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GUINÉ-BISSAU: DA ESPERANÇA À DESILUSÃO

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À entrada de 2026, a Guiné-Bissau enfrenta um momento de profunda incerteza política e institucional. A esperança gerada pelo processo eleitoral de 23 de novembro de 2025 transformou-se rapidamente numa crise que expõe fragilidades estruturais do Estado, erosão da confiança nas instituições e um padrão histórico de instabilidade que o país não consegue romper.

O calendário eleitoral de 2025 tinha origem num contexto de forte tensão política. A dissolução repetida do Parlamento, disputas sobre a legitimidade dos mandatos e exclusão de partidos significativos como o PAIGC do processo eleitoral criaram desde logo um ambiente de desconfiança.

As eleições presidenciais e legislativas realizadas em 23 de novembro foram alvo de críticas diversas por parte de observadores nacionais e internacionais, sobretudo devido à exclusão de forças políticas relevantes e à polarização crescente.

O Golpe de Estado

A poucas horas da divulgação dos resultados provisórios — prevista para 27 de novembro — um grupo de oficiais militares tomou o poder, suspendendo o processo eleitoral. A sede da Comissão Nacional Eleitoral foi atacada, os materiais e computadores com os resultados foram apreendidos ou destruídos, vários líderes políticos, incluindo o presidente Úmaro Sissoco Embaló, foram detidos ou forçados a deixar o país.

O chamado Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública proclamou um período transitório de um ano, com o general Horta Inta-á como chefe do executivo militar. Todos os poderes constitucionais foram suspensos, as fronteiras fechadas e um toque de recolher imposto.

O golpe — definido como tal pela maioria das organizações internacionais — tem sido objeto de interpretações divergentes em Bissau: para os militares que o lideraram, a intervenção foi justificada como necessária para evitar uma alegada manipulação dos resultados e a escalada de conflitos políticos internos; para sectores da oposição e da sociedade civil guineense, trata-se de um “golpe falso”, um estratagema político encenado para impedir a conclusão de um processo eleitoral desfavorável e perpetuar a influência de elites pré-existentes.

Há ainda uma resignação generalizada entre grande parte da população, refletindo cansaço face a um padrão repetido de instabilidade aos mais altos níveis do Estado.

Organizações regionais como a CEDEAO e a União Africana têm manifestado preocupação, convocando sessões de emergência para discutir a situação e apelando à restauração da ordem constitucional e à conclusão do processo eleitoral. A CPLP suspendeu a Guiné-Bissau que era quem exercia a Presidência rotativa da organização.

Apesar disso, observadores internacionais dizem que as sanções mais duras, que poderiam criar verdadeiros incentivos para a restauração democrática, ainda não foram aplicadas pelos principais parceiros.

Repressão sobre líderes políticos

Um mês após o golpe, o ambiente político e social mantém-se tenso. Relatórios de repressão, detenção de opositores e violência contra activistas evidenciam um cenário em que o espaço cívico está cada vez mais constrangido, com limitações importantes à liberdade de expressão e mobilização.

À entrada de 2026, as questões fundamentais permanecem sem resposta: como reestabelecer um processo eleitoral legítimo? Como garantir a separação efectiva de poderes? Como reconstruir a confiança dos cidadãos no Estado de direito?

Se houve um elemento que marcou 2025 na Guiné-Bissau, foi a confirmação de que a simples realização de eleições — ainda que desejada e convocada — não é, por si só, garantia de estabilidade ou de legitimidade democrática. Sem instituições fortes, transparentes e com amplo apoio popular, o risco de ciclos repetidos de conflito continua elevado.

Para os guineenses, o Ano Novo é, portanto, mais uma página em branco — mas também um chamado urgente à reflexão profunda sobre a necessidade de reformas políticas e constitucionais que possam, finalmente, romper com um passado pouco democrático, marcado por revoltas.

O TIRO AO ALVO

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imagem descritiva, alterada com grafismo

As constantes fugas de informação sobre processos em investigação na Procuradoria-Geral da República não parecem ser meros deslizes administrativos ou coincidências infelizes. Indiciam, antes, a existência de jogos de poder escabrosos, que usam a justiça como arma política e a opinião pública como tribunal sumário.

Convém esclarecer, desde já, o que não está em causa. Não se questiona que pessoas sejam investigadas quando existem indícios de irregularidades. O problema está noutro plano: investigações que se arrastam durante anos, protegidas pelo segredo de justiça, para depois serem “descobertas” em momentos cirurgicamente oportunos — quase sempre quando podem causar maior dano político ou pessoal ao visado. Muitas dessas pessoas nunca chegam a ser acusadas de nada. Mas, entretanto, já foram consumidas na fogueira da suspeição pública. Não são condenadas em tribunal. São condenadas pelo povo, esse mesmo que nunca se cansa quando tem uma vítima ao alcance da pedrada.

O caso mais recente envolve o candidato presidencial Gouveia e Melo. Antes dele, vimos ovos podres arremessados a Marques Mendes. E não será irrelevante perguntar se o famoso “facilitador de negócios” não estará agora a ajustar contas com o almirante. Seja como for, o padrão repete-se: alguém dentro da Procuradoria-Geral passa informação sensível a agentes políticos e a determinados jornalistas, não para servir a justiça, mas para municiar campanhas de má-língua.

vídeo, Gouveia e Melo reage: “Venham-me acusar na cara”

Os protagonistas políticos, por sua vez, fazem a sua parte. Guardam cuidadosamente as informações comprometedoras sobre adversários, à espera do momento certo para as libertar. A política transforma-se num jogo de dossiers, e a justiça num arsenal disponível.

Quem não se lembra de ver um antigo primeiro-ministro ser detido em pleno aeroporto de Lisboa, à chegada de uma viagem, com câmaras em direto? Ou de ver um antigo presidente de um clube de futebol ser preso no exato momento em que saía em liberdade, à porta da prisão, também em direto? O problema não foi apenas a detenção em circunstâncias estranhas. Foi o espetáculo. Foi a encenação pública da culpa antes de qualquer julgamento.

Mas a arbitrariedade não se manifesta apenas na exposição excessiva. Manifesta-se também na ausência total de escrutínio sobre certas figuras. André Ventura trabalhou no Fisco, pediu licença sem vencimento e foi depois trabalhar para uma financeira. É recorrente a ideia de que terá ganho dinheiro a ajudar grandes fortunas a fugir aos impostos. Houve investigação? Houve inquérito? Que se saiba, não. Talvez porque nem sequer seja ilegal. Talvez por outras razões menos confessáveis.

O facto é que estamos a falar de um político que lidera um grupo parlamentar onde florescem casos de polícia: acusações de pedofilia, burlas, agressões, roubos, racismo. E, no entanto, permanece estranhamente imune à lógica da suspeição judicial que devora outros.

Uma justiça que escolhe sobre quem fala e em que momento fala deixa de ser justiça. Passa a ser poder. Um poder sem voto, sem escrutínio, a não ser este que estamos aqui a exercer, o da crítica pública.

A VOZ QUE NÃO SE APAGA

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Lisboa, dezembro de 2024. No Parque das Nações, onde a Expo outrora prometeu um mundo sem fronteiras, ergue-se agora um cubo de vidro fumado. Dentro, cinco pessoas sentam-se à volta de uma mesa redonda; não há cabeceira, mas o poder sabe sempre onde se sentar.

No centro, um ecrã projecta uma fotografia a preto e branco: homens de uniformes diferentes, chapéus de aço postos de lado, trocam cigarros num terreno de ninguém coberto de geada. O som de Stille Nacht, em alemão e inglês, preenche o espaço, numa gravação memória de 1914. A voz arranha-se na gravação antiga, mas ainda se ouve o impossível: inimigos a tornarem-se homens.

Catarina é a primeira a falar. Tem sessenta e tal anos, cabelo grisalho preso num coque frouxo, mãos que já lavaram demasiadas feridas. Trabalha numa IPSS no Martim Moniz. A cruz que traz ao peito é de madeira barata.
“Eles ouviram qualquer coisa naquela noite. Uma coisa que não estava nas ordens, que não vinha dos generais. Vinha de dentro, da gruta do coração. Cantaram e lembraram-se de que, antes de serem soldados, eram homens, filhos, pais, irmãos.” Catarina faz uma pausa. “Hoje, o Natal é o Continente a bombar músicas em Dezembro. A paz é um anúncio da EDP. A voz do poder aprendeu a falar mais alto do que o coração. E nós? Continuamos a mandar os nossos miúdos morrer longe de casa, agora em missões em defesa da guerra dos outros.”

Tomás Almeida, general reformado, agora é consultor de segurança (que é como quem diz: vende medo por medida), acende um cigarro eletrónico. Sopra vapor para o ar, nem o fumo é sério.
“Bonito, Catarina. Muito bonito, esta de sentimentos. Mas aqueles soldados podiam ter perdido a guerra naquela noite. A paz verdadeira não se canta, constrói-se. Com força, com fronteiras, com quem está disposto a defendê-las.” Com decisão, aponta o cigarro para o ecrã. “São os fortes que determinam os períodos de paz. Aquilo foi indisciplina. Hoje temos drones, vigilância, psicólogos militares. Garantimos que os soldados não fraternizam com quem deve ser abatido.”

Elias é metalúrgico da Lisnave. Tem mãos grandes, nós nos dedos, olhos pequenos, mas atentos. Representa o sindicato na comissão europeia dos trabalhadores do aço.
“O senhor general vê indisciplina. Eu vejo outra coisa: homens que perceberam que estavam a ser enganados. A ganância é sempre a mesma; os ricos mandam, os pobres sangram. Ontem foi na Jugoslávia, no Afeganistão, hoje é na Ucrânia, amanhã é em África, mas o patrão é o mesmo: o lucro. Os mesmos que hoje usam o PIB, suado pelo povo, para comprar morte, em vez de semear vida. E se pegássemos nesse dinheiro todo das armas e o metêssemos em hospitais? Em escolas? Em salários que dessem para viver?”

Ao lado dele, Leonor, de trinta e poucos, jornalista livre que já não acredita em redações, mexe no tablet. A cena de 1914 ganha vida, os soldados movem-se em câmara lenta, partilham chocolate, sorriem.
“Sim, eles foram enganados. O ódio foi a ferramenta; disseram-lhes: ‘Nós somos os bons; eles, os maus’. A mesma narrativa corre hoje, General, nas suas narrativas estratégicas. E se, em vez de instrumentalizar o povo para a guerra, o instrumentalizássemos para a paz? Em vez do serviço militar obrigatório, houvesse um serviço social obrigatório em que cada uma podia exercer o seu serviço onde a necessidade o chamasse. Um ano a construir casas, a ensinar crianças, a plantar árvores. Um ano a conhecer o ‘inimigo’ antes de o matar. Aprender a construir pontes, não trincheiras, a cuidar da terra e não arrasá-la. A voz do povo, quando livre do veneno da propaganda, é a voz de Deus. E Deus, naquele campo gelado, cantou, Noite feliz…”

Tomás riu-se, com um som seco.
“Deus? A voz do povo é volúvel, emocional. Precisa de direção. Sem divisão, sem o “nós contra eles”, não há coesão nacional, não há identidade a defender. O diabo, como dizem, é aquele que divide. Mas às vezes, a divisão é necessária para afirmar quem somos.”

Catarina ergue-se e a sua sombra projetava-se sobre os soldados holográficos.
“Não! O diabo é exatamente aquele que divide para se afirmar! Deus une no canto, no reconhecimento do outro como irmão. Aquele momento de 1914 foi uma brecha no projeto diabólico da guerra. Os comandantes, sim, esses instrumentos do poder distante, apagaram-na. Proibiram a paz. Porque a paz verdadeira desarma os poderosos.”

A quinta pessoa não falou ainda. Rui é historiador, apenas observa. De cabelo desgrenhado, óculos tortos, silêncio de arquivo, representa a memória. Rui toca no tablet e o ecrã muda.
Agora vêem-se telegramas: “Esta fraternização é traição.” “Qualquer oficial que permita contacto será julgado.” E depois, imagens de 1915: a lama, os mortos, o gás mostarda a devorar pulmões.

Ninguém fala, um silêncio pesado cai sobre a sala!

Elias rompe o silêncio, com a voz rouca de tabaco e fábricas:
” Alemães, ingleses, franceses enterraram os mortos juntos, com as próprias mãos. Reconheceram-se ao aceitarem a humanidade comum que os motivava a agir assim. É esse o caminho: Nivelar as trincheiras da Ucrânia, da Rússia, da Europa inteira, e sobre elas erguer torres de paz. Fábricas de esperança.”

Leonor inclina-se para a frente:
“Mas porquê a guerra, afinal? O espírito de 1914 não morreu. “A guerra destrói a esperança antes mesmo de destruir os corpos. Mata o futuro antes de matar as crianças.”

Rui mexe de novo no tablet. Aparecem imagens de agora: manifestações a favor da paz, voluntários de nações inimigas ajudando civis, jovens de ambos os lados de uma fronteira imaginária a plantar árvores juntos. São fragmentos, pequenas tréguas natalícias invisíveis para os grandes noticiários empenhados em justificar a cultura bélica.

Catarina fecha os olhos e começa a cantar, baixinho:

“Noite feliz, noite de paz…”

A voz é frágil, cansada, mas não quebra.

Tomás olha para ela. Quer dizer qualquer coisa, mas não diz. Elias murmura a melodia. Leonor sorri, com os olhos marejados. E Rui, sempre calado, move os lábios.

O Historiador aumenta o volume do canto original de 1914. As duas canções, a do passado e a do presente, entrelaçam-se, criando uma harmonia estranha e comovente. Por um instante, as divisões ideológicas parecem trincheiras a serem aterradas.

A reunião não chega a lado nenhum. As decisões de guerra seguirão o seu curso nos corredores do poder, enquanto o povo não conseguir ter Voz. As armas continuarão a ser vendidas. As guerras terão financiamento. Os discursos inflamados justificando a guerra continuarão a correr nos meios de comunicação e nas redes sociais como veneno doce.

Mas naquela sala, durante três minutos e quarenta segundos, uma verdade ressuscitou: a paz não é um tratado. É um canto: Noite feliz, Adeste Fideles!

É um canto que nasce onde as ordens não chegam e que reconhece no rosto do inimigo o mesmo medo, a mesma saudade de casa, a mesma fome de sentido.

O ecrã apaga-se. A sala fica vazia.

Mas lá fora, no Martim Moniz, um grupo de jovens, portugueses, brasileiros, guineenses, angolanos, ucranianos, russos e iranianos, acende velas. Cantam “Noite Feliz” em quatro línguas ao mesmo tempo. Era um “Noite Feliz” um pouco desafinado, imperfeito, mas sinal de uma imperfeição redentora. É pouco, mas é começo.

A paz é o acto de resistência através da voz humana que se recusa a calar. Resistência pressupõe hombridade e preparação para não se deixar arrastar pelo vento ciclónico militarista que parece até arrancar e arrastar os “cedros do Líbano”.

(este conto também foi publicado em Pegadas do Tempo)

O JUIZ IRÁ DECIDIR

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Maria dos Anjos é reformada. Era modista. Mas agora, para além de trabalhar a vender roupa em segunda mão, para ganhar um pouco mais, dedica-se ao voluntariado na igreja. Ajuda toda a gente que está em apuros e tem necessidades de toda a ordem. Sou amiga dela.

Nos últimos três anos teve uma vizinha, a dona Joana, já com mais de noventa anos, que estava esquecida e abandonada pela família, a viver num anexo.

Frágil, doente, quem a ajudou, até ao seu falecimento, foi a Maria dos Anjos. Era ela quem lhe fazia as compras, cozinhava e lhe tratava da casa.

A dona Joana faleceu há dois meses. Eis senão quando lhe bateram à porta. Era um advogado, da parte da família da dona Joana. Os familiares da falecida puseram-na em tribunal porque, no testamento, que a todos surpreendeu, a dona Joana deixou-lhe algum dinheiro e os seus dois serviços de louça da China, antigos e com algum valor. A família está a contestar o testamento, querendo tirar à Maria dos Anjos o que lhe foi deixado pela vizinha.

Histórias como esta devem ser banais, nos tribunais portugueses. A ganância, a cobiça, tornam as pessoas desavergonhadas. Enquanto a velha foi viva ninguém quis ter o trabalho de a apoiar. Mas, agora, morta, querem o pouco que ela amealhou.

A Maria dos Anjos acabou de contratar um solicitador e, com o meu apoio e de uma prima, que também tem conhecimentos no tribunal, está a lutar para cumprir a vontade da vizinha e amiga Joana. O juiz irá decidir o que for justo e de lei.

BRIGITTE BARDOT

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Aqui no Duas Linhas serviu involuntariamente como protagonista de umas crónicas inventadas ao sabor da atualidade. Foram crónicas muito interessantes, muitas delas escritas a quatro mãos, numa espécie de trabalho coletivo de quem se entretinha, na época, a escrever neste sítio.

Por exemplo, leiam esta crónica sobre a compra pela TAP de loiça Vista Alegre para o serviço em classe executiva…

Ou, não resisto a vos mostrar também esta, sobre “as mamas da Cristina e os pés do Ronaldo”, partes anatómicas de gente do Jet7 tuga a merecer estátuas em praças públicas…

Só mais uma, sobre homens que mijam na rua, coisa que sempre impressionou Brigitte Bardot. Crónica que serviu para contar um pouco da biografia desta mulher espantosa…

Mas, para finalizar, o grande amor de Brigitte Bardot foram os animais. Uma crónica com o relato fidedigno da discussão que a diva teve com o Presidente da França, a propósito do abate de animais devido a tradições religiosas.

Et voilá! Bravo, Brigitte!

NOTAS DE FIM DO ANO

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Estes últimos dias do ano de 2025, ficam marcados por quatro momentos que definem, na minha perspectiva, este governo:

Uma secretária de Estado da Saúde, despedida por incompetência na gestão do INEM, foi premiada com o cargo de Presidente do Conselho de Administração do Metro de Lisboa e o governo ainda deu o bónus de um aumento, substancial, do vencimento para a nova administração do Metro.

A antiga secretária de Estado da Gestão da Saúde Cristina Vaz Tomé, uma das caras da polémica em volta da greve no INEM no final do ano passado

As CCDR´s vêem o número de vice-presidentes acrescido para sete, sendo cinco nomeados pelo governo, com fundamento no acréscimo de competências das CCDR´s, uma organização perfeitamente dispensável, que apenas se justifica por permitir arranjar uns cargos para os militantes partidários que ficam ‘desempregados’.

O ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida, é responsável pela coordenação do Governo com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional

O primeiro-ministro, na mensagem natalícia, dá como exemplo motivacional o luso-saudita, Cristiano Ronaldo, numa imitação, do rapaz de ‘bater o punho’, criada por Miguel Relvas, ou seja, nada de novo, apenas a imitação dos actos falhados do governo de Passos Coelho.

O ministro Miguel Relvas e o “rapaz de bater punho” Miguel Gonçalves, fonte: miguel gonçalves – Aventar

Por último, o governo, cobardemente, não apresentou qualquer proposta de indulto, contrariando uma tradição com dezenas de anos. E não o fez por medo das reacções do Chega, em período de eleições presidenciais e em que o candidato escolhido por Montenegro arrisca não passar à segunda volta. A cobardia, em política, é má conselheira, revela o carácter dos dirigentes políticos e a sua espinha dorsal.

publicado em GOVERNO IMPIEDOSO

Neste quadro de cobardia, de habilidades e de artifícios de política rasteira, relevo o que António Damásio afirmou numa entrevista à Clara Ferreira Alves: ‘Se a máquina ganhar autonomia, o futuro é aterrador’. O mais grave, digo eu, é que, com gente desta, o futuro já é aterrador.

TERRITÓRIOS SEM LEI

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Durante anos, as grandes plataformas de media social usaram argumentos piedosos para ensaiar o algoritmo da censura. Toda a nudez era castigada com penalizações várias, mesmo se fossem imagens de obras de arte mundialmente admiradas. Também a palavra era castigada, bastava que estivesse no catálogo das ofensas ou que fosse alvo de queixa por parte de grupos organizados. Depois chegou um novo “conceito” de promoção da violência. Hoje, um vídeo que mostre a destruição de Gaza, por exemplo, pode ser censurado (por promover “valores” que põem em “perigo” a comunidade) e a conta do utilizador penalizada pela invisibilidade ou bloqueada. É censura pura e dura.

Os algoritmos nas redes sociais têm uma única função que é a de proteger os negócios e os compromissos políticos da META, da Google, da Microsoft ou do X (há mais empresas) e de grupos ou partidos políticos a eles associados. Esses negócios também têm vindo a evoluir. O que começou como mera publicidade a marcas e produtos, hoje, por exemplo, promove prostituição e agentes políticos.

A promoção da prostituição é fácil de detetar. Começaram já a surgir em rodapé dos vídeos, pequenos anúncios a senhoras ardentes loucas por sexo. Os casos que apresentamos aqui são do Facebook (aquela que já foi a mais puritana das redes sociais).

A par das senhoras putas, estão os “filhos das ditas”. Não se sabe qual o verdadeiro grau de parentesco entre umas e outros, mas constatamos indícios. Numa espécie de conluio com os media tradicionais (não há coincidências…), há cada vez mais tretas publicadas a promover os Trumpas, Bolsonaros e Venturas da vida.

Uma aldrabice publicada no Facebook
Fakenews com a finalidade de demonizar um regime político e justificar a agressão dos EUA, publicado no Facebook

Aquilo a que poderíamos chamar “notícias em plano inclinado” são hoje recorrentes, uma constante nos noticiários e nas páginas dos media tradicionais nas redes sociais. Alguns exemplos:

O “papão” comunista e as “técnicas soviéticas” foram reintroduzidos no discurso mediático, na sequência da invasão da Ucrânia.
Num quotidiano de violações sistemáticas de acordos de cessar-fogo por parte de Israel, um único ataque alegadamente do Hamas é noticiado sem qualquer tipo de enquadramento. É a isto que na gíria jornalística se chama “notícias em plano inclinado”.

OS CASTIGOS

Mesmo aqueles que não “seguem” nem “gostam” dos protagonistas da extrema-direita, não escapam à insistência do tal algoritmo que não cessa de lhes sugerir esse tipo de conteúdos. Pior do que isso, são as consequências sentidas por muitos quando publicam alguma coisa que vá contra a nova ordem fascista, como, por exemplo, esta imagem:

Depois desta publicação no Facebook, ao terceiro dia chegou a sentença, logo denunciada pela pessoa visada: “A META-SE NA NOSSA VIDA avisou-me, com o ar solene de quem debita uma homilia na missa do galo, que vai desativar definitivamente a “minha” conta – ou borrar-me o passado, como diria um castelhano – porque ando a violar aquilo a que os bots que nos controlam chamam os padrões da sua comunidade, à qual, como é evidente, não pertenço.”

recorte da publicação onde se denuncia a ameaça da META

Claro que, entretanto, a imagem em questão já foi partilhada inúmeras vezes por milhares de outros utilizadores, em todas as redes sociais, e torna-se impossível penalizar todos de modo igual. Mas há sempre alguns que servirão de exemplo do que acontece aos desalinhados com a “ordem facebokiana”.

Acontece em todo o mundo, mas em Portugal, por exemplo, desde o surgimento de Ventura, nunca mais tivemos um dia  que não fosse marcado pela desinformação e pelo ódio nas redes. Ventura vendeu a alma ao diabo, pela consolidação de uma aliança profana entre a extrema direita e as big techs. A ironia é que os conteúdos promovidos nas redes sociais são pagos com uma parte do dinheiro que recebem dos subsídios do Estado, naquilo a que se chama vulgarmente “custos da democracia”, ou seja, as subvenções a que os partidos políticos têm direito por lei. Os vídeos do Chega promovidos nas redes sociais são pagos por todos nós.

O avanço dos proto-fascistas explica-se, em boa parte, pelo espaço mediático que têm à disposição. A aposta dessas empresas globais de tecnologia e informação está em colocar no poder o maior número possível de governos de direita. Para quê? Certamente para terem acesso ao poder. Não será por dinheiro (que não precisam de mais), só poderá ser pelo poder. Dominar o mundo será o sonho de Musk, Zuckerberg, Bezos e quejandos, ou de quem controla a Apple, Google, Amazon, Microsoft, Meta, etc e tal.

BRASIL NUCLEAR

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Foi agora anunciado no site da Organização Internacional de Energia Atómica (OIEA) que o Brasil está a experimentar uma unidade móvel de acelerador de feixe de eletrões de última geração, montada num camião, para se deslocar por todo o país para tratar águas residuais de unidades industriais, nomeadamente fábricas petroquímicas. O equipamento é capaz de remover produtos tóxicos e tornar a água reutilizável.

O tratamento de águas residuais por feixe de electrões é altamente eficaz, diz a OIEA, mas ainda relativamente desconhecido em muitos setores industriais.

Os sistemas de feixe de eletrões são um tipo de acelerador de partículas. Eles produzem radiação ionizante para modificar as propriedades físicas, químicas e biológicas dos materiais. Os feixes de eletrões já são frequentemente utilizados na indústria, na medicina e na investigação científica. Esta tecnologia é utilizada para esterilizar produtos médicos, garantir a segurança de alimentos, aumentar a durabilidade de materiais utilizados na indústria automóvel e aeroespacial, entre outras aplicações.

O acelerador montado neste camião está já a ser utilizado no tratamento de águas residuais no Estado de São Paulo, a região mais industrializada do Brasil. O equipamento já foi testado  nos setores químico, petrolífero e de saneamento. Segundo a OIEA, os testes têm sido bem sucedidos e a iniciativa tem o apoio do Governo Federal do Brasil.

O programa de cooperação técnica do OIEA forneceu a sofisticada tecnologia que permite detetar poluentes em amostras de água e determinar a eficácia do tratamento com a radiação. A ideia será convencer as empresas a investir em instalações permanentes.

vídeo promocional

O PAÍS DAS UVAS

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Aqueles finais da tarde de sexta-feira na adega de grandes talhas dos irmãos Parreira, em Vila de Frades, jamais se esquecerão. O vinho saía da talha, qual precioso néctar, para ser acompanhado por um naco de pão trigueiro e queijinho seco a condizer…

Poderiam ser cenas dessas emotivamente descritas nesse livro saído da pena de um vilafradense e até também alguma descrição que o antigo convento lhe poderia ter merecido, mesmo antes de suspeitar do que, cerca de um século depois, a nossa equipa ali haveria de pôr a descoberto, do vetusto tempo dos Romanos. Mas não…

Um olhar tenebroso

Logo o anônimo autor da nota introdutória da edição que li (Publicações Europa América) fora peremptório na apreciação: “cenas de um certo miserismo sádico”, capazes de suscitar não um sorriso mas um esgar. Era isso que eu encontraria, sim. Fiquei com pena.

Desconhecia-lhe, de facto, a Fialho de Almeida (1857-1911), essa atracção pelos aspectos negativos da vida, essa “prosa barroca” e decadente, que – importa frisá-lo! – em nada contribuem para a imagem do Alentejo, ainda que nesse final do século XIX e primórdios do século XX. Aliás, natural é, na mudança de século, que alguns espíritos se deixem levar pela melancolia. Fialho de Almeida não resistiu. Inclusive, quando, tendo casado rico, logrou ser um médio proprietário rural, as recordações dos seus tempos de sofrível boémia lisboeta, onde tivera a pretensão de se impor, lhe dominavam o pensamento e a escrita. Foi um infeliz.

Leia-se, a título de exemplo, o que escreveu, num 4 de agosto “de mau humor”, verberando com látegas cruéis a figura soez do propriatairo (assim mesmo, em itálico, num desabrido escárnio):

“Muitos cavaram a terra, rapazes, e, atingida a fortunazinha ambicionada, votaram ao desprezo os companheiros de labuta, fazendo por imobilizar-se numa casta superior à do seu berço. Desde esse dia desenvolveram qualidades de usura e sordidez que já tinham começado a mostrar em cavadores”.

E, mais adiante, afigura-se-nos concupiscente a descrever as maldades desse propriatairo que, “nas tabernas, chupando o cigarro, com um cinismo vesgo”, é homem para, eivado de ódio aos ricos homens, incitar a canalha a arrancar-lhes de noite as plantações a entrar-lhes cos rebanhos nas searas e a deitar fogo ao trigo arroleirado por essas courelas afora”.

Que mundo, senhores! Como as letras constituem, na verdade, campo propício a todas as veleidades, a todas as infames profecias, fátuos alarmismos e, ao invés, ao encantado louvor de suaves e esperançosas madrugadas!

Prefiro, pois, ficar-me pelo título. Para mim  pesem embora as outras regiões vinícolas do meu abençoado Portugal, “País das Uvas” pode muito  bem ser o Alentejo. Vila de Frades e Vidigueira não as quero ligar a esse Fialho de Almeida, mas sim às majestosas ruínas da villa romana de São Cucufate (onde também no lagar encontrámos grainhas de uvas romanas e que, durante sete anos, me ocuparam deveras) e ao prazer de uma caneca de fresco vinho rosado, a sair da grande talha de barro…

ruínas de São Cucufate

AUTOMOBILISTAS VÃO PAGAR COM LÍNGUA DE PALMO

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Foi anunciado que o seguro automóvel vai aumentar entre 6 a 10%. As revistas da especialidade justificam os aumentos previstos com o aumento da sinistralidade rodoviária e com o aumento dos custos das reparações.

Parece que a culpa será dos automóveis elétricos. Apesar de não terem motor de combustão, têm mais tecnologia sensível a choques e que não será fácil de reparar. Acrescenta-se a isto o surgimento de novas marcas que vendem mas ainda não têm uma rede de assistência especializada nos seus modelos.

Todas as razões serão boas para aumentar o preço dos seguros, mas a principal é que as companhias seguradoras não só não querem perder dinheiro como não querem deixar de ganhar dinheiro por antecipação. Ou seja, o automobilista vai pagar mais caro mesmo antes de ter um acidente. Pode até nunca vir a ter um acidente, mas pagará sempre mais caro.

A lei deveria prevenir este tipo de abuso. Ou seja, o seguro só deveria aumentar após a ocorrência de um sinistro. De facto, isso já acontece. Depois de um acidente, o custo do seguro é agravado. Mas quando o segurado paga o aumento (mesmo sem acidente no cadastro) e o agravamento (em caso de acidente), está a pagar duas vezes pelas mesmas razões. Ora, isto é uma espécie de aldrabice que a lei deveria evitar.