TAP Vista Alegre

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Telefonou-me para pedir desculpa. “Há mais de um mês que não lhe ligo nenhuma, querido! Mas o menino sabe que está sempre no meu coração.” É isto que me mata, não resisto a uma declaração de amor…

Mas então, quis saber, esteve confinada? “Nem pense nisso”, respondeu-me a minha amiga. “Fui para Cannes, ajudar a Brigitte a arejar Le Castelet.”

Ah! Le Castelet… a famosa mansão que só conheço por fotografias nas revistas do Jet 7 mundial. A mansão está à venda. O preço é de 6 milhões de euros. Uma pechincha para uma propriedade lindíssima, dizem.

“Os franceses morrem que nem tordos com o covid, mas confinam pouco. Principalmente les plus riches”, garantiu-me a minha amiga.

Mas o máximo da viagem foi o avião da TAP. “Uma companhia aérea do melhor que há”, jurou ela. E porquê, quis saber. “Porque o avião era novo em folha e a loiça da Vista Alegre”. Ah, viajou em executiva, notei. “Claro, julga que sou alguma pelintra?”, respondeu ela, certamente sem me querer ofender.

Li umas coisas sobre a loiça da Vista Alegre que a TAP comprou agora, em plena crise financeira, no meio do despedimento de centenas de pessoas e a precisar de financiamento à conta do zé povinho, murmurei para os meus botões. Mas ela ouviu. “Pois eu acho que faz muito bem. Se não prestar bom serviço não ganha clientes, não acha?”, ao que eu retorqui que sim, mas que julgava que eram fake news só para dizer mal do Governo. Afinal não, é tudo verdade. Pobretes mas alegretes.

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