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ALOJAMENTO LOCAL, selvajaria laboral

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A ASAE, órgão fiscalizador da segurança alimentar e económica, mandou fechar 10 alojamentos locais, anunciou este organismo em comunicado.

O comunicado da ASAE refere que realizou uma operação de fiscalização, denominada ”Dormir Seguro”, direcionada para o alojamento local, que decorreu em zonas históricas das cidades do Porto, Viana do Castelo, Coimbra, Póvoa do Varzim, Peso da Régua, Aljezur, Albufeira, Lisboa, Évora, Viseu, Covilhã, Viseu, Santarém e Vila Real. A operação teve como objetivo verificar “o cumprimento das regras legais específicas a que estas infraestruturas se encontram obrigadas” para garantir a “saúde e segurança” dos utilizadores.

Foram fiscalizados 192 operadores económicos e foi determinada a suspensão de atividade de 10 alojamentos locais por falta dos requisitos de segurança e de higiene. Foram ainda instaurados 33 processos contraordenacionais.

Na verdade, são frequentes as queixas de clientes motivadas pela sujidade com que deparam quando chegam os apartamentos. As queixas mais comuns dizem respeito ao mau funcionamento de eletrodomésticos, a instalações elétricas defeituosas, canos entupidos, esgotos a exalar maus cheiros.

FALTA FISCALIZAR A EXPLORAÇÃO LABORAL

O segredo do sucesso do Alojamento Local é ser barato. Pelo preço de um quarto de hotel, quatro, cinco ou seis pessoas ficam num apartamento. Não precisam de comer sempre em restaurantes, podem usar as cozinhas dos apartamentos que, normalmente, estão suficientemente equipadas para o número de clientes que a casa suporta. Mas, para ser barato, as empresas de AL exploram até ao tutano as pessoas que contratam. Em muitos casos, não há contratos de trabalho, nem sequer de prestação de serviços.

Não existe qualquer regime laboral aplicável aos trabalhadores do AL. Turnos de trabalho longos, ocupação sistemática dos fins-de-semana. Feriados, horas extraordinárias, horários noturnos, trabalho em folga, nada disso é pago. As pessoas trabalham online, em suas casas, utilizam os computadores pessoais, mais a parafernália de acessórios necessários: auscultadores, microfones, telemóveis, etc. A empresa não paga nada, nem sequer a internet. Exige recibos verdes e, muitas vezes, paga o salário tarde e más horas. Uma selvajaria que a ASAE ainda não fiscalizou.

MUITA PARRA E POUCA UVA

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colagem fotográfica

Tenho para mim, que as medidas anunciadas por António Costa são muito pouco eficazes. Soa-me mais a propaganda, a uma efectiva vontade de resolver o problema da habitação no país. 

O PS teve sempre, desde a sua fundação, um problema de estética social, que não será fácil de resolver. É a velha mania de querer agradar a todos para não agradar a ninguém. Isto por norma corre mal. 

Uma coisa é incontornável. Aqueles que nos encheram os ouvidos, anos a fio, com a industrialização do país, como forma de sairmos desta pobreza endémica em que sempre vivemos, pelo menos a maioria das pessoas, como solução para os nossos males, como se alguma vez tivéssemos sido um país com forte potencial nas actividades criativas e tecnológicas, venderam-nos uma valente treta. Nem isso aconteceu, nem se vislumbra qualquer mudança de paradigma.

O nosso tecido produtivo sempre viveu entre o rentismo dos grandes capitalistas cá da terra, que tomam conta dos monopólios, gaz, electricidade, correios e telecomunicações, distribuição alimentar, e o oportunismo de uma classe média que o Estado já não consegue absorver no seu seio, por manifesta falta de recursos financeiros, a qual procura sobreviver no meio da economia informal com que sempre nos debatemos. O resto são narrativas construídas pelo “comentadeiro” nacional, para justificar as várias agendas partidárias. 

Não me choca portanto o Alojamento Local, como forma de recuperar e rentabilizar um espaço habitacional, muitas vezes degradado, em zonas históricas das cidades. 

Goste-se ou não, foi através deste fenómeno recente, uns 15 anos, talvez, que uma boa parte dos imóveis das grandes e envelhecidas cidades portuguesas foram retirados da ruína, alimentados pelo dinheiro do turismo. 

Só que em Portugal quando aparece uma oportunidade de negócio, fruto de uma qualquer moda social ou de uma inovação tecnológica de baixo custo, um forno industrial multifunções, por exemplo, saindo-se bem o primeiro e o segundo atrevido, no novo ramo de actividade, é vê-los replicados em poucos anos como cogumelos em todas as esquinas. Foi assim há quarenta anos com as Churrasqueiras, no pós ultramarino, depois vieram as Pizzarias, os Pão Quente, os pequenos Centros Comerciais, e mais recentemente, o alojamento local AL. 

Acresce que uma boa parte destes espaços são propriedade dos antigos moradores, na condição de proprietários, que preferiram mudar-se para a periferia, mais barata,  rentabilizando a sua antiga habitação como forma de complementar a reforma. 

O que me choca neste negócio é uma regulação completamente desadequada, da realidade social e urbana das nossas cidades. Por outro lado a falta de fiscalização dos estabelecimentos e das práticas comerciais destes, e o critério pouco escrupuloso na atribuição destas licenças ou alvarás, também contribuem para a “selva”. 

É claro que há AL em excesso. E uma enorme desertificação da cidade, por parte de cidadãos nacionais, substituídos por estrangeiros ocasionais. E uma enorme especulação imobiliária que lhe dá suporte. Basta ouvirmos o Presidente da Associação dos Empresários do AL, um cidadão brasileiro, nem disfarçar sabem, para se perceber que as nossas grandes cidades estão à venda para estrangeiros. Um dia destes aparece-nos um asiático a botar discurso com aquele sotaque típico que os caracteriza. 

O governo deveria tomar a iniciativa de limitar este tipo de licenças ou alvarás, a 2 unidades de AL por proprietário, ou 3 unidades por empresa, sendo que a mesma não poderia ser unipessoal. Quanto ao abaixamento do IRS de 28% para 25%, isso só deveria ser válido para quem vive exclusivamente das rendas provenientes do arrendamento de longa duração, cujo somatório das mesmas não ultrapassasse anualmente os 25.000€

Quanto às medidas anunciadas pelo governo, com excepção do fim dos vistos gold e do fim da atribuição de novas licenças para AL, tudo o resto sabe a nada. 

Havendo demasiados estabelecimentos de AL, há pessoas ou empresas com 13, esperar até 2030, para reavaliar se essas licenças devem ser renovadas ou não, soa-me a aldrabice, uma vez que é bem provável que o PM António Costa já lá não esteja; a gente envelhece, não é; nem o PS pode garantir que é governo nessa altura, uma vez que 2030 será o fim da legislatura que se iniciará em 2026, a correr bem. 

Quem quer resolver um problema grave como o da habitação, ataca a questão logo a fundo e de princípio. Não anda a empaliar.

ELÉTRICOS ULTRAPASSAM GASOLINA

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Em 2022 venderam-se mais automóveis elétricos do que com motores a gasolina. Foi o ano da viragem no setor, em termos de vendas.

A fonte da informação é a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis. A primeira opção do público é por carros híbridos, que representam já 22% das vendas. Os carros 100% elétricos têm 12% de quota de mercado. Entre híbridos, 100% elétricos e plug-in, os automóveis eletrificados representam 44% das vendas globais do setor, no mercado europeu. Os carros a gasolina ainda têm 36%. Os diesel são apenas 16% na escolha dos compradores. No conjunto, ainda representam 52% do total de vendas, mas a queda dos motores de combustão está a ser rápida e parece irreversível.

Guerra de preços nos elétricos

É neste contexto que se vislumbra alguma “guerra” entre as marcas no preço dos veículos elétricos. A Tesla abriu as hostilidades. O fabricante decidiu baixar os preços de modo surpreendente. O modelo 3, que custava 55 mil euros, passou a custar 45 mil. O modelo Y, que custava 50 mil, passou a custar 47 mil euros.

Para já, a única marca a reagir foi a Ford, que baixou o preço de alguns dos seus modelos elétricos, mas apenas no mercado norte-americano.

Se a jogada da Tesla resultar, é previsível que outras marcas sejam obrigadas a seguir pelo mesmo caminho.

GATOS, guardas do Museu Hermitage

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Sim, os gatos são bons a caçar outros animais. Às vezes demasiado bons. Quem tem gatos e vive no campo, sabe bem como eles gostam de trazer para casa os seus troféus de caça: ratinhos, cobras, lagartos, pássaros, até coelhos.

Muitas pessoas gostam de ter gatos em casa porque sabem que eles “limpam” tudo o que mexe, desde baratas a moscas. É o instinto fatal dos felinos.

Também é por estas características que há gatos nos locais mais improváveis. Por exemplo, o famoso Museu Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia, tem uma matilha de gatos que, durante a noite, ficam soltos pelos corredores do enorme edifício. E para quê? Para apanhar ratos, precisamente.

Os gatos do Hermitage entraram ao serviço em 1745. Há quase três séculos que os bichanos por ali andam. O que significa duas coisas: primeiro, que se trata de um serviço de valor reconhecido pelos sucessivos responsáveis pelo museu; segunda, os ratos são duros de roer…

edifício do Museu Hermitage, São Petersburgo

Sintra: sem-abrigo hasteou bandeira nacional

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Manuel Ildefonso, que há 5 anos mantém um protesto em frente à Câmara Municipal de Sintra e, por isso, tem sido vítima de abuso de poder por alguns elementos da Polícia Municipal, hasteou a bandeira nacional sobre o chapéu que lhe serve de abrigo.

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O protesto deste homem é legítimo, ninguém tem o direito de o fazer parar, e ele utiliza os objetos, os símbolos e a aparelhagem sonora que entender para expressar esse protesto.

O nosso apelo

Manuel Ildefonso precisa de um bom advogado que aceite ser pago pelo Estado, uma vez que Ildefonso não tem meios para pagar. Os advogados oficiosos nomeados pelo tribunal a que Ildefonso tem direito, normalmente são demasiado timoratos e pouco ou nada empenhados. Limitam-se a pedir justiça, mas isso não acontece sem empenho e engenho de um advogado. Se algum advogado quiser um bom caso social e com repercussão pública, aqui está uma bela oportunidade.

ALOJAMENTO LOCAL, mau negócio

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Nem mais uma licença de Alojamento Local em zonas urbanas, é uma das medidas anunciadas hoje que mais agradam aos que ainda residem em zonas históricas, como é o caso, por exemplo, dos habitantes de alguns bairros de Lisboa, Sintra, Cascais, Ericeira e Porto.

Benefícios fiscais para senhorios que pratiquem arrendamentos acessíveis e taxas fixas nos empréstimos bancários para habitação, são outras medidas que fazem parte do mesmo pacote legislativo anunciado hoje.

Aplaudimos de pé, tiramos-lhe o chapéu senhor primeiro-ministro, embora sejam medidas que já deviam ter sido tomadas há muito. Quanto sofrimento se teria poupado a quem foi despejado de casa para dar lugar aos turistas e nómadas digitais que invadiram Portugal, ou aqueles que deixaram de pagar a prestação do empréstimo por causa da subida das taxas de juro?

A baderna do negócio do Alojamento Local não beneficia a economia do país. A maioria dos estrangeiros que procuram este tipo de unidade hoteleira não vem gastar muito dinheiro. Chegam em grupo, dividem a despesa da casa entre eles, sai-lhes barato, compram pão, salsichas e uns ovos no supermercado e cozinham em casa. No fundo, são os antigos mochileiros ou turistas de pé descalço que se converteram ao AL.

É um negócio que quase não ocupa mão-de-obra. O aluguer dos apartamentos é feito online, o pagamento também e quase nunca diretamente às empresas portuguesas que intermediam a atividade. Quem recebe o dinheiro são as multinacionais da Airbnb, Booking ou outra das plataformas de turismo online.

O Alojamento Local apenas gera incómodos para os habitantes dos bairros invadidos por esta atividade. Por outro lado, talvez por não haver contacto direto com o cliente e pelo esmagamento das comissões que os intermediários recebem, o serviço prestado ao turista é mau. As queixas são frequentes e a imagem de um país afável e que gosta de receber turistas está a ficar marcada pelo desleixo e incompetência.

A VER PASSAR A MORTE

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Entre os muitos projetos de escrita que deixei por concretizar, houve um que, por mais absurdo que pareça, me deixou particularmente frustrada: conhecer os pensamentos daqueles velhos que via diariamente sentados no banco público junto ao cemitério da Marinha Grande.

Situado em zona central da cidade, marcando o início da Avenida da Liberdade, uma árvore frondosa é uma espécie de placard, em que a agência funerária noticia os mortos. Primeira página da necrologia, a ela têm acesso todos os passantes. Mas são sobretudos os ocupantes do banco que têm o privilégio de ver quem morreu. Também naquele lugar se mantêm sempre que mais um caixão encabeça o cortejo fúnebre que entra na necrópole. Destapam a cabeça em sinal de respeito, benzem-se, apertam as mãos contra o peito, ficam em silêncio. Depois recomeçam a conversa quase em surdina. Falarão certamente do último morto. De onde era, onde morava, de que morreu, quantos anos tinha, deixa filhos, netos…?

Observei durante anos esta cena e alimentei a curiosidade sobre aquela meia dúzia de velhos, que se iam revezando, ocupantes do banco. Pensei entrevistar estes homens que, em aparente tranquilidade, ocupavam os seus dias a ver passar a morte.

Fascinam-me estas cidadezinhas, onde os lugares dos vivos e os dos mortos coexistem sem conflito.

Atraem-me os cemitérios, a expressão pública de sentimentos em frases cliché inscritas nos mármores de todas as cores, que se alinham naquelas avenidas floridas.

Enternecem-me as mulheres que zelosamente mantêm as campas limpas e com flores sempre frescas, exalando perfumes neste insólito jardim.

Aproveitei, faz uns anos, a polémica da localização dum novo cemitério, futura morada de outros mortos, para uma incursão jornalística no tema da morte. Entrevistei o vereador responsável pelo pelouro dos cemitérios, percorri as estreitas avenidas de rigorosa geometria, com paragens aqui e ali, suscitadas pela fotografia de rostos conhecidos. As fotografias que identificam os habitantes de cada campa, a sua última morada, têm uma eloquência fascinante. Nelas, os mortos estão sempre vivos, felizes e bonitos, como gostam de recordá-los os familiares que lhes  preparam a mortalha, escolhem  a fotografia para a posteridade e encomendam as  inscrições fúnebres de eterna saudade.

A morte anónima teve honras de primeira página no jornal local. Sem parangonas. Apenas uma discreta cruz, símbolo do ritual cristão. Mas uma primeira página que permitiu a cada leitor pensar nos seus mortos, chorá-los, e seguramente, muito assunto de conversa, ou melhor, muita conversa sobre o mesmo assunto.

Mesmo limitada agora na minha mobilidade, continuo a passar por lá, quando alguém me transporta de carro. E ainda tenho a mesma curiosidade: sobre o que falarão aqueles velhos que escolheram não um banco de jardim, mas um banco rente ao muro do cemitério, para porem a conversa em dia, enquanto veem passar a morte?!

SOLIDÃO, FATURAÇÃO

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Não bastou o espetáculo no programa Alta Definição, dias depois foi repetir a dose no programa Júlia. A SIC fatura na choradeira de Judite de Sousa.

Júlia é mais um daqueles programas de conversa-da-treta a puxar à lágrima. Receita estafada mas eficiente. São programas baratos e de audiência garantida entre as donas-de-casa, desempregados, reformados e utentes de consultórios médicos.

A conversa com a Judite prometia “o que ficou por dizer”, mas duvidamos que tenha sido dito alguma novidade. Quando olhámos para a pantalha, a Judite fazia beicinho…

Já aqui dissemos antes que pensávamos estar perante uma espécie de exorcismo que Judite de Sousa estaria a fazer a si mesma para espantar angústias e acreditávamos, também, que tudo isto serviria de terapia para a grande solidão em que diz viver.

Talvez sim, talvez não. Mas, de repente, surgiu um sinal diferente. Na sua página do Facebook, a solitária Judite mostra o resultado da campanha: Pedaços de Vida, livro que escreveu há tempos, saltou para o 1º lugar no top de vendas livreiro.

Sendo assim, acreditamos que já espantou para longe as pulsões suicidas. Deveremos voltar a vê-la em qualquer outro canal, em breve, a vender o mesmo peixe.

FECHARAM A “SOPA DOS POBRES”

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Notícias recentes, dão conta de que o Governo decidiu entregar 30 euros por mês a cada um dos habituais beneficiários do POAPMC, como forma de compensar a quebra no fornecimento de alimentos. A medida será aplicada durante dois meses. Como em fevereiro o programa já não funcionou, admite-se que esta medida extraordinária seja relativa ao mês em curso e a março. Mas as expectativas de retoma do POAPMC não são tão optimistas.

Os trinta euros supostamente servirão para substituir os alimentos que deixam de ser fornecidos. Não nos parece bom negócio para os utentes, uma vez que esse montante não será suficiente para adquirir os alimentos fornecidos pelo POAPMC e que estão em falta, a saber: leite, queijo, arroz, cereais de pequeno-almoço, tostas, bolachas Maria, frango congelado, pescada congelada, sardinhas em conserva, mistura de vegetais ultracongelada para preparação de sopa, brócolos, espinafres, feijão verde, cenoura, alho francês, creme vegetal e marmelada. Parece muito, mas não será. A quantidade per capita é baixa, cada utente tem apenas direito a pequenas porções desta lista.

Os mais pobres continuam a necessitar deste apoio. Aliás, cada vez mais necessitam de apoio, porque a inflação coloca os produtos cada vez mais longe do alcance.

Nos últimos meses, como já tinhamos dado conta, este apoio estava a ser fornecido com cortes em muitos produtos, mas agora o corte é quase total.

O NEGÓCIO DOS APOIOS À POBREZA

No site do Governo dedicado a estas questões sociais, só agora foi publicado o aviso para candidaturas a esta distribuição alimentar. Talvez não tivesse sido má ideia fazê-lo antes do fim do programa, para evitar interrupções. Mas não foi isso que foi feito. Segundo o aviso, o prazo para as candidaturas só encerra em 7 de março.

Uma IPSS que contactámos informou que antes de maio não haverá retoma do apoio aos mais carenciados. E será preciso que todos os concursos, desde o fornecimento dos produtos até à distribuição, não sejam entravados pelas habituais reclamações e impugnações de concorrentes. É que há quem faça grandes negócios à conta do apoio aos mais pobres.

O POAPMC envolve uma multidão de utentes e uma miríade de organismos que vão desde ministérios às autarquias, IPSS, Misericórdias e outras organizações dedicadas aos apoios sociais. Mas é pago em Bruxelas. E é em Bruxelas que se decide o futuro do combate à pobreza em Portugal. No entanto, o Governo parece andar sempre a ver como pode poupar nos apoios sociais.

Há uns meses, o Governo português avançou com a hipótese de a distribuição de produtos alimentares ser substituída pela atribuição de um cartão carregado com determinado plafond que permitiria aos utentes continuarem a ter acesso ao apoio alimentar e eliminaria de vez as dificuldades logísticas que este programa colocou desde o início.

A criação de um cartão social bancário iria facilitar a vida dos que precisam de apoio, mas iria dar cabo do negócio que gira à volta dos apoios sociais. Os fornecedores não teriam mais garantia de comercialização dos produtos que transacionam. Por alguma razão, os concursos para este tipo de fornecimentos são acerrimamente disputados e frequentemente alvo de disputas judiciais.

O cartão daria total liberdade ao utente na escolha dos produtos que iria consumir, em vez de estar obrigado a comer aquilo que os outros querem que ele coma. Além disso, o utente poderia optar por adquirir outros produtos que lhe façam tanta falta como comida: detergentes, produtos de higiene ou até mesmo roupa.

Tentaram raptar Aya, a bebé “milagre” que nasceu sob os escombros na Síria

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No meio da enorme tragédia em que se tornou o terramoto na Turquia e Síria, sendo que este   último país tem menos recursos para atender às enormes necessidades que se lhe deparam pela frente, do que o país otomano, muito por culpa do terrorismo islâmico e da guerra civil, ainda há quem queira fazer negócio com a desgraça dos outros, em especial  crianças. 

Vem isto a propósito de várias tentativas de rapto por parte de grupos armados turcos, de uma recém nascida, Aya, cujo “milagre” foi sobreviver num parto em que a sua mãe faleceu, depois desta ter sido resgatada dos escombros. Os 4 irmãos e os pais, acabaram por morrer todos, no terramoto. Salvou-se Aya, cujo nome em árabe, significa “sinal de Deus”. 

A coincidência da sua sobrevivência perante tamanha catástrofe, transformou-a num objecto precioso, com elevado valor de resgate, para os grupos terroristas que pretendem negociar estes órfãos no mercado negro da venda de crianças para adopção, por quantias avultadas.

Se isto não é a lei da selva, alguma coisa há-de ser próxima do caos.