Na entrevista que nos concedeu, Maximino Serra “abre o livro” sobre o aparelho partidário que o expulsou. O PS não prescinde apenas de um militante com 48 anos de intensa atividade partidária. Deita fora um notável combatente pela liberdade.
Republicano, pertenceu a um grupo de revolucionários que se propunha derrubar o regime. Numa cronologia resumida, Maximino Serra fez parte da campanha presidencial de Rui Luís Gomes, em 1951, que foi proibida pelo regime. Em 1958 foi um dos ativistas da campanha do general Humberto Delgado. Em 1959 participou na Revolta da Sé. Em 1961 organiza o ataque ao quartel de Beja. O fracasso desta tentativa de golpe de estado levou-o a ficar ano e meio refugiado dentro da embaixada do Brasil, em Lisboa. Em 1963, assaltou um avião para fugir para Marrocos. Juntou-se ao movimento Portugueses Livres em Marrocos. Como refugiado político, viveu quase 10 anos no Canadá sob proteção da ONU. Regressou a Portugal em 1974 e aderiu ao PS.
Pois, foi este histórico da luta antifascista que o PS acaba de expulsar. Citando outro militante socialista, Cândido Ferreira, “a recente expulsão do ‘histórico’ Maximino Serra, um venerável ancião de 87 anos, é mais uma prova de que a atual família socialista se distancia progressivamente da herança moral e da declaração de princípios dos Fundadores do Partido.”



