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CENAS TRISTES

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O nojo absoluto, a palhaçada abjeta dos fascistas. Vergonha é haver quem vote nos ideais retrógrados, extremistas, desta extrema-direita caceteira que só existe porque a democracia lhes permite engordar.

Mais valia que Marcelo Rebelo de Sousa tivesse honrado o convite inicial que fez a Lula da Silva, de participar e discursar na sessão solene do 25 de abril. Lula, antifascista, combatente político contra a ditadura dos coronéis brasileiros, merecia mais estar nas comemorações do 25 de abril do que o bando de fascistas que o pateou e insultou.

A POLÍTICA É INIMIGA DO VAZIO

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O PS, ao contrário do PSD, sempre teve um problema de assunção de políticas públicas objectivas. A TAP é um dos exemplos. Mas há mais.

O PSD é a favor da transferência das mais valias do SNS para o sector privado da saúde, assente nas parcerias público privadas, seja pela concessão de hospitais públicos à gestão de grandes grupos; para mim um pré ensaio para uma privatização futura e definitiva, seja pela via dos protocolos com as cirurgias e exames auxiliares de diagnóstico, nos hospitais privados, de raiz.

Podemos concordar ou não. Eu, por exemplo, não concordo, a não ser em situações excepcionais. Mas há uma percepção mais ou menos clara do que pretendem, da sua agenda política, independente daquele discurso falacioso da eficácia.

Já o PS, fico com a sensação que quer “Sol na eira, e chuva no nabal”. Nunca foi capaz de assumir que tendencialmente acabava com as PPP’s. Mesmo que a longo prazo. Isto serve para a educação, rodovias, etc. É esta ambiguidade que vai do discurso à prática, que os tornam reféns dos casos e casinhos, do “dito por não dito”, e pior ainda, da incoerência e da mentira.

A sorte do PS é que apesar de tudo, está no lugar onde o PSD deveria estar. Ao centro. A geo política à escala mundial deslocou-se para a direita. O PSD ultra liberalizou-se.

Na Ucrânia, combatem dois governos de extrema direita, ainda que um deles seja o invasor e o outro o invadido. Mas ali não há democracia nem estado social. Há fanatismo puro e duro.

É esse vazio ao centro, que tem dado ao PS estas maiorias absolutas, contra a corrente. Só que a sorte não dura sempre. E sem um trabalho sério em prol da comunidade, garantindo o respeito integral dos princípios constitucionais, onde por exemplo a educação e a saúde, tendencialmente gratuita tem de ser alavancada, os socialistas vão acabar por ser corridos da governação.

Depois sabemos o que vem. Mas a política é inimiga do vazio.

FESTA ESTRAGADA, PARECE-NOS…

Os 50 anos do PS podiam ter sido uma festa bonita, pá. O PS tinha tudo para dar um bailarico a preceito: um Governo à vontade, maioria absoluta no parlamento, “munições” com fartura para as “bazucadas” financeiras.  Mas a orquestra está a tocar desafinada.

Os professores em luta, a inflação, as idiossincrasias do Presidente da República e a TAP foram, talvez, os principais “empata festa” do aniversário do PS. Curiosamente, em rigor, nenhum destes problemas teve origem na governação socialista. O problema dos professores foi criado por Passos Coelho, a inflação é fruto do oportunismo dos agentes económicos para quem uma guerra é sempre uma oportunidade, os pais de Marcelo já cá não estão para serem responsabilizados e a TAP foi privatizada sem necessidade nenhuma por Passos Coelho, que a entregou a uns tipos manhosos.

É claro que, depois, há os esquemas do costume a complicar tudo. E o que se está a passar na TAP é uma vergonha. A quantidade de disparates que têm sido ditos por membros do Governo, indicia que andam todos aflitos a tentar garantir o futuro.

cartoon de Hélder Dias

PRAÇA ABRIL

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Ouvi muitos cantores de intervenção que por aqui passaram e aprendi nesta praça a amar as cantigas de Abril, assisti à progressiva substituição por novas gerações, dos cantores e do público. Ouvi discursos dos políticos, ditos à varanda da câmara municipal, vozes emocionadas, evocações revolucionárias e prenhes de esperança, que se foram transmutando em discursos formais, chatos, que já ninguém ouvia.

Com colegas habituais na praça, na noite de 24 para 25 de Abril, andei com um cravo vermelho na mão, juntas ensinamos os nossos amigos holandeses, os Hans e os Jans a cantar “Grândola, vila morena, terra da fraternidade”, fazendo-os acreditar que aqui “O povo é quem mais ordena”!

Num ano em que estivemos ausentes da praça por estarmos num intercâmbio de alunos da escola Calazans Duarte com alunos da escola Piet Mondrian, fomos recebidos na câmara da cidade holandesa de Oss, onde reproduzimos o modelo, discurso e cantigas, festejando Abril, porque Abril é e continuará a ser uma festa. Enquanto houver memórias vivas.

A tradição revolucionária da cidade vidreira, que remonta ao 18 de Janeiro de 1934, e as sucessivas vitórias do PCP /CDU na maioria dos actos eleitorais até finais do século XX, tornou-a um ícone do comunismo. Jornalistas, não só dos media locais e regionais, mas até nacionais, acorriam à capital do vidro, na hora de contar os votos, num misto de euforia e expectativa, para noticiarem se resistia ou caía, este baluarte do comunismo.

Um dia caiu. E houve quem sentisse essa perda do Partido Comunista como a queda do Muro de Berlim.

A Capital do Vidro foi perdendo os seus vidreiros, os fornos arrefecendo, as fábricas fechando, os sítios icónicos que rodeiam a Praça Stephens, transformando-se em lugares de preservar a memória – museu, biblioteca, escola, casa da cultura.

As bicicletas foram substituídas por carros, dos mais modestos aos topo de gama, a cidade cresceu, demasiados anos sem plano diretor municipal, originando caos e mau gosto urbanístico, onde coexistem ainda ruínas de velhas fábricas de vidro doméstico com as gigantes da garrafaria, bairros sociais com vivendas em banda. Zonas industriais nasceram nas periferias, os moldes para plásticos substituíram os vidros, os corpos suados do calor dos fornos, dos vidreiros soprando a cana, são agora corpos bem vestidos, refrescado pelo ar condicionado, que vão sendo, cada vez mais, substituídos por máquinas, que trabalham dia e noite, sem parar, não fazem greves e nada reivindicam. De capital do vidro, a Marinha Grande passou a capital do molde, a indústria disputando mercados europeus, americanos e tentando até penetrar na China. “Na Marinha Grande, quem não sopra já soprou” deixou de fazer sentido. “A soprar se vai ao longe”, a revista encenada por Norberto Barroca, nos anos 90 do século passado, persiste apenas na memória de poucos, alguns deles artistas amadores, teatralizando as suas próprias  vidas ou de familiares.

Nesta madrugada de Abril não pude estar presente na praça.

Revisitei-a na minha memória, nas memórias que aqui partilho. Ainda houve fogo de artifício, cravos vermelhos nas mãos, discursos na varanda da câmara municipal, um palco montado na praça e um cantor revolucionário. Porque é preciso continuar a cantar:

A PAZ
O PÃO
HABITAÇÃO
SAÚDE
EDUCAÇÃO
SÓ HÁ LIBERDADE A SÉRIO QUANDO HOUVER
LIBERDADE DE MUDAR E DECIDIR
QUANDO PERTENCER AO POVO
O QUE O POVO PRODUZIR.

Estrelas e Galáxias

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Falei com ela à porta da Loja do Cidadão. Vinha mais tarde mas jantava comigo.  Aproveitei para fazer compras enquanto as 123 pessoas à minha frente esperavam eternamente. Larguei a Loja do Cidadão com uma má noticia, daquelas em que não conseguimos vislumbrar  solução…

Com desalento apanhei o autocarro, entrei naquele amontoado de gente, apeie-me à porta da mercearia. Um chouriço, pão alentejano. De resto, as ervilhas, os ovos, o bacon e as cenouras amontoavam-se no saco, tentando escapar ao destino de um jantar simples, gourmet para mim.

Cheguei a casa, pendurei o casaco molhado e a má noticia no hall de entrada, deixei o Chico Buarque  abraçar-me. Por agora, nada podia fazer a não ser… ervilhas.

Conhecemo-nos para aí há uns 20 anos, conhecemo-nos desde sempre. Regra geral, sou eu quem está mais frágil. Ela, organizada e arrumada das ideias, escuta-me, ajuda-me a perspectivar os problemas, dá-me alento,  a força que preciso. É sempre a falar a direito, sem bengalas. Juntas descomplicamos.

Continuei com o Chico Buarque, nunca me deixa ficar triste. Piquei cebolas e alhos. Refoguei-os em azeite, sem deixar fritar. Acrescentei o bacon às tiras, o chouriço às rodelas, temperei com o que tinha à mão de semear. Pouco tempo depois acrescentei cenouras e doces ervilhas. Acrescentei água e salvei lá para dentro um resto de coentros com morte anunciada no frigorífico.

Houve uma ocasião em que a nossa amizade quase que azedou por coisas de trabalho. Resguardei-me, afastei-me para proteger a relação. Não se descartam amigos de sempre por dá cá aquela palha. Precisamos das pessoas que testemunham a nossa vida.

No dia dos meus anos ofereceu-me uma pulseira azul e a amizade de volta. Pusemos a vida em dia na Senhora do Monte, o miradouro mais bonito de Lisboa, a minha igreja a céu aberto.

Fui mexendo tudo muito devagar, recordando a vez em que fomos ao espaço da luz com paredes forradas de imagens e janelas a mostrar o céu embrulhado no Tejo. Nessa noite as paredes virtuais ilustravam o universo, o cosmos inteiro. Mas, apesar de estarmos rodeadas de estrelas e galáxias, ninguém dançava.

“Não danças porque ninguém dança?” Sorriu e foi para o meio da pista dançar consigo própria. Ela no centro do universo. Literalmente. Não demorou muito até que o universo se movesse e a pista enchesse. Num ápice! Bastaram uns passos de dança para virar o universo de pernas para o ar. Fez-me pensar, fui dançar.

O Chico Buarque cedeu a vez à Maria Rita, filha da Elis Regina, a cantar o Pagu: “Nem toda a feiticeira é corcunda, nem toda a brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem”. É das melhores definições que conheço do que é ser mulher. Tenho uma galáxia de amigas assim, fortes, giraças, feiticeiras sem corcunda.

Mesa posta, dei um jeito à casa, recheei-a de velas. Acrescentei mais água às ervilhas e um pouco de vinho branco. Finalmente, com o trompete enfeitiçante do Miles Davis, pus ovos a escalfar. Desliguei, deixei apurar.

Chegou, linda como sempre. Desenrolou o cachecol vermelho que parecia não ter fim. Pendurei-o ao lado do problema sem solução, fechei a porta do hall.

- Então que se passa?
- Nada querida, nada que não consiga virar de pernas para o ar. Temos é de dançar.
- Mas hoje está tudo fechado... 
- Dançamos aqui mesmo, bem no centro do universo, rodeadas de ervilhas escalfadas com estrelas e galáxias... 
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MAIO, combustíveis mais caros

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O governo reduziu o desconto no imposto sobre produtos petrolíferos, o ISP. Com o preço dos combustíveis fósseis numa fase sem grandes oscilações nos mercados internacionais, o Governo parece querer voltar a cobrar o ISP na totalidade.

Na gasolina, foi decidido manter o desconto de 34 cêntimos por litro, enquanto que no gasóleo o desconto passou a ser de 32,8 cêntimos por litro. Para já, estes descontos só estão garantidos até ao final de abril. Em maio, é possível que se verifique nova redução no desconto, o que irá implicar aumento no preço dos combustíveis na hora de abastecer os veículos.

Os combustíveis têm vários impostos que penalizam o consumidor. Além do ISP, e do IVA, há ainda a taxa de carbono que, neste momento, representa 15,8 cêntimos por litro de gasóleo e 15 cêntimos por litro de gasolina que pagamos sempre que abastecemos o carro.

Os vários impostos sobre o consumo dos combustíveis são uma das principais receitas do Estado. Penalizam a economia, alimentam a burocracia fiscal, são bastante impopulares.

BOM FUTEBOL

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O futebol para lá das táticas, das quezílias clubistas, da violência das claques, dos interesses económicos, do egocêntrismo dos craques. É o que se aprende na Academia de Futebol do SC Beira-Mar.

Falamos da campanha “Passa esta bola”, que envolve os escalões etários mais baixos, mas é de pequenino que se torce o pepino. Uma campanha que pretende criar condições para modificar comportamentos agressivos de adeptos e atletas.

Um dos impulsionadores da campanha é Ângelo Ferreira. Pai de um miúdo que anda a aprender a jogar futebol, Ângelo diz que “o desporto tem que estar assente em valores humanos nobres, na solidariedade, espírito de entreajuda, na compreensão do outro, na compreensão de si próprio, na compreensão daquilo que são as capacidades e as dificuldades, as incapacidades de cada um.”

Ângelo Ferreira, diretor de equipa na Academia de Futebol do Beira-Mar

Na Academia do Beira-Mar, os miúdos são ensinados a respeitar as diferenças, porque “a competição, o jogo, tem o objetivo de se chegar ao golo e vencer. Mas isso deve ser feito com respeito por todos, com muito equilíbrio”, diz este pai mais interessado em ver o filho feliz do que stressado pela imposição de vencer o adversário.

Nestes escalões etários abaixo dos 11 anos, as equipas de futebol podem ser mistas. É o que acontece no Beira-Mar, onde tanto jogam meninas como meninos. Uma maneira interessante de promover a igualdade.

Os miúdos jogam futebol porque gostam, mas a pressão por vezes é tanta que desgasta e eles acabam por se frustrar e afastam-se das escolas de futebol. No Beira-Mar aprendem que importante não é só marcar golos. É importante passar a bola e não ser egoísta, jogar para a equipa. Contribuir para o sucesso coletivo.

A DIREITA QUE INSULTA EM FRANCÊS

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Um autarca francês de origem portuguesa, Cédric de Oliveira, foi insultado pelo presidente da Área Metropolitana de Tours, Frédéric Augis.

O insulto dirigido contra Oliveira foi “sale portugais”, que é como quem diz “português sujo”, “porco”. Um insulto de carácter racista e que em França é crime. Infelizmente, Oliveira não apresentou queixa formal, embora tenha denunciado a situação nos media, através de uma carta aberta. Também por escrito, o caso foi relatado às autoridades locais, o que quer dizer que o incidente sempre pode vir a ter consequências penais.

Cédric de Oliveira é autarca eleito na cidade de Tours, tal como o outro que gosta de insultar portugueses. Ambos são de direita, embora de diferentes partidos. Oliveira pertence à Divers Droite e o outro é membro do partido Les Républicains, partido fundado em 2015 pelo antigo presidente Sarkozy.

Segundo o relato publicado no Lusojornal, Frédéric Augis queria que Cédric de Oliveira aceitasse uma proposta política que lhe tinha feito e, perante alguma hesitação de Oliveira, começou a insultá-lo, “tu não és mais do que um autarca insignificante”, “tu não és mais do que um português sujo (sale portugais)”.

Segundo o Lusojornal, os insultos foram testemunhados por várias pessoas como, por exemplo, vários presidentes de Câmara, outros autarcas, assim como o pessoal que serviu o cocktail.

JORNALISTAS POBRETANAS

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Cem euros por mês são 3,33 euros por dia. É este o aumento que o Governo tem negado aos trabalhadores da Lusa. O ministro da Cultura, que é quem tem a tutela da agência de notícias, sabe bem que é um aumento mínimo para quem não vê o salário real aumentar há 12 anos. Ainda assim, Pedro Adão e Silva diz que “há uma questão que é transversal a todas as empresas públicas, não há nenhuma excecionalidade no caso da Lusa.”

Mas a Lusa não é uma empresa pública. Os jornalistas e demais trabalhadores da Lusa não são funcionários públicos. Sensivelmente metade do capital social da Lusa é de privados. A Lusa é uma sociedade anónima onde o Estado tem 50,15% do capital social. Equiparar a Lusa à Função Pública é uma incorreção, que se invoca quando dá jeito.

A verdade é que na redação da Lusa há dezenas de jornalistas que ganham o salário mínimo nacional. E há dezenas de jornalistas que não têm qualquer vínculo formal com a empresa, mas que cumprem horários completos de trabalho, a quem são dadas folgas e férias, como se fossem trabalhadores plenamente reconhecidos como tal.

Estamos só a falar das redações principais, Lisboa e Porto. Se incluirmos nesta conversa a situação laboral dos correspondentes, regionais ou internacionais, vamos encontrar algumas situações de grande precariedade e exploração laboral.

Mas as declarações públicas do ministro têm sido para dizer que as remunerações da agência Lusa são, “em média, bastante superiores” às dos restantes profissionais do setor. A isto, os jornalistas respondem que a realidade do setor é marcada por salários indignos e precariedade que a própria Lusa também pratica, mas comparar a Lusa com uma qualquer outra empresa de comunicação social que pratique salários ainda mais baixos e ainda maior precariedade não deveria ser argumento para um Governo que pretende ter políticas de dignificação do trabalho.

Será mais ou menos isto que diz a ‘Carta Aberta’ que o ministro não conseguiu evitar receber. A Agência de Notícias Lusa conhece a agenda diária de todos os ministros e dirigentes da oposição, deputados e quejandos. Se os jornalistas da Lusa querem apanhar um ministro ao virar da esquina, não há como evitar o encontro. Este aconteceu à porta da Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, em Benfica, onde decorreu um evento em que o ministro participou.

“Não vamos ter uma reunião em público”, disse o ministro, eventualmente desagradado com a possibilidade de haver ali um debate em público, ainda que curto, com os jornalistas da Lusa.

Os primeiros 4 dias de greve foram cumpridos, sem que tenha havido uma única notícia produzida pela Lusa entre 30 de março e 4 de abril. Se nada mudar, a LUSA voltará a parar 4 dias entre 9 e 12 de junho e mais 4 dias de 3 a 6 de agosto, coincidindo com a Jornada Mundial da Juventude e com a presença do Papa Francisco em Lisboa.

HÁ QUEM NÃO GOSTE

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“Sobre ostras. Adoro. O debate dos vinhos era seríssimo, a minha colega, economista, dirigente nas manifs, que foi deputada local, queria vinho tinto fresco – eu ibérica me confesso, não bebo tal coisa – sabe-me a refresco. Gosto do tinto a 19 graus, de inverno até o junto à lareira. Com camaradagem debatemos o tema, é óptimo falar do que gostamos.”

“Na realidade confesso que me envergonho de ver as pessoas que trabalham nos supermercados, que transportam as pessoas que trabalham nos supermercados, que ensinam os filhos de quem aí trabalha, e quem trabalha na saúde destas pessoas e delas cuida, a comer mal e cada vez pior. Enquanto os detentores dos supermercados abrem restaurantes onde se come foie gras todos os dias e champanhe a 30 mil euros a garrafa. E onde se debate com intensidade como ilegalizar greves, e atacar quem as defende.

O jornal Público, detido por um grupo empresarial que este ano teve um lucro líquido de “342 milhões de euros” fez reportagens sobre como combater o frio com uma manta e chá. Não há jornal nenhum – porque em Portugal não há jornais que pensem e defendam quem trabalha – que não ensine a quem trabalha “a poupar muito e pensar bem” enquanto enaltecem as virtudes dos CEOs que ganham na TAP e em todo o lado 30, 40 e 50 mil euros por mês.”

“Um sistema de justiça decente tem várias camadas destinadas a assegurar que os culpados são condenados de forma proporcional e os inocentes podem prosseguir as suas vidas sem nenhum tipo de restrição. Não sendo 100% perfeito, é de tal forma garantístico que duas ou três instâncias podem anular decisões anteriores.

Os tribunais populares não têm tais luxos.

Entre estes avulta atualmente o tribunal da comunicação social, em que o juiz e carrasco és tu, o júri é composto pelos teus pares, a acusação está a cargo de quem escreve nos jornais e comenta nas televisões e a sala que pateia é o Facebook e o Twitter.”