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Caos Metropolitana

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Numa quarta feira à tarde, a estratégia de tentar fazer o percurso entre Entrecampos e Paço de Arcos, tentando evitar a greve da CP ao recorrer a outros meios de transporte, falhou em grande estilo. O 1725, que deveria ter passado às 17h30, não deu o ar da sua “desgraça”. Um telefonema para a Carris Metropolitana bastou para ser informada de que “isso é da responsabilidade da Viação Alvorada”. Nota: a Carris Metropolitana supostamente gere essas transportadoras. Um telefonema para a Viação Alvorada, já em estado de plena carga de nervos, resulta em que não podem fazer nada porque não dispõem ainda de meios de comunicação para tentar saber, junto do motorista, a razão do atraso, e mais importante, quando vão resolver a situação. 

O resultado é o adiamento de uma consulta médica da qual se estava à espera há semanas. Outras pessoas na paragem tiveram de tentar apanhar autocarros alternativos para andarem em círculos numa versão do Inferno de Dante, no meio do trânsito em Lisboa e da desorganização caótica a que a Carris Metropolitana nos quer habituar à força. 

Faço um convite a quem é administrador destas empresas: experimentem andar 48 horas de autocarro pelas várias zonas de Oeiras, Lisboa e até Margem Sul. Ouçam as reclamações legítimas dos utentes que vêm a vida a andar para trás, acumulando atrasos, cansaço, revolta, e até mesmo alguns arriscarem-se a perder o emprego por causa deste pesadelo kafkiano. Tenham a coragem de verificar, tanto nos emails que são enviados, como in loco, as mais do que legítimas razões de queixa de quem apenas quer ter as suas rotinas a horas, porque de cansativa e desgastante já basta a vida. Convido-os a não terem hipóteses de apanhar um táxi, porque andam a contar os euros dos respectivos salários, de cada vez (e são muitas!) em que os autocarros falham, ou porque o motorista parece não saber o percurso, ou porque acabaram o horário e o que os vem render nunca mais aparece. Convido-os ainda a ver como alguns motoristas são despistados, mal educados, e passam o tempo a andar de graça nos autocarros uns dos outros em absoluto desprezo pela angústia de quem, mais uma vez, vai chegar atrasado (a) ao trabalho, à escola, à consulta médica ou à casa para tratar das rotinas familiares. 

Depois convido esses altos cargos a fazerem por merecer os ordenados que ganham. 

TERRA MÃE

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Seis retalhos no mapa da memória, cada um dividido em episódios de diferente dimensão,
conforme a incisão que deixaram nos sentidos.
Crónicas da Idade Menor, ou Aventuras (e Algumas Desventuras) de Um Rapaz de
Aldeia, é o subtítulo do primeiro trabalho literário de Fernando Faria em segunda edição,
com distância de uma década em relação à primeira. Pelo meio outros vieram, de maior
fôlego na construção narrativa, mas com igual depuração da linguagem.

A nova versão de TERRA MÃE vem aumentada, revista, polida como um diamante na
transparência da prosa. E podia chamar-se de uma dezena de formas, tantos e tão
poéticos são os títulos de cada lembrança de um rapazinho em crescimento, maravilhado
com as revelações da Natureza que ainda hoje o seduzem.

Era o menino que gostava de estar engripado (Empresta-me a tua Gripe) para se livrar de
alguns pequenos trabalhos impostos pela ordem familiar. Podia faltar às aulas, receber o
carinho adicional dos mais velhos, alguma guloseima desejada. Aquele que descobria,
deitado no sótão de um palheiro, às escondidas, O Milagre da Vida, o nascimento de um
jumentinho que logo se punha de pé. Ou o valente que desafiava os fantasmas da
escuridão, transido de medo, para mostrar aos mais velhos que era capaz de enfrentá-lo.
Não tinha receio do escuro, mas preferia Os Cheiros da Luz…

Nunca tinha pensado nisso, mas sem pretensões de análise sociológica, o autor faz um
retrato de um tempo, antes da “inodora” luz eléctrica chegar, em que o azeite, o petróleo,
a resina das cavacas em labaredas, iluminavam a casa e aconchegavam a família. Talvez
fortalecessem os laços afectivos, tanto como naquele dia chuvoso, a construção de uma
carreta de madeira, abrilhantada pela buzina estridente de uma bicicleta.

A chuva já não era indesejável, passava a ser encarada como elemento propício a
trabalhos criativos no aconchego do lar. E O Fórmula Um era ele e nenhum outro. Podia
correr a aldeia no seu veículo novo para fazer recados à mãe e pavonear-se à vontade
diante dos outros rapazes. O pai pedia-lhe “serventia” para o construir? Ele dizia que sim,
seria até seu escravo, se fosse necessário. Mas afinal só era preciso olhar, ter o prazer
indescritível de ver o trabalho paterno, do mesmo modo que o pai tinha o coração cheio
de júbilo, por ver-lhe o entusiasmo no rosto.

Indescritível, escrevi eu? Descrever de forma desembaraçada, como um Trindade Coelho
levado pelas emoções, é mestria da escrita de Fernando Faria. E nunca falta a nota de
humor que põe um sorriso até no relato das “desventuras”. O menino que a certa altura
precisava de ajuda do oftalmologista e esperava realizar o sonho de usar óculos, não tinha
sorte com o único modelo da loja. Saía-lhe em rifa o mais “pindérico”, reservado na altura
só às pessoas idosas, E não se livrava na escola da alcunha de Caixa-de-Óculos. Só mais
tarde e por simpatia do destino, uma roda de um carro lhe esmagava os anteriores e
conseguia finalmente um modelo de aros decentes.

As narrativas de Fernando Faria levam-nos para um tempo de dificuldades económicas, de
desamparo social, de perturbação política, mas por que ficamos rendidos às suas
paisagens bucólicas, à magia de uma criança que gostava de ouvir As Sereias do Pinhal e
se perdia, sob um aguaceiro, à procura delas? Por sorte tinha reserva de orações para
“situações bicudas” e o milagre acontecia… Seria merecedor, o menino sensível que
auscultava na tristeza da mãe, no dia em que deambulava pela praia e se esquecia das
horas, um carinho que o confortava e remorso por tê-la afligido. Afinal que importância
tinha ser O garimpeiro de Conchas se essa conquista lhe custara a ela tanto sofrimento?
Rendemo-nos a Ode de Outono, à descoberta de outras paisagens como O Mar da
Nazaré, ao Amanhecer visto da laje no topo da colina, tanto como a Floresta Mágica, ou
Oeste, porque estão ali as descobertas essenciais da infância, a linha divisória entre vida e
morte, a consciência das desigualdades, até entre remediados e pobres. E as noções de
bem e mal, a revelação de tanta beleza como o nascer do sol, ou a luz morna do
crepúsculo, que ainda hoje gosta de fotografar.

Oeste , Milho-Rei, a Festa da Padroeira, são quadros de beleza campestre nos pontos
colaterais da memória de Fernando Faria. Mas há um capítulo dedicado à avó Joaquina
que foi para ele a mais grata referência da infância, o seu ”esteio”, o ponto cardeal
marcante. O Adeus, Avó!, creio que encerra aqui o fim do luto, a caminho de um
apaziguamento sereno com a tristeza da perda, agora mitigada por uma doce saudade.
Faltam muitos elementos importantes para fazer justiça ao livro, até porque Fernando Faria
é um homem da Justiça, com uma carreira na magistratura do Ministério Público. E até
hoje tem muito orgulho em “ ser membro de pleno direito da respeitável confraria dos
caixas-de-óculos”. Só os tirou para a fotografia que ilustra o texto da badana de TERRA
MÃE, editado pela 5livros.

UMA IGREJA APODRECIDA

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É muito comum ouvirmos discussões acaloradas  sobre religião, nos mais diversos lugares. De certa forma, o mundo dos humanos divide-se em dois grupos. Os que acreditam numa outra forma de vida para além desta, depois da morte, e os que não acreditam nisso. Sendo que, para os crentes, esta passagem terrena não é mais do que um estágio comportamental para a eternidade. Daí praticar-se o bem, cujo local destinado é algo que está para lá da nossa mente, coisa que não são capazes de definir muito bem, mas têm uma pulsão interior que os faz acreditar nesse desfecho. 

Os não crentes, acham que somos uma evolução natural da espécie, com dezenas de milhar de anos de existência, e chegados aqui, temos atributos intelectuais que outros seres vivos não alcançaram durante esse percurso. Como racionais, devemos manter uma relação de urbanidade e sanidade mental com os demais, sem que para isso tenhamos de acreditar numa espécie de prémio pós vida terrena.

Destes dois níveis de abordagem do ser humano, na sua complexa relação social com os outros, derivam várias formas de encarar, no plano psicológico, a vida e a morte. Os que são ateus, acreditam que tudo começa e acaba nesta vida. Os que são agnósticos, não têm uma opinião formada sobre uma vida para além desta, mas não a descartam. Por fim, os crentes, que, podem ou não professar uma religião, acreditam numa vida espiritual para além desta. 

Durante séculos foram as várias religiões que lavraram com o seu punho, muitas vezes de forma criminosa, uma boa parte dos costumes e das leis que nos regeram até ao Iluminismo do século XVIII. Falo mais na Europa que é o continente onde vivo. A partir do chamado século das luzes até aos dias de hoje, as religiões foram de forma lenta e gradual, perdendo o poder que detinham nas sociedades, incluindo diante do poder político. Com a revolução industrial e o aparecimento da filosofia marxista que pôs em causa grande parte dos fundamentos teológicos das religiões, mas acima de tudo o comportamento das várias igrejas cristãs, como instituições sociais, estas entraram em claro declínio, sem nenhuma perspectiva de reverter esse caminho. 

Há múltiplas razões que ajudam a explicar isto. E nenhuma delas é mais importante do que a outra. É tudo uma conjugação de factores internos e externos à própria igreja, fruto das suas próprias contradições, até no plano material. No entanto temos de reconhecer que ao contrário do passado, cuja prática religiosa nos era imposta e os nossos comportamentos controlados pelo clero, ao ponto de sermos condenados à morte se não tivéssemos manifestações de fé, na igreja católica, hoje somos um país laico, onde liberdade religiosa permite todos os credos. É neste patamar que eu me quero agora situar. 

Acredito de forma sincera que a maioria dos católicos que professam a sua religião, o fazem por estarem convictos de ser essa a forma mais correta de promoverem o bem comum, a concórdia e a paz entre os homens, dentro de outras formas, acreditando num Deus para além da espécie humana, que os orienta. 

Dito isto, imagino o sentimento de desilusão e revolta que paira nas suas mentes, depois das revelações feitas nos últimos dias pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa. 

Nada que não fosse previsível, mas o relato com algum pormenor de certos factos, deixa-nos no mínimo atónitos. A pior frustração que pode haver para um católico, penso eu, é perceber que aqueles em quem depositou a sua confiança, não passam de pessoas sem escrúpulos, sem pudor, e desprovidos de valores humanos. Que todo este enredo em volta da doutrina social da igreja não passa de uma falácia. A Igreja que frequenta com devoção está recheada de pedófilos e de gente que lhes deu cobertura, ao ponto de não os denunciarem. Não é Deus como entidade abstracta, cuja fé os impele a acreditar, que está em causa. Isso é algo do foro pessoal de cada um. É sim a instituição, o instrumento social que foi construído em torno dessa imagem Divina, chamada Deus, que segundo a Bíblia encarnou num profeta chamado Jesus, que está completamente podre por dentro.

Pior é impossível! 

cartoon de Hélder Dias

ABUSOS SEXUAIS NA IGREJA, toda a verdade fica nos arquivos secretos

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O relatório sobre os abusos sexuais na Igreja Católica é uma pedrada no charco, principalmente porque passou a haver um retrato factual das monstruosidades que ocorreram nas escolas de padres e freiras, seminários, igrejas e residências paroquiais.

Os 512 depoimentos validados pela comissão independente podem e devem ser extrapolados para muitos milhares de casos. Ou seja, é convicção que a maioria das vítimas continua em silêncio. São opções íntimas, tão legítimas como a denúncia.

O relatório é um guião de kamasutra, com relatos de abuso e violência sexual sobre crianças ou adolescentes fragilizados. Falamos de rapazes e raparigas, submetidos aos caprichos sexuais de padres. Sexo anal, sexo oral, sexo vaginal, masturbação, o cardápio completo.

Mas os nomes dos pecadores, criminosos, mantêm-se protegidos. Tudo isto só foi possível porque o anonimato dos prevaricadores foi garantido. Também as vítimas estão protegidas pelo mesmo compromisso, mas em muitos casos esse anonimato favorece mais o criminoso que actua com a impunidade que lhe dá a “vontade de Deus”, como se verifica pelo extrato do relatório que aqui expomos.

O segredo sempre foi uma ferramenta da Igreja Católica. Muitos segredos se escondem nos arquivos secretos da Igreja. Não estamos a falar dos arquivos do Vaticano, apenas. Também as dioceses e institutos religiosos têm arquivos secretos, segundo se lê neste relatório. Se são secretos é porque escondem segredos.

A comissão independente quis entrar nesses arquivos secretos diocesanos. Só foi autorizada a isso em outubro, quando já não havia tempo para pesquisar alguma coisa.

O segredo que vai continuar a envolver esta questão permitirá que muitos crimes fiquem sem castigo, o eventual remorso dos abusadores não compensa o sofrimento das vítimas e o castigo de Deus não se confirma. Afinal, a criação desta comissão foi iniciativa da própria Igreja, o “dono da obra” foi a Igreja, os termos em que a investigação decorreu foram os da Igreja. A base de dados dos testemunhos ficou na Igreja, blindada ao exterior.

Arqueologia – O achado de mais um “OCNI”

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As peças antigas, com que diariamente deparo, não cessam de me surpreender. Esta foi a última que me foi apresentada, alegadamente saída do espólio de uma velha casa senhorial degradada.

À primeira vista, confirmei ser um objeto muito estranho, que “berrava” com tudo o que vira até então. Analisada por vários “peritos”, só havia a “garantia” de ser de barro. Quanto ao resto, pelo aspeto, “parecia” ser medieval e pensava-se ter origem ibérica, talvez de influência árabe ou judaica.

Observada cuidadosamente e manipulada, outra certeza juntei: a exótica peça era claramente genuína, até porque, pelo preço pedido, nenhum artesão, ainda que louco, se daria ao trabalho de produzir tal artefacto.

E mais duas certezas firmei: o seu desenho e a função deste castiçal, nada tinham a ver com a Península ou com essas civilizações, permanecendo a sua origem um mistério. Havia, pois, que a adquirir e “perder” muito tempo, quem sabe se anos, a classificá-la.   

Desta vez, porém, tive “sorte”. Já com algum treino nestas pesquisas, e o apoio informático da família, em cinco minutos a questão estava “resolvida”.

Tratava-se de um dos quinhentos mil castiçais introduzidos pelas SS alemãs, em 1944, quando o desvario nazi conduziu à tentativa de criar uma nova religião europeia, alicerçada em velhas tradições. Distribuído como objeto do novo culto, seria uma reprodução fiel de outras recuperadas da Suécia, estas datadas dos séculos XVI e XVII. Hoje raríssimas, a última havia sido adquirida em leilão, por um preço bem significativo.

No entanto, com o “dia ganho”, depressa me assaltaram mais e mais dúvidas. Diziam os entendidos que, na base, estaria gravado SS, o que estava longe de acontecer. Além disso, tendo sido cuidadosamente preservada em Portugal, nunca poderia apresentar aquele aspeto ao fim de oitenta anos.

De tão intrigante, “obrigatório” se tornou recuar e rever toda aquela “matéria”, desta vez “emigrando” para a Suécia. Confirmado em minutos, tratava-se inequivocamente de um castiçal de culto pagão, usado ancestralmente pelas famílias daquele país, em determinada época do seu ano religioso.

E outra boa surpresa nos estava reservada: a ser autêntica, como tudo indiciava, teríamos de acrescentar pelo menos mais um zero ao investimento inicial.  

Mas a Arqueologia não se rege por indícios e o artefacto apresentava ainda várias interrogações por resolver: a base, com um grande buraco circular, apresentava-se impregnada por uma massa lamacenta; no interior, não havia sinais de fumo; e, no bocal, para tanto uso, as manchas de fuligem eram demasiado ténues.

A explicação para esses enigmas acabaria, contudo, por ser facilmente encontrada. O meu “OCNI” consumia uma simples vela em cada ano e só no último dia das celebrações a deixavam arder até ao fim. Ao contrário das reproduções alemãs, expostas cuidadosamente em finos móveis, as suecas eram naturalmente exibidas em chão térreo. E, numa época de extrema pobreza, nunca qualquer chama brilhara no seu interior, “luxo” que exigiria desperdício e um prato a servir de base.

Nos habituais exercícios de tele arqueologia, com que por vezes alguns “cromos” me brindam, talvez alguém ainda me venha “exorcizar”, pretextando que é mais uma “história da carochinha”, sem fundamento na ciência de que se arrogam guardiães.

Reconheço-lhes alguma razão, porque dúvidas ainda me restam. Como e quando chegou esta peça a Portugal? Terá sido na Idade Moderna ou, como muito bem pode ter acontecido, em época bem mais remota, trazida por vikings ou cruzados?

Mas isso já não são contas para o meu pobre rosário.

“As pessoas não são livres, em Portugal”

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Rui Santos diz estar a ser ameaçado por exprimir a sua opinião na pantalha televisiva. Aponta o dedo, nomeadamente, ao Futebol Clube do Porto, especificamente ao treinador de futebol: “o Sérgio Conceição desencadeou reações que são absolutamente lamentáveis”.

Rui Santos já avisou que vai haver consequências “de tudo o que se passou nos últimos dias”. Chamou a polícia e já esteve na Judiciária. As denúncias feitas pelo comentador abrangem o “universo” do FC Porto, incluindo o Porto Canal.

“Não vou condicionar a minha opinião perante estas ameaças” garante Rui Santos que avisa estar a canalizar todas as ameaças e insultos para quem de direito.

Tudo terá começado quando Rui Santos criticou o estilo agressivo de Sérgio Conceição, na sequência de mais uma expulsão de campo do treinador portista. Conceição não gostou de ser criticado e há sempre uns adeptos de clubes que salivam por oportunidades como esta para exercerem bullying, ameaças físicas e psicológicas.

Sérgio Conceição disse que o programa de Rui santos na CNN P é “um programa de entretenimento e de auto-ajuda dele. Um programa que é uma verdadeira palhaçada.” Terá sido o suficiente para desencadear uma onda de ameaças, algumas terão sido ameaças de morte, que a Polícia Judiciária irá, agora, investigar.

SINTRA: Polícia Municipal persiste no bullying sobre sem-abrigo

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É verdadeiramente um homem só contra o sistema.

Manuel Ildefonso continua a sofrer bullying por parte de agentes da Polícia Municipal, a mando da chefia.

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A persistência de Manuel Ildefonso é perigosamente revolucionária, pelo exemplo. Imaginem só o que seria se todos os munícipes protestassem com a mesma convicção… seria preciso fazer a vontade ao povo, onde já se viu uma coisa dessas?

O nosso apelo

Manuel Ildefonso precisa de um bom advogado que aceite ser pago pelo Estado, uma vez que Ildefonso não tem meios para pagar. Os advogados oficiosos nomeados pelo tribunal a que Ildefonso tem direito, normalmente são demasiado timoratos e pouco ou nada empenhados. Limitam-se a pedir justiça, mas isso não acontece sem empenho e engenho de um advogado. Se algum advogado quiser um bom caso social e com repercussão pública, aqui está uma bela oportunidade.

AMBULÂNCIAS PARA A GUINÉ-BISSAU

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Tabanca Suzana, Guiné-Bissau. Há quem morra por não conseguir chegar ao hospital mais próximo. Não se trata de uma povoação perdida nos confins de África. Suzana fica na fronteira norte da Guiné-Bissau com o Senegal, perto do mar e de Ziguinchor, a capital da província senegalesa de Casamansa. Mas fica demasiado longe de Bissau, mesmo se são apenas cerca de 150 kms de caminho. Longe, porque não há ambulâncias para transportar doentes e feridos urgentes.

A Associação Anghilau está à procura de quem possa doar uma ambulância para Suzana. Terá de ser um veículo 4×4, porque estamos a falar de um território com más infraestruturas rodoviárias e que, na época de chuvas, fica praticamente isolada do resto do mundo.

Na região vive a etnia Felupe, um povo que tem uma longa tradição de cooperação com os portugueses. Mesmo durante a guerra colonial, os Felupes combateram ao lado dos portugueses, foram a base dos grupos de operações especiais, comandos africanos, temíveis combatentes.

Depois da independência, foram abandonados pelo Estado português, muitos acabaram mortos vítimas de vinganças e perseguições que lhes moveram os novos donos da terra. Até por isso, alguém em Portugal devia contribuir generosamente para ir resolvendo os problemas que ninguém mais quer resolver, no sentido de proporcionar a estas pessoas melhores condições de vida, já que o Estado português não assumiu essa dívida de gratidão, essa questão de justiça.

Nos últimos anos, a Associação Anghilau, constituída por um grupo de antigos combatentes portugueses, tem ajudado financeiramente esta comunidade. Um contributo que valeu já a restauração de vários edifícios escolares, uma residência para professores (sem a qual não haveria um único professor na aldeia) e uma biblioteca (história que contámos aqui). Até então, não havia um único livro em Suzana.

Agora, não há ambulâncias.

A tabanca Suzana assinalada no mapa da Guiné-Bissau

Caso alguém queira contribuir para resolver este problema, deixam mensagem e contactos aqui.

É A ECONOMIA, ESTÚPIDA!

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Contra os salários miseráveis de quem realmente dá o corpo às balas. Contra os pseudo generosos. Contra a miséria de um prémio de 100 mil euros por 15 anos de trabalho de um cientista, contra a miséria de 1 milhão de euros de um Nobel da medicina, da física, da química, cada vez mais divididos por 2 ou 3, trabalho duma vida, e a amoralidade de um prémio de 3 milhões a uma administradora da TAP se conseguir cumprir o plano, cortando escandalosamente os salários de quem de facto trabalha. Cumprir o plano. Quer dizer liquidar a empresa, vendê-la a retalho.

Não posso tolerar. Cresce-me a raiva na ponta do dedo, o vómito contra os lambe-botas dos políticos. Contra a naturalização do capitalismo como sistema perfeito. Contra Fukuyama, contra O fim da História e o Último Homem! Contra a nossa incapacidade de agir contra!

É a economia, estúpida.

Não, a mim não me dirão tal. A economia não pode ser contra as pessoas, a montante contra quem trabalha por salários explorados, a jusante contra quem consome todas as merdas que lhe impingem para serem felizes, desde os produtos envenenados dos supermercados (é ver os venenos que passam na registadora!), as casas que os vão tornar escravos dos bancos uma vida inteira, as férias de sonho que os vão obrigar a mais um crédito, os gadgets que os alienam…

É a economia, estúpida.!

São os milhões que investimos aqui e ali, dinheiro que tem de ser bem distribuído. Eu sei fazer contas. Só não as conheço bem, porque me atiram com milhões, areia para olhos, para me cegarem, para nos cegarem, para fazerem de nós todos a minha tia Marizè, a pensar que assim o estado vai à falência. A dizerem-me: é a economia, estúpida!  A dívida pública, as taxas de juro, a inflação. Como se não pudessem controlar estas abstrações?!

A economia é produzir bens e distribuir. Sem falcatruas. É gerir recursos limitados. É deixar ainda a Terra para futuras gerações. Porque só a temos de empréstimo. Não podemos estragá-la. Não é nossa!

Os que estão sempre a dizer-me: “É a economia, estúpida” hão de engolir essas acusações, sufocar com elas. Morrer, como todos. Enraivece-me é saber que parecem morrer depois de uma longa boa vida, sem dó nem piedade daqueles que mal chegaram a viver… mal.

ALTA DEFINIÇÃO, baba e ranho

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Judite de Sousa foi ao programa “Alta definição” e sabia ao que ia. Daniel Oliveira nunca brincou em serviço, nem mesmo quando era ainda adolescente e se iniciou na televisão. O diretor-geral de Entretenimento da SIC é um especialista em entrevistas “delicadas e profundas”, conforme se lê no site da SIC onde se promovem os episódios desta entrevista.

Falamos em episódios porque é disso que se trata. Depois de emitida, a entrevista invadiu as redes sociais e os sites de Informação, retalhada por temas e níveis emocionais.

Há umas partes dedicadas à saída intempestiva de Judite de Sousa da TVI, mas o “sumo” é a fragilidade emocional da jornalista, as pulsões suicidas que diz sentir, o desgosto imenso de quem inesperadamente perdeu um filho. Em cada retalho da entrevista, uma ideia, uma frase se destaca. Alguns exemplos:

“Ninguém quer estar ao lado de uma pessoa que está em sofrimento psicológico”
“Como é que estou viva?”
“Não sei se vai haver velhice…”
“Pessoas que eram próximas de mim diziam-me”: - ‘tu estás mal-educada, tu és agressiva’
“A depressão é que pode levar ao suicídio”.

A exposição emocional de Judite é uma espécie de exorcismo que ela faz a si mesma. É uma mulher que se sente sozinha e abandonada, injustiçada pelos acasos da vida. É uma pessoa em sofrimento. Ninguém gostaria de estar na pele dela.

Se é verdade que gostamos de ver o sofrimento de outros, o programa de Daniel Oliveira deve ser um expoente em audiências. Não lhe faltam lágrimas ao canto do olho, alguma baba e ranho. Quase todos os canais de televisão procuram este tipo de momentos, mas no “Alta Definição” é a principal característica do programa.