O gesto ficou em suspenso, a escova numa mão e a chapinha alisadora na outra. As marcações foram canceladas, os fornecimentos adiados.
Cinquenta e dois dias de porta fechada, à espera. E os salários? E a renda da loja? E as contas da água, do gás, da electricidade, que se pagam sempre com um mês ou dois de atraso? E o futuro? E a saúde? E as clientes?
Reabriram com novas regras de distanciamento, de gestão do negócio. Agora, só com marcação e em lojas mais pequenas o espaço mal chega para uma ou duas clientes de cada vez. Mais as luvas, as máscaras, as telas, o gel.
E na caixa registadora? Pouco, mas pouco sempre é melhor que nada.
No velória de Fernanda lapa, em vez de flores, donativos para a família de Bruno Candé, é o pedido da familia da atriz falecida ontem no hospital de Cascais.
A Escola de Mulheres, companhia que Fernanda Lapa dirigiu desde a sua fundação, em 1995, informou que o velório da atriz e encenadora se realiza esta sexta-feira, 7 de agosto, a partir das 17h00, no espaço Escola de Mulheres [Clube Estefânia], situado na Rua Alexandre Braga, 24 A 1150-004, em Lisboa.
Foi ainda referido que a cremação terá lugar amanhã, sábado, 8 de agosto, no Centro Funerário de Cascais, em Alcabideche, às 18h00. O corpo sairá do Clube Estefânia às 16h30.
No comunicado é ainda referida a vontade da família da atriz, no que diz respeito às homenagens. “Por vontade da família apelamos a todos aqueles que queiram enviar flores, que em vez disso enviem um donativo para a família do ator, recentemente assassinado, Bruno Candé Marques”, pode ler-se.
O domicílio dos jornalistas substituiu as redações. O número dos profissionais que não faz reportagem aumentou. Uma percentagem significativa de jornalistas enfrentou, durante o Estado de Emergência, as consequências do lay-off e viu os seus rendimentos ou os do seu agregado familiar diminuírem. As expectativas sobre a profissão baixaram significativamente. A crise sanitária aumentou as preocupações com princípios deontológicos, como o rigor da informação. A tendência de precarização e a crise dos média agudizaram-se.
Estas são as principais conclusões do Estudo sobre os Efeitos do Estado de Emergência no Jornalismo no Contexto da Pandemia Covid-19, que inquiriu 890 jornalistas em Portugal, entre os dias 22 de maio e 8 de junho de 2020. Desenvolvida por investigadores do Centro de Administração de Políticas Públicas e do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra, esta pesquisa foi realizada numa parceria com a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, o Sindicato dos Jornalistas e a Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação.
The U.S. Supreme Court confronts the digital age again on Wednesday. At issue is whether police have to get a search warrant in order to obtain cellphone location information that is routinely collected and stored by wireless providers.
Não se sabe qual o número de entidades e agências que estão a escutar os telemóveis dos portugueses, embora “só” 19 serviços estejam autorizadas a fazê-lo.
Paula Teixeira da Cruz, há 5 anos, quis acabar com este “regabofe” e centrar as escutas na Polícia Judiciária, mas foi travada por uma desconhecida Ministra da Administração Interna.
Muitos de nós já sentimos o desconforto de ouvir barulhos estranhos e ecos durante os nossos telefonemas. Pinto Monteiro, quando foi Procurador-geral da República admitiu em público esse incómodo.
Mas o pior acontece quando os “escutadores” fazem comentários boçais e jocosos audíveis. O descalabro é tal, que uma leitora, ao contactar um jornalista, disse sem hesitação “pelo telefone não quero falar, falamos pessoalmente, não se importa?”
Na altura em que Paula Teixeira da Cruz, mulher desassombrada, levou o assunto a peito e declarou ao Expresso, a 24 de Janeiro de 2015, que «quando falo para o telefone, falo como se estivesse a falar para um gravador».
A então ministra da Justiça não queria que uma simples esquadra da PSP ou a Autoridade Tributária andassem a meter o “bedelho” na vida dos cidadãos. Se o caso pedia escuta, então deveria ser a PJ a executá-la, com as devidas autorizações judiciais e seriedade que a caracteriza.
Curiosamente no rol dos 19 serviços e polícias autorizadas a fazer escutas, não consta o Serviço de Informações e Segurança (SIS) nem o Serviço de Informações de Defesa e Estratégicas Militares (que agregou a DINFO), mas está a Divisão de Informações da PSP.
O SIS e o SIEDM têm, no entanto, um “modus operandi” muito próprio de justificações “ante e à posteriori”. Ladeiro Monteiro, antigo director da CIA em Angola e primeiro director do SIS já falecido, dizia-me sem rebuço “defendemos o País da forma mais prática e eficiente e depois se for necessário justificamos.
PSP também escuta as nossas conversas
O incompreensível é haver uma divisão de informações da PSP que também escuta e escuta para quê? Como se sabe alguns de nós já fomos vítimas de exageros da PSP, que por ser uma polícia de proximidade escorrega com maior facilidade para embrulhadas.
Esta força enquadra-se numa Direcção Geral do MAI e tem a sua acção apontada à manutenção da ordem pública, à sua defesa pessoal, à defesa de cidadãos em perigo eminente, à execução de mandados de Tribunal e agora à investigação de pequenos crimes.
Está-lhe acoplada uma unidade anti-terrorista, o GOE, que é uma unidade de elite e um exemplo de rigor e eficácia por provas prestadas a vários níveis internacionalmente.
Partidos políticos e juízes também são escutados
Mas as escutas também atingem os partidos. E não só. Não se pode entrevistar um dos juízes muito conhecidos sem ouvir: “não lhe dou o telefone, porque eu sou escutado e o senhor vai passar a ser escutado para sempre”.
O PSD teve de instalar um sistema anti-escuta, porque a sua sede está paredes meias com muitas embaixadas, entre elas a da República Popular da China que anda às voltas com o caso Huawei.
Esta empresa chinesa acusada de ser um “cavalo de Tróia” do Partido Comunista Chinês celebrou uma parceria recente com a Altice, que recebeu de mão beijada os destroços da poderosa PT.
Recorde-se que a Altice tem como principais sócios o português António Pereira que aos 14 anos emigrou sozinho para França e Patrick Drahi, nascido em Casablanca e com nacionalidade portuguesa, francesa e israelita.
Por todas estas razões, onde se podem cruzar mesquinhices, vinganças, interesses comerciais, razões de política nacional e internacional e conspirações ao “estilo de 007”, é urgente clarificar os poderes e “poderzinhos” e dar as escutas à Polícia Judiciária e aos Serviços de Informação e torná-los responsáveis pelo varrimento das escutas ilegais.
Morreu hoje Fernanda Lapa, atriz e encenadora. Tinha 77 anos, estava hospitalizada em Cascais.
O anúncio da morte foi feito em comunicado da Escola de Mulheres, companhia que Fernanda Lapa dirigiu desde a sua fundação, em 1995.
“É com profundo pesar e imensa tristeza que a Escola de Mulheres comunica a morte de Fernanda Lapa, diretora artística desta companhia desde a sua fundação, em 1995”
O seu percurso artístico iniciou-se no T.A.U.L. (Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa) em 1962. Fernanda Lapa foi fundadora da Casa da Comédia, onde se estreou como actriz, sob a direção de Fernando Amado, na peça de Almada Negreiros “Deseja-se Mulher”, em 1963. É com essa mesma peça que se estreia como encenadora, também na Casa da Comédia, em 1972.
Em 1979 obtém uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, que a levou a frequentar a Escola Superior de Encenação de Varsóvia, onde se diplomou em Encenação.
Várias vezes premiada, Fernanda Lapa coordenou as comemorações do centenário de Bernardo Santareno, que se assinala este ano, de quem a Escola de Mulheres vai levar ao palco, em novembro, a obra “O Punho”, com versão cénica da atriz e encenadora.
Em 2020, Fernanda Lapa quis voltar a celebrar o Autor e o seu carinho enorme pelos marginalizados, categoria em que ele próprio se inseria. Cumprindo a sua vontade, a Escola de Mulheres estreará a 19 de Novembro a versão cénica de Fernanda Lapa da obra.
A Scotturb atua em três concelhos de elevada densidade populacional – Cascais, Sintra e Oeiras, numa área total onde residem cerca de 755 mil pessoas. Antes da pandemia, cerca de 50 mil pessoas viajavam diariamente nos autocarros desta empresa.
Nesses dias pré-pandemia, a empresa vivia dias felizes e não sabia. Negociava pequenos aumentos salariais com os trabalhadores, negociava novas rotas com as autarquias, fazia bons negócios com os turistas que queriam subir ao Palácio da Pena.
O confinamento deixou tudo em suspenso, menos a chuva que caiu durante semanas a fio. Os autocarros quase vazios, nem de borla o povo queria entrar neles.
Foi comunicado que “a entrada nas viaturas está a ser feita pela porta traseira, não há venda a bordo, o posto do motorista está isolado através de uma fita delimitadora e, até novas orientações, não haverá lugar a validações”- aconteceu na Carris (Lisboa), na Vimeca (Oeiras, Amadora, Cascais e Sintra) e na Scotturb (Sintra, Cascais e Oeiras), entre muitas outras empresas por todo o país.
Hoje, a mobilidade da população está em recuperação. Muita gente está a voltar ao trabalho, se as empresas não morreram. Voltaram a vender-se “títulos de transporte”, ainda ao baixo preço que deu a última vitória eleitoral ao PS.
Há muito empenhado na dignificação da Justiça, e na reinserção social dos reclusos e suas famílias, a notícia que esta manhã me caiu sobre a “mesa de trabalho” é mais uma daquelas que cilindra a consciência de qualquer pessoa de bem.
Por bom comportamento, ou já em final de penas, uma dezena de reclusos foi finalmente autorizada a gozar de uma saída jurisdicional (vulgo “precária”), direito há muito suspenso devido à pandemia e não só. Porém, no regresso ao Estabelecimento Prisional, viram-se confrontados com a falta de instalações para quarentena, ficando alojados no anexo do canil. Ali mesmo, no pátio, através de um ralo, bem podiam satisfazer necessidades orgânicas e, para a higiene pessoal, até dispunham de uma mangueira, obviamente com agua fria..
Com a imaginação e a criatividade ainda à solta, confesso que a minha primeira reação foi elaborar uma “exposição” ao PAN. E a escolha deste Partido nem seria por acaso. Uma calamidade, contra a intrusão dos primatas no seu território, os pobres canídeos toda a noite protestaram sem que nenhuma brigada móvel da Proteção Civil, da SS ou do SNS lhes acudisse com os apoios psicológicos e medicamentosos exigíveis.
Mas será que um escritor pode usar a ironia perante tão tristes realidades, ainda que animado das melhores intenções? Sinceramente, entendi que essa crónica feria a minha própria condição humana e assim a “matei à nascença”.
Escritor “castrado” talvez sem razão plausível, porque sempre o meu facebook se anima quando conto anedotas e perde “clientela” se abordo desgraças. Admito que, tal como num jogo de cartas marcadas, a generalidade dos portugueses já entendeu que Netos e Morais não saram chagas e para a dor de cabeça chega o Ventura e sobra o Tino. E a escancarar as portas a “mais-do-mesmo”, até as “esquerdas bem-pensantes” cavam divisões e se aprontam a servir “gins marados”.
Perante um eclipse de consequências terríveis, o exercício da cidadania é, contudo, um imperativo cívico, sobretudo para quem não desiste de sonhar com auroras radiosas. Contratado um novo e respeitável “treinador”, para coordenar a maior equipa governativa de sempre, anuncia-se que um mar de dinheiro vai ser espalhado por cima dos problemas, enquanto alguns fundos serão aplicados em projetos estruturais.
De fora, fica a nata dos investidores portugueses lesados pelas traficâncias dos Bancos, centenas de empresas a quem a Administração não paga dívidas, dezenas de milhares de pequenos empreendedores e agricultores que foram esbulhados de apoios europeus garantidos e mais as vítimas do Leslie e dos incêndios que, definitivamente, foram dispensados de levar este nosso pobre Portugal para a frente. Gente que era o melhor que havia no nosso país e que hoje, caída na ruína e na desonra, passa por graves depressões, muitas delas já assinaladas com suicídios.
Podemos nós acreditar nos Planos de uma Administração insaciável, que põe na prateleira o melhor que existe em Portugal e esquece a mais elementar das suas obrigações, que é pagar a quem deve?
A esta hora, a rua de Inglaterra no Estoril já deve estar a ser patrulhada por vários paparazzi em busca da menor evidência de que está alguém na Vila Giralda, a residência da família Bourbon, a família do Rei de Espanha. O menor movimento nos cortinados da habitação pode ser sinal de que o Rei emérito está ali.
Foi ali que viveram quando estiveram exilados durante o tempo do franquismo, foi ali que morreu um dos irmãos de Juan carlos em circunstâncias estranhas e nunca seriamente investigadas e, se Juan Carlos vier para Portugal, será certamente ali que irá poisar.
No Estoril e em Cascais moram não só recordações, boas e más, mas moram ainda alguns amigos que o tempo ainda não enterrou, como é o caso do velho Balsemão. Mas haverá outros.
Acontece que se Juan Carlos pretende estar longe do longo braço da justiça espanhola, estar no Estoril não é longe suficiente. Também não sabemos se haverá algum lugar no Mundo onde seja possível estar a salvo dos problemas que lhe trouxeram os 100 milhões de dólares que recebeu do Rei da Arábia Saudita, num caso real em que Rei corrompe Rei.
De repente, sem aviso, sem dó nem piedade, fecharam-lhes as portas porque era preciso salvar o Mundo. Mas aquele pequeno Mundo de quatro funcionários e meia dúzia de fornecedores foi condenado à morte.
Perderam tudo, quase tudo. Se não faziam pão, não podiam estar de porta aberta. E mesmo assim, só comida para fora. Os restaurantes típicos nunca se adaptaram às modernices do take-away, não estavam preparados para tal.
Prometeram-lhes ajuda, mas a burocracia e o preço do dinheiro matam essa ajuda. Centenas de pequenos restaurantes já morreram de covid-19, mas são vítimas que não constam dos relatório da Direção Geral de Saúde.
Outros resistem e vivem da esperança de que isto tudo passe e a vida volta a ser o que já foi. Bastante improvável, mas só quem viver verá.
Uma investigação conjunta da Universidade do Minho e do Instituto Politécnico de Viseu dá conta de que o distrito com maior número de registos de espécies arboricolas classificadas como de interesse público é Lisboa.
O estatuto de “árvore de interesse público” é algo semelhante ao de monumento nacional e obriga as autoridades locais a tomar medidas de proteção como, por exemplo, uma zona de salvaguarda num círculo de 50 metros ao seu redor.
O registo nacional de “arvoredo de interesse público” tem cerca de 400 identificações, das quais quase metade estão em Lisboa.
Os investigadores que publicaram o estudo estranham a ausência de várias regiões do país e a concentração de casos em Lisboa, o que significa que se pode estar a perder “oportunidades de valorização de património público e privado de elevadíssimo valor ecológico, paisagístico, histórico e religioso”, principalmente nas regiões mais florestadas do país. A explicação estará não só na falta de atenção e interesse em incluir eventuais existências dessas árvores no inventário nacional mas, também, no desaparecimento das espécies autoctones da floresta substituidas por eucaliptos.
Segundo Paulo Reis Mourão, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, e Vítor Martinho, do Instituto Politécnico de Viseu, “este desequilíbrio geográfico pode dever-se a questões culturais, económicas ou de viés dos técnicos florestais”. Segundo o estudo, esta iniciativa tem ocorrido sobretudo em municípios que são antigos, costeiros, capitais de distrito e têm boa dinâmica turística, o que não significa que em locais mais remotos do interior não existam exemplares arboricolas dignos de integrar o inventário das árvores de “interesse público”. Os critérios de seleção do arvoredo abrangem o seu porte, idade, raridade e simbolismo.
O estudo foi agora publicado na revista científica “Environment, Development and Sustainability”. Em Lisboa, estes exemplares raros estão quase sempre à vista de todos, como é o caso, por exemplo, do cedro-do-Buçaco, no jardim do Príncipe Real, que foi a primeira árvore classificada de interesse público em Portugal. No jardim Teófilo Braga, em Campo de Ourique, existem várias dessas árvores, uma delas uma sequóia.
cedro do Buçaco, Jardim do Príncipe real
Outros “monumentos vivos” de Portugal são, por exemplo, o carvalho de Calvos (Póvoa de Lanhoso), a oliveira de Pedras d’el Rei (Tavira), a alameda de freixos (Marvão), o maciço de rododentros (Vouzela) e a oliveira do Mouchão (Abrantes). Se não arderam, ainda.