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ESCREVER JÁ NÃO É UMA ARTE

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Chegam-nos notícias de que, “Na Sombra”, o livro de memórias do príncipe Harry, lançado esta semana, tornou-se a obra de não ficção mais vendida de sempre no dia de lançamento, superando a autobiografia “Uma Terra Prometida” do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. 

O livro já vendeu 1 400 000 cópias, só nos EUA, Reino Unido e Canadá. Será publicado em 16 línguas.

Tentando perceber a notícia, ainda que perplexo, não estamos a falar de um escritor conhecido, cuja obra deixou um vasto leque de leitores fiéis à sua prosa ou poética. Muito menos de um escritor premiado, quiçá, com um Pulitzer ou um Nobel. Nem sequer de um jornalista que se dedica à ficção, como acontece com alguns no mundo inteiro, incluindo Portugal. Nem estamos a falar da biografia de um ex monarca, entretanto reformado ou já falecido, que tenha marcado uma geração. Ou, como no caso do ex presidente americano, o primeiro afro descendente a chegar à chefia do Estado Norte Americano. Não estamos a falar de nada disso. 

Estamos então a falar de quê? 

Falamos sim de intriga palaciana, de mal estar entre irmãos, de narrativas dúbias sobre os meandros de uma relação familiar turbulenta, onde a mãe, princesa, morre precocemente num acidente de viação, depois de um casamento preenchido por infidelidades várias, de ambos os lados. Uma avó, rainha, que retarda até às vésperas da sua morte a passagem do testemunho, por não confiar no seu filho herdeiro, Carlos. Estamos a falar nas sequelas de um casamento do neto e filho, Harry, com uma afro descendente, Meghan, cuja pouca aceitação na coroa se tornou evidente em todo este imbróglio, onde nem o racismo foge ao tema, nesta relação familiar entre avó, pai, madrasta, irmão e cunhada, da chamada nobreza britânica. Não sei até, se não haverá algum sentimento de revolta e vingança em todo esta história, que se tenta transpor para um livro. Não sei nem vou saber. 

Mas o que leva 1.400.000 pessoas a comprar algo que desconhecem por completo, escrito por alguém cujos dotes narrativos e literários são desconhecidos? Amor à causa monárquica? 

Apenas um. O nosso espírito voyeurista. A bisbilhotice como forma de prazer. Não consigo perceber onde está o interesse, senão esse. 

Vivemos num tempo em que as redes sociais percorrem os nossos dias de forma contínua. Como no passado, os jornais e as revistas na mesa do café, do barbeiro ou do cabeleireiro, nos facultavam a visão do mundo fora de portas. Eram nesses locais que olhávamos através dos meios de comunicação social escritos, para a  janela da globalização. 

Vivemos num tempo onde manifestas vezes nem se liga a televisão para ver um programa de informação ou de cultura, sobre cinema e livros, por exemplo. Ler jornais caiu em desuso. Mas recorre-se ao Facebook, Instagram ou Twitter, vezes sem conta, para nos atualizarmos nas mais recentes banalidades. 

Não consumimos informação. Consumimos só a espuma dos dias. 

Onde é que este padrão de comportamento se cruza com os livros? 

Comprei livros e bons. Mas antes de os adquirir,  alguém me sugeria a obra. Ou ia à feira do livro e assistia a alguma apresentação feita pelo autor. Diante de mim e outros tantos. Lia a crítica à mesma, num jornal de referência. Dito isto, nunca comprava um livro às cegas. No escuro. Podia até, depois de lê-lo, não gostar. Mas só o comprava com o mínimo de informação disponível. 

Hoje os livros que mais se vendem são os que trazem dentro de si uma valente “peixeirada”. Acusações, delações e ajustes de contas. Só por isso já vale a pena comprar, pensarão alguns. É o voyeurismo. Uma espécie de buraco da fechadura que nos alimenta o ego. 

O povo gosta é de conversas de escárnio e mal dizer, dirão outros. Habituem-se. São as redes sociais a fazer o seu percurso. 

URGÊNCIAS HOSPITALARES SÓ NA HORA DO EXPEDIENTE

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Tinha acabado de sair do hospital de Coimbra, estava a meio caminho de casa, no carro, quando uma dor lancinante no olho o levou diretamente para as urgências do hospital de Leiria. Eram 19:30.

As urgências oftalmológicas em Leiria fecham às 20 h. Surreal! Não o atenderam no hospital de Leiria, apesar de ter chegado meia hora antes de fechar. Voltou ao hospital de Coimbra, foi atendido.

Teve direito a uma equipa de três jovens médicos, “com ar de terem terminado o curso no mês passado”. Observaram-lhe o olho. Deram-lhe um analgésico forte, uma receita e a recomendação mais importante: «Repouso, repouso, repouso!».

Chegou a casa, na Marinha Grande, depois da uma da manhã. Ainda com dores, mas menos. Entretanto, na farmácia abastecemo-nos de analgésicos.

Moral da história: de Anás para Caifás, daqui para ali. Alguma versatilidade seria desejável – que, na saúde, como em muitas outras ‘coisas’ da vida, um minuto salva, um minuto deita a perder!

GOVERNO COM MAIS UM PROBLEMA

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Segundo alguns observadores, ainda não perentoriamente desmentidos por fontes oficiais, terão estado para cima de 100 mil professores na manifestação de hoje. Uma manifestação desta dimensão, que mobilizou fundamentalmente apenas uma classe profissional, não pode deixar de ter consequências. A não ser que os governantes já tenham entrado numa realidade virtual qualquer.

O principal organizador deste evento, o sindicato STOP, acusou o Governo de tentar diminuir o impacto da manifestação, ao ter enviado as forças policiais barrar o avanço sobre Lisboa dos autocarros que transportavam manifestantes.

Segundo o STOP, mais de 100 autocarros foram mandados parar e minuciosamente inspecionados. O zelo policial foi ao ponto de revistar as bagagens, as mochilas, as malas e as pastas dos professores. Deve ser assim que procedem com as matilhas das claques futebolísticas. E as rotinas são difíceis de contrariar.

É verdade que a GNR negou que houvesse alguma intenção menos democrática nesta ação fiscalizadora. Em comunicado, a GNR apenas admite que  “podem ter sido aleatoriamente fiscalizados veículos pesados de passageiros, tal como vários outros veículos”.

No imediato, a principal consequência de uma manifestação desta dimensão é a exaltação, o ânimo, o renovar de forças para uma luta laboral que só vencerá se crescer. O Governo está com mais um problema.

Um novo hino nacional

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O hino nacional da Finlândia é mais antigo que o português. A música foi composta em 1848. Os finlandeses fazem parte dos povos genericamente conhecidos por vikings. Tal como os portugueses, têm fama de terem sido grandes navegadores e valorosos combatentes. As lendas e narrativas sobre as incursões vikings pela costa da Europa são elucidativas da fama que os persegue e que foi agora, recentemente, reavivada por várias séries televisivas na Netflix..

Curiosamente, ouvindo o hino nacional da Finlândia, não há lá nada que enalteça passados históricos tenebrosos. O hino finlandês canta assim:

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Nossa terra, Finlândia, nossa pátria,
Ecoa alto, oh nome valoroso!
Não há vale ou colina que chegue aos céus
nem lago que chegue à costa lavada pelas ondas
que seja mais adorado que nossa terra do Norte,
amada terra de antepassados.
Um dia tua flor vai amadurecer,
para então desabrochar.
E tua esperança e teu gáudio
nosso amor levará às distâncias.
E um dia, terra-mãe, tua canção
será ainda mais enaltecida.

Apostamos que se o hino nacional português fosse semelhante a este, menos guerreiro e mais amigo da terra e da natureza, seria um hino onde todosos portugueses se poderiam rever sem problemas.

Entendam este artigo como mais um contributo para a discussão sobre a necessidade de se alterar o hino nacional português, uma ideia relembrada recentemente pelo cantor Dino de Santiago, depois de ter sido proposta pelo escritor  António Alçada Baptista em 1997.

André Ventura e os “bandidos”

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André Ventura chamou “bandido” ao Presidente do Brasil. Um palavreado inaceitável, numa discussão em que o Chega tentou distanciar-se de Bolsonaro e da tentativa de golpe de estado que os seus apoiantes levaram a efeito recentemente.

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Os insultos de André Ventura fizeram lembrar o caso em que ele chemou “bandidos” aos membros da família Coxi, residentes no bairro da Jamaica. Os Coxi demandaram os tribunais e Ventura foi condenado, em 1º instância e no Supremo Tribunal. A condenação obrigava-o a pedir desculpa aos ofendidos. Não sabemos se a sentença chegou alguma vez a ser cumprida…

Marielle Franco, socióloga e artivista de esquerda, foi morta em março de 2018, e os seus assassinos nunca foram encontrados. Agora que Bolsonaro saiu de cena, veremos se é possível que a polícia inicie investigações credivéis para que se faça justiça sobre este caso paradigmático do que foi a Presidência bolsonarista no Brasil.

Marielle Franco

LISBOA COBRA A BALA COM QUE NOS MATA

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No caso da EMEL, a multa por estacionamento indevido é de 30 euros. No caso que me afetou, deixei o carro estacionado por cerca de uma hora. Teria pago 2 euros, talvez, se tivesse moedas para o parquímetro. Não tendo moedas nem a App da EMEL, arrisquei e perdi. Pagar 30 euros, quinze a vinte vezes mais que o valor do estacionamento, já é uma exorbitância, mas o pior é o que vem junto com a coima.

Além do valor da penalização, o prevaricador tem de pagar o bloqueamento, conforme consta no documento comprovativo do pagamento. O valor do bloqueamento é (para veículos ligeiros) de 73 euros. Isto já é um assalto e uma imoralidade. É o mesmo que na China se faz, quando o Estado cobra à família dos condenados o valor da bala com que foram mortos.

E o que será que justifica um valor de 73 euros pelo bloqueamento? A deslocação da viatura que transporta o bloqueador? Mas a viatura não traz só aquele bloqueador, está cheia deles. Não é um serviço, é um ajuste de contas, é uma extorsão, um saque, uma contribuição forçada para a economia da EMEL, da Câmara Municipal de Lisboa e das prebendas do Excelentíssimo autarca que governa a cidade.

“Eirozes do mar, nobre povo”…

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Portugal existe há 880 anos, como entidade política. Um espaço geográfico, com fronteiras aceites pelos demais (nem sempre de boa vontade) e com um Governo próprio. O povo que aqui habita nunca foi homogéneo, sempre fomos alimentados e sugados por movimentos migratórios que tanto trazem gente como nos desertificam.

A História que inventaram para ajudar a amalgamar uma população tão diversa, criou mitos e heróis lendários que, em muitos casos, não passam mesmo de invenções. E os símbolos, as bandeiras, os toques de corneta, as cançonetas e o vinho ajudam à emoção, ao sentimento. Com o passar do tempo, os hábitos impostos tornam-se costumeiros. É a tradição.

Quando Dino de Santiago fala na necessidade de mudar o hino nacional, não está a dizer nada de novo. Já outros o disseram. António Alçada Baptista, Comissário das Comemorações do Dia de Portugal durante uma década, pelo menos, foi o primeiro a atrever-se a falar nisso alto e bom som.

“A própria letra do nosso hino nacional não parece adequada à nova civilização, e que não pode ter nenhum eco no coração da juventude, invocar a vitalidade da Pátria gritando às armas e propondo marchar contra os canhões”… disse o Comissário do Dia de Portugal no seu discurso solene em 1997. Está tudo no arquivo da RTP.

Dino de Santiago não disse outra coisa, agora, 26 anos passados. O atual hino foi escrito no estertor da monarquia portuguesa, foi uma espécie de canção de protesto no final do século XIX. Depois da revolução republicana, a canção foi adotada como hino nacional para substituir o hino monárquico. Foi uma decisão política muito contestada na época, havia outras propostas de diferentes quadrantes político-partidários.

Com o tempo, a letra do hino foi até ligeiramente modificada, para não ofender “amigos” de longa data. Originalmente, a letra apelava ao patriotismo com o “contra os bretões marchar, marchar”. Os protestos diplomáticos dos ingleses levaram a trocar a palavra bretões por canhões. Ficou uma espécie de apelo ao suicídio coletivo. Podia ser diferente? Podia.

Hoje, os adultos falam muito severamente sobre estas coisas. Com facilidade partem para o insulto, quando não encontram outros argumentos. Noutros tempos, quando eu era miúdo e na escola me fizeram decorar a letra do hino, lembro-me de como a miudagem gozava com a coisa: “eirozes do mar, nobre povo, maçã reineta imortal, levantai hoje de novo, as cuecas do general”…

PROFESSORES EM GREVE, escolas fechadas

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Durante todo o mês de janeiro vamos ter escolas encerradas ou sem a totalidade das atividades, com a greve dos professores que o sindicato STOP já programou até ao final do mês.

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Os pré-avisos de greve deste sindicato começaram a concretizar-se há dois dias, hoje centenas de escolas estarão afetadas de novo, em todo o país.

As razões da greve não são novidade para ninguém, estão descritas nos cartazes de protesto.

Com esta greve e as manifestações à porta das escolas, os professores não lutam apenas pelas suas carreiras e dignificação profissionais, mas ensinam os alunos a exercer direitos de cidadania. Esperemos que a lição fique bem aprendida. O futuro deles dependerá muito disso.

QUE IDADE TEM?

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Imagem Freepik

A bica arrefecia, o ânimo não. Havia ali alguma coisa que era preciso descobrir.
Ele metia a mão no bolso por um instante. Quando a retirava vinha de punho fechado, direito à mão dela estendida. Só podia ter havido alguma combinação prévia.
Eu apontava no guardanapo uma frase curta, sinais que mais tarde não saberia descodificar, mas tinha medo de perder alguma coisa importante.

Ele era esguio, andaria pelos oitenta. Não conseguia tirar os olhos dela ligeiramente mais
nova. Seria?… O rosto parecia bonito, emoldurado por cabelos brancos sob uma boina escarlate, mas não lhe conseguia avistar senão o contorno da hemiface esquerda, apoiada
na mão sobre o ombro descaído.
Resolvia prescindir das garatujas. Era melhor abrir os olhos.

Riam muito… riam alto, daqueles risos vazios de conteúdo, palermas, como miúdos a partilharem uma traquinice, ou a provocar. Devia ser a provocar, digo eu agora…
Uns minutos de silêncio, bebericando o café…ele a meter o biscoito na boquinha dela quase a simular um beijo. Depois ela guardava na mala “aquilo” que ele lhe dera, ainda escondido na concha da mão pequena.

Da brancura transparente da pele de ambos, emergiam veias de um azul desmaiado. A idade?…Não deviam ser grandes amigos de sol, isso sim, de passeios ao ar livre, mas não lhes faltava ousadia.
Olhavam-se com enlevo. Eu fazia por disfarçar, mas só me faltava roer as unhas para não lhes perguntar o segredo. Estava dentro do filme e não sabia o meu papel. Mudo era, só com ais e uis de “que raiva”….

OIhavam-se de novo, um olhar que condensava todas as cenas de antologia do cinema, contagiados pelo mesmo sorriso cúmplice.
De repente o impensável: os pescoços cresciam sobre o plano da mesa e trocavam aquele beijo que me fazia corar.
Pois não, não era como o beijo dos idosos (mas o que será idoso?) rápido, constrangido…era longo, ardente, cúpido.
Ia segurar outra vez o guardanapo entre o polegar e o indicador, mas desistia. A cena do beijo é sempre a melhor do filme.
Dois minutos depois, talvez nem tanto, levantavam-se colados um ao outro e saíam.

Nessa altura eu não aguentava mais. Deixava o dinheiro na mesa, empurrava a cadeira com ruído e corria atrás deles, com receio de os perder.
Não haveria esse perigo. Como se o mundo lhes pertencesse por inteiro e ninguém mais existisse, ela deitava a cabeça no ombro do seu amado e avançava em passos levezinhos como pilrito na praia.
Os dele eram mais arrastados, mas para que existem dois e tomam o nome de par?…

Voltava ao café dias depois, vazio como quase sempre. Devorada uma empada de galinha e meia de leite, nervosa, quando eles apareciam. As boinas, os sorrisos, a desenvoltura.
Bonitos, agora viam-se bem.
Parava de comer, olhava sem constrangimentos. O guião era pouco variado, só o aroma de mistério persistia na troca de encantamento, pelos termináveis nervosos das mãos sempre enlaçadas.
A cabeça não me deixava descansar. Quando se levantavam para sair, esperava só que
transpusessem a porta. Depois chamava o empregado com o indicador no ar e o dinheiro
na mão esquerda…
“Por acaso conhece o casal que acaba de sair?”
Sorria, alisando o avental preto. “Claro, até sei o nome dos pombinhos. São namorados, sim… Escaparam ambos à COVID e agora não se largam. Admira-se? Há dias ele ofereceu-lhe o anel de noivado…”
O anel…o que passava de mão para mão, era o anel…
“Quem lhe contou o segredo?”
“Ele mesmo…vão casar para o mês que vem, numa moradia perdida na serra de Sintra. A melhor coisa que aprenderam”
“Qual coisa ?”
Olhou-me como se eu fosse atrasada mental e demorou uns segundos:
“Aprenderam a não desperdiçar um momento, nem sequer com a curiosidade alheia…”
Aquela era muito forte. Metia a viola no saco, pagava a conta habitual e estava pronta a desandar.

Há quem aprenda alguma coisa com os percalços da vida, apesar da idade…
O empregado tinha o poder de revirar o meu cérebro e respondia, já eu estava a chegar à
porta, como se adivinhasse as perguntas que eu me fazia em silêncio.
“Quando soube do casamento, tive a ousadia de lhes lembrar a idade”
“E eles?”
“Ela sorriu, delegou nele a resposta”
“Que foi…”
“Há codificações para tudo, à medida do desejo alheio. De fora vêem-nos como velhotes, nós sentimo-nos adolescentes”…
Na rua não vi ninguém e tanta gente passava. Só avistava imagens futuras de um casal de idosos a prepararem o casamento no romantismo de Sintra.
Seria Poeta, ele?
E afinal, o que é idoso?

LISBOA TEM EDIFÍCIOS ESQUISITOS

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E de repente, cá está mais um dos edifícios esquisitos de Lisboa. A construção existe há mais de um século, provavelmente, mas nunca tinha sido referenciado como um dos prédios estranhos da capital.

Apertado no dédalo de ruas da zona baixa da cidade, quase na confluência da Calçada do Desterro com a Rua da Palma, o nº10 tem todos os atributos para ser incluído na seleção dos mais estranhos. Tem 20 passos de fachada e um passo e meio de profundidade. Menos de dois metros. Se contarmos com a grossura das paredes, não caberá uma cama atravessada.

É um edifício de dois pisos e águas furtadas, habitado. Tem uma loja no rés-do-chão. À hora em que por lá passámos a loja estava fechada, o que foi uma pena. Gostávamos de perceber como se entra numa loja com metro e meio de profundidade…

À semelhança deste tipo de magreza arquitetónica, há pelo menos outros três, de que já demos conta em reportagem anterior. Um no Bairro de Santos e dois perto de Santa Apolónia.

Revejam o vídeo sobre estes prédios esquisitos de Lisboa.