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VENDEDORES AMBULANTES

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O vendedor que andava de porta em porta a tocar campainhas para impingir enciclopédias ou revistas de culinária já não existe. Foram exterminados à fome ou reciclaram-se noutra atividade qualquer. Hoje, os vendedores de coisas são as figuras públicas, os chamados influencers, ou lá o que é, que aparecem nas redes sociais patrocinados pelas mais variadas marcas.

O que eles fazem é misturar o produto a que dão a cara e o corpinho com cenas do dia-a-dia ou cenas que, aparentemente, não se destinam aquela venda. Exemplos?

Anda agora um alarido por causa das fotos “atrevidas” e vídeos sensuais que Cuca Roseta publicou no Instagram. Se repararem bem, o conjunto desses fotos e vídeos estão identificados como “patrocinados” e têm link para o site ou página da marca comercial em questão.

Depois, a mensagem é alavancada por pretensas notícias que tendem a engrossar o “escândalo”, de modo a focar a atenção do público nesse conjunto de fotos e vídeos. Há aqui uma mal disfarçada ação concertada entre interesses comerciais e informação propalada por meios de comunicação social.

Aliás, no caso particular de Cuca Roseta esta maneira de veicular produtos comerciais não é novidade. Num vídeo recente em que ela nos ensina exercícios respiratórios para combater stress, na verdade está a vender outras coisas.

É um modo de arredondar proventos financeiros que podem eventualmente nem ser cobrados em dinheiro, mas em férias pagas, viagens pagas, roupa e acessórios oferecidos. Enfim, há mil maneiras de receber sem pagar impostos.

A origem do Mal

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Do Mal.

O Eng. Sócrates só foi possível porque numa comparação entre duas moedas más, aliás, uma péssima e uma má, o Dr. Cavaco colocou duas folhas de figueira no artigo e chamou ao senhor engenheiro a moeda boa.

Este generoso acto de promoção do Eng. Sócrates só aconteceu porque no Congresso da Figueira da Foz (há sempre uma figueira) o Dr. Cavaco apoiado e guiado pelo Eng. Eurico de Melo usurpou democraticamente o poder ao Dr. João Salgueiro, reputado economista e mais do que provável lider, um brilhante pensador da área social-democrata. Nesta cruzada fizeram parceria com os na época lideres da JSD, Pedro Pinto e Pedro Passos Coelho. Dito de outra forma, os dirigentes da JSD venderam-se para terem lugares elegíveis nas listas de deputados. Recapitulando, temos a serpente, a maçã e o pecado original.

Desde que tomou o poder o Dr. Cavaco contou com a ajuda divina, quando Hermínio Martinho e o extinto PRD provocaram uma crise suicida no parlamento e deram origem a uma maioria absoluta.

Vem dessa altura a frase do raramente me engano e nunca tenho dúvidas, comum entre os ignaros, aqueles a quem a soberba não poupa.

Se no pós 25 de Abril, no PREC, nos períodos bombistas, as ruas deste país se transformaram no caos, o Dr. Cavaco elevou o patamar, inovou mesmo,  colocando polícias a bater em polícias tendo o seu apogeu na carga policial da ponte 25 de Abril.

O Dr. Cavaco colocou Portugal como um dos 3 estados que não foram solidários com Nelson Mandela, símbolo maior da luta pela justiça e liberdade numa das votações da ONU em 1987. Pela verdade, a política externa é da competência do governo.

O Dr. Cavaco vetou a lei da paridade de deputados em 2006, aprovada na AR ultrajando todas as mulheres e enviando uma clara mensagem de misoginia correndo contra a civilização.

O Dr. Cavaco fez o mais vergonhoso discurso numa reeleição presidencial, sem honra nem glória na hora da vitória.

O Dr. Cavaco queixou-se de que a sua pensão mal dava para as despesas enquanto tranquilizava os portugueses sobre o BES dizendo que era sólido.

O Dr. Cavaco não foi prejudicado, para não estar a escrever beneficiado, com as acções da SLN, tanto na venda como na compra porque terá tido acesso a informação privilegiada, como sugeriu Alberto Queiroga Figueiredo ao Jornal de Negócios (8/1/2011).

Sobre este assunto esclareceu um dia que para serem mais honestos do que ele teriamos que nascer duas vezes.

O Dr. Cavaco deixou uma marca de ódio e separação entre os portugueses que Pedro Passos Coelho tentou seguir, embora sem o brilho diáfano do seu mentor. Todos os tiranos escolhem esta abordagem. Para Hitler foram os judeus, por cá é o norte/sul no desporto ou o recuperado discurso do António Salazar sobre os portugueses de bem.

Nas entrelinhas do discurso de Ventura estão lá todas as ideias do Dr. Cavaco. Nisso ele tem razão, é o herdeiro de Cavaco com um bafio muito mais salazarengo.

Da Esperança.

Numa recente entrevista Luís Montenegro assumiu Cavaco, Durão Barroso e Passos Coelho como as suas referências no partido. Obviamente Sá Carneiro estará sempre presente.

Luís Montenegro  recuperou os rostos daqueles que castigaram o país acima das suas possibilidades, daqueles que exigiram um esforço maior do que era necessário como ele próprio admitiu. Rodeou-se de militantes que publicamente sairam em defesa de posições do Chega como Miguel Pinto Luz.

Tem a palavra de honra de Rui Rio de não ver o seu trabalho boicotado ao contrário deste que teve sempre metade do aparelho contra ele.

Os sinais não são de esperança. Saíu do congresso e foi directamente para a terra queimada ao estilo Ventura,  porque é nisso que este PSD se está a tornar, um Chega no discurso e na acção.

Da res publica.

O contraste com Moreira da Silva que delimitou o campo é demasiado claro: “no PSD não cabem racistas, xenófobos e populistas”.

O PSD precisa de um lider com mundo, com obra publicada, com estudo, com ideias de progresso e desenvolvimento social. Um lider que dentro de dois anos seja capaz de dar finalmente uma vassourada, que convoque os autarcas, os representantes das instituições culturais e sociais de cada concelho, aqueles que lidam com e conhecem os problemas do quotidiano do nosso povo, dos jovens e de apostar neles, de dar um sinal claro que aquilo que vale e conta no PSD é trabalho de e para o povo. Afirmar finalmente a marca distintiva de um partido que se quer verdadeiramente do povo. Afirmar a res publica.

O grande Mário foi ao ar !

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Seguimos com alguma atenção a transmissão do voo do foguetão NS-22 da Blue Origin e, francamente, achámos aquilo uma espécie de treta. Os primeiros que se deveriam sentir defraudados são os passageiros. Os turistas espaciais. A foguetão subiu alto, mas não chegou ao espaço. Ou seja, se dizem que os turistas ganharam “asas de astronautas” foi porque a Red Bull patrocinou a coisa.

A transmissão durou um pouco mais de uma hora, mas foi a “encher chouriços” (como se diz na gíria televisiva). O voo durou uns míseros 10 minutos, a maior parte dos quais a vermos o foguetão a subir e a descer, depois de se ter separado da cápsula.

Foi giro ver como o foguetão aterra, envolto numa nuvem de poluição, mas sem se espatifar no chão, pronto para voltar a subir depois de uma revisão cuidada.

E foi o que se viu. Ouvimos uns gritinhos dos passageiros quando estiveram com gravidade zero dentro da cápsula durante uns 2 minutos, mas nem vimos imagens das habituais cambalhotas.

Em termos de transmissão televisiva, foi uma espécie de fiasco. Em termos de experiência pessoal, cada um dos turistas há de contar a sua versão, mas depois de terem gasto um balúrdio não lhes fica bem dizer que não gostaram.

Quanto à experiência científica do português Mário Ferreira, ficamos à espera que os resultados sejam divulgados. O grande Mário levou uma botelha de Vinho do Porto, não para beber, mas para “ver que alterações poderá sofrer um vintage de 2003, ver se com as forças G e ausência de gravidade, altera sabor, cor, e se existirão outras alterações químicas ou moleculares”, explicou Mário Ferreira à Lusa.

Ó pá. Esperamos que não se tenha estragado…

As teias da comunicação autárquica

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De 1989 a 2002, como docente de Comunicação Social no Curso de Especialização em Assuntos Culturais no Âmbito das Autarquias, procurei explicar como poderão evitar-se as teias que sempre envolvem o poder autárquico.

Numa das aulas, ao garantir que, afinal, nada se poderia fazer se o perfil do presidente fosse do género «Quero, posso e mando!», um dos formandos levantou-se:

– Professor, desculpe, se assim é, vou-me embora.

Ainda o tentei dissuadir. Esse era o mundo em que eles, técnicos, iriam viver e a minha missão era prepará-los para nele se movimentarem o melhor possível, de acordo com a sua consciência. Não me ouviu e desistiu do curso.

Nessa altura, ainda se não lidava preferencialmente com a informática e o contacto pessoal ia sobrevivendo. Hoje, porém, tudo se passa nos labirintos das páginas digitais encomendadas pelas autarquias a empresas de renome ou geridas pelos próprios técnicos, de acordo com as ordens superiores. E uma das ordens é, amiúde, a de dificultar o contacto!

Lembro-me da estratégia gizada pelo Conde de Castelo Melhor em relação ao rei D. Afonso VI: manteve-o «ausente» largos meses e preparou a sua aparição solene em público. Nesse dia, com pompa e circunstância, os nobres, o clero e os representantes do Povo deveriam comparecer e saudá-lo. Uma forma de lhe prestar vassalagem e de, simultaneamente, se saber quem estava a favor e quem estava contra.

Queres contactar por correio electrónico com o presidente da autarquia ou um vereador? Vais à pagina do município e sorte terás se lá vier a informação acerca do respetivo endereço, porque o mais normal é teres apenas o endereço geral da Câmara. E, nesse caso, poderá acontecer como na minha Universidade de Coimbra quando envio uma mensagem ao Magnífico Reitor:

«Acusamos a receção da sua mensagem à qual foi atribuído o código de identificação acima mencionado, ao qual pedimos que faça referência sempre que nos contatar sobre este mesmo assunto, com vista à sua rápida identificação».

Essa, a mensagem automática que se recebe de imediato, «Com os melhores cumprimentos», assinada – pasme-se! –, não por uma pessoa mas por uma entidade: “Reitoria da Universidade de Coimbra”.

            Claro, ficamos a aguardar, sentados, uma eventual resposta, que tarde ou nunca chegará. Há mais que fazer!

Interessante foi o que vi numa página autárquica: com foto e endereço electrónico só os da cor do presidente, os únicos que tinham pelouros; os outros nem foto nem endereço electrónico!

Democracia? Uma ova! O munícipe inscreveu-se para apresentar um assunto na reunião pública. Um tema em que havia sérias dúvidas acerca da legalidade da actuação camarária. O presidente ouviu a contragosto, olhando para o relógio, interrompeu-o amiúde e cortou-lhe a palavra assim que se esgotaram os minutos oficialmente concedidos. E não respondeu. Se fosse da cor, comentaria mais tarde um vereador (da oposição), e para louvar, o munícipe teria todo o tempo do mundo!

«E así se hacen las cosas», creio que é frase duma das personagens dos autos de Gil Vicente. Ou: «É assim a vida!», expressão que se atribui a um dos nossos políticos, descoroçoado decerto com o que lhe fora dado observar.

Confesso que me custa mesmo aceder à página duma autarquia e não ter aí informação como poderia comunicar pessoalmente com todos e cada um dos membros do Executivo. Haver a possibilidade de os autarcas falarem com o Povo que os elegeu e de o Povo falar com eles.

Lembro-me, amiúde, da conversa de Maria com a mãe, no Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett: «Voz do Povo voz de Deus, minha senhora mãe!». Mas logo me surge – estúpida, a estragar tudo! – aqueloutra que não sei já donde a colhi: «Os que estão demasiado alto não ouvem a voz da razão!».

                                                                      

Patrão no espaço, TVI aos tropeços

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Enquanto Mário Ferreira anda a passear pelo espaço, o grupo de media que controla anda a coxear. Depois da saída intempestiva de Judite de Sousa, também Pedro Mourinho diz adeus à TVI.

O patrão Mário pagou balúrdios pelo bilhete e não vai deixar que nada lhe estrague o passeio. Judite de Sousa queixa-se de ter andado a trabalhar sem contrato e sem o devido pagamento. Pedro Mourinho deve estar de novo a sentir-se estagnado e a procurar sair do atoleiro.

Mário Ferreira é um empresário que alarga o seu campo de visão. Agora vai ao espaço porque acredita que brevemente existirão resorts orbitais “para turismo e experiências científicas” e, assim, já anda de olho nesse nicho de mercado para investir na indústria aeroespacial. Judite de Sousa vai, finalmente, para a reforma. Depois desta cena, ninguém mais vai querer contratá-la. Pedro Mourinho é um rapaz novo, tem 50 anos de idade, acredita que tem ainda tempo e espaço para novas experiências profissionais. Dizem que está de malas aviadas para a CMTV.

Mário Ferreira confia a quem paga. Neste voo que vai experimentar, a nave não será tripulada por ninguém, o voo será feito por controlo remoto. É certo que serão apenas 10 minutos, mas… esperemos que os controladores sejam mais eficazes que os gestores da Media Capital que andam a contratar e a deixar fugir figuras proeminentes da TVI e CNN Portugal.

as razões de queixa de Judite de Sousa, por ela própria apresentadas no Instagram

Judite de Sousa é mentirosa, diz Nuno Santos

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Em 2019, Judite saiu da TVI com uma indemnização milionária de 1 milhão de euros. Contas feitas com base no salário que recebia e nos anos de trabalho naquela empresa.

Estranho foi ela ter voltado para a TVI dois anos depois. Os gestores do canal terão considerado que aquela figura pública seria uma mais-valia para a empresa mas, assim, não se entende a rescisão anterior.

Pelo que se viu, a aposta foi um erro. Uma oportunidade falhada para a jornalista. Não teve um bom desempenho profissional e acabou a partir a loiça de forma disparatada.

O diretor do canal saiu a terreiro para defender a empresa, tentou desmentir todas as acusações de Judite, mas Nuno Santos sabe bem como percecionamos as coisas. As pessoas vão acreditar mais na Judite do que nele.

A jornalista diz que trabalhava sem contrato, Nuno diz que havia contrato. A jornalista diz que foi para a Ucrânia sem seguro de vida, o diretor diz que havia seguro. A jornalista diz que não tinha dinheiro nem para tomar um chá com torradas, o diretor diz que nunca lhe faltou nada.

Nuno Santos, entrou no programa ‘Dois às 10’ para dizer que Judite de Sousa é uma mentirosa: “Não podemos deixar que no espaço público se digam inverdades, mentiras sobre aquilo que está a acontecer e não permitiremos que isso aconteça”, disse.

O adeus de Judite de Sousa à TVI

A fome e a riqueza

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A fome de uns é a riqueza de outros, poderá ter sido o lema de vida de Oleksiy Vadatursky, um dos homens mais ricos da Ucrânia que morreu agora, vítima de um bombardeamento russo.

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Os media ocidentais falam dele como tendo sido um “homem rico”, “empresário”, “magnata”. Se fosse norte-americano seria “multimilionário”, “investidor”. Se fosse russo, “oligarca” pela certa.

As aventuras de um português na China

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Conta-se que o Silva, entendeu certo dia aventurar-se por terras da China. Mas vá adivinhar o que pode acontecer, quando se sai de casa por inteira conta e risco…

Logo à chegada, de carrinho na primeira fila da passadeira de descarga, ao retirar a mala – pimba!… –, acertou em cheio no nariz de um fura-filas, que logo se meteu de permeio. Um incidente considerado de extrema gravidade que despoletou imediata e enérgica condenação de todos os presentes.  

– Coitado do chinês… – Assim matutava o Silva, de orelhas murchas, ao galgar as escadas do hotel. – Mas que culpa tive eu?…

Ao confirmar a palavra “PUSH” chapada na porta giratória, estava longe de imaginar a nova aventura em que se ia meter. Do outro lado, alguém resolveu avançar em contramão e… pimba!!… Pois não é que voltou a atingir em cheio uma narigueta, por azar o apêndice nasal do chinesito do aeroporto?

E de nada lhe valeram sentidas propostas de armistício. Armada grande confusão, e perante a indignação geral, foi-lhe até difícil confirmar a reserva. Para depois seguir para uma bela e bem servida “janta”. Finalmente em descontração, e com o “inimigo” chinês longe da vista, foi então que decidiu avançar até à sala dos bilhares, onde depressa exibia técnicas que concitaram as atenções gerais.

Concentrado no jogo, a certa altura o Silva habilitou-se mesmo a uma jogada que exigia efeitos especiais. E eis senão quando, bem esticado, taco à frente e atrás – pimba!!!… –, deu em cheio em alguém que, na sua traseira, se colocara na mira.    

Pela toada do escarcéu, percebeu que acertara em cheio no tal chinesinho que, agarrado pela terceira vez à massacrada penca, até dava pulos. Tomada conta da ocorrência, ainda não era meia noite e já o Silva era posto no olho da rua. Consciente dos seus direitos, ainda protestou. Sem êxito porque, em dia aziago, nem troco lhe deram. E só a custo, e depois de pagar uma pesada reparação à “vítima”, conseguiu que um chefão lhe entregasse uma nota explicativa, garatujada em escrita ilegível 

Acabaria a noite numa espelunca manhosa, quase sem ferrar o olho. Refúgio onde, logo pela manhã, se travou de simpatias com um chinesinho sorridente que parecia ser dono daquilo. Uma boa oportunidade, pensou, para descortinar as razões das insólitas experiências por que passara. À confiança, nem percebeu que o outro todo se retorcia à medida que ia ouvindo as queixas, para explodir quando lhe facultou a “nota de culpa”. Minutos depois, de malas aviadas, era posto dali para fora.

Esgotada uma pipa de massa, e bloqueado pela agência que contratara, restou pedir ajuda ao consulado português. Uma opção acertada porque, recebido pelo cônsul local, em breve suspirava de alívio:

– Até que enfim, que estou entre a minha gente!… – Bendisse o pobre Silva que, pouco dado a diplomacias, nem se apercebeu que o semblante do outro se ia carregando à medida que desbobinava o filme. Até lhe exibir o papel. Aí, alto e pára a conversa, de imediato o outro lhe leu a sentença. Tinha de abandonar o país o mais cedo possível. 

Recambiado, o Silva nem descansou enquanto não correu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, a apresentar queixa.

– Olhem-me este caramelo. – Ainda ouviu alguém comentar de longe, ao retirar-se. – Mais um a querer mama.  

E toma lá, ó Silva, que bem podes esperar, sentado, o resto da vida…

Em pulgas, socorreu-se então do amigo Sousa, que residia mesmo ao lado de uma loja de chineses com quem mantinha estreitas relações. Ardendo ambos em curiosidade, de pronto foram recebidos com rasgados sorrisos e vénias, que não deixavam dúvidas sobre a bondade daquela gente.

– Desta, é que fica tudo explicado! – Firmou-se o Silva, rendido ao cerimonial.

 Leitura apressada porque, ainda mal principiara a descrição dos incidentes, e já o seu novo “amigo chinês” arregalava os olhos, atraindo as atenções dos restantes. E a “explicação” surgiu segundos depois, quando todo o “chinesame” se debruçou sobre o papel e os pôs, aos dois, no olho da rua. De escaldado, o Silva cuidou de guardar a mensagem no bolso, antes que a esfanicassem, enquanto o Sousa, de olhos em bico, nem sabia o que dizer:

– Deixa lá estes cabrões! Conheço um missionário que viveu em Macau. Vais lá e pedes para ele te ouvir, em confissão. É um tipo fora-de-série… um verdadeiro santo.

Pouco dado a religiões, o Silva até desconfiou, mas, depois do almoço, já era recebido por um velhinho de balandrau branco e longas barbas, que mais parecia uma reencarnação de Deus.

– Então, meu filho, porquê tanta urgência? – Assim maviosamente foi recebida aquela ovelha perdida. E a caminharem para o confessionário, por entre halos de luz e cânticos celestiais, que tudo aquilo lembrava o Paraíso, ainda ouviu: – Que grandes pecados devem atormentar a tua alma, para estares assim…

De consciência limpa, pelo menos naquelas bandas, o Silva tinha topado, por fim, com o tipo certo, convicção que ganhou à medida que desenrolava o seu drama.

– Coitado… Coitadito… – Repetia o “santo” do outro lado da cortina, em tom misericordioso, enquanto lhe explanava os “pecados”. Para, no fim, lhe dar a bênção: – Vai em paz e que o Senhor te acompanhe! Pobre de ti, que nem precisas de absolvição. És mais um crucificado, tal como Jesus Cristo. Deus tenha compaixão de ti.

Com “pregações” assim, qualquer um é “católico” e, de coração aliviado, o Silva sentiu-se ainda mais leve do que um anjo, enquanto o venerando padre o acompanhava, por cortesia, à saída. Faltava só satisfazer uma “pequena curiosidade”:

– Muito obrigado, Senhor Padre, nem imagina o peso que me tirou de cima. Mas, já agora, e sem querer abusar, não se importa de me traduzir o maldito papel?

– Claro que não. Se isso te ajuda, até tenho muito gosto…

E foi aí que o pobre Silva entrou, de novo, em choque. Revirados os bolsos, a papeleta que tão cuidadosamente guardara, havia-se sumido como por encanto. 

– Ó sorte, que mais me pode acontecer no mundo?  

E AGORA VAMOS AO QUE INTERESSA…

Ao longo da minha vida, interessado em Arqueologia, recolhi imensa informação, visitei inúmeros museus, exposições e lojas, passei por quase todos os “santuários” do planeta e até ouvi grandes peritos. E, naturalmente, recolhi uma razoável coleção de artefactos, centenas deles em complicados processos de doação a instituições públicas portuguesas.

As duas imagens foram encontradas numa gruta perto do Escoural, Évora, provavelmente ainda no século XIX: o auroque está gravado numa estalactite com cerca de 30 cm e o mamute em calcite amarela translúcida. Terão muitos milhares de anos, dos tempos dos “toros” de Altamira e das gravuras do Foz-do-Côa

Alegadamente encontradas em território nacional, e “arte” que interessa preservar, estudar e classificar pela sua originalidade e beleza, alguns, após investigação e certificação, poderão até projetar a obscura arqueologia portuguesa para um lugar cimeiro. Nada que cause surpresa, dada a amálgama de civilizações que neste “jardim” se fundiu durante centenas de milénios. E também a qualidade e quantidade de peças que ainda não “emigraram” do território…

Todavia, apesar desta autêntica excursão à “China”, para que insistentemente tenho desafiado as lusas “autoridades”, ninguém, administrativo ou académico, mostra sequer interesse em desvendar enigmas e “construir ciência”. Posso mesmo afirmar que, a par de raros testemunhos de aplauso e admiração, que recebi, três “is” caraterizam o “chinês” que quase todos eles usam: isolamento, invisibilidade e até o insulto, numa língua aberrante sob o ponto de vista técnico, científico e ético.

Estas duas fíbulas foram encontradas em meados do século XX por um arqueólogo amador, no distrito de Vila Real, e pertencerão à civilização castreja, dita celtibera, imediatamente anterior à romanização. Surpreendem pela sua grande dimensão, formato e decoração elaborada, merecendo igualmente estudo e classificação por parte dos peritos.

E assim fui reunindo uma “coleção de hieróglifos” que, ao contrário do Silva, religiosamente preservo. Talvez daqui a cinquenta anos apareça algum “santo”, que possa esclarecer os portugueses das razões de tão abstrusos comportamentos…  

Verão é festa, tradição, História.

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Começamos com a 25ª Viagem Medieval em Terra de Santa Maria que vai voltar a Santa Maria da Feira, depois de mais de dois mil dias passados sobre a última edição.

Festa de 3 a 14 de Agosto. Para consultar o programa e saber todos os pormenores, visite o site: viagemmedieval.com

“Viva o Bairro”, uma iniciativa da câmara municipal de Braga, que vai disponibilizar 20 mil euros a cada projeto de melhoria ou requalificação, proposta pelas associações de moradores do município.

Mais informações sobre o programa “Viva o Bairro” estão disponíveis no site da autarquia de Braga (em www.cm-braga.pt), nas linhas telefónicas de apoio ou nos balcões de atendimento ao munícipe.

Branda Científica de São Bento do Cando. Assim se vai chamar a aldeia de verão semelhante às antigas brandas, ou povoamentos, onde os pastores se instalavam com as suas famílias e o gado durante o estio – entenda-se: época de verão.

A Branda Científica de S. Bento do Cando, na freguesia de Gavieira, vai ficar pronta em 2023. No verão do próximo ano espera-se que acolha o primeiro grupo de cientistas.

(Boas Notícias em parceria com a Telefonia da Rede, www.setepontosete.pt)

Pétalas explosivas

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Tudo indica que há uma nova arma nos arsenais da Ucrânia que está a ser ensaiada na guerra. São minas antipessoal que são lançadas sobre centros urbanos pela artilharia de longo alcance. O obus cai, fragmenta-se e liberta dezenas ou centenas de pequenos engenhos explosivos que ficam à espera que alguém as pise, para explodir e matar.

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Zelensky prometeu uma contra ofensiva no Donbass e ela está a acontecer, com bombardeamentos sobre a cidade e o lançamento de minas antipessoal sobre ruas e jardins de Donetsk. É o terror entre a população civil.

No direito internacional humanitário há uma Convenção sobre a proibição de utilização e produção de minas antipessoal… que nunca ninguém respeitou. Nem mesmo a Ucrânia, pelo que acabamos de ver.