Estes homens não são do norte

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1981

Primeiro, o treinador invade o campo, vai ao encontro do árbitro e insulta-o na mais fina linguagem de carroceiro. O treinador já tinha sido castigado anteriormente por atitudes semelhantes. Depois, entra a tropa fandanga do presidente Pinto da Costa, um dinossauro do futebol do antigamente que tem conseguido manter-se à frente de um clube quase há mais anos que o homem das botas à frente da Nação. Entretanto, os bobis do presidente, cercam o árbitro, montam uma orquestra de gritos e insultos, enquanto um sensato administrador tenta a todo o custo fazer acalmar a malta, à falta de outro instrumento mais eficaz, usa a sua respeitosa careca.

O que se dá a ver nas televisões é a total anarquia num jogo de futebol, com o árbitro a ser ameaçado e insultado, e um grupo de capangas que devia estar quieto e calado no banco a entrar numa catarse total. Aliás, alguns dos figurões nem teriam legitimidade para ali estarem no campo, caso do ex-jornalista que agora é senhor diretor da comunicação. As voltas que a vida dá para ganhar a vidinha! Passou de escriba a agente provocador.

Não contente com esta vergonha desportiva, o idoso presidente, de mãos nos bolsos, dirige-se já no exterior do estádio a um jornalista, perguntando-lhe se “há azar”, foi essa a atitude, enquanto um tipo sem ética, nem vergonha, nem coragem, bate noutro jornalista que ali estava a trabalhar, filmando uma cena banal. Largaram a fera aos jornalistas, tornando um bobi num rotweiller, com todo o carinho por essa raça especial.

Foi a encenação de um facto, para desviar as atenções do fiasco no jogo e para mostrar a habitual força estúpida que contamina os clubes de futebol, onde o Porto se destaca, infelizmente não sendo único. Quiseram ganhar em força cá fora, o que deviam ter metido lá dentro.

Como jornalista reportei algum futebol, e nos últimos anos sempre que ia a um estádio fotografar, sentia que os jornalistas eram tratados como pessoal menor, e que eram os próprios a permitirem esse tratamento, ou por medo dos gorilas ou por pânico dos chefes de redacção. Enquanto o mundo do futebol for um país à parte, onde as diversas autoridades (começando pelas tributárias) e acabando na Federação que tem regras votadas pelos próprios clubes (!), vamos continuar a ter de suportar milhares de arruaceiros que confundem futebol com pontapé na chiça.

Esta semana foi o Porto, mas já foi o Sporting, o Benfica, o Guimarães, o Braga… Se jogassem futebol e se deixassem dos comentários sentados, se dignificassem o desporto, se exercessem as suas responsabilidades sociais, talvez o futebol parasse de perder cada vez mais público, e talvez os jovens não se estivessem já a marimbar para um desporto que já nada lhes diz. Os grandes clubes estão a perder milhões e o uso de jogadores para negociatas de outros milhões está cada vez mais decadente. Este é o futebol dos velhadas, dos acabados. O Mundo mudou mas estes trastes continuam a tratar do desporto com a violência própria de marginais. Cabe ao Estado atuar. E já.

1 comment

  1. Concordo inteiramente estas habituais cenas em todos os jogos desse clube são pidescas ,é caso de policia, para quem não sabe este rapaz que dizem treinador já foi expulso 18 vezes e os dirigentes da bola assistem a isso impunemente, vergonha

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