FLORES QUE NASCEM NO CAMPO DE BATALHA

Tudo começou quando um capitão do Exército Português, destacado na Guiné-Bissau, dedicou o seu tempo e esforços a ensinar a ler e a escrever às crianças de uma aldeia no norte da Guiné-Bissau. Passaram já mais de 50 anos, mas a história continua.

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Primeiro construíram a escola, agora estão a equipá-la com “ferramentas” essenciais: livros. Levar livros de um lado para o outro é uma tarefa complicada. O papel pesa, quando é muito papel o peso é considerável. Nada que tivesse amedrontado os membros da Associação Anghilau. O início desta história já foi contado aqui há cerca de um ano.

Para quem conhece a Guiné-Bissau, sabe bem que a parte mais fácil é fazer chegar 1 tonelada de livros a Bissau. Basta encher um contentor marítimo e pagar ao despachante. Os livros chegaram ao porto de Pidjiguiti, em Bissau. Levar a carga até à aldeia de Suzana, na fronteira norte com o Senegal, é outra conversa. Leva tempo e consome muitos esforços. Mas também se fez.

Antes dos livros chegarem, a Associação Anghilau ergueu paredes e tratou do mobiliário. A escola de Suzana passou a ter um edifício para a sua biblioteca.

Neste momento, na escola da tabanca (aldeia) de Suzana há cerca de 700 alunos, do 1º ao 12º ano. Nenhum deles tinha livros escolares ou seja de que género for. Aliás, na Guiné-Bissau o livro é uma raridade. Em todo o país existe uma única livraria, fruto da carolice da família Nunes, proprietários do Hotel Coimbra, uma família de portugueses radicados em Bissau há muitas décadas.

Agora, a escola tem livros de gramática, enciclopédias, compêndios de matemática, cadernos de português, de ciências, de geografia, fontes de conhecimento e veículos de aprendizagem. A biblioteca tem livros com muitas páginas de literatura, contos infantis e juvenis.

Em Portugal, os livros e manuais escolares foram doados pela Escola Salesiana do Estoril, Colégio de Nossa Senhora da Boa Nova e Escola Camilo Castelo Branco. Escolas de Cascais e Oeiras.

A importância que isto tem para um país de língua portuguesa, rodeado de países francófonos, deveria incentivar a cooperação do Estado português a seguir as pegadas da Associação Anghilau. Enviar livros para países que insistem em falar a mesma língua que nós falamos.

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