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VENTURA QUER CONTROLAR JORNALISTAS

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Não existe qualquer evidência séria de que a RTP – ou qualquer outra redação – esteja dominada por militantes do PCP ou do Bloco de Esquerda.

vídeo Ventura quer controlar a RTP

Trata-se de uma acusação que tem sido repetida para adquirir aparência de verdade. A velha técnica da atoarda: lança-se a suspeita, amplifica-se nas redes sociais e espera-se que a dúvida faça o resto.

As redações não são parlamentos em miniatura. Jornalistas não entram ou saem das empresas de comunicação social em função dos resultados eleitorais. A composição de uma redação resulta de percursos profissionais e concursos, não de quotas ideológicas. Os Governos convidam personalidades para as administrações que, por sua vez, convidam jornalistas para os cargos diretivos. Já assim, a capacidade de influenciar a linha editorial é grande e deveria ser atenuada e não alargada como Ventura quer.

O problema é que esta retórica coincide com iniciativas políticas destinadas a reforçar o controlo institucional sobre os media públicos. Nos últimos tempos surgiram propostas e alterações que introduzem novos mecanismos de escrutínio parlamentar sobre órgãos de comunicação financiados pelo Estado. À primeira vista, a ideia pode parecer razoável: se são financiados com dinheiro público, devem prestar contas. Mas a independência editorial dos media públicos assenta precisamente numa separação essencial, onde o financiamento estatal não implica controlo político.

É por isso que os jornalistas da Agência Lusa reagiram com preocupação às mudanças nos estatutos da agência. Sendo a única agência noticiosa portuguesa, a Lusa desempenha um papel central no sistema mediático nacional. Grande parte da informação que circula nos jornais, rádios e televisões começa nos seus despachos. Qualquer mecanismo que permita ingerência política na sua direção editorial vai influenciar o universo da Informação, isso não deve ser permitido.

vídeo Lusa em luta

A técnica de Ventura é conhecida. Primeiro acusa-se os media de parcialidade ideológica. Depois apresenta-se a necessidade de “equilibrar” a informação. Finalmente, criam-se mecanismos institucionais que aproximam as redações do poder político. O pior é vermos o PSD alinhar nisto. Percebemos o entendimento quando Ventura diz que os contribuintes que “sustentam” a RTP e a Lusa também são “eleitores do Chega e do PSD”.

A acusação de que a RTP está “cheia de comunistas e bloquistas” não descreve uma realidade verificável, mas cumpre a função de criar o ambiente político necessário para justificar reformas que permitam maior controlo sobre os media públicos. É um truque antigo. Desacredita-se o mensageiro para poder controlar a mensagem.

A verdadeira questão não é saber se a RTP ou a Lusa são “de esquerda”. Essa discussão não faz sentido, raramente se apoia em factos. A pergunta relevante é outra: se queremos meios de comunicação públicos independentes ou órgãos de informação alinhados com a maioria política do momento. Vivemos tempos perigosos, a direita e a extrema-direita querem perpetuar-se no poder.

O NOVO PRESIDENTE, NOTAS BREVES

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fotografia fornecida pela Presidência da República

Para já, nota-se a tentativa de manter viva a ‘chama ardente’ da imagem do ex-presidente, na procura de comparações e de palrear, a pretexto de tudo, o nome dele. Alguma comunicação social ficou órfã de Marcelo Rebelo de Sousa, mais do que o País real. Há jornalistas que ficaram ‘viúvos’ da intriga, da mentira, da vichyssoise, do comentador dos jogos de futebol, do circo ambulante em que Marcelo Rebelo de Sousa transformou a Presidência da República. E começam a perceber que o ‘jogo’ mudou e que António José Seguro pretende, sem se afastar dos cidadãos, dar ‘gravitas’ ao cargo, falará quando entender que deve falar e não quando os jornalistas quiserem, que tem uma agenda e que a irá cumprir rigorosamente.

António José Seguro rompe com 20 anos de Presidentes vindos da área do PSD e, independentemente, de vir da chamada ala moderada do PS, marca uma ruptura com esse tempo, ficando para saber o que pode isto significar num quadro parlamentar tripartido.

A este propósito nota-se um apagamento de André Ventura, – apesar de algumas televisões pretenderem mantê-lo visível, com entrevistas e tempo de antena sem limites -, coincidente com o ressurgimento de Passos Coelho, escamoteando dois factores relevantes: que as anunciadas reformas são ‘uma mão vazia e outra cheia de nada’ e que, por muito que queiram esconder, os eleitores portugueses ainda não esqueceram os tempos do governo Passos Coelho.

Chegados aqui importa questionar: Como será a relação entre o Presidente e o governo? Haverá lealdade por parte do primeiro-ministro, que se sente acossado por Passos Coelho, por algumas facções dentro do seu partido e, à direita, por André Ventura? Ou Luís Montenegro irá abrir zonas de conflito com a Presidência, numa fuga para a frente, como forma de justificar os falhanços do governo e a sua incapacidade para governar?

O discurso de posse, tem três vectores a considerar, a proposta para o ‘pacto da saúde’, que contém uma ideia interessante, mas que ‘escandalizou’ um ou outro comentador, por falar em orçamento plurianual – já agora, esta opção até já foi defendida para o Orçamento do Estado –, a necessidade de um acordo para a reforma laboral, perfeitamente desnecessária, na minha opinião, e que apenas alimenta uma opção ideológica de ruptura da paz social e a ideia, contrária à do governo, de que a guerra no Golfo constitui uma invasão. Nos próximos tempos importa verificar como irá ser o relacionamento entre Belém e São Bento, com a ideia de que António José Seguro não me parece que tenha vindo para ser o tabelião do governo e Luís Montenegro vai ter uma desilusão se pretender manter um estilo entre o rural e o chico esperto

LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL

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A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado

…. Ficou a obra, essa “casa dos móveis que estalam à noite”, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente…

Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.

O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra

Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu… É o desabafo de quem percebe que “viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado…

Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.

As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito

Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais ‘históricos’ do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.

Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente…

O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.

“Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é”

Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem…

Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi “Quero que o Nobel se f*da”; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.

O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa

Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.

Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas…

Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração…

Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.

A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva

A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.

Não há enredo linear porque não há identidade linear… Tudo se encontra misturado e fraturado…

Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer…

O Fim de uma Era

… E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?…

Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, “os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos”. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros…

(crónica publicada também em Pegadas do Tempo)

BISSAU: POLÍCIA INVADE ‘CASA DOS DIREITOS’

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Em Bissau, a Polícia de Intervenção Rápida invadiu a Casa dos Direitos, precisamente no momento em que o embaixador da União Europeia lá estava. O embaixador Federico Bianchi foi expulso do local, assim como outros convidados que participavam num evento rlacionado com a 12.ª Quinzena dos Direitos.

A Casa dos Direitos é uma antiga prisão do tempo colonial, esquadra de polícia também, que depois da independência da Guiné-Bissau ainda foi utilizada como centro de detenção, até que em 2011 o Governo decidiu oferecer o edifício a um consórcio de organizações dedicadas à defesa dos direitos humanos.

Mudam os Governos e os ministros e, ciclicamente, têm surgido problemas entre alguma das organizações alojadas na Casa dos Direitos e o Governo. É o que está a acontecer neste momento.

Desde o recente golpe de Estado, a Casa dos Direitos já foi invadida várias vezes por forças policiais ou militares, funcionários detidos e maltratados. Segundo um comunicado divulgado pela Casa dos Direitos, esta foi a quarta vez que a polícia forçou entrada nas instalações para impedir o normal funcionamento dos eventos que lá decorrem, “evidenciando um padrão reiterado de intimidação, repressão e violação das liberdades fundamentais”, lê-se no comunicado.

“A Casa dos Direitos condena com a maior firmeza este novo ato de intimidação armada, que constitui igualmente um desrespeito grave e inaceitável para com o maior parceiro multilateral do país, a União Europeia, cuja presença institucional foi também alvo direto desta atuação”, acrescenta-se no comunicado.

Aparentemente, a ação da Polícia de Intervenção Rápida foi um ato de intimidação sem qualquer sentido. Depois de ter provocado o distúrbio, a polícia retirou-se e a rotina regressou às atividades da Casa dos Direitos, mesmo se é uma rotina de sobressalto permanente. Atuações deste tipo contribuem para a degradação da imagem internacional do país e, por isso, deviam ser evitadas.

Para quem tiver curiosidade sobre a Casa dos Direitos, vejam este vídeo:

vídeo

MINA DE PEDRAS PRECIOSAS EM SINTRA

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entrada da mina do Monte Suimo, Belas

De facto, foram aí explorados os piropos e jacintos do Monte Suimo. O «jacinto de Compostela» é uma pedra natural, geralmente quartzo contendo óxidos de ferro, apreciado como cristal bruto ou polido, usado, por isso, como ornamento, atribuindo-se-lhe mesmo propriedades esotéricas. Piropo é uma variedade de granada, vermelha e brilhante.

Fragmentos de jacinto
gema de piropo

Vale, pois, a pena recordar que, na escritura, em pergaminho iluminado, da criação do Morgadio de Belas pela Rainha D. Brites, mãe de D. Manuel I, se menciona «a velha azenha, agora (em 1501) com pilão[…]…». Ora, pelo conhecimento ancestral dos donos da quinta, sabe-se que as pedras do Monte Suimo eram arrancadas em pesados bocados e levadas ao Rio do Porto, nome este ainda hoje bem conhecido.

pergaminho da criação do Morgadio de Belas

Na esquina entre a Quinta Wimmer e a Quinta do Bom Jardim, o Rio do Jamor era navegável em barcaças de estaca, desde este local, denominado Rio do Porto, até à Cruz Quebrada, onde se situa hoje o Estádio do Jamor.

Teve Martins da Pedra ensejo de visitar a zona em Março de 2008. Dessa visita fez circunstanciado relatório, donde, com a devida vénia, tomo a liberdade de retirar algumas elucidativas passagens e. sobretudo, fotografias.

Nessas pequenas embarcações de estacas se transportavam as rochas até à azenha, que era à romana, de duas rodas horizontais. Nesta azenha se partiam as pedras grandes e delas se sacavam os pequenos cristais, transportados depois, sob escolta de soldados, para o Palácio Real, no Terreiro do Paço, em Lisboa, onde se decidia o destino das pedras, que então apenas deviam ser usadas para benefício da Coroa de Portugal.

Monte Suimo, Belas
Martins da Pedra, no marco geodésico (Março de 2008)

Assim, esclarece que o Monte Suimo, perto da vila de Belas, «é uma pequena elevação arredondada encimada com um marco geodésico a 291 metros de altura». A área de mineração está localizada na vertente norte, junto ao campo de golfe do Lisbon Sport Club.

Há notícia de que, aí, a exploração mineira data desde tempos remotos. Escreve Martins da Pedra, «da época romana podem ser apreciadas algumas peças de ouro engastadas com piropo do Monte Suimo no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa». E acrescenta que «as minas estiveram sempre relacionadas com a Coroa Portuguesa e um inventário aos ornamentos do príncipe D. Dinis datado de 1278, menciona “onze pedras jagonças (designação arcaica para jacintos) de belas almandinas”.

E, como não podia deixar de si, quando respondeu ao inquérito do Marquês de Pombal após o terramoto, o prior, Pe. João Crisóstomo, é bem sucinto na resposta, datada de 8 de Abril de 1758, mas não se esquece de referir: «Nesta freguesia e termo desta vila junto do lugar e monte de Suimo se tiraram antigamente pedras preciosas e ainda se acham algumas muito pequenas; têm a cor mais escura que a do rubim e no riso quase se igualam».

Referência às minas nas Memórias Paroquiais

Enfim, também minas abandonadas nos permitem um passeio pela História!…

(em colaboração com José d’Encarnação)

HAY HOMBRES y LOS DEMÁS*

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Ouvi e vi há dias na televisão um especialista em Segurança e Defesa dizer que o Direito Internacional deve ser seguido, mas depende de favorecer ou não outros países. Fiquei tão atónita que, nas modernices de hoje, puxei o programa ao seu início para confirmar que tinha ouvido bem. Sim. Ouvi bem.

Assim sendo, a posição de Portugal nesta guerra está salvaguardada. Foi o que deu mais jeito ao governo de Luís Montenegro. E fica tudo respaldado.

Nunca poderia apoiar o Irão. NUNCA. Aquele regime que mata pessoas, que maltrata as mulheres, que comete atrocidades, etc. Sim. Mas é um país independente que foi atacado, contrariando o Direito Internacional. Lembra-me de Portugal, antes do 25 de Abril e como reagiríamos se um outro país nos invadisse e pusesse em causa a soberania nacional.

De repente, por momentos, eu, que sou profundamente portuguesa e até defendo ‘com unhas e dentes’ a nossa língua, quis ser espanhola. Vi e ouvi o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em conferência de imprensa, responder às ameaças de Trump de que vai bloquear o comércio com Espanha, devido à sua relutância em participar na ofensiva dos EUA contra o Irão, e não ceder a utilização das bases de Rota e Morón. Claro que, à luz de acordos antigos, Trump pode utilizar estas bases e fê-lo já, mas nenhum avião saiu dali para atacar um país soberano.

Em Portugal, foi o desastre que se viu com o uso da Base das Lajes e o inenarrável ministro do Negócios Estrangeiros a meter os pés pelas mãos e as mãos pelos pés, levando Montenegro a fazer a mesma figurinha. Claro que este estava mais preocupado com a ameaça do regresso de D. Sebastião do PSD, Passos Coelho, e nem deve ter percebido que a guerra estava à porta.

Miguel Sousa Tavares ironizou com as declarações de Rangel: o ministro foi ‘o único ser no planeta’ que, ao ver vários aviões estacionados na base açoriana, imaginou que iriam num ‘passeio no Médio Oriente’.

Sánchez, pelo contrário, foi claro: ‘A posição do governo espanhol pode ser resumida em poucas palavras: não à guerra’ e classificou a campanha contra o Irão como ‘ilegal’. Não se pode ‘responder a uma ilegalidade com outra’ e criticou o regime iraniano por ter atacado nove países indiscriminadamente.

Certo, certo, é que esta guerra está para durar, sobretudo quando é liderada por mentirosos. O presidente dos EUA passa a vida a dizer que o Irão quer negociar, enquanto o regime iraniano desmente. Agora, que ele próprio quer negociar, os líderes iranianos mandam-no passear.

A repressão no Irão, em protestos contra o regime, faziam prever a sua queda. Claro que haveria muito sangue a correr, mas é sempre preferível que as mudanças passem por dentro e não por invasões mal justificadas, sobretudo quando é consabido que, debaixo de todas as capas, o problema são os negócios do petróleo . Também o Iraque tinha armas de destruição maciça que… nunca apareceram. Mas tinham petróleo. Os americanos no seu melhor, apoiando-se ou apoiando os israelitas, sempre desejosos de matar tudo o que não esteja de acordo com eles. Uma vez mais: ninguém aprendeu nada com a História. E os israelitas tinham uma obrigação maior de o ter feito.

(do título: *uns são homens, outros não…)

DESGOVERNO EM LISBOA

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A Câmara Municipal de Lisboa exonerou a vogal do conselho de administração dos Serviços Sociais, Mafalda Livermore, por ‘uma quebra de confiança institucional’. A mesma pessoa que Carlos Moedas tinha chamado para o cargo. Embora a dita-cuja senhora alegue que foi ela quem se demitiu. São trapalhadas deles. A verdade é que uma investigação jornalística, realizada pela RTP no programa A Prova dos Factos, revelou que Livermore é proprietária de vários imóveis com habitações clandestinas arrendadas a imigrantes.

Por outro lado, os socialistas, em minoria, já que Moedas se aliou ao Chega, pedem a reforma nos contratos de delegações de competências às freguesias. Moedas pediu ‘tempo’, mas, até agora, ignorou os autarcas. Assim, as juntas de freguesia socialistas estão numa situação que ‘não é financeiramente sustentável’ e ‘sem interlocutor’.

O serviço municipal das juntas mais criticado pelos fregueses de Lisboa é a recolha do lixo. Depois de Moedas ter anunciado a recentralização dessa competência, durante a campanha, e reiterado o plano na tomada de posse, houve uma informação da Câmara que trocou as voltas aos presidentes de Junta de Lisboa. Com base em informações da autarquia, o jornal Público anunciou, no início de Fevereiro, que essa reforma na recolha do lixo seria adiada para 2027 e o presente ano serviria como ‘transição’.

Outra das questões que se levanta é o protocolo para a manutenção dos espaços verdes, uma das competências da Câmara, delegada às juntas com a reforma administrativa de 2014. Em S. Domingos de Benfica, continuam ao abandono e, imagine-se, que no meio dos temporais e em dias de chuva, os repuxos da Praça Humberto Delgado, em Sete Rios, continuavam a deitar água. Veremos o que sucede no Verão…

FLAGRANTES DA VIDA REAL

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Alberto Ramos foi um daqueles amigos do peito que todos gostamos de ter. Antigo aluno salesiano, seguiu a carreira musical, foi professor de História no Ensino Preparatório e aposentou-se como docente na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Amiúde meu companheiro de viagem entre Coimbra e a Gare do Oriente, partilhávamos, naturalmente, muitas das peripécias do quotidiano. E ele tinha-as a rodos!

Revoluções

Uma delas contou-ma um dos seus antigos alunos dos primeiros tempos.

O professor entrou na aula, na manhã do 25 de Abril. Nós estávamos excitados. E, creio, até que um pouco medrosos, ao que ele nos tranquilizou:

– É uma revolução! Não estudámos nós já, na História, uma série delas? Há alguma agitação; mas, afinal, tudo se acalma e renova. Vamos, pois, aguardar que tudo se passará bem.

– E nós sossegámos – garantiu-me esse antigo aluno.

Morte

Outra me contou ele, de algum tempo depois do 25 de abril, quando começaram as reivindicações.

Entrou na sala de aula. Era dia de ponto escrito. Apercebeu-se que havia uma frase a giz no quadro. Foi até à secretária, como era seu hábito. Tirou os enunciados. Deu as indicações para o preenchimento dos cabeçalhos. Certificou-se de que todos tinham folhas de ponto. Deu a distribuir os enunciados que policopiara. Não havia dúvidas? Podiam começar!

Como era seu costume em dia de ponto – e sempre, aliás – saiu da secretária e dispôs-se a ir passear pela sala. Silêncio sepulcral. Agora é que ele vai ver! Escrito no quadro estava MORTE AO DR ALBERTO.  Calmamente, Alberto foi até ao quadro. Pegou no giz. Ainda mais sepulcral se fez o silêncio. Todas as esferográficas quietinhas. Entre a palavra MORTE e a palavra AO abriu ele uma chaveta e escreveu: IMEDIATA. Gargalhada geral. De novo, o silêncio. As esferográficas voltaram a escrever.

Olhos de ver cão

Nesse âmbito – e dizia-me que o aprendera na escola salesiana – um outro episódio, este já da Universidade.

Um dos alunos olhava para ele com ar estranho, um tudo-nada provocante. O Alberto não hesitou:

– Não olhes para mim com esses olhos com que olhas prós cães!

E o estudante também não hesitou em replicar:

– Ó doutor, eu para os cães olho com ternura!

– Boa resposta, amigo, boa resposta! Parabéns! – sublinhou assim o Alberto a gargalhada geral.

E a explicação da matéria continuou.

Inês

Ainda nesse contexto de uma atitude especial do docente poder influenciar toda uma vida, positiva ou negativamente, o caso que mais o impressionara, confidenciou-me, foi o de uma senhora sua ex-aluna, já formada, de que ele até já nem se lembrava bem.

Ao encontrá-lo na Baixa de Coimbra, veio saudá-lo com um beijo, identificou-se  e convidou-o para um café. Confidenciou-lhe:

– De certeza que não se lembra de mim. No meu primeiro ano, eu ousei entrar na sua aula a meio. Sentei-me e o professor andava pela sala a explicar a matéria, como costumava fazer. Deve ter reparado em qualquer coisa de estranho, quando eu entrei e depois. O certo é que, ao passar por mim pela segunda vez, me acariciou o cabelo e me segredou: «Não penses nisso! Vai correr tudo bem, acredita!». Tem alguma ideia porque é que eu me atrasara? De facto, apesar do atraso, nesse dia eu não queria mesmo faltar à sua aula. Se calhar, para receber aquela carícia, sabe-se lá!… Eu vinha do tribunal, doutor, onde acabara de ser decretado o meu divórcio!… Ainda não tinha 21 anos e um filho nos braços. Nunca mais me esqueci das suas palavras! Estou-lhe muito grata. Já passaram mais de 10 anos! Obrigado!

PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU

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Ninguém, ninguém mais do que Aquilino Ribeiro celebrou em páginas de livro esta cidade. Viseu. Ninguém. Nem escritor nem poeta. De historiadores e cronistas não falo, que aí é vasto o trajecto, memoráveis os nomes, extenso o discurso.

Aquilino Ribeiro conheceu Viseu era jovem ainda e estudante encartado, já havia peregrinado com alguma demora por Lamego, dormente a cidade, lhe chamou enquanto Viseu a vai sentir prazenteira, amável, buliçosa, jucunda. Jucunda, escreveu ele. Agradável, queria ele dizer. “A melhor cidade para viver”, talvez quisesse dizer, premonitório.

Que viver aqui não viveu. Para além da pouca demora, em 1902, quando vem ao Liceu fazer exame de Filosofia, apenas tem uma curta pausa em 1928, mas aí vive entre as grades do Fontelo e da janela do calabouço pouco mais podia ver do que o longínquo horizonte da sua pátria, as Terras do Demo, para onde em breve irá romper caminho.

Aquilino foi aedo, celebrou a terra, o chão de lavra, marginal, o chão de pedra levantada, a paisagem, gratuitamente estendida para gozo dos homens como a primavera em flor para deleite de insectos; e lembrou os homens, humanista de seu génio, que da humanidade transviada apenas queria arredar o mal.

E o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu, no nome de um Parque, de uma Rua, de uma estátua. Mais fundo ficou nas letras de ouro do seu lavrar; mais ainda no coração dos homens que cultivam o humanismo de que se fez paladino e defensor; retrato seu de vaidade não deixou; e o bronze de um retrato que eu ajudei a construir e se implantou no chão da Rua Formosa, onde ele tantas vezes sedeou, ficou como vero documento de um homem inteiro, que algum tempo entre nós viveu e trabalhou.

O CH É RACISTA

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O Chega agendou um debate na Assembleia da República sobre “As acusações de racismo na sociedade, no desporto e no sistema político: é preciso virar a página”, com o qual quis demonstrar que não há racismo algum na sociedade portuguesa e quem nem o próprio Partido Chega é racista.

Levou um bailarico da esquerda, logo a começar pela caracterização que Rui Tavares, do Livre, faz do Partido Chega.

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