Um dos sindicatos da Guarda Prisional parece que pretende substituir-se aos médicos de medicina legal, aos investigadores da Polícia Judiciária e até aos tribunais, avançando já com conclusões sobre a morte de 28 reclusos nos primeiros seis meses deste ano.
Foi numa entrevista à CMTV que foram transmitidas as conclusões destes guardas prisionais: os reclusos morreram por causa do consumo de droga.

Segundo o que foi dito nesta entrevista, os reclusos morrem por overdose, as cadeias estão inundadas com uma droga conhecida por K4, um produto sintético difícil de detetar porque pode ser pulverizado em folhas de papel. Estes guardas prisionais advogam que toda a correspondência seja aberta e fotocopiada, de modo a evitar que as folhas impregnadas com a droga cheguem aos reclusos. O mesmo para a roupa, embora não se perceba como é que a droga impregnada na roupa possa ser consumida… o papel misturado com tabaco pode ser fumado, fumar roupa parece-nos mais complicado.
Em comunicado, a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) garante que “não pode aceitar, nem aceitará, que esse grave problema possa ser usado para justificar a aplicação de medidas que iriam tornar ainda mais difícil o dia-a-dia dos reclusos – a imensa maioria dos quais não usa nem tolera drogas”.
A APAR considera que este sindicato espalha “informações alarmistas” das quais não apresenta “qualquer prova da veracidade” e que apenas está interessado em limitar, ao máximo, qualquer tipo de atividade dos reclusos.
A polémica já tinha antes transbordado para a opinião pública. Em 15 de maio, a Associação Vida Justa promoveu uma manifestação à porta do Ministério da Justiça, para protestar contra o estado a que isto chegou no interior do sistema prisional, entregaram uma carta à ministra que prometeu mandar investigar todas as mortes de reclusos.


Na altura, a Vida Justa lembrou os casos de Danijoy Rodrigues, Daniel Pontes, Miguel Cesteiro, Gabriel Facha, Iuri Rafael Mendes, Jorge da Conceição Dias dos Santos e Carlos Teixeira (encontrado morto a 15 de março de 2026 no Estabelecimento de Alcoentre), alguns dos nomes de “mais 300 pessoas que morreram no sistema prisional português nos últimos cinco anos”. É muita gente a morrer.
Dias depois, o jornal Público avançava com uma manchete que denunciava o problema.




