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UCRÂNIA NÃO CONSEGUE EXPORTAR CEREAIS

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A Polónia fechou a fronteira com a Ucrânia, proibindo a passagem de camiões carregados com cereais. A medida destina-se a proteger a produção agrícola polaca, incapaz de competir com os preços praticados pela Ucrânia. Neste momento, há uma fila de 25 quilómetros de camiões carregados com cereais no lado ucraniano da fronteira.

O Governo da Polónia tem sido um dos mais fervorosos aliados e fornecedores de armamento e de mercenários para a guerra contra a Rússia, mas isso não impediu que esta medida fosse tomada. Amigos, amigos, negócios à parte.

O pior para a Ucrânia é que a atitude da Polónia está a ser seguida pela Hungria e a Eslováquia. Nenhum dos vizinhos da Ucrânia quer manter as importações de cereais. A República Checa e a Bulgária ponderam tomar decisões similares. É mais um problema para a Comissão Europeia resolver. A verdade é que os cereais baratos da Ucrânia não têm impedido o aumento do preço do pão na venda ao público.

“A Ucrânia precisa de ajuda, mas os custos dessa ajuda devem ser repartidos por todos os países europeus, não apenas pelos países da linha da frente, especialmente a Polónia. Não concordamos com isso, porque prejudica os nossos agricultores”, disse o ministro da Agricultura polaco, Robert Telus, citado pela agência Reuters.

O problema agravou-se depois da Rússia ter avisado que não iria renovar o acordo que tem permitido a saída de cereais da Ucrânia para a Turquia, por via marítima.

O INQUISIDOR

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O nº 5 da Rua do Outeiro, na povoação de Vide, freguesia de Vila da Rua, concelho de Moimenta da Beira, identifica majestosa mansão de pedra.

Dá-lhe acesso não menos majestoso portão, encimado por amplo lintel que ostenta mui misteriosa inscrição em latim.

Quão misteriosa informação!

Já veremos do mistério escondido no letreiro, porque, antes, outro mistério há a desvendar.

É que o erudito Monsenhor António Bento da Guia, na pág. 203 da 3ª edição do seu livro As Vinte Freguesias de Moimenta da Beira (Viseu, Éden Gráfico, 2001), escreveu o seguinte:

«[…] encontramos Vide, hoje pequena aldeia que foi berço de nobreza e fé; aqui foi a primeira escola da Rua e residência do pároco até há poucos anos; lá encontramos vestígios do domínio romano, e também um portão nostalgicamente perdido da sua função e que serviu de entrada para a Capela da Universidade, como consta do letreiro».

À falta, aí, de outro portão com letreiro, pensamos que seja este o que Bento da Guia refere, até porque, de facto, as palavras ‘universidade’ e ‘conimbricense’ estão lá e isso poderia ter induzido monsenhor a atribuir-lhe tal honrosa função, porventura fazendo-se eco dalguma tradição oral que pela terra constasse.

Não lográmos saber, porém – pelas imagens compulsadas e pelas consultas feitas a quem da evolução arquitectónica do Paço das Escolas se ocupou – que portão desse jeito tivesse, um dia, estado ali, no coração da Universidade de Coimbra. Por outro lado, o letreiro nada conta a tal respeito.

O que diz o letreiro

Em latim, pleno de siglas, nexos e abreviaturas, a inscrição reza assim:

GLORIA MVNDI  EST VANITAS VANITATV[M …] 
AN(no) MDCIIC RENOVATVM A CARVLO BOT(elho) OZ(orio) IVR(is) CAN(onici) TECTV
PROFESSORE HIC DEM VIXERE PARENTES ALIOS EORVM ETIAM 
DECORATVS AB VNIVERSITATE CONIMBRIC(ensi)

Abre o texto com a muito conhecida frase do Eclesiastes, segundo a qual a glória do mundo é a vaidade das vaidades. Ou seja: a intenção da sua inclusão é a de mostrar desapego dos bens materiais, das honrarias, por não passarem de coisas supérfluas. Um começo que, atendendo ao que vem a seguir, constitui – ou pretende constituir – um sinal de desprendimento em relação aos bens materiais, de que a mansão poderia ser considerada testemunho.

Explicita-se, depois, o que aconteceu:

«Restaurado, no ano de 1698, por Carlos Botelho Osório, professor formado em Direito Canónico, para aqui também viverem outros parentes deles. Também condecorado pela Universidade de Coimbra».

Dir-se-á, desde logo, que esta é uma tradução mais ao sentido do que literal, uma vez que esta, a tradução literal, tendo em conta os anómalos casos latinos, se afigura deveras estranha.

Parece, no entanto, claro o seguinte:

– Carlos Botelho Osório formou-se em Direito Canónico e poderá ter sido louvado ou homenageado pela Universidade de Coimbra;

– no ano de 1698, por sua iniciativa se terá restaurado esta mansão, a fim de que nelas vivessem os seus parentes e respectiva descendência.

A fraseologia latina não obedece, porém, aos cânones estabelecidos e à concordância normal, donde pode deduzir-se que não terá sido Carlos Botelho Osório quem mandou gravar o letreiro, mas sim, mui provavelmente, os seus familiares, inclusive para garantirem a posse do imóvel.

Será interessante, para esse efeito, proceder-se a uma pesquisa nas matrizes prediais, susceptíveis de nos proporcionarem, a esse propósito, alguns esclarecimentos.

E acrescente-se que se nos afigura serem posteriores os signos (indecifrados) que estão no final da linha 1; e que, no fim da inscrição, o indefinível signo ali patente pode ser apenas a indicação de que o texto acabou.

Diga-se, ainda, que, tendo falado com os atuais proprietários, Manuel e Marina Podence (ausentes no estrangeiro), a quem agradecemos a permissão do estudo, assim como com os anteriores, que também haviam comprado a casa, todos nos referiram não terem conhecimento de alguém com esse nome de Carlos Botelho Osório. Quem foi, então, o senhor?

Nós, porém, tivemos oportunidade de saber algo mais acerca do personagem em questão, por haver sobre ele, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, uma diligência de habilitação: o manuscrito, com o código de referência PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1093 (lançado a f. 30 v.), datado de Lisboa, a 14 de Março de 1704, que o doutor Saul Gomes teve a gentileza (que muito agradecemos) de no-lo ler.

Aí, Carlos Botelho Osório identifica-se como solteiro, «beneficiado», natural de Vide, concelho de Caria, freguesia da Rua, bispado de Lamego, «filho legítimo de Manuel Botelho de Afonseca e de sua mulher, Domingas d’Aguiar, naturais do dito lugar de Vide; neto, pela parte paterna, de Álvaro Pires, do dito lugar, e de Violante de Barros, da dita Vila da Rua; neto, pela parte materna, de Francisco Antunes e de sua mulher, Gracia de Paiva, esta do dito lugar de Vide e aquele do lugar da Faya, freguesia de S. Martinho do mesmo bispado».

E que consta nesse requerimento?

Declara o ‘suplicante’ que «está habilitado para os lugares da justiça pelo Desembargo do Paço e se acha com os requisitos de servir ao Santo Ofício no cargo de familiar, e na vila donde o suplicante é, não há familiar algum, a qual tem de termo vinte e dois lugares, e só em todo ele há um familiar».

Atendendo a essas mui favoráveis circunstâncias, considera que está em condições de pedir «a V. Ilustríssima seja servido admitir o suplicante ao dito cargo precedendo as informações necessárias».

Mais se solicita: que «os inquisidores de Coimbra informem com o seu parecer».

Em suma:

Tendo-se matriculado a 1 de Outubro de 1687, na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra – como consta dos registos dessa Universidade – Carlos Botelho Osório aí se terá formado e, mui provavelmente, em Coimbra terá exercido funções, uma vez que, no citado requerimento, se anota que iria competir aos inquisidores de Coimbra emitirem parecer acerca da sua petição para integrar o corpo dos juízes do Santo Ofício.

Regressado à sua terra natal, decerto quis restaurar a casa de família e o letreiro isso mesmo documenta, embora nos fique em dúvida o significado daquela palavra ‘decoratus’: terá a Universidade de Coimbra tido alguma intervenção no alindamento dessas obras ou foi o canónico agraciado com alguma benesse?

Em todo o caso, um aspecto se deve salientar: merece Vide diligenciar no sentido de reabilitar a memória de um dos seus ilustres filhos!

Artigo em co-autoria com José Carlos Santos

UMA INVASÃO IMPIEDOSA

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Com a primavera, reaparecem as andorinhas e as abelhas. Cada vez menos. As andorinhas desaparecem porque está também a desaparecer o alimento disponível. Há cada vez menos insetos por causa do uso global de inseticidas na agricultura intensiva e, sem eles, as andorinhas morrem de fome. Estamos a assistir a alterações relevantes nos ecossistemas, o perigo para a biodiversidade é real.

Os desequilíbrios tendem a adquirir velocidade crescente, num efeito de bola de neve que quanto mais rola mais cresce.

A par com o desaparecimento das andorinhas, assistimos ao desaparecimento das abelhas “domesticadas”, a abelha europeia, nome científico Apis Mellifera, de cuja existência dependem inúmeras espécies vegetais para a polinização e dependem milhares de apicultores em Portugal. A abelha não é a única polinizadora que contribui para a reprodução de espécies vegetais, mas é a única produtora de mel com importância económica.

O problema das abelhas não é apenas com os inseticidas, mas também com a invasão imparável da abelha asiática, terrível predadora da abelha europeia. A destruição de colmeias atingiu já dimensões catastróficas.

Rodrigo Sousa Castro, conhecido militar de abril, hoje na reserva, dedica-se à apicultura, num projeto agrícola na região de Sintra. “Instalámos vários apiários, na região de Sintra, Colares, Pernigem, e noutros locais da Serra de Sintra tendo para isso feito um protocolo com o ‘Monte da Lua’. Durante alguns anos implantamos paulatinamente cerca de 12 apiários em locais diferentes com efetivos reduzidos tendo em vista o crescimento sustentado dos efetivos para o que, após uma fase inicial em que adquirimos algumas colónias começamos a reproduzir as colónias através de desdobramentos e outras técnicas.”

O apicultor Rodrigo Sousa Castro

Durante anos o projeto cresceu, aumentou o número de colmeias, registou-se uma marca comercial, colocaram o produto no mercado. “Tínhamos tido conhecimento que a vespa asiática havia aparecido no norte do País em 2011, mas sempre pensamos que alguém tomaria algumas medidas para debelar a praga ou no mínimo evitar a sua progressão para sul,” diz Rodrigo Sousa Castro, antes de relatar o desastre total.

“Há três anos atingimos um efetivo de 200 colónias e preparávamo-nos para constituir uma sólida posição enquanto apicultores, quando a vespa apareceu aqui na região…”

Em 2021, a vespa asiática matou metade das abelhas europeias. No ano passado, já só sobreviviam 10% das abelhas melíferas. Este ano, não houve produção de mel. “Lançámos a toalha ao chão”, assume Rodrigo Sousa e Castro.

Numa década, a vespa asiática instalou-se em todo o país, depois de ter colonizado toda a Europa, especialmente os territórios do sul. Rodrigo Sousa Castro reconhece que o combate ao invasor é uma luta difícil, mas acusa as autoridades de passividade. “Só reagem quando os ninhos são indiciados e mesmo assim com grandes atrasos e deficiências.”

Todos os apicultores portugueses enfrentam este problema, mas na região de Sintra parece haver condições excelentes para a abelha asiática ter uma vida feliz. Vegetação verde luxuriante, temperaturas amenas, humidade quanto baste e pequenos cursos de água em profusão. E um combate ineficaz.

“Não sendo do meu feitio e natureza ficar pelo caminho, desta vez não tive outra alternativa”, diz-nos Rodrigo Sousa e Castro, a quem desejamos boa sorte em projetos futuros.

LULA COMPRA BRIGA COM EUA

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O Presidente do Brasil deu início a uma luta difícil. Quando ele diz que numa briga devemos tentar separar os que lutam e não encorajar à continuação da pancadaria, está a ir contra os interesses dos EUA que querem, comprovadamente, prolongar a guerra na Ucrânia, não para salvar a Ucrânia mas para sangrar a Rússia.

E quando ele diz que quer acabar com a dependência do dólar nas trocas comerciais internacionais, está a mexer onde mais doi aos americanos: no lucro.

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Normalmente, quando surge algum líder regional a dizer coisas deste tipo, o futuro dele há de cruzar-se, tarde ou cedo, com um golpe de estado. Tem sido assim, principalmente na zona geográfica considerada o “quintal” dos EUA, a América Latina. Vamos ver o que acontece.

Revitalize-se o interior do país, por favor

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Há alguns períodos do ano em que uma boa parte dos portugueses regressa às suas origens, fazendo umas quantas incursões naquilo a que designamos por Portugal profundo. Um desses períodos é a Páscoa. Mas também o Natal e as férias de Verão.

Cumprindo-se este desígnio, lá vamos muitos de nós retemperar a nossa identidade original, não vá ela ficar desenxabida com o excesso de urbanismo e consumo das grandes cidades do litoral, onde passamos a maioria dos nossos dias.

Vilas e aldeias do interior, as quais são cada vez menos nossas, e mais dos nossos pais e defuntos avós, enchem-se de gente saudosa das suas tradições. Praças, largos e adros das Igrejas, sem esquecer os cafés e tabernas, amontoam-se de gente de todas as idades, com indumentárias de todo o género e gosto, prontos a ressuscitar tempos idos, em que essas terras eram habitadas por milhares de pessoas.

Terminadas as quadras festivas ou a época de veraneio, aquelas localidades voltam a ficar entregues a uma população envelhecida, cada vez em menor número, apesar do regresso de alguns emigrantes, na reforma. Estas aldeias parecem desaparecer por entre as ruinas de umas quantas casas abandonadas e umas portas entreabertas, como se fossem habitadas só por meia dúzia de animais domésticos e uns quantos vultos encurvados, vestidos de negro. Em especial no Inverno, que por ali é mais rigoroso. 

Tudo isto é fruto dos movimentos migratórios internos e externos que se iniciaram nos anos cinquenta e sessenta do século passado, os quais se mantêm até hoje, ainda que com menos intensidade. Esses movimentos levaram em massa muitos dos jovens aí residentes, há época, ligados à actividade agrícola e ao contrabando, alguns deles analfabetos, para locais mais ou menos distantes, à procura de melhores condições de vida.  

Esta nossa diáspora não está associada à queda de nenhum império, nem a qualquer invasão militar vinda de um país vizinho, e muito menos a uma perseguição religiosa. Está sim associada à forma como o poder político olha para o nosso território, fora dos grandes centros urbanos. Portugal é um espaço físico de baixo relevo, cuja distância do mar à sua fronteira interior é de pouco mais de 200 quilómetros.

Então, como é possível haver tantas assimetrias regionais, se o país é tão pequeno e estreito? Só pode ser por vontade própria de quem se senta na cadeira do poder, ou, pior ainda, por negligencia.

Com a entrada de Portugal na Comunidade Econômica Europeia em Junho de 1985, conseguimos obter daí, financiamento a fundo perdido para milhares de infraestruturas básicas nesses territórios do interior. Hoje a maioria dos concelhos do país dispõe de pelo menos, uma escola secundária onde podemos completar a escolaridade obrigatória até ao acesso ao ensino superior, dispõem de piscinas públicas, ginásios, terminais de transporte rodoviário, mercados municipais, auditórios e teatros, recolha de resíduos sólidos urbanos, limpeza das principais vias de comunicação, estações de tratamento de aguas residuais, enfim, uma variedade de instrumentos sanitários e culturais que ajudam a minimizar os impactos da interioridade. Mas isso não chega.

Enquanto não houver uma política discriminatória que favoreça os territórios do interior ao nível do investimento privado, de forma a tornar mais atractivo a implantação de industrias nestas regiões, é impossível reverter esta situação. O governo não pode limitar-se a dar umas benesses por uns quantos anos, para que as empresas se instalem nesses territórios.

O governo tem de dar muito mais. Deve começar por financiar um novo reordenamento fundiário, concentrando terrenos agrícolas e florestais com potencial de investimento, custos de energia mais baixos, instalação de redes de fibra óptica, com vista à optimização das novas tecnologias, estacões de tratamento de resíduos industriais, entre muitas outras externalidades, que façam balançar o barco para nascente.

Nenhuma empresa vai investir no interior, apenas a troco de umas benesses fiscais por meia dúzia de anos. A promoção dessas atividades industriais no interior, por parte do poder politico, deve começar por ter um alcance geracional e talvez, ao fim de vinte ou trinta anos se vejam resultados concretos.  Até lá, podem esperar por um milagre que ele nunca acontecerá.

RÚSSIA E CHINA VÃO ESCAVAR A LUA

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A Rússia e a China assinaram um acordo sobre a exploração do solo e subsolo da Lua. O geofísico russo Igor Marinin anunciou que projetos comuns estão já a ser elaborados para terem início dentro de 2 ou 3 anos.

Marinin é citado pela agência de notícias TASS, a propósito da exploração desmesurada dos recursos da Terra, o cientista diz que alguns dos minérios mais raros e preciosos para a atividade industrial estão mesmo a desaparecer, mas que a Lua é riquíssima e está aqui tão perto…

Marinin afirma que “há muitos metais no solo e subsolo lunar, incluindo a platina, que terminará na Terra nos próximos 30 a 40 anos. Por isso, surgiu a ideia de minerar esses metais na Lua.”

O primeiro projeto será a construção de uma base lunar permanente. A mineração será feita por máquinas automáticas e robots. O cientista diz que a Rússia e a China não deverão rejeitar a colaboração de um terceiro parceiro, os Estados Unidos.

Aliás, a cooperação espacial entre a Rússia e os EUA não sofreu nenhuma beliscadura e a guerra na Ucrânia não impede que astronautas americanos voem para a Estação Espacial Internacional em naves russas e vice-versa. Em setembro, um foguetão Soyouz descolou do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, para levar três astronautas para a Estação Espacial Internacional, um norte-americano e dois russos.

No entanto, a Rússia anunciou que se iria retirar do consórcio que utiliza a Estação Espacial Internacional, não por causa da guerra, certamente, mas para se dedicar a estes novos projetos em parceria com a China.

O primeiro voo para a Lua desta parceria Rússia/China deverá acontecer em julho deste ano. O planeamento divulgado por Igor Marinin refere mais três viagens nos próximos seis anos.

E DEPOIS, MARTE

Sobre Marte, o geofísico diz que “Marte ainda é interessante, mas leva quase 7 meses para voar até lá. Sete meses para ir, mais sete para voltar, seis meses para estar em Marte. São dois anos. Um litro de água por dia, por cada astronauta, vezes 730 dias, são toneladas de água. O mesmo com comida. Ainda não temos naves espaciais capazes de transportar tanta carga”, diz Marinin.

O cientista disse, ainda, que será preciso desenvolver motores capazes de fazer a viagem até Marte em menos tempo. “Se em seis meses for possível voar para Marte e voltar, isso abrirá imediatamente a possibilidade de levar pessoas até lá”, concluiu o cientista.

“Antes de deitar fora, vê se tem arranjo”

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fotografia de Ana Catarina Rocha

Membros da Circular Economy Portugal, anónimos especialistas em reparações há anos que promovem eventos em Lisboa, onde, de forma gratuita, consertam aquela varinha mágica que ameaça descambar no meio da confecção da sopa ou a tostadeira que tanto jeito dá mesmo ao fim de uns anos, mas que já apresenta sinais de desgaste.

Basta uma inscrição através de um formulário do Google, troca de emails para confirmar o dia, a hora, o local e o(s) objecto(s) a reparar, e o evento acontece. Apenas não fazem arranjos de electrodomésticos de maior porte, como aspiradores, máquinas de lavar roupa ou fogões.

Estes bravos e bravas da reparação acreditam que é um desperdício deitar fora um objecto utilitário que ainda possa ser útil, mesmo que já não tenha todas as capacidades de há alguns meses ou anos atrás. Afinal, estamos numa era de desafios constantes tanto em termos ambientais como económicos, onde nem sempre há a capacidade financeira para trocar de telemóvel ou de torradeira, e o fenómeno da obsolescência programada é muito mais do que uma expressão complicada de se dizer: é um facto negativo (em França é punido pela lei) e tem custos astronómicos, não só para a carteira do cidadão particular como para o ambiente em geral.

Nessa tarde, berbequins, torradeiras, uma ventoinha, uma máquina de café e uma pequena aparelhagem alinharam-se em mesas, rodeadas de toda a sorte de equipamentos e acessórios. Nem faltou uma senhora, fada das máquinas de costura, que ajudava uma outra senhora que bem precisava de uns arranjos numas roupas (a caixa de grandes dimensões cheia de peças à espera da sua vez falava por si). 

A princípio, e desiludida porque afinal não me iriam arranjar o telemóvel devido a um email perdido, lembrei-me do meu decano portátil, que precisa de uns quantos cuidados. A afável senhora que atendia os recém-chegados aceitou a ideia alternativa, e toca de ir carregar esse objecto para ser visto por um técnico, que aceitou o desafio. Em verdade se diga, o técnico bem tentou dar a volta com a sua perícia, porém, uma das entradas USB jaz em paz e a outra está por um fio.

fotografia de Ana Catarina Rocha

Os membros do Repair Café fazem arranjos bem feitos, mas milagres não. Aliás, assim que se deparam com um arranjo bem mais complexo do que lhes é possível fazer, informam a pessoa de imediato, aconselhando a ir a uma loja especializada. No caso do portátil, e porque falamos de um objecto com dez anos, só comprando um novo quando avariar de vez.

Resta esperar que Algés seja agraciada com mais iniciativas destas. Até porque, como andam as coisas, para além do trio de “érres” (Reciclar, Reduzir, Reutilizar) cada vez mais se conclui que Reparar também faz falta nesta equação. 

Biblioteca Municipal de Algés

A Borboleta no Caos

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É difícil encontrar uma borboleta na vasta história da humanidade, até porque a História tende a repetir-se, mas nunca da mesma maneira. Os historiadores dedicam a sua vida a tentar encontrar estas borboletas nos padrões de comportamento humano, nem sempre com sucesso. Por vezes faltam documentos, faltam evidências, faltam testemunhas, e os factos por si só nem sempre permitem interpretações rigorosas. Mas a história da pandemia de Covid-19 foi altamente documentada – continuará a sê-lo – pelo que podemos tentar encontrar a nossa borboleta.

Há três sentimentos e emoções que me ficam da estratégia de combate à Covid-19: medo, desorientação e boas intenções. Se o medo é muitas vezes o motor da história da humanidade, não o são menos as boas intenções. Tal como o ódio, o querer o bem – nomeadamente a nossa visão do bem – produz com frequência o efeito oposto daquilo que desejávamos: mais sofrimento.

Em 1789, a Revolução Francesa deitou por terra a maior monarquia absolutista do Antigo Regime, cuja nobreza, encerrada em Versalhes, sucumbiu por fim aos ideais iluministas que varreram as ruas, nas palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Mas se os ideais eram louváveis, o período de Terror que se viveu a seguir – culminando com a guilhotina de Robespierre, uma das figuras da revolução – veio provar pela primeira vez o perigo de tudo ser desculpável e válido desde que mascarado de boas intenções.

A nossa cultura cristã estimula-nos a fazer boas ações, mas a caridade só por si tende a estar mais preocupada com o indivíduo que a pratica do que com o indivíduo que a recebe. Esta discussão não é nova, nem minha: o altruísmo genuíno não precisa de câmaras de televisão ou redes sociais, pratica-se e pronto. Quem faz o bem de forma desinteressada e inconsciente tende, inclusive, a ser perseguido no próprio tempo.

Em 2013, um analista de sistemas, que trabalhara para a CIA e para a NSA, Edward Snowden, tornou-se conhecido por tornar públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana. Na sua autobiografia, Snowden reconhece-se um idealista, admitindo a sua perturbação ao constatar a dimensão da vigilância norte-americana e como esta era efetuada ao nível mais íntimo de cada cidadão norte-americano, sem que o povo comum dela tivesse consciência.

Mas se os EUA escondem até certo ponto que o fazem, o mesmo não acontece na China. De uma forma geral, as práticas de vigilância chinesas são reconhecidas e até elogiadas, sendo tão antigas quanto o regime comunista chinês. Um desenvolvimento recente desta vigilância é o sistema de crédito social. Algo tão simples como comprar um bilhete de autocarro pode estar vedado a uma pessoa “mal comportada” que ousa ter opinião política e manifestá-la. O que representa este cenário no tempo das redes sociais?

O modelo de negócio das redes sociais encontra-se não na venda de publicidade, mas na venda dos metadados originados pelo comportamento dos utilizadores, nomeadamente para um mercado paralelo que vive da tentativa de prever os apetites dos consumidores. De cada vez que se compra um livro na Amazon, se procura uma viagem no eDreams ou se vai ao Google procurar algo como “quais os sintomas da Covid-19?”, gera-se um rasto comportamental que diz ao analista de dados não propriamente em que estamos a pensar, mas o que estamos a fazer e quais as nossas preocupações no imediato.

Os sistemas de vigilância como os que são usados nas redes sociais são um fenómeno resultante do 11 de setembro e foram desenvolvidos, num primeiro momento, pelo Departamento de Defesa norte-americano, no intuito de proteger a sociedade contra atos de terrorismo. Posteriormente, a Google começou a definir perfis de utilizadores, consoante as métricas de comportamento, para direcionar informação. Tal metodologia viria a ser usada, e bastante elogiada, por Barack Obama para vencer as eleições, direcionando a sua mensagem aos utilizadores mais em dúvida.

Não foram questionadas as boas intenções de Obama, mas instalou-se o pânico quando, em 2016, Donald Trump começou a fazer o mesmo. Sendo uma figura conhecida do meio mediático, e não propriamente pelas melhores razões, o tom e a postura de Trump, a sua capacidade de ir ao encontro das preocupações das massas, alertaram só então os media para o lado negativo das tecnologias associadas às redes sociais e, de uma forma mais ampla, à própria vigilância.

O que tem tudo isto a ver com o Covid?

Estou convencida que o Brexit e a vitória de Donald Trump em 2016, a guerra comercial EUA- China que atingia o rubro em 2019 e a perda de influência dos media tradicionais que se acentuou com as redes sociais criaram a tempestade perfeita para o caos que se viu em Março de 2020. São as nossas borboletas.

Em 2020 Yuval Harari, consultor do Fórum Económico Mundial, defendia que o Covid seria a oportunidade perfeita para as pessoas aceitarem ser mais vigiadas. Uma das ferramentas seria os passaportes de vacina, o que, para alguns teóricos, é a concretização de um tipo de neo-feudalismo tecnológico.

O problema é que ainda vivemos em democracia e as boas intenções têm que respeitar as instituições, a maioria delas altamente burocratizadas. Mas tudo se tende a resolver com dinheiro, sobretudo quando a sua finalidade é a caridade. É aqui que chegamos à OMS, a entidade das Nações Unidas que tem o poder de declarar pandemias e fazer recomendações.

As falhas da OMS na pandemia são vastas. Um breve resumo incluiria: recomendar que todas as nações sigam um modelo de confinamento em fevereiro de 2020, quando o seu próprio relatório sobre mitigação de pandemia de três meses antes não mencionava a palavra bloqueio uma única vez;  ignorar estudos sobre testes anteriores de confinamento durante o surto de Ébola na África Ocidental, que concluíram que eles falharam.

A OMS, na sua origem, era unicamente financiada pelos Estados nacionais. Atualmente as contribuições privadas são 80% do financiamento. As doações da Fundação Bill e Melinda Gates, por exemplo, equiparam-se às do governo americano. Tudo isto tem grandes implicações políticas.

Os princípios fundadores da OMS consagraram um modelo de saúde comunitário de baixo para cima, definindo a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. No entanto, a OMS atualmente está empenhada em alterar as emendas do Regulamento Sanitário Internacional e em instituir um novo Tratado Pandémico que permitirá ter o controlo absoluto de qualquer crise real ou potencial que possa ameaçar a Humanidade, sem qualquer tipo de transparência e de forma completamente unilateral.

Não é coincidência que o recuo do modelo de saúde liderado pela comunidade para uma governação de saúde global de cima para baixo tenha coincidido com esta mudança no financiamento.

E voltamos à Revolução Francesa e ao perigo de tudo ser válido quando encapotado sobre a forma de “boas intenções”. Desengane-se quem acha que é uma nova forma de capitalismo caritativo o que se prevê, quando temos uma OMS a querer encerrar-se novamente em Versalhes.

Em última análise, o que foi o covid? O que no diz a teoria do caos? Enfim, que é só o bom e velho capitalismo a destruir-se a ele próprio.

Grão com todos

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Veio aquela angústia que me esmaga porque deixo, vai daí decidi matar um desejo. Comer grão com atum, cebola picada, ovos cozidos às rodelas gordas, azeite, vinagre, coentros, uma pitada de sal outra de pimenta. Fui às compras e fiz a coisa em três tempos. É simples, português, tão bom.

Acampada no sofá, comi uma pratada com um tinto alentejano a preço de crise mas numa garrafa bonita. Senti-me esmagadoramente sozinha.

Tinha ligado a três, por três motivos diferentes, nenhum respondeu. Eis então que vejo um convite na net de um outro. O giraço que mora perto do trabalho e anda de mota. Era arriscado, podia ter de vir tarde, sem ele, não sabia se teria dinheiro para regressar quando me apetecesse. Não gosto de depender dos outros. Amigo não empata amigo. A falta de um capacete deu a saída por encerrada.

Entretanto o outro, o da velha guarda, insistiu num café. Ok, aparece. Pelo meio o punk surf, já meio embriagado, telefonou e mandou sms. Muitos. No meio de tudo isto, liga o magricelas. “Está tudo bem, já encontrei as fotos”, digo já deitada no sofá. Novo sms do da velha guarda: “houve um acidente, estou atrasado”. “Não venhas, já é tarde, estou com sono!” Novo sms do punk surf… Ignoro-o, ponho-me a ver as notícias na tv que vão ficando mais pequeninas à medida que as pestanas descem.

Quase, quase que adormeço quando sinto… assim, emergente, de repente! Corro até à casa de banho, ajoelho-me na sanita e por pouco não morro. Desce-me a tensão, transpiro, fico com o estômago oco. Oiço a campainha da porta, muito muito lá ao fundo, mas a minha única ambição é chegar à cama. Adormeço por exaustão. Acordo às quatro da manhã, como se fossem oito. Tenho fome. Como o resto do grão, sabe-se lá porquê.  Só consigo voltar a adormecer de manhã.

Acordo a meio da tarde, debilitada e dorida. Uma paragem de digestão não é pêra doce. Vejo os sms. Muitos do punk surf, outro do da velha guarda a dizer que estava à porta. Voltei para dentro da manta. Tanto grão, tanto homem, tanta fome e acabei prostrada numa sanita…

ESPIÃO TEIXEIRA

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Quem vê caras não vê corações, é verdade. As fotografias de Jack Teixeira que têm sido difundidas mostram-nos um menino. Ele só tem 21 anos, mas as fotografias até podem estar desatualizadas, porque parece ainda mais jovem. Mas, acreditar que este puto é um perigoso operacional da contraespionagem russa, é delirante.

Dizem que é um reacionário racista, talvez seja verdade. Essas coisas aprendem-se em casa, desde tenra idade. Sendo isso, a Guarda Nacional dos EUA não tem filtros no alistamento e qualquer um serve.

Jack Teixeira, american citizen

Mas, se um soldado da Guarda Nacional (mal comparado, é uma espécie de GNR), teve acesso a documentos secretos do Pentágono, o melhor será Biden despedir todos os generais e reformar a chafarica militar americana.

O guião é fracote, mas enfim, Hollywood faz milagres. O detido, segundo a imprensa, tem reputação de ser um verdadeiro patriota, católico, interessado em armas. Um cidadão exemplar, pelos vistos.

Já aqui tinhamos dito que não fazia sentido a versão de que tinham sido os russos a roubar e a divulgar os documentos militares secretos do Pentágono.

O apelido Teixeira remete-o para Portugal, dizem que para a Beira Alta, terra de penedos de onde o avô fugiu para não mais voltar. Quem dera ao neto estar, agora, em Portugal. É que na América, se for condenado, não se livra de uns 20 ou 30 anos de cadeia e aqui seriam meia dúzia, se tanto.