Início Site Página 300

QUATRO MIL CÃES SALVOS

0

Nos Estados Unidos, um grupo privado de laboratórios de produtos farmacêuticos utiliza animais para testes de toxicidade e experimentação das drogas que desenvolve. Não estamos a falar de ratinhos, mas de cães. Estranhamente, apenas cães de raça Beagle.

O grupo é composto essencialmente por dois grandes laboratórios, segundo a agência Reuters. Inotiv Inc e Envigo. Dedicam-se à pesquisa de novas drogas para tratamento de um grande leque de doenças que afetam humanos, desde a diabetes ao lupus, do reumático à hipertensão, da neurologia à oncologia.

O problema é que o sacrifício de animais é mal aceite pelas pessoas, mesmo aquelas que poderão, eventualmente, um dia vir a precisar dos medicamentos que estas empresas desenvolvem. E isso reflete-se nas leis dos países onde a opinião pública consegue ter força para influenciar os legisladores.

Os problemas para estes laboratórios começaram em maio passado, quando o Departamento de Justiça dos EUA processou a Envigo, alegando violações da Lei de Bem-Estar Animal nas instalações em Cumberland, Virgínia. A empresa-mãe Inotiv Inc garantiu que iria fechar as instalações onde se reproduziam os cães para as experimentações laboratoriais. Mas não cumpriu.

Agora, uma inspeção das autoridades descobriu que não só as experiências com os cães prosseguiam como os animais que ficavam doentes eram mortos, em vez de serem tratados.

Descobriu-se, ainda, que os cães eram alimentados com rações fora do prazo e com larvas, que as cadelas grávidas ou a amamentar eram deficientemente alimentadas e que os alojamentos eram impróprios, jaulas diminutas ou expostas às intempéries. Um horror, em nome da redução de custos.

É assim que cerca de 4.000 beagles estão a ser resgatados das mãos destes cruéis humanos. Quatro mil cães, uma tarefa hercúlea para as associações de proteção animal locais.

“Vai levar 60 dias para tirar todos esses animais, e trabalhar com nossos parceiros de abrigo e resgate em todo o país, trabalhando com eles para colocar esses cães num lar”, disse Kitty Block, presidente e executiva-chefe da Humane Society dos EUA, citada pela agência Reuters.

A peixeirada na TVI / CNN Portugal

0

Vai longa e desinteressante a peixeirada protagonizada por Judite de Sousa e pelos mais altos quadros da TVI que, à vez (primeiro Nuno Santos, depois José Eduardo Moniz), vieram desmentir ou lamentar as acusações da jornalista.

Judite saiu a partir a loiça. Diz que não tinha contrato, que passava recibos verdes, que foi para a Ucrânia sem dinheiro, etc. Quem conhece bem os meandros das empresas de comunicação social, sabe que é pouco provável que alguém saia em reportagem para o estrangeiro sem ajudas de custo. Principalmente se o destino é um país nas circunstâncias em que se vive na Ucrânia. É possível ir sem seguro de vida, isso é até banal. Mas não sem dinheiro. Quanto aos recibos verdes, parece evidente que a Judite de Sousa fala verdade. Não havia nenhum contrato de trabalho, ninguém o exibiu, pelo menos.

O que é estranho é a jornalista ter aceite voltar para a empresa nessas condições. Afinal, ela era uma das “caras” do canal, uma estrela da pantalha. Ainda se fosse uma estagiária, compreendia-se a aceitação de condições laborais precárias. Mas Judite de Sousa já há muito que deixou de ser estagiária.

Depois de uma carreira quase sempre na mó de cima, Judite chega ao fim de forma triste. Aceitou o inaceitável, a acreditar que diz a verdade. E continua a dar um péssimo exemplo a todos os outros jornalistas, ao limitar estas questões a uma peixeirada nas redes sociais. Judite devia ter movido um processo contra a empresa no Tribunal de Trabalho, devia ter feito queixa à ACT e, mesmo sem ser sindicalizada, devia ter participado ao Sindicato dos Jornalistas o que se estava a passar.  

Quando mercenários e voluntários se juntam…

3

Ativa na década de noventa, e relançada em 2009, a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) tem exercido uma intensa atividade em prol da dignificação da justiça e da reinserção social dos reclusos e de suas famílias, em estreita ligação com quantos, a título individual, coletivo ou oficial, pretendem honrar os mesmos fins.

Apoiada em personalidades de incontornável percurso cívico, como Garcia Pereira, António Arnaut, Nandim de Carvalho ou Rui Nabeiro, a APAR é hoje uma das mais prestigiadas ONGS de Portugal e, seguramente, a mais popular entre os reclusos e suas famílias, vítimas de frequentes abusos e atropelos.  

Honrosa exceção no panorama nacional do voluntariado, os seus colaboradores agem benevolamente e nem sequer são ressarcidos de despesas pessoais. Trata-se, pois, de uma associação “raríssima” que, para garantir total independência, nem aceita subsídios oficiais e recusa o pagamento de quotas a milhares de reclusos, espalhados por todos os 49 estabelecimentos prisionais, bem como subvenções dos seus familiares ou representantes legais.

Na APAR nunca se discutem crimes, ou a justeza das decisões dos Tribunais, simplesmente se dá resposta pronta a inúmeros pedidos de auxílio, procurando fazer o bem sem olhar ao melindre das questões e ao “peso” dos intervenientes. Procurando, tão só, minorar desavenças e em defesa de direitos elementares e da lei, a APAR orgulha-se de nunca ter sido alvo de processos. Ao invés de algumas das instâncias públicas que contraditou e que, alardeando credibilidade e razão, têm acumulado vivos reparos e até pesadas penas em fóruns nacionais e internacionais, defensores da Justiça e dos Direitos Humanos. 

Desde o século XIX que, em Portugal, a principal função das prisões não é punir, mas sim preparar os condenados para uma futura reinserção na sociedade. Uma vez sob a tutela e proteção do Estado, o recluso apenas perde a liberdade, mas são-lhe garantidos todos os demais direitos inerentes à sua dignidade humana. Compete assim às entidades responsáveis implementar regulamentos e programas que promovam uma formação ética e profissional e não o ócio, o ódio, o desespero e o desprezo pela lei.

As prisões nunca poderão ser consideradas “estâncias balneares”, mas, visando em primeiro lugar a inclusão e não o castigo, nelas se deve estimular uma cultura que promova a aproximação e condene o livre arbítrio e qualquer abuso. Sem respeitar e fazer respeitar escrupulosamente as leis que regem o cumprimento das penas, como pode o Estado dar o exemplo a cidadãos precisamente “castigados” por incumprir leis? 

Interessa ainda referir que sendo Portugal um dos recantos mais seguros do mundo, mantém uma altíssima taxa de reclusão e todos os indicadores o projetam para a cauda da Europa, junto com o Azerbaijão, a Bulgária e a Moldova. Contra a corrente, deixaram-se degradar instalações sobrelotadas, desmotiva-se a formação académica e profissional dos reclusos e até a sua alimentação é deficiente, enquanto se abandona o cultivo dos campos, se adquire comida confecionada em empresas privadas, se praticam preços especulativos nas cantinas e se filtram indecorosamente as ajudas familiares. As taxas de morbilidade, mortalidade e de suicídio falam por si, situando-se entre as mais altas do mundo: superiores, por exemplo, às da África do Sul.

Verdades incontornáveis que não evitam que, a pretexto da pandemia, a DGRSP prolongue medidas desajustadas ou mesmo absurdas, variáveis de prisão para prisão, que ainda mais agravam a já condenável condição dos reclusos, ainda vítimas inocentes de centenas de dias de greves. Na prática, a lei que regula a execução de penas encontra-se suspensa, com o sistema a limitar, sem fundamento válido, saídas precárias e até a reapreciação de processos. E também o direito às visitas foi altamente condicionado, existindo reclusos que, desde há anos, não conseguem abraçar ou sequer ver alguns entes queridos. Acresce ainda que inúmeros pacientes se encontram em risco de vida, sem uma assistência médica e apoio mental à altura de um estado civilizado.  

No entanto, apesar de serem incontornáveis estas e outras verdades, e do extenso rol de denúncias e reparos que a APAR tem formulado, estes horrores têm sido desprezados por uma classe política, que pensa mais em tratar da sua vidinha do que em melhorar a vida dos cidadãos. Solicitado recentemente a representar a APAR, em dois encontros que visavam melhorar o sistema prisional, tive ocasião de deparar com um “mundo” que de todo desconhecia.

A título pessoal, entendo ser meu dever dar conta das notas que recolhi sobre o ambiente que se respira na DGRSP, bem como nas organizações congéneres da APAR que, alegadamente, exercem “voluntariado” na área da reclusão, embora sob a dependência e apoio de instituições oficiais: 

1 – Existência de forte tensão entre associações de solidariedade que prosseguem idênticos fins, com graves acusações de favorecimento na atribuição recente de apoios oficiais a ONGS sem presente nem passado, em desprimor de outras com notável intervenção social e inquestionável interesse público.  

3 – Desconfiança generalizada perante o “falhanço” de anteriores iniciativas da DGRSP, que malbaratou fundos em cursos de formação sem nexo, até nas áreas de combate a incêndios. Paradoxalmente, ou talvez não, as entidades que promoveram e dirigiram tais iniciativas, opuseram-se depois à intervenção no terreno de centenas de formandos, invocando razões de segurança.  

3 – Muitas reservas sobre as intenções de uma DGRSP que, num desses encontros, anunciou um novo programa de formação, supostamente com recurso a fundos europeus, e destinado a cerca de setenta (70) voluntários de todo o país, que, só assim, obterão credenciais para entrar nas prisões. Desconhece-se para fazer o quê e onde, mas foi dado a conhecer que tal iniciativa passa pela intervenção de inúmeros formadores da “casa”, já “recrutados” a todos os níveis.   

4 – O reduzido impacto internacional desta proposta na CE, demonstrado pelo exíguo número de respostas a um inquérito que a DGRSP promoveu. Os 40 EP portugueses, que atempadamente responderam ao inquérito oficial, suplantaram a restante amostra, afanosamente dirigida a todo o espaço europeu.

5 – Curiosamente, os países que “mais reagiram” não integram o grupo daqueles que, por bom funcionamento do sistema prisional, dispensam “voluntariados”.

6 – Também motivo de séria reflexão, só a Hungria se fez representar nessa reunião. Significativamente, este é o país onde os direitos humanos mais se têm degradado, sendo ainda reconhecido por liderar o apoio a medidas desestabilizadoras, por todo o lado. Já quanto aos seus indicadores de Saúde, incluindo nas prisões, revela, a par de Portugal, o maior estado de degradação recente, em toda a Europa. “Má companhia” em termos de corrupção, é o único país que viu cortes comunitários.

7 – Ausência de demonstração de um plano coerente de ação, com definição clara de cumprimento de objetivos a curto e longo prazo, bem como o seu financiamento e a monitorização de resultados por entidades independentes. 

8 – Finalmente, assistiu-se ao corte de intervenções que intentaram elencar os principais problemas que afetam a comunidade prisional, e até à negação de realidades do dia a dia, não transparecendo de qualquer exposição que, em momento algum, tenham sido ouvidos os principais interessados que, afinal, até são os reclusos.  

Em jeito de síntese, mercenários e voluntários até rimam, mas dificilmente dão versos de jeito.

Sérgio Figueiredo, o “ayatollah de Barcarena”

0

Lembram-se? O fim do programa de opinião de Santos Silva na TVI24, “Os Porquês da Política”, foi tudo menos pacífico. Santos Silva defendeu que a estação de televisiva teria prescindido da sua colaboração por questões políticas e por a sua voz ser incómoda.

recorte de artigo de Augusto Santos Silva publicado no Diário de Notícias em 29/07/2015

“(…) Antes que se faça tarde (…) é, pois, tempo (…) de avançar umas tantas conjecturas, à espera de refutação (…): a TVI já estará farta de comentadores inscritos em partidos políticos e, como já lá tem fartura que chegue de inscritos no PSD, não precisa de um inscrito no PS, (…) porque eu digo disparates e ninguém me vê (…), ou porque a minha voz se está a tornar muito incómoda neste clima de sufoco que vivemos”, escreveu também na rede social Facebook.

Sérgio Figueiredo ainda tentou pôr água na fervura, agradecendo a Santos Silva “pelo prestígio e qualidade de comentário”, mas Santos Silva não deixou cair a polémica nos jornais e chamou ao director de informação da TVI de “Ayatollah de Barcarena”.

recorte de artigo de Augusto Santos Silva publicado no Diário de Notícias em 29/07/2015

O jornalista perdeu a diplomacia e disse que o ex-ministro de José Sócrates “não é nenhum tonto” e que não voltou à TVI24 “por ser malcriado” e “não porque a sua voz é incómoda”.

No entanto, Sérgio Figueiredo (e muitos outros) sabe que “quem se mete com o PS, leva”. Ora, com um Plano de Recuperação e Resiliência de muitos milhões a aterrar num qualquer aeroporto socialista, não se importa (se calhar até tem prazer nisso, de tão treinado que está) de engolir seja o que for, desde que o ordenado seja equivalente ao de ministro. É a diferença, cada vez mais rara, entre quem tem valor e quem tem preço.

CONDUZIR DEVAGAR OU CONDUZIR DEVAGAR

0

Os amantes ou meros utilizadores de veículos motorizados, sejam carros ou motas, têm sempre alguma vaidade na eletrónica do modelo que compraram. E a parafernália eletrónica não para de aumentar. Tudo começou com os sensores de luz e o ABS, depois inventaram o cruise control e os sensores de pneumáticos. Agora chegou o ISA – acrónimo para Intelligent Speed Assistance.

Ora, acreditamos que alguns dos amantes da eletrónica automóvel preferiam não ter ISA no carro… mas é obrigatório desde 6 de julho. Todos os veículos novos vendidos a partir desse dia têm de ter ISA.

E para que serve? Para andar mais devagar. Melhor dizendo, para evitar que o automobilista ultrapasse o limite de velocidade indicado para a via onde circula.

Como funciona? O sistema recorre ao posicionamento por GPS e a uma câmara que interpreta os sinais de trânsito, identificando a velocidade máxima permitida nos locais em que se desloca. Ao mesmo tempo, calcula a velocidade exata a que o carro se desloca. Quando o limite é ultrapassado, a tecnologia corta o rendimento do motor.

Por esta não estávamos à espera, não é? E quando implementarem o limite dos 30 km/h nas cidades, alguns irão adormecer ao volante. Ou então, desligam o sistema. Mas, se o fizerem, não esperem complacência das autoridades rodoviárias.

A medida abrange todos os ligeiros de passageiros e comerciais novos, vendidos na União Europeia. Com isto, a expetativa é uma redução de 30% nas colisões e atropelamentos, principais causas da mortalidade rodoviária em centros urbanos.

Leopardo considerado extinto reaparece na Rússia

0

É um animal muito furtivo e prefere manter-se longe dos humanos. E tem razões para isso. Está à beira da extinção por causa da destruição dos habitats onde vive.

vídeo

A magia dos provérbios

0

Provérbio, anexim, ditado, adágio, prolóquio – estes, alguns dos nomes por que são conhecidas as frases que passam de geração em geração e se constituem como padrões de vida, norma de comportamento. A sabedoria popular consagrada numa frase curta, sobretudo relacionável com as circunstâncias do calendário agrícola e os costumes que ele determina: «Pelo S. Martinho, vai à adega e prova o vinho», «Março Marçagão, de manhã Inverno, de tarde Verão», «Em Abril, águas mil!».

Em tempo, como é o nosso, de estações do ano completamente às avessas, somos capazes de sorrir desse ancestral conhecimento. Por outro lado, é natural que amiúde se confunda provérbio com frase célebre que, um dia, alguém pronunciou e que, tendo passado para algum compêndio de frases de famosos, se comece a pensar em termos de provérbio, que não é. Recordo «Penso, logo existo!», de Descartes. Tem esse carácter lapidar, mas não pode arvorar-se à categoria de provérbio. Como «lembrar-se de Santa Bárbara quando troveja» é frase comum, mas que não detém essa característica de norma que no provérbio é quase essencial: «Devagar se vai ao longe!», «De pequenino se torce o pepino».

E se, na verdade, a rima se revela, amiúde, como forma popular de ser usada, mesmo em termos de provérbios, o certo é que a sedutora magia dos provérbios não deixa ninguém indiferente.

Fez-se, por exemplo, a 28 de Agosto de 2017, no Centro de Interpretação Pedra do Sal, em S. Pedro do Estoril, a apresentação do livro, de Irene Prata, Provérbios para sorrir ou… reflectir, uma edição do NASPE – Núcleo de Amigos de S. Pedro do Estoril. Cada provérbio, uma quadra.  Veja-se este: Às vezes muito ameaça quem de medroso não passa. E a quadra

Ameaça é coisa fácil
É prática de muita gente
É apenas o disfarce
Do medo que o próprio sente

Já vi na Internet que há provérbios feitos com emojis.

Peter Koj, alemão que foi docente na Escola Alemã, de Lisboa, grande difusor da língua portuguesa na sua terra natal, Hamburgo, consignou provérbios portugueses num dos seus livros, traduzindo-os para a língua alemã. Passatempo Proverbial (Schmetterling Verlag GmbH, Estugarda, 2016) constitui, de facto, mui jocoso passeio pelos provérbios portugueses, ilustrados alguns deles pelos bem oportunos desenhos de Marlies Schaper. Vejam-se as ilustrações de «Quem vai ao mar perde o lugar» e «Nem tudo o que vem à rede é peixe» (no topo do artigo).

Provérbios errados

Recebi, em tempos, uma série de correcções a provérbios que vogam por i numa versão errada. Para isso serve a Paremiologia, a ciência dos provérbios.

Portugal detém nesse âmbito o palmarés, sendo Tavira a «capital dos provérbios», pois que nela está sediada a Associação Internacional de Paremiologia / International Association of Paremiology (AIP-IAP), «a única no seu género a nível mundial», e que se «ocupa do estudo científico dos provérbios em todo o mundo»; tem página na Internet – http://www.aip-iap.org – e «organiza várias actividades ao longo do ano: exposições, palestras, concertos, tertúlias, idas a bibliotecas, escolas, fundações e instituições de solidariedade social para dinamizar e divulgar a tradição oral através das ideias transmitidas pelos provérbios»… Aí se realizou no passado mês de Novembro o 16º Colóquio Interdisciplinar sobre Provérbios, com mui larga participação.

Vamos lá então aos provérbios errados.

Por exemplo, a versão original não é «quem tem boca vai a Roma!», mas sim «quem tem boca vaia Roma!», ou seja, amaldiçoa-a, do verbo «vaiar», atitude tão assumida nos estádios de futebol…

Também o correcto não será «quem não tem cão, caça com gato», mas sim «como o gato», ou seja… sozinho!

«Hoje é domingo pé de cachimbo», o correcto é: «Hoje é domingo pede cachimbo» – o relaxar tranquilo, saboreando aroma bom…

«Batatinha, quando nasce, esparrama pelo chão». De facto, era difícil esparramar-se e o que deve dizer-se é… «espalha a rama pelo chão»!

Rica, sem dúvida, muito rica mesmo é a língua portuguesa. E nunca nos cansamos de aprender, mesmo que por vezes se diga «Burro velho não aprende línguas!». Preguiça é o que é!

Histórias de Evoramonte

0

Lá no alto da Serra da Ossa, o Castelo de Evoramonte mantém-se altivo desde há, pelo menos, 10 séculos. Mil anos de História e de transformações sociais, políticas e económicas. De onde antes se observava o trabalho dos servos e as movimentações do inimigo castelhano, hoje observamos o trabalho dos espanhóis (e outros) da agroindústria com os seus olivais intensivos e amendoais a perder de vista. Uma mancha verde alimentada gota-a-gota pela água do grande lago luso-espanhol do Alqueva. Tudo junto diluiu a linha de fronteira e já ninguém sabe bem onde começa Portugal e acaba Espanha.

Ali foi chão de mouros até ao século XII, quando o território foi dominado por um temível grupo de aventureiros, salteadores e proscritos, comandados por Geraldo Sem Pavor, que matavam a favor do rei de Portugal.

Vem desse tempo a lenda da moura, uma história triste que conta a má sorte de dois apaixonados que viram os seus planos de casamento interrompidos pelo primeiro cerco ao castelo. O noivo, um nobre mouro, acabou morto em combate e a jovem donzela foi encarcerada e abusada até à morte. Desde essa data, diz o povo, que o fantasma da moura aparece nas noites de São João, a cantar uma triste canção de amor e a pentear os seus longos cabelos na borda de um poço, a que chamam de “poço do clérigo”. Enfim, não há lenda que não encerre alguma parte de verdade.

Outra história terrível e mais factual é a que envolveu Dom Jaime, o quarto duque da casa de Bragança, obrigado a casar por conveniência do reino com Dona Leonor, uma herdeira de famílias importantes de Castela. Acontece que o homem não queria aquela mulher que acabou por esfaquear até à morte.

Depois disto, Jaime refugiou-se no seu castelo de Evoramonte, onde se dedicou a estranhos rituais religiosos. Era um louco que, ainda assim, foi “recuperado” pelo rei Dom Manuel I com o propósito de o enviar para o Norte de África conquistar terras e matar infiéis. Uma tarefa cumprida a preceito.

As cores bailaram nas vozes!

1

A abertura duma exposição de arte costuma ser boa ocasião de reencontro – e agora ainda mais, nestes tempos que julgamos pós-pandémicos e menos restritivos para tal. Dão-lhe os franceses o nome de ‘vernissage’, termo que lhe empresta aquele charme parisiense, reclama uma taça de espumante, brindes, boa disposição…

Isso tudo houve, pois, no passado dia 30, em agradável final de tarde, na galeria do Casino Estoril. Não, que se me perdoe a anotação, não estiveram esses nomes chamariz de flashes e fotos em pose para as revistas da high life. Não estiveram. Pintura naïf diz mais com o Povo, a ruralidade, as cores das searas, montados e romarias. E flores naturais!

Sim, brindámos com espumante a embeber frutos vermelhos e, sobretudo, havia no ar aquela alegria sã de quem sabe deixar-se inebriar sem peias pelas belezas sem artifícios que nos envolvem.

            E cantou-se!

Cantou-se Alentejo. Tinha que ser. A lembrar o saudoso Francisco Relógio, de Vila Verde de Ficalho. Por isso, daí se ofereceu para vir o grupo «Os Pimparralha».Pimparralha é, no Alentejo, aquele caule tenro que a gente morde e com ele assobia… Deliciaram-nos com as modas do Sul, tão nossas conhecidas, mas sempre tão apreciadas, mormente – como foi o caso – por quem bem as sabe cantar e tocar. Um entremês muito aplaudido que a todos agradou. Até os quadros aplaudiram!

Este 41º salão internacional de pintura naïf poderá ser apreciado – deve ser apreciado, corrija-se! – até 12 de Setembro. A entrada é gratuita!

CRIMES DE GUERRA

0

Quando a Amnistia Internacional condenou, pela primeira vez, as táticas militares ucranianas que colocam civis em perigo “ao estabelecerem bases militares e sistemas operacionais de armamento em áreas residenciais, incluindo escolas e hospitais”, táticas que “violam o Direito Internacional Humanitário, já que transformam os edifícios civis em alvos militares”, levantou-se um coro de protestos de militantes da causa ucraniana na guerra contra a Rússia.

Mas, a verdade é que a Amnistia Internacional demorou 5 meses para denunciar aquilo que todos vemos desde os primeiros dias da guerra. Não há santos neste campo de batalha, como de resto nunca houve em nenhum.

Um dia destes, pode ser que a Amnistia Internacional olhe para o que se passa nos territórios controlados pelas forças separatistas russófonas, nomeadamente nas cidades. Também ali caem mísseis e outros engenhos explosivos, lançados pela artilharia do inimigo, neste caso, a artilharia ucraniana. Também ali morrem crianças, velhos e mulheres, civis não combatentes. Também ali as pessoas só querem viver em paz. Também elas não têm culpa das decisões paridas pelos líderes políticos.

Na noite de 6 de agosto, o relato do jornalista português Bruno Amaral de Carvalho, na rede social Telegram, repetia o tema das noites anteriores: os bombardeamentos ucranianos sobre centros urbanos.

“Clarões sucessivos no bairro de Kalininsky, há minutos, em Donetsk. É mais uma noite de muita tensão na maior das cidades do Donbass. Há bombardeamentos também nos bairros de Kievsky, Voroshilovsky, Petrovsky e Kirovsky.” – Bruno Amaral de Carvalho

Quem critica a Amnistia Internacional por causa desta denúncia sobre as táticas militares ucranianas, não conhece a organização nem se preocuparam em conhecer. Por exemplo hoje, quem for ao site da Amnistia Internacional Portugal vê, na primeira página, várias petições sobre questões relacionadas com perseguições e atentados à liberdade de várias personalidades de diferentes países, desde a Turquia, Irão, Zimbabué, Israel, Ucrânia, entre outros. E pode ficar a conhecer as ações que, neste momento, estão em marcha promovidas pela Amnistia Internacional.

Ou seja, não é possível querer condenar a Rússia, se desculpamos a outros crimes idênticos. Uma criança de Lugansk não é menos vítima nem tem menos direitos, só porque está no “lado de lá” da guerra.