Início Site Página 299

Pesadelo de uma noite de verão

0

Em cima de mim, beijas-me o pescoço, por detrás das orelhas, beijos curtos que desaguam molhados na minha boca.

Desces a mão pelo meu peito, tocá-lo, beija-lo, deixas os mamilos rijos. Uma da tuas mãos contorna a linha lateral das minhas curvas que vai do peito às virilhas. Abres a mão e tocas nelas com vigor. A tua outra mão faz o mesmo, as minhas pernas abrem-se naturalmente. Contornas com os dedos a minha púbis, muito devagar. Voltas a cima para mais beijos molhados. Desces de novo e fazes-me vibrar com a língua. Grito, atiro um braço esticado de encontro à parede, fechos os olhos e sinto todo o meu corpo vibrar. Entras em mim por entre suspiros. És dócil, vais devagar, sou eu que te puxo para acelerares o ritmo. Fazes isso mas ainda tranquilo, queres sentir cada pormenor dentro de mim. Puxo-te de novo e aí perdemos o ritmo, perdemos tudo. Depois, deitamo-nos de barriga para cima, extasiados com tanto prazer.

Um pouco depois ponho-me de gatas em cima de ti, toco na barba aparada, sorrio e brinco com os meus lábios no teus. Queres pôr-me a língua, mas não, continuo entre beijos entrelaçados, agora molhados. Sento o meu sexo em cima do teu e movimento-me ainda em cima das tuas boxers. Subo com uma mão ao teu pescoço, meto os dedos por entre os pêlos do teu peito, do teu cabelo. A mover-me devagar deslizo a palma das mãos pelo teu tronco fora, com perícia torneio as tuas boxers, tiro-as sem pressas, lambo-te os testículos devagar. É nessa altura que oiço os teus gemidos, muito baixinho, tens a cabeça para trás e sinto-me bem. Sem pressas, subo com a língua ao teu sexo, dou voltas sem tocar na extremidade do prepúcio. Olho para ti enquanto rodo a língua com prazer, como se de um gelado se tratasse. Então com a mão esquerda puxo a tua pele que fica segura e abro a boca para te beijar, chupar, o verbo que quiseres. Mas paro antes por um segundo. Olhas pra mim meio perdido. Ponho-me de novo de gatas, com beijos molhados até o teu sexo encontrar o meu. Mexo-me vigorosamente, quero sentir te dentro de mim cada vez mais rápido mas com profundidade também. Atinges o ponto G. Mando os cabelos para trás, apanho-os com as mãos, sento-me, levo as tuas mãos à minhas ancas e dou-te o controlo até o perdermos em explosão. Caio com o meu corpo em cima do teu, os meus cabelos tapam a tua cara, a respiração dos dois é o único som que se sente no quarto. Estamos exaustos, transpirados, felizes.

Peço o serviço de quartos, precisamos de beber água, muita. Decidimos tomar um banho de imersão, mas caímos de novo na cama até a espuma da banheira sair por debaixo da porta.

Acordo com o som da água. Bolas! Nova inundação na cozinha! Pego no pano de campismo e estanco a piscina do chão. Passo a esfregona cheia de detergentes, passo outro pano, estendo os dois à janela. Fecho a água. Quero voltar para a cama, mas o sol berra-me que já é hora da realidade.

Agarro-me ao computador, chávena de café e uma cigarrilha a deixar cair cinza pelo teclado. Decido deitar-me de novo. Tenho pesadelos com orcas assassinas e tubarões brancos. Salto da cama mesmo antes de ser comida.

Tradição retrógada ressurge na Malveira

0

Depois dos municípios de Viana do Castelo e Póvoa de Varzim terem abolido as touradas, depois de muitas outras cidades e vilas portuguesas terem demolido ou reconvertido as praças de touros existentes, o sacrifício de touros continua.

Depois de vários anos sem touradas, eis que em Mafra a atividade ressurgiu. Foi na Malveira que teve lugar esse espetáculo deprimente, num recinto pré-fabricado.

Foi uma tourada sem história. Nenhuma repercussão nos media da “especialidade”. Podia perfeitamente não se ter realizado, ninguém daria pela falta do evento.

A coisa foi apadrinhada pela União de Freguesias local, cuja presidente ofereceu prendinhas aos toureiros. Carla Galrão é aficionada, esperemos que as prendas tenham sido adquiridas com o seu dinheiro e não a expensas da autarquia.

Nesta tourada participou João Moura, o toureiro que está acusado de 18 crimes de maus tratos a animais de companhia, ocorridos na sua propriedade de Monforte, no Alentejo. O Ministério Público formalizou as acusações e requereu o julgamento de João Moura.

Na sequência de uma ação da GNR em fevereiro de 2020, foram encontrados 18 cães a morrer de fome que o toureiro mantinha encarcerados em recintos impróprios. Os cães eram galgos que João Moura criava para corridas, segundo informações veiculadas pela organização SOS Animal.

João Moura na Malveira

João Moura vai ser julgado pelos maus tratos que infligia aos cães, mas continua a receber prendas e a ser pago pela tortura a que sujeita os touros.

Um dos cães resgatados pela GNR da propriedade de João Moura, em 2020

NEM SÓ DE TRIGO, MILHO E CENTEIO SE FAZ PÃO

1

Quando hoje falamos em segurança alimentar global, estamos a esgrimir (quase sempre) argumentos políticos pouco verdadeiros. Quando nos dizem que o milho e o trigo da Ucrânia são fundamentais para matar a fome nos países mais pobres da Ásia ou de África, estão-nos a dizer uma meia-verdade ou uma semi-mentira…

Viajei muito já pelo continente africano e vivi uns anos no sudeste asiático e, nesses países mais pobres e assolados por guerras, negligência governamental, pobreza extrema, o que as pessoas comem é sorgo (além do arroz). Este cereal é a base da ajuda internacional às populações mais pobres do mundo. Aquilo que na Europa ou na América do Norte é a base das rações para animais, é aquilo que damos aos pobres para comer. Esta é a verdade, testemunhada por mim. Ninguém me disse que era assim. Vi com os meus próprios olhos e comi esse sorgo com as pessoas com quem estive. Estou a falar, por exemplo, da República Democrática do Congo, do Sudão, da República Centro Africana, de Angola.

campo de sorgo

Tradicionalmente, o negócio alimentar europeu e americano está baseado no trigo e no milho. Mas o sorgo é um bom cereal. Come-se em farinha ou em grão, semelhante a lentilhas. O sorgo fermenta, tal como o trigo, portanto também serve para produzir bebidas alcoólicas. No Sudão, bebe-se uma espécie de cerveja feita à base de sorgo.

No campo, o sorgo não precisa de ser irrigado e é uma planta livre de pragas. Ou seja, cultivar sorgo é mais favorável à proteção ambiental, porque poupa água e evita o uso de pesticidas. É igualmente uma planta menos exigente em termos de adubo na terra. O sorgo é rico em proteína e tem quase todos os aminoácidos essenciais, mas na Europa ainda é um nicho de mercado para alimentação humana.

sorgo

Creio que os agricultores alentejanos fariam bem melhor se em vez de insistirem nos amendoais e olivais, nas estufas de hortícolas a perder de vista, pensassem em diversificar para culturas menos agressivas para a natureza.

Quem viajar pelo Alentejo já não vê o “mar” de trigo que rodeava montados e que, depois de colhido, era pasto abundante para o gado. Hoje, temos quilómetros e quilómetros de olival e amendoal, agricultura intensiva, regados gota a gota pela água do Alqueva.

Dizem os ambientalistas que estamos a dinamitar o futuro da agricultura alentejana, a exaurir os recursos do solo e a secar as reservas aquíferas.

É difícil encontrar uma mosca ou mosquitos em Évora, apesar da cidade estar suja devido à deficiente recolha dos resíduos urbanos. Os insetos rareiam na medida inversa em que a nova agricultura usa e abusa dos inseticidas e pesticidas. Um custo altíssimo para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas, da natureza.

Insegurança eléctrica

1

Pois sucede que, no final de Junho, num telefonema simples, passei para a Endesa, por sugestão (pasme-se!) da EDP, de onde me disseram que a outra era bem mais barata. E lá mudei com a promessa de que a minha factura iria baixar substancialmente… Três semanas mais tarde, tive uma dúvida na facturação, e liguei para a Endesa. A funcionária sugeriu-me que baixasse a potência contratada. O que eu aceitei (quem sou eu para saber alguma coisa de electricidade).

Algum tempo depois recebi um SMS a informar que a E-REDES iria fazer uma alteração à distância.

No dia 1 de Agosto, de súbito, nem o secador do cabelo conseguia ligar porque a electricidade ia, sistematicamente, abaixo.

imagem ilustrativa

Liguei para a Endesa, sendo informada de que uma nova intervenção da E-REDES seria efectuada, também à distância. Expliquei à funcionária da Endesa que ia de férias e ela reiterou que seria à distância.

No dia 3 de Agosto recebo um telefonema de um funcionário da E-REDES informando-me que estava à minha porta para verificar a situação… Claro que não pude recebê-lo, conforme já tinha informado. Estava pelos lados da Sertã, numas férias que sei serem bem merecidas.

Uma semana depois, de regresso a Lisboa, ainda sem poder ligar uma única máquina em casa, veio o funcionário da E-REDES que se admirou com a potência contratada, salientando que NUNCA um contador trifásico podia ter a potência contratada de 3.45. Na sua frente liguei para a Endesa, tanto mais que o senhor me disse que, se procedessem à alteração do contrato, ele podia regressar a minha casa no dia seguinte e resolver a situação. Não! A Endesa só podia tratar do assunto no dia seguinte…

imagem ilustrativa

Dois dias depois, um novo SMS a dizer que iam proceder a uma intervenção à distância. No final do dia, liguei para a Endesa e para a E-REDES para saber se estava tudo reposto e normalizado. Na E-REDES garantiram-me que sim. À confiança, lá pus eu a máquina de lavar a roupa, que já tinha tido três semanas de descanso, a lavar e pufff! Novamente sem electricidade. Claro que liguei para a E-REDES. Contudo, afinal, o horário de atendimento é só a partir das 9 horas…

Liguei às 9:15 e puseram-me em lista de espera, dizendo que se eu quisesse me contactariam ‘no prazo máximo de 48 horas’…

imagem ilustrativa

Finalmente, a insistência minha, disseram-me que a intervenção, a mesma que já estaria feita, não podia ser feita à distância e o técnico só podia vir a casa dois dias mais tarde. Admito e confesso que desta vez gritei mesmo com o funcionário que, na verdade, parecia ser um pouco surdo. Pedi-lhe cinco vezes que ligasse ao superior hierárquico e ele insistia em responder a mesma coisa. Finalmente, passou-me a um ‘responsável da linha de apoio ao cliente da E-REDES’ que me disse exactamente o mesmo que tinha dito o seu subalterno, com as mesmíssimas palavras e tudo. Não percebi para que serve um superior hierárquico. No caso só deve ser para ganhar mais…

O mais ridículo é que venho a saber que afinal ‘a culpa é do sistema’. Explicação: o sistema não deveria ter aceitado uma baixa de potência contratada num contador trifásico. Portanto, o sistema é incompetente. Não são as pessoas que lidam com ele que, coitadas, não têm culpa nenhuma de não saberem a informação que dão ao cliente. Mais me disseram, e não sei se é assim, que quem está no apoio ao cliente são pessoas saídas das operadoras de telecomunicações e com uma formação de um dia. Quanto ao facto de só trabalharem das 9 às 18 no apoio ao cliente, mesmo em situação de emergência (a mim parece-me ser este o caso) informaram-me de que é assim mesmo. Nada a dizer, porque a emergência só funciona se houver uma avaria.

E, por fim, chegada de férias, tenho ainda duas facturas da Endesa. Afinal, eu que pagava cerca de 60 euros à EDP vou pagar mais de 80 euros, e, dizem-me, tenho 14 por cento de descontos. Se isto não é enganar os clientes, então não entendo.

Num dos 500 telefonemas (passe o ligeiro exagero) para a Endesa, com quem tenho esta infeliz relação contratual há dois meses, a funcionária explicou-me que a situação se deve ao aumento de preços que, tanto quanto sei, data de Janeiro…

É isto que temos na electricidade. E nem conto as histórias que ouvi, entretanto, a propósito da minha. Lá voltaremos!

imagem ilustrativa

Publicidade, propaganda, mentiras

3

Ouvi com toda a atenção o discurso do político recém-chegado. Tudo iria ser feito, salvar do marasmo de décadas toda uma população que, até ele vir, votara errado,  noutras formações partidárias. Uma lástima, um zero. Do princípio se iria agora começar.

Por sinal, eu recebera dias antes um vídeo em que se dava conta do que um ancião aprendera, das mudanças que em si, agora, já setuagenário, sentia: «Aprendi a não corrigir as pessoas, mesmo quando sei que estão erradas. A responsabilidade de tornar todos perfeitos não é minha» – era uma das conclusões a que chegara.

Abençoado! Resisto, pois, tranquilo, à reacção – outrora impetuosa – de corrigir o recém-chegado. Que é bem verdade, amigo ancião, também isso não é da nossa responsabilidade.

E não é que, de supetão, me vieram à mente experiências e normas e ditos e cenas?

A primeira, a da guerra actual, a das balas, dos mísseis e dos drones e, sobretudo, a da desinformação. Sei bem o que isso vale; na tropa, quando fiz a especialidade, tive a disciplina de «Acção Psicológica»…

A segunda, a da exímia interpretação do actor João Vasco em «La Nonna»: a idosa, sorrateira, ia à cozinha quando todos dormiam e banqueteava-se com tudo o encontrava, porque, de dia, a obrigavam a mui rigorosa dieta.

João Vasco, LA NONNA de Roberto Cossa

A terceira (associada à ideia de noite), a do senhor que, tendo-se levantado para ir à casa-de-banho, explica à mulher: «Ouvi um barulho, a televisão estava acesa…».

A quarta, o livro de Gustave Le Bon, Psicologia das Multidões (de 1895!), que não me canso de citar, nomeadamente naquela parte em que diz que o candidato pode «prometer sem receio as mais amplas reformas», porque a promessa produz efeito e não compromete o futuro, o eleitor depressa se esquece disso. Aliás, «o candidato que consegue descobrir uma fórmula nova, bastante destituída de significado preciso e, por consequência, adaptável às mais diversas aspirações, obtém um sucesso infalível». E cita o caso do slogan «Salud y republica federal» que norteou a revolução espanhola de 1873 e cuja interpretação foi a mais variada e… serviu para tudo e todos!

Isso mesmo! Nada de imposições. A não ser uma, no caso dos anciãos e na sequência da sabedoria daquele que falava no vídeo: importa é envelheser! Exacto, com s, como se lembraram escrever, a dado passo, os técnicos da Misericórdia de Cascais: envelhecer + ser! Ser é o mais importante!

E olhar com um sorriso para quem se desfaz em promessas; para quem garante que se levantou porque ouviu barulho; ou para com a avozinha que garante: «Eu? Não comi nada, não! Juro! Dormi a noite toda!».

O diretor de Informação e os amigos dele

0

As relações promíscuas entre agentes da política e empresas de comunicação social revelam-se, normalmente, nas figuras de topo que por lá andam.

Ninguém chega a diretor de Informação de um canal de televisão, sem ter uma boa rede de padrinhos políticos e amigos pessoais. São eles, os padrinhos e amigos, quem garantem ao patrão ou ao presidente do Conselho de Administração, a fiabilidade do putativo diretor. Ou então é um assumido capacho do patrão.

No badalado caso de Sérgio Figueiredo, essa relação de proximidade e confiança política é bastante evidente. Enquanto diretor da TVI Sérgio contratou Medina para comentador do canal. Quando ministro, Medina contrata Sérgio como assessor. E já foi publicado que houve outros contratos celebrados entre o então presidente da CML e o antigo diretor da TVI.

Mas os alarmes de compadrio já existiam antes. Basta lembrar, como exemplo, o caso de Ana Leal. A jornalista fazia um programa de investigação jornalística, havia uma reportagem pronta para exibir sobre falhas graves na resposta do Serviço Nacional de Saúde à Covid-19. A exibição da reportagem foi cancelada, a equipa de trabalho do programa de Ana leal foi dissolvida. O conflito estalou e Ana Leal acabou por sair do canal. Trabalha hoje na CMTV. Perdeu visibilidade.

Para um mero observador, parece evidente que Sérgio Figueiredo tem afinidades com o PS, o Governo e com a CML enquanto lá esteve o atual ministro das Finanças. Esta sensação só se desvaneceria se Sérgio prestasse o mesmo tipo de serviços a outros partidos políticos. Pode ser que venha a acontecer, até porque Sérgio (enquando diretor de Informação da TVI) terá contratado comentadores de outros quadrantes políticos. Esperemos.

GIGANTESCA CATÁSTROFE ECOLÓGICA

0

Uma gigantesca catástrofe ecológica está a acontecer no rio Oder, o segundo maior rio da Polónia e que faz fronteira com a Alemanha.

Nas últimas 24 horas, começaram a aparecer enormes quantidades de peixe morto. Numa reação preventiva, as autoridades polacas e alemãs apelaram às populações para não tomar banho no rio e não se alimentarem de peixe do Oder.

A pesca neste rio é uma atividade de grande importância económica e social, principalmente na Polónia. Há milhares de pescadores que vivem exclusivamente desta atividade. Tradicionalmente, fornecem os mercados, restaurantes e hotéis.

Já foram recolhidas mais de 11 toneladas de peixe morto. Os pescadores acreditam que se trata de um atentado ambiental provocado por despejos tóxicos de indústrias, mas ambientalistas e biólogos dizem que esta catástrofe pode ter causas naturais. Também na Europa central as temperaturas têm estado acima do normal, também por ali há seca, o caudal do rio está baixo, a água está demasiado quente e matérias orgânicas têm-se desenvolvido com grande rapidez, o que pode estar a causar falta de oxigénio na água.

Mas, independentemente da causa, todos concordam que se trata de uma gigantesca catástrofe ecológica que está a acontecer no rio Oder.

fonte: agência Reuters

Um russo à boca de cena, em Sintra

0

O encenador é português (Ricardo G. Santos), assim como os demais intervenientes no espetáculo. Mas o autor é russo, Daniil Kharms. Só isto já é um atrevimento, nos dias que correm. Levar à cena uma obra teatral russa é ato suscetível de alarmar a sociedade condicionada pelo pensamento único que se tenta impor de condenação de tudo quanto seja russo, incluíndo a cultura.

Poucos saberão que Daniil Kharms, autor da vanguarda russa, do início do séc. XX, era visto com suspeita pelas autoridades, pela sua escrita livre de condicionamentos ideológicos. Escrevia para revistas infantis, sendo esta a forma de sobreviver e de ter “voz”, em resposta à perseguição que sofria pelo regime político que vigorava na Rússia daquela época. Cem anos depois, parece que não saímos do mesmo sítio.

O espetáculo é “A viagem de Kolka Pankin, e Petka Erchov que não acreditava em nada”. Um espetáculo que versa sobre o absurdo da comunicação – as perceções e interpretações da realidade, diferentes de pessoa para pessoa, os equívocos que daí emanam, e a força da imaginação na comunicação de uma ideia que queremos ver entendida, sob a forma de uma comédia non sense, em formato stand up comedy, para todas as idades.

“Com esta criação, para crianças e famílias, considerando o tempo em que vivemos, fazemos uma elegia à liberdade de expressão e criação, à isenção da arte e às fronteiras que esta derruba”, dizem os promotores do espetáculo, que consideram esta peça teatral “um pequeno contributo para que cada vez mais pessoas possam conhecer e celebrar esta voz da literatura russa.”

Daniil Kharms (Daniil Ivánovitch Iuvatchov), 1905-1942, nasceu em São Petersburgo, a 30 de Dezembro de 1905 e é uma das figuras-chave da literatura russa do século passado. Foi o maior representante da literatura vanguardista russa e mundial dos anos 20 e 30 do séc. XX. Escritor, poeta, dramaturgo, um “génio do absurdo”, Kharms foi um homem que deu a contemporâneos e gerações vindouras muitos contos humorísticos, anedotas engraçadas e frases espirituosas. Na sua vida havia duas partes, as quais se tornaram num acto artístico contínuo: por um lado, temos a imagem excêntrica de um “homem-paradoxo” e, por outro, a de um compenetrado pensador e místico. Kharms foi inovador na poesia e criador do género do humor negro. Muito antes de Eugène Ionesco e Samuel Beckett, ele descobriu um novo tipo de teatro, o teatro do absurdo.

A viagem de Kolka Pankin, e Petka Erchov que não acreditava em nada. Estreia na QUINTA DA RIBAFRIA, temporada agosto e setembro, aos fins-de-semana, em Sintra.

O PEQUENO RETALHO NÃO AGUENTA

0

A gratuitidade dos manuais escolares é uma das medidas mais populares de António Costa, desde que chegou à chefia do Governo. A par da drástica redução nos passes sociais dos transportes públicos, os manuais escolares garantiram ao PS a atual maioria absoluta com que governam.

A gratuitidade dos manuais escolares tem, no entanto, alguns “segredos”. As famílias descarregam os vouchers Mega a que têm direito, dirigem-se às papelarias ou a outros estabelecimentos que intermediam a obtenção dos manuais e pagam, não os manuais, mas os cadernos de exercícios que os professores não dispensam.

Os manuais escolares são gratuitos, mas os cadernos não são. O Governo considera que os cadernos não são imprescindíveis, mas os professores exigem-nos. E não são baratos. E têm de ser sinalizados no ato da encomenda. No documento que reproduzimos, o sinal foi de 50 €.

A somar à conta, a plastificação das capas dos manuais. No final do ano, terão de ser devolvidos em boas condições.

As famílias não pagam os manuais, mas as editoras não ficam à espera que o Estado lhes pague. Isso é que era bom. São os comerciantes que intermediam a transação que pagam às editoras. No caso das pequenas papelarias, trata-se de um processo que as penaliza bastante. Ficam meses à espera de serem reembolsados. O próximo ano letivo está prestes a iniciar e há pequenas empresas que ainda têm milhares de euros por receber. A cada três meses são obrigados a renovar a certidão de dívida, o que implica apresentar o cadastro fiscal limpo dos sócios da empresa. Uma burocracia tremenda, para reaver dinheiro que adiantaram ao Estado.

E, por isso, há cada vez menos papelarias dispostas a satisfazer os pedidos de manuais escolares dos seus clientes. Aproveitam as grandes superfícies e as plataformas de vendas online que, paulatinamente, estão a tomar conta do negócio.

A GUERRA E O PRAGMATISMO

0

O óleoduto que serve para transportar petróleo desde a Rússia até à Europa central esteve parado 7 dias. Os fluxos de petróleo foram retomados hoje.

O problema foi provocado pela Ucrânia, que reclamava o pagamento da tarifa de trânsito. Esta infraestrutura atravessa a Ucrânia e a Rússia paga por esse trânsito. A falta de pagamento foi provocado pelas sanções impostas pelo Ocidente que impediu a Rússia de efetuar o pagamento através das suas instituições bancárias.

A Rússia queria pagar e não podia, a Ucrânia queria receber e não podia. O dilema foi resolvido pela Hungria que pagou a conta. A Hungria precisa de receber o petróleo e o gás da Rússia e não alinhou nas sanções impostas. A Ucrânia sabe que o dinheiro da Hungria vem da Rússia, mas ignora o facto para preferir o pragmatismo.

Zelensky que nas redes sociais e televisões do mundo fala sobre tudo e mais um par de botas, ainda não se referiu a este acordo financeiro.

O primeiro cliente da Rússia a receber petróleo foi a Eslováquia, ontem, a Hungria será o próximo a receber a matéria-prima. Um dia destes, ainda havemos de ver a Hungria a exportar petróleo para o resto da Europa, sem ser produtor dessa matéria-prima…