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A GRANDE OPORTUNIDADE

Depois do sururu à volta dos palcos onde vamos ver o papa na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), vamos ficar com uma estrutura em betão armado no futuro Parque Tejo-Trancão que só vai custar 2,9 milhões de euros mais IVA (3 560 000,00 €). Uma pechincha.

E agora o negócio está definitivamente fechado. Não há volta a dar-lhe nem novas reduções de custos. Moedas acredita que vais ser um grande negócio para a cidade. E a autarquia livrou-se da obra do segundo palco.

A Igreja Católica fica responsável pelo segundo palco, no Parque Eduardo VII. A Igreja vai à procura, entre a iniciativa privada, de quem queira pagar a obra. Serão 450 mil euros que só ficarão para a posteridade nas fotografias e na memória de quem lá estiver ou assistir pela televisão.

É uma grande oportunidade. O negócio não se pode perder. Dizem mesmo que o autarca Moedas já se montou num unicórnio de venda ambulante, segundo o traço verrinoso do cartoonista Hélder Dias.

cartoon de Hélder Dias

A JUSTIÇA, OS LAPSOS E OS DESCUIDOS

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Depois de alguns anos a investigar o caso e a estudar os vários enquadramentos jurídicos da questão, o procurador considerou que a construção do Hospital CUF Tejo não respeita as regras de urbanismo, mas foi um “descuido”. Uma espécie de tropeço, o que faz do prevaricador uma espécie de vítima da má-sorte.

A volumetria do edifício está para lá do permitido, as maquetas do projeto “não foram elaboradas com rigor”, houve dissimulação do impacto visual que o edifício viria a ter. Tudo por “descuido”.

O magistrado mostra-se até surpreendido com a falta de rigor “de projetistas experientes e reputados e dos elementos da autarquia experientes e sabedores”. Mas, quem não tem um “descuido” de vez em quando, que atire a primeira pedra. O senhor procurador não atirou pedras. Ao contrário, decidiu arquivar o processo, anulou as suspeitas lançadas sobre os seis arguidos por considerar que a “mera negligência” não basta para acusar e condenar.

Os três zeros à esquerda da vírgula

Esta história faz lembrar outro “descuido” famoso, de um político de longa data que durante anos se “esqueceu” de declarar o verdadeiro montante depositado em várias contas bancárias. Depois do caso ter sido denunciado na comunicação social, primeiro Basílio Horta negou que tal fosse verdade para, depois, justificar que se tratava de um “lapso”.

colagem fotográfica

Não estamos a falar de pouco dinheiro. São mais de 5 milhões de euros que, de repente, surgiram depositados em nome de Basílio Horta no Millenium BCP.  Quanto à proveniência do dinheiro (que é o que realmente interessa saber), nada consta na pasta “Basílio Horta” no Tribunal Constitucional. Se o juiz conselheiro que preside ao Tribunal Constitucional recebeu alguma justificação, terá sido em conversa pé-de-orelha. Por escrito, nada consta, tanto quanto nos foi dado a verificar, quando fomos ao Tribunal Constitucional verificar as declarações de património e rendimentos que o autarca de Sintra lá depositou, por força da Lei, nos anos de 2010 e 2011.

Por entre lapsos e descuidos, o descrédito da Justiça é total. Uma espécie de sentença de morte.

O sr. dr. médico

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Todo o ambiente lhe parecera um tudo-nada estranho. Diferente do das outras vezes. Na Oftalmologia, tudo funcionava em engrenagem bem oleada, pouco tempo de espera, exames atenciosos por parte das técnicas antes da consulta propriamente dita.

– Então hoje não faço mais nenhum exame?
– Só se o doutor mandar.
– Ah!...

Recebeu-o no consultório o senhor doutor. Mal levantou os olhos do computador, onde, certamente, via o histórico do doente. «Bom dia. Pode sentar-se». Silêncio.

– Pois é. Vai ter de ser operado. Não aqui.

Estava a referir-se ao hospital em que estavam, de gestão público-privada.

– Não? Mas aqui faziam operações à córnea!...
– Agora já não.

Indicou que o doente iria ser chamado, oportunamente, por um hospital público da cidade próxima. Aguardasse a chamada.

Quanto ao colírio que estava a ser ministrado, sim, poderia continuar, embora outros houvesse.

– Pode, então, passar-me a receita dum que lhe pareça melhor?
– Não, receita eu não posso passar.

Pegou numa folha A4 branca, dobrou-a ao meio e escreveu o que se reproduz na imagem.

a “receita”

Na farmácia, o papelucho dobrado andou de mão em mão para se tentar saber o que estava escrito. Lá se conseguiu e, claro, depois de se ver a embalagem, até se era capaz de decifrar tudo: I.fresh duo. O significado da garatuja, ou seja, o nome do senhor doutor, é que se ficou por descobrir. Por outro lado, nem data, nem vinheta, nem papel timbrado…

O doente saiu e, nos dias seguintes, deu em perguntar aos amigos: de oftalmologistas tens algum de confiança?

A RAIVA E O VÓMITO

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Esta foi apenas uma das várias vezes em que desci ao inferno hospitalar. Mas foi a que me permitiu começar a perceber, com clareza, o que os abutres financeiros e políticos estão a fazer ao SNS.

A cena: domingo, 16 h.

Minimamente informada sobre a minha situação, cheguei em transporte particular. Fiz a primeira triagem 15 minutos depois. Um record absoluto, tendo em conta que havia quatro ambulâncias à porta.

Descrevi os sintomas.

Fala do doutor:
- Então o que  veio fazer para aqui?! Devia ir para cirurgia.
Eu:
- Não sei, fui triada e encaminhada agora mesmo.

Sigo para a sala de urgências, na cadeira de rodas só com um travão e um apoio.  Arranjo lugar num cadeirão. Uma sala de 15 cadeirões que servirão também de cama, para quem tiver a sorte de poder mover-se.

Antes das 19 h, já tinham vindo 6 enfermeiras e até um médico para me tirar sangue para análise e meter um cateter. Parecia haver uma hierarquia de competência para apanhar uma boa veia que não rebentasse.

Antes das 20h, já tinha um cateter, mas sangue insuficiente para as análises pedidas pelo doutor. E tinha uma maca que seria a minha cama até à meia noite de 3a feira. A número 26. Nestas quatro dezenas de horas aqui vividas, vi, ouvi, vivi o verdadeiro pesadelo hospitalar. Não há palavras que consigam descrever este inferno, mas tentemos.

A sala das urgências de pulseira amarela fervilha de ação. Assisto a duas mudanças de turno antes de ser atendida por um médico. Pouco tem para me dizer. Pede mais análises, exames.

As equipas de enfermeiras e de assistentes operacionais são incansáveis.  Movimentam-se como podem por entre um desfile de macas que entram continuamente. Um espaço para 23 boxes, atinge as 53.

53?
67, 79…
Numa segunda-feira à tarde.

O médico responsável pelo turno nestas urgências tem de tomar decisões. Ouço-o ao telefone. Não sei com quem fala. Tem de recusar receber mais doentes. Começar por recusar doentes via verde com sintomas de avc e enfarte? Aceitar todos sabendo que podem morrer por falta de assistência.

De cada maca se ouvem pedidos:
- Senhora, ó senhora, senhora enfermeira, senhora enfermeira, faz favor, faz favor, faz favor...
Elas ouvem, e vão dizendo:
- Já vou, vai já.

Cada doente sente que tem prioridade. Que é único. Com direito a tudo… Se estiver lucido. Quando uma enfermeira para junto dum doente, fala com calma: tem de esperar senhora, vê que mal temos espaço para passar. Temos de respeitar a ordem dos pedidos.

Elas tentam organizar-se, retorcem-se para chegar aqui e ali. E precisam de mil olhos. Doentes em delírio, querem levantar-se, arrancam os tubos, de oxigénio, dos soros. Querem levantar-se, ir embora, ir a casa de banho. Não sabem quem são, onde estão.

Ao meu lado uma doente em delírio vive um quotidiano imaginário. Tem muita roupa para pôr a secar. Ralha com alguém que não sabe esticar a roupa. Subitamente a roupa é a mortalha que a preocupa. Quer o fato azul.

E entram macas, mais… macas. Chegam às 70 num espaço para 23.

Uma doente a gritar há horas, quer ir embora, enrola os tubos do soro no pescoço: “tirem-me daqui, quero morrer, deixem-me morrer.” Acorrem vários enfermeiros. Cortam os tubos, dão-lhe mais um calmante.

Da ala dos cadeirões, um homem exige sair:” sou quadro militar de patente. Quero ir embora”. O médico do turno tenta chamá-lo a razão. Ele não ouve. Quer ir embora. O médico tenta mais umas vezes. Desiste. Diz-lhe que tem de assinar um documento. Ele diz que assina tudo, se puder ir embora. Mas ameaça.

Tudo isto acompanhado por um coro continuo de gritos:
- Senhora, ó senhora, senhora enfermeira…
E as respostas:
- Já vou, já vai, um momento…

E os mil olhos controlando tudo e todos. Um doente que arranca a algália, um que quer levantar-se e ir ao WC. Os que por decisão médica não podem comer gritam que estão a matá-los a fome. Que vão fazer queixa. Um outro, em delírio, conta a sua ida para França em 74. O médico já de outro turno, recebe uma sala de urgências onde não se consegue circular.

Não há palavras para descrever este inferno, que médicos, enfermeiros e assistentes vivem diariamente por uns míseros mil e poucos euros, 900 euros, 700 euros por mês.

No terceiro dia fiz todos exames e tenho diagnóstico. Posso voltar para casa. Volto, noite dentro. Com a raiva a crescer-me no dedo, o vómito na garganta.

Bancos financiados, administradores da TAP com prémios inexplicáveis!  Não podemos aceitar. Cresce-me a raiva no dedo. Vejo e oiço o ministro da saúde. As suas declarações dão-me vómitos. O linguarudo lambe botas! Já não lhe cabe a língua na boca. Cortem-lha para que se cale!!

Enquanto isto e muito mais se passa, as seguradoras com interesses na saúde, esfregam as mãos! Urgências e exames caríssimos continuarão nas urgências dos hospitais públicos, onde estão os meios e as competências.  E os privados terão internamentos de luxo, serviços personalizados!

Para as instituições do SNS, ficarão as responsabilidades, nos hospitais ficarão os miseráveis, que não podem pagar um seguro de saúde. E ficarão por miseráveis salários, médicos dedicados, enfermeiros dedicados, assistentes que aguentam com tudo, por salários ainda mais miseráveis.!

Pergunto-me como é que estas mulheres e homens, a viverem este inferno diário, chegam a casa! Como não enlouquecem? Como não desancam os filhos com porrada? Como conseguem dormir, sabendo que amanhã, no seu longo turno, estarão de regresso ao inferno?!

Burlões tomaram de assalto telecomunicações

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Não há dia em que não nos caia no telemóvel ou no email uma mensagem enganosa.

Os três exemplos que aqui deixamos servem de aviso, mas os esquemas são múltiplos e o conto de vigário é diverso.

No primeiro exemplo, os burlões utilizam o medo de alguém ter copiado os dados dos nossos cartões de débito, vulgo multibanco. A mensagem simula a preocupação da instituição bancária, mas não arrisca com o nome de um banco.

No segundo caso, arriscam utilizando o nome do Novo Banco. Há um falso alerta de que a nossa conta bancária foi bloqueada por questões de segurança. E incitam-nos a utilizar um link para resolver a situação.

Curiosamente, os contactos efetuados pelo telemóvel deixam um rasto, um número onde a mensagem teve origem. Cabe à polícia seguir essa pista.

No terceiro caso, a tentativa de burla utiliza a EDP, avança com uma exigência de pagamento sob pena de haver um corte no fornecimento. Esta situação foi denunciada pelo escritor Luís Cardoso de Noronha, através do Messenger.

A única coisa a fazer é não ter pressa em resolver situações pouco claras. Tudo o que envolva cartões bancários ou pagamentos de serviços pode ser resolvido em contacto direto com o banco ou o fornecedor de serviços. Não experimentem os links que vêm nestas mensagens. Às vezes é quanto basta para entrarem nos nossos computadores ou telemóveis e nos roubarem dados. Por exemplo, há quem guarda no telemóvel passwords e números de contas bancárias. Se esses dados forem roubados, podem ser utilizados para assaltar as nossas poupanças. Claro que só é um problema para quem as tem.

ENTÃO GOVERNEM…

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Só me lembrava das tarefas por concluir: um texto pela metade, uma pesquisa adiada para
fazer avançar um romance, correio em atraso para os amigos merecedores da deferência,
e sempre os últimos, exactamente por serem amigos e compreenderem…
Talvez me ocorresse aproveitar melhor o tempo e, concentrando-me, um poema pudesse
nascer ali, como planta ousada nas ranhuras de uma fraga.
Nem por isso…O plim do aviso da posição de senhas, as vozes dos funcionários da longa
série de guichets em serviço, o visor do telemóvel a iluminar-se para acolher uma
mensagem…
Munida de esferográfica e bloco-notas, cabeça inclinada para trás e olhos semicerrados,
procurava desesperadamente circunscrever o meu objecto de análise, ou talvez mitigar
preocupações com o resultado dos exames. Perda de tempo!

Até que o barulho de fundo dos televisores, estrategicamente dispostos pelas duas salas
de espera, apelava a um maior envolvimento nas imagens pesadas. Crianças de colo
amarradas ao corpo dos pais, com uma mão na cabeça ajeitando as trouxas, outras
mais velhinhas, já cansadas, na retaguarda de filas intermináveis de desalojados que a
desumanidade vai aumentando, voltavam-se para trás, encarando o rosto dos operadores
de câmara que os seguiam.
Sem ponta de rancor. Sem acusarem o medo com que aprenderam a conviver. Um sorriso
fugaz… Seria uma réstia de esperança, mas em quê?
Nem eles saberiam. Os pais, avós, membros amigos da comunidade, transformados em
gerações itinerantes, todos os dias percorriam quilómetros de caminho sem meta à vista.
Não teriam como lhes dizer o QUE buscavam, QUEM os poderia ajudar, ONDE procurar
um abrigo para dormir, COMO sobreviver sem outros recursos que não os das reservas do
corpo e mente, ou QUANDO teria um fim à vista a dolorosa peregrinação e por POR QUE
eram obrigados a deixar casa e parcos haveres, na calma instabilidade da vida que
levavam.

Quase podiam ilustrar o paradigma de Lasswell para compor uma notícia, só que eles
acabariam por deixar de ser notícia, com tanta calamidade nova para reportar.
Nesse momento era chamada. A conversa com o médico não chegava a ser sobre a
minha saúde, os meus exames que felizmente estavam bem, era sobre a saúde mental do
mundo, os abusos de poder que desviam o objectivo da governação, enquanto serviço
público, para amiguismos, favorecimentos ilícitos, distribuição de fundos colectivos para
benefício privado.
Enfim, continuamos com monarquias hereditárias de expressão medieval.
Dependerá da escolha das lideranças, mas a corrupção é o cancro do poder, está a
destruir o mundo.
“E terá cura?” – perguntei ao médico.
“Tem…é só uma questão de governarem…é o trabalho para que foram “contratados”.
Então governem, senhores políticos do mundo inteiro. E respeitem a dignidade dos outros
seres humanos, que não têm culpa da vossa incapacidade.

SINTRA: POLÍCIA MUNICIPAL VOLTA A ATACAR SEM-ABRIGO

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imagens que se repetem

É quase septuagenário, doente oncológico, vive na rua há 5 anos, pediu uma habitação social à autarquia de Sintra e não lha deram. E por isso protesta. E por isso sofre abusos de poder e prepotência de elementos da Polícia Municipal que tentam constantemente impedir o protesto.

vídeo

Manuel Ildefonso precisa de um bom advogado que aceite ser pago pelo Estado, uma vez que Ildefonso não tem meios para pagar. Os advogados oficiosos nomeados pelo tribunal a que Ildefonso tem direito, normalmente são demasiado timoratos e pouco ou nada empenhados. Limitam-se a pedir justiça, mas isso não acontece sem empenho e engenho de um advogado. Se algum advogado quiser um bom caso social e com repercussão pública, aqui está uma bela oportunidade.

José Fernandes, o mais velho

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padre José Fernandes

É um fenómeno de longevidade. Já passou os 102 anos de vida. Só isso já justificaria que lhe dessemos atenção. Mas, José Fernandes acaba de publicar mais um livro. Desta vez, um livro de poesia a que chamou “Poemas úteis e afáveis”.

Estamos a falar, provavelmente, do escritor mais velho ainda em atividade. Estamos a falar de um padre da Ordem dos Salesianos que, em 2020, quando José Fernandes celebrou os 100 anos, publicou um pequeno vídeo com uma conversa com o aniversariante.

vídeo

Nasceu em Cicouro, Miranda do Douro. Em livros anteriores, a herança cultural do lugar onde nasceu foi bastante evidente, como foi o caso do livro que em mirandês se intitula La Mona l Maio – Cuontos de la Raia i de l Praino (que em português quer dizer,  A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto).

“Poemas úteis e afáveis” é a terceira obra poética deste padre. Também se entreteve a traduzir obras de outros autores, “Dom Bosco entre nós “, de Marcelle Pellissier, e “S. João Bosco – Uma Biografia Nova”, de Terésio Bosco, obras publicadas pela Salesianos Editora.

Depois de muitos anos a ensinar latim e História, passa a sua longa reforma na Casa dos Salesianos em Manique, na comunidade da Residência Artémides Zatti.

O balão do João, sobe sobe pelo ar…

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A história do balão meteorológico chinês tresmalhado e que alarmou o Pentágono quando passou pelo espaço aéreo norte-americano, está a dar algum gozo aos chineses.

Um curto vídeo começou a ser disseminado nas redes sociais mais utilizadas pelos asiáticos, onde mostra o presidente dos EUA a cair numa escada quando subia para o avião.

O vídeo é verdadeiro, Biden escorregou mesmo e caiu. Já os balões que lá aparecem são fruto da imaginação de algum chinês, quiçá algum perigoso agente secreto com a missão de derrubar o prestígio do Governo dos EUA.

A história do balão chinês que acabou abatido pela Força Aérea norte-americana e que foi classificado como “balão espião” pela CIA acaba, assim, numa gargalhada geral que ecoa por toda a China.

O livro dos livros

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Escrever um livro só com um dedo é como dizer um longo discurso so-le-tr-an-do, sin-co-pan-do to-das as sí-la-bas de to-das as pa-la-vras. Demora tempo, mas faz-se. Este livro foi assim escrito.

Alice Marques começou a escrever o livro por mero acaso, pela necessidade de executar exercícios de terapia de motricidade fina, depois de dois acidentes vasculares cerebrais sucessivos. “Dei-me conta que começava a escrever, cada vez mais, memórias”, diz-nos Alice, a propósito deste “acaso” genial a que deu o título de “Volta à Vida em Vinte Livros”.

Dizer que é um somatório de recensões sobre os livros que mais a impressionaram, não é verdade. Dizer que se trata de uma autobiografia, não chega, mesmo se estão lá os amores e desamores da vida.

Mas é parte de uma espécie de corrida contra o tempo, na tentativa de cumprir anseios antigos e promessas por cumprir: “um dia cumpriria a promessa que fizera ao meu avô no seu leito de morte, quando lhe segurei a mão e senti a sua vida esvair-se num suspiro. Hei de escrever, avô, hei de ser jornalista, hei de ser escritora e, onde quer que estiveres, hás de orgulhar-te de mim.”

Não resistimos a uma graçola, quando lhe perguntámos se iria continuar a escrever, agora que fez o gosto ao dedo…  

“Escrever, quer à mão quer no telemóvel (só tenho uma mão minimamente funcional, e nesta só um dedo, o dedo que me liga ao mundo) foi um processo fisicamente muito doloroso. As boas memórias minoraram as dores”, conta-nos Alice. E é perante tamanha dificuldade física que a incerteza se agiganta: “Não sei se continuarei a escrever. De momento a minha situação física é ainda mais dolorosa. Continuo a precisar de todas as terapias. Também a da escrita. Porque quero viver. E não prevendo grande futuro, quero preservar as memórias.”

Alice Marques escreveu um belo livro sobre a vida. A vida dela e os 20 livros que mais a impressionaram ao longo desse tempo. É uma extraordinária maneira de se escrever uma autobiografia. E tudo começa na hora da quase-morte.

O livro de Alice Marques será apresentado ao mundo na Marinha Grande. Seria muito interessante que nem só os amigos dela lá estivessem.