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FABRICAR HUMANOS

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A experiência está a decorrer no Instituto Weizmann de Ciência, mas os israelitas dizem que há outros laboratórios a efetuar trabalhos semelhantes noutras partes do mundo.

Segundo a agência Reuters, os cientistas garantem não querer “fabricar” humanos, mas apenas estudar ao pormenor a formação dos embriões. Posteriormente, o interesse será o de estudar o efeito de drogas em gravidezes, entender melhor as doenças genéticas e cultivar tecidos e órgãos para transplantes, garante Jacob Hanna do Instituto Weizmann.

Antecipando críticas e objeções éticas, os israelitas dizem que se passa o mesmo com a física nuclear, onde não se interrompe a pesquisa porque pode abrir caminhos para novas bombas nucleares.

O CALDO ENTORNADO

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A Índia suspendeu os vistos para canadianos e pediu que o Canadá reduzisse a presença diplomática na Índia. Esta é a resposta às acusações do primeiro-ministro Justin Trudeau que ligam Nova Deli ao assassínio do separatista sikh Hardeep Singh Nijjar, refugiado no Canadá.

Hardeep Singh Nijjar

Este independentista sikh era considerado terrorista pelo Estado da Índia que sempre criticou o Canadá por receber e dar abrigo a extremistas políticos sikh perseguidos.

Uma suspensão geral de vistos para um país ocidental é inédita e marca o ponto mais baixo das relações Índia-Canadá. A embaixada do Canadá em Nova Deli já anunciou ir “ajustar” temporariamente a presença de funcionários no país.

A par da suspensão de vistos, as relações comerciais entre os dois países também congelaram. Veremos qual dos dois tem menor capacidade de resistência à “dor” financeira. O Canadá é o 17º maior investidor estrangeiro da Índia, os investidores canadenses em carteiras têm investidos milhões de dólares nos mercados financeiros indianos. O Canadá é a quarta maior fonte de turistas estrangeiros, com 350.000 visitantes em 2019, um número que caiu após a pandemia covid-19, de acordo com dados do governo indiano.

As tensões entre os dois países aumentaram depois de Trudeau ter dito que o Canadá estava a investigar “alegações credíveis” sobre o potencial envolvimento de agentes do Governo indiano no assassínio de Hardeep Singh Nijjar, em junho.

A UCRÂNIA E O KHALISTAN

Até agora, as autoridades canadenses não esclareceram por que acreditam que a Índia pode estar ligada ao assassinato de Nijjar.

O Canadá discutiu a questão com aliados-chave, nomeadamente com os 5 aliados que formam o grupo de troca de informações Five Eyes, que inclui os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália e a Nova Zelândia.

Ou seja, é bem possível que a morte do separatista sikh seja cortina de fumo para questões mais preocupantes para os países ocidentais, como seja a aproximação da Índia à Rússia, constituindo-se num dos mais importantes parceiros comerciais dos russos e, assim, contribuindo para o fracasso das sanções ocidentais decretadas após a invasão da Ucrânia.

A Índia faz parte dos BRICS, o grupo de países que está a desafiar a ordem internacional estabelecida e controlada pelo dólar e pelos EUA.

A etnia sikh é maioritária no Estado Punjab, integrado na Índia e palco de uma sangrenta revolta nos anos 80 e 90 do século XX. O movimento separatista pretende criar um Estado independente chamado Khalistan.

Hardeep Singh Nijjar promoveu um referendum no Punjab considerado ilegal

Na sequência do conflito, milhões de sikhs fugiram da Índia e só no Canadá vivem cerca de 770 mil pessoas desse grupo étnico.

Embora hoje quase não haja apoio à insurgência na Índia, grupos de sikhs na Austrália, Grã-Bretanha, Canadá e Estados Unidos apoiam a demanda separatista e, ocasionalmente, organizam protestos em frente às embaixadas indianas. Isto é, o Khalistan é uma carta que ainda pode ser jogada no tabuleiro da geopolítica.

Carlos Tomás: obituário para um gladiador

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Conheci o Carlos em 2010, já ele era um nome feito no jornalismo, tendo integrado redações de títulos tão grandes como Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Focus, além de ter estado em outras publicações com percursos curtos como a TV Top. Um jornalista de mão-cheia, adepto fervoroso da verdade, opositor da manipulação, contestatário não só do sistema que governa a comunicação social, mas especialmente do conluio entre esta e o poder judicial, o Carlos era, como o classificou Paco Bandeira “o último gladiador do jornalismo”. Eu sou obrigado a concordar.

Pessoalmente duvido que tenha a capacidade para aguentar tanta pressão, de tantos lados ao mesmo tempo, durante tanto tempo. O Carlos fez como dizia Che Guevara: antes morrer de pé que viver de joelhos. Ele nunca se curvou. Por mais ameaças, campanhas, até reportagens na TV a denegri-lo e a atacar a sua família, o Carlos nunca cedeu.

O que nos levou a sentar na mesma mesa foi a investigação que mais o apaixonou, e que tanto contribuiu para que um punhado de hienas lhe destruísse a carreira, e ajudasse a destruir a vida e o espírito: O processo Casa Pia. Como repórter de investigação do jornal 24Horas, o Carlos esteve na liderança de tudo o que tinha a ver com o processo mais mediático de sempre em Portugal. Foi ele o primeiro a pôr as mãos no famoso Envelope 9. Foi ele quem começou a perceber que algo cheirava mal na investigação e que não poderia nunca existir uma rede de pedófilos.

Ele sabia que os relatos de jornalistas como Felícia Cabrita, Tânia Laranjo, Ana Leal e Alexandra Borges (que depois todos seguiram como carneirinhos), estavam inquinados. Restava saber porquê. E ele soube, expôs, denunciou e as hienas fizeram-no pagar por isso. E riram-se. Felícia Cabrita acusou-o, nos jornais, de pagar às vítimas da Casa Pia para reverterem o testemunho. 50 mil euros, dizia ela, que o Carlos Tomás lhes tinha prometido. Ela sabia que era mentira, mas tinha de manter viva a história que criara e que tanto tinha lesado pessoas que nada tinham a ver com os abusos a crianças: Carlos Cruz, Manuel Abrantes e Ferreira Diniz. As restantes hienas seguiram o faro necrófago da história e juntaram lenha à fogueira.

Anos mais tarde, Alexandra Borges até a família do Carlos usou como arma porque ele sabia que ela mentiu no caso das adoções da IURD.

O Carlos foi, na prática, banido de todas as redações de jornais nacionais. Foi cancelado por fazer o seu trabalho, ostracizado por acreditar que o jornalismo se quer independente e verdadeiro. Lutou contra gigantes e perdeu. Mas com ele perdemos todos.

O Carlos foi alvo de uma campanha concertada, nos bastidores da comunicação social portuguesa, para que o seu nome não mais pudesse ser parte integrante de uma redação “de referência”, como eles gostam de se apelidar. Antes, para se protegerem a eles e às suas narrativas, escolheram destruí-lo a ele.

A História encarregar-se-á de mostrar quem mentiu, participou nesta cabala e o que ganharam com isso. Pelo menos estas henas já todos sabem que são mentirosas e agem apenas no seu interesse. E se não sabem é porque são cegos ou burros.

O último cargo de relevo que o Carlos teve foi em 2012-2013, como Diretor do jornal O Crime, em declínio acentuado e a lutar com a falta de credibilidade que lhe foi imposta pelo inenarrável José Leite. O Crime estava nessa altura nas mãos do seu último editor, um advogado de pacotilha de seu nome Santo Oliveira. Um crápula mentiroso que queria um título jornalístico para se arvorar em importante. O Carlos era o diretor, mas não era ele que controlava a edição. Isso cabia a um amigo do patrão, um senhor que comenta muito na TV em programas da manhã. Especialista em justiça e crime, diz ele. Opina muito sobre tudo. Vocês sabem quem é. Eu não vou dizer porque ele tem a mania de processar toda a gente que lhe descobre a careca. E se ele tem amigos em sítios importantes…

Mas o Carlos não se calava. E dizia o que precisava ser dito. Até escrevia o que precisava ser escrito, como sempre. Foi dele a história sobre o Miguel Relvas, que a SIC alegou ser seu exclusivo e que deu um prémio Gazeta a um jornalista do Público, como se tivesse sido este a revelar o escândalo ao país. Não foi. Foi o Carlos Tomás. E foi injustamente posto de lado pelos colegas da restante comunicação social.

O mesmo Carlos Tomás que conta a história dos “brutos” da RTP ilibando Nuno Santos. O mesmo Carlos Tomás que revelou a venda do Pavilhão Atlântico ao genro de Cavaco. O mesmo Carlos Tomás que revelou que o juiz Rangel vendia sentenças e foi condenado por isso, apenas para ver a sua reportagem provada em tribunal mais tarde.

O Carlos era uma força imparável quando cheirava uma história. E foram tantas, que ele não largou e revelou. Após uma edição em que a manchete foi um antigo Primeiro Ministro que alegadamente espancava a mulher, o patrão de O Crime decidiu prescindir do Carlos. A razão nunca a revelou, mas nós suspeitámos. E não lhe pagou, tal como não me pagou a mim e a outros elementos da redação que tinham sido trazidos pelas mãos do Carlos Tomás.

Uma semana depois O Crime era tomado de assalto por pessoas ligadas ao CM e à Cofina, com o propósito de acabar com o resto e limpar o trabalho que nós, afincada e pesadamente, tínhamos conseguido fazer. Atiraram o título para o esquecimento e deram a machadada final num jornal histórico. Doeu-nos muito, mas ao Carlos doeu muito mais. Aliás, doeu-lhe sempre. Sem que lhe dessem a mão noutros lados, mais tarde editámos um jornal local, em Massamá e Monte Abraão. Foi um exercício de paixão, onde o Carlos continuou a fazer um trabalho exímio em nome do jornalismo de excelência, mesmo que num título pequeno. Foi ele que deu a notícia do condutor da Vimeca que ameaçou uma passageira com uma arma de fogo.

Os últimos anos não foram fáceis para o Carlos. Mas houve quem não o tenha esquecido. O último trabalho publicado foi no Tal & Qual, há uns meses. No prelo estavam dois livros, para os quais me tinha convidado a colaborar. O Carlos, que já tinha editado títulos como “Matar à Portuguesa” convidou-me para escrever dois livros com ele. Um sobre o papel das mulheres na religião, outro sobre a sua eterna demanda do ‘Santo Graal’: o processo Casa Pia.

Morreu o gladiador que tanto lutou pela justiça para os outros, sem ver justiça para si próprio. E as hienas continuam a rir, enquanto comem os restos putrefactos dos outros. Estejas onde estiveres, companheiro, espero que encontres a paz que não tinhas.

GENTE QUE NÃO TEM HONRA

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Quando no julgamento de Mamadou Ba, o Ministério Público diz que Manuel Machado tem direito a sentir-se ofendido, por Mamadou Ba ter escrito no Twitter que Machado é um dos principais intervenientes no linchamento de Alcindo Monteiro em 1995, está a dizer-nos que os procuradores não distinguem o bem do mal.

imagem publicada em Lisboa presta homenagem a Alcindo Monteiro (duaslinhas.pt)

O procurador diz que os condenados e as pessoas que estiveram presas têm direito à honra, mas não é essa a questão. O que Mamadou Ba diz é que Machado assume estar “orgulhosamente filiado ao supremacismo nazi”, e que no dia 10 de junho de 1995, com o seu taco de basebol, “deixou várias pessoas inanimadas, desempenhou um papel central no festival de horrores e violência” que resultou na morte de Alcindo Monteiro.

O procurador diz que Mário Machado não foi condenado pelo homicídio de Alcindo Monteiro. Mamadou não pretendeu discutir a decisão passada em julgado, mas diz que há “responsabilidade coletiva” e que Machado era líder do grupo que matou.

O advogado de Machado talvez esteja contente com o andamento do processo e deverá nutrir alguma esperança de conseguir uma vitória para o seu cliente, ou seja, a condenação de quem “ofendeu”. A advogada de defesa alega que o que Mamadou Ba escreveu não esteve “longe da realidade” e que este processo é uma tentativa de “banalização do mal”.

Todos sabemos bem que Mário Machado não pretende mudar de ideologia nem de comportamento. E já sabiamos que Mamadou Ba também não pretende mudar de discurso.

“Por todas as vítimas mortais e aquelas que estão vivas, mas continuam a lutar com as sequelas daquela trágica noite de 10 de junho de 1995 e ainda pelas vítimas atuais do racismo quotidiano, não podemos fugir à responsabilidade de nomear os seus carrascos, custe o que custar”, disse Mamadou nas alegações finais do julgamento.

Nessa oração, Mamadou Ba fez uma única referência a um caso que lhe é familiar, ao dizer que “Hitler não deu um único tiro na cabeça do meu tio-avô, Mamadou Hadi Ba, que os nazis cunharam como o “terrorista negro”, mas Hitler é o principal responsável da sua morte, como ele é o principal responsável pela morte de todas as vítimas do nazismo.”

imagem publicada em abril de 2023 em O QUE NOS DIZ MAMADOU BA (duaslinhas.pt)

EUROPA NÃO QUER ELÉTRICOS CHINESES BARATOS

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Se a senhora Ursula von der Leyen falasse claro, ela diria que os chineses produzem 20% mais barato porque têm condições únicas para isso, a saber: mão de obra barata e inesgotável, acesso previligiado a matéria prima, controlo do ciclo industrial desde os componentes eletrónicos às partes metálicas, crédito bancário desburocratizado, ausência de entraves ambientais para a implantação de novas unidades industriais. Isto só para mencionar o que é mais evidente, mas haverá outros fatores que contribuem para o preço final dos veículos elétricos, um dos quais não será de desprezar, que é um mercado interno imenso capaz de suportar o esforço de internacionalização das marcas chinesas.

A questão da concorrência não devia constituir polémica em economias capitalistas, mas o que vemos é que só não é polémica quando se trata de esmagar direitos de trabalhadores. Quando toca nos lucros das empresas ocidentais, torna-se polémica. E, bem nos lembramos, que foram essas empresas as primeiras a deslocalizar unidades industriais para a China, para aproveitar a mão-de-obra barata e o imenso mercado interno, deixando um rasto de desemprego por essa Europa fora.

Na verdade, todos os países financiam as indústrias que consideram importantes para as respetivas economias. São os terrenos industriais cedidos a custo zero, são as isenções fiscais, são os apoios financeiros por via de “bazucas” comunitárias ou outras, mais os créditos bonificados, mais a ausência de aplicação de leis sancionatórias nos casos de desvio dos descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, etc.

Há ainda outra questão, política. A China é um dos principais aliados da Rússia e, nesta fase de confronto entre os exércitos da NATO e o russo, o ocidente precisa de minar, tanto quanto possível, a economia chinesa, para complicar o esforço de guerra da Rússia e, ainda, para contrariar as ideias do BRICS de abandonar o dólar americano como moeda principal do comércio internacional.

No momento em que a China já é o primeiro ou segundo exportador mundial de veículos automóveis, atacar o setor parece ser fundamental, segundo o plano de Ursula von der Leyen.

AS ‘SALOIAS’ DA SOMÁLIA

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É cada vez mais fácil fazer uma ‘televisão’. Não uma televisão à antiga, com grandes estúdios e maquinaria pesada, difusão de sinal através do espetro radioelétrico, isso continua a ser caro e difícil. Mas uma televisão dos novos tempos, com notícias e programas disseminados pela web, é fácil.

Claro que apoios são sempre necessários, nomeadamente de anunciantes quando não há patrocinadores. E o problema está aí. Às vezes pode ser mais fácil fazer uma televisão dessas na Somália do que em Portugal, onde nenhum dos projetos de televisão online conseguiu profissionalizar-se, como é o caso, por exemplo, da Saloia TV (apesar de ter quase 200 mil seguidores no Facebook).

NA SOMÁLIA…

Quando andei pela Somália, em 1992, era um país destruído, dilacerado por guerras de clãs, a vida não tinha valor algum e a invasão americana para ”Restaurar a Esperança” (assim chamaram à operação militar) só aumentou a violência e a insegurança.

Os americanos acabaram por retirar as tropas, depois da derrota na chamada “batalha de Mogadíscio”. A Somália ficou como estivera antes, entregue a si mesma.

Nesses tempos, era impensável organizar alguma coisa, menos ainda se se quisesse dar algum relevo ao papel das mulheres. Hoje, continua a ser um sítio difícil para se viver, mas há coisas novas a surgir, até uma televisão exclusivamente feita por mulheres.

Apesar de ser um dos países onde mais facilmente se matam jornalistas (50 jornalistas assassinados desde 2010), a Bilan TV nasceu pela mão de uma mulher que há anos se dedica ao jornalismo, Fathi Mohamed Ahmed.

Ela teve arte e engenho para encontrar patrocinadores e protetores, contratou um pequeno grupo de repórteres e pessoal técnico (só mulheres) e fazem uma televisão com poucos recursos técnicos. As reportagens são feitas com telemóveis ou pequenas câmaras de vídeo, o estúdio tem o tamanho suficiente para gravar entrevistas e debates com 4 ou 5 pessoas, mas é o suficiente.

Há 18 meses que a Bilan TV funciona, apesar de todos os perigos existentes numa sociedade desequilibrada, islâmica, pobre, patriarcal.

Se tiverem curiosidade em conhecer o trabalho de gente com coragem, visitem-nas no site ou na página do Facebook. Basta clicar na palavra site ou na palavra Facebook.

POR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

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Um dos mais fiáveis apoios internacionais que a Rússia tem tido é o do Governo da África do Sul. Este Estado africano alinha com as teses sobre a necessidade de uma nova ordem mundial.

Contra tudo e contra todos, sem se importar com ameaças de boicotes e de sanções, a África do Sul tem expressado publicamente e nos fóruns internacionais a sua independência face à vontade do ocidente de isolar política e economicamente a Rússia.

As razões estão, em parte, neste excerto de declarações da ministra dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Naledi Pandor.

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Uma nova ordem mundial está a ser ‘cozinhada‘ entre os BRICS, grupo de países que originalmente incluía o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas que foi alargado recentemente, com a entrada da Argentina, Egito, Etiópia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Uma ideia acarinhada por muitos, principalmente em África.

De Mogofores para Cascais

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Exercia, agora, desde 1 de Março de 2016, as funções de presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança, cargo em que sucedera a Marcelo Rebelo de Sousa.

Tendo sido nomeado subsecretário de Estado do Orçamento e do Tesouro a 15 de Maio de 1975, o Dr. Alberto José dos Santos Ramalheira passaria a ser Secretário de Estado do Orçamento a 9 de Julho de 1975, período governativo, que, como se sabe, não foi nada fácil. Seria, porém, no Montepio que passaria a maior parte da sua vida profissional; por isso, no comunicado que fez questão de divulgar (foi, aliás, a única entidade, além da Casa de Bragança, que decidiu manifestar publicamente o seu pesar), salienta-se o facto de ter exercido «diversos cargos governativos em Portugal e funções em muitas e diversas entidades da Economia Social, tendo, em especial, servido o Montepio Geral – Associação Mutualista, do qual era associado desde 1990, com enorme dedicação durante mais de 30 anos, como membro do Conselho de Administração, membro do Conselho Geral, membro da Assembleia de Representantes e, ainda, como Administrador de diversas empresas do Grupo Montepio», concluindo com uma afirmação que cumpre salientar:

«Portugal perdeu um homem bom, um cidadão de excelência e um exemplo para todos nós».

Alberto Ramalheira nasceu em Mogofores, povoação do concelho da Anadia. Vim a encontrá-lo – ou, porventura, a reencontrá-lo – como irmão da Santa Casa de Misericórdia de Cascais, onde foi, até 2019, meu colega nos respectivos corpos sociais, como presidente do Conselho Fiscal. Gerou-se de imediato entre nós enorme simpatia e alguma cumplicidade, porque, tendo eu passado em Mogofores, no Instituto Salesiano S. João Bosco, os anos lectivos de 1957 a 1960, porventura nos encontrámos, porque o pai era o sapateiro de serviço para o Instituto. Amiúde, pois, em momentos de confraternização, revivíamos esses tempos da nossa juventude.

Não é raro que, numa instituição, o Conselho Fiscal se limite, nos relatórios e nos planos de actividade, a umas palavras quase de circunstância. Enquanto Presidente do Conselho Fiscal da Misericórdia de Cascais – e foi-o durante vários mandatos – o Dr. Alberto Ramalheira constituiu excepção, porque o seu parecer era sempre bem fundamentado, alicerçado numa análise pormenorizada aos dados que lhe eram presentes pela Mesa, merecendo-lhe sempre destaque «algumas das acções previstas desenvolver» no ano seguinte, «no âmbito dos objectivos da actividade institucional». Admirava-o muito por isso, não me cansava de o salientar. Permita-se-me que recorte, a título de exemplo, o que veio exarado na acta da Assembleia Geral de 29 de Novembro de 2018, em relação ao plano de actividades para 2019:

«O Irmão Alberto José dos Santos Ramalheira começou por se regozijar com as “boas notícias” referentes à resolução do problema financeiro por via da inerente libertação dos pesados encargos pendentes, e às obras de beneficiação da igreja e seus anexos com a constituição de um espaço museológico, para além de enaltecer o trabalho dos dirigentes e colaboradores da Misericórdia. Importa, todavia, frisou, que se não descanse e que este desanuviamento financeiro sirva para que se tome maior fôlego e se acicate a capacidade criativa. Manifestou o agrado do Conselho Fiscal em ver a intenção de se recuperarem espaços de cultura e preconizou que se não esmoreça na tarefa de angariar mais irmãos, inclusive fomentando a possibilidade de todos os trabalhadores da Santa Casa virem a inscrever-se como irmãos».

Na tomada de funções na Misericórdia de Cascais, 2016

Pelo Natal desse mesmo ano de 2018, enviou aos membros dos corpos sociais da Misericórdia uma mensagem – facto inédito na vida da instituição – de que destaco a seguinte passagem, bem elucidativa acerca de uma pessoa que, sempre sorridente, afável, disponível, tinha preocupações a que procurava dar resposta, mas não fosse através do seu exemplo:

«Da eterna luta entre o bem e o mal que caracteriza o nosso mundo, parece que o mal leva a melhor, mas não poderemos olvidar quanto bem se derrama continuamente, a partir das mais variadas atitudes, pessoais, familiares e institucionais. Porém, os media privilegiam a comunicação do mal, porque é o que impressiona mais e chama mais a atenção. O bem que a todos os momentos está a acontecer é discreto e, a não ser que se trate de algum ato heroico ou fora do vulgar, não é notícia».

E, depois de salientar que, apesar de tudo, a esperança num mundo melhor não pode morrer, afirma, nessa carta, que ela, a esperança, «só se poderá manter se houver um esforço de renovação contínua, ao nível individual, familiar, institucional e político, que vá ao encontro da satisfação das reais necessidades, não das que nos são artificialmente criadas por via das falsas expetativas, mas das que contribuem para o nosso desenvolvimento humano (a saúde, a educação, a segurança, a justiça, o trabalho…). A cada um individualmente e às instituições, desde as sociais às políticas, é exigido que deem o melhor de si mesmos, contribuindo para o bem individual e o bem comum».

Para essa consciencialização muito trabalhou. Curvamo-nos, por isso, diante da sua memória. Vindo de Mogofores, Alberto Ramalheira fixara residência na Parede. O seu último parecer como presidente do Conselho Fiscal da Misericórdia sobre o plano de actividades para 2020, data de 27 de Novembro de 2019. À família enlutada, designadamente a sua Esposa, Maria Almira, se apresentam mui sentidos pêsames

TSF RÁDIO SEM NOTÍCIAS

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A rádio TSF foi uma invenção de Emídio Rangel. Durante muitos anos manteve as características que a progenitura lhe transmitiu, de jornalismo assertivo e alegria no trabalho. Mas o tempo e o cansaço corroeram a máquina, erosão exponenciada pelos sucessivos proprietários sempre mais interessados num negócio irreal do que no serviço de informar.

A TSF tornou-se num dos paradigmas das notícias patrocinadas, na mixórdia entre interesses particulares, políticos, empresariais, e a informação noticiosa. Foi perdendo público e perdendo futuro. Hoje, chegou ao ponto de pagar os magros salários com atraso. A greve vem tarde, se a ideia for salvar o que resta da TSF.

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CAMPANHA PARA ACABAR COM ISTO

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O glifosato é um herbicida. Mas é tóxico para tudo o que mexe. É mesmo uma das substâncias mais tóxicas jamais produzidas pela indústria. Terá efeitos efeitos graves na saúde dos humanos. Cancros têm sido apontados como uma das consequências mais graves da aplicação do glifosato nos jardins públicos ou na agricultura intensiva.

Na Europa, há uma luta aberta para os políticos banirem o glifosato. Mas os esforços dos ambientalistas estão a ser contrariados pelo dinheiro que corrompe políticos, desde autarcas até aos decisores de topo da União Europeia.

Dentro de semanas, o Conselho da Europa vai votar sobre o uso de glifosato. Se a Bayer/Monsanto vencer, perdemos todos, dizem os ambientalistas.

Os gigantes da indústria dos pesticidas estão, agora mesmo, a puxar todos os cordéis para influenciarem os políticos e protegerem os seus lucros. Os ambientalistas apelam aos eleitores para assinarem a favor de uma campanha de apoio aos seus esforços. É o lobby dos ambientalistas contra o lobby da indústria química.

Se quiserem assinar, vão por este link: Avaaz – UE: Acabe com o glifosato de uma vez por todas!