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Expresso 49, uma peça de humor

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Já há muito tempo que não se falava tanto no Expresso. Não há memória de um alarido destes por alguma notícia que o semanário tenha alguma vez publicado. Sem ser esse o propósito dos piratas do Lapsus$ Group, isto transformou-se num “golpe” publicitário de enorme impacto. Ou seja, nem tudo corre mal à família que dirige a Impresa. O fetiche do número 6 continua a funcionar para o velho Balsemão e a celebração dos 49 anos do jornal não podia ter corrido melhor, afinal de contas.

Com uma tiragem média de 67.940 exemplares (vendas abaixo dos 60 mil), é muito provável que os gestores do jornal tenham arriscado nesta edição e mandado imprimir o dobro do habitual. É o que se chama surfar a oportunidade. E uma onda gigante destas não aparece todas as semanas.

Contudo, a edição em papel não traz nada de grande realce, nenhum exclusivo exceto a conversa de Ricardo Araújo Pereira (aka RAP) com um jogador de futebol. Não sendo RAP um jornalista encartado, é um pouco triste que o destaque na 1º página não seja para um trabalho de um jornalista. Qualquer dia, jornais e noticiários serão feitos por agentes da política, do futebol e da polícia, humoristas e empreiteiros de construção civil.

1ª página do semanário Expresso em 7 janeiro 2022

Duas imagens, muitas palavras

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São duas fotografias quase iguais. Isto é, são bem diferentes, embora enquadrem mensagens parecidas. Nas duas imagens, a mesma parede que serviu de suporte para a montagem da edição do Expresso que sai hoje para as bancas.

Era mais ou menos assim que dantes se faziam jornais. Os textos eram recortados e montados nas páginas que se penduravam alinhadas umas às outras, para que se pudesse ter uma visão global do que seria o jornal que dali a umas horas os leitores iriam comprar e ler.

A principal diferença entre as duas fotos é que na melhor delas não está o patrão. O velho Balsemão está ali por mera deferência de quem escolheu publicar a fotografia. É um afago. Uma bajulice. E foi essa a imagem escolhida para ser publicada no site provisório.

A história que importa contar é a da aprendizagem a que foram obrigados os jornalistas no Expresso, se queriam ter a edição em papel nas bancas, hoje.

Interessante é também o texto que conta a verdadeira história, onde o Balsemão não mexeu uma palha: “Os sistemas digitais onde o jornal é feito morreram e não houve tempo para fazer o luto. As páginas começaram a ser desenhadas à mão outra vez, como se nunca tivessem existido; as notícias foram colocadas e revistas num único computador; a edição foi toda fechada nas paredes e num quadro branco instalado de emergência. Foram encontradas novas dificuldades mas também nervos de aço.”

As mesmas dificuldades tiveram de ser ultrapassadas no conjunto de canais da SIC, com a diferença de que ali não há um jornal para fazer, mas vários ao longo do dia. Dificuldades que se exponenciam no canal de notícias. Como contámos já há dois dias, a “manobra” de produção e emissão dos noticiários recuou décadas no tempo para se voltar a fazer televisão à mão, sem computadores, com alinhamentos de noticiários manuscritos, em gatafunhos apressados, em folhas de bloco de notas.

Nas redações afetadas pelo ataque dos piratas informáticos do Lapsus$ Group, têm sido dias de exaltação e de redenção. Eles estão a viver um momento de crise que, para já, deve ter refeito o espírito de grupo nesses locais de trabalho. Conseguir manter as emissões no ar e o jornal nas bancas é um desafio a que não se vira a cara. É por isso que eu prefiro a fotografia onde o Balsemão não está.

João Moura acusado de 18 crimes

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João Moura está gordo, com isso penaliza os cavalos que têm de aguentar com o seu peso excessivo, mas deixava os cães a morrer à fome. Quantos terão morrido, não se sabe. Apenas sabemos aqueles que foram salvos in extremis pela GNR. Foram 18, sendo que uma das cadelas sucumbiu no próprio dia em que foi libertada.

A cadela que morreu, segundo o despacho de acusação elaborado pelo Ministério Público, “sofria de insuficiência hepática e renal aguda”, além de apresentar um “estado de caquexia” e “cortes profundos na zona do metacarpo sem sinais de cicatrização”.

um dos cães de João Moura fotografado pela GNR

Os restantes recuperaram e estão vivos. No dia em que foram retirados da quinta do cavaleiro tauromáquico, apresentavam “magreza acentuada” ou “estado de caquético”. Todos os cães galgos apreendidos tinham lesões ou escoriações e infeções provocadas por parasitas, e por isso ficaram doentes, “sem que existisse “quaisquer sinais de tratamento”, indica ainda o Ministério Público no despacho de acusação.

O MP adianta que João Moura “privou os animais de acesso a água e alimento em quantidade suficiente, de alojamento limpo, de quaisquer cuidados de saúde e de higiene, de vacinação e tratamentos de desparasitação”. No dia da operação policial, os cães estavam “confinados em boxes de cavalos, dois a cinco animais por boxe, sem quaisquer equipamentos ou utensílios para fornecimento de alimento ou água”.

Os animais viviam no meio dos seus próprios dejetos, que ninguém limpava, sujeitos ao tratamento cruel que já foi descrito e que lhes causava dor e sofrimento. Moura talvez tenha querido poupar algum dinheiro na ração dos seus cães, mas, agora, tem a fatura para pagar que a Justiça lhe há de apresentar.

Este caso foi motivo de grande indignação e revolta, nomeadamente nos meios afetos à defesa dos direitos dos animais. Os militantes animalistas e ecologistas não perdoam a João Moura, até porque se sabe que ele e o filho promoviam lutas de morte entre cães e bovinos, com que entretinham amigos e visitantes na sua quinta alentejana.

A pobre cidade e o cinema fechado

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Lisboa, bairro de Arroios, rua Francisco Sanches. Quinhentos metros de rua que já foi de comércio e habitação.

Hoje, um bom número de lojas encerrou. A crise sanitária, a crise do turismo e a desertificação da cidade fazem uma equação de difícil resolução e nem mesmo o empreendedorismo oriental consegue o milagre de manter as portas abertas.

Nestes 500 metros há várias lojas fechadas, algumas com ar de estarem fechadas há muito tempo. E há vários prédios devolutos. Vazios de gente. Edifícios que não cumprem a missão de serem abrigo, casa, morada, lar de famílias.

Quiseram fazer de Lisboa uma cidade de hotéis. Tudo foi destinado a albergar turistas ou outro tipo de passantes apressados.

Despejaram famílias, apressaram a morte dos mais velhos, pagaram ou coagiram as pessoas a procurar outras moradas, porque Lisboa era para camones e franciús, vikings, tovarich ou marajás. E a cidade foi ficando assim, semi deserta e decadente. A rua Francisco Sanches é um dos muitos reflexos desse estado a que a cidade chegou.

O cinema Pathé – Imperial

Mas já houve vida por aqui. Um dos edifícios abandonados é o mítico Cinema Pathé, construído em 1926 e que fazia da rua Francisco Sanches um dos centros de confluência de multidões.

Esta é a primeira fachada do Pathé quando, em 1931 foi rebaptizado Cinema Imperial. Assim se chamou até 1973 quando decidiram recuperar o nome original e voltou a ser Cinema Pathé.

Nos anos 50 foi modernizado e o edifício ganhou volume. A fachada ainda é a que hoje se mantém.

Nos anos 80, com o advento dos centros comerciais, os cinemas de bairro começaram a perder público. O Pathé acabou por fechar, ainda foi discoteca mas por pouco tempo.

Há mais de 20 anos que está fechado, entaipado. A Câmara Municipal aprovou um projeto para fazer deste edifício um hotel, que mais havia de ser…? Mas as obras nunca se iniciaram. A vizinhança diz que em 2019 ainda andaram por aqui uns tipos que pareciam engenheiros, mas desapareceram quando veio a pandemia.

O projeto aprovado pela autarquia prevê a demolição do edifício, que seria substituído por um mais alto, com 7 pisos. Mas parece que os donos da obra perderam a vontade…

Afinal, não houve pedido de resgate (ainda…)

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Ao 4º dia, as explicações. Finalmente. Num comunicado, a Impresa explica a amplitude do ataque levado a cabo pelo Lapsus$ Group: “os sites do Grupo IMPRESA, nos quais se incluem órgãos de comunicação social como o EXPRESSO, a SIC e a BLITZ, mas também marcas como a Opto, ADVNCE ou Olhares, foram alvo de um ataque informático, que teve início no passado domingo, dia 2 de janeiro”.

Depois de referir o “esforço extraordinário para tentar colmatar as dificuldades técnicas impostas”, o comunicado da Impresa confirma que a empresa apresentou queixa-crime contra incertos pela prática de “crimes de terrorismo” e de dano relativo a programas ou outros dados informáticos, sabotagem informática, acesso ilegítimo, acesso indevido, desvio de dados e destruição de dados”.

Pelo sentido do que está escrito no comunicado, os sites originais permanecem bloqueados pelos hackers, pelo que os conteúdos e noticias continuam a ser veiculados pelas redes sociais e pelos sites provisórios que ontem à noite foram ativados.

O comunicado confirma igualmente as dificuldades provocadas na produção e emissão dos programas de televisão, tal como relatamos ontem aqui no Duas Linhas, e acrescenta que “demorará algum tempo para que a normalidade de todas as operações seja reposta.”

No final do comunicado surge um conjunto de respostas a “questões mais frequentes” neste tipo de situações, onde a Impresa diz que nunca foi pedido qualquer resgate.

Quanto a dados perdidos ou capturados pelos piratas, a Impresa diz não haver  “evidências” de que os atacantes tenham capturado ou utilizado passwords de clientes das empresas do grupo Impresa e que “Não houve quaisquer dados pessoais de assinantes/utilizadores/subscritores que tenham sido destruídos ou apagados das referidas bases de dados.” Nem mesmo de dados relativos a cartões bancários, garante-se no comunicado.

A Impresa garante, ainda, que irá divulgar dentro de dias informação sobre o modo como pretende ressarcir assinantes e subscritores de serviços que não estão a ser prestados.

Piratas põem pornografia nos computadores da SIC

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Pergunta: Então, como vão as coisas na SIC com a “invasão pirata”?

Resposta: Carlos, não querem que vaze para que a coisa não piore. Está o caos, hoje já estamos mais organizados, mas já nem vídeo chamadas podemos utilizar, ontem injetaram pornografia nos computadores.

Ao terceiro dia, o controlo do Lapsus$ Group no sistema informático da SIC é quase total. Afetando a SIC, provavelmente afetam do mesmo modo os canais satélites SIC Notícias, SIC Radical, SIC Mulher e o diabo a sete de canais temáticos que o Emídio Rangel “pariu” antes de ter sido despedido. Também o Expresso e a revista Blitz devem ter problemas semelhantes.

Os sites continuam inoperacionais, mas as informações que recolhemos desenham um panorama de quase asfixia na operação televisiva. Hoje, tudo o que se faz em televisão é digital. O computador existe em cada passo da produção e emissão televisivas. E os piratas informáticos que invadiram os sistemas da SIC, Expresso e Blitz parecem ter acesso a todos os computadores com ligação à web. Salvam-se os sistemas intranet que funcionam sem portas para o exterior. Foi isso que impediu os piratas de dominarem plenamente a SIC.

Ainda assim, a SIC teve de recuar décadas, a épocas onde ainda nem havia canais privados de televisão, para reinventar um esquema de colocar a emissão no ar com recurso a trabalho manual. Alinhamentos de telejornal escritos à mão é algo que não se fazia há mais de 50 anos em Portugal.

Sem controlo sobre os sites, a Impresa tem lançado avisos nas redes sociais para tentar minimizar eventuais prejuízos dos seus clientes.  Confirma-se que a base de dados foi tomada e que os piratas estão a exibir esse “troféu” com envio de emails para clientes e assinantes de títulos do universo Impresa.

anúncio da SIC nas redes sociais

A concorrência da Impresa aproveita a desgraça alheia para o seu próprio marketing. As juras de solidariedade não desperdiçam a oportunidade de exibição das marcas agregadas e surgiu a tendência de olhar para este caso de polícia como se fosse um ato político.

anúncio da Global Media nas redes sociais

Sequestro, política ou mera delinquência?

“Atentado contra a liberdade de imprensa” é capaz de ser outra coisa que não um assalto para extorquir resgate. Existem muitas possibilidades de paralisar uma empresa de comunicação social, desde greves de trabalhadores a falhas de energia elétrica e nenhuma delas tem motivações políticas necessariamente. Neste caso, trata-se de um assalto, um caso de polícia. Já antes o Lapsus$ Group afirmou não ter intuitos políticos. Não são o bando do Robin Hood que assaltava ricos para distribuir pelos pobres. São apenas assaltantes que atacam ricos.

Ao terceiro dia, os hackers do Lapsus$ Group parecem estar a divertir-se com a situação. As mensagens que disseminam não são apenas um exercício de humor, são também uma demonstração de poder.

Sites provisórios já funcionam

Pouco depois das 21 horas, a Impresa espalhou a boa nova de que tem de pé sites provisórios. Na página do Expresso no Facebook está dito que “o essencial da atualidade volta a estar disponível…” e que “o jornalismo do Expresso, que nos últimos dias tem estado disponível online através das redes sociais, passa agora para um site provisório, criado para reagir e resistir ao ataque informático de que fomos alvo.”

A SIC Notícias anuncia também o site provisório do canal, mas a SIC generalista mantém o link para o site sob sequestro. A Blitz também não tem site provisório. O link que consta no Facebook da revista dirige os leitores para o site provisório do Expresso.

Oito contra um, Ildefonso regressa ao local do “crime”

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Ontem, Manuel Ildefonso regressou de ambulância a casa. No Hospital Amadora Sintra tratou-se das pancadas sofridas. Na cara exibia um hematoma provocado por uma pancada, evidência de maus tratos que Manuel Ildefonso diz ter sofrido quando o detiveram ontem.

E porque foi detido, o senhor Manuel Ildefonso? Lendo o papel que a GNR preencheu diligentemente, este homem foi detido por crimes contra a autoridade pública, resistência e coação sobre funcionário.

Resistir é um direito que nos assiste a todos, dificilmente poderá ser um crime, a não ser que estejamos a falar de resistência armada ou de resistência física. Ora, acreditamos que o senhor Ildefonso não tem armas consigo e dificilmente acreditamos que um sexagenário doente oncológico tenha pretendido confrontar fisicamente oito matulões da polícia municipal e da GNR.

Ou seja, é possível que a GNR esteja a mentir, quando alega que Manuel Ildefonso resistiu e tentou agredir militares da GNR ou agentes da Polícia Municipal. Nas imagens de que dispomos, isso não se vê. Nota-se mais a dureza da detenção e os gritos de socorro do detido.

No mesmo documento, a GNR reconhece que Manuel Ildefonso sofreu lesões nos pulsos derivado da algemagem… como se para algemar alguém fosse inevitável provocar ferimentos.

Mas basta olhar para a cara do senhor Manuel para percebermos que não o magoaram apenas nos pulsos.

Hoje, Manuel Ildefonso foi ao tribunal de Sintra para ser ouvido neste caso de crime contra o Estado… chegou à hora marcada, esperou hora e meia e mandaram-no embora sem ter sido ouvido. Ou havia crimes contra o Estado mais graves e a exigir atenção dedicada ou alguém está farto de aturar bagatelas jurídicas aparentemente inventadas.

Neste momento, o sr Manuel está de volta a casa, naquela esquina onde está o sinal indicativo para o centro histórico e com vista privilegiada para o belo edifício da câmara municipal de sintra.

Deixaram uma mulher morrer na prisão, em profunda agonia

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Morrer numa prisão portuguesa por falta de tratamento médico não devia ser possível. Mas parece que acontece. O que se passou com a morte de Susan Clarke indicia negligência na assistência médica no sistema prisional português.

Susan Clarke estava condenada a oito anos de prisão. Detida em dezembro de 2018, julgada e condenada no início de 2019, morreu dois anos depois.

As notícias sobre a morte desta senhora, reclusa no Hospital Prisional S. João de Deus, em Caxias, falam de cancro na mama como causa da morte. Mas testemunhas afirmam que Susan Clarke terá morrido de um cancro na garganta que nunca foi tratado.

recorte de notícia do Correio da Manhã de 17 de outubro de 2021

A detida recebia tratamento para o cancro da mama, mas nunca foi atendida pelas queixas que apresentava relativamente a dores na garganta e rouquidão crónica.

Quanto ao cancro da mama, Susan Clarke foi operada em junho de 2020, 10 meses depois de ter sido detetado o nódulo. A remoção do tumor correu bem, os médicos consideraram que ela teria de fazer algumas sessões de radioterapia mas que não era necessário realizar quimioterapia.

Quanto ao cancro na garganta, perante o agravamento da rouquidão e da dificuldade em deglutir e falar, uma biópsia realizada em outubro de 2020 revelou um cancro em fase adiantada.

Depois, aconteceram surtos de covid-19 nas cadeias, nomeadamente em Tires, onde Susan Clarke estava inicialmente a cumprir pena. Transferida para Caxias, onde prosseguiu intermitentemente os tratamentos para consolidar a cura do cancro da mama, nunca recebeu qualquer tratamento para o cancro na garganta.

Apesar do agravamento do estado de saúde da detida, os serviços clínicos prisionais parece não terem reagido, segundo informações divulgadas pela APAR, Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso. Susan Clarke morreu em outubro de 2021. Dizem que agonizou de modo atroz nos últimos meses de vida, sem paliativos para as dores que o cancro lhe provocava.

O testemunho que recebemos é contundente: “durante algumas das visitas que o marido foi autorizado a fazer ao hospital prisional, encontrava-a cada vez mais em pior estado e era-lhe sempre dito que ela estava em estado crítico, mas inconclusivo. No entanto, mais nenhum tratamento lhe foi feito e a única coisa que lhe era administrada era a medicação para aliviar as dores, mas que, no entanto, já não surtia muito efeito.”

Susan Clarke morreu no dia 9 de outubro de 2021. Em Portugal não há sentenças de pena de morte. Mas, às vezes, funciona como tal.

Susan Clarke morreu aos 72 anos numa prisão portuguesa

Hackers do Lapsus$ Group ainda controlam sites da SIC e Expresso

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Os sites do canal de televisão SIC, do jornal Expresso e da revista Blitz continuam sequestrados pelos piratas informáticos, 48 horas depois do ataque.

A inoperacionalidade dos sites tem dois significados: os piratas Lapsus$ Group são bons no que fazem e o resgate não foi pago.

Na web, o grupo Impresa está limitado às redes sociais. No Facebook do Expresso consta o aviso de que estão operacionais as páginas em três redes sociais: no próprio Facebook, no LinkedIn e no Instagram.

É nas redes sociais que algumas angústias se expressam. Alguns leitores começam a estar preocupados com a segurança dos seus dados que constam nos computadores da Impresa… e já há quem esteja a pensar em pedir indemnizações à Impresa.

Na verdade, faz todo o sentido as pessoas preocuparem-se com a segurança dos seus dados. No imediato, deveriam alterar passwords que possam estar comprometidas e, ainda, ponderar se devem cancelar cartões bancários com que tenham efetuado pagamentos de serviços prestados pela Impresa através dos sites que estão sob controlo dos hackers.

Os hackers do Lapsus$ Group, que em 2 de janeiro atacaram os sites da SIC, do Expresso e do Blitz, do grupo Impresa, constituem um novo grupo de piratas informáticos, criado há menos de um ano. Ganharam mediatismo no mês passado, quando desencadearam uma sequência de ataques a páginas na internet de organismos governamentais brasileiros. Na altura disseram que não têm qualquer motivação política, que apenas querem dinheiro.

“Vamos explicar algumas coisas: o nosso único objetivo é obter dinheiro, não ligamos para a família Bolsonaro (vulgo Bolsofakenews)”, escreveu o grupo na altura dos primeiros ataques.

Oito contra um, Polícia Municipal e GNR maltratam sem-abrigo

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Não são conhecidas as razões para a detenção. A GNR e a Polícia Municipal têm feito tudo para desalojar Manuel Ildefonso da esquina onde ele escolheu morar, ali mesmo em frente à Câmara Municipal de Sintra.

Sem abrigo, Manuel Ildefonso reclama que lhe seja atribuída pela autarquia uma habitação social, pretensão que não tem tido a resposta que Manuel Ildefonso gostaria e, portanto, este é um homem que vive em protesto permanente, o mais perto possível do alvo do seu protesto, o principal responsável pela gestão da autarquia, Basílio Horta.

Hoje, mais uma vez, um pelotão misto de agentes da Polícia Municipal e da GNR acercou-se de Manuel Ildefonso, para o remover da via pública, aquilo que parece ser a única finalidade deste tipo de ação que se tem repetido ao longo dos 3 anos, o tempo que este cidadão já leva a viver na rua.

Contactado via telefónica, a meio da tarde, Manuel Ildefonso já estava na Hospital Amadora Sintra, a ser radiografado e tratado a várias escoriações sofridas. Deram-lhe pontapés, foi esbofeteado e esmurrado dentro da viatura policial, bateram-lhe com a cabeça contra o carro quando estava a entrar na viatura, foram os maus tratos sofridos apesar de não oferecer qualquer tipo de resistência e estar algemado.