TIREM-ME DESTE FILME…

Não acabei de ler Por Dentro do Chega, do jornalista Miguel Carvalho. Fiquei sensivelmente a meio. E, ainda assim, acho que as pessoas deviam lê-lo.

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A contradição é apenas aparente. O problema não está na extensão (um calhamaço com mais de 700 páginas), está na saturação. A sucessão de esquemas manhosos, dissimulações e episódios criminosos que envolvem militantes e dirigentes do Chega, acabou por produzir um efeito estranho: não me chocou, cansou-me. Não me surpreendeu, enjoou-me.

O livro expõe com clareza um padrão de comportamento. Uma repetição insistente de práticas que atravessa a história do Chega desde a sua fundação até à sua consolidação política. O líder do Chega tem a habilidade de ignorar as críticas, contornar as questões, virar os problemas a seu favor, é um habilidoso contra-atacante. O livro consolida essa perceção que temos dele.

E talvez seja aqui que começa o problema sério. Não no que o livro revela, mas no que acontece fora dele. Perante este tipo de retrato, o partido não só não perde relevância como cresce, instala-se, normaliza-se.

A mim, não me surpreende que esse partido seja uma associação de oportunistas e malfeitores. Enoja-me. Mas o mais inquietante é que, para muitos, isso parece não ser motivo suficiente para recusar o voto. Verdadeiramente perturbador, por isso, não é o conteúdo do livro. É o facto de, perante este tipo de retrato, uma parte relevante do eleitorado continuar a ver ali uma alternativa credível.

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