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A CORAGEM DE DIZER NÃO

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Estiveram em Portugal, mais de 30 descendentes de refugiados judeus salvos por Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que para salvar milhares de vidas desobedeceu às ordens de Salazar.

Tratou-se de uma iniciativa da Fundação Sousa Mendes de Nova Iorque, intitulada “Journay On The Road To Freedom” (Viagem pela Estrada da Liberdade).

grupo de participantes na Journay On The Road To Freedom

Os descendentes passaram por Bordeaux e Bayonne, onde o diplomata exercia funções de cônsul, e onde assinou milhares de vistos que permitiram aos refugiados sair do território francês e entrar em Portugal, em fuga aos nazis. Para chegar a Portugal, os refugiados tinham de atravessar a Espanha ou alugar barcos para uma viagem por mar.

Em Portugal, esta ‘Viagem pela Estrada da Liberdade’ passou por Vilar Formoso, Carregal do Sal onde Aristides de Sousa Mendes viveu e ficou sepultado, Figueira da Foz e Lisboa.

Talvez a paragem na Figueira tenha sido a mais interessante, uma vez que os participantes tiveram a oportunidade de visitar a exposição “SER Consciência… 30/1000 por 1VIDA”, no Museu Municipal Santos Rocha.

A exposição está patente ao público até 20 de setembro.

Assim celebraram os 80 anos do magnífico ato de consciência de Aristides de Sousa Mendes. Em 1940, com a França ocupada pelos nazis, durante semanas, de dia e de noite, o cônsul português concedeu milhares de vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir, contrariando as ordens de Salazar. Dizer ‘não’ ao ditador custou-lhe a carreira diplomática.

MÉDICOS CUBANOS EM PORTUGAL

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A contratação de médicos cubanos pelo Governo português gerou uma onda de indignação, nomeadamente nos meios conotados com a direita política. Curiosamente, os argumentos de combate a esta iniciativa são da cartilha da esquerda: preocupação com os direitos dos trabalhadores.

A Iniciativa Liberal alerta o país que os médicos cubanos ficam sem a maior parte do salário porque há uma agência estatal cubana que intermedeia o negócio e se apodera de uma grossa fatia do que é pago aos médicos. Terá sido assim em 2009, quando Sócrates contratou cubanos pela 1ª vez.

A Amnistia Internacional vem dizer que a Iniciativa Liberal tem razão ”quando se refere ao acordo celebrado em 2009 para a contratação de médicos cubanos, e vários casos internacionais demonstram que a prática do governo cubano era habitual”.

Venho agora eu e confirmo que sempre ouvi dizer o mesmo. O Estado cubano tem um negócio montado com a exportação temporária de médicos e enfermeiros. O destino destes profissionais de saúde, na maioria dos casos, são países africanos ou asiáticos onde as estruturas de saúde pública são frágeis e as populações têm uma esperança de vida demasiado curta.

Para além do salário, em alguns países os médicos e enfermeiros cubanos têm direito a casa e, muitas vezes, ainda acresce subsídio para alimentação e apoio nos transportes. Depende dos países onde estão colocados. Por exemplo, em Timor-Leste as casas dos médicos cubanos eram mesmo ao lado do Hospital Guido Valadares e eles iam e vinham a pé.

As minhas experiências com médicos cubanos ocorreram em Timor-Leste, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e em… Portugal. A maioria dos que encontrei eram clínicos gerais, mas também havia dentistas, infecciologistas, oftalmologistas, enfermeiras parteiras, entre outras especialidades clínicas.

Tenho boa opinião dos médicos cubanos. Sem meios de diagnóstico sofisticados, demonstraram sempre capacidade de escutar, entender os sintomas, diagnosticar e tratar sem erros. São médicos que tocam nos pacientes, não têm nojo de corpos cobertos de mazelas. Quando necessário, praticam aquilo a que se pode chamar “medicina de guerra”, onde os procedimentos são sempre urgentes e executados no fio da navalha.

Claro que em Portugal os hospitais e centros de saúde onde esses médicos cubanos serão colocados, estão a “milhas de distância” da falta de condições que eles enfrentam na maioria dos países onde atuam. Mas isso é bom. Teremos médicos bem treinados para a maioria dos casos que engrossam as filas de espera no atendimento clínico do SNS. Merecem ser pagos ao mesmo nível dos médicos portugueses, isso será da mais elementar justiça. Esperemos que as garantias dadas pelo ministro da Saúde sejam cumpridas. Mas nunca notei que a questão remuneratória lhes atrapalhasse a vontade de tratar os pacientes. Por mim, podem vir de novo.

Ministro da Saúde garantiu que os médicos cubanos serão pagos ao mesmo nível que os portugueses

Quanto às preocupações da Iniciativa Liberal, apetece dizer-lhes que “é a economia, estúpidos!”, mas espero que não fiquem por aqui. Com tantas empresas a atuar em Portugal, nacionais e estrangeiras, com comportamentos inaceitáveis de exploração de mão-de-obra, os deputados da IL vão ter pouco descanso. Assim queiram.

OS PORTUGUESES NO EXTREMO ORIENTE

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Sabemos muito de Macau; começamos a compreender melhor o que se passou em Timor; regozijamo-nos por saber da persistência de costumes e falares portugueses, o crioulo português no Sri-Lanka, antigo Ceilão, o Bairro Português de Malaca (Kampung Portugis).

Muita investigação se fez e muita há a fazer para melhor se compreender a aculturação registada. Chegou-me às mãos uma dissertação de mestrado em Estudos Europeus, Mediterrânicos e Asiáticos, feita por Rita Bernardes de Carvalho (1982-2013) na École Pratique des Hautes Études, de Paris, em 2006. Apesar da data já recuada, creio não ser despropositada esta referência, para que conste, na medida em que a prematura morte da autora contribuiu para que o seu estudo fosse esquecido.

O tema é a presença portuguesa em Ayutthaya, a capital do Sião, nos séculos XVI e XVII, e a pesquisa foi orientada pela conhecida historiadora Dejanirah Couto, «maître de conférences» na referida Escola Prática de Altos Estudos, autora, por exemplo, duma História de Lisboa cuja tradução foi publicada em 2003.

Em quase 200 páginas, Rita Bernardes de Carvalho mostra como foi importante essa presença numa época assaz curiosa também, porque corresponde à perda e subsequente recuperação da nossa independência, em 1640, o que, como se sabe, teve reflexos políticos e económicos também nessa área oriental.

Ayutthaya, mapa de 1686

Trata o 1º capítulo do Império Marítimo português na Ásia: o Estado da Índia, o comércio nos mares da China, o período da influência espanhola, a ameaçadora presença dos Holandeses… De 1660 a 1680 consolida-se a sobrevivência, mas depois Macau irá ser a única continuidade dos Portugueses na Ásia.

No 2º capítulo, Rita Bernardes de Carvalho dirige o seu olhar para o reino de Sião e, sobretudo, para a sua capital Ayutthaya: como era encarado o seu regime pelos Portugueses, que produtos europeus ali se comercializavam, que europeus por lá estanciavam, além dos Portugueses (Espanhóis, Holandeses, Ingleses e Franceses). Decai Ayutthaya já no século XVIII.

O 3º capítulo historia as embaixadas trocadas entre os dois países (Portugal e o Sião) e lança-se um olhar mais acutilante sobre o «Bang Portuguet», ou seja, o bairro dos Portugueses, situado a sul da cidade e a oeste do rio Chao Phraya, que compreendia também a parte norte e sudeste desse território. Verifica-se um nível de integração bastante elevado. Escreve Rita Carvalho:

«Não se trata aqui de homens que casam com mulheres autóctones mas dum homem que ele próprio se torna local. Os filhos desses casais mistos eram educados numa dupla cultura, sendo a cultura «thaïe» a mais marcante para a criança» (p. 95).

A autora acentuará esse aspecto na conclusão, ao assinalar a existência de muitos «mestiços» no círculo de poder como tradutores e intérpretes, sublinhando que essa «mestiçagem integrada» está na base do facto de os Portugueses terem permanecido longamente na cidade (p. 111).

Refere-se a acção de dois dos chefes da comunidade portuguesa: Cristóvão Rebelo, que, depois de aventuras no Mar de Bengala, foi capitão-mor, provedor dos defuntos, e chegou a ter poder judicial; e Francisco Barreto de Pina, «um comerciante estabelecido no Sião, com uma rede de sólidos conhecimentos graças às suas ligações com os casados de Macau, cujo filho era intérprete da língua siamesa» (p. 102).

Completa o trabalho a transcrição dos documentos diplomáticos mais significativos trocados entre Lisboa e o Sião nessa época, mapas e imagens, destacando-se, por exemplo, fotografias dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos para se identificar o que resta da igreja de S. Domingos. E, naturalmente, nutrida bibliografia.

E se concordamos com o que autora escreve «Seria cativante prosseguir os estudos acerca das comunidades portuguesas espalhadas por outros países da região, como o Laos ou o Camboja», mais concordamos ainda com a ideia de que «muito seria enriquecida essa análise mediante a integração de estudos antropológicos e sociológicos acerca da ‘diáspora’ portuguesa na Tailândia, como resposta à necessidade de ligar a História a um presente sempre vivo» (p. 114).

Enfim, tantos mundos a descobrir, nesse mundo por onde o Português longamente peregrinou!

Ayutthaya, Buda nas raízes de uma árvore centenária.

O LIVRO QUE NÃO EXPLODIU

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Um autor de prestígio como Tore Frängsmyr, falecido em 2017, Prof. de História da Ciência na Universidade de Uppsala, director da Real Academia das Ciências e editor do volume anual da Fundação Nobel, garantia que a maior parte daquilo que se escrevia sobre Alfred, era fantasioso.

A vida amorosa era inexistente, a vida pessoal pouco interessante. Nobel não passava de um indivíduo que se classificava a si mesmo como um misantropo amigo de dar, um superidealista que digeria mais filosofia do que comida.

O homem que conhecemos mal, mas admiramos tanto, gostava de Literatura, deixava até alguns trabalhos ficcionais e poéticos a que os biógrafos não davam grande importância. Mas acima de tudo tinha um fascínio por química, como se pode perceber pelos laboratórios que espalhava por todas as casas que detinha. Até na Villa Nobel, antes Villa Patrone no Corso Cavalloni em Sanremo, existe um espaço dedicado a ensaios.

laboratório de Alfred Nobel no Museu Nobel em Björkborn

Experimentava também um prazer especial em dissertar sobre a concepção de Deus. Perguntava-se muitas vezes, por que invocavam tanto as pessoas uma entidade divina: seria por medo, como sugeria Aristóteles, ou por acharem que, escudados por um poder superior, podiam derrubar inimigos pouco inteligentes, na linha do pensamento de Voltaire?

Pela sua rara curiosidade intelectual e pendor científico, era uma daquelas figuras que me intrigavam tanto, que um dia teria de escrever sobre ela, neste caso ele. Afinal, todos lhe reconhecíamos um mérito indiscutível: poucos homens de fortuna tinham contribuído tanto, para divulgar talentos de todo o mundo.

Assim, ou de um modo que me parecia bem estruturado, mas acabava por derivar, nascia o livro Desculpe Sr. Nobel, publicado em Julho de 2014. Chegava a ser classificado por uma Asssociação Internacional de Artistas e Escritores como o “melhor livro de biografia de Portugal” três anos depois, mas como não era, nem é afinal uma biografia, nunca exibi o diploma aqui guardado.

Gosto de escrever ficção suportada por uma base factual que possa ser trabalhada nas partes omissas. E essa base, neste caso, reduzia-se à vida de Nobel como inventor, às experiências no domínio do armamento bélico, da borracha sintética, mas sobretudo à transformação do que inicialmente era a piroglicerina (depois nitroglicerina descoberta por Ascanio Sobrero) em dinamite.

O aperfeiçoamento desse invento do químico italiano, era a base da fortuna e do reconhecimento mundial dos Nobel e depois de Alfred, o valioso património viria a ser o suporte da Instituição dos prémios mais famosos do mundo.

Remetendo tudo isto para a figura do grande inventor sueco, eu teria de converter as cidades onde ele vivera em centros nevrálgicos do romance e acrescentar os outros ingredientes. Não podia perder de vista que a Literatura se ocupava da reflexão sobre a vida, do questionamento do mundo, da actuação das pessoas que criam por amor à Ciência, e que depois se vendem por lucros fabulosos, ou que perdem o controlo dos inventos de que outros se apropriam para destruir.

Tinha de ter a noção de que havia problemas intemporais, como outras lutas não menos condenáveis, de grupos, de empresas, de instituições, pela promoção desonesta e coerciva do valor individual, abafando personalidades brilhantes, para elevar medíocres ao estatuto de génios. Se o mundo revelava e revela retrocessos, quero crer que a esses equívocos serão devidos, atrasando a evolução.

Estávamos no final de um ano muito atrás, 2006, quando eu lia mais contestações à atribuição do Nobel de Literatura, então atribuído ao escritor turco Ohran Pamuk. E começava a coligir material recolhido, a fazer mais diligências de pesquisa, confirmando o que escrevera Frängsmyr: pouco havia sobre vida tão pacata, parte dela concentrada na correspondência com uma antiga secretária que viria a tornar-se condessa van Suttner. Era uma pacifista empenhada que terá feito germinar, na cabeça do seu antigo empregador e amigo, a ideia da criação de um Nobel da Paz.

Só a vontade de compor o livro parecia resistir ao vazio da informação. Mas o carácter caprichoso da escrita pode alterar o rumo traçado pelo autor. E a vida de Nobel ficava apagada em favor de personagens ficcionais de sentimentos exacerbados, numa trama em clima de atribuição dos prémios.

Denso como um policial, com aparente e intencional indefinição das personagens, é um dos livros de que mais gosto.  Agrada-me a montagem não linear, o jogo para descobrir os culpados no meio da urdidura. Há crime, sim, há ódios e invejas mesquinhas. Talvez por isso, e sem  demérito para o livro e para o trabalho que o envolveu, tenha vendido pouco. Não há tempo a perder  para descobrir o essencial. E só isso. Fraca razão para ser o livro com menos sucesso junto do público, que ironia.

A história, agora dizem estória, vinca a ideia de que tanto se ama como se odeia, numa alternância que pode ser quase diária e sem grandes considerações. Atropelar ou matar para se obter um privilégio, quase se tornou banal. Mas como nem só de rancores vive o homem, há lembranças gratas enaltecidas, valorização dos momentos bons da vida, amizades que ficam ou se fazem de novo. Focos de luz no negrume das intempéries.

E muita esperança em recomeços que possam perpetuar a História da Humanidade numa cadência sem convulsões.

Prémio Nobel da Paz em 2001, atribuído à Organização das Nações Unidas

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

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Não, não há Charleston.

Há guerra na Ucrânia.

Não há falta de álcool.

Há álcool a mais.

Não há Picasso, Dali, Scott e Zelda Fitzgerald, Josephine Baker e tantos outros. Não há Manifesto Surrealista, nem Gabrielle Chanel e o seu famoso Chanel nº5.

De paralelismo, só a procura do prazer, de usufruto da vida noturna e de renovação artística (se pensarmos em Joana de Vasconcelos, por exemplo).

Hitler publicava o seu “Mein Kampf”, Mussolini chegava ao poder. Hoje, os partidos de Direita ganham espaço (que medo…); a terceira guerra mundial é uma hipótese, o aquecimento global um problema… mas que se lixe. Tudo se dilui num qualquer festival de verão, numa concentração motard ou numa sardinhada em Portimão.

Cinema? Troquemos a Greta Garbo pela Barbie… Afinal, hoje o cinema já tem som e até é a cores e rosa é a cor do momento… e o Ken o protótipo de ‘Homem Ideal’. O Leonardo da Vinci era um “Velho do Restelo” que só pintava meios-sorrisos e precisava de fazer esboços antes de pintar um quadro…

Há 100 anos Gago Coutinho e Sacadura Cabral realizavam o seu voo intercontinental. Hoje, um IPhone faz maravilhas… e voa à velocidade da Internet.

Há 100 anos tivemos artistas como Max Ernst, Pablo Picasso, André Breton, Joan Miró, Man Ray, Marcel Duchamp, Salvador Dali, Paul Klee, Vassili Kandinski. Hoje temos…? Ah! Correntes de artistas de “sorrisos de tom histérico e perturbador”, de “cenas violentas de conflitos bélicos”, de “pinturas invertidas”, de “tropicalismo e parangolés” …. seja lá o que isso quer dizer.

Há 100 anos havia o Jazz, o Foxtrot, o Charleston, os Blues, o Swing… a época em que o bairro do Harlem, em Nova York, se tornava a capital da cultura negra. Bessie Smith, Duke Ellington e Bill “Bojangles” apresentavam-se no Cotton Club, no Baron’s e no Leroy’s.

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Hoje, tudo se substitui por um DJ… Umas coreografias de “resorts tudo incluído” e pronto. Toda a gente se mexe ao som de “Follow the leader, leader, leader… follow the leader…” e é o máximo!!!

Albert Einstein, Fernando Pessoa, James Joyce, o direito de voto das mulheres nos EUA, a Bauhaus, a Metro-Goldwin Mayer, o Surrealismo, o Cubismo, o Dadaísmo, o primeiro filme falado, a televisão, o Ford Model T… sei lá! Não saía daqui hoje!

‘Massacre na Coreia’ de Pablo Picasso

E hoje? Ora vamos lá a ver:

Hoje temos maravilhosos artistas urbanos que requalificam os bairros suburbanos com verdadeiras obras-primas… e cujos nomes desconhecemos.

Artistas de efémera arte em areia cujas obras achamos inacreditáveis … e cujos nomes desconhecemos.

Artistas que pintam a giz as calçadas das cidades por meia dúzia de tostões do transeunte que passa… e cujos nomes desconhecemos.

escultura na areia de autor desconhecido

Artistas que vemos no Youtube que se apresentam com uma guitarra, um violino, ou um instrumento mais peculiar a dedilhá-lo de forma exímia em plena rua… e cujos nomes desconhecemos.

E quem aposta nestes virtuosos? Ficarão para a História? Terão que concorrer ao Got Talent ou similar para terem algum reconhecimento?

Gerhard Richter, Yan Pei-Ming, Yue Minjun, Anselm Kiefer, Philippe Garel, Gérard Garouste, Martial Raysse, Miquel Barceló, Vladmir Veličović, Georg Baselitz, Pierre Soulages, Marlene Duma, Héio Oticica. Os tais dos “sorrisos de tom histérico e perturbador”, das “cenas violentas de conflitos bélicos”, das “pinturas invertidas”, das cenas de “tropicalismo e parangolés”. A sério. Alguém conhece algum destes artistas de renome deste século XXI? OK. Ao fim ao cabo, nestes “Loucos anos ’20 do século XXI”, quem se distingue?

pintura de Gerhard Richter

“And the Oscar Goes To…” Já sei! Aos políticos do costume…

Vladimir Putin. António Costa. João Costa (não poderia deixar de ser laureado. Afinal, sou Professor…). Ursula Von Der Leyen. Donald Trump. Joe Biden. Xi Jimping.  Christine Lagarde. Emmanuel Macron. Kim-Jong-Un. Lula da Silva. Jair Bolsonaro… Estamos “feitos ao bife” …

Desta maneira, não ficam para a História “Os Loucos Anos ’20 do Século XXI”, mas sim “Os Loucos DOS Anos ’20 do Século XXI” … se é que me fiz entender…

Que Mundo…

NÃO HÁ DIAS BONS NA VIDA DE MANUEL ILDEFONSO

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Manuel Ildefonso, cinco anos de luta pelo direito à habitação social, depois de ter ficado doente, sem amparo familiar, desempregado e despejado pelo senhorio.

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Manuel Ildefonso é um exemplo de resistência na luta contra o sistema. Não é possível ficarmos indiferentes ao que se passa com ele que apenas quer uma casa onde possa viver com dignidade.

O decreto lei que Manuel Ildefonso invoca é o 406/74, que por sua vez dimana dos direitos liberdades e garantias prescritos pela Constituição da República. Diz assim, no artigo 1: “A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou colectivas e à ordem e à tranquilidade públicas.”

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PORTO a 20 km/h

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A imposição é conduzir devagarinho. Tão devagarinho que dê cabo da paciência dos automobilistas e os automóveis passem a ficar em casa. Há um novo limite de velocidade em algumas ruas do centro do Porto: 20 km/h.

A regra vai abranger mais ruas, mas começa por se limitar a algumas artérias na freguesia da Vitória, na baixa da cidade. Depois desta fase experimental, conduzir devagarinho passará mais tarde a ser regra em todo o centro histórico, num projeto municipal conhecido por “Rede 20”.

Conduzir devagar poupa combustível, pneus e travões, ajuda a evitar atropelamentos e outros acidentes, mas a ideia principal é possibilitar que peões, trotinetas e bicicletas possam partilhar as ruas em pé de igualdade com condutores de automóveis. Parece um pouco bizarro, mas é essa a ideia.

Na opinião dos responsáveis pelas políticas de urbanismo da autarquia, o Porto “tem de mudar” e a mudança pretendida é dar prioridade aquilo a que se chama mobilidade suave: andar a pé, de bicicleta e de trotineta. Ou de transporte público.

Numa cidade algo escarpada, os cidadãos vão ganhar forma física, certamente.

SIM, OS ‘OVNIS’ EXISTEM

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24 horas depois do Congresso dos Estados Unidos ter realizado uma audiência pública sobre UAP – ‘fenómenos aéreos não identificados’, ouvindo depoimentos de diversos especialistas e investigadores que serão, agora, analisados pelos dirigentes políticos, o Projeto Stellar lembra que o fenómeno é global e não se mostra apenas nos EUA.

Os depoimentos que foram escutados pelos congressistas norte-americanos pugnam pela necessidade de haver transparência na informação que é recolhida e classificada como secreta. O Governo dos EUA parece encarar este assunto como uma questão de segurança do Estado e a justificação que foi dita no Congresso é que estamos perante tecnologia tão superior que nem a entendemos. E por isso, o medo.

Um dos ativistas de maior notoriedade é David Grusch, que trabalhou em análise de UAP para o Departamento de Defesa dos EUA.

David Grusch

Diz David Grusch que o Governo esconde evidências concretas sobre UAP, ao ponto de ter naves extraterrestres “intactas e parcialmente intactas” escondidas, sem que o Congresso saiba e sem qualquer informação pública sobre o assunto.

Esta audiência no Congresso dos EUA foi presidida pelo congressista Tim Burchett, notoriamente crente na existência de vida extraterrestre.

Em Portugal, o Projecto STELLAR é suportado por um grupo alargado de académicos e investigadores, de diferentes áreas do conhecimento, de diferentes países, que se dedicam a analisar casos de fenómenos anómalos não identificados. Este projeto nasceu no âmbito do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência da Universidade Fernando Pessoa.

ESCREVERAM NA PEDRA COMO SE FOSSE PAPEL

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Na frontaria de uma casa, no Beco Atrás da Igreja, povoação de Cimbres, concelho de Armamar, está uma placa de granito róseo, com pequenas áreas brancas; ostenta uma inscrição que parece ter sido pensada para ser passada para o papel.

Estranha-se, de facto, esse tipo de escrita assim, em minúsculas cursivas, gravadas numa pedra, como que a copiar o rascunho que ao canteiro foi apresentado.

A casa ostenta, sobre uma das janelas, a data de 1850, com uma cruz a meio do número e, nestoutro letreiro, houve a preocupação de imitar o enquadramento do letreiro: a inclusão num rectângulo, lateralmente enfeitado por um triângulo de cujo vértice exterior saem três volutas. A superfície inscrita tanto no caso do letreiro como no da data foi pintada de vermelho.

A mesma data, mas sem pintura, embora com idênticos ornamentos, está na verga da porta, em numeração ‘romana’: MDCCCXXXXX.

Essa identidade decorativa leva a crer que as inscrições foram feitas ao mesmo tempo, datando-se, por isso, de meados do século XIX. Só, porém, uma consulta da matriz predial nos poderá elucidar com maior segurança do que se terá realmente passado, pois, a uma primeira vista, há a impressão de ser escrita anterior a essa data. Poderia, por exemplo, ter estado na casa anterior, que foi demolida para dar lugar a esta ou se encontrava noutro lugar e o proprietário achou que ficava bonita ali. A semelhança das duas inscrições não deixa, porém, de ser sintomática e 1850 não está assim tão longe no tempo para que uma investigação não possa vir a dar resultados satisfatórios.

O imóvel pertence a Manuel João Cunha Santos Cruz, que apenas sabe que foi comprado pelos seus pais a pessoas que viviam no Brasil. Na monografia Armamar, Terra e Gente, da autoria de J. Gonçalves Monteiro, publicada pela Câmara Municipal em 1999, o letreiro não é referido. Terá passado despercebido, como amiúde acontece, ou, atendendo a que se trata de um texto deveras difícil de entender, preferiu-se ignorá-lo. Nesta tentativa em que andamos de dar a conhecer tudo o que se nos afigura fora do comum e digno de atenção, decidimos encará-lo.

E não foi acareação fácil esta, diga-se desde já. Começámos pela última linha, que se lia bem: Aqui se fes esta hobr(a). Letras de boa caligrafia, de facto, como se estivesse a escrever em papel, inclusive lançadas para a frente.

O problema surgiu quando se olhou para as linhas anteriores onde se presumia que houvesse informações complementares: porventura, uma data, a identificação da pessoa ou entidade de quem partira a iniciativa da obra e o seu objectivo.

Logo a 1ª linha nos confundiu: será C a letra inicial? om ano pareceu-nos bem, até porque se postulava uma data e a palavra ‘ano’ vinha mesmo a calhar. Sucede que, de seguida, há um traço coleante cujo significado desconhecemos, depois d, um s deitado, C maiúsculo e um r como o que se lê mesmo no final do letreiro.

A linha 2 parece começar por dois ii; depois O ou 0, um 2 ou um z. Aliciante seria ler 1102, mas não ousamos. Os não poder afigura-se-nos seguro.

Na linha 3, bra por os im LLII – seria leitura possível; de significado enigmático, todavia.

Incapazes de decifrar a ‘charada’, pedimos ajuda a colegas paleógrafos, pois que, na verdade, se tratava de uma escrita cursiva e o paleógrafo disso entende mais do que o epigrafista que lida de costume com letras maiúsculas.

Foi o Doutor Mário Barroca, bom conhecedor da epigrafia medieval e até de épocas posteriores, quem, mui gentilmente, se disponibilizou a vir em nosso auxílio (bem haja!) e, embora reconheça que a sua interpretação pode infirmar de alguma dúvida, optou por ler o seguinte:

…tom casa marcar

por as nao poder

transpor as(s)im. LLM

Aqui se fas esta hobrª

            E comentou:

«Creio que seria um lintel do portão de entrada na propriedade. A primeira palavra, pelo sentido, seria “Mandou”, mas não sei se foi isso que foi gravado. Na terceira regra creio que será uma abreviatura  – L.L.M. – talvez as iniciais do nome do proprietário. A inscrição é seguramente mais antiga que o ano de 1850».

Ou seja, não deixa de ser esta uma opção com sentido: a obra constituiria, pois, não a casa mas o acesso a ela. Mais uma prova, portanto, de que o construtor do actual imóvel trouxe a placa doutro sítio, porque, sendo assim, deveria estar sobre o portão. Veja-se, de resto, que o granito da placa não é da mesma lavra do do resto do edifício.

Mensagem decifrada a contento? Desta vez, apenas verosímil. Decerto também para fazer a vontade de quem mandou gravar e assim quis que ficasse: hão-de parar diante de mim, quererão saber o que eu lá mandei escrever, abanarão a cabeça, retomarão o caminho e ficarão mesmo sem saber ao certo porque é que eu – L. L. M. ? – quis fazer esta obra. Mais: nem sequer saberão bem que obra foi essa a que eu quis meter ombros!

Em 1850? Essa é outra parte do mistério!… Temos fes com s e não com z, temos hobra com h inicial. Podem ser reflexos de uma oralidade que não tem correspondência na correcção da grafia; mas também podem indiciar a época em que se escrevia assim. E conseguirá saber-se qual? Uma pesquisa na Internet permite verificar, por exemplo, que, num texto castelhano do século XIX, se escreveu ‘hobra’: buena hobra, mano de hobra. Pode ter sido mera coincidência. Também não será, porventura, difícil – para quem manusear bem essa documentação – encontrar passagens em que o verbo ‘fazer’ esteja grafado com s e saber quando se começou a escrever com z.

O desafio aqui fica aos linguistas.

Artigo em co-autoria com José Carlos Santos