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A Ciência e o Fact-cheking

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O filósofo alemão Jürgen Habermas discutiu há muito que o objetivo da tecnologia é o domínio, quer da natureza, quer do próprio homem. Isto porque nos últimos séculos a tecnologia tem servido sobretudo para aumentar a produtividade das sociedades – noutras palavras, fomentar o capitalismo – e tal só é conseguido quando se controla a natureza e o homem por extensão. Sendo ciência aplicada a um propósito objetivo, nomeadamente um produto passível de entrar nas lógicas de mercado globais, a tecnologia tende a ser uma visão política sobre o mundo e não “a” ciência em si mesma, uma vez que esta é substancialmente mais complexa e não tende a oferecer respostas simples aos problemas do quotidiano. A tecnologia quer o lucro, a ciência quer o conhecimento.

As redes sociais resultam de processos tecnológicos que se têm vindo a desenvolver desde o final da II Guerra Mundial e, como afirmam alguns analistas, o seu propósito final é sobretudo o lucro. Retiraram porém aos media tradicionais o controlo definitivo sobre o “meio”, ou seja, os canais pelos quais o público consume a informação. E se quem domina o meio, domina a mensagem, o Brexit, a vitória de Donald Trump e a vitória de Jair Bolsonaro mostraram que era no digital que se travava um domínio pela “verdade” que estava longe de pertencer, afinal, aos meios de comunicação ditos mainstream.

A propaganda em política, nomeadamente a promoção de ideias falsas e difamações de carácter, é algo comum e transversal a todos os lados da barricada, esquerda ou direita. Não há inocentes nesta história. Mas se até aqui ganhava quem se encobria melhor pelo politicamente correto, as redes sociais começaram a promover quem falava mais alto, quem acusava mais alto e quem repetia chavões de forma mais convincente. O tom agressivo e os assuntos que promovem a indignação são os que mais facilmente se tornam virais nas redes sociais, pelo que vence quem melhor os sabe manejar.

No Ocidente o discurso de ódio é reprovado porque remete para o nazismo e para a extrema-direita, mas muitas vezes esquecemo-nos que o Estalinismo fez algo de muito semelhante encapotado de “boas intenções” e a nobreza do propósito social do bem comum. Não é por acaso que uma das principais figuras mediáticas que fez resistência pública à vacinação coerciva Covid, Novak Djokovic, é de origem de um país do antigo Bloco de Leste.

Em resposta ao aparente aumento considerável das chamadas notícias falsas promovido pelas redes sociais, em 2019, Jessica Cecil, jornalista da BBC, iniciou e liderou a Trusted News Initiative (TNI), a única aliança mundial de grandes empresas internacionais de tecnologia e organizações de notícias para combater a desinformação em tempo real. O Reuters Institute for the Study of Journalism foi membro fundador do TNI, ao lado de organizações de notícias como a BBC, Reuters, AFP, FT, The Hindu, European Broadcasting Union e plataformas como Microsoft, Facebook/Meta, Google, Twitter ou o The Whashington Post.

Inicialmente, o propósito desta organização era combater notícias falsas em tempos eleitorais. Mas em 2020 o sentido da estrutura mudou, passando a debruçar-se também sobre as notícias falsas sobre a vacinação covid. Por esta altura surgiam as plataformas de Fact checking e a OMS reconhecia ter uma rede mundial de influenceres para combater a desinformação.

Qual o problema desta situação no contexto da pandemia Covid-19?

Dividir a realidade entre verdadeiro e falso é relativamente fácil quando estamos a falar de fotografias, vídeos, páginas online de media que não existem ou tweets. Se alguém mexeu em algo que foi desenhado de uma determinada maneira, a realidade torna-se binária. Mas isto é técnica, não é ciência, ou seja, estamos a lidar com um objeto criado pelo homem, não com uma análise humana à complexidade da natureza. Quando se salta para temas mais complexos e a dimensão de “verdade” se alarga, surgem imensas zonas cinzentas. Uma notícia a discutir a segurança de uma vacina de mRNA jamais pode ter o mesmo processo de verificação de factos que uma fotografia em que um engraçadinho resolveu mexer, a fim de que induzisse no leitor determinadas ideias que não correspondem à realidade.

Depois há outro problema: quem financia estas plataformas de verificação? Por muito que se argumente com a ética e a independência, um patrocínio não representa apenas subsistência, é também uma visão do mundo.

Os métodos de verificação de factos baseiam-se, numa análise geral, nas fontes. Quando os temas atingem determinado grau de complexidade, chamam-se os “especialistas” e, em caso de dúvida, remete-se para a instituição que se considera à partida idónea. Dizem os códigos de ética que estes especialistas e instituições não devem ter conflitos de interesses com o tema abordado, caso contrário tal tem que ser noticiado. Mas, como demonstram as investigações do jornal online Página UM, o que não faltou nos últimos três anos foram especialistas que afinal tinham vários níveis de relação com empresas farmacêuticas.

Outro  fator de confusão é a própria razão que motivou a criação dos novos Fact-chekers. Da mesma maneira que muitos críticos da narrativa covid acreditam que tudo não passou de um plano bem delineado por uma elite mundial para diminuir a população, também os jornalistas parecem estar convictos que há uma estrutura muito bem montada a nível mundial de militantes de extrema-direita que trabalha afincadamente a produzir desinformação e notícias falsas para dominar o mundo. Ora, há estudos que apontam que uma parte da desinformação a circular online são pessoas a querer ganhar dinheiro com os likes.

Depois, o que é um especialista?

Olhando para os EUA a burocracia impera: o diretor do NIAID, Dr. Fauci, o cirurgião geral Vivek Murthy, o coordenador de resposta à Covid-19 da Casa Branca, Ashish Ja, o secretário de saúde e serviços humanos Xavier Becerra e a diretora do CDC, Rochelle Walensky, nunca trataram um paciente Covid e, de fato, não trataram pacientes reais durante décadas. Muitos deles estiveram envolvidos na academia, não na prática da medicina. A ex-coordenadora de resposta da Casa Branca Deborah Birx, que voou pelo país persuadindo os governadores a fechar as escolas e empresas e impor máscaras, não tem experiência em saúde pública e passou a maior parte de sua carreira coordenando programas internacionais de tratamento e prevenção de HIV.

Não é difícil chegar a um consenso científico quando se reprimem vozes discordantes e a comunicação social realmente acredita que pode avaliar a veracidade de um tema com elevado grau de desconhecimento e complexidade científica da mesma forma que avalia uma fotografia insinuando que a Michelle Obama é um homem.

A origem do COVID é um exemplo clássico. Vinte e sete cientistas  publicaram  uma carta na Lancet condenando as “teorias da conspiração” que sugeriam que o vírus não tinha origem natural. As opiniões divergentes foram  censuradas  nas redes sociais e rotuladas como “desinformação”. Somente agora, quando o Departamento de Energia dos EUA e o FBI  afirmaram que é a hipótese mais provável, é que está aberta a discussão.

A Declaração de Great Barrington é outro exemplo. Três eminentes professores das universidades de Harvard, Stanford e Oxford argumentaram contra os confinamentos que, segundo eles, prejudicariam desproporcionalmente os menos privilegiados. Mas o ex-diretor do NIH, Francis Collins, descartou-os como “fringe minority” pedindo a Anthony Fauci “uma rápida e devastadora” eliminação da declaração.

Um dos epidemiologista, Dr Martin Kulldorf, chegou mesmo a ser bloqueado no Twitter por ter afirmado que a imunidade natural existia. Já o Dr Peter McCullough, cardiologista com os únicos dois artigos revistos e publicados com um protocolo de tratamento para a Covid, viu vídeos seus a explicar o seu protocolo a serem eliminados do Youtube.

O recente lançamento dos ‘Arquivos do Twitter’ revela como agências governamentais, Big Tech, media e academia agiram de forma concertada para policiar o conteúdo online e censurar vozes dissidentes, por forma a criar uma falsa perceção de consenso. Um exemplo flagrante foi o Virality Project da Universidade de Stanford, que reuniu a elite académica, especialistas em inteligência artificial e empresas das redes sociais para censurar histórias “verdadeiras” de lesões causadas por vacinas sob o pretexto de combater a desinformação.

Podemo-nos perguntar como uma rede social decide bloquear alguém que é especialista da área? A única conclusão a que chego é que era simplesmente o mais fácil no caos que foi a resposta pandémica. Nos emails do Dr Fauci encontramos correspondência com a própria equipa do Facebook, onde se admite o bloqueio de informação verdadeira sobre vacinas porque podia provocar hesitação vacinal.

Outra pergunta que fica: como as empresas proprietárias de redes sociais se sujeitam a isto?

Por um lado, o Facebook teria ficado com uma imagem fortemente prejudicada com o escândalo da Cambridge Analytica e quereria desvincular-se de canal promotor de extremismos. Por outro, temos a regulação de empresas que são privadas e cujo objetivo é ganhar dinheiro.

Não há regulação das redes sociais, a venda de metadados está completamente liberalizada. Ninguém sabe exatamente o que vendem nem para quê. Talvez por isso Mark Zurkeberg tenha sido tão célere a oferecer os seus préstimos ao Dr Fauci acreditando que as redes sociais seriam um bom método para controlar pandemias. Enquanto não houver regulamentação da venda de dados o céu é o limite.

Outra fonte tida como idónea por parte dos fact checker é a instituição de referência que neste caso é a OMS. Mas este assunto merece um artigo só para ele.

Infelizmente, ter Donald Trump a desvalorizar a pandemia e Jair Bolsonaro a chamá-la de “gripezinha” só contribuiu para a paranóia com a desinformação da extrema-direita o que, temo, está a ajudar mais a alavancar o neo-nazismo que propriamente a combatê-lo.

O direito à voz

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A voz, em sentido literal, foi o meu instrumento de trabalho durante décadas. Professora de História, iniciei esta profissão um ano depois da Revolução de Abril, o acontecimento que tornou possível que todos os portugueses e todas as portuguesas passassem a ter voz. 

Ser professora, há meio século, ainda era quase exclusivamente usar a voz. Para além de um direito, neste lugar de enunciação, a voz era (e é) um poder. Os manuais escolares eram parcos em imagens, aulas com projeção de diapositivos um acontecimento raro, muito esperado e aplaudido pelos alunos, mas que dava imenso trabalho a preparar. Havendo apenas um ou dois projetores em cada escola, era preciso ter os diapositivos e pensar essa aula com antecedência, para requisitar o aparelho. O retroprojetor de acetatos era o meio pedagógico recorrente, para esquemas, tópicos e mapas, mas cuja utilização estava também sempre dependente de prévia requisição O quadro negro e o giz branco (giz de diversas cores… um luxo!) eram o recurso pedagógico diário, do início ao fim da aula.

Mas nenhum destes meios substituía a voz. O ensino precisava da voz, a voz do professor certificava o seu discurso como verdade, era poder.

O meu crescimento profissional passou pela consciência de que ter voz era também escrever e ser lida. Para isso, muito contribuiu a minha colaboração com a imprensa local, a partir de meados dos anos oitenta, que se tornou regular nas décadas seguintes.

No virar para o século XXI, tinha já adquirido a plena compreensão de que ter voz, sendo um direito humano, não o era em todo o mundo e mesmo nos países democráticos, muitas vozes se auto silenciavam. Vozes de mulheres, caladas pelo medo, pela vergonha, ou simplesmente porque assim tinham sido educadas. Vozes de mulheres e de homens com trabalhos esgotantes e salários miseráveis, que aprenderam e continuam a aprender a força do número, nas manifestações, nas marchas, nos protestos, nas lutas ainda e sempre necessárias para tornar os direitos realidades vividas e não simplesmente textos escritos nos documentos fundacionais.

Enquanto nos bancos da academia me formava como feminista, acreditei que “aquelas que permanecem em silêncio falam eloquentemente”. Passaram décadas e hoje, embora ainda as compreenda, acho menos credível a eloquência do silêncio, tendo em conta as inúmeras formas de tornar audíveis essas vozes que outrora não tinham meios de se fazer ouvir e por isso emudeciam.  Excluo evidentemente os países com regimes políticos totalitários, autocráticos, onde um simples murmúrio pode significar pôr a vida em risco. Onde o silêncio é necessário, legítimo, prudente, e a voz pode ser um ato de heroísmo suicida.

Trabalhar uma década com alunos adultos, cujo principal objetivo era dar voz às suas memórias, aprendizagens, competência, saberes, escrevendo a sua história, foi também decisivo para mim e para centenas de homens e mulheres, que venceram o medo e passaram a estar seguros/seguras de que tinham uma história, tinham uma língua, tinham voz e sabiam usá-la.

Um contratempo, sobejamente divulgado entre todos os que conheceram a minha voz, fez com que literalmente a tivesse perdido. Lentamente, ela voltou, mas quase quatro anos depois, ainda ameaça todos os dias deixar-me muda.

Moldada nas lutas da minha geração, não podendo calar-me, tenho treinado o meu dedo médio direito para ser a minha voz. Um livro de memórias evocadas a partir de obras de literatura, “Volta à vida em vinte livros”, foi a minha voz, através do mesmo dedo corajoso com que escrevo as crónicas desta coluna.

Acordo todas as manhãs ansiosa: terei perna e braço, para apoiar-me, pôr-me de pé e dar uns passos? Terei mão para pegar na colher…? Terei voz? Repito, vezes sem conta, exercícios recomendados pela minha Terapeuta da Fala, Nádia Marques (que virá a ser citada como Marques), também ela neste momento à beira dum ataque de ansiedade, com medo que a voz lhe falte numa situação em que precisará dela, clara e segura para uma comunicação na Universidade de Aveiro.

Depois, soletrando palavras, invento conversas breves com interlocutores imaginários, até ao momento da verdade: ” Bom dia, companheiro, hoje estou melhor (ou pior), quero sentar-me no cadeirão”.

Cumprido o ritual de testar a voz, e já sentada no cadeirão, passo ao ritual do “meu dedo, minha voz”. Umas vezes com lágrimas, outras com sorrisos, o meu dedo médio direito, apesar de cada vez menos sensível, vai cumprindo o seu papel, letra a letra, no pequeno ecrã do telemóvel. Esse e o de virar as páginas dos livros, que continuam a ser meus fiéis companheiros.

Sem voz perceptível, aprendi a viver com o meu silêncio. Mas não no silêncio. Os canais de notícias fazem-me companhia até ao aborrecimento, enquanto espero que a agenda mediática mude. Todas as notícias são comentadas permanente e pertinentemente pelo meu companheiro: “Mas que raio de notícia é esta? Qual é o valor informativo desta notícia? E a jornalista não tem perguntas importantes para fazer? É isto que aprendem na universidade? Não sabem ou não podem fazer as perguntas que importa?” Falta-me a voz para argumentar com ele, ou melhor, quase sempre para concordar com ele!

Ele que ama o silêncio, de que precisa para ouvir cada nota tocada nas teclas do piano, faz zapping até ao canal Mezzo, deixa-me com o som duma orquestra ou dum músico a solo e retira-se para a sala do piano. Para, durante horas, treinar, pela enésima vez, uma peça musical que há-de tocar em público daqui a uns meses, acompanhando uma aluna brilhante, rara sobrevivente desta escola em que vale tudo o mesmo, em que o que importa é que os alunos se divirtam.

Posso dispensar as pernas e contar com a cadeira de rodas ou o apoio do meu companheiro, restringir o uso dos braços ao mínimo da funcionalidade possível. Mas não posso perder a voz. Preciso de conservar este direito. Ser a voz da minha memória, da alegria de estar viva, da partilha sobre o que ainda consigo pensar sobre o mundo. Ser a voz capaz de enunciar um discurso crítico sobre a realidade construída pelos media.

O Lagarto-de-água destemido

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Numa das nossas saídas familiares pela Natureza, encontramos um lindo exemplar de Lagarto-de-água. Um macho, com umas cores magníficas e vívidas para cativar as fêmeas durante a época de reprodução.

Estivemos mais de meia hora a observá-lo, fotografá-lo, e até o filmamos a receber miminhos ou massagens, não sabemos como ele interpretou o gesto dado pelo meu filho…J
Também tivemos a aproximação (como podem ver no vídeo) de uma curiosa Lagartixa-de-Bocage, talvez esperançada num carinho…

vídeo

Cada vez mais tenho a certeza que os animais pressentem qual a nossa intenção para com eles, se lhes vamos fazer mal ou não.

O Lagarto-de-água, é um lagarto de tamanho médio e de aspeto robusto, que pode atingir 13 cm de comprimento cabeça-corpo. Possui uma longa cauda que pode medir até duas vezes o tamanho do corpo.

Vive em zonas relativamente húmidas, encontrando-se associado a habitats próximos de cursos de água com coberto vegetal denso. Habita preferencialmente os vales agrícolas, típicos das áreas montanhosas do norte do país, em locais onde o estrato arbóreo das margens é dominado por espécies como o amieiro, o vidoeiro, o castanheiro e o carvalho-alvarinho.

Gosta de estar ao sol, em troncos ou rochas, perto da água, para a qual pode mergulhar se ameaçado, também pode trepar às árvores, assim como libertar a cauda.

A época de reprodução decorre durante a Primavera e o Verão, mas os acasalamentos ocorrem entre Abril e Junho. O Lagarto-de-água é uma espécie ovípara e as fêmeas põem entre 11 e 21 ovos, dependendo do seu tamanho corporal. A maturidade sexual é atingida por volta dos 3 ou 4 anos de idade e os machos e as fêmeas formam laços fortes, de forma a que estes protegem as suas parceiras por longos períodos.

Tem um papel muito importante no controlo de pragas, a sua alimentação baseia-se em pequenos invertebrados, preferencialmente moscas, mosquitos, gafanhotos, lagartas e escaravelhos. Por vezes, também inclui na sua dieta frutos silvestres e outros pequenos lagartos.

O Lagarto-de-água está classificado como “Quase Ameaçado” a nível mundial pelo IUCN, uma vez que as populações parecem estar em declínio significativo.

As principais causas para este declínio estão especialmente relacionadas com a perda e alteração do habitat, destacando-se as obras de regularização das margens das linhas de água, a construção de barragens, o despejo de lixos e entulhos, a extração de inertes, a construção de estradas e a alteração da vegetação nas margens das linhas de água.

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Quem quiser (e puder) contribuir para a continuidade do Projeto Biodiversidade na nossa Terra de Fernando Ferreira, pode enviar donativo para:
– IBAN: PT50 0033 0000 4538 8641 1930 5
– MBWAY 966 257 848
Este projeto visa não só registar a Biodiversidade, bem como ser uma ferramenta didática na Educação e Sensibilização Ambiental, de forma a impulsionar mudanças positivas junto do maior número de pessoas possível, principalmente nas nossas escolas.

Defender a Língua Portuguesa

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Já por diversas vezes, neste mesmo espaço, me indignei com os atropelos feitos à Língua Portuguesa. São os jovens que escrevem e dizem, por exemplo, ‘tive’, em lugar de estive, como se o significado e o verbo fossem o mesmo, os locutores da Rádio e da Televisão que estão com permanentes ‘neologismos’, um Acordo Ortográfico saído de um decreto em que, seguramente, quem o criou nada sabe de gramática. E, somente em relação a este último ponto, experimentem, cumprindo a regra gramatical das palavras graves, dizer baptismo sem o p. Claro! Fica bâtismo (com o a fechado e acentuando tis), ou os benditos espetadores que, afinal não espetam, mas são os espectadores.

Subscrevi, recentemente, um apelo (neste LINK) feito ao Presidente da República, no sentido de intervir em defesa da Língua Portuguesa ‘tal como esta nos surge definida no n.º 3, do artigo 11.º da Constituição da República Portuguesa’.

Acentuando que se trata de um dever constitucional, os subscritores lembram que se trata de ‘um imperativo de cidadania’ e da ‘defesa do nosso Património Linguístico – a Língua Portuguesa – da nossa Cultura e da nossa História, os quais estão a ser vilmente desprezados’.

A Marcelo Rebelo de Sousa é recordado que é o ‘primeiro e máximo representante do Estado. Estado a quem cabe, nos termos da alínea f) do artigo 9.º também da Constituição da República Portuguesa “assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da Língua Portuguesa”’.

‘Apelamos a Vossa Excelência que contrarie a imposição aos Portugueses da Variante Brasileira do Português, composta por um léxico que traduz acentuadas diferenças fonológicas, morfológicas, sintácticas, semânticas e ortográficas, e essencialmente baseado no Formulário Ortográfico Brasileiro de 1943’, refere o apelo ao PR. E adianta que se deve proporcionar ‘às nossas crianças a possibilidade de escreverem na sua Língua Materna –  naquela em que escreveram Gil Vicente, Camões, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Fernando Campos, Luís Rosas, Altino do Tojal, Luísa Dacosta, Fernando Dacosta, José Saramago e tantos, tantos outros, cujas obras estão a  ser acordizadas, num manifesto insulto à Cultura Culta Literária Portuguesa – ao invés de numa grafia desestruturada, incoerente e desenraizada das restantes Línguas europeias, as quais também estão a aprender (Inglês, Castelhano, Francês)’.

Não recuso a evolução da Língua Portuguesa, por ser uma língua viva, desde que seja ‘natural’ e não ofensiva da gramática. Um camarada de profissão, contestando os meus argumentos, escrevia-me dizendo: ‘Antes da radical alteração de 1911, este meu texto estava perfeito: A sciencia da orthographia do portuguez parece uma anedocta que augmenta o expectaculo do paiz de meu pae – que não era hespanhol!’

A questão é exactamente essa: a língua viva evoluiu e havendo, por exemplo F, não se justificava que PH o substituíssem.

Tudo isto me parece bem simples. Espero que Marcelo Rebelo de Sousa também assim pense…

A rebentar pelas costuras

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A União Indiana ultrapassou este ano a China, tornando-se o país mais populoso do mundo. Tem oficialmente 1428 milhões de habitantes, contra os 1425 milhões da China.

Tendo em consideração que a China tem uma área geográfica quase três vezes maior que a da India, 9 597 000km2 contra os 3 287 263km2, eu diria que este último país estará a rebentar pelas costuras.

Conheço uma pequena parte da China, numa visita que fiz ao país do extremo oriente, no ano de 2012. Posso-vos garantir que apesar de organizados e disciplinados, os chineses são como os grãos de arroz. “Um saco cheio leva milhões”.

Em comparação com as cidades europeias, a cidades asiáticas são um autêntico formigueiro. Não fossem aqueles povos do extremo oriente, tão cumpridores de um conjunto de regras básicas, que vão desde o levantar cedo da cama, dormitar uns minutos, se necessário, sentados à mesa, num bar, comerem refeições ligeiras à hora do almoço, sem se alongarem no tempo, não pararem para grandes conversas, tudo aquilo seria um caos, dada a quantidade de transeuntes nas ruas e nos transportes públicos. Basta olharmos para o trânsito automóvel nas artérias das cidades, para ficarmos logo assustados. Apesar de tudo, com poucos acidentes, em face dos milhões de veículos a circular. 

A China é uma ditadura e, por isso, tem regras muito rigorosas sobre quase tudo. Apesar de neste momento já se persentir alguma diferenciação social, a pobreza neste país está mais disfarçada e é menos visível, do que noutras regiões asiáticas. E há uma coisa bem visível. As crianças frequentam todas, sem excepção, a escola. Estas fazem lembrar os tempos do salazarismo. Tudo de uniforme e nas aulas de educação física, todos vestidos com o mesmo fato de ginástica e as mesmas sapatilhas.

Não conheço a India. Ou melhor, o que conheço é de ler e ver documentários alusivos ao país. Mas sei que é uma sociedade estratificada onde predominam as castas. Uma sociedade com poucos elevadores sociais. Numa sociedade estratificada há de certeza uma pobreza não só mais visível, como mais persistente. Tendo o país ultrapassado em número, a população chinesa, questiono-me se o poder politico está à altura deste desafio enorme. Dar uma vida com o mínimo de dignidade a toda aquela gente, mesmo que com padrões de referência ao nível da qualidade de vida, bem mais baixos do que os europeus.

Temo em breve uma catástrofe social naquela região. Até por via das alterações climáticas. Não que elas já não existam. Mas o problema poderia ser minorado, se houvesse um melhor planeamento demográfico. Nunca houve, infelizmente.

Enfim, quando o homem não quer, não há Deus que lhe valha!

CARTOON MALDITO

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Onofre Varela é considerado um dos grandes cartunistas portugueses e viu, agora, um dos seus desenhos censurado. Trata-se de uma crítica à política israelita de ocupação da Palestina e à repressão exercida sobre palestinianos.

Não é a primeira vez que as ações do estado israelita são equiparadas ao genocídio sofrido pelos judeus durante a II Guerra Mundial. Sempre que isso aconteceu antes, as reações de Israel foram de grande indignação e veemente protesto. Agora, aconteceu o mesmo.

O cartoon de Onofre Varela acabou por ser retirado da Bienal Internacional de Arte Gaia, onde estava exposto. A Câmara Municipal de Gaia, anfitriã do evento, manifestou agrado pela “retirada” do cartoon, alegadamente “decisão do artista”, sem referir as pressões para que tal sucedesse que foram feitas pela Comunidade Israelita de Lisboa.

Nem todos podem ser Charlie Hebdo.

cartoon de Onofre Varela

FUTEBOL NÃO É PARA MENINOS

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REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Há 70 anos que Mutsuhiko Nomura joga futebol. Foi jogador profissional, jogou pela seleção nacional e, hoje, continua a jogar.

Mutsuhiko Nomura em 1966, quando era jogador profissional de futebol

No Japão, há uma Liga para equipas com jogadores com mais de 80 anos de idade, a Liga Futebol Para a Vida.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Há cerca de 20 anos, a federação Japonesa de Futebol criou uma divisão para a faixa etária dos 40 aos 60 anos. Em 2012, seguiu-se a divisão 60-70 e, cinco anos depois, a categoria 70-75. Tem sido uma caminhada paulatina, a acompanhar a evolução da longevidade na sociedade.

Portanto, o caso de Mutsuhiko Nomura não é anormal, mas só no Japão. Quando Mutsuhiko entra em campo, ele corre o risco de ser o mais jovem em campo. Na verdade, os seus 83 anos não impressionam os adversários. Veja-se o exemplo de Shingo Shiozawa, de 93 anos, que ainda vai para o escritório todos os dias. E joga futebol, também. É guarda-redes.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Nas horas vagas, Shingo dedica-se a resolver problemas complexos de matemática… com algarismos egípcios. Estes japoneses deixam-nos com os olhos em bico.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

A longevidade dos japoneses implicou mudanças sociais, até porque o sistema de pensões tem de garantir o pagamento das reformas a um número crescente de pessoas que vivem cada vez mais tempo. Assim, o Governo incentiva o prolongamento da atividade profissional, promete pensões maiores a quem se reformar mais tarde. Hoje, cerca de 20% das pessoas com mais de 70 anos continua a trabalhar.

Jogar futebol de 11 não é para todos e conseguir correr o campo aos 80 anos é uma coisa espantosa. Mesmo se o jogo só tem 25 minutos de duração. Parece mentira, mas não é.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

MARTA E OS CRAVOS DE ABRIL

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Era natural de Madrid, mas tinha ascendentes na Galiza. Chegava a minha casa eufórica meses depois da Revolução dos Cravos.
Pedia-lhe calma. A Revolução era nossa, ainda estávamos excitados e ansiosos, não fossem as coisas mudar. E os cravos eram um detalhe que envolvia os acontecimentos com o véu diáfano da Poesia.
Fantasia não, era tudo verdade, mas podia ter corrido mal…Afinal os militares enfrentavam, com muita valentia e alguma imaturidade, um regime de 41 anos…
“As flores, as flores…como chegaram ao cano das espingardas?” E insistia, com os olhos
redondos e brilhantes como dois berlindes. “Já viste que mitigaram a tensão, semeando o
empolgamento pelos media do mundo inteiro?”.
Claro que sabia, sabíamos todos, orgulhosos daqueles capitães idealistas que a música de intervenção contagiara. Nunca tão amados foram os cantautores como inspiração, para abrir caminhos na galáxia da utopia.

Voltava a pedir-lhe calma, ciumenta-enternecida com aquele fascínio todo pela nossa Revolução, mas a Marta também era amante de Sociologia, queria fazer um trabalho com detalhes e a informação contraditória não deixava.
Havia muita poeira. A sociedade ainda estava dividida. Todos os dias havia informação de que nada estava seguro, mas ela só tinha na cabeça as imagens comoventes de um povo a vibrar, até nas aldeias mais remotas.
Por tudo quanto era lugar havia festas inauguradas com pompa, colchas a enfeitarem as varandas como nas festas das padroeiras locais. Uns davam vivas aos militares, na palavra Revolução. As vozes mais discretas de mães de filhos estropiados, algumas “órfãs” amargas de outros que nem puderam ver uma última vez, maldiziam baixinho os que tinham incentivado a guerra colonial e seus horrores. Dali em diante, diziam, não morreriam mais filhos de ninguém em conflitos inúteis.

Nessa altura ainda não sabíamos dos oportunistas, dos vira-casacas, dos novo-democratas por conveniência, que logo erguiam “monumentos” ao estudo da Revolução como aspirantes à fama. E os verdadeiros, aqueles que tinham amargado com a pobreza, perseguição e indiferença, continuavam a padecer da última, sem outros pergaminhos que não fossem a dignidade e o respeito por um Movimento que os libertara do medo.
Isto cá dentro, porque lá fora nunca os conflitos deixaram de arrasar, dividir, ou de matar por vícios de mesquinhez semelhante.
Ainda se inventavam histórias mal e bem intencionadas. A exaltação dos portugueses passava fronteiras e chegava a outras Martas, como sendo uma Revolução com nome prévio incomum. Já escolhido? Que criatividade!
“Não…nada disso”. Estávamos já diante de um café suave na minha própria cozinha, com a tarde a declinar. Ela ia ficar lá em casa e só a minha mão direita trabalhava a intervalos, para lhe refrear o galope de perguntas. Também lhe contava muita inverdade, nessa altura. Estava longe de Lisboa, como se estivesse num país estrangeiro. E o que mais me atormentava, eram os boatos das mais diversas origens.
“Mas os cravos, Helena”.
Ah, sim. Digo-te em duas linhas como foi.
Uma senhora, com família na Galiza como tu, acabou por tornar-se a heroína maior trocando um cigarro por um cravo. Não…agora escutas até ao fim e depois vais ouvir outras pessoas, se quiseres.

Chama-se Celeste Caeiro, nasceu no ano em que começou o Estado Novo. Depois explico melhor. Mora por ali perto. Ali quero dizer, o local dos acontecimentos decisivos. Arranjou emprego de bengaleira num self-service moderno, que festejava o primeiro aniversário naquele dia.
Bem sucedido, sim. O gerente até mandara comprar, na véspera, flores não muitos caras e vistosas, por acaso no mercado da Ribeira, para oferecer uma a cada cliente que aparecesse…Agora é impossível viajar e levar-te a conhecer o mercado, Marta, a zona das flores. E não te posso dizer, porque não sei ao certo, se passaram a vender mais cravos a partir daquela altura, mas ia jurar que sim.
Com as notícias alarmantes que corriam pela cidade, os estabelecimentos não abriram. O gerente estava à porta para informar os empregados de que não havia trabalho. Mas as flores num balde com água na cave, ou eram aproveitadas por alguém, ou acabariam mortas. A Celeste e a colega, acabadas de chegar, que as levassem para casa. Cada uma trouxe um braçado de cravos rubros e brancos e foi direita ao destino: uma com medo de ser atacada, outra, já imaginas qual delas, empolgada com as notícias.

Mal subia a rua onde mora, a Celeste viu a vagarosa procissão de tanques por ali acima e abeirou-se de um soldado, a perguntar que aparato era aquele. Que iam para o largo do Carmo, dizia ele, prender o Primeiro Ministro. Se não tinha um cigarrinho que lhe desse, porque os dele tinham acabado.
Estava cansado, com fome. Conta ela que se se houvesse um restaurante aberto, ia comprar-lhe alguma coisa de comida, mas à mingua de cigarros, oferecia-lhe uma flor… um cravo rubro. E ele aceitou, espetando a haste no cano da arma pousada ao alto, a seu lado.
Ela gostou tanto do gesto e do efeito, que seguiu pela rua acima abordando os soldados dos outros tanques, distribuindo cravos, apontando o efeito que o primeiro fazia no cano de uma espingarda. E todos imitaram o colega, num desfile inédito de vasos de guerra direitos ao centro do poder, para deporem o representante visível de um regime.

Marta estava calada, eu também, ambas emocionadas com uma história hoje farta de ser contada, mas naquela altura, não a ela. Só uns segundos depois a minha Amiga falava da
energia que os cravos vermelhos, e o entusiasmo da multidão, teriam emprestado aos soldados cansados e com fome.
E comentada a aventura dos capitães, aquela fractura de tempo entre a vontade de agir e o medo de morrer, ou o momento em que um herói se revela, apaziguava a ansiedade, apontando o planeamento para o dia seguinte. Era previsível. Queria viajar para Lisboa, conhecer o mercado da Ribeira, o Chiado, o Largo do Carmo.
Depois disso e de eu mudar para Lisboa, voltava muitas vezes, como há um mês. Subíamos de novo as mesmas ruas, apontávamos janelas. E repetíamos, quase cinco décadas depois, esse circuito de recordações emotivas.
A sociedade pode estar dividida, os ânimos exaltados, os saudosistas do passado a fazerem os impossíveis para repor as diferenças profundas entre ricos e pobres, mas a sociedade portuguesa é hoje uma realidade diferente, consciente dos direitos. Venceu a barreira de misérias várias, algumas de revelação tardia…
Um ponto de não retorno, a precisar do reforço de outros pontos.

LUSA NÃO VAI VER O PAPA

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Os trabalhadores da agência de notícias LUSA prometem voltar à greve se as suas reivindicações salariais não forem atendidas. Assim, a LUSA voltará a parar 4 dias entre 9 e 12 de junho e mais 4 dias de 3 a 6 de agosto, coincidindo com a Jornada Mundial da Juventude e com a presença do Papa Francisco em Lisboa.

Este foi o resultado do plenário de trabalhadores da LUSA, que insistem nos 100 euros de aumento, depois de 12 anos sem qualquer atualização salarial. A administração não vai além de uma proposta de 74 euros.

As marcações de duas novas greves significam o endurecimento do conflito entre trabalhadores e a administração da LUSA. O ministro que tutela a LUSA, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, reafirmou há dias a proposta de aumento de 74 euros, nem mais um cêntimo.

NEGÓCIO DAS MÁSCARAS ACABA HOJE

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A partir de hoje já não podem obrigar as pessoas a usar as chamadas máscaras sociais ou comunitárias, seja lá onde for. Por decreto, o uso de máscaras de proteção deixa de ser obrigatório em estabelecimentos e serviços de saúde e em estruturas residenciais ou de acolhimento a idosos e populações vulneráveis, segundo uma portaria publicada em Diário da República.

“Considera-se oportuno cessar a obrigatoriedade do uso de máscaras e viseiras em estabelecimentos e serviços de saúde e em estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência, bem como em unidades de cuidados continuados integrados da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”, refere o diploma.

O Governo justifica esta decisão, entre outros argumentos, com “a evolução da situação epidemiológica da doença covid-19, o conhecimento científico, a efetividade e a elevada cobertura vacinal atingida em Portugal”.

NÃO HAVIA REGRAS CLARAS

Já há uns meses que o covid-19 passou a ser encarado como mais uma espécie de gripe, de variável perigosidade consoante a estirpe do vírus, a época do ano, o sistema imunológico do paciente. As recentes campanhas de reforço vacinal foram um relativo fracasso, em termos de adesão da população.

Os utentes dos serviços de saúde, por exemplo, estranhavam que para entrar nos centros de saúde tivessem de usar máscara por imposição do “securitas” que está de plantão nas receções, mas que dentro dos gabinetes médicos isso já não acontecesse, com a maioria dos médicos e enfermeiros a não usar máscara e a permitir que os utentes a retirassem também. Nas farmácias, os utentes já não eram obrigados a usar máscara, embora os funcionários desses estabelecimentos continuassem a usá-las. Uma confusão de comportamentos.

Porém, o Ministério da Saúde mantém a recomendação de uso de máscaras, principalmente em ambientes fechados ou aglomerações, por pessoas vulneráveis, como as que têm doenças crónicas ou se encontram em situação de imunidade reduzida, com risco acrescido para a covid-19. Ou seja, em casos excecionais.