes lembrou que o cantor Dino de Santiago é da esquerda política, já o escritor Alçada Baptista era de direita. E ambos defenderam a mesma ideia de mudar o hino nacional.
As declarações de Ana Gomes, no Jornal de Domingo na SIC, foram bloqueadas no YouTube, mas podem ver o vídeo no Telegram em https://t.me/duaslinhas/336
Uma grande competição nacional, para que o povo escolha um novo hino nacional, sugere Ana Gomes. Uma ideia que também já foi proposta por nós, aqui no Duas Linhas.
Entendam este artigo como mais um contributo para a discussão sobre a necessidade de se alterar o hino nacional português, uma ideia relembrada recentemente pelo cantor Dino de Santiago, depois de ter sido proposta pelo escritor António Alçada Baptista em 1997.
Servido assim a frio, este será o primeiro “osso” que teremos de “roer” se almejarmos o estatuto de Estado Moderno, em que as Instituições são avaliadas e valorizadas por critérios bem definidos e os direitos e deveres de cada cidadão são regulados por práticas equilibradas e transparentes.
Um osso tão mais duro de roer, sobretudo porque, de momento, a incompetência e o nepotismo se “vulgarizaram” na Administração Pública e os professores se veem atropelados por quem, ardilosamente acastelado entre ruínas, silencia com afã quantos ousam pensar Portugal.
A atividade formativa foi uma constante da minha vida, e também explorador por conta própria dos tortuosos meandros da política, empenhar-me-ei em promover uma análise isenta e lúcida, de onde se possam retirar conclusões assertivas.
Com a “Educação Nacional” a arder numa fornalha, e desmotivados muitos dos seus melhores quadros técnicos, prioritário se torna perceber como foi possível chegar a tais extremos, inadmissíveis em qualquer sociedade livre e civilizada.
Não me interessa “malhar” mais na voracidade da clique política e administrativa instalada, que despreza os portugueses enquanto preza influências e se desfaz em favores. Logo pelo preâmbulo se percebe que os Magistérios da Educação, e também o da Cultura, me merecem um “valente chumbo em quase todas as disciplinas”. No entanto, se quisermos entender as razões da implosão destes dois setores vitais, há que reconhecer um velho princípio: se é verdade que se dança consoante a música, também ninguém baila se não tiver par.
Será difícil evitar melindres, sobretudo quando a ira distorce o pensamento de muitos educadores, mas há que reconhecer que só chegámos ao estado de calamidade atual, porque a governação gozou do “privilégio” de enfrentar uma classe manietada, incapaz de se impor enquanto organização credível e se constituir num exemplo incontornável de promoção da qualidade profissional e da meritocracia.
Acomodados, e sempre em queda de “estatuto social”, ainda hoje muitos professores não entendem que se encontram prisioneiros de uma “cultura” dirigida por sindicatos reivindicativos, igualmente destorcedores dos acertos que as evidências impõem. Distanciada do seu papel, alguma vez a classe se empenhou, com seriedade, em temperar esta tendência sindical, certamente legítima, com a constituição de uma Ordem reguladora, tal como quase todas as demais áreas profissionais, algumas bem menos relevantes e representativas?
Pelo contrário, emaranhada num corporativismo estreito, ainda hoje se encontram por definir as regras de acesso e os mínimos necessários à continuação do exercício da atividade. E assim se caiu na vulgarização de uma classe que, concomitantemente, se deveria ter mobilizado para o escrupuloso cumprimento da sua importante missão, promovendo o conhecimento, a cortesia e a ética profissional, motores incontornáveis da sua valorização humana e profissional.
Sobejam os maus exemplos de realidades que envergonham os bons professores, e muitos são, aqueles que honram uma classe digna. Dispensemos a análise da qualidade de ensino de uma Escola Pública em permanente degradação e que regista o maior índice europeu de baixas médicas. Dispensemos também a inexistência de critérios na avaliação de professores e consequentemente dos alunos. Centremo-nos em algumas questões ditas “laterais”.
Se até a Igreja Católica pediu perdão pelos seus erros, alguma vez vimos a “Instituição Professores” a condenar qualquer falha grave de algum dos seus pares, muitos envolvidos em escândalos públicos? A “descoberto” da chamada liberdade sexual e de género, alguma vez a classe, no seu todo, reagiu contra os excessos cometidos por predadores pedófilos, alguns em exercício? E quantas vezes ousou denunciar a “balda” que reina em muitas escolas?
E com estas curtas perguntas me fico, na esperança de que “deus ilumine os nossos governantes” e que a sensatez impere em Escolas Públicas, que consigam garantir condições para alcançar o esplendor de outrora.
Os portugueses, incluindo alunos e professores, merecem um futuro decente. Desiderato que, reafirmo, passa pelo reconhecimento e reforço das nossas elites, hoje subjugadas a mesquinhos interesses políticos e económicos, a que urge pôr cobro.
O chamado “mecanismo de escrutínio prévio” que António Costa pretende utilizar para tentar evitar novos erros de casting na escolha de futuros membros do Governo, parece ser uma ideia malparida.
Os membros do Governo, dos assessores aos ministros, do pessoal administrativo aos de nomeação política, nenhum aparece nos gabinetes do Governo através de concursos públicos. São escolhidos. Ora, sendo escolhidos, são conhecidos. A maioria é, aliás, proveniente das estruturas partidárias e quando chegam a um lugar no Governo já passaram pelos diferentes crivos das concelhias, distritais, comissões políticas e outros apadrinhamentos que tais dos partidos que chegaram ao poder. Os chamados “erros de casting” são difíceis de aceitar… Provavelmente, não são erros.
Admitamos que alguns dos escolhidos possam ter percursos profissionais sem influência política. Mesmo nesses casos, algumas das 36 questões elencadas são redundantes. Bastaria uma olhadela à declaração de IRS da pessoa em questão. Nos casos de inquéritos judiciais ou de sentenças proferidas, talvez a verdade possa ser obtida na Procuradoria-Geral da República. No caso de percursos profissionais em empresas públicas, o Estado tem obrigação de saber quem contratou para as suas empresas.
Por mais perguntas que se façam, o putativo membro do Governo pode sempre manipular as respostas a seu favor. Aliás, a última pergunta do questionário é elucidativa. Pergunta-se se têm “conhecimento de qualquer outro facto não identificado e que seja suscetível de afetar as condições de isenção, imparcialidade e probidade para o exercício do cargo para que está proposto, ainda que ocorrido há mais de três anos”.
De qualquer forma, as respostas ao questionário podem ser aldrabadas que não haverá ninguém para detetar os erros e omissões. Até que alguém passa a informação à Polícia Judiciária ou a algum jornal.
Os atrasos nas juntas médicas para verificação das incapacidades e comprovação através no atestado multiusos saíram da agenda mediática dos principais órgãos de comunicação. Há quanto tempo não ouvimos/vemos na TV uma notícia sobre isso?!
Chegam queixas a instituições, às centenas, que tenho acompanhado regularmente, através das redes.
Centenas, ou talvez milhares, de pessoas aguardam juntas médicas há dois anos ou mais. É o meu caso. Vítima de 2 avc, em junho e julho de 2019, fiquei incapacitada para muitas funções. Felizmente não deixei de pensar.
O atestado multiusos, passado por junta médica em 2020, que me concede algumas isenções, embora tenha a referência de incapacidade permanente de 75%, explicita que devo ser observada novamente no ano seguinte. Estamos em 2023 e ainda não fui convocada.
Desta ambiguidade, ” permanente mas sujeita a nova avaliação” resulta estar a cumprir um crédito para aquisição de um carro, do qual, de acordo com determinada cláusula, a incapacidade permanente me isenta.
Tentei, com o atestado que me foi passado em 2020, resolver esta situação. Obviamente que as instituições, de crédito e seguradora, bem munidas de gabinetes jurídicos, deixam os cidadãos numa situação de desigualdade abismal na abordagem destas questões.
Por outro lado, não tenho como conseguir agilizar a famigerada junta médica para que comprove a minha incapacidade já descrita como permanente. Espantosa foi a rapidez com que a minha incapacidade me privou da carta de condução, que tive de devolver ao IMT.
A pandemia foi um fantástico guarda chuva. E ainda é!
Aguardo, já com menos paciência, que a incapacidade permanente seja entendida como tal, e pretendo que a instituição de crédito/ seguradora me devolva os milhares de euros pagos nestes quase 3 anos. Seguramente vou precisar de um bom advogado para litigar com os gigantes da seguradora. David vai precisar de algo mais eficaz do que uma funda, para vencer Golias!
Ou talvez entretanto morra e o meu filho possa herdar um carro que, de momento, já deve valer menos de metade do valor do crédito que assumi para o adquirir.
Rezam as crónicas que o primeiro hino nacional português data do tempo do rei Dom João VI, que reinou de 1816 a 1822. Ou seja, só sete séculos depois de ter sido constituído, Portugal teve hino nacional.
O Hymno Patriótico da Nação Portugueza (na grafia da época), era uma canção louvaminheira onde se jurava fidelidade ao rei. Dirão que a fidelidade ao rei era a fidelidade à Pátria, mas não é bem assim. A Pátria continua independentemente dos regimes e dos governantes. O que acontecia era que quem não cantasse ao rei não tinha direito aos favores dele. E assim juravam:
Eis, oh Rei Excelso
Os votos sagrados
Q’os Lusos honrados
Vêm livres, vêm livres fazer
Vêm livres fazer
Por vós, pela Pátria
O sangue daremos
Por glória só temos
Vencer ou morrer
Vencer ou morrer
Ou morrer
Ou morrer
É caso para dizer que quem mais jura, mais mente. Seria assim, naquele tempo, como é hoje em muitas situações. Foi cantado durante 100 anos, substituído em 1910 e esquecido. A Pátria não morreu por causa disso, nem ficou menorizada.
Talvez fique menorizada quando se entoa “contra os canhões, marchar, marchar” nos estádios de futebol, o que é completamente desadequado sob todos os pontos de vista.
A Federação Portuguesa de Futebol bem podia evitar este achincalhamento dos hinos nacionais, propondo à FIFA que obrigasse as federações nacionais a adotar o seu próprio hino. Em Portugal, propostas não faltam. Lembramos uma, a título de exemplo, apresentada há um ano por Herman José:
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Entendam este artigo como mais um contributo para a discussão sobre a necessidade de se alterar o hino nacional português, uma ideia relembrada recentemente pelo cantor Dino de Santiago, depois de ter sido proposta pelo escritor António Alçada Baptista em 1997.
Dentro em breve, os automóveis novos ficarão mais caros. A inflação do preço ficará a dever-se às consequências que serão desencadeadas por uma nova diretiva comunitária. As novas regras vão impor tecnologias menos poluentes, principalmente ao nível da libertação de micropartículas dos pneus e travões.
Assim, a indústria automóvel terá de desenvolver sistemas de travagem que provoquem menos desgaste dos calços e novos pneus que durem mais tempo. Isso irá obrigar as marcas a investir e, como sempre acontece, alguém terá de pagar a despesa. O consumidor não vai escapar de mais esta.
A nova diretiva denomina-se “Euro-7” entra em vigor em 2025 e impõe, igualmente, o aumento do chamado “ciclo de vida” das viaturas que passará de 5 (100 mil kms) para 10 anos (200 mil kms). Digamos que esta será a “mudança” que menos impressiona o cidadão comum português, muito habituado a conduzir carros que ultrapassaram há muito o tal “ciclo de vida”.
Também é verdade que os preços iriam sempre aumentar, mesmo não havendo estas novas obrigações impostas pela Comunidade Europeia. Mas, assim, a indústria tem uma boa desculpa para aumentar ainda mais o preço do produto.