Morreu o meu gato, não vou trabalhar

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O número de cães acolhidos em vários canis municipais e associações ultrapassa os 37 mil, segundo números da Associação de Veterinários Portugueses. É a prova do nosso coração duro.

A recente iniciativa de Cristina Rodrigues, ex-deputada do PAN, de um dia de luto por morte de animal de estimação não é, como se fez crer, uma bizarrice. Essa proposta ajuda a melhorar a nossa relação com os animais de companhia e a pensar nos animais que comemos diariamente, depois de sofrerem torturas bárbaras.

Os suíços, franceses e australianos reconhecem que os animais têm sentimentos. A Suíça vai mais longe e concede-lhes advogado de defesa. Mas nós continuamos a cantar alegremente “atirei um pau ao gato, mas o gato não morreu”, doutrinando as crianças de forma negativa.

Quase 50 anos depois do libertador 25 de Abril de 1974, alguns ainda acham graça pisar o rabo do gato e dar um pontapé no cão. Ou deixar os gatos pelos telhados, porque alguém lhes dará comida. Ou abandonar os cães depois das caçadas, porque estão estafados ou não prestam.

Já não falo de quem se senta a uma mesa à frente de bife, retirado de uma vaca pendurada num matadouro como se fosse um trapo. Uma vaca mantida em baias uma vida inteira, até estar gorda para a matança. Ou de um bezerro de leite, assassinado com apenas alguns meses de vida, sem nunca ver a luz do dia.

Mas as coisas estão a mudar. Fui a um bar de praia com uma mulher excepcional que trata o seu cão como gente. E sem pedirmos, a empregada trouxe uma taça de água para o senhor cão. É o primeiro bar de Carcavelos, do lado do forte.

Os animais não são pedras, têm o mesmo direito a uma vida digna sem sofrimentos. E depois, bem vistas as coisas, quem trata bem um cão, trata bem uma pessoa. E se acaricia com gosto um cão ou um gato, vai tratar de certeza muito bem os seus filhos, os seus pais e os seus concidadãos.

Fiquem a saber, no dia do funeral dos meus gatos, não contem comigo no trabalho.

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