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Al-Andalus, os banhos públicos de Loulé

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O edifício dos agora chamados “Banhos Islâmicos” foi descoberto em 2006. A autarquia decidiu preservar o sítio e fazer ali um museu. As obras demoraram algum tempo, mas agora os visitantes já podem conhecer o local e aprender mais alguma coisa sobre os povos que habitaram o território a que hoje chamamos Portugal.

Foram os muçulmanos que acabaram com o domínio dos Visigodos na Península Ibérica e por aqui ficaram mais de 800 anos. Oito séculos é muito tempo mas o povo, hoje, pouco sabe sobre essa parte da História.

Todos os impérios acabam por cair, tarde ou cedo. Os muçulmanos foram derrotados já no final do século XV. Deixaram-nos uma herança cultural muito rica e muito ignorada. Só na língua portuguesa existem mais de 700 palavras de origem árabe, segundo o Dicionário Houaiss.

Os povos que ocuparam o lugar dos muçulmanos trataram de impor a sua marca. Destruíram muita coisa. A casa dos banhos públicos, em Loulé, foi reaproveitada como morada particular. Na Europa do século XV, parece que as pessoas não tomavam banho com frequência…

Quanto aos “Banhos Islâmicos” de Loulé, certamente que o sítio e a História merecem uma visita.

66 MORTOS

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Há 66 pessoas desaparecidas, presumivelmente mortas por afogamento, em consequência do naufrágio de mais uma embarcação que, ontem, tentava alcançar solo europeu.

Dado o alarme, uma operação de salvamento foi lançada. Encontraram 24 sobreviventes que relataram haver cerca de 100 pessoas a bordo.

Apenas um cadáver foi resgatado do mar. os restantes afundaram-se. No mar, os corpos afundam-se facilmente e são arrastados pelas correntes marítimas.

Com mais este naufrágio, já morreram no mediterrâneo 650 pessoas, em 2020.

A fuga de guerras, perseguições religiosas, fome, exploração, continua a empurrar para a Europa milhares de africanos e de asiáticos. Este ano, já chegaram a solo italiano cerca de 17.900 pessoas. Um número superior ao do ano passado.

Fonte: agência Reuters

TU

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“Há dias um amigo do coração disse que era bonito nestas crónicas o relato das minhas experiências e sentimentos mas talvez eu expusesse em demasia a minha intimidade”. Assim começava a próxima crónica. Achei graça, escrevi uma série de coisas intimas mas como sendo mentiras, infâmias, nunca eu faria tais coisas. Achei-me muito piada, o texto era recheado de humor. Eu, escritora fantástica!

Já estava em fase de revisão quando o amigo Google me deu a notícias e fez a gentileza de passar por cá. Aspirei e lavei o chão todo, tratei da loiça, passei várias toalhitas pelos móveis, acendi incenso, tomei banho. Estava apresentável e composta.

Falámos sem pressas. Sabendo do que falávamos não sabíamos nada. Ele partiu, saí à rua e enviei duas mensagens a amigos meus que se tornaram teus. Ela ofereceu-se para me acompanhar na despedida, ele deu-me todo o consolo que tinha para dar.

Estava muito bem disposta, o vinho branco à pressão que fui buscar ajudou. Ainda não cheguei a este hoje. Estou no telefonema de ontem à noite em que, com uma voz grogue, te queixaste que só deverias sair na 2ªfeira. Brinquei com a tua voz: “Aí as drogas são mesmo boas!”. Despedimo-nos com um até amanhã.

Ainda não larguei o ontem, ainda não realizei que estou no mundo sem ti. Recuso-me a chorar até não poder mais. Estou até bem disposta, enquanto puder permaneço em negação.

E agora? Como vou viver aqui, onde tu não estás cá para me amparares, tomares conta de mim, me permitires ser quem sou e ainda o que possa ser? Com quem é que vou discutir como se de um marido tratasse, a quem é que vou dizer que a tua casa é um caos e  não deixas entrar o sol? A quem é que faço o ultimato: ou bem que olhas para mim, ou bem que se olhas para a televisão e para o móvel vou-me embora? E é já! Em que braço vou chorar quando o mundo me engole? Para quem é que vou cozinhar agora?

Sim, sei bem, estou só a falar de mim, das minhas vontades e necessidades, ponho-me poucas vezes no teu lugar. Mas lembro-te sempre que és muito maior do que aquilo que pensas, para mim e para este país, és um herói, um combatente acérrimo da democracia, um avô babado, um ser humano extraordinário.

Podia escrever muita, muita, muita, coisa mais sobre ti, sobre mim, sobre nós.

Mas tens razão, a intimidade é para guardar, não para escancarar nestes rabiscos. Fica só entre nós e nós juntos somos bestiais. Somos família. Tu é as minha família, não parte dela.

Vou passar todas as fases que tenho de passar até chegar à que interessa: a saudade. Já disse e repito que não é um sentimento triste, é sentir na pele o amor que os outros, que tu, plantaste em mim. Vou usá-la para fazer tudo o que disse que queria fazer e nunca fiz. Agora não me deixas alternativa.

Passo todas as fases, uma por uma, até chegar ao pé de ti, tu que nunca saíste de ao pé de mim.

Amo-te Mário.

A premonição

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Dia 22 de maio, 39 mortes.

Dia 23 de maio, 39 mortes.

Dia 24 de maio, 31 mortes.

Dia 25 de maio, 24 mortes.

Dia 26 de maio, 30 mortes.

O total de novos casos, nestes últimos 5 dias, foi de 135.258.

recorte da folha excell sobre covid-19 no site da DGS

Um leitor contactou-nos para dizer que no lar onde reside, na zona de Lisboa, há 20 casos de covid-19, entre os quais ele próprio. “Isto nunca mais vai ser um porto seguro”, disse-nos. Há dois anos que vive com máscara na cara, vacina atrás de vacina, e as reinfeções persistem.

Como se verificou um ligeiro decréscimo nos indicadores a partir do dia 23, já há experts a garantir que o pico desta vaga já foi ultrapassado. Desde o início da pandemia que temos vivido nesta espécie de esquizofrenia de mais mortes hoje, menos mortes amanhã, mais casos, menos casos, confina, desconfina, usa máscara, não uses máscara.

Ao mesmo tempo, a ministra de Estado, Mariana Vieira da Silva, dizia que “reunimo-nos com o conjunto de peritos que tem apoiado o Governo nas suas decisões. A análise dos números neste momento indica que, muito provavelmente, o pico já terá passado – com algumas regiões já com quedas visíveis e vários grupos etários também. Pelo que a decisão do Conselho de Ministros foi manter as medidas em vigor”.

título do jornal Público em 27 de maio de 2022

A sabedoria popular

Os especialistas descansam-nos, mas a sabedoria popular pode ser mais arguta. O poeta David Inácio, que de dia vive num centro social e de noite está sozinho em casa, escreveu o poema que aqui vos deixamos. À laia de aviso…

poema de David Inácio in A Árvore da Vida

Só em 2023. É o que diz o coração deste poeta de Cascais, no seu pequeno livro de poemas de que já falámos aqui.

NA AMÉRICA, TIRO AO ALVO

Ainda não foi desta que o Senado norte-americano vai discutir a questão do livre acesso a armas. A proposta apresentada pelos senadores do Partido Democrata não conseguiu obter o número de votos necessários para levar a questão a debate.

Os americanos vão, portanto, continuar a matar e a morrer sem se saber porquê. Nas últimas duas semanas houve três atentados terroristas (na América chamam-lhes simplesmente “tiroteios”): num supermercado em Buffalo, no Estado de Nova Iorque, numa igreja na Califórnia e, agora, numa escola primária em Uvalde, no Texas, onde morreram 19 crianças e uma professora. Número de vítimas é provisório, há muitos feridos em estado grave. É como se o país estivesse em guerra civil.

Na América há mais armas que cidadãos. Isto é, em média, cada cidadão tem mais do que uma arma. Qualquer pessoa pode comprar legalmente uma arma, basta ter mais de 18 anos. Nas lojas, há de tudo em venda livre: revólveres, pistolas, espingardas, metralhadoras, carabinas. E respetivas munições. Basta ter dinheiro.

A questão é política, mas também económica. A venda livre de armamento e munições é um negócio muito lucrativo. A organização socioprofissional mais poderosa da América é a National Rifle Association (NRA), que congrega fabricantes e vendedores de armamento por toda a América, promove as vendas e faz a angariação de políticos para defenderem os seus interesses.

Cartoon de Hélder Dias.

A ENCICLOPÉDIA DE MILHAZES

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É interessante ver o que Milhazes escreveu ao longo do tempo sobre a questão das relações entre a Rússia e a Ucrânia. Alguns exemplos:

Em 19 de janeiro de 2008, dava conta das preocupações expressas pelo embaixador russo em Kiev, ao citá-lo quando disse que “a NATO é um bloco militar! Eu ouço na Ucrânia conversas do tipo: “A NATO é um clube”. Mas que clube interessante… com armas nucleares! A Rússia não quer rever as suas relações com a Ucrânia, por isso explicamos a nossa posição e as possíveis consequências para a Ucrânia a todos os níveis” – previne o embaixador russo.

Em 13 de fevereiro de 2014, Milhazes publica a denúncia sobre o apoio ocidental ao “golpe neonazi na Ucrânia”. Ou seja, Milhazes sabe bem que este é um facto antigo e provocador de instabilidade nas relações entre os dois países.

2 de Fevereiro – Nações ocidentais, lideradas pela União Europeia e pela Administração Obama, estão a apoiar um golpe abertamente neonazi com vista a uma mudança de regime na Ucrânia. Se o esforço for bem sucedido, as consequências irão estender-se muito para além das fronteiras da Ucrânia e dos seus estados vizinhos. Para a Rússia, tal golpe constituiria um casus belli, vindo como vem no contexto da expansão da defesa antimíssil da OTAN para a Europa Central e da evolução de uma doutrina EUA-OTAN de “Ataque Global Rápido”, que presume que os Estados Unidos podem lançar um primeiro ataque preventivo contra a Rússia e a China e sobreviver à retaliação. (Blog da Rússia)

Trata-se de um texto interessante, dá-nos ainda uma visão do que terá sido o golpe de Estado que derrubou o Presidente Viktor Yanukovych. Descreve o envolvimento dos neonazis ucranianos, “hooligans” futebolísticos de direita e veteranos das guerras do Afeganistão, Chechénia e Geórgia. O texto refere que “350 ucranianos regressaram ao país vindos da Síria em janeiro de 2014, depois de lutarem ao lado dos rebeldes sírios, incluindo grupos ligados à al-Qaeda como a Frente al-Nusra e o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS).”

recorte do blog Da Rússia, de José Milhazes

São muitos os textos com interesse informativo, neste blog. Lá porque hoje José Milhazes parece estar esquecido das razões da guerra, esperemos que não vá a correr apaga-los ou modifica-los ou bloquea-los. Seria o recurso a um expediente soviético que lhe ficaria mal.

VIOLÊNCIA E MEDO EM ALCOCHETE

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É sempre mais fácil proibir, principalmente quando a competência política se revela insuficiente para resolver o problema.

Em Alcochete, a autarquia aprovou mais uma moção a exigir fiscalização no rio Tejo para impedir a apanha de amêijoa, sem a devida autorização camarária. Dizem os autarcas que esta atividade, considerada ilegal, também provoca insegurança na região. A moção foi apresentada pelo presidente camarário e aprovada por unanimidade.

O que se passa no lodo do Tejo é um problema social relevante. Não se resolve com cargas policiais, processos judiciais, coimas e afins. São milhares de pessoas que não têm outro modo de vida. Muitas delas tinham antes do surgimento da pandemia. Deixaram de ter. Outras nunca tiveram e encontraram ali uma alternativa aos tráficos, assaltos, prostituição, exploração.

Este problema já foi retratado diversas vezes pelos media. Há cerca de um ano, o canal franco-alemão de televisão ARTE exibiu uma grande reportagem de Miguel Szymanski sobre este assunto. Semanas antes, os jornais deram conta de uma operação policial com detenções várias e constituição de arguidos em processos que iam desde a captura ilegal de amêijoa, utilização de mão-da-obra ilegal, falsificação de documentos, crimes contra a saúde pública, fraude sobre mercadorias, fraude fiscal e branqueamento de capitais e posse de arma ilegal.

Mas, se havia organizações mafiosas envolvidas, nada parece ter mudado. Há dias surgiram relatos de confrontos entre mariscadores do Tejo, com cinco pessoas feridas, em Alcochete.

Na moção agora aprovada por unanimidade e que será enviada para o Governo, Presidente da República, Assembleia da República, Procuradoria-Geral da República, autoridades policiais e marítimas, a autarquia de Alcochete exige o reforço de efetivos humanos e de meios para a GNR poder ser mais eficaz, assim como reforço da Polícia Marítima.

“O que temos assistido leva a concluir que o posto territorial da GNR de Alcochete não possui nem efetivos humanos nem os meios para garantir de forma eficiente as atribuições que lhe são conferidas”, diz o Presidente da Câmara, Fernando Pinto.

Fernando Pinto reconhece que muitas pessoas dependem desta atividade, mas diz que é ilegal e que o consumo desta ameijoa é também um problema de saúde pública. Para o autarca, trata-se de “um problema que tem vindo a crescer há mais de uma década que não foi resolvido. Estamos a viver um cenário dantesco e perturbador.”

PROPAGANDA

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Vídeo para mostrar mais alguns exercícios de propaganda política, no enquadramento de guerra que se vive na Ucrânia desde que a Rússia invadiu o país vizinho.

vídeo

(transcrição do texto gravado)

Os meios de informação russos estão a divulgar pelas redes sociais vídeos com alegados desertores ucranianos ou soldados que se renderam às tropas russas.

Neste primeiro vídeo, o soldado estará a dizer que ele e outros foram enviados para a frente de batalha com pouco armamento e quase sem munições. Diz ele que não passa de carne moída, o que não deixa de ser verdade.

Fazendo fé na tradução na transcrição que acompanha o vídeo, o homem está a dizer que não é possível combater de metralhadora contra canhões e morteiros. E estará, ainda, a dizer que o Governo ucraniano não se importa com eles.

Se isto for verdade, percebe-se então a ânsia do presidente Zelensky que está sempre a pedir mais e mais armamento aos seus supostos aliados.

No segundo vídeo teremos soldados da 115ª brigada do exército ucraniano que se recusaram a lutar contra a Rússia. Detidos, esperam julgamento marcial por deserção, estão, neste vídeo, a ser insultados pelo tipo que está a gravar as imagens.

Este vídeo terá sido publicado pelo soldado ucraniano nas redes sociais e copiado pelos russos que o usam como ferramenta para a propaganda. O que não significa forçosamente que o vídeo seja falso.

O terceiro vídeo é o mais curioso. Alguém trepou o pico Vladimir Putin e colocou lá uma bandeira ucraniana.

O pico Vladimir Putin fica a 4446 metros de altitude, é um local inóspito, de difícil acesso. Foi atingido pela primeira vez apenas em setembro de 2012. Este pico faz parte da cordilheira Tien Shan, nome chinês que significa Montanhas Celestiais e que fica no Quirguistão.

O BENEMÉRITO ABRAMOVITCH E PORTUGAL INTRANSIGENTE

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O Governo inglês aprovou a venda do clube de futebol Chelsea, propriedade do bilionário Roman Abramovitch. O novo proprietário vai ser o multimilionário norte-americano Todd Boehly. O valor do negócio é de 5 mil milhões €, aproximadamente.

A venda do clube, anunciada em 7 de maio, tem sido muito escrutinada pelos media. A curiosidade é ver até onde vai o escrupuloso cumprimento das sanções impostas aos empresários russos considerados próximos ou apoiantes do regime liderado por Vladimir Putin.

“O Governo emitiu uma licença que permite a venda do Chelsea”, anunciou a ministra da Cultura e Desporto britânica, Nadine Dorries, na rede social Twitter.

Curiosamente, o argumento para autorizar para que o negócio se faça é que “dadas as sanções que aplicamos a quem esteja ligado a Putin e à sangrenta invasão da Ucrânia, o futuro a longo prazo do clube só pode ser garantido com um novo proprietário”, diz a ministra inglesa.

E acrescenta, num segundo twitt, que “o resultado da venda não beneficiará Roman Abramovich ou outros indivíduos sancionados”. O que já é mais duvidoso. O dinheiro, quanto muito, poderá ficar congelado nalguma conta bancária, mas dificilmente fugirá a quem de direito. De resto, Abramovitch já disse que não quer ficar com nada e que vai doar tudo a instituições de beneficência. Uma jogada de mestre. Ainda vai acabar por ter uma estátua numa “square” londrina, como benemérito.

Já antes disto, Abramovitch doava fortunas. É o maior doador vivo russo, com doações entre 1999 e 2013 estimadas em 3 mil milhões € para construção de escolas, hospitais e infraestruturas em Chukotka, território do extremo oriente da Rússia onde ele foi governador durante uns anos.

PORTUGAL INTRANSIGENTE

O Governo português pôs-se em bicos de pés, neste assunto. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o negócio não se faria sem autorização dele, uma vez que o cidadão em questão também tem passaporte português. “Seremos intransigentes na aplicação das nossas obrigações jurídicas”, afirmou João Gomes Cravinho.

Segundo notícias veiculadas por diversos órgãos de comunicação social, desde há muito tempo, Roman Abramovitch tem vários passaportes, além do russo e do português. Será igualmente cidadão israelita e lituano. Ou seja, se os ingleses tivessem de pedir autorização aos governos de todos os países que venderam passaportes a Abramovitch, o negócio nunca mais se faria.

Em Portugal, ainda só descobriram uma propriedade que pertencerá a Abramovitch. Um casarão na Quinta do Lago, no Algarve. O imóvel foi avaliado em 10 milhões € e estava à venda, mas o registo de propriedade ficou congelado por ordem do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A propriedade está em nome de uma empresa que pertence a outra empresa que pertence a uma outra empresa que pertence a uma empresa que talvez seja propriedade de Abramovitch. Tudo registado em offshores paradisíacos, como os capitalistas gostam.

Da maneira como os problemas jurídicos costumam ser tratados em Portugal, é bem provável que a casa permaneça abandonada por muitos anos. Isto se, entretanto, não lhe cair uma bomba atómica em cima.

SALADA TEMPERADA COM VENENO

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Os governos da Europa estão a falhar nas suas obrigações de proteger a saúde pública. A acusação consta num recente relatório sobre contaminação com pesticidas de frutas e vegetais que consumimos todos os dias.

O relatório é da autoria da organização Pesticide Action Network Europe. É um documento extenso e nele constam os produtos mais envenenados que consumimos, os venenos mais utilizados e os países mais permissivos a este estado de coisas.

Quanto a vegetais, o perigo reside em quase tudo o que existe no mercado, mas à cabeça da longa lista estão aipos, couve de bruxelas e alface, como sendo os que contém maior quantidade de pesticidas.

Quanto aos pesticidas, foram detetados mais de 30 produtos potencialmente perigosos para a saúde pública. Nos primeiros lugares da lista estão “temperos” como fludioxonil, cyprodinil ou tebuconazole. O suficiente para qualquer um perder o apetite, não?

Quanto aos países que mais produzem alimentos envenenados, o podium está ocupado pela Bélgica, Irlanda e França. Portugal aparece no 11º lugar, numa lista de 35 países.

Quanto a Portugal, o relatório especifica que maçãs e peras portuguesas estão entre as frutas com maior quantidade de pesticidas perigosos detetados. O relatório diz que em 85% das peras e 58% de todas as maçãs testadas foi encontrada contaminação por pesticidas perigosos. Em lugar de destaque está também a cereja, onde em cerca de metade das amostras analisadas foi encontrado quantidades anormais de pesticidas.

A agricultura utiliza estes produtos venenosos para combater pragas e doenças infestantes e, assim, aumentar a produção. Trata-se de uma preocupação meramente economicista, que despreza as consequências que implica na saúde pública, nomeadamente na ocorrência de doenças cancerígenas. Com o aumento exponencial da agricultura intensiva, o problema agrava-se, diz o relatório que estamos a citar.

Criticando a indústria do setor que argumenta que não há alternativas aos pesticidas, a Pesticide Action Network Europe aconselha técnicas de agricultura biológica para controlar pragas. E acusa os governos de protelar a proibição de determinadas substâncias para proteger os interesses da agricultura intensiva usando produtos químicos. É a evidência da influência que os lobbys da agricultura intensiva exercem sobre os políticos.

capa do relatório Pesticide Action Network Europe 2022