CHÃO DE ROMANOS

No Casal Saloio de Outeiro de Polima ocorreu, tarde do sábado, 18, um encontro sobre o mosaico da casa senhorial da villa romana de Freiria. Iniciativa integrada nas comemorações no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.

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Depois de, no dia 10, se ter oficialmente inaugurado a apresentação do ‘pavilhão’ que passou a resguardar esse policromado pavimento, agora consolidado, que tanto teria embelezado a casa do senhor romano que, com a família e toda a criadagem, aí viveu, há dois mil anos, importava mostrar como essa requintada peça arqueológica fora descoberta, protegida, consolidada e, agora, devidamente mostrada à população.

Falou José d’Encarnação, sob cuja orientação (em colaboração com Guilherme Cardoso) haviam decorrido, entre 1985 e 2002, os trabalhos arqueológicos que levaram à identificação e estudo do sítio.

A recuperação e preservação do mosaico, na sequência da atenção que a villa foi merecendo do Município ao longo dos anos, constitui para ambos os arqueólogos, disse, motivo de gratidão e natural felicidade, por ser o culminar do projecto em curso. Referiu a circunstância de, para ambos, então docentes na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Faculdade Nova de Lisboa, essas campanhas anuais terem sido mui proveitoso complemento prático das aulas teóricas, regozijando-se por desse leque de estudantes terem saído bastantes arqueólogos actualmente em plena actividade. Agradecem-lhes, a esses estudantes, a toda a equipa e ao Município, cujos técnicos souberam compreender o património ali posto a descoberto.

E, por ter dito que ‘se está em continuidade’, mostrou a capa do livro que acabou, há dias, de ser impresso, edição da Associação Cultural de Cascais: o repositório ilustrado dos mais significativos objectos de uso quotidiano exumados não apenas de Freiria, mas das outras villae, cuja descoberta nos últimos tempos se havia concretizado. Neste A Presença Romana em Cascais – Um território da Lusitânia ocidental”, estão publicadas imagens de 271 peças e mais de 50 fotos e plantas de sítios arqueológicos.

Nesta foto: José d’Encarnação.
Na fotografia da direita: Guilherme Cardoso

Guilherme Cardoso historiou, por seu turno, o que havia sido esse labor, desde a descoberta da villa, em 1980, e a razão por que se tomara a decisão de iniciar aí trabalhos arqueológicos, primeiro de prospecção e depois de escavação. Deteve-se a mostrar as fases por que passara o mosaico, desde a mui cuidadosa alegria da sua descoberta, em 1986, e a sua escavação na integra, em 2002, até agora.

Coubera à arquitecta Ana Rita Aguiar, da Divisão de Projetos de Edifícios e Equipamentos da Câmara, a elaboração do projeto de cobertura para o mosaico. Não lhe tendo sido possível estar presente, foi o arqueólogo Severino Rodrigues quem fez a respectiva apresentação, desde o projeto inicial até à musealização.

Paulo Rebelo e Catarina Bolila, da empresa Neoépica, falaram dos trabalhos arqueológicos levados a efeito, por precaução, nos sítios onde foram implantadas as sapatas dos alicerces que suportam a estrutura de proteção do mosaico.

Por último, Victor Gonçalves, da ERA – Arqueologia, falou dos trabalhos que a empresa executou para conservar e restaurar o mosaico, que decorreram desde 2017 até 2026.

da esq. para a direita: Severino Rodrigues, Paulo Rebelo, Catarina Bolila e Victor Gonçalves

Enfim, um Dia Internacional aqui comemorado de forma bem especial e até, porventura, incomum, num concelho de características (diz-se…) privilegiadamente urbanas, pois que ali se falou de… características rurais desde mui recuadas eras.

                                                                      

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