Às vezes… menos é mais

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Vinte e quatro anos depois, a Fórmula Um volta a Portugal. A esta hora os cerca de mil profissionais da modalidade já estão instalados a preparar os carros, depois de já terem lavado os camiões e montado as luxuosas instalações de acolhimento dos convidados de cada equipa.

O AIA – Autódromo Internacional do Algarve que, desde 2008 sonhava em ter nas suas pistas um Grande Prémio de Fórmula Um vai finalmente realizar o seu sonho. É verdade que algumas dessas maravilhosas montras de alta tecnologia já rodaram na montanha russa algarvia (os especialistas já lhe chamam “roller coaster”) nuns testes realizados em 2009. Dentro de um mês será o tempo das fórmula um das motos, onde corre o único português Miguel Oliveira.

Infelizmente, este Grande Prémio patrocinado pela cervejeira holandesa Heineken, a terceira em todo o mundo – que também apoia a Liga dos Campeões UEFA entre outros grandes eventos desportivos –, acontece numa altura má para o negócio pelas razões que todos conhecemos, agravadas recentemente para o estado de calamidade até finais do corrente mês. Com capacidade para perto de 90 mil espectadores e com 46 mil bilhetes postos à venda, as autoridades sanitárias reduziram para 27.500 -30% da capacidade -, a admissão de pessoas que terão de ficar confinadas em vários sectores das bancadas, com regras bem definidas. Os lugares de peão não são admitidos, pelo que o organizador já teve que devolver o valor dos bilhetes vendidos ou renegociar um upgrade para as bancadas. As reclamações já são mais que muitas e o organizador está a encontrar dificuldades para responder a todos.

A realização de um GP (Grande Prémio) tem custos elevadíssimos, da ordem dos acima de 50 milhões para que a empresa que gere o negócio desloque o seu circo de luxo. Transportes, seguros, despesas correntes, acomodação das equipas, alimentação, transmissões, e tanto mais somente para fazer alinhar na grelha de partida os 21 excepcionais veículos híbridos que custam uns 10 milhões cada. Só o motor ou, melhor dito, a Unidade de Energia (um motor de combustão interna de 1.600 cc com turbocompressor, dois motores eléctricos, duas baterias, uma unidade MTU-K para recuperar a energia das travagens e uma unidade MTU-H para recuperar a energia do calor gerado) tem um custo médio de 9 milhões de dólares e o pequeno volante com aqueles botões todos, tem o valor equivalente a um Mercedes topo de gama.

Portimão e o Algarve em geral há muito que aguardavam esta ocasião enfim concretizada. Se não for um dos 27.500 contemplados pela força da COVID-19, tem a confortável alternativa de ver na televisão os grandes mestres da pilotagem ao mais alto nível, pagos eles também a custos estratosféricos. O actual líder do Campeonato e presumivelmente o Campeão do Mundo pela 7ª vez, Lewis Carl Davidson Hamilton, 35 anos de idade, nº 44 no seu Mercedes, é quem mais ordena com os seus 48 milhões de dólares/ano, enquanto, no fundo da tabela haja quem receba uns meros 220 mil.

Organizar um GP de F1 não é tarefa fácil. É mesmo profissão de desgaste rápido tal o stress a que todos os participantes estão sujeitos. A Parkalgarve, empresa gestora do complexo dirigido pelo engenheiro Paulo Pinheiro, emprega 120 pessoas que certamente a esta hora e nas seguintes estão a braços com a filosofia de excelência exigida pela Liberty Media Corporation, a “dona daquilo tudo”.

Passado o frenesim dos três dias da corrida, o mais duro será a segunda-feira e dias seguintes, quando se começar a fechar as contas e a ver as colunas do Deve e do Haver. Se for oportuno, voltaremos ao assunto.

Autódromo Internacional do Algarve

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