Os homens que mijam na rua

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A minha amiga rica viajou para Florença ao encontro de Brigitte Bardot, BB para os amigos. Ela adora a amiga portuguesa. Mas foi necessário explicar-lhe que Portugal não é Marrocos, porque BB queixa-se muito dos magrebinos a mijarem nos melhores monumentos da cidade.

Claro as pastelarias e bares italianos evitam os magrebinos, porque não têm dinheiro. E não têm dinheiro, porque não têm trabalho. E porque não têm trabalho, dormem em esconsos e mijam nos recantos. Está explicado.

A caminho de Florença, a minha amiga rica pensou que teria sido melhor um cruzeiro no Mediterrâneo. De Roma a Veneza, no Silver Spirit por 3240 euros. Mas Brigitte insistiu. Queria falar de cinema.

BB consagrou-se em 1957, no filme E Deus Criou a Mulher, do marido, Roger Vadim. Simone Beauvoir descreveu-a como “uma locomotiva da história das mulheres”. Brigitte era filha de gente endinheirada. Morava num apartamento de sete quartos no luxuoso 16º departamento de Paris. O cinema foi a vocação dela, ela foi o sex symbol dos cinéfilos. E as pessoas ricas têm um fascínio por estrelas de cinema. Basta lembrar Rainier do Mónaco.

Brigitte Bardot, 1968

O encontro entre as duas correu muito bem. A minha amiga rica ficou submersa em gatos e fartou-se de ouvir BB criticar a poluição do planeta. A extinção das baleias. O Greenpeace. Os ursos polares a morrer no degelo. Concordaram em tudo, até na enorme quantidade de baterias dos carros elétricos Tesla. O que farão às gigantes pilhas no fim do ciclo?

Mas a conversa acabou por se centrar em pilas. Porque razão os magrebinos não mijam no rio Arno. Claro, não perceberam. O problema não está no mijar. Está na má distribuição da riqueza. Quero lá saber, argumentou a minha amiga rica. Eu não sou a ONU. O Guterres já fez alguma coisa? Ui! E eu que não consegui responder!

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