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Alimentar os pobres de Algueirão e Rio de Mouro

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Quem são estes homens e mulheres que, agora, talvez mais do que nunca, arriscam a saúde, às vezes até a integridade física e mental para ajudar quem necessita?

“Uma resposta necessária mas provisória” (…) porque “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente que lhe assegure e à sua família, a saúde e o bem-estar (…) principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda aos serviços sociais necessários “-assim está descrito no site do Banco Alimentar Contra a Fome.

São alguns dos direitos prescritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, base de todas as iniciativas humanitárias, que apuram não só o funcionamento organizado como direcionado à proximidade com os mais carenciados nos territórios de Algueirão e Rio de Mouro.

Estamos a falar de uma equipa de apenas 3 pessoas: Mercedes, Samuel e Albertina. Poucos mas bons, eles garantem uma ajuda à sobrevivência de todos aqueles cuja vida se virou do avesso. Distribuem quase 300 refeições por semana. Às quartas e aos sábados fazem-se ao caminho para levar pão aos famintos.

As necessidades variam mas a missão não diverge. As pessoas necessitadas são bem conhecidas pelo staff e as suas situações específicas analisadas e estudadas por assistentes sociais que dedicam o seu tempo a perceber a urgência de cada situação. Uma família alimentada é uma família mais longe da marginalização social.

São histórias pesadas e a bola de neve tem limites. Há um custo que se paga por ajudar gente que vive no fio da navalha, uma carga psicológica que ninguém compensa e que nunca tem alívio, porque a pobreza multiplica-se com demasiada facilidade. Não chega dizer obrigado à Mercedes, à Albertina e ao Samuel, mas eles também não exigem mais. Obrigado.

RB/CN

Para que servem os telemóveis?

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Mais de 7 milhões de portugueses possuem telemóveis com acesso à internet, mas isso não os torna mais comunicativos.

Há 10 anos era um fartote de sms, uma média de 10 por dia. Agora não ultrapassam os quatro. Muito penduram-se no Messenger e no Whatsapp para evitar custo. Mas poderemos estar numa tendência de regresso à tradição do “sós, é que estamos bem”.

Desde o 25 de Abril de 1974, temos sido imbatíveis na solidariedade. A começar pela desastrosa “Pirâmide”, organizada por Fialho Gouveia e Raul Solnado frente à FIL. Desapareceram imensas coisas. Depois marchámos aos milhares por Timor-Leste, mas já ninguém se lembra. Mais recente aconteceu o peditório para as vítimas de Pedrógão, que se transformou num escândalo.

Quem nos vê, julga que somos abertos e comunicativos. Mas isso só acontece com tragédias e estrangeiros, mais para “inglês ver”. Em rigor, somos incapazes de retribuir sms, atenções e carinhos. Custa-nos muito expressar afectos, porque no nosso ADN está numa ditadura 48 anos que foi consentida e acarinhada.

No Verão, a Protecção Civil gastou 900 mil euros para nos prevenir do risco de incêndios. Mas ninguém ligou grande coisa. Se tivesse sido um telefonema talvez. Como nos velhos tempos, em que o telefone era raro e as pessoas cuidavam de fazer vista.

Temos os tais 7 milhões de telemóveis, mas servem para quê? Para uma roda fechada. Ligar à filha e ao filho, ao pai e à mãe e para “não te esqueças de comprar pão”. E está feito! Liga-se pouco aos outros para perguntar e apoiar. Um dia, se continuarmos assim, seremos apenas uma empresa de 10 milhões de colaboradores, como agora é fino dizer.

Vá de retro Satanás

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Acredito que até mesmo aqueles que não acreditam estarão pouco ou nada interessados na diatribe que assola o país sobre a tal aplicação a ser inserida no telemóvel para detectar possíveis casos de pessoas infectadas. Ah e tal que a privacidade está garantida, ah e tal que os direitos liberdades e garantias continuam assegurados, mas o facto é que a possibilidade de se tornar obrigatória incomoda muita gente. A coisa vai de tal modo quente nas cabecinhas pensadoras do país que até o próprio Presidente (o da República), deu a entender que se fosse necessário poderia recorrer ao Tribunal Constitucional para que a constitucionalidade de tal medida não seja ferida. Vejo nesta declaração alguma dose de populismo eleitoralista mas isso sou eu que vejo coisas.

Alguns países já têm essa aplicação a funcionar e em Portugal já há muita gente que baixou a aplicação. Mas há relatos de autênticos falhanços do StayAway, desde logo pela demora na recepção dos códigos. Houve quem esperasse 18 dias para receber o tal código, o “abre-te Sésamo” da coisa. Ora como se sabe, o prazo estipulado para confirmação ou não de infecção são 14 dias. Isto é: quando o código chegou, já não serviu para nada.

Não tenho pejo nenhum em declarar solenemente que em relação aos factos, je m´en fous carrément – estou-me bem marimbando, estou-me nas tintas para que a coisa seja imposta com conversa de pé de orelha ou por bastão legal.

E descubro, nas minhas leituras domingueiras que José Pacheco Pereira defende a mesma posição num artigo titulado “em voo de pássaro” -, à vol d´oiseau – de que extraí a passagem que segue:

Que vejo eu no meu voo? O tema que estava predestinado para este artigo era a intenção governamental de nos obrigar a ter por força de lei a aplicação StayAway Covid no telemóvel. Mas como várias pessoas disseram tudo sobre o carácter inconstitucional e violador de direitos que tal obrigação representa, não vale a pena acrescentar mais nada. Tudo estava e está mal feito nessa intenção, de tal maneira que sou capaz de enumerar dezenas de perguntas sobre tal obrigatoriedade cuja resposta é muito complicada de dar, ou mesmo impossível. A proposta também foi feita de “relance”. Acrescento que esta evidente falta de bom senso revela como no Governo prevalece uma forma pervertida de tecnocracia, que acha que tudo se pode resolver com aplicações de telemóvel, sem a mínima preocupação com direitos, liberdades e garantias, que acham que são do mundo pré-Internet.

Afirmo por isso que nunca, jamais, em tempo algum, usarei a dita aplicação, nem que isso signifique ter de deixar de andar de telemóvel. De facto, a pior ameaça nos dias de hoje aos direitos individuais e à privacidade vem de devices e aplicações que usam o actual instrumento de controlo mais eficaz, o telemóvel, até porque está colado ao nosso corpo. Como o relógio de bolso ou de pulso nos impôs o tempo industrial, o telemóvel inseriu-nos na rede de controlos que usam a Rede, uma forma moderna do mundo kafkiano do Processo, onde K. caminha até à morte sem nunca ter acesso a saber o que se passa com ele, quem o acusa, quem o julga, quem o condena.

Calculo que a discussão vai continuar por aí fora por mais uns tempos para “animar a malta” do costume com as suas sábias e habituais tomadas de posição sempre “muito claras e transparentes”, como gostam de esclarecer como início de conversa.

Corrupção

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Portugal continua a estar abaixo da média europeia do Índice da Percepção de Corrupção. Obtém apenas 62 pontos, quando deveria estar acima dos 66.

Ficamos em 30º lugar da geral, o que não é mau em 180 países analisados. Mas é insuficiente para os portugueses e para os nossos magistrados que querem o “enriquecimento injustificado” penalizado com severidade em lei. E pedem ao Governo que o inclua num pacote anticorrupção.

Todos nós magicamos sobre o património imobiliário e os sinais exteriores de riqueza de certas pessoas de determinadas classes profissionais. É uma constante. Fazemos contas e não dá. Não pode ser. Mesmo quando os bancos são generosos. Já nem se fala de “Berardos”. Mas do cidadão com certas profissões que não permitem tantas casas, moradias, férias e bons carros.

O Índice de Percepção da Corrupção é a mais antiga e abrangente ferramenta de medição da corrupção no mundo, analisando os níveis de corrupção no setor público de 180 países. Pontuando-os de 0  a 100 (muito transparente). A Dinamarca e Nova Zelândia estão no topo da tabela de 2019, com 87 pontos. A Finlândia com 86 e Singapura, Suécia e Suíça, com 85.

Existe uma organização Transparency International que está presente em Portugal, com relatórios desde 2010 (transparencia.pt). Os objectivos são louváveis. Sem corrupção o país é mais justo e prospera.

Mas a ideia não deveria ser apenas evitar quem quer passar à frente na fila do supermercado das obras públicas Deveria ir mais longe. E não permitir que algumas pessoas, em certas profissões, recebam lucros indevidos porque facilitam ou privilegiam. Não se trata só de políticos como alguns fazem crer.

Trata-se de acabar  situações que motivam as expressões  “fez ele se não bem”, “eu fazia o mesmo”, “querem lixar o mexilhão”, “aquilo tem algum mal?”, “é uma gota de água”. Infelizmente não é uma gota de água é um mar que nos afoga, até de raiva.

Peões: Espécie em Vias de Extinção?

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Numa breve passagem de olhos pelas notícias sobre o Viaduto da Quinta da Fonte, em Oeiras, que custou dois milhões de euros, vemos títulos como “alivia trânsito em Oeiras” ou “melhora trânsito”. A verdade é que tudo o que seja obras para melhorar o escoamento do trânsito, naquele e nos outros principais dois parques empresariais do concelho (Lagoas Park e Tagus Park) é bem-vindo. Nada contra. Porém, o entusiasmo desta obra, chamada pelo autarca oeirense Isaltino Morais de “verdadeira revolução viária” (como consta no portal Olhares de Lisboa, num artigo datado de 2 de Outubro deste ano), bem como o entusiasmo que rodeia as obras paralelas (o famoso dístico Oeiras Valley em letras grandes que se pode observar num dos lados do viaduto e a ciclovia que vai fazer parte do viaduto são dois exemplos) escondem outros problemas. A promessa “menos trânsito, mais mobilidade” pode afinal ser mais complexa de cumprir do que seria desejável para todos.

A julgar pela foto anexa, tirada num dia de semana antes das 08h45, ou toda a gente se lembrou de chegar a essa hora (pouco antes de entrar ao serviço às nove horas da manhã, como é apanágio de boa parte das empresas) ou então algo misterioso aconteceu, porque a premissa acima mencionada dificilmente se pode cumprir, ainda mais quando não há alternativa de escoamento para evitar entupir a A5. E falta saber como será, uma vez concluída a ciclovia, a convivência que se deseja pacífica entre ciclistas e automobilistas.

trânsito automóvel em Oeiras, 08h40

Estará a faltar aqui alguma coisa? E os utilizadores de transportes públicos que também andam a pé? Lembraram-se deles? Ou será que, como dizia uma amiga minha ao ouvir os meus desabafos, o peão é uma espécie em vias de extinção?

Quem utiliza os transportes públicos, porque não tem viatura própria (por várias razões que os leitores saberão), por vezes enfrenta desafios valentes. Por exemplo, utilizo dois transportes públicos para ir para o meu emprego na Quinta da Fonte: comboio e autocarro. Escuso de dissertar sobre a desagradável disparidade de horários nas conexões intra-transportes, que levam uma pessoa a perder até um máximo de trinta minutos diários só de esperar pelo conjunto destes transportes; nem sequer da supressão de horários das carreiras de autocarros, que deveriam pelo menos ser anunciadas com o mínimo de antecedência, por respeito a quem tem de se levantar antes de cantar o galo para chegar a tempo ao trabalho; nem tão-pouco vou falar dos transtornos causados pelo trânsito congestionado cujas origens podem ir de uma obra na via pública até ao clássico “hoje chove a potes e tudo se lembrou de trazer o carro”. Nem vou contestar a periodicidade desses transportes, que por si só daria um artigo inteiro. Isso fica para mais tarde.

A partir do momento em que a prioridade são os automóveis e não as pessoas em geral (incluindo nesse grupo quem anda de transportes públicos), a vida fica difícil para este mini-grupo da população. Veja-se o caso das obras. Quem estivesse menos informado, como eu estava, do projecto da dita ciclovia que também abrange a Estrada de Paço de Arcos e a Quinta do Torneiro, viu de um dia para o outro a paragem de autocarro deslocada para o outro lado da rotunda, e o passeio esventrado; ora, para minha ainda maior estranheza, as obras nesse passeio estiveram paradas cerca de um mês. O que já era difícil tornou-se bastante complicado. Nesse período choveu de forma copiosa durante uns dias, transformando as obras paradas num lago. O que significa que mesmo para quem está equipado com o melhor par de galochas, ou vai para a berma da estrada e arrisca-se a ser alvo dos protestos dos carros que circulam (por vezes em alta velocidade) ou pior. Lá se retomaram as obras, mas não todos os dias, como constatei no passado dia 16 de Outubro, onde voltaram a parar.

Com o viaduto, os autocarros que circulam naquela zona tiveram de alterar o percurso. Agora dão uma volta bastante grande, durante a qual o trânsito flui de forma positiva, passando pelo tal dístico gigante em azul que diz Oeiras Valley (nada contra as aspirações de internacionalização, mas gosto mais da palavra portuguesa, “vale”) e a Rotunda do Cabeço do Gato, cujos canteiros de plantas geometricamente desenhadas lhe valeu a alcunha de “prato de arroz doce” nas redes sociais. Chegados à descida para a dita rotunda da Estrada de Paço de Arcos, o desejado fluir do trânsito fica por isso mesmo: pelo desejo. E quem desce na nova paragem de autocarros, se trabalhar num dos edifícios que fica no outro extremo do pólo empresarial, tem de andar mais uns minutos porque agora o percurso inclui atravessar a ponte pedonal. Num registo mais irónico, é exercício físico extra de graça para quem se desloca para o trabalho, o que não vai agradar com certeza aos ginásios existentes naquele sítio…

Boa tentativa, senhores das obras públicas da autarquia oeirense. Da próxima vez, por favor, façam mais trabalho de campo. Experimentem sair dos gabinetes e do carro com motorista, experimentem uns dias andar de transportes públicos e ver os circuitos que afinal não foram tão descongestionados de trânsito. Vejam com mais atenção as reivindicações dos habitantes das freguesias que se dizem esquecidas para tirarem as vossas conclusões. Ou melhor ainda, experimentem andar a pé pelos passeios que (ainda) existem.

Covid-19: 19 mortes e telescola reabre dia 19

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Hoje, o boletim da Direção Geral de Saúde regista 19 mortes e 1.856 novos casos de infeção relacionados com a pandemia de covid-19.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, tem 385 novos casos, 20,7% do total, e mas 10 das 19 mortes aconteceram na região de Lisboa. No Norte registaram os restante 9 óbitos e 1.168 novos casos, 62,9% do total. Estes números indiciam que a região Norte está a concentrar o maior número de contágios, à semelhança do que aconteceu na 1ª vaga da pandemia.

Os internamentos também estão a subir, hoje há 1.086 pessoas acamadas em hospitais, mais 72 do que no sábado. Nas unidades de cuidados intensivos estão internados 155 doentes, mais sete do que ontem.

Telescola reabre

Com a pandemia a agravar-se, o Ministério da Educação vai retomar na segunda-feira na RTP o “Estudo em Casa”. Este ano letivo 2020/2021, a programação inclui um novo bloco de ensino designado “Orientação para Trabalho Autónomo”.

“A introdução do novo bloco de ‘Orientação para Trabalho Autónomo’ provém da consciência da necessidade de desenvolver nos alunos formas de autorregulação e de aprofundamento das aprendizagens”, explica o Ministério da Educação, em comunicado.

Para este novo ano letivo, na RTP Memória, à semelhança do que aconteceu desde abril, por causa do confinamento devido pandemia de covid-19, o Governo criou “uma equipa de coordenação e uma equipa específica para o seu desenvolvimento, composta por cerca de quatro dezenas de professores e quatro intérpretes de Língua Gestual Portuguesa”.

“Estas transmissões vão ocupar a grelha da RTP Memória, das 09:00 às 16:30, com conteúdos que fazem parte das Aprendizagens Essenciais. Tal como no ano passado, os blocos da manhã são dedicados aos 1º e 2º ciclos e os da tarde ao 3º ciclo, fazendo por norma a disciplina de Português Língua não Materna a transição entre os dois turnos”, informa o comunicado do Ministério da Educação.

A partir de novembro, os conteúdos ficam acessíveis na RTP Play e na APP de forma a serem utilizados como “reforço das aprendizagens, especialmente em contexto fora da sala de aula”, esclarece o Ministério da Educação.

Cursos gratuitos na Universidade de Lisboa

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Estudantes de línguas ou qualquer pessoa que queira aprender uma língua eslava, pode inscrever-se gratuitamente nos cursos da Universidade de Lisboa. O prazo para a inscrição termina no final de outubro.

Quais são as línguas eslavas? São o russo, búlgaro, polaco, esloveno, checo e servo-croata. Os professores são nativos desses países e os cursos são patrocinados pelas embaixadas respetivas porque “não querem que a cultura se pague”.

Quem quiser aprender alguma destas línguas aprenderá igualmente o alfabeto cirílico. Com a entrada da Bulgária na União Europeia, o cirílico tornou-se o terceiro alfabeto oficial da UE, além do latino e do grego.

São cursos de três anos, excepto o de russo que é mais longo. Os cursos foram pensados não só para estudantes portugueses mas, também, para filhjos de emigrantes que desejem aprender a língua dos pais. Em Portugal há grandes comunidades de russos e de ucranianos que falam igualmente russo.

A Universidade de Lisboa é a única em Portugal a oferecer estes cursos livres semestrais, que podem ser frequentados por alunos internos (de outros cursos) e externos.

A realidade nas redes sociais

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(transcrição da crónica)

A discussão vai quente, nas redes sociais, principalmente aqui no Facebook, mas também no twitter, no youtube, no instagram não sei, vou lá pouco.

Uns não se importam de usar a app stayaway covid e outros não querem ser espiados. Mesmo os que não se importam de usar a app, não querem que seja obrigatório… e esse é um princípio interessante e que, pessoalmente, me agrada bastante. Também nunca gostei que me obrigassem a vestir fardas…

Agora, o que é interessante é ver que a discussão se trava numa rede social que, como todos que andam por aqui têm a obrigação de saber, sabe mais sobre nós do que nós mesmo…

Quando abrem o Facebook o que vos aparece é uma parcela da realidade que o Facebook sabe que vos agrada ver, o facebook sabe que habitualmente consumimos determinado tipo de conteúdos, sabe que vídeos vemos e sabe o que esses vídeos dizem… o Facebook conhece os nossos hábitos e poupa-nos o trabalho de irmos à procura do que queremos ver, o Facebook põe a mesa, enche-nos o prato e serve-nos o copo.

Cada vez que clicamos num like o Facebook grava e não se esquece e da próxima vez que abrirmos a aplicação Facebook lá temos um texto ou um vídeo sobre o mesmo assunto ou um texto ou um vídeo do mesmo autor. É assim.

E ao fazerem isto, as redes sociais controlam-nos, porque fica mais difícil partirmos à descoberta de novas ideias e de novas influências… nas redes sociais, a realidade está afunilada pelos nossos gostos e pelos nossos hábitos.

Há quem julgue que vindo aqui ao Facebook que fica a saber o que se passa no Mundo, mas isso é mentira. O que vemos é aquilo que nos mostram e muitas vezes até nos mostram coisas antigas, em termos noticiosos, coisas que aconteceram há 2 ou 3 dias, se não mesmo há mais tempo.

E quando controlam aquilo que vemos não só influenciam a maneira como entendemos o Mundo, como também influenciam os nossos sentimentos e as nossas emoções. E não estou apenas a falar de fake news.

Pessoalmente, estou convencido que uma das razões para as pessoas estarem cada vez mais egoístas e menos solidárias com os outros tem a ver com esse afunilamento da realidade que o Facebook e outras redes sociais nos servem. São as antigas palas nos olhos, as palas que se punham nos animais que puxavam carroças, para não se assustarem com o que se passava ao lado… só vêm em frente, o resto passa-lhes ao lado e não os incomodam.

Nós somos assim, quem nos põe as palas é o Facebook e não vejo que seja fácil livrarmo-nos delas tão depressa. Estas ferramentas de manipulação da realidade servem às mil maravilhas para quem tenha meios suficientes para as usar… tanto podem ser governos como grupos políticos, grupos económicos, enfim todos aqueles que nos queiram impingir alguma coisa, sejam ideias, sejam detergentes ou sejam algemas…

Como nos livramos disto? Não sei… mas o primeiro passo é ter consciência do que isto nos pode fazer, o segundo passo talvez seja fechar o computador, deixar o telemóvel numa gaveta e usá-lo mais naquilo que era suposto isto fazer que é chamadas telefónicas.    

Ana Gomes, campanha pelo Alentejo

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O Alentejo ainda devolve, nesta altura do ano, um calor que faz os corpos transpirar, mas é na alma que o calor dos alentejanos se faz mais sentir.

A candidata à Presidência da República, Ana Gomes, no passado fim de semana, quando o auditório de Campo Maior a recebeu com o número máximo de audiência possível. A crise sanitária assim obriga, mas a contingência foi largamente ultrapassada pela presença de gente de várias gerações, simpatizantes da candidatura mas provenientes politicamente de diferentes partidos, num diálogo e troca de ideias constantes com a candidata.

Em Campo Maior, no sábado,  toda a gente tinha curiosidade para ouvir Ana Gomes falar de temas que lhe são caros: o combate à corrupção, os equilíbrio institucionais, a influência que uma Presidente pode ter face ao Governo, os problemas ecológicos, o crescimento baseado nas tecnologias digitais, a economia verde, a “bazuca” europeia que vai ajudar a recuperar a economia devastada pela crise pandémica.

Ana Gomes é direta, frontal e quando ganha balanço, empolga-se e fala com a alma.  A presença de individualidades políticas regionais, dão-lhe o apoio que uma candidata a correr sozinha precisa.

“ Somos socialistas, apoiamos o Costa, mas agora apoiamos Ana Gomes pois é ela que personifica o espírito lutador do PS” – diz sem rodeios um político local que representa as estruturas regionais do PS no Alentejo.

O ponto de partida para uma campanha longa por Portugal começou da melhor maneira, com um encontro, ao final do dia, com o Comendador Rui Nabeiro. O empresário de Campo Maior, que emprega mais de 2700 trabalhadores, mostrou-se disponível para apoiar candidatos da área do Partido Socialista, mesmo quando o PS não os apoia assumidamente. Foi o que aconteceu com a candidatura presidencial  de Manuel Alegre em 2006, por exemplo.

Ana Gomes com Rui Nabeiro

No Domingo, em Aljustrel, num anfiteatro ao ar livre, Ana Gomes voltou a ter uma audiência entusiasmada, muito feminina, com jovens e figuras locais do PS, e de novo com simpatizantes de vários partidos.

As questões da agricultura intensiva preocupam a candidata e muitos presentes confessaram-se  alarmados com a devastação ambiental provocada pelos novos olivais, explorados pelos espanhóis e que nada deixam de dividendos em Portugal. Temas fortes foram, de novo, o combate à corrupção mas, também, a igualdade de género.

“Sem igualdade de género não há democracia”, sintetiza Ana Gomes. E lançou um apelo aos mais jovens  para que não se acanhem e que participem na política, mesmo que possam estar desiludidos.

Ana Gomes teve um bom fim-de-semana, sentia que a sua candidatura ganhava fôlego, sentia o empenho confessado pelas pessoas com quem se reuniu. Gostou de saber que um dos seus apoiantes criou há 3 meses uma página de apoio a Ana Gomes no Facebook que já vai em mais de 30 mil aderentes.

O Alentejo continua a ser um lugar distante das atenções dos políticos sentados no Terreiro do Paço. Um estigma que a candidata vai combater, sendo eleita ou não.

Morreu o meu gato, não vou trabalhar

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O número de cães acolhidos em vários canis municipais e associações ultrapassa os 37 mil, segundo números da Associação de Veterinários Portugueses. É a prova do nosso coração duro.

A recente iniciativa de Cristina Rodrigues, ex-deputada do PAN, de um dia de luto por morte de animal de estimação não é, como se fez crer, uma bizarrice. Essa proposta ajuda a melhorar a nossa relação com os animais de companhia e a pensar nos animais que comemos diariamente, depois de sofrerem torturas bárbaras.

Os suíços, franceses e australianos reconhecem que os animais têm sentimentos. A Suíça vai mais longe e concede-lhes advogado de defesa. Mas nós continuamos a cantar alegremente “atirei um pau ao gato, mas o gato não morreu”, doutrinando as crianças de forma negativa.

Quase 50 anos depois do libertador 25 de Abril de 1974, alguns ainda acham graça pisar o rabo do gato e dar um pontapé no cão. Ou deixar os gatos pelos telhados, porque alguém lhes dará comida. Ou abandonar os cães depois das caçadas, porque estão estafados ou não prestam.

Já não falo de quem se senta a uma mesa à frente de bife, retirado de uma vaca pendurada num matadouro como se fosse um trapo. Uma vaca mantida em baias uma vida inteira, até estar gorda para a matança. Ou de um bezerro de leite, assassinado com apenas alguns meses de vida, sem nunca ver a luz do dia.

Mas as coisas estão a mudar. Fui a um bar de praia com uma mulher excepcional que trata o seu cão como gente. E sem pedirmos, a empregada trouxe uma taça de água para o senhor cão. É o primeiro bar de Carcavelos, do lado do forte.

Os animais não são pedras, têm o mesmo direito a uma vida digna sem sofrimentos. E depois, bem vistas as coisas, quem trata bem um cão, trata bem uma pessoa. E se acaricia com gosto um cão ou um gato, vai tratar de certeza muito bem os seus filhos, os seus pais e os seus concidadãos.

Fiquem a saber, no dia do funeral dos meus gatos, não contem comigo no trabalho.