Piratas põem pornografia nos computadores da SIC

A Impresa já tem sites provisórios para substituir os que continuam sequestrados pelos hackers do Lapsus$ Group. Foi ao início da noite do terceiro dia de sequestro que esta alternativa entrou em funcionamento. Não resolve nenhum dos problemas anteriores, mas é a reação esperada na lógica de que não se negoceia com bandidos.

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Pergunta: Então, como vão as coisas na SIC com a “invasão pirata”?

Resposta: Carlos, não querem que vaze para que a coisa não piore. Está o caos, hoje já estamos mais organizados, mas já nem vídeo chamadas podemos utilizar, ontem injetaram pornografia nos computadores.

Ao terceiro dia, o controlo do Lapsus$ Group no sistema informático da SIC é quase total. Afetando a SIC, provavelmente afetam do mesmo modo os canais satélites SIC Notícias, SIC Radical, SIC Mulher e o diabo a sete de canais temáticos que o Emídio Rangel “pariu” antes de ter sido despedido. Também o Expresso e a revista Blitz devem ter problemas semelhantes.

Os sites continuam inoperacionais, mas as informações que recolhemos desenham um panorama de quase asfixia na operação televisiva. Hoje, tudo o que se faz em televisão é digital. O computador existe em cada passo da produção e emissão televisivas. E os piratas informáticos que invadiram os sistemas da SIC, Expresso e Blitz parecem ter acesso a todos os computadores com ligação à web. Salvam-se os sistemas intranet que funcionam sem portas para o exterior. Foi isso que impediu os piratas de dominarem plenamente a SIC.

Ainda assim, a SIC teve de recuar décadas, a épocas onde ainda nem havia canais privados de televisão, para reinventar um esquema de colocar a emissão no ar com recurso a trabalho manual. Alinhamentos de telejornal escritos à mão é algo que não se fazia há mais de 50 anos em Portugal.

Sem controlo sobre os sites, a Impresa tem lançado avisos nas redes sociais para tentar minimizar eventuais prejuízos dos seus clientes.  Confirma-se que a base de dados foi tomada e que os piratas estão a exibir esse “troféu” com envio de emails para clientes e assinantes de títulos do universo Impresa.

anúncio da SIC nas redes sociais

A concorrência da Impresa aproveita a desgraça alheia para o seu próprio marketing. As juras de solidariedade não desperdiçam a oportunidade de exibição das marcas agregadas e surgiu a tendência de olhar para este caso de polícia como se fosse um ato político.

anúncio da Global Media nas redes sociais

Sequestro, política ou mera delinquência?

“Atentado contra a liberdade de imprensa” é capaz de ser outra coisa que não um assalto para extorquir resgate. Existem muitas possibilidades de paralisar uma empresa de comunicação social, desde greves de trabalhadores a falhas de energia elétrica e nenhuma delas tem motivações políticas necessariamente. Neste caso, trata-se de um assalto, um caso de polícia. Já antes o Lapsus$ Group afirmou não ter intuitos políticos. Não são o bando do Robin Hood que assaltava ricos para distribuir pelos pobres. São apenas assaltantes que atacam ricos.

Ao terceiro dia, os hackers do Lapsus$ Group parecem estar a divertir-se com a situação. As mensagens que disseminam não são apenas um exercício de humor, são também uma demonstração de poder.

Sites provisórios já funcionam

Pouco depois das 21 horas, a Impresa espalhou a boa nova de que tem de pé sites provisórios. Na página do Expresso no Facebook está dito que “o essencial da atualidade volta a estar disponível…” e que “o jornalismo do Expresso, que nos últimos dias tem estado disponível online através das redes sociais, passa agora para um site provisório, criado para reagir e resistir ao ataque informático de que fomos alvo.”

A SIC Notícias anuncia também o site provisório do canal, mas a SIC generalista mantém o link para o site sob sequestro. A Blitz também não tem site provisório. O link que consta no Facebook da revista dirige os leitores para o site provisório do Expresso.

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