Vamos falar de um livro e do seu autor. É um livro de rimas, de uma poesia de sabor popular, de um cantarolar puro sobre as coisas da vida. O autor é um antigo maçon, na verdadeira acepção da palavra. David Inácio ganhou a vida a talhar pedra das pedreiras de Cascais. Reformado e viúvo, descobriu que as mãos que dantes pegavam no martelo e no escopro, podiam pegar na caneta e desenhar poesia.
O livro leva o título A Árvore da Vida. Ao historiador José d’Encarnação faz-lhe lembrar “o papel dos jograis medievos, vozes que se faziam eco de vidas, anseios, alegrias e dissabores. Como aqui, em toda a simplicidade de quadras de pé quebrado,” conforme afirma no prefácio aos poemas de David Inácio.
“David Inácio nasceu, a 29 de Abril de 1932, em S. Brás de Alportel, no Barrocal algarvio. Na década de 50, veio – com muitos outros, canteiros, cabouqueiros, trabalhadores… – para as pedreiras de Cascais. Descobrira-se a importância do azulino cascalense para as grandes obras públicas de então e, por outro lado, o chão são-brasense não se oferecia tão dadivoso quanto os subúrbios da capital… Nunca o abandonou, decerto, esse hábito barrocalense do rimar quotidiano, a pretexto de tudo e de nada, mormente – como os demais – perante o azougue feminino. A Árvore da Vida constitui, pois, em despretensiosa singeleza, o seu tributo à alegria de viver!” José d’Encarnação
90 anos depois de ter nascido em S. Brás de Alportel, David Inácio diz-nos que «Os poemas vou escrevendo / Porque escrever faz-me bem». E a nós há de nos fazer bem ler o que lá vem.




