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MARCO PAULO, terceiro cancro

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Há uma multidão de fãs preocupados com a saúde de Marco Paulo, um popular cançonetista que encantou gerações de portugueses ao longo de uma carreira que começou há mais de 50 anos, quando ainda era um jovem adolescente.

A carreira do cantor foi marcada por grandes sucessos e recordes absolutos de vendas de discos

O mais recente percalço de saúde está relacionado com um tumor nos pulmões, mas o historial clínico de Marco Paulo é longo. Em 1996, foi diagnosticado com cancro no cólon, em 2018 ficou temporariamente cego na sequência de um AVC e, no mesmo ano, foi operado ao rim direito, os rumores de novo cancro nunca foram confirmados. Em 2020, foi operado a um cancro da mama. Agora, o alarme voltou a soar.

os problemas de saúde têm sido constantes

Na SIC, onde Marco Paulo apresenta um programa aos sábados de manhã, o estado de saúde do artista obrigou a interromper as gravações. No último sábado, o canal preencheu o espaço com um programa especial dedicado ao cantor.

Não se sabe quando o programa poderá ser retomado com a participação de Marco Paulo ou se o canal pondera temporariamente substituir o cantor por outro apresentador.

O cantor cumpriu 78 anos de vida em 21 de janeiro.

A GUERRA E O TIK TOK

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O senhor Shou Zi Chew é a versão chinesa de Mark Zuckerberg. Em Portugal, talvez a maioria das pessoas nada saiba acerca de Chew, já que os media que consumimos estão balizados pelos interesses políticos dos EUA.

Chew é o dono do Tik Tok, uma rede social global, tão poderosa e disseminada quanto o Facebook. Perguntem aos adolescentes portugueses onde passam tempo nas redes sociais e eles dirão “Tik Tok”.

Por ser chinesa e não estar controlada pela América, a rede social Tik Tok está na eventualidade de vir a ser proibida nos EUA. Num vídeo em inglês, publicado na sua rede, dirigido ao público americano,  Chew afirmou que “alguns políticos começaram a falar sobre a proibição do TikTok”.

@tiktok

Our CEO, Shou Chew, shares a special message on behalf of the entire TikTok team to thank our community of 150 million Americans ahead of his congressional hearing later this week.

♬ original sound – TikTok

Nesta mensagem, Chew garantiu que 150 milhões de norte-americanos têm conta no Tik Tok. Quase metade da população dos EUA. E também disse que 5 milhões de empresas dos EUA usam o TikTok para alcançar clientes. E pediu aos utilizadores desta rede social para deixarem mensagem contra a proibição do Tik Tok.

As alegações dos censores norte-americanos falam em potencial de espionagem. Eles lá saberão para que servem as redes sociais.

Dentro de dias, o dono do Tik Tok irá responder perante o Comité de Energia e Comércio do Congresso norte-americano. Mas a audição é uma cena de um enredo já escrito. A presidente desse comité já disse que apoia a proibição do Tik Tok. E há cada vez mais senadores a declararem apoio ao bloqueio dessa rede social ou à alienação forçada das participações de. cidadãos chineses nessa rede social. Alienação a favor de investidores norte-americanos, gente mais confiável, evidentemente. Num filme de cowboys isto seria a cena do assalto.

Os desconfiados dizem que tudo isto está relacionado com geopolítica, dominação global, guerra na Ucrânia e bases militares norte-americanas na Ásia. Gente de pouca fé.

ESTAMOS TRISTES

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Morreu Cândido Ferreira. Médico, cidadão, político, escritor, generoso, impulsivo, polémico, solidário, hoje morreu um homem bom. Morreu uma pessoa de quem gostavamos. Morreu um amigo.

A RATOEIRA EFICAZ

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Por esses Agosto e Setembro, vinham de África as felosas brancas, como lhes chamávamos. As figueiras ofereciam o seu manjar, nos troviscos aquelas baguinhas alaranjadas eram saboroso petisco!…

Será a felosa ibérica. Distinguíamo-la da felosa preta ou toutinegra, de cabeça bem escura. Havia também os pardais, os fuinhos e os piscos, de papo alaranjado; a ideia é que estes, os piscos, vinham na altura da azeitona.

Tempo de férias, tempo de ir armar aos pássaros, antes de abrir a caça à rola e ao coelho, que essa era para os adultos; nós, as crianças, caçávamos com fisgas e, sobretudo, armávamos aos pássaros, ou seja, preparávamos ratoeiras. Era o tempo das agüidas, as formigas de asa que serviam às mil maravilhas para isco: prendíamo-las pelo abdómen no gatilho e, assim, deixávamos-lhes as asas livres para tremeluzirem e brilharem ao sol e serem o isco ideal. Armávamos nos troviscos, nos silvados e fazíamos poisos na terra debaixo das figueiras.

Conhecíamos razoavelmente os arredores de casa, onde passarada havia e escolhíamos, por isso, os sítios ideais para, ao final da tarde, trazermos, ufanos, dependurados pelo bico à cintura, no aro de arame, 4 ou 5 pássaros, que teríamos de seguida de despenar com todo o cuidado, que era a tarefa mais aborrecida. Quando lográvamos dez bicos era uma festa e, então, se havia uma ratoeira que nos dava pássaro a cada volta, uma beleza!…

“PASSARINHOS” APRESSADOS, MULTA NA CERTA

Moro agora onde, nos anos 50, era um mato de bons carrascais e troviscos. Nos terrenos de trigo pela colina do depósito de água havia cabeceiros à farta e bastavam duas ou três cavadelas para nos abastecer os frasquinhos de agüidas para dois ou três dias.

O mato desapareceu, mas a urbanizada Rua Fernão Lopes transformou-se na ratoeira eficaz, com meia dúzia de poisos excelentes. E é de ver diariamente os caçadores a apanharem quem se deixou ludibriar. Às vezes, vêm a pé desde a vila até ali, o que não deixa de ser um bom exercício matinal; a maior parte das vezes, deslocam-se, porém, naqueles miniveículos eléctricos, estacionam, fotografam e tomam notas.

O «pássaro» viera apressado, que tinha consulta no hospital, estava atrasado, havia lugares do lado norte, estava a placa P convidativa e… porque não aproveitar? Abençoado lugarzinho que o meu guia espiritual deixou mesmo para mim! Com a pressa, nem se dá conta de que, do outro lado, há placa a identificar estacionamento pago todos os dias, de manhã à noite. Aliás, até o parquímetro está meio escondido na praça de táxis, bem lá adiante. E o condutor cai na esparrela que nem felosa branca em cata de agüida! A ratoeira eficaz. Dá sempre! Mais vezes fizessem a ronda, mais passarada apanhavam!…

Um dos nossos cuidados de rapazes era o de dissimular bem a ratoeira, para que o pássaro não desconfiasse. Assim, na Rua Fernão Lopes, placa e parquímetro estão do lado direito, onde não se estaciona, e passam despercebidos às mil maravilhas. Lugar, portanto, para excelente caçada diária. E os caçadores sabem-no bem! Os pássaros é que ficam perplexos, quando, dias depois, recebem a mensagem no ninho!

PEDRO LOPES ADÃO, aqui está um poeta

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A poesia é um produto normalmente consumido por elites culturais, mesmo a dita poesia popular acaba por ficar nessa redoma e raramente o público reconhece o nome de um poeta. A questão é se os poetas fazem algum esforço para captar o interesse das massas ou se ficam contentes por serem reconhecidos apenas pela elite.

– A questão que me propõe é deveras difícil de responder, não tanto pelo carácter hermenêutico, antes por consistir num traço singular de cada artista, neste caso, de cada poeta.
Muitos poetas procuram a aclamação de um público alargado por quererem adquirir amplitude geográfica e, consequentemente, alguns benefícios, como deixar cair a produção numa banalidade: o estilo, aquilo que define o artista enquanto tal, desvanece-se em ordem de agradar um pouco a todas as opiniões, espectros cromáticos. Por outro lado, teremos sempre os irremediáveis das elites – medito, todavia, se teremos uma elite intelectual nos nossos dias. Acredito que um lobby de ‘alta roda’ sim, restrito a sujeitos de condições muito favoráveis socioeconómicas de todas as profissões, muito embora os poetas gravitem mais nesse ciclo do que dentro dele, por vias do mecenato, altos patrocínios, etc.
Se me perguntar no meu caso, é muito simples. Escrevo por achar que tenho de colocar determinada mensagem acessível a todos: se quem me lê é das elites ou das massas não me interessa, sou alheio: a obra é de todos a partir do momento que o prelo a manda para as livrarias.

– A sua incursão pela poesia é um impulso ou uma opção racional? Quero dizer, é paixão ou profissão?

– Terá começado como um impulso entre a vertigem dos 15-16 anos com a leitura de António Nobre e outros decadentistas/simbolistas. Progressivamente, por vias do estudo contínuo e do exercício, a razão tomou as rédeas; lembro-me de produzir muito nessa fase… era muito inexperiente, queria manipular a palavra, o verso, ver o que se podia fazer, seguir as regras e, de esgueira, torcê-las, como se estivesse a exercer um ofício de mestre antigo.
Obviamente que depois da experimentação e de um relativo sucesso houve sempre a oportunidade de fazer da poesia profissão. Recuso-me. É paixão. Será sempre paixão. Paixão movida pela razão, pensamento crítico.

– Sendo improvável que a poesia por si só mate a fome ao poeta, o Pedro pretende fazer o quê como modo de vida?

– Ah! Mata de fome, isso sim. Mas não é assim com tudo nestes dias? Reconheço efetivamente que os homens e mulheres de Letras sempre tiveram o problema da subsistência (infelizmente não sou herdeiro de nenhuma grande herança que me permita tirar férias na casa de campo só para a escrita). Sou muito realista quanto ao como projeto o futuro. Há duas vias: ou sigo o percurso universitário e tenho a sorte de ele me galardoar como empregado desse mesmo ramo ou, então, procuro fazer trabalho no ramo editorial, escritório, qualquer coisa, nem que seja um humilde bartender. Não posso é ficar sem a escrita – qualquer profissão tem de permitir esta respiração.

Portanto, não é de todo impossível que, um dia destes, num bar do Porto, tenhamos um poeta a chocalhar cocktails ou a deitar pedras de gelo no whisky. Há vidas com menos graça. Mas o foco deste poeta está, evidentemente, na produção literária, embora na poesia de Pedro Lopes Adão, copos e fumo não sejam ambientes estranhos…

poema sem título de Pedro Lopes Adão


– Que projetos de poesia tem em mãos, neste momento?

– Neste momento tenho o lançamento do meu 2° livro de poesia em mãos “Os Amorosos & Os Odiados”, prefaciado por Pedro Villas-Boas Tavares e A.M. Pires Cabral.

No prefácio de ”Os Amorosos & Os Odiados” vem a garantia que estamos perante um poeta avesso a lóbis e a modismos. Garantem-nos que é um precursor de uma nova poesia, uma voz distinta.

Estamos cá para te ler, Pedro.

capas dos dois livros de Pedro Lopes Adão, Palavra em Queda e Os Amorosos & Os Odiados (ainda no prelo)

RUI NABEIRO

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Nasceu pobre e morreu rico, hoje, os 91 anos de idade. Começou a trabalhar em criança na mercearia da mãe, onde também se torrava café. Foi pouco à escola, licenciou-se no trabalho e doutorou-se em sensibilidade social. Morreu um símbolo, uma espécie de encarnação do mito do “bom patrão”. Que a sociedade portuguesa perdeu um dos melhores, é inquestionável.

O CASAL SALOIO DE CASCAIS

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Nem sequer os responsáveis camarários esperariam tamanha afluência, tamanho entusiasmo. É que a revitalização do casal saloio de Outeiro de Polima, além de ser uma aspiração geral, muito tinha a dizer a esta população do interior do concelho de Cascais. Revia-se ali, naquelas paredes, naqueles objectos, naquela reconstituída vivência – que fora a sua na juventude, que fora a de seus pais e avós.

Muitas alfaias, muitas fotografias. Num desafio: «Olha, esta é a Maria!», «Olha, isto é em Manique!», «Olha, esta era a foice que a gente usava!».

Disse o presidente da Junta que se concretizara um sonho; disse o director municipal da Cultura que se concretizara um sonho; repetiu-o o Presidente da Município.

Era bem visível a alegria de todos e o Director do Departamento do Património, Doutor João Miguel Henriques, não hesitou em enumerar quantos tinham contribuído para que o sonho se tornasse realidade. De facto, a obra resultou do empenhamento de uma vasta equipa, só possível porque todos sentiam estar a contribuir para dar vida a uma aspiração, a consolidar uma memória.

Insistiu-se: Cascais não é só o litoral, é também a região saloia, cujos habitantes – para além, agora, dos muitos imigrantes vindos das mais variadas zonas de todo o Portugal – descendem dos que, no tempo dos Árabes, cultivavam a terra para abastecer de alimentos a cidade de Lisboa. Um orgulho, afinal!

Vale a pena visitar com tempo todas e cada uma das dependências, dotadas de um projecto museológico digno. No final do percurso, depois do mundo agrícola, do mundo do trabalho da pedra, da cozinha, passa-se pela antecâmara que dá acesso à escada para o quarto de dormir, no 2º piso. Invocam-se as entidades proporcionadoras de um sono bom; imagina-se a noite, desce-se pela escada exterior e baixa-se a cabeça para espreitar o curral, onde outras maravilhas inesperadas se deixam admirar também.

De algo de muito importante agora se tomou consciência: a possibilidade de se recolherem alfaias em desuso, fotografias antigas. Que o Povo agora vê que esses objectos, aparentemente sem interesse e porventura destinados ao lixo, constituem memórias a preservar, estão cheios de histórias por contar. Aos netos e, também, para quem tem vivido em artificiais meios urbanos e nem sabe distinguir uma espiga de trigo da de cevada!

Parabéns!

as alfaias

A INSUPERÁVEL FORÇA DO QUERER

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A Carolina é uma jovem de notável inteligência. Cometi a inconfidência de lhe contar que ia escrever uma crónica sobre ela, talvez com o título “menina mulher coragem”. Comentou, com refinada ironia: “que originalidade”!

É o que todos dizem dela. Eu tinha obrigação de escrever algo mais original.  Passei horas a pensar num título. Humor, alegria, inteligência, saber, sentido crítico, simpatia… não chegam para definir a Carolina. Ela é um ser humano excecional.

Um estúpido acidente, em 2014, pode ter-lhe roubado o corpo de bailarina, mas fez dela um ser humano de insuperável beleza e força do querer.

Conheci a Carolina no início de 2023.

Reparei naquela miúda, nova no ginásio da clínica onde há mais de três anos faço fisioterapia. Falava sem parar, com uma espécie de urgência de dizer. Nomes de canções, filmes, cantores, atores, países, capitais, monumentos, rios, montanhas… e muitos outros tópicos. Percebi que era não só um jogo, mas também um exercício permanente de comunicação para manter a memória ativa. O fisioterapeuta, o incomparável Bernardo, para quem a Carolina é a Carolina e eu a Alice, duas pessoas com as suas vidas, as suas histórias e não duas doentes a quem ele propõe séries de exercícios, rapidamente me envolveu nestes jogos, como uma espécie de jogadora suplente. Há sempre um filme antigo que eu vi, um livro que li, uma cidade ou um monumento que visitei, vantagem de ter mais 40 anos do que a Carolina. E há centenas de nomes que não sei, e muitas outras referências da sua geração, que aprendo com ela.

A Carolina que eu conheço é uma miúda de 28 anos, que fala e canta sem parar, em Português e Inglês, durante as horas da terapia.

Tem uma história com um episódio infeliz, um verdadeiro contratempo. Queria ser médica. Aluna brilhante no secundário, fez por isso e conseguiu a média almejada para entrar nesse curso. Estudava medicina, na Universidade de Coimbra, no 2°ano, quando, num estúpido acidente a sair do carro, outro carro a atingiu, provocando-lhe uma brutal lesão crânio encefálica. Tinha então 19 anos, corpo de bailarina e sonhava ajudar as pessoas a ter uma vida com saúde, contribuir para um mundo melhor.

O acidente estragou-lhe os planos. Mas longe do prognóstico catastrofista da equipa médica, contra todas as expectativas, a Carolina, com uma insuperável força do querer, tem recuperado ano após ano, mês após mês, capacidades que fazem dela não apenas uma lutadora, mas uma vencedora digna de medalha de ouro.

A história dos anos após o acidente foram contados por ela mesma, num livro, cujo título, FASES DA VIDA, (Chiado editora) é elucidativo da sua atitude, da sua inacreditável capacidade de celebrar cada pequena conquista de autonomia, alimentando a vontade indomável de retomar o projeto de fazer o curso de medicina, interrompido pelo acidente.

Estes oito anos não foram um parêntesis na vida da Carolina. Foram e ainda são anos de obstáculos a vencer, ou melhor, de provas superadas e outras para superar.

No seu livro, cada dia de uma conquista é uma celebração da vida. Pôr-se de pé, dar os primeiros passos, tomar banho sozinha, cozinhar, largar a cadeira de rodas, passear no shopping, ir à piscina, ganham a dimensão de acontecimentos memoráveis! Que de verdade são, para quem teve um prognóstico do resto da vida deitada numa cama.

Mas não só da reabilitação física tratou a Carolina. Determinada a voltar a estudar medicina e ainda sem autonomia para regressar à Universidade de Coimbra, não perdeu tempo a curtir depressões. Voltou a estudar, frequentou no Instituto Politécnico de Leiria, a instituição de ensino superior próxima de casa, disciplinas com afinidades com as do curso de medicina, enquanto aguarda o momento em que possa regressar à Faculdade de Medicina. Página após página, em FASES DA VIDA, Carolina compôs um verdadeiro HINO DA ALEGRIA, que dedica à sua mãe, seu alter ego nestes anos de corajosa luta e incríveis vitórias.

Ler a história desta fase da vida da Carolina suscitou em mim uma admiração inominável por esta jovem, este ser humano fascinante. Brilhante. GIGANTE. Por isso lhe dedico esta crónica.

ADVOGADAS OBRIGADAS A TIRAR O SOUTIEN NAS VISITAS A RECLUSOS

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“Ilustres Colegas,

Na sequência de exposição apresentada por uma Ilustre Colega, o Conselho Geral teve conhecimento de que estariam a ser realizadas revistas abusivas nas entradas/ visitas das Senhoras Advogadas no Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo.

Em concreto, aquando a entrada no EP e perante o aviso sonoro do pórtico de metais, era exigido às Senhoras Advogadas que retirassem o soutien, de modo a averiguar o motivo do sinal.

Assim que tomou conhecimento desta situação, a Senhora Bastonária da Ordem dos Advogados interpelou a Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, de modo a terminar de imediato com esta prática violadora da dignidade profissional das Exmas. Colegas que, no exercício da profissão, se dirigem aos Estabelecimentos Prisionais.

Em resposta à exposição apresentada pela Senhora Bastonária, a DGRSP emitiu despacho onde concluiu que os/as Advogados/as que se desloquem ao EP em exercício profissional, atento as especiais prerrogativas das suas funções, não devem ser sujeitos às regras de revista pessoal e dos bens particulares reservadas pela lei às visitas presenciais dos reclusos.

Aproveitamos o ensejo para encorajar todos os Ilustres Colegas a reportarem ao Conselho Geral e/ou à Comissão dos Direitos e Prerrogativas da Advocacia toda e qualquer violação dos Direitos e Prerrogativas da profissão, pois só uma Advocacia atenta, unida e interventiva poderá defender devidamente a Dignidade da profissão.”

A Bastonária e o Conselho Geral

A Comissão dos Direitos e Prerrogativas da Advocacia

Lisboa, 14 Março de 2023

fonte: Ordem dos Advogados

ARTISTAS AFINAM PROTESTO

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Luísa Sobral, Agir, Ana Bacalhau, Tiago Bettencourt, Fernando Tordo, Rui Veloso, Dino D’Santiago, Teresa Salgueiro, Júlio Resende, Manuel Paulo, Cristina Branco, Luís Represas, Marco Rodrigues, Luís Trigacheiro, Selma Uamusse, são alguns dos artistas que criaram um movimento para tentar organizar o protesto. Juntos terão mais força. Eles sabem o que enfrentam quando ouviram o presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão dizer que Portugal não tem produção musical suficiente para alimentar quotas de 30%.

O ministro da Cultura não parece valorizar a contestação. Para ele, a lei em vigor deve ser respeitada e essa lei obriga a passar apenas 25% de música portuguesa. O ministro disse que, de resto, “na generalidade das rádios, a utilização de música portuguesa tende a superar, por opção editorial, o valor da quota”.

Há quem diga precisamente o contrário. Paco Bandeira, proscrito das playlists radiofónicas, apesar de continuar a ser um artista muito popular, disse-nos que fez parte da comissão que elaborou “a lei 12/81 que previa a passagem de 50% de música portuguesa, mais 10% de música de expressão portuguesa”. Uma lei que foi aprovada por unanimidade na Assembleia da República, mas que, segundo Paco Bandeira, “logo aí surgiu a resistência impune do João David Nunes, diretor da Rádio Comercial que não cumpriu a lei e afirmou que não cumpriria.” Ou seja, a lei das quotas para a música portuguesa nunca foi plenamente cumprida.

MAIS DENÚNCIAS

Está assim instalada a contestação contra a diminuição de quota para a música portuguesa nas emissões de rádio. Aparentemente com o agrado das empresas, a quota regressou para os 25%. Menos quota implica menos direitos a pagar aos artistas e menos visibilidade, talvez menos espetáculos e, seguramente, menos rendimentos. E por isso, os artistas protestam. E estranha-se o silêncio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), o organismo que recolhe os direitos dos autores e distribui o dinheiro pelos artistas.   

Nas redes sociais o protesto assume-se nos perfis pessoais dos artistas. Por exemplo, a cantora conhecida por A Garota Não denuncia o sistema que asfixia os novos artistas, mantendo os privilégios da fama e do proveito dos que controlam a coleta de direitos de autor proveniente das chamadas playlists das rádios.

A propósito da redução de quota para a música portuguesa a passar nas rádios que “voltou a descer para 25 por cento”, A Garota Não diz que o problema está também na seleção que é feita dos artistas escolhidos para estar nessa quota. Uma crítica evidente à SPA.

“Circunscrito em torno de uma dúzia de artistas, representados por velhas máquinas – que sim – estão cansadas e sem imaginação – mas ainda respiram e – sobretudo – ainda fazem MUITO dinheiro à conta do airplay das rádios”, diz ela num texto publicado no Facebook.

Na opinião de A Garota Não, a quota pouco importa, porque “a grande maioria das rádios nacionais – até se podia ficar por apenas 10 por cento de quota. Porque afinal aquilo que verdadeiramente apoiam e dão a conhecer de música portuguesa é tão limitado e repetitivo, que ficaria pronta a mostra nessa breve percentagem – e nem se levantava tanto cachão com este assunto. E nem seria preciso chamar o Ministério da Cultura à conversa.”

O artista AGIR também protesta contra a diminuição da quota para a música portuguesa nas rádios

Na noite de 17 de março, a petição “Pelo aumento da quota mínima obrigatória de música portuguesa nas rádios” tinha angariado mais de 3.450 assinaturas. Se a petição for subscrita por mais de 7500 cidadãos terá de ser discutida em Plenário da Assembleia da República.