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O DEBATE E O BATE-BOCA

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Há dois anos, segundo a opinião de alguns dos analistas da nossa praça, grande parte deles conotados com a direita, António Costa perdeu vários debates com Rui Rio e Cotrim de Figueiredo, e acabou por conquistar uma maioria absoluta. O que eu digo é que as notas dadas pelos comentadores não passam de um jogo de sombras com o único fim de manipularem o eleitorado.

Pedro Nuno Santos vinha de há uns tempos a esta parte a ser criticado, por alguma comunicação social, de não ter estado particularmente bem nos debates com Rui Rocha e com André Ventura. Tudo isto tendo como ponto de partida, não a realidade visível e audível dos debates, apenas e só com base numa vitória eleitoral nos Açores da AD, e uma sondagem da Universidade Católica a dar ligeira vantagem à coligação de direita. Ontem contrariada por outra da Aximage, para o JN, DN e TSF, em que continua a dar a vitória ao PS.

No debate de segunda-feira assistimos a um Pedro Nuno Santos ao ataque. Com uma primeira parte desconcertante, destrunfando todos os argumentos do PSD, em especial nos assuntos económicos, onde de forma clara Luís Montenegro não pesca nada.  Atribuiu os louros das suas propostas a um conjunto de economistas reputados. Quais? Os que têm a mesma agenda dele? Ou aqueles que contribuíram com a sua sapiência para a falência dos nossos bancos nos anos 2008 a 2014? Quem sabe aquelas privatizações ruinosas da PT, CTT e ANA?

O desconforto do líder do PSD era tal, que na segunda fase do debate passou a vida a interromper o líder do PS, tendo até por via disso cerca de um minuto a mais no confronto verbal entre ambos.

Há uma parte do debate em que Pedro Nuno Santos é confrontado com os resultados das avaliações na escola pública e, aí sim, percebe-se que não está contente com o desempenho deste pilar do Estado Social. Mas até na introdução do tema da avaliação da escolaridade entre o público e o privado, onde Montenegro afirma que 25% da escolaridade básica já é no ensino não estatal, Pedro Nuno Santos desconstrói essa narrativa com a introdução de ensino profissional nos números por ele apresentados, afirmando que 10% desses alunos são dessa via de ensino, e só 15% são do ensino não profissional.

No final do debate fui ver, ouvir e ler alguns dos comentários dos analistas recrutados pelos jornais e televisões, a maioria deles alinhados com as posições ideológicas da AD. Deu-me algum gozo assistir ao enorme exercício de hipocrisia, de certos comentadores, alguns dão um empate entre os dois, como por exemplo, Maria João Avilez, ou até Manuel Carvalho, ex director do Público, e ao enorme contorcionismo que uma boa parte dos outros teve de fazer, para darem a vitória no debate a Pedro Nuno Santos. Eu sei que foi um sapo difícil de engolir. Mas lá fizeram um esforço.

Sempre achei estas avaliações uma manipulação grosseira. Eu diria até falta de ética profissional. Acho que o eleitor deve fazer as escolhas com base na sua perceção da realidade ou dos factos, e não conduzido por alguém que se pressupõe dono da verdade.

O pior que poderia ter acontecido a esta gente que já entroniza Luís Montenegro como primeiro-ministro, aliás está a ser levado ao colo por alguma comunicação social, foi o facto de ele ter tido uma má prestação no debate, em face das expectativas criadas.

A minha dúvida é se estes confrontos verbais servem para alguma coisa, mesmo para os indecisos, sujeitos muito mais à pressão familiar e profissional, do que à narrativa dos políticos. Aquilo não passa de um manual de boas intenções, cuja realidade os levará a contrariar muito do que disseram.

Dia 10 de Março logo se verá. O país vai viver tempos conturbados, ganhe lá quem ganhar.

“Olá pai!”, “Olá mãe!” – a burla

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O relato de Arminda é elucidativo:

“É com o rosto afogueado, as orelhas a arder e o coração acelerado que tento escrever o que me aconteceu. Prudente como sou, quase podia jurar que estava a salvo, apesar de já ter ouvido falar nisso.

Pois foi hoje.

De manhã, recebi uma mensagem, no whatsapp, de um dos meus filhos, dizendo que o seu telemóvel estava no arranjo e pedindo-me que registasse o número provisório com que estava a contactar-me. Assim fiz.

Umas horas depois, através desse número, perguntou-me se lhe fazia um pagamento urgente que ele não estava a conseguir fazer. Respondi imediatamente que sim e pedi-lhe os dados.  Recebi a entidade, a referência e o montante para pagar.

Achei um valor elevado mas não me senti no direito de fazer perguntas, uma vez que ele me tinha dito que amanhã mo devolveria. Disse-lhe que trataria disso mais tarde porque nesse momento estava à espera de visitas. Cerca de duas horas depois, ele insistiu: “então, mãe, fazes-me isso? Depois, manda o comprovativo para aqui, ok? “ Logo que fiquei sozinha, tratei do pagamento e enviei-lhe o comprovativo, por SMS, para o seu número verdadeiro, esquecida de que esse telemóvel estaria no arranjo…

Perante a pergunta dele – “que comprovativo é este?” – reclamei: “estás a brincar comigo ou quê?” Pois foi nesse momento que a verdade me trespassou, como uma flecha: “Mãe, foste burlada!”

Foi horrível. Eu não conseguia acreditar. A foto do whatsapp era a do meu filho, o modo de me abordar era igual, a escrita correta, bem pontuada, sem erros, acompanhada de emojis de beijinhos, como se fosse dele! E uma revolta enorme contra mim mesma, por não ter sido cuidadosa, não me dava descanso. Nem sei quantas vezes me insultei e me chamei de burra!

Perdi o dinheiro que me foi extorquido e perdi também, por momentos, o pedaço de dignidade que alguém desconhecido pisou, na minha frente, sem dó nem piedade. Partilho, para que não caiam como eu caí.”

Este tipo de burla é recorrente. O Whatsapp parece ser a rede social mais utilizada por este tipo de bandidos. Os avisos repetem-se, mas há sempre alguém mais desprevenido. Não são só as mães a cair na esparrela, pais, avós, todos caem. Mas os mais atentos, reagem assim:

recorte do Whatsapp

EUROPA FORTALEZA

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A União Europeia prepara-se para permitir a detenção, durante meses a fio, de crianças migrantes requerentes de asilo nas suas fronteiras. Estas detenções – ilegais à luz do Direito Internacional e das diversas convenções ratificadas por todos os Estados-Membros – comprometem a proteção dos direitos de crianças que já estão em situação de enorme risco e vulnerabilidade e que passaram por situações traumáticas nos seus curtos percursos de vida. Detê-las nas fronteiras, durante meses, poderá expô-las, com toda a probabilidade, ainda a mais sofrimento, abusos e violações dos direitos humanos.

Esta medida, que lembra o que acontecia há tempos na fronteira do México/EUA, a ser aprovada entra em conflito directo com os princípios fundamentais que a UE afirma defender e viola quer a Convenção dos Direitos da Criança quer a Convenção de Genebra que TODOS os países da UE ratificaram.

Alemanha, Itália, Irlanda, Portugal e Luxemburgo procuraram, numa primeira fase, questionar esta medida inaceitável mas lá acabaram por varrer para debaixo do tapete uma decisão que, a ser mesmo aprovada, será um imenso retrocesso nos esforços para promover a proteção das crianças migrantes.

Nas suas políticas migratórias a União Europeia tem, desde há muito, “esquecido” todos os princípios e valores humanistas que estão na sua suposta génese mas nunca o fez tão aberta e descaradamente contra crianças (estava a escrever “declaradamente” mas fui automaticamente corrigida) como fará se isto for para a frente.

(crónica publicada também no Facebook da autora)

A Doença X

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Em 17 de janeiro de 2024, o Forum Económico Mundial (FEM) realizou uma reunião de preparação para ameaças pandémicas à saúde, centradas  num patogénico hipotético, ‘Doença X‘.

O termo “Doença X” refere-se a um agente infecioso desconhecido, que pode representar uma séria ameaça à humanidade. A OMS adicionou a “Doença X” à sua lista de agentes patogénicos prioritários em 2018, por forma a estimular melhores preparações para este tipo de ameaças hipotéticas, particularmente em cenários onde vacinas e terapêuticas conhecidas não estão disponíveis.

De salientar que há benefícios em utilizar estas hipóteses no planeamento de políticas de saúde pública. Da mesma forma, há, naturalmente, interesses corporativos geopolíticos e “globais” representados em Davos. Gera atenção, resposta e investimento potencial por parte de acionistas privados, mas também de governos, que desenvolveram uma dependência considerável de vacinas como mecanismo primário para a preparação e resposta à pandemia.

Ajuda a criar um sentido de urgência, permite uma narrativa clara sobre o retorno do investimento e legitima o lugar da OMS como autoridade para a política de saúde pós-Covid. Criar um sentido de urgência e de crises futuras diminuirá a reflexão, permitindo que os políticos se disponham mais rapidamente a chegar a acordos e a mobilizar recursos.

Não obstante as aparentes boas intenções e o princípio de cooperação global destas iniciativas, é neste contexto político-corporativo do FEM que o interesse público se distorce e a saúde global deixa de ser um elemento de ação comum, para se transformar num “produto comum” que alimenta, sobretudo, diferentes interesses privados.

Falemos, portanto, em factos, neste tempo que tanto se apregoa o fact-checking e se abana com a bandeira da desinformação:

É inegável a existência de milhares de vírus, sendo que muitos permanecem desconhecidos. A natureza é diversa, vasta e nem sempre bem compreendida. No entanto, uma maioria significativa é inofensiva para o ser humano, uma vez que com eles foi contactando, ou às suas variantes, ao longo de milhares de anos. Ocasionalmente, nestes encontros diários, ocorrerá um surto mais significativo. O que importa então é a sua frequência e gravidade.

A potencial exceção, como o FEM bem sublinhou, é a introdução não natural de um agente patogénico no ambiente, através da manipulação laboratorial de vírus. Estas são, porém, questões de segurança nacional e internacional, não se enquadrando, à partida, na lógica corporativa privada que domina Davos.

Este ano o FEM pegou na lista das doenças mais suscetíveis de se transformarem em ameaças à saúde humana (Emergências de Saúde Pública de Importância Internacional) da OMS de 2018. Para além da Covid-19, a única doença nesta lista ao qual foram atribuídas mais de 10.000 mortos é o Ébola.

O surto de Ébola na África Ocidental de 2014-15 – de longe o maior da história – teve um impacto na mortalidade de 11.325.

Com exceção da febre de Lassa, uma doença endémica da África Ocidental, nenhuma outra doença na lista parece ter registado mais de 1.000 mortes identificáveis ​​a nível mundial. O SARS e o MERS-CoV causaram cerca de 800 cada.

Este contexto é importante para compreender o risco para a saúde pública destas doenças e dar alguma perspetiva à atual narrativa do FEM:

1 – A tuberculose causa 1.3 milhões de mortes por ano, ou mais de 3.500 mortes por dia, enquanto a malária mata mais de 600.000 crianças todos os anos.

2 – O cancro e as doenças cardíacas matam, globalmente, muito mais pessoas (10 milhões a 17.9 milhões).

Do ponto de vista da saúde pública, até recentemente eram estas áreas que recebiam maior financiamento.  O aumento da esperança média de vida nos países desenvolvidos, e posteriormente nos países em desenvolvimento, encontra-se diretamente relacionado com elas, em particular no que toca ao investimento de décadas em saneamento básico, nutrição, condições gerais de vida e antibióticos.

Só podemos, portanto, especular as consequências do que este recente enfoque em doenças pouco comuns e de baixo impacto, já para não falar em doenças que permanecem no domínio da teoria, quando não da ideologia, poderão efetivamente ter na saúde global.

De onde surge a Doença X como 20 vezes mais mortal?

O cálculo do “20 vezes” mais mortal surge originalmente num artigo online publico pelo Correio de Birmingham, a 24 de setembro de 2023.

O artigo afirma que “a nova doença pode ser 20 vezes mais mortal que o coronavírus, que causou 2.5 milhões de mortes”. Aqui deve-se notar que nem o número de mortes relacionadas com a Covid-19 é rigoroso, uma vez que o número oficial era de cerca de 7 milhões à data.

A origem desta informação parece estar numa declaração feita na época por Kate Bingham, ex-presidente do Grupo de Trabalho de Vacinas do Reino Unido, que disse do Daily Mail que “a pandemia de gripe de 1918-19 matou pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo, o dobro das que foram mortas na Primeira Guerra Mundial. Hoje, poderíamos esperar um número de mortes semelhante devido a um dos muitos vírus que já existem.”

Voltemos novamente aos factos:

1 – Em primeiro lugar, a maioria das mortes por gripe espanhola é atribuída à falta de antibióticos. Esperamos, portanto, que os cuidados médicos também tenham melhorado nos últimos 100 anos.

2 – Em segundo lugar parece que o autor do Correio de Birmingham chegou ao cálculo de “20 vezes mais mortal”, pegando nos 50 milhões de mortes por gripe espanhola e dividindo-as por 2.5 mortes por Covid-19, imaginando assim a gravidade da Doença X.

Nesta lógica distorcida, a Doença X equivaleria, hipoteticamente, a 7 milhões de mortes por Covid x 20 = 140 milhões de mortes. Isto colocaria a Doença X num patamar completamente inédito na História da Medicina. E é extraordinário como ninguém, desde jornalistas especialistas em saúde a profissionais de saúde, tenha questionado um número tão elevado de mortalidade.

Numa época em que tanto se fala em desinformação e evidência científica, chega a ser incrível como a falta de rigor das discussões que saem do FEM, ultrapassando claramente as suas competências, têm tamanha aceitação pública e tal ausência de escrutínio mediático.

Racionalidade acima do Pânico

O relatório “RATIONAL POLICY OVER PANIC. Re-evaluating Pandemic Risk within the Global Pandemic Prevention, Preparedness and Response Agenda”, um relatório sobre avaliações de risco preparado por um grupo da Universidade de Leeds, conclui:

1- “Os dados e as evidências apoiam mal o atual risco de pandemia sugerindo que a urgência é injustificada e que é necessário mais tempo para formular políticas que reflitam o verdadeiro risco de pandemias no contexto mais amplo da saúde. Em contraste, os dados sugerem que um aumento nos surtos naturais registados poderia ser em grande parte explicado pelos avanços tecnológicos em testes de diagnóstico nos últimos 60 anos, enquanto a vigilância atual, os mecanismos de resposta e outras intervenções de saúde pública têm reduziu com sucesso a carga nos últimos 10 a 20 anos. COVID-19, se de facto for de origem natural, aparece como um valor atípico e não como parte de uma tendência subjacente.”

2- “Neste contexto, as análises da OMS, do Banco Mundial e do G20 e, em certos casos, das fontes que citam, são dececionantes em termos de conhecimento e equilíbrio. Eles levantam a preocupação de que um desejo de enfrentar uma ameaça percebida está impulsionando a análise, em vez da análise objetiva determinar a extensão da ameaça.”

A ilusão de consenso científico que predominou em 2020 e 2021 cai cada vez mais no ridículo. Por todo o lado surgem vozes que, inicialmente sussurrantes, começam a elevar a voz. Cada vez mais artigos contra narrativa conseguem ser revistos e publicados.

A indústria do tabaco dominou a OMS durante mais de meio século com consequências evidentes na saúde global. Esperemos que a “Indústria das Pandemias” não venha a ter direito ao seu Complexo Industral, uma vez que começam a ser cada vez mais evidentes os efeitos negativos das políticas de saúde pública implementadas no pânico de Março de 2020.

Mas isso é matéria para um próximo artigo.

Soldados israelitas violam mulheres palestinianas

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A informação foi veiculada pelas Nações Unidas, num comunicado divulgado hoje. O comunicado cita um relatório elaborado por peritos que integram o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo eles, há casos comprovados de violações e agressões sexuais, além de ameaças de violência sexual. O relato destes peritos inclui, ainda, casos em que mulheres e meninas foram despidas por soldados do sexo masculino, para serem revistadas e inspecionadas.

“Estamos particularmente angustiados com os relatos de que mulheres e raparigas palestinianas detidas também foram sujeitas a múltiplas formas de agressão sexual, tais como serem despidas e revistadas por oficiais do exército israelita do sexo masculino.  Pelo menos duas mulheres palestinas detidas teriam sido violadas, enquanto outras teriam sido ameaçadas de violação e violência sexual”, diz o comunicado.

Entre os casos comprovados, estão fotos publicadas online de mulheres palestinianas prisioneiras em situações degradantes. Outra questão, também mencionada neste comunicado, diz respeito ao sequestro de mulheres e meninas palestinianas, desaparecidas depois de terem sido detidas pelo exército israelita. “Relatos perturbadores de pelo menos uma criança do sexo feminino transferida à força pelo exército israelita para Israel e de crianças separadas dos pais, cujo paradeiro permanece desconhecido”.

JORNALISMO EM GAZA, MISSÃO MORTAL

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O massacre de jornalistas palestinianos da responsabilidade do exército israelita, é um tema tabú nos meios de comunicação social portugueses. Já mais de 130 jornalistas foram mortos, em 4 meses de conflito na Faixa de Gaza. Numa entrevista ao canal de televisão russo RT, uma sindicalista palestiniana diz que já só sobram 35 a 40 jornalistas na Faixa de Gaza, que trabalham e vivem nas mesmas condições dramáticas do resto da população: sem comida, sem água, sem abrigos e na vertigem da morte que se aproxima em cada tiro, em cada míssil disparado contra eles do lado de Israel.

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Israel opera sob um clima de absoluta impunidade. Desde o início da vingança levada a cabo pelos ataques do hamas de 7 de outubro, os responsáveis políticos de Israel asseguraram que não haveria tribunais militares nem tribunais de justiça internacionais que fossem julgar crimes de guerra executados por soldados israelitas. E assim tem sido.

Beneficiando do apoio dos EUA, cujo Governo tem vários membros judeus, beneficiando da condescendência de muitos Estados europeus, Israel prossegue numa matança desenfreada e que se destina a eliminar o povo palestiniano. Os que não morrerem com os bombardeamentos, morrerão pela fome e pelas doenças. É um genocídio em marcha, 30 mil mortos até agora. Um genocídio que não podemos ignorar, porque os jornalistas de Gaza fazem-nos chegar, todos os dias, imagens horríveis dos massacres de famílias inteiras, com milhares de crianças mortas e estropiadas.

Imagens que as púdicas televisões não passam (porque o telespetador está a jantar) e que as redes sociais censuram para “manter a comunidade segura”.

Todos os que se calam, são cúmplices dos assassinos.

A Mercantilização da Saúde

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A História da Medicina é vasta e caótica. Se os sucessos, em particular os tecnológicos, sobressaem, facilmente se esquece que estes nasceram de imensos, e por vezes traumáticos, erros.

Para avaliarmos os nossos antepassados temos que, primeiro que tudo, tentar perceber no que acreditavam essas populações e qual os vieses cognitivos da época. Chegamos então facilmente à conclusão de que muitas das práticas que hoje são entendidas como disparatadas e “anti ciência”, na altura faziam bastante sentido.

Hannah Arendt defendia que a força sedutora dos regimes totalitários estava no conceito de progresso, amplamente aceite como motor da Humanidade. O problema é que este “progresso” já nada tinha a ver com a ideia iluminista de maturidade intelectual, de consciência política, mas com um caminhar sempre em frente, que é o motor do capitalismo moderno. Por tal, tanto os nazis como os estalinistas, sob o conceito de fim da História, apregoaram o nascimento de um “Homem Novo”, desprezando completamente a essência da Humanidade por si mesma imperfeita.

Por outras palavras: Ética?! O que é isso?

A relação entre os laboratórios de vírus e as armas biológicas: o ganho de função

O candidato presidencial independente às eleições norte-americanas e conhecido ativista social e ambiental, Robert Kennedy Jr. refere, no seu “The Whuan Cover-up”, que depois do 11 de Setembro de 2001 o financiamento para a investigação de armas biológicas explodiu, assim como o poder e o alcance das agências militares e de inteligência encarregadas de tal investigação.

Apresentada ao público como “preparação e resposta à pandemia” (PPR), a investigação em causa abrangeu principalmente tentativas de desenvolver agentes patogénicos perigosos e, ao mesmo tempo, na criação de contramedidas para os mesmos, sobretudo dentro da lógica tecnológica do modelo vacinal. Estaria a ser investido tanto dinheiro na PPR/armas biológicas que todas as agências de saúde pública e instituições académicas envolvidas na investigação governamental se tornaram dependentes deste objetivo. Ou seja, um pouco na mesma lógica dos fundos europeus, na medida em que há financiamento para construir estradas, de repente há um esforço coletivo, a nível nacional, regional e municipal, para construir de raiz, reabilitar ou simplesmente alcatroar qualquer projeto na gaveta que envolva vias públicas.

Parcerias público-privadas multinacionais e organizações não governamentais (por exemplo, a Fundação Bill & Melinda Gates e o Wellcome Trust) foram criadas para financiar e promover a necessidade de tal investigação.

No outono de 2019, um patogénico projetado por um dos laboratórios da China chegou à população. Todos os responsáveis militares, de inteligência e de saúde pública da China, EUA, Reino Unido, entre outros países, juntamente com os seus parceiros farmacêuticos e académicos, terão direcionado recursos para encobrir a fuga do laboratório, ao mesmo tempo que se preparavam para lançar as suas contramedidas no mundo.

No artigo “The Pathogenic Academic Lobby”, o biólogo Alex Washburne descreve como a história do Sars Cov 2 pode muito bem ter começado em 2011, quando o cientista Ron Fouchier e a sua equipa da Universidade Erasmus adquiriram uma estirpe da gripe aviária, altamente patogénica, e modificaram o vírus para ser mais infecioso em mamíferos.

A versão curta e condensada desta história é que alguns cientistas conduziram pesquisas arriscadas, com um ciclo de feedback positivo: quanto maiores os riscos assumidos, mais assustavam os gestores e mais financiamento recebiam.

Criaram-se dois grupos opostos: os que advogavam a continuação dos estudos de ganho de função, os Scientists for Science e, por oposição, o Grupo de Cambridge que entendia os riscos como superiores aos benefícios desta investigação e em 2014 conseguiu uma moratória que suspendeu estas investigações.

Nesta luta cheia de zonas cinzentas pelo progresso da humanidade, os académicos que defendiam o “ganho de função” foram adquirindo poder institucional, incluindo posições importantes na Wellcome Trust e no NIH/NIAID– Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas. Posteriormente pressionaram com sucesso Antony Fauci (pesquisador e chefe do NIAID) e Francis Collins (Director do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano) para anular a moratória  sobre o seu trabalho.  Após esta revogação, financiadores que vão desde o NIH e NIAID até à USAID – Agência dos Estados Unidos para o desenvolvimento Internacional, Wellcome Trust e a Fundação Gates apoiaram este trabalho, criando uma rede complexa de conflitos de interesses.

À medida que aumentavam as evidências de origem laboratorial do Sars Cov 2, Fauci e Collins recrutaram para a mesa de tomada de decisões alguns dos pesquisadores com mais conflitos de interesses do mundo: os chefes do Pathogenic Academic Lobby, co-fundadores da Scientists For Science, como Ron Fouchier, Christian Drosten e a colega, próxima de Peter Daszak (presidente da EcoHealth, ONG através da qual os estudos de ganho de função foram transferidos para Whuan), Marion Koopmans (que integrou a equipa da OMS que se deslocou a Whuan).

Os mesmos financiadores trabalharam ativamente para instigar, escrever artigos com autor fantasma e promover publicações, alegando que as teorias de origem do laboratório do vírus – suspeita que desde logo surgiu entre ativistas políticos e dissidentes chineses – eram “teorias da conspiração”. Neste campo, tivemos o Dr Fauci a apresentar o artigo  “Proximal Origin” (artigo que descartava a origem laboratorial do Sars Cov 2) na televisão nacional até Jeremy Farrar (então alto funcionário da Welcome Trust) a escrever aos editores na Nature, trazendo afiliados do Wellcome Trust para a “Declaração” de Daszak e usando a sua posição como chefe de um dos maiores financiadores de ciências da saúde do mundo para promover artigos que ele ajudou a escrever como fantasma, artigos que chamam as teorias de origem laboratorial de “teorias da conspiração”, uma origem laboratorial “implausível”, tudo sem revelar os laços do Wellcome Trust com Daszak e os laboratórios em questão. O autor de Origem Proximal, Kristian Andersen, recebeu uma doação de 9 milhões de dólares do NIAID do Dr. Fauci logo após escrever o artigo solicitado pelo próprio Dr Fauci.

Autores e investigadores independentes começaram a reunir documentação que suportasse a hipótese de fuga de laboratório. O Scientists for Science, Daszak e outros colegas começaram então a usar a sua rede de influências junto dos média nacionais (artigos no The Guardian, New York Times e outros) para suprimir a dissidência, intimidar a oposição e montar uma campanha de desinformação de alcance académico sem precedentes.

Em 2020 não era pública esta “guerra” entre cientistas. Podem, porém, “especular” que – no contexto da guerra comercial EUA-China, a pouca informação confiável que vinha dos chineses e o posterior entendimento que mais que a doença Covid foi a intubação excessiva que provocou o excesso de mortes na primeira metade de 2020 – ser bastante provável que tenha havido um enviesamento de realidade por parte das altas entidades da defesa em relação à gravidade da doença Covid. Se primeiro o tentaram esconder, rapidamente se terá aproveitado deste contexto para implementar contramedidas para gerir a crise na comunidade e tirar força e capital político a  um Presidente dos EUA incontrolável.

O Sars Cov 2 veio-se a revelar um vírus essencialmente benigno em jovens, mas particularmente fatal em pessoas em fim de vida. O repórter de investigação Alex Berenson acrescenta ainda que o Chefe da Equipa da FDA- Food and Drud Administration que regularia a vacina era Dr Peter Marks. A mesma pessoa que esteve envolvida na Operação Warp Speed, assinada pelo Presidente Donal Trump, que permitiu o desenvolvimento de vacinas em tempo record.  O próprio Trump teria lobistas da Pfizer e da J&J na sua administração.

(continua)

DOCUMENTOS OFICIAIS NO TELEMÓVEL

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O Estado criou uma aplicação para documentos de identificação que permite ter cópias válidas da carta de condução, do cartão de cidadão e de outros documentos: a aplicação chama-se id.gov.pt.

Depois de fazer download da aplicação (isso é fácil), a coisa só funciona se tiver a Chave Móvel Digital (CMD) ativa. Aqui surgem os melindres.

A ativação da CMD está rodeada de preliminares. Trata-se de um procedimento que tem de dar garantias de segurança ao utilizador e ao Estado. A “chave” não pode cair em mãos alheias, sob pena do cidadão ser alvo de toda a sorte de tropelias de piratas informáticos.

Um dos aspetos mais ‘estranhos’, digamos assim, é o pedido para “Certifique-se de que está num local bem iluminado. É necessário captar imagens do seu rosto e do seu Cartão de Cidadão.”

Será que já estamos a ser fichados por ‘reconhecimento facial’? Estamos a falar de tecnologia que está implementada já em vários países, China e Israel, por exemplo. Não são só as ditaduras que estão interessadas nesta capacidade de controlar as populações. A pretexto da luta contra o terrorismo ou da segurança nas ruas, os regimes democráticos são igualmente clientes destas empresas que desenvolvem sistemas de vigilância das populações.

E PENSAR QUE INVENTARAM O TELEMÓVEL PARA CHAMADAS DE VOZ

Voltando à nossa terra, a aplicação do Governo permite a instalação de variadíssimos documentos. Na prática, todos os documentos de identificação emitidos pelo Estado Português para cidadãos portugueses, como o Cartão do Cidadão, a Carta de Condução, o Documento Único Automóvel (DUA) ou o cartão de saúde da ADSE para os funcionários públicos, são exemplos de documentos que podem ser adicionados na app id.gov.pt por nacionais que tenham Chave Móvel Digital (CMD) ativa.

Quais as vantagens de aderir a mais este atalho tecnológico? Aparentemente poucas, mas pode dar jeito se alguma vez for mandado parar numa operação stop e se tiver esquecido a carteira em casa. Mostra a ‘papelada’ digitalizada no telemóvel, através da aplicação do Estado, claro. O polícia bate a pala e manda seguir.

O telemóvel, inventado para que as pessoas estabelecessem com facilidade ligações de voz umas com as outras, já serve para tudo. Talvez esteja na hora do Estado estabelecer gratuitidade para a transmissão de dados, uma vez que o aparelho já é de existência obrigatória para o cumprimento de diversas obrigações legais.

MARCELO VAI TER DE O CONDECORAR DUAS VEZES

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De vez em quando, nascem uns tipos assim. Também umas tipas. Não nascem espontaneamente, como sementes levadas pelo vento. Nascem da perseverança, da crença em si mesmos, do espírito de sacrifício, enfim, de muitas horas de treino anos a fio. É assim que se fazem campeões. Já todos ouvimos falar da dedicação e esforço de Cristiano Ronaldo para ser o melhor do mundo, imaginem agora o que é a vida de um miúdo como Diogo Ribeiro que está a chegar ao topo na natação, uma modalidade desportiva muito técnica, muito tecnológica (ao nível dos equipamentos) mas, também, muito dependente da forma física que se adquire.

No Centro de Alto-Rendimento do Jamor, Diogo está a ser ‘moldado’ pelo treinador Alberto Silva, um homem que já antes treinou outros atletas medalhados, como foi o caso dos brasileiros César Cielo e Thiago Pereira.

Sob a orientação deste treinador, Diogo Ribeiro tem alavancado resultados nunca antes alcançados por atletas portugueses de natação pura. Em 2023, alcançou o melhor resultado de sempre de um nadador português, até então, com a medalha de prata nos 50 mariposa no campeonato do Mundo, em Fukuoka, no Japão. Tinha 18 anos.

Agora, nos mundiais de Doha, primeiro sagrou-se campeão nos 50 metros mariposa, dando a primeira medalha de ouro de sempre a Portugal em campeonatos do Mundo. Depois, conquistou a segunda medalha de ouro portuguesa nos 100 metros de mariposa.

Marcelo vai ter de o condecorar duas vezes. Ou mais, depende do tempo que ele for Presidente da República. Porque Diogo vai continuar a vencer. Se repararem nas vãrias tatuagens que ele tem no corpo, nas costas há uma que diz muito sobre o carácter deste atleta: em inglês, está escrito “sou maior do que fui”. Amanhã será ainda maior do que hoje.

Uma mentira chamada PPP no SNS

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Um dos maiores embustes que nos tem sido vendido por vários governos do chamado centrão politico são os benefícios das PPP, nomeadamente na área da saúde. Mas podíamos ir para as autoestradas, ou um caso ainda mais enigmático, a concessão dos aeroportos nacionais à ANA, por 50 anos.

O Hospital de Braga, como outros da área metropolitana de Lisboa, foi até há alguns anos de gestão privada. Era um dos hospitais públicos que estava dentro das chamadas PPP da saúde. No final, o governo tentou prolongar o contrato com a José de Mello Saúde, mas não alcançou esse acordo, tendo a empresa informado, e passo a citar:

” O prolongamento do contrato de gestão, proposto pelo Estado, tem de assegurar a sustentabilidade financeira, o que não se verifica”,  

As PPP são negócios altamente rentáveis para os consórcios privados que os assinam, com cláusulas leoninas, onde nunca correm qualquer risco financeiro na operação, caso tenha algum contratempo, por exemplo, uma pandemia. Aquilo é sempre a somar euros.

É legitimo? Tenho duvidas. Mas ainda que o fosse, não pode é ser-nos vendido como uma panaceia para resolver os problemas do SNS. 

Por que razão os hospitais públicos do SNS, não contratualizados, funcionam por vezes menos bem que os hospitais PPP?

Não necessitamos de ser muito inteligentes para perceber o óbvio. Enquanto um hospital PPP tem um contrato assinado com o Estado, do qual ambas as partes não podem fugir, estão obrigados a cumpri-lo sem qualquer possibilidade de escusa, com penalizações de vária ordem, incluindo juros de mora por parte do Estado, em caso de atrasos nos pagamentos, nos hospitais do SNS não tutelados por nenhum consórcio privado, o Ministério da Saúde e principalmente o das Finanças, vão empurrando com a barriga para a frente, deixando os hospitais acumular dividas com fornecedores, bem como limitando qualquer possibilidade de contratação de pessoal medico, que não tenha o aval do Ministro das Finanças. A isto chamamos cativações. Para aliviar os gastos por parte do Estado com os Hospitais PPP, estrangulam-se os outros.  

Os consórcios da saúde não fazem milagres. Nem nunca farão. Já os governos enganam o cidadão com as PPP em vários domínios. Uma PPP não é mais do que uma divida assumida à cabeça, a ser paga durante décadas pelas gerações presentes e futuras. Com este truque mostra-se trabalho, mas não se mostra o ónus desse encargo futuro. A nossa dívida não ultrapassou os 100% do PIB, por causa do despesismo da maioria dos portugueses. A nossa dívida foi construída na base de uma mentira travestida de eficiência.

Fazer bem e com parcimónia é competência. Fazer bem gastando o que não temos é um engodo. Talvez por isso os portugueses gostem tanto de ser enganados.