Os que descem a Avenida da Liberdade neste 25 de abril de 2026 não são apenas os que se lembram do país de antes de 1974. São, sobretudo, os que recusam esquecê-lo. Há quem traga na memória os dias vividos sob ditadura; há quem tenha aprendido, nos livros e nos testemunhos, o que significaram a pobreza, a repressão, a guerra colonial e o analfabetismo. A memória é uma escolha contínua. A memória é um vício.
Os mais velhos, que podem falar na primeira pessoa, são cada vez menos. O tempo faz o seu trabalho. Cabe aos mais novos não apenas saber, mas compreender e agir à altura do que herdaram.
Cinquenta e dois anos depois da revolução, o país mudou, como sempre muda. As maiorias parlamentares também mudaram. Hoje, temos na Assembleia da República deputados de extrema-direita, notóriamente fascistas. A democracia está em perigo, temos de lutar por ela, de novo. Esse é um compromisso exigente, que todos os democratas devem assumir.
Descer a Avenida da Liberdade não pode ser apenas um ritual. Deve ser um gesto de todos os que entendem que a democracia não é garantida, e que Abril é uma tarefa em aberto.




O que é que Marcelo RS lá foi fazer, o senhor que andou a nadar no infecto Tejo numa campanha para ser Presidente da Câmara de Lisboa, depois andou anos e anos a incomodar-nos, a conversar todas as semanas com Judite de Sousa na RTP, para chegar a PR, mas neste momento não é Presidente de ninguém, e hoje lá esteve nas cerimónias, sem cravo ao peito, como um reacionário? A caminhar à frente do nosso actual Presidente.
Alguém me explica? Obrigada.
Tem toda a razão, Carlos Narciso. Quem persiste no ritual, quase missão, de descer a Avenida da Liberdade no dia 25 de Abril, são os que recusam o esquecimento de um marco político que mudou radicalmente o país.
São os que conseguiram transmitir às suas gerações o significado desse feito e foram bem-sucedidos no desígnio: as novas gerações lá estão, cheias de entusiasmo e convicção de que a mudança pode minar as fundações da Democracia.
O perigo (apesar de suportado por fraqueza de argumentos) espreita qualquer brecha para justificar o ataque. A força está justamente na união como a que demonstram os portugueses em manifestações coerentes com o espírito da Revolução de Abril.