A rede social WhatsApp tem uma nova função que está a ser introduzida gradualmente. Agora, é possível enviar mensagens para si mesmo, segundo informa o site tecnológico The Verge.
A nova funcionalidade “Escreva para si mesmo” tem vindo a ser introduzida gradualmente entre os utilizadores ao longo dos últimos meses. Para a utilizar, é necessário atualizar a aplicação para a versão mais recente no Google Play ou appStore.
Pensei eu, na minha ingenuidade, que mui rapidamente haveria um movimento de opinião contra o anúncio e que, por consequencia, ele iria ser prontamente retirado.
Não foi.
Não terá havido movimento contra.
E eu estou, portanto, na minha de bota-de-elástico, de estúpido defensor das crianças, das obras d’arte, da não-violência, que já nos bastam as imagens de devastação vindas da guerra na Ucrânia. Tudo assuntos doutras eras e eu deveria era ficar mudo e quedo no meu cantinho…Não fico.
Custa-me ver o ar amedrontado da jovem (embora saiba que é publicidade montada), quando se dá conta de que o pai, para lhe dar rede da Internet, decide pegar no camartelo e abrir à marretada um buraco na parede da sala, estragando quadros, fazendo estremecer tudo, para os filhos terem rede, uma vez que a da operadora contratada não atravessa paredes.
Ai não atravessa? Eu já trato disso! E há o rosto façanhudo do pai. E há o rosto assustado da jovem. E o anúncio continua a ser exibido na RTP 1!
Há décadas que o hedonismo vem dominando as teorias e práticas pedagógicas. A escola tem de ser um local de alegre convívio social das crianças e jovens, as aulas têm de ser divertidas, aprender tem de ser um prazer. O contrário será traumatizante e os alunos só poderão detestar uma escola que não tem piada.
Este hedonismo obsessivo é, na minha opinião, um dos grandes equívocos pedagógicos, que frustra os professores que valorizam o esforço dos alunos que de facto querem saber, e, não raramente, leva ao nivelamento por baixo. Esforço e sacrifício tornaram-se palavras e práticas interditas na pedagogia.
Durante décadas, fui militante ativa do Movimento da Escola Moderna. Tempo bastante para distinguir com clareza, aprender e saber. Aprender exige sempre esforço. O prazer vem depois, quando somos colocados em situaçoes nas quais demonstramos saber. Mostrem-me um artista, um escritor, um músico, um ator, um cientista ou… um desportista que não tenha feito sacrifícios, horas e horas de trabalho, esforço a sério, para se tornar excelente.
Venham-me com a teoria de que o que é preciso é inspiração. Oporei, com toda a convicção, que o que é preciso é transpiração. Alguém o disse ( creio que um cientista): “o génio é 1% de inspiração e 99% de transpiração “. Não poderei estar mais de acordo. Aos professores que pedem aos alunos trabalho, esforço, sacrifício, chamam exigentes. Em geral, alunos e pais , se puderem, fogem deles a sete pés. Chovem as queixas contra eles. E, como nos momentos de avaliação, traduzida em números, vale tudo o mesmo, estes professores são pressionados para subirem as notas, não raramente detestados pelos colegas, vistos como presunçosos.
Claro que o hedonismo não é exclusivo da pedagogia. É um sinal dos tempos. Ser divertido tornou-se um dogma. Exigir sacrifícios parece coisa da idade média. Não me surpreendem, por isso, publicações científicas que recentemente divulgaram a diminuição do QI médio. Se juntarmos ao tem de ser divertido, a confusão entre ter conhecimentos e saber clicar, a equivalência geral entre conhecimento validado e “vi na NET”, entre notícias e cochichos de vizinhas no facebook, facilmente compreenderemos por que, em geral, as gerações mais qualificadas podem ser as mais superficiais, como desenvolveu Nicholas Carr, num excelente ensaio , já com uma dezena de anos: “Os superficiais. O que a internet está a fazer aos nossos cérebros”, cuja leitura recomendo.
Nicholas Carr, autor de “Os Superficiais. O que a internet está a fazer aos nossos cérebros”
Há autoestradas que não têm portagens físicas, com cancelas, luzes vermelhas e verdes, via verde, máquinas que recebem o dinheiro ou portageiros humanos que nos desejam “boa viagem”. Mas não é por isso que são de circulação gratuita.
Por exemplo, as chamadas ex-scut têm portagens eletrónicas. Nessas zonas, normalmente, existem escapatórias para pequenos desvios onde estão as portagens tradicionais. Mas, quem não sabe, facilmente segue em frente sem reparar que acabou de passar numa portagem sem pagar.
Não sabendo, não cumpre os prazos de pagamento (máximo de 1 mês) e a concessionária aciona o fisco para a cobrança coerciva. Ora, esta é uma simbiose estranha, onde a Autoridade Tributária se põe ao serviço de empresas privadas. É como se os funcionários das repartições de finanças vestissem o fraque negro e nos fossem bater à porta para a cobrança “difícil”. Não vão, mas enviam cartinhas pelos CTT. Sim, acabamos por ser nós a pagar o ‘porte pago’ das cartas que nos chegam com coimas e ameaças de confisco em caso de incumprimento reiterado.
Há casos de quem tenha pago centenas de euros por dívidas de 1 ou 2 euros às concessionárias das autoestradas. Quanto recebe a Autoridade Tributária de comissão por este serviço, não sabemos dizer. Mas deverá receber uma parte do quinhão, além dos chamados ‘custos administrativos’.
Esta imoralidade tem décadas, vai continuar mas com doses mais leves. A lei vai mudar. O prazo de pagamento vai ser alargado. A nova lei vai também limitar o valor máximo das coimas até ao triplo do valor em dívida. Uma dívida de portagem no valor de 1 euro não poderá passar de 3 euros, mas atenção aos juros!
O que não se percebe é a razão pela qual esta medida sensata não foi aplicada desde sempre. Mas, enfim, parece que alguém no Governo já percebeu que as pessoas estão a ficar fartas de serem espoliadas.
Minha tia paterna Maria José (Marizé como era conhecida), falecida há vinte anos, com 90 voltas ao sol, foi uma mulher notável. Criou duas filhas, sozinha, cuidou do pai quando ele envelheceu, deu-lhe sepultura digna. Como todas as mulheres que recordo, da minha aldeia, trabalhava a terra , seis dias por semana e ‘guardava’ o dia do senhor.
Para descansar? Não. Para dedicar-se ao seu negócio dos tremoços. Aos domingos, de caixa de alqueire à cabeça, percorria os mil metros bem medidos, do cruzeiro ao terreiro, fazendo soar na sua voz grave: “Tramoceira!”
Umas horas bastavam para, porta a porta, rapar até ao fundo do alqueire, aquela iguaria dos domingos. Tremoços eram o marisco dos pobres, acompanhados não com cerveja, mas com um tinto da Bairrada, quando ainda nem sequer havia esse nome de região demarcada. Era tinto, simplesmente.
Trabalhou duramente na terra e como “tramoceira”, sem nunca pagar impostos, palavra que desconhecia. Ser analfabeta não a impediu de ter um negócio, durante décadas.
A revolução de Abril apanhou-a com meio século. Não a entendeu. Mas soube que foi graças a ela que a certa altura da vida começou a receber uma pensão. Talvez só a caixa mágica da televisão a tenha intrigado mais do que receber uma pensão do Estado. Dizia com frequência, que a pagar assim pensões a “pessoas que nunca tinham trabalhado”, o Estado ia à falência. Nos anos em que viveu a receber pensão, foi guardando dinheiro debaixo do colchão, deixando assim uma herança às filhas.
Quando recentemente ouvi a ministra da segurança social anunciar os montantes atribuídos às pensões, pensei na minha tia Marizé. É certamente nestas Marizés do tempo dito “da outra senhora” que a senhora ministra pensa quando anuncia, com rasgado sorriso, fantásticos aumentos de umas dezenas de euros. Sabe que meio século de ditadura ainda não foi subvertido por meio século de democracia. Muitas Marizés do povo português ainda pensam que aumentos de umas dezenas de euros aos pensionistas pode levar o Estado à falência, porque não alcançam a compreensão do que são milhões e milhares de milhões de euros. Ah! Se compreendessem! Então sim, fariam uma verdadeira revolução!
Quando Dino de Santiago relembrou a polémica lançada em 1977 pelo escritor Alçada Baptista sobre a necessidade da letra do hino nacional ser alterada, pensamos que o cantor iria ficar a falar sozinho. Mas afinal, não.
Há um coro imenso de reações à proposta reavivada por Dino de Santiago. Depois do que disse Ana Gomes, surgiram os alegados fervorosos defensores dos símbolos nacionais que reagem com intolerância temperada pelo racismo, num caldo que cheira a direita bafienta. E há os outros que tentam perceber as razões da proposta. Uns concordam, outros nem tanto, mas aceitam a discussão.
Ficamos com a reconfirmação de que a esquerda é mais permissiva à mudança. Por exemplo, o comentador Daniel Oliveira escreveu no semanário Expresso que o atual hino é “uma peça da propaganda republicana”, datada e “resposta circunstancial” a um momento político e que nasceu como “canção de revolta perante a ameaça de perda de um império colonial”.
Facebook de Daniel Oliveira
Daniel Oliveira é favorável à mudança: “gostaria de um hino que falasse dos valores de uma pátria pequena, que não é nem quer ser imperial, quer cumprir-se na dimensão que não a envergonha: liberdade, desenvolvimento, igualdade, democracia, aquilo que tentámos construir, com erros e acertos, nos últimos 50 anos, que, por mais que o populismo ignore, foram os mais prósperos e felizes para o português comum.”
A fazer coro com Dino de Santiago, surgiu a cantora conhecida por A Garota Não, aka Cátia Mazari Oliveira, aquela que canta…
Seguimos ofendidos
Todos sérios e contidos
Inundados em pudor
Tenho medo destes muros
Pensamentos crus e duros
Sempre prontos a julgar
Pois, a miúda diz que “uma nova letra para o hino nacional seria reveladora de tempos mais conscientes e elevados.”
Miguel Esteves Cardoso, na coluna de comentário que assina no jornal Público, diz que “Dino D’Santiago tem razão: temos de dar uma volta ao hino nacional. Todos sabemos quais são as partes do hino que funcionam, que nos fazem arrepiar, e as partes que são ridículas e que soam a século XIX.”
Nessa crónica, o escritor diz que a letra do hino deveria ser discutida palavra a palavra. E dá exemplos, antes de terminar dizendo que “a conversa é um bem em si. Mesmo que o hino fique na mesma.”
Entendam este artigo como mais um contributo para a discussão sobre a necessidade de se alterar o hino nacional português, uma ideia relembrada recentemente pelo cantor Dino de Santiago, depois de ter sido proposta pelo escritor António Alçada Baptista em 1997.
40 mil pessoas iradas concentraram-se na rotunda do Marquês de Pombal, para uma manifestação que percorreu Lisboa em direção ao Tribunal Constitucional e o largo do Rossio.
Foi um protesto ruidoso contra a intenção de descriminalizar os maus tratos a animais de companhia.
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Não faltaram cartazes com exemplos de animais maltratados, nomeadamente o caso dos cães do toureiro João Moura.
Um amigo meu solicitara a aposentação, por reunir as condições necessárias e suficientes para o efeito. Acaba de receber a resposta da Caixa Geral de Aposentações e da instituição de que é técnico superior: vai estar «desligado do serviço» a partir de 1 de Fevereiro próximo.
Assim: «desligado do serviço»!
Neste tempo das informáticas, em que a corrente eléctrica é fundamental, a passagem à aposentação não poderia, portanto, equivaler a algo menos elucidativo: «desligado do serviço». Como uma ficha, um computador. Deixa de estar ligado à corrente e, das duas uma, ou deixa de funcionar e morre ou corre a ligar-se a outra tomada!…
Aqui há tempos (eu creio já ter contado esta história várias vezes, tanto ela me chocou), precisámos de saber o contacto de um docente da Universidade do Porto, para uma comunicação de serviço. Acabara de se aposentar e a resposta foi:
– Não temos os contactos. Esse professor já foi abatido.
A um desligaram-no do serviço; a outro, abateram-no!
Nada se faz por menos! Tanto um como outro estiveram quatro décadas a servir dedicadamente a instituição. Que interessa isso? Por sinal, também eram pessoas e não robôs. Que interessa? Desligam-se! Abatem-se!
Portanto, vocês, meninos, que estão no poder, que ainda têm emprego e trabalho, acautelem-se! De um momento para o outro, vão ser abatidos ou desligam-vos da corrente. Com uma agravante, sabem? É que ambos estes meus amigos foi deles que partiu a iniciativa de se aposentarem antes dos 70 anos. A vocês – os que ora têm na mão o botão de desligar ou a metralhadora para o abate – é bem provável que nem vos seja dada a hipótese de escolher: de um dia para o outro, sem aviso prévio, a ficha cai ou a metralhadora dispara, fatal!
O “Newport-Ship” é, de facto, de cerca de 1400 e é uma craca da liga hanseática. Construíam-se estas, então, em todo o Báltico e também no estaleiro da Liga Hanseática, frente às portas de Lisboa. Estes estaleiros da 1ª Armada Portuguesa foram adquiridos, tanto os estaleiros, como as embarcações, como os seus mestres e carpinteiros, por Sua Majestade el-rei Dom Dinis, no ano de 1292, a Michael Overstätt, representante em Portugal da Liga Hanseática.
Foi a nossa Rainha Santa Isabel, que dirigiu as respectivas negociações. Oriunda do Reino de Aragão, já ali vivia com a sua mãe na corte de Aragão como, depois do casamento, em Trancoso e também na Corte de Lisboa. Tinha apenas 12 anos, mas ambas falavam correctamente o alemão, porque a mãe da nossa Rainha Santa era filha de uma princesa alemã do Reino da Sicília, descendente do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que se estendia, na altura, desde a Dinamarca até à Sicília.
Foi assim que nasceram as nossas naus, que são, nada mais nada menos, do que a ampliação da craca hanseática do Mar do Norte e do Báltico, cracas que vinham a Lisboa, a Aveiro e ao Sado, para aqui levantarem o sal marinho, muito necessário para o negócio do arenque, uma espécie de sardinha do Mar do Norte e do Mar Báltico. O arenque vendia-se salgado, em barricas e foi a alimentação principal por todo o Norte da Europa e da Europa Central.
Antigamente, o sal saía de Salzburg e de Lüneburg. Havia, porém, intermediários que punham correntes, presas a barricas, a atravessar o Rio Reno, a fim de cobrarem a passagem do sal. Muito gananciosos, cada vez aumentavam mais as taxas, a ponto de a venda de peixe já não ser possível e a população morria de fome, por falta de dinheiro para pagar o sal, exageradamente taxado. Foi então que a Liga Hanseática, através da sua representação em Lisboa, começou a comprar o sal marinho de Portugal e com este grande salto estabeleceu-se uma ligação mercantil que salvou parte da população da Europa Central.
É por esta razão que as naus portuguesas são completamente diferentes das outras embarcações que então por aqui navegavam. Eram filhas das cracas dos Mares do Norte. Em número de tonelagem de transporte, a nau portuguesa era três vezes maior que a craca hanseática.