Lei cega e surda

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É uma grande infelicidade a condenação a 9 anos de prisão da jovem mãe que abandonou o seu filho acabado de nascer. Meteu-o num saco de plástico. Foi há uns meses em Lisboa.

Esta condenação esmaga a mãe. Deixa-nos pálidos. E desgraça a criança.

Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança, ainda tentou suavizar a questão porque não existiam sinais de estrangulamento no bebé. Mas venceu em tribunal o lado bárbaro do abandono de um filho. E o facto de o bébé ter sido largado num eco-ponto.

A criança foi encontrada por sem-abrigos, gente cheia de coração, que deram o alerta. Sobreviveu felizmente. Mas a sua vida futura irá perder-se nos labirintos dos 351 lares de Portugal.

Mais valia tratar a mãe e juntá-la ao filho. Metê-los numa casa de acolhimento. E já agora recolher todos os sem abrigos espalhados às centenas pelas ruas de Lisboa. Em Santa Apolónia, na Avenida Almirante Reis, por exemplo. Há tantas casas vazias ou abandonadas na cidade.

O crime foi grave, mas a receita vai matar um eventual recomeço de vida. A lei fez vista grossa a psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais,  que são quem sabe melhor sentenciar estes casos.

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