Início Site Página 507

Confinamento eterno

1

O governo português e outros cinco países europeus, à semelhança do que a China fez, querem desenvolver aplicações para telemóvel que permitam rastrear os movimentos das pessoas, com quem nos encontramos, com quem falamos quando nos sentamos numa esplanada ou numa sala de reuniões no interior de um edifício qualquer.

vídeo

O combate à pandemia está a ter consequências muito para além da saúde, da economia, do ensino, enfim, muitos setores económicos e sociais têm sido afetados mas há questões de que ninguém fala e, com o tempo, serão as questões onde iremos ter maiores mudanças e consequências. Estou a falar, basicamente, da Liberdade.

O governo português e outros cinco países europeus, à semelhança do que a China fez, querem desenvolver aplicações para telemóvel que permitam rastrear os movimentos das pessoas, com quem nos encontramos, com quem falamos quando nos sentamos numa esplanada ou numa sala de reuniões no interior de um edifício qualquer.

Quais são os países: Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal. Este entendimento foi obtido numa reunião recente dos membros dos governos destes países responsáveis pelas áreas da digitalização… não foram ministros da saúde que acharam bem as aplicações de rastreamento… foram pessoas que trabalham na digitalização… no caso português estamos a falar do secretário de estado para a transição digital, ministério da economia e da transição digital.

Portanto, a motivação dos governos não é a questão da saúde pública… o que os motiva é a saúde da economia. Nada que na verdade não soubessemos já.

Mas estes membros do governo quando concordam em impor às pessoas o uso de uma aplicação que transmita em permanência onde estamos e com quem estamos, usam argumentos que podem ser válidos para as questões da saúde pública. Vou ler:

– “Com base nos trabalhos de epidemiologistas, encaramos a tecnologia como uma ferramenta útil do nosso tempo”

– “as aplicações de alerta e de rastreamento são um elemento importante na identificação das pessoas interligadas e podem limitar a propagação da doença e interromper as cadeias de transmissão, acelerando o processo de notificação das pessoas”

– O desafio “é desenvolver soluções técnicas eficazes para além das fronteiras dos Estados-membros, levando em consideração as especificidades nacionais”

Ou seja, a vigilância não ficará circunscrita ao espaço nacional, quando viajarmos continuaremos sob vigilância através dessas apliações que eles querem desenvolver – provavelmente já mandaram alguém produzir essas aplicações.

Em que é que isto colide com as nossas liberdades? Em tudo.

No início sei que a coisa será apresentada como uma necessidade para combater a atual pandemia, mas depois não será dificil encontrar novos argumentos, a saber: a necessidade de combater o terrorismo (todos somos suspeitos de sermos terroristas), a necessidade de conter sublevações da ordem pública (eles passarão a saber com rigor quem foi a uma manifestação), ou a necessidade de combater a criminalidade (todos somos assassinos ou assaltantes de bancos em potência)…

No início sei que a coisa será facultativa, até certo ponto… só usa quem aceitar, mas à medida que as pessoas se forem deixando convencer pela necessidade, pelo marketing e pela pressão social, quando esse número for relevante, passará a ser obrigatório sob um pretexto qualquer que na altura irão inventar.

É assim, vai ser assim, que seremos controlados.

No tempo da União Soviética, quando um estrangeiro chegava a Moscovo, entregavam-nos um impresso oficial que dizia no rodapé “é proibido perder este documento”. É proibido perder…

Daqui a um tempo, neste tempo de pós-democracia, iremos receber telemóveis que não poderemos perder com uma aplicação que não poderemos apagar. Será uma espécie de confinamento eterno.

Manifesto pelas Artes

0

Todas as atividades económicas e sociais estão a ser afetadas pelas medidas de combate à pandemia covid-19, as artes e espetáculos não fogem a essa regra. Os museus só agora estão a reabrir, mas as salas de teatro, os cinemas, as exposições ainda continuam encerradas.

Milhares de artistas, atores, encenadores, técnicos e outros profissionais, continuam ser atividade e, em muitos casos, sem qualquer rendimento e sem qualquer apoio do Estado. E é neste capítulo dos apoios que a situação destas pessoas se diferencia da maioria dos demais.

Por causa disto, um grupo de pessoas lançou um manifesto que circula pela internet, que alerta os poderes públicos e políticos para reforçar “em todos os campos” as artes, aquando do levantamento das restrições às salas de espetáculos impostas pela covid-19.

Entre os primeiros signatários encontram-se o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, o encenador Castro Guedes, o escritor Fernando Dacosta, o artista plástico João Baeta, o cenógrafo José Carlos Barros, a psicanalista Luísa Branco Vicente, o musicólogo Mário Vieira de Carvalho, o economista Ricardo Paes Mamede, o programador cultural Nuno Higino e Luís Humberto Marcos, jornalista.

O manifesto pode ser assinado por quem quiser solidarizar-se com os artistas e demais profissionais do setor e a recolha de assinaturas irá prolongar-se online em artesalerta.com até domingo, pelas 20:00, para ser entregue “emblematicamente” a 1 de junho, dia de reabertura, ainda que previsivelmente com muitas restrições, das salas de espetáculo, durante a terceira fase de desconfinamento.

Os autores do manifesto, dizem saber que as transferências das expressões artísticas para o mundo digital é uma forma de manter as expressões artísticas perto do público, mas consideram que será errado subalternizar as artes em presença física.

Na missiva é ainda referido o papel da arte como “meio de combate à síndrome pós-traumática” da situação e “essencial às retomas económicas e sociais; e à preservação da condição humana: como dar uma flor a uma criança ou ser capaz de ir à Lua”.

“Será uma excelente oportunidade para fazer as artes e a cultura, em presença, saírem de um Estado de Calamidade, anterior à pandemia”, referem.

O documento será entregue aos presidentes da República e da Assembleia da República e ao Primeiro-Ministro, bem como à ministra da Cultura, grupos parlamentares de representação democrática, comissão parlamentar da área da Cultura e à Associação Nacional de Municípios para distribuição por todas as presidências e vereadores da Cultura das Câmaras Municipais portuguesas.

Um euro por português

0

Se houve algo de evidente a retirar desta pandemia que nos tem afligido nos últimos meses foi a descoberta do pouco que cada português vale, na realidade.

Português que se preze tem sempre uma opinião abalizada, definitiva, incontestável que vai recolher na opinião publicada ou nos debates televisivos.

Opta por um jornal, ou por um comentador, e as opiniões destes passam a ser dogmas.

O facto do Quociente de Inteligência dos jornalistas, ou comentadores, que lhes servem de “mestres”, ser notoriamente abaixo do normal, apesar de ser evidente o baixo nível cultural da maioria dos que ocupam os espaços de opinião na nossa comunicação social, não impede que a maioria das discussões se decida com a frase: “é só leres o que o jornal diz” ou “foi o que ouvi na televisão”.

O jornal e a televisão passam à categoria de seres supremos.

Não quem nele escreve, não quem nela opina, mas “o” jornal e “a” televisão.

Os políticos sabem isso e, logicamente, temem a “opinião publicada”.

Porque, sabem, depressa se transforma em “opinião pública”.

Disfarçam dizendo que respeitam o pensar, ou o sentir, do Povo.

Na realidade só temem a imprensa.

O autarca, no caminho de casa para o local de trabalho, pode passar cem vezes com a roda do carro no mesmo buraco ao longo de meses. Este só será tapado no dia em que o jornal da terra publicar a fotografia com uma legenda de três linhas.

O deputado pode faltar cem vezes num ano, com a sua presença a ser assinalada por um companheiro ou funcionário, que só será obrigado a explicar-se se alguma estação de rádio der a notícia.

Um ministro pode ter um curriculum analisado e aprovado por todos os membros de todas as instâncias – muitos deles conhecedores de todo o trajecto do governante – até que um canal de televisão venha provar que o senhor doutor só tem o 12º ano. A partir daí tem que se explicar.

Estes escândalos foram diminuindo, ao longo dos anos, não por haver agora gente mais séria mas porque, actualmente, na maioria dos casos, são as administrações, e não os jornalistas, a ditar as regras de conduta das redacções.

Quem escreve não tem autonomia para além de redigir uma notícia nos moldes em que lhe é ditada.

A imprensa está, praticamente, na mão de multinacionais ou grandes empresas mais interessadas em que os seus jornais, rádios e televisões sirvam os seus interesses do que a verdade.

O Poder, que tem assim a possibilidade de conhecer bem quem são os seus potenciais inimigos, preocupa-se mais com a maneira de os satisfazer do que com a obrigação de governar em prol do bem público.

E mais fácil agradar aos magnatas da Imprensa do que a todo o Povo.

Só isto justifica o silêncio em relação aos milhares de milhões de euros roubados na banca – sem um único condenado – aos escândalos com desfalques astronómicos como os casos dos submarinos, siresps, Freeport, vistos gold, etc., etc., etc..

Os mesmos jornais que enchem as primeiras páginas com parangonas com assaltos a cafés, bombas de gasolina e supermercados esqueceram, há muito, os processos da banca, das empresas de telecomunicações, da corrupção de políticos.

Hoje, com a quebra de receita em vendas e publicidade, causada pela situação de pandemia em que vivemos, não tiveram os empresários da comunicação social, qualquer pejo em exigir (mas exigir mesmo) que o Estado os apoiasse com dinheiro.

Nem este teve qualquer problema em se ajoelhar e ceder.

Resta a consolação de sabermos que esta gente se vende por pouco.

Com onze milhões e duzentos e cinquenta mil euros o Governo comprou mais uns meses de notícias abonatórias.

Pouco mais de um euro por português…

Valha-nos a Santa Internet, e os jornais on line, refúgio dos que querem informação sem filtros.

Ana Gomes?

0

Os partidos políticos serão, sempre, a base de qualquer democracia.

Em Portugal, porém, verificou-se uma profunda deterioração de regras de funcionamento, que conduziu a uma progressiva descrença na regeneração do nosso sistema político, sentimento hoje partilhado por milhões de cidadãos.

O mundo evoluiu vertiginosamente e os espectros partidários sofreram incríveis mutações, por toda a Europa.

Aqui, porém, assistiu-se à lenta agonia dos novos movimentos que pretenderam federar descontentamentos e protagonizar mudanças, todos caídos nos mesmos vícios das organizações que diziam querer substituir.

Perante estes fracassos, o poder ficou ainda mais à mercê de clãs de “jotinhas” sem ideias nem ideais, que apenas nos conduzem ao caos e a progressivo desajuste com o mundo real e com os valores tradicionais que fazem parte da nossa identidade.

Há quase um século que, em Portugal, as eleições presidenciais se revelam como estreitas nesgas para expor fragilidades e abanar poderes por demais incapazes de esconder o laxismo e até a incompetência e a corrupção.

Altamente condicionada por uma “censura” imposta pelos poderes político-económicos, é também nessas alturas que a comunicação social costuma libertar algumas pressões por demais conhecidas e denunciadas.

Foi perante a tentativa de silenciamento de um debate sério, sobre as alternativas que se colocam a Portugal nas próximas presidenciais, que surgiu a “revolta” de Ana Gomes, cidadã que conseguiu ganhar algum mediatismo na defesa de causas populares, não raro em confronto com poderosos.

Os atuais detentores do poder, jogando em sintonia, estão convencidos que as eleições de janeiro serão “favas contadas”.

Esta candidatura, porém, não lhes retira o otimismo.

Existe um caminho longo a percorrer e é possível que Ana Gomes se desligue das tricas do PS e apresente um projeto que possa mobilizar os milhões de portugueses que aspiram por um Presidente patriota, capaz de impor as mudanças inadiáveis, travar a pilhagem e repor o normal funcionamento das Instituições.

Um Presidente firme nas suas convicções, que preze o serviço público e valores como a Justiça e a Educação, que defenda uma classe média forte, que se distinga por uma vida em prole dos Direitos Humanos e no combate à exclusão social, que promova a investigação e a inovação, que respeite a ciência, a cultura e as artes nas suas diversas vertentes e que apoie intransigentemente o SNS.

Não por ânsia de protagonismo pessoal, mas na defesa intransigente dos valores sagrados consignados na Constituição que jurará defender, lançando um debate aberto e livre sobre todos os problemas do presente e os caminhos do futuro e congregando à sua volta todas as organizações da sociedade civil, partidos e não só, independentemente de serem popularuchas e da sua simpatia.

Ana Gomes, uma personalidade algo controversa, tem ainda algumas semanas para se revelar como polo aglutinador e não como mais um foco de divisão. Condição necessária a poder derrotar nas urnas um Presidente que se encontra altamente desgastado e que, até agora, só foi confrontado por cidadãos que se demarcam pelas posições que os portugueses mais detestam: demagogia inconsequente, racismo quase clubista e tiques de um fascismo que não volta atrás.   

Mergulhado Portugal num “pântano”, é com amargor que vejo crescer o predomínio de interesses convergentes que, firmes no seu castelo, continuam à prova dos “robins dos bosques” que, episodicamente, aparecem a rondar-lhes as muralhas.

Veremos, nas próximas semanas, se uma Ana Gomes serena, firme e sem crispações desaconselhadas, consegue entender os ecos da sociedade e rodear-se de pessoas que expressem a sentir e o querer de milhões de portugueses de boa vontade e de todos os quadrantes políticos.

Não precisamos de um candidato contra André Ventura mas sim de quem se proponha derrotar aquilo que Marcelo representa.

Se a candidatura de Ana Gomes não se vier a confirmar como renovadora e credível, poderá, contudo, vir a ser o ponto de partida para uma outra que possa vencer e presentear o povo português com um futuro que bem merece. 

Veremos o que o futuro próximo nos reserva.

Praias cheias, apesar do covid-19

0

Sábado de calor e logo pela manhã o Presidente da República foi até à praia dos pescadores em Cascais dar um mergulho e nadar um pouco, com pelo menos um canal de televisão em direto. Ir à praia é uma espécie de rotina para Marcelo que tinha sido quebrada pelas regras do distanciamento social e confinamento decretadas no combate ao covid-19.

Agora que o governo aliviou o desconfinamento imposto aos cidadãos, Marcelo não perdeu tempo. Marcelo e milhares, muitos milhares de portugueses que lhe seguiram o exemplo.

As praias da zona de Lisboa encheram, segundo os relatos que foram sendo recolhidos por inúmeras equipas de reportagem de televisões, rádios e jornais, tornou-se difícil cumprir com o distanciamento exigido de se manter um espaço de 1,5 metros a 2 metros de distância entre pessoas.

Nem no mar, nem no areal: o distanciamento recomendado aos banhistas nas praias da Linha de Cascais esteve longe de ser cumprido, principalmente quando a maré subiu e o areal diminuiu de tamanho.

Em Cascais, durante o dia, com temperaturas a rondar os 30 graus, tanto na praia de São Pedro do Estoril, como na vizinha das Avencas, a afluência de banhistas superava aquilo que poderia ser o desejável tendo em conta as recomendações do Governo no acesso às praias em tempo de pandemia.

A distância física entre os utentes deve ser de 1,5 metros e entre chapéus de sol, toldos ou colmos de três metros, mas não foi isso que se viu.

Apesar de o Governo ter marcado a abertura do período balnear para 06 de junho, pode ir-se à praia, após a resolução do Conselho de Ministros que prorroga a declaração da situação de calamidade, no âmbito da pandemia da doença covid-19, datada de dia 17 de maio.

Alguns ainda tentavam o distanciamento, mas tendo em conta o espaço disponível ficava difícil estender a toalha suficientemente longe da toalha vizinha.

De acordo com o plano de desconfinamento e durante a época balnear, na utilização do areal das praias estão “interditas atividades desportivas com duas ou mais pessoas, exceto atividades náuticas, aulas de surf e desportos similares”.

Mesmo em Carcavelos, uma praia de maiores dimensões, o areal ficou cheio de banhistas, pranchas de surf, baldes e cestos de piquenique.

No mais recente “briefing” do Conselho de Ministros, na passada quinta-feira, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, foi questionado sobre as regras do acesso às praias. Segundo disse, na altura, o que ficará claro no decreto-lei que ainda não foi publicado, é que “no caso de haver um incumprimento reiterado”, ou seja, “um, dois, três dias seguidos” em que a lotação da própria praia é ultrapassada, “por razões apenas de saúde pública, essa praia poderá ser encerrada”.

O ministro afirmou que “o acesso à praia é livre”, mas “tem de ser feito com segurança.

Hoje, domingo, mais um dia de calor, as praias voltarão a encher-se de gente.

Quando a distância nos aproxima

0

Em algumas empresas, parece que o teleworking pode ser definitivo. Era já uma prática comum em muitos países desenvolvidos. No ensino, a realidade é nova, por cá, forjada à pressa pela necessidade de confinar em época de pandemia. A adaptação inicial foi stressante, pelos timings apertados e pela proliferação de exigências que passavam não só pela rede de contactos como pela quantidade de instrumentos online, desde a intensificação dos e-mails a aulas e reuniões por videoconferência e ainda o domínio de plataformas diversas.

Neste E@D, verificam-se vantagens e desvantagens. Talvez como em tudo, do ponto de vista puramente profissional e do ponto de vista mais pessoal, que invariavelmente surge nas profissões e trabalhos que nos fazem lidar com muitas pessoas diariamente.

Neste momento, não tenho saudades da escola, enquanto local de trabalho. Não tenho saudades do barulho, da agitação, da indisciplina própria de grupos de adolescentes, dos intervalos a correr, das caras tensas ou sisudas de alguns colegas, da falta de entreajuda generalizada, do gastar gasolina, do levantar cedo de manhã e estar aflita com o primeiro toque, da sensação à noite do dia anterior, especialmente aquela que nos faz começar a detestar a parte final de domingo.

Tenho-me habituado a uma certa acalmia, depois da pressão brutal inicial e que terá durado para aí um mês, a esta rotina com mais sossego, tenho apreciado aulas síncronas, funcionam bem em inglês ( comecei-as já antes da Páscoa), tenho restabelecido alguma energia física e mental, apesar de tudo e nesta fase, até me apetece escrever mais, que é um sinal claro que desligar do ambiente desgastante de uma escola no dia a dia me dá logo.

Do que tenho saudades? Bom, de alguns colegas homens, os que são empáticos, divertidos e com quem me identifico na forma de ver o ensino e até a vida, de algumas colegas mulheres, com quem se conversa bem e se pode dizer uns disparates e aliviar, gente com quem se pode dar uma gargalhada e espantar o negativo. E tenho saudades dos meus alunos, sobretudo dos miúdos do 8 º ano.

Não tenho saudades da sua conversa incessante (porque não se calam?), não da entrada na sala de aula (quem conhece, sabe que apetece logo fugir), não da barullheira que fazem nos corredores (o ruído, o ruído…) mas dos afetos deles, dos abraços dos mais pequenos, mais meiguinhos ou corajosos que vêm sempre pedir e dar abracinhos deliciosos e que fazem um reboost no nosso sistema afetivo. Depois de praticamente uma década bastante diferente em termos escolares, ligada ao ensino profissional apenas, este ano tenho sido muito feliz com estes miúdos. Com uma satisfação preciosa, apercebi-me de que como me divertem e fazem bem, confirmei como me sinto bem no meio da miudagem, de como me reconciliam com tanta coisa. Reconciliaram-me com a escola e isso não é pouco, é muito.

Estes miúdos têm correspondido a tudo o que lhes é pedido,  estão sempre a procurar melhorar, enviam e-mails com dúvidas e com as tarefas realizadas muito antes do tempo limite. E gostam de inglês, muitos passaram a gostar mais de inglês, e constatar isto é motivante e compensador. Há uns dias, uma aluna do 8º ano dizia: “Nesta quarentena tenho aprendido tanto inglês, professora. Sei mais palavras, porque faço os trabalhos todos, uso a internet e estou mais concentrada.”  Outra particularidade é que muitos ficam para além do termo das aulas síncronas por sua vontade. Fazem surpresas e dizem coisas boas. Querem conversar, rir, dizer coisas, estabelecer pontes. Alguns estão desejosos de regressar à escola. “Queremos ver os amigos, estar nas aulas, afinal a escola é uma coisa boa.” Outros dizem que não se importam de estar em casa mas que andam aborrecidos e que sentem algumas saudades dos colegas e também dos seus professores.

No meio desta transformação inesperada e com lacunas, é certo, mas também com frutos, as minhas saudades vão, também, fundamentalmente para eles, a nível profissional e sobretudo humano.


Reabrem as feiras de Lisboa

0

As feiras de fim-de-semana em Lisboa vão reabrir já. Este sábado, as feiras da Ladra, Relógio e Galinheiras retomam a atividade, dois meses depois de terem sido suspensas devido à pandemia covid-19.

O anúncio foi feito pela autarquia lisboeta que avisa, no entanto, que a etiqueta respiratória, o uso de máscaras e o distanciamento social devem ser cumpridos por todos os feirantes e clientes, realça a autarquia, acrescentando que, nas feiras onde são comercializados produtos frescos, “deverão ser os comerciantes a manuseá-los na altura do atendimento”.

No caso das feiras da Ladra e do Relógio, o horário mantém-se inalterado: das 07:00 às 18:00 e das 07:00 às 14:00, respetivamente. Já a Feira das Galinheiras passa a abrir às 08:00 e a encerrar às 14:00.

A CML avisa, ainda, que “só será permitido o acesso a feirantes permanentes e está prevista a deslocalização de alguns feirantes para garantir o distanciamento”.

“Não serão autorizados os feirantes ocasionais. No caso da Feira das Galinheiras, haverá controlo do número de entradas uma vez que esta feira se realiza num recinto fisicamente delimitado”, acrescenta a autarquia.

Bloco quer conhecer contrato de venda do Novo Banco

0

Segundo a agência noticiosa Lusa, o Bloco de Esquerda pediu que o Fundo de Resolução envie urgentemente para a Assembleia da República o contrato de venda do Novo Banco.

O pedido foi feito à Comissão de Orçamento e Finanças e justificado “em nome da decência e do rigor”, para que as decisões do governo possam ser devidamente avaliadas e escrutinadas pelos deputados.

“O contrato de venda do Novo Banco não é conhecido e nós vamos ouvindo os argumentos do Governo sem que esses argumentos possam ser verificados porque são baseados num documento que é confidencial”, disse Mariana Mortágua citada pela Lusa.

O que terá despoletado esta quezília com o governo foi a última transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco, que o governo anteriormente se tinha comprometido a realizar apenas depois de se saber os resultados de uma auditoria em curso à gestão do banco.

Foi em 7 de maio que o primeiro-ministro disse, no parlamento, que “a auditoria está em curso e até haver resultados da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução para esse fim”, mas horas depois sabia-se que a transferência de 850 milhões já tinha sido feita, alegadamente por imperativos contratuais.

O Bloco quer, agora, conhecer os pormenores desse contrato.

Covid-19: enfermeiros infetados sem salário

1

Enfermeiros infetados pelo covid-19 estão sem salário, acusa a Ordem dos Enfermeiros em comunicado divulgado hoje.

A denúncia fala em “cortes significativos” ou mesmo ausência de vencimento, e exige “medidas urgentes” ao Governo.

Trata-se de “uma situação inadmissível”, afirma a Ordem dos Enfermeiros, que não pode deixar de repudiar e denunciar, exigindo medidas urgentes ao Ministério da Saúde e ao Ministério do Trabalho”.

 A Ordem dos Enfermeiros recorda que já tinha enviado no passado dia 27 de abril um ofício aos dois ministérios a alertar para esta situação.

A Ordem dos Enfermeiros diz que “não reconhecer formalmente a covid-19 como doença profissional, fazendo depender a sua caracterização de nexo causal exigível para as restantes doenças, é manifestamente injusto, oneroso e desumano para todos aqueles que asseguram cuidados de Saúde, em particular em fase de emergência de saúde pública internacional”.

No comunicado vem o exemplo um casal de enfermeiros que, cada um, recebeu este mês apenas 60 euros de remuneração, referentes a horas realizadas em meses anteriores.

“O mínimo exigível é que as instituições salvaguardem os vencimentos dos profissionais infetados a 100%, face ao enorme esforço que lhes é exigido, uma vez que estamos perante uma dupla penalização: enfermeiros que sofrem pela doença e agora com cortes nos seus rendimentos”, defende.

“Está em causa a sobrevivência da nossa única linha de defesa, aqueles que cuidam da vida de todos nós. É desumano, vergonhoso e inaceitável”, afirma o vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros, Luís Barreira, que assina o comunicado.

Segundo dados divulgados pela ministra da Saúde na passada quarta-feira no Parlamento, há 3.259 profissionais de saúde infetado, 480 dos quais médicos e 1.069 enfermeiros.

Touradas sem apoios covid-19 (vídeo)

0

Debate quinzenal na Assembleia da República.

André Silva do PAN atirou-se à tauromaquia como gato a bofe, o primeiro-ministro fez uma “chicuelina” perfeita.

Não há mais dinheiro para os verdadeiros artistas, para apoiar os sócio-gerentes de pequenas empresas, não há dinheiro para a polícia e GNR, mas os toureiros queriam ter apoios extraordinários à pala do covid-19.