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Oeiras Plastic Valley

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Enfeitar as ruas com plantas de plástico é a nova moda no Valley. Não são seres vivos, não crescem, não fazem fotossíntese, não abrigam nem alimentam insetos, não são polinizadas, não nos dão nenhum dos inúmeros benefícios que as plantas verdadeiras proporcionam; apenas se degradam e tornam rapidamente lixo. Lixo plástico. Aquele que já está a encher o oceano e a causar tantos problemas nos ecossistemas marinhos e não só.

Uma autarquia colocar flores de plástico nas suas ruas demonstra não só desprezo pelos sistemas naturais de que dependemos e fazemos parte, como revela também uma visão da natureza completamente artificial. Como se a natureza não tivesse qualquer valor ecológico, pelos serviços que nos presta, mas apenas um valor cosmético.

As florzinhas de plástico são o retrato de uma gestão autárquica que apregoa ter o maior índice de espaços verdes tratados por habitante na Europa (o que quer que isso queira dizer) e que despreza tudo o que são espaços naturais. Uma gestão autárquica que faz parques relvados onde nem sequer se pode levar um lanche, jardins com portões tantas vezes fechados, podas radicais e abates de árvores saudáveis, projetos imobiliários para a Serra de Carnaxide e empreendimentos em leito de cheia.

Uma gestão autárquica que tem vindo a ocupar o território cada vez com mais construção, estradas, rotundas, viadutos, sem ter atenção à criação de espaços pedonais, ciclovias, hortas e outras zonas verdes – bosques, prados e áreas de lazer – que permitam aos munícipes e visitantes usufruir dos benefícios do contacto com a natureza.

As florzinhas de plástico são a cereja em cima do bolo, a arte pública plantada no meio da rotunda para ser apreciada através da janela do automóvel particular. Darem-nos um vislumbre de cor, de simulacro de natureza no meio do betão, como se fosse uma enorme benesse, quando na realidade só vai contribuir para a degradação do ambiente em que vivemos, é não perceber nada de sustentabilidade, nem de qualidade de vida. Nem do momento que vivemos e dos principais desafios da atualidade.

Quando são cada vez mais urgentes medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas e políticas públicas promotoras de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, quando é cada vez mais urgente planear as cidades para serem mais inteligentes e amigáveis, com mais espaço para as pessoas,  passeios largos e ciclovias, áreas verdes e zonas de estar, temos em Oeiras a política do betão, do viaduto com iluminação cénica e das florzinhas de plástico (e ainda está para ser erguido o obelisco de 600 mil euros com ponta dourada de onde sai um raio laser verde), para compor um ramalhete que simula modernidade, mas que tresanda a erros do passado e, decididamente, já não serve.  

Bom e barato não existe.

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PP - 10 JULHO 2007 - PORTO - JORNAIS DIARIOS - JORNAL - CORREIO DA MANHA - PUBLICO - JORNAL DE NOTICIAS - NAO PUBLICADAS -

Eu conheço jornalistas afastados por serem bons, imaginem! Escrevem bem e sem receios e são despedidos.

Baptista Bastos queixou-se de coisa idêntica, há anos. O Diário Popular acabara e ele não conseguia emprego. E ele era muito bom.

O ser muito bom tornou-se um problema, quando o jornal português mais popular vende 66 mil exemplares. O outro, o das elites, não passa os 16 mil/dia. A tendência é então baixar a qualidade, cativando as classes económicas C e D (com menos recursos). Até porque escasseia o dinheiro para textos mais pensados ou coisas mais investigadas.

fonte APCT http://www.apct.pt/analise-simples

Em tempos tive uma inveja-leal desses meus amigos. Agora tenho raiva, não deles, mas de quem lê os títulos do Google e… já está! Perdeu-se o interesse pela leitura, quando chegou o comando de tv. E se a história dura mais de 1 minuto e meio… zás! mudamos de canal. E a ligeireza no abandono dos jornais e dos livros é igual ao nosso desinteresse pelos museus, teatro e cinema. Estamos sempre cansados, desatentos e frágeis. Há uns anos telefonávamos a um amigo, agora enviamos um sms ou um messenger.

Os bons jornalistas não querem escrever textos do tamanho de um pacote de açúcar. Ah! Sim? Então acabou-se o café. Que tristeza!

Às vezes… menos é mais

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Vinte e quatro anos depois, a Fórmula Um volta a Portugal. A esta hora os cerca de mil profissionais da modalidade já estão instalados a preparar os carros, depois de já terem lavado os camiões e montado as luxuosas instalações de acolhimento dos convidados de cada equipa.

O AIA – Autódromo Internacional do Algarve que, desde 2008 sonhava em ter nas suas pistas um Grande Prémio de Fórmula Um vai finalmente realizar o seu sonho. É verdade que algumas dessas maravilhosas montras de alta tecnologia já rodaram na montanha russa algarvia (os especialistas já lhe chamam “roller coaster”) nuns testes realizados em 2009. Dentro de um mês será o tempo das fórmula um das motos, onde corre o único português Miguel Oliveira.

Infelizmente, este Grande Prémio patrocinado pela cervejeira holandesa Heineken, a terceira em todo o mundo – que também apoia a Liga dos Campeões UEFA entre outros grandes eventos desportivos –, acontece numa altura má para o negócio pelas razões que todos conhecemos, agravadas recentemente para o estado de calamidade até finais do corrente mês. Com capacidade para perto de 90 mil espectadores e com 46 mil bilhetes postos à venda, as autoridades sanitárias reduziram para 27.500 -30% da capacidade -, a admissão de pessoas que terão de ficar confinadas em vários sectores das bancadas, com regras bem definidas. Os lugares de peão não são admitidos, pelo que o organizador já teve que devolver o valor dos bilhetes vendidos ou renegociar um upgrade para as bancadas. As reclamações já são mais que muitas e o organizador está a encontrar dificuldades para responder a todos.

A realização de um GP (Grande Prémio) tem custos elevadíssimos, da ordem dos acima de 50 milhões para que a empresa que gere o negócio desloque o seu circo de luxo. Transportes, seguros, despesas correntes, acomodação das equipas, alimentação, transmissões, e tanto mais somente para fazer alinhar na grelha de partida os 21 excepcionais veículos híbridos que custam uns 10 milhões cada. Só o motor ou, melhor dito, a Unidade de Energia (um motor de combustão interna de 1.600 cc com turbocompressor, dois motores eléctricos, duas baterias, uma unidade MTU-K para recuperar a energia das travagens e uma unidade MTU-H para recuperar a energia do calor gerado) tem um custo médio de 9 milhões de dólares e o pequeno volante com aqueles botões todos, tem o valor equivalente a um Mercedes topo de gama.

Portimão e o Algarve em geral há muito que aguardavam esta ocasião enfim concretizada. Se não for um dos 27.500 contemplados pela força da COVID-19, tem a confortável alternativa de ver na televisão os grandes mestres da pilotagem ao mais alto nível, pagos eles também a custos estratosféricos. O actual líder do Campeonato e presumivelmente o Campeão do Mundo pela 7ª vez, Lewis Carl Davidson Hamilton, 35 anos de idade, nº 44 no seu Mercedes, é quem mais ordena com os seus 48 milhões de dólares/ano, enquanto, no fundo da tabela haja quem receba uns meros 220 mil.

Organizar um GP de F1 não é tarefa fácil. É mesmo profissão de desgaste rápido tal o stress a que todos os participantes estão sujeitos. A Parkalgarve, empresa gestora do complexo dirigido pelo engenheiro Paulo Pinheiro, emprega 120 pessoas que certamente a esta hora e nas seguintes estão a braços com a filosofia de excelência exigida pela Liberty Media Corporation, a “dona daquilo tudo”.

Passado o frenesim dos três dias da corrida, o mais duro será a segunda-feira e dias seguintes, quando se começar a fechar as contas e a ver as colunas do Deve e do Haver. Se for oportuno, voltaremos ao assunto.

Autódromo Internacional do Algarve

De volta à faculdade

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O verão já lá vai mas ficaram as memórias da praia e do dolce fare niente.

Para quem ainda não nos conhece, eu sou a Sara Narciso (autora dos vídeos) e, nesta história, estou com as minhas amigas Karina e Rita.

Covid-19: três concelhos em confinamento

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Portugal regista hoje 3.274 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o valor diário mais elevado desde o início da pandemia, e mais 16 mortes relacionadas com a covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

Números que foram analisados hoje na reunião do Conselho de Ministros e que motivaram a tomada de novas medidas para se tentar conter a expansão da pandemia.

Assim, há três concelhos “fechados” já a partir de amanhã, 23 de outubro, que são os concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira. Trata-se de uma decisão do Conselho de Ministros, face ao desvario da pandemia naqueles territórios. O conjunto de medidas especiais decretadas pelo Governo abarca o encerramento de todo o comércio às 22 horas e a proibição de todas as atividades que obriguem à presença no mesmo espaço de mais de cinco pessoas.

Em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, explicou que as populações dos três concelhos têm o “dever de permanência domiciliária, com exceção de um conjunto de atividades consideradas urgentes como, por exemplo, ir ao médico.

Mariana vieira da silva disse que nenhuma regra será bem sucedida se as pessoas não decidirem agir com bom senso e respeito pelos outros, se não souberem escolher quais são verdadeiramente as atividades que terão de exercer imprescindivelmente e as outras que podem ser adiadas durante algum tempo. A governante disse ser essencial que as pessoas respeitem o distanciamento físico, o limite de ajuntamentos com cinco pessoas, o uso de máscara sempre que não seja possível manter o distanciamento, seja nos transportes públicos, nos locais de trabalho ou, mesmo, na via pública.

No resto do país, a circulação entre concelhos do continente está proibida entre os dias 30 de outubro e 03 de novembro, ou seja, durante o fim de semana correspondente ao Dia de Finados. “Cada cidadão não pode circular entre concelhos, como aconteceu no passado”, revelou a ministra Mariana Vieira da Silva, explicando que a medida entra em vigor entre as 00:00 de 30 de outubro até dia 3 de novembro. Os cemitérios vão permenecer abertos, embora a decisão de fechar cemitérios ou de limitar o acesso a eles seja uma competência autárquica.

Uma semana depois do Governo ter decretado o estado de calamidade, a pandemia continua a agravar-se. A ministra da Saúde defendeu que o SNS está hoje melhor preparado para enfrentar a pandemia e que, ainda assim, o Governo já abriu concurso para novas admissões de dezenas de médicos intensivistas para trabalharem nas unidades de cuidados intensivos dos diferentes hospitais do sistema nacional de saúde.

Todos os indicadores estão a subir, embora os 3.270 novos casos de infeção (mais as 16 mortes) sejam o dado mais preocupante, uma vez que uma percentagem desses novos casos irão parar aos internamentos hospitalares e cerca de 2% a 4% vão morrer (conforme rezam as estatísticas).

Os internamentos hospitalares já atingiram os valores máximos registados desde março, num total de 1.365, mais 93 pessoas internadas do que na quarta-feira. Nos cuidados intensivos estão internados 200 doentes, mais 13 do que na quarta-feira. O máximo de internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos foi registado em 7 de abril, dia em que 217 pessoas estavam nestas unidades com covid-19.

A região de Lisboa e Vale do Tejo surge em segundo lugar no mapa de Portugal de novos casos diários, tendo sido notificados nas últimas 24 horas 936 (28,6%) novos casos de infeção, a grande maioria dos novos casos de infeção ocorreram na região Norte, ao registar hoje mais 1.954 infeções de covid-19 (59,7%).

Lei cega e surda

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É uma grande infelicidade a condenação a 9 anos de prisão da jovem mãe que abandonou o seu filho acabado de nascer. Meteu-o num saco de plástico. Foi há uns meses em Lisboa.

Esta condenação esmaga a mãe. Deixa-nos pálidos. E desgraça a criança.

Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança, ainda tentou suavizar a questão porque não existiam sinais de estrangulamento no bebé. Mas venceu em tribunal o lado bárbaro do abandono de um filho. E o facto de o bébé ter sido largado num eco-ponto.

A criança foi encontrada por sem-abrigos, gente cheia de coração, que deram o alerta. Sobreviveu felizmente. Mas a sua vida futura irá perder-se nos labirintos dos 351 lares de Portugal.

Mais valia tratar a mãe e juntá-la ao filho. Metê-los numa casa de acolhimento. E já agora recolher todos os sem abrigos espalhados às centenas pelas ruas de Lisboa. Em Santa Apolónia, na Avenida Almirante Reis, por exemplo. Há tantas casas vazias ou abandonadas na cidade.

O crime foi grave, mas a receita vai matar um eventual recomeço de vida. A lei fez vista grossa a psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais,  que são quem sabe melhor sentenciar estes casos.

Liberdade, Igualdade e…

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Andamos ainda a lutar pela igualdade entre sexos, orientações sexuais, cor de pele, pela dignidade que todos merecemos desde o minuto em que nascemos. E, cada vez mais, os discursos de ódio e incentivo à violência ganham força. Desmesuradamente. Todos os dias um energúmeno qualquer tem liberdade e eco para defender a esterilização, amputação, expulsão, morte, argumentos dantescos que se resumem à supremacia de um ser humano sobre outro. Mas, quanto maior é a trumpalhada do discurso, maior é o seu alcance e cegueira.

Os ditadores aparecem que nem cogumelos e todos, directa ou indirectamente, lhes prestamos vassalagem. Ficamos muito indignados, metemos as mãos à cabeça, depois espelhamos a nossa indignidade nas redes sociais. Temos muitos princípios que não passam disso mesmo, intenções que vão direitinhas para o inferno. 

Por cada pessoa que desperdiça comida, duas passam fome. A lista de desigualdades é interminável, a desproporcionalidade gigantesca e todos ajudamos a aumentá-la. Todos assistimos a desgraças e atrocidades contra a humanidade nos media, na tv em particular, e a seguir perguntamos qual é a sobremesa. Cada vez mais o jornalismo se vai tornando num negócio. O jornalismo é a nossa maior arma. É e devia ser sempre um contrapoder.

Há guerras, algumas tão próximas, mas afinal tão longe, nunca chegarão aqui, nunca nos irão beliscar, afinal temos imunidade a essas tragédias. São as guerras dos outros. São?

Não, não sou uma grande lutadora contra o sistema, refugio-me no meu pequeno mundo. Por outro lado, é aqui que posso fazer qualquer coisa, no meu passeio, até ao fim da rua. Fecho os olhos a muita coisa, a muita gente, mas também não desvio o olhar a tudo e a toda a gente. Se todos os dias fizermos um pequeno gesto, um subtil acto de amor, de fraternidade e tolerância, alguma coisa há-de mudar em muitos passeios e ruas. É aí que se ganha força, é pela união popular que se chega ao poder invisível.

Acreditei piamente que este maldito vírus, tão democrático, ia fazer as pessoas perceberem que de facto são todas iguais. Acreditei que algo ia mudar para melhor, que nos íamos respeitar e abraçar as diferenças. Finalmente íamos unir-nos e inverter a curva de suicídio colectivo para onde caminhamos a alta velocidade. Mas parece que não, mantêm-se o individualismo, a dependência dos mais frágeis perante a ganância do mais fortes.

Foram precisos apenas dois meses de paragem geral (mas não total) para que um castelo de cartas chamado economia se desmoronasse. Dois meses. O que se procurou fazer, logo a seguir, foi montar de novo esse castelo, com muita pressa, regressar à economia com fita-cola, pois o que interessa é manter o castelo de cartas que mostrou ser isso mesmo, um castelo impotente a um sopro.

Estou a ser negativa? Estou naqueles dias em que tudo é preto, cinzento, ferrugem, podridão? Sim. Mas não estou sempre nestes dias, são mais aqueles em que sinto esperança e tomo consciência de que tenho muito a fazer pelos outros, por mim. Tenho de ir mais longe do que o fim da rua. Temos todos.

O problema dos dias cinzentos é que o negativismo não é ficcional, não é consequência de um mau humor. É uma dura tomada de consciência clara, nítida, tão transparente do mundo real. Já o bem é uma quimera, é algo a alcançar, é um sonho, como disse Martin Luther King.

Mas o verdadeiro poder não é sequer daqueles que, alto e bom som, disparam discursos extremistas num tom evangelista que nos vai salvar. Somos nós que permitimos esse tipo de discurso professado por ditos “políticos”, sociopatas que se deslumbram com a sua imagem no espelho. Sentem-se grandes mas não passam de marionetas ao serviço de poder económico, bélico, mortal.

São os Corleone que, sentados numa cómoda poltrona, manipulam numa mão os sociopatas e com a outra fazem festas ternurentas a um gato sem pedigree. São intocáveis.

“Há quem tenha medo que o medo acabe”, escreveu Mia Couto. É o medo que nos põe uns contra os outros. Velha estratégia, a de dividir para reinar. Simples, eficaz, letal.

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. (…)

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão. (…)

Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciados.”

Excertos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pela ONU em 1948, em defesa de valores como a liberdade, a igualdade e…

O que é feito da fraternidade da humanidade?

O Forte do Alto do Duque

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É uma ideia que não lembra ao diabo, a ocupação do Forte do Alto do Duque, em Algés pela Esquadra de Investigação Criminal da PSP. As instalações não são apropriadas e ficam longe dos transportes colectivos. Um forte é um forte. E os convocados por isto ou por aquilo não deveriam de ter de percorrer centenas de metros ao ar livre, até se enfiarem em minúsculas casitas nas muralhas, a que chamam pomposamente gabinetes.

Falamos de instalações militares antigas desenhadas para um fim específico não adaptável: a defesa do Tejo. O forte deveria ser apenas um museu, porque de lá se comandou a Revolução de Abril, ou um espaço lúdico.

Para chegar à fala como os agentes da PSP, é necessário descer umas gigantescas e abruptas escadas improvisadas de ferro e caminhar pelo… fosso do forte. A ida à Esquadra de Investigação Criminal da PSP de Lisboa é um exercício de estúpida humilhação, quer se seja testemunha, arguido ou policia. Antes a Esquadra ficava a poucos metros da Estação Ferroviária de Alcântara e de várias carreiras de autocarros. Era um edifício sólido, arejado e enorme. Cheio de salas e corredores. Ao lado do Museu do Oriente de Carlos Monjardino, que ninguém sabe como assentou ali arraiais. O Museu até já tirou uma faixa de passeio e da estrada, dando a entender que esse trata de um jardim privado.

Ficaremos de boca aberta se o tal Museu vier também a comer o enorme edifício adjacente, que onde estava até a Esquadra de Investigação Criminal da PSP. Se a ideia pegar, um dia a Polícia Judiciária ouvirá testemunhas e arguidos nas caves do Estabelecimento Prisional de Lisboa, no alto do Parque Eduardo VII.

Não percebo como é que o actual Director da PSP, homem de valor, proveniente do Grupo de Operações Especiais, deixou que enfiassem os seus homens numa vala e os cidadãos de Lisboa numa estúpida situação.

Covid-19: números sobem, estudantes chamados para trabalhar

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Na edição de hoje do boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde estão registados 16 óbitos e  2.535 novos casos confirmados de infeção com o novo coronavírus.

O número de novos casos de hoje é o segundo maior desde o início da pandemia, depois de o recorde ter ocorrido em 16 de outubro, com 2.608 novos casos.

Segundo o boletim epidemiológico, das 16 mortes registadas, oito ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, quatro na região Norte, duas no Centro, uma no Alentejo e outra no Algarve.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim revela que nas últimas 24 horas há mais 35 pessoas internadas, totalizando 1.272, e 187 em cuidados intensivos, mais 11 em relação a terça-feira.

Os dados oficiais facultados desde o início da pandemia revelam que o número de hoje de internamentos está próximo dos máximos registados em abril, quando o maior número de doentes internados nos hospitais foi atingido a 16 de abril, com 1.302.

O máximo de internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos foi registado em 07 de abril, dia em que 217 pessoas estavam nestas unidades devido à infeção com o novo coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19.

Forças Armadas e estudantes de enfermagem na primeira linha do combate

Com a pandemia a agravar-se, o Governo toma medidas para reforçar o SNS. Uma delas foi o aumento da capacidade do Centro de Apoio Militar covid-19, que funciona nas instalações do antigo hospital militar de Belém, em Lisboa, com mais 60 camas, triplicando a capacidade atual.

Outra medida, a integração de alunos de enfermagem nas equipas de saúde pública. Esta medida está a ser criticada pela Ordem dos Enfermeiros e pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que defendem que deviam ser contratados os enfermeiros desempregados para integrarem estas equipas, para fazerem o inquérito epidemiológico dos contactos de doentes com covid-19.

Quando as aparências iludem…

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Por insólito que o título pareça, esta crónica funda-se, unicamente, em cenas reais e “ciência” certa. Resta acrescentar que, com arqueologia a “rimar” com pandemia, o humor é o combustível que alimenta a “passarola voadora” com que sobrevoo abismos.  

Certo dia, adquiridas numa longínqua “república de bananas”, um amigo apresentou-se em minha casa com “peças de arqueologia”, aquisição recomendada por “peritos” da “civilização local”.  

– Não são uma maravilha?… – Perguntou, enquanto espalhava o lote, sabedor de que eu, embora oriundo das medicinas, cedo me interessara por essas “artes”.     

A vida é um jogo em que ora se ganha, ora se perde. Nessa tarde, uma desilusão, nem precisei de óculos para ter a certeza de que tudo aquilo não passava de tralha. E, para evitar melindres, entendi “chutar para o lado”:

– Muito bem, mas vieste para bebermos um tintol. E arranjei cá uns queijinhos…

Finta que não surtiu efeito. Bom apreciador do melhor que a vida oferece, dessa vez ele “negou fogo”:

– Antes disso, quero mesmo saber a tua opinião. Quanto achas que isto vale?

O rapaz tinha pago uma fortuna e eu, sem espaço para atirar a bola para a frente, voltei a recorrer à “dona diplomacia”:

– É pá, agora é tarde. Não devias ter comprado, sem antes falares comigo…

– Então… achas que as peças valem menos?

– Sabes que não sou “pessoa-de-achar”. Só falo quando tenho a certeza. E a minha certeza é que eu não as compraria.

Golpe de misericórdia, mas que ainda o deixou em maiores pulgas, enquanto eu saía a pedir auxílio à enfermeira mais indicada para tratar da sua doença: a “dona gastronomia”. Sem êxito, porque nem recorrendo a essa “magia” me livrei do frete:

– Tens a mania que sabes tudo. – Resmungou ele, não convencido, logo que regressei com a minha própria “loiça”. – Como te atreves a pôr em causa a competência de Fulano e Sicrano, que são das maiores sumidades mundiais?  

– A gente tem de ouvir cada uma… – Ensimesmei, tendo ainda fresca uma “peritagem” que a própria “Judite” me encomendara e que pôs cobro a inúmeras confusões levantadas em torno de uma “coleção de falsificações”, mais tarde adquirida por um célebre Banco.

– Competência é uma coisa e seriedade é outra. Será que terei de fazer o “teste do cuspo”, à tua frente?

– Mas que raio é isso?

E foi então que abri mesmo a boca, mas para molhar o indicador e passar alguma saliva sobre uma das suas peças. Como se maquilhada, toda a “amarelagem” logo desapareceu, libertando um “encantador” artefacto de barro vermelho, “made in século XXI”. E foi assim que ele entendeu que, antes de se meter por atalhos, devia preparar bem as viagens. E, sobretudo, desconfiar de certas agências e guias…

Esta semana, o meu amigo voltou. Tendo eu, entretanto, adquirido mais “arqueologia”, a conversa depressa se centrou num leilão recente, recheado de peças únicas, reunidas por um famoso colecionador inglês. Acompanhado de insuspeitos certificados, até um perito americano designava o conjunto como “erudito”.

A leiloeira é séria e, perante a pandemia em curso, entendi abrir uma exceção e licitar à distância, sem prévia análise. Temia uma “praça forte”, mas a fugir aos padrões “normais”, tive a sorte de adquirir várias peças a “preço de saldo”. No entanto, para minha surpresa, duas delas não resistiram ao “teste do cuspo”…

É óbvio que, descritas como pertencentes à dinastia Han, de que Cristo foi contemporâneo, ambas sofreram profundos “retoques” no século XX. Uma chinesice que, agora, deixa certezas e dúvidas: a certeza de serem autênticas; a dúvida, ainda no ar, de quem terá nascido primeiro… se estas peças ou se o Imperador Han. O que, logicamente, torna as peças ainda mais valiosas…

Em tempos de pandemia, a conversa descaiu, naturalmente, sobre a tal “república das bananas”, onde, garantia o meu amigo, “cada um chuta para onde está virado”.

– Ninguém se entende, por lá! Aquilo está sem rei nem roque.

– Estamos bem melhor em Portugal. – Concordei. – Aqui, pelo menos, há rei. E se às vezes até vai nu, é só quando sai para levar a “pica”.

– O governo de lá até publicou um diploma que ninguém entende. Olha que ainda recomendam máscaras ou viseiras indistintamente, como se fosse tudo o mesmo.

– E tu, que tens por lá amigos na política, porque não lhes recomendas o “teste do cuspo”? É fácil, é barato e eles devem perceber as diferenças…

Também desta singela conversa ficaram certezas e dúvidas: a certeza de que há que ter muito cuidado com as imitações; a dúvida… é “covidizer” no final, ao meu amigo, que os políticos de imitação ainda matam mais do que o Covid. E que quem se mete com eles, leva.