A ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, saiu-se a dizer que ‘há muitas formas de chegar ao trabalho’, para rejeitar a recomendação de teletrabalho devido à crise de petróleo. E até acrescentou que a questão não está ‘sequer’ em discussão no governo. Pessoalmente, nem sou favorável ao teletrabalho. Penso que os trabalhadores, enquanto vão e vêm, falam com colegas e convivem com outras pessoas, ficam, mentalmente, mais sãos, como, aliás, provam análises e estatísticas.
Também não está à vista a redução das viagens de avião para diminuir a procura, e o executivo afirma que há combustível da aviação até ao fim de Agosto. Refira-se que estas duas recomendações são da Agência Internacional de Energia.
Para a ministra, seguramente mais preocupada com o turismo e outros ‘lucros’, as ‘pessoas têm o direito às suas férias e às viagens’, com a época que se aproxima, em que muitos portugueses querem vir ao seu país e outros que pretendem visitar familiares.
‘Temos uma grande diáspora que tem direito a ver a família e gosta de regressar a Portugal […] e o turismo é 15 por cento do nosso PIB, mas também individualmente, as pessoas gostam de viajar, faz parte de aumentar a sua cultura, e eu não queria estar aqui a fazer uma recomendação a evitar, para já’, disse a ministra.
Não vou aqui contar tudo o que disse a governante. Mas julgo que nos deveríamos ater ao facto de ser claro que as classes mais baixas não irão de férias e as um pouquinho mais altas (que têm vindo a ‘descer’ permanentemente) talvez também não. O aumento brutal do custo de vida, as rendas impossíveis de pagar (em que o primeiro-ministro entende que 2.300 euros é uma renda moderada) e os combustíveis (além do aumento exponencial do preço das viagens de avião), certamente travarão muitos projectos.
Já quanto às ‘muitas formas de chegar ao trabalho’, a ministra acertou. Vemos autocarros cheios, trabalhadores desesperados a chamarem táxis e TVDE porque os transportes públicos não andam a horas. Por exemplo, a Carris, em Lisboa, está numa desorganização tal que passam três autocarros seguidos com o mesmo número, indo os dois últimos vazios, enquanto escasseiam outros com destinos diferentes. Os comboios, nem é bom falar: a abarrotarem de gente e geralmente atrasados.
Portanto, para a ministra e para o governo está tudo bem. Na verdade, eu só vinha aqui sugerir que, à semelhança do que fazem outros governantes europeus, Montenegro, Rangel, e todos os outros, sobretudo a ministra da Energia, deixassem de usar os carros do Estado (pagos por todos nós) e passassem a utilizar os transportes públicos. Na verdade, com o tanto trabalho que desenvolvem (ao contrário dos outros trabalhadores) seria provável que ninguém se importasse que chegassem atrasados. E, quanto às férias, utilizem os tais planos B e C, façam férias cá dentro e conheçam o tal país real.



