É uma bronca das antigas. Paulo Branco, ex-diretor dos Serviços de Gestão Financeira do Ministério da Defesa Nacional, arguido num processo de corrupção e branqueamento, incrimina o ministro Cravinho. Isto é, diz que fez o que fez às ordens do ministro Cravinho, à época com a pasta da Defesa.
Em causa estão alegados pagamentos por trabalhos fictícios a um outro membro do Ministério da Defesa, Marco Capitão Ferreira. A ser verdade, um caldinho de favores bem temperado com compadrio.
Branco vai ainda mais longe, envolve a atual ministra da Defesa, a quem terão sido financiadas investigações académicas, apenas porque dava jeito “um carimbo científico” para divulgação de determinados dados. Helena Carreiras diz que é tudo mentira.
Segundo o jornal Expresso, no site do ISCTE estão dois estudos financiados pela Direção-Geral de Recursos de Defesa Nacional (DGRDN) e um pelo Ministério da Defesa, que foram coordenados por Helena Carreiras, com o valor total de 20,4 mil euros, dos quais 10,8 mil euros foram para remunerar a investigadora.
Cravinho diz que não viu, não sabe, não conhece nada sobre o que se terá passado nas suas barbas quando foi ministro da Defesa. A oposição diz que uma pessoa assim não pode ter responsabilidades governativas. Só o PCP aconselha a esperar pelas investigações judiciais, desde que sejam céleres.
Embrulhado na bandeira vermelha de Taiwan, com um sol branco contra um céu azul, esta nova “ferramenta” bélica destina-se a reforçar a defesa e dissuasão da ilha contra a marinha chinesa.
Há quem diga que quanto mais Taiwan abastece os seus arsenais, mais depressa a China irá atacar para reintegrar a ilha na soberania da República Popular da China.
Mas enquanto o pau vai e vem, gozam os fabricantes de armamento. Neste caso do submarino de Taiwan não será diferente. Na cerimónia de batismo do navio, a presidente Tsai Ing-wen agradeceu aos “parceiros” de Taiwan a ajuda prestada. Ora, o principal parceiro de Taiwan é o complexo militar industrial dos EUA. Quando a senhora Tsai partiu a garrafa de espumante no casco do submarino, na América ouviram o tilintar das moedas.
O que se sabe deste submarino é que custou perto de 50 mil milhões de dólares, está equipado com um sistema de combate fabricado pela Lockheed e que vai transportar torpedos pesados Mark 48 fabricados nos EUA.
O novo submarino vai agora para testes no mar e só deverá ser entregue à Marinha no final de 2024, para se juntar aos outros dois já existentes, comprados há quase 50 anos à Holanda. Nada garante que a China não ataque antes do submarino ter uma oportunidade de combater…
Chamaram-lhe Narval, nome dado a uma espécie de baleia, caracterizada por ter um longo dente (parece um chifre) em forma de lança.
A tecnologia está a mudar diversos aspetos da vida quotidiana, desde o trabalho até às horas de lazer. É justamente neste segundo campo, o da diversão, que os avanços tecnológicos causam uma revolução, apresentando novidades ultrarrealistas e também trazendo ao digital clássicos eternos.
Nos últimos anos, os casinos online em Portugal experimentaram um crescimento exponencial, chegando a reviver o mesmo prestígio dos tempos áureos. A transformação digital forneceu o ambiente e as ferramentas ideias para a chegada dos casinos na web.
Uma das principais razões para o sucesso da migração dos casinos do analógico para o digital foi a parceria com plataformas especializadas, que investiram tempo e dinheiro na criação de um ambiente seguro e repleto de alternativas com as principais modalidades do segmento, como blackjack, roleta e slots, além de novos modos de jogo.
Um infinito de possibilidades
Um dos trunfos dos casinos online está na ampla oferta de jogos. Mesmo que esse universo esteja intimamente ligado com a roleta, o blackjack e as slots, na web, estes clássicos ganharam nova roupagem, além de diferentes modos de jogo, ampliando as possibilidades e também os praticantes.
A roleta, por exemplo, está presente com os seus três modos de jogo: americano, europeu e francês. Sendo este último o mais procurado por contar com um par de regras — Prisão e Partilha — que são favoráveis aos jogadores, chegando até a aumentar as possibilidades de vitória.
Já o blackjack continua a fazer sucesso com a sua versão clássica, além de ter ganhado o modo multihand, ou múltiplas mãos, onde o jogador pode controlar mais de uma mão de cartas, aumentado consideravelmente a quantidade de informação sobre a rodada e proporcionando um cenário para escolhas mais assertivas.
Já as slots roubaram a cena online e se tornaram a modalidade mais procurada pelos utilizadores, segundo dados do SRIJ. Ao ampliar os designs e temas, elas conseguiram acompanhar a evolução tecnológica para triunfar com jogos repletos de referências contemporâneas, como filmes e séries de sucesso.
Forma e conteúdo
O primeiro canal de contacto entre os casinos online e os utilizadores foi através dos navegadores e softwares para computador. Nesse momento, os jogos e conteúdos informativos estavam desenhados para este formato.
Seguindo a evolução tecnológica, as plataformas especializadas tiveram que repensar os seus formatos de exibição para os ecrãs dos telemóveis e outros dispositivos móveis, como tablets.
Ao conseguir criar jogos responsivos, os casinos online chegaram com força aos telemóveis e conseguiram conquistar os adeptos do segmento que buscavam partidas rápidas e emocionantes em modelos móveis, porém, sem perder a qualidade da experiência.
Legalização e regulamentação
Portugal é um país de vanguarda no segmento de iGaming, categoria de jogos que abriga os casinos online e apostas desportivas, e esse facto se deve à agilidade do governo em regulamentar e legalizar a prática, protegendo os utilizadores e criando uma base sólida para as empresas do sector, que podem investir com segurança.
A criação do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) foi um marco para o segmento, uma vez que essa entidade do governo se ocupa de regular a prática do jogo online no país. Tudo para criar um ambiente seguro e de jogo responsável.
Com um presente construído sob uma base sólida de inovação e regulamentação, os casinos online conseguiram migrar do analógico ao digital com sucesso. Agora, no ambiente online, esses estabelecimentos voltados ao entretenimento estão a encontrar um público mais amplo e variado, além dos praticantes experientes, novos utilizadores se arriscam a provar alguma das modalidades.
Com o contínuo avanço da tecnologia, o futuro dos casinos online parece assegurado. Ao investir em novas ferramentas, como os óculos de realidade virtual, as plataformas especializadas podem oferecer experiências imersivas e repletas de detalhes, transportando o jogador para um casino digital rico em detalhes.
A nova casa dos casinos é a internet, disto não cabe dúvida. Para os que procuram o sucesso deste negócio, os desafios serão manter uma oferta atrativa e de qualidade, para garantir relevância na indústria gaming, uma das mais concorridas da internet.
Encostada ao muro do adro, no lado direito da igreja paroquial de São Martinho das Chãs, junto de outras peças de granito retiradas, presumivelmente, do antigo templo, está uma laje de granito de grão médio que ostenta, esculpida, uma figura feminina estilizada. As suas dimensões são: 1,37 m de altura; 0,66 m de largura na parte superior; 0,57 m de largura na parte inferior; atinge 0,13 m de espessura (que é irregular).
A igreja, de fundação românica, é uma das mais antigas do concelho de Armamar e a paróquia de São Martinho das Chãs uma das primeiras da diocese de Lamego. Nas escadas de acesso ao adro há duas lápides sepulcrais, reutilizadas, com inscrições bastante delidas. Diz-se que o primitivo templo teria sido erguido no século VI, ou seja, ao tempo que por ali viviam Visigodos. Mais se informa que, no chamado “Couto de Lumiares”, que integrava as povoações de São Martinho, Gogim, Vila Nova e Santa Cruz, chegou a imperar, no século XIII, o influente rico-homem D. Abril Peres, bisneto de Egas Moniz!
Capela de São Martinho das Chãs
Na página de São Martinho das Chãs na internet, afirma-se, pois, com inteira razão, que passear por essas paragens é como fazer «uma viagem no tempo», uma vez que «as ruas estreitas formam um aglomerado populacional compacto que remonta ao típico ordenamento medieval», chamando-se também a atenção para o antigo relógio de sol que existe na parede sul do vetusto templo. E, no que se refere à economia local, anota-se que «onde outrora se produziam muitos cereais, é hoje a maçã que domina a actividade agrícola, bem visível na paisagem marcada pelos pomares de macieiras».
Passou, porém, despercebida a laje figurada com que topámos e que perplexos nos deixou: de que época será? Desses remotos tempos visigóticos?
Quiçá!
Diríamos que uma auréola lhe envolve a cabeça, como se de santa se tratasse; os braços estão nos quadris, em jeito de quem vai ensaiar passo de dança, que os raios a partir da cintura, simulando saia pregueada, mais sugerem quem, de facto, se predispõe para um passo de dança do que posição de alerta perante insuspeitado inimigo. A mão direita passou para trás das costas; a esquerda, de longos dedos abertos, apoia-se sobre o abdómen. Foi rasgado um ténue sulco horizontal ao nível do pescoço.
Pedra tumular? Não nos parece, até porque essa hipótese deveria requerer alguns dizeres a explicar.
Afirmámos que a laje passara despercebida. Talvez não, porque, na entrada «Igreja paroquial de São Martinho das Chãs» do Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, se anota, na «Descrição Complementar»:
«Encostada ao muro da nave, do lado do Evangelho, sob o coro-alto, uma estela granítica com decoração raiada».
Poderá ser esta, que, tempos depois, alguém achou melhor pô-la… ao fresco!
Trata-se de uma arte rústica, uma figuração singular, que certamente vai interessar os especialistas das artes medievais e que, para já, deve suscitar nas autoridades locais a vontade de a preservar e de fomentar o seu enquadramento estético e cronológico.
Um marco de propriedade
De facto, nossas deambulações passam também por vinhedos, não para ajuizar da sazonal valia da safra, mas por sermos impenitentes curiosos. Por isso, nos chamou a atenção, a escassos metros da capela setecentista de Nossa Senhora da Conceição, um marco decorado, na Quinta de Vilarinho, a meia encosta, no extremo de uma vinha, junto a caminho de acentuado declive, na povoação de São Joaninho, freguesia de Vacalar, também do concelho de Armamar.
De granito de grão médio, mede 1 m de altura acima do solo; 0,47 m de largura; e atinge 0,23 m de espessura, sendo também de talhe tosco. Apresenta na parte superior um círculo vazado, de 0,26-0,30 m de diâmetro, com rosácea de oito raios em relevo. Sob ele, esculpido, um motivo em forma de elipse ou C invertido.
Ao contrário da estela anterior, que não mereceu atenção de maior, este foi classificado, por José Gonçalves Monteiro, na pág. 222 da sua obra, Armamar – Terra e Gente (Armamar, 1999), de «marco pombalino», sugerindo o autor, pela existência da rosácea («tudo indica», escreve Monteiro), o possível aproveitamento de uma «estela funerária (luso-romana?)».
Não é.
Primeiro, porque os marcos pombalinos são aparelhados e ostentam, habitualmente, a inscrição FEITORIA e respetivo ano de implantação. Readaptação de uma estela funerária romana também não será, por se apresentar com uma tipologia bem diversa da dessas estelas.
Aproveite-se o ensejo para assinalar que também na localização Gonçalves Monteiro se equivocou, porquanto o marco não se encontra, de facto, «a cerca de 80 metros da capela» de S. José, sita na Quinta de S. José do Barrilário.
Mais um desafio, por conseguinte, aos historiadores locais: que senhor tinha por distintivo das suas propriedades esse motivo geométrico? Outros haverá pelas redondezas? Na verdade, se, como pensamos, é marco de propriedade, decerto mais haverá que encontrar!
Da autoria do eborense Francisco Carvalho Rosado (n. 1942), o volume tem três partes. Traça-se, na 1ª, um panorama do contexto histórico que, em meados do século XVI, em Portugal, levou à criação deste tribunal eclesiástico; explica-se, na 2ª, o seu modo de funcionamento e objectivos que prosseguia; e referem-se, na 3ª, depois de brevíssimo apontamento sobre a história de Cascais, os 53 processos que constam no Arquivo Nacional da Torre do Tombo referentes a pessoas de Cascais.
São, originalmente, documentos manuscritos, nem sempre fáceis de decifrar, inclusive devido às diferentes mãos que os redigiram e, por conseguinte, o trabalho do autor foi não apenas o dessa decifração mas também o de nos fornecer o necessário enquadramento histórico, que soube haurir na vasta bibliografia consultada e de que nos dá conta no final.
Identificam-se os inquisidores (geralmente bispos ou elementos eclesiásticos); descreve-se o processo habitual do interrogatório e as fórmulas nele usadas.
Circunstanciados quadros sinópticos permitem-nos ter, de imediato, uma ideia do que aconteceu. Assim, as acusações versaram os crimes de prática de judaísmo e islamismo, solicitação (o que hoje se chamaria ‘assédio’!…), sodomia, bigamia, feitiçaria e, de um modo geral, actos ou palavras que beliscassem a fé cristã. Também havia meticuloso processo de recolha de informações acerca dos pretendentes a ‘familiares’ do Santo Ofício, ou seja, daqueles que se candidatassem a fazer parte dos agentes e que, por isso, não deveriam apresentar mácula e tudo das suas vidas era devidamente esmiuçado.
SEXO NO CONFESSIONÁRIO
Há, portanto, material – não muito abundante, diga-se – para se ter uma ideia de como (mal) se comportaram alguns elementos da população cascalense. Sim, que para um período de 250 anos, 53 processos é manifestamente pouco! Porventura, alguns casos terão ficado ‘atabafados’ e há que recordar que se trata de um tribunal de cariz religioso, isto é, julga-se quem vá contra a prática religiosa do Estado. E insere-se aqui a palavra Estado, porque não há dúvida ser boa parte dos processos – nomeadamente os contra os cristãos-novos (a tal acusação de judaísmo) – motivada mais por motivos económicos (a 1ª sanção era sempre o confisco dos bens, ora já se está a ver!…) do que propriamente por razões religiosas.
Assinale-se que, nesse contexto, o «segredo» da confissão desempenhou papel importante – já o Doutor José Pedro Paiva tivera ocasião de o assinalar – porque, embora «segredo», algo transpirava daí. Mas nem sempre o que de ‘anormal’ se passava no confessionário seria divulgado, para (dir-se-ia em linguagem corrente) se não ‘matar a galinha dos ovos de oiro’!…
Desse âmbito há uma das narrativas, porventura das mais ‘curiosas’, referente ao Padre Domingos Rodrigues Leitão, de 35 anos, que ficou, por tal motivo, proibido de voltar a confessar mulheres, e que assim se descreve:
«… ficando ambos sós dentro no dito oratório perguntou ele confitente à dita Tereza de Jesus se se queria confessar, ao que ela respondeu em forma que ele percebeu que a levava ali a malícia e não a devoção, e sentando-se ela junto a ele estiveram assim conversando em práticas amatórias, e ele esfregou nas mãos pondo-lhe também as duas no rosto dela, e se ajustaram para outra ocasião consumarem o fim do seu afecto, como com efeito fizeram daí a alguns dias, e enquanto durou esta prática amatória lasciva para persuadir em que havia confissão sacramental apenas» (p. 99).
Nessa mesma página se conta que o Padre José Neto da Veiga «recebera um escrito de amores» e que, na sequência disso, «fingindo ouvir confissão sacramental», tivera «práticas amatórias» e «tocamentos lascivos».
Estes são dois dos apenas quatro sacerdotes referenciados em processo e todos do século XVIII. Anote-se que, de resto, ter comportamentos amorosos só era crime se concretizados em ambiente de confessionário; fora, era pecado.
TORTURAR CRISTÃOS-NOVOS
Não se encontrou condenação à fogueira. Degredos há vários; obrigação de envergar hábito penitencial e pagamento de custa são os castigos mais correntes, além do referido confisco de bens.
Havia, porém, instrumentos de tormento para obrigar os incriminados a confessarem e, sobretudo, a denunciarem outros, porque a denúncia era muito bem vista sobretudo em relação (imagine-se!) a «pessoas chegadas e conjuntas em sangue e a que tenham particular afeição». Aliás, compreende-se ser fácil essa espécie de «fiscalização social», numa altura em que a vida na rua era corrente e, numa terra, todas as pessoas se conheciam bastante.
«O ‘potro’ era uma estrutura rectangular, que tinha ao todo oito cordas que amarravam o réu, duas por cada membro». Accionava-se uma manivela para ir aumentando a tensão, se o réu resistia e não confessava. Estava presente um médico, para avaliar a capacidade de sofrimento sem que as fibras musculares ficassem inutilizadas.
gravura demonstrativa do funcionamento do potro
Na polé, o outro instrumento, «a vítima era suspensa pelas mãos numa roldana presa ao tecto, com pesos nos pés. Depois deixavam-na cair com violência sem tocar no chão» (p. 90).
gravura demonstrativa do funcionamento do polé
Em relação a motivos de condenação, para vermos quanto nos separa desses tempos, além de, por exemplo, ter sido considerado acto contra a fé um grupo ter, um dia, simulado, em jeito de comédia, uma cerimónia religiosa, estoutro, de José dos Santos Rebelo, capitão do navio Nossa Senhora do Bom Conselho, é significativo. Ora aconteceu que, em determinado trecho da viagem, para o Brasil, ao ver que as coisas não estavam a correr de feição, o capitão perdeu as estribeiras e «entrou em desesperar-se e a proferir palavras escandalosas, malsoantes, heréticas e isto não uma vez se não muitas e em diversas ocasiões, estando sempre em seu perfeito juízo». E quais foram, então, esses impropérios? «Que Deus não era de misericórdia»; «Que o diabo levasse o vento»; que, da próxima vez, antes de embarcar, iria consultar uma feiticeira; que Santo ANTÓNIO era um bom traste e «que lhe havia de marrar com a cabeça pelas amuradas do navio».
Enfim, exclamar-se-á: outros tempos, outras ideias! E quão condenados seríamos nós, hoje, todos os dias, mormente quando nos apetece verberar, ao jeito que sabemos, os detentores do Poder. Sim, porque isso da Inquisição não mais era, no fundo, do que uma questão de… Poder!
Tudo começou com uma mentirola política, coisa que normalmente não tem grandes consequências, mas que, desta vez, está a causar algum alarido na política, tanto na Madeira como no continente.
A mentirola foi a promessa de Miguel Albuquerque que se demitiria se o PSD não obtivesse maioria absoluta. Apesar do PSD concorrer coligado com o CDS, não conseguiu a desejada maioria absoluta. E não se demitiu.
cartoon de Hélder Dias
Não se demitiu porque, tudo indica, já havia negociado com a cabeça-de-lista do PAN o apoio que lhe faltava (apenas 1 deputado) caso o PAN conseguisse eleger algum. O PAN elegeu e Mónica Freitas antes de se sentar no parlamento madeirense já está sentada no centro da polémica dentro do seu próprio partido.
O porta-voz do PAN Madeira diz que o acordo de Mónica com Miguel Albuquerque “vale zero” enquanto não for ratificado pelos órgãos internos do partido.
E no partido, a coisa não é pacífica, apesar da Comissão Política Permanente (CPP) assumir que apoia o acordo com o PSD Madeira.
Para o PAN é uma oportunidade de introduzir as causas do partido na governação da Madeira. Numa comunicação aos militantes, A CPP fala em “momento histórico” e que o PAN “tem nas suas mãos o poder de fazer a diferença”.
O PAN é um pequeno partido, mas gosta de estar próximo do poder, apesar de não se ter dado bem no apoio que deu à geringonça socialista na legislatura passada. Os resultados eleitorais foram bastante penalizantes.
Segundo a comunicação aos militantes que estamos a citar, a CPP do PAN afirma que se está a cumprir com a defesa das “causas animalistas, ambientalistas e da população mais vulnerável”. O que o PAN diz estar a negociar com o PSD Madeira é, por exemplo, vacinas gratuitas para os animais, apoio à esterilização para todos os animais, proteção integral da floresta Laurissilva, mas também maior proteção para vítimas de violência doméstica, apoio às rendas de casa, criação do passe social único.
Nada que agrade ao CDS, o principal parceiro do PSD na Madeira, partido que prefere marialvas e touradas.
A Nissan Motor acaba de anunciar que todos os novos modelos para venda na Europa serão totalmente elétricos e que planeia vender apenas veículos elétricos (EVs) até 2030, juntando-se a um número crescente de fabricantes de automóveis que mudam para elétricos até ao final da década.
“Não há como voltar atrás agora”, segundo um comunicado assinado pelo CEO da Nissan, Makoto Uchida.
A marca japonesa diz que um dos dois novos modelos de EV que já confirmou para a Europa será fabricado em sua fábrica de Sunderland, no nordeste da Inglaterra.
Ford e Stellantis também pretendem ser totalmente elétricas na Europa até 2030, assim como a Volvo.
Todas estas marcas têm dominado o setor automóvel na Europa, mas agora enfrentam as fábricas chinesas que produzem mais barato e que estão a chegar à Europa com EV abaixo dos 30 mil euros.
“Há muita concorrência a acontecer… os chineses estão a chegar em massa”, diz o comunicado do CEO da Nissan. “Os chineses avançaram muito, muito mais rápido do que esperávamos.”
Neste comunicado não há qualquer referência às anunciadas ideias de Ursula von der Leyen da Europa adoptar leis protecionistas para as marcas europeias, na maioria dos casos alemãs, francesas e italianas.
Mulher entre os 50 e os 60 anos, encostada ao balcão numa loja de uma empresa de transportes públicos na região de Lisboa. Um único funcionário não conseguia despachar aquela cliente e a fila aumentava atrás dela.
Eram muitas questões a precisar de resposta. A começar pelos horários das carreiras de autocarros entre a Malveira e Lisboa. A cliente dizia que não percebia patavina do que estava no site da Carris Metropolitana, até porque a maior parte do horário está com a enigmática indicação “sem hora de passagem”. O funcionário dizia-lhe as horas estimadas de passagem dos autocarros e ela tomava nota num caderno.
Depois quis explicações sobre ligações intermodais. Qual a melhor opção para ir de Lisboa para o Porto, a partir da Malveira. Comboio? Flixbus? Expressos da Rodoviária Nacional? Em Sete Rios ou no Oriente? O que complicou ainda mais a procura pelos horários mais compatíveis entre as várias opções. Atrás dela, a fila continuava a aumentar. E os preços dos bilhetes…
Todos ouvíamos a conversa e ficámos a perceber que se tratava de uma professora (talvez do 1ºciclo) residente no Porto e colocada numa das escolas da Malveira. O problema dela era não só decifrar a questão dos horários, mas também perceber qual a opção mais barata para chegar ao Porto. Acabou por descobrir que não iria a casa todos os fins-de-semana. Porque o salário que sobra depois de pagar quarto e as despesas com a família a 300 e tal quilómetros de distância, não chega para comer todos os dias e ainda ir ao Porto todos os fins-de-semana.
Não se tratava de uma jovem professora em início de carreira. É uma professora quase a chegar à idade da reforma. Será um dos muitos casos de professores que não aguentam viver assim, longe da família, por tão pouco salário. O mais provável é daquia uns dias ou semanas, alegar esgotamento e ir para uma baixa médica prolongada. Ficará, então, em casa, perto da família.
Pelo que lemos nas notícias, este não será um caso isolado. Ainda há dias, a FENPROF dizia que há mais de 90 mil alunos sem pelo menos um professor, neste início de ano escolar. E que em 2023/24 se estima que 3.500 docentes com turmas atribuídas irão aposentar-se. O pior é que ninguém percebe porque razão as escolas não têm um quadro permanente completo de professores. Não se percebe a dificuldade em criar um ambiente laboral sereno nas escolas.
Ao contrário da maioria dos seus antecessores, Luís Montenegro deslocou-se no pretérito domingo à Madeira, para festejar a hipotética maioria absoluta do PSD/CDS naquele arquipélago, numa clara tentativa de dar uma leitura nacional a uma eleição regional, cuja especificidade, está mais próxima das autárquicas do que de qualquer outra eleição de âmbito mais abrangente.
Ao contrário das expectativas criadas pelas empresas de sondagem, não acertam uma, Luís Montenegro também parece que não, o PSD local perdeu a maioria absoluta, tendo agora que negociar com o PAN ou com a IL. Mas Montenegro cavalgou um garrano em vez de um cavalo lusitano, com esta ida à Madeira.
A vitória da coligação PSD/CDS na Madeira, mesmo perdendo um deputado no parlamento, que lhe garantia o poder de decidir por si só toda a legislação para o qual está habilitada a aprovar, não tem nada de transcendente. É assim há 47 anos.
Ao contrário dos palpites dos nossos comentadores prime time, sempre tão predispostos a dar explicações inverosímeis, nas cadeias de televisão, sobre as causas e as consequências dos resultados eleitorais, o interessante seria tentarem estudar, perceber e explicarem-nos de forma clara, porque razão não há alternativas ao PSD naquela região, mesmo sem alcançarem a maioria absoluta.
Até podemos falar de caciquismo, mas não podemos falar de ditadura. A Madeira, que eu conheço relativamente bem, sempre foi um espaço onde as pessoas se puderam manifestar livremente e fazer as suas escolhas.
Ao contrário do truculento Alberto João Jardim, o verdadeiro pai da autonomia regional, o qual nunca teve dúvidas em assumir uma divida orçamental na região, em prol da Madeira, com bastante peso nas contas públicas nacionais, como aconteceu no tempo de Cavaco Silva, o PS, em relação à autonomia regional, sempre navegou em águas turvas. Como se diz na gíria popular: “Não fornica, nem sai de cima”. Vive numa imensa ambiguidade, por vezes letargia, sem saber para que lado quer ir. E o PSD regional, ao contrário do nacional, está bem mais próximo do Estado Providência, do que os seus correligionários do continente, com aquela máquina de dar empregos, benesses, subsídios, tão comum nas autarquias nacionais, as quais criam uma relação de dependência emocional entre o eleitor e o governante. Essa dependência cria uma relação de estabilidade entre ambos, que só é quebrada aquando de uma crise económica que suspenda esse desígnio. O PS nacional sabe bem como funciona o esquema. Não é por acaso que alcançou uma maioria absoluta contra todas as expectativas. Recebeu os louros da Geringonça.
Ao contrário da emigração continental, cujos destinos foram na década de 60 e 70, a Europa do pós guerra, fortemente politizada e proletarizada, a maioria da emigração madeirense encaminhou-se para a Venezuela e África do Sul. Nesses países os emigrantes estabeleceram-se em grande parte como patrões. Muitos deles já regressaram com aquele sentimento do Retornado.
Proprietários de pequenos e médios negócios, formando nesses locais uma espécie de classe média endinheirada, apesar de pouco letrada, mas com convicções politicas muito similares à dos antigos colonos das ex províncias ultramarinas, estes são conservadores por natureza. Gente de aforro e poupanças, de investimento no pequeno imobiliário, preferem não arriscar qualquer mudança. Tudo isso se reflete na sociedade madeirense, pelo que o resultado eleitoral só é estranho para quem não conhece a Madeira.
Se levarmos em linha de conta o passado recente, em termos de política ambiental, não se auguram bons ventos para a concretização de uma efetiva agenda ambiental para o país. O que dizer do incumprimento, ano após ano, das metas de reciclagem de resíduos; da lei dos solos que não vê a luz do dia; da lei de bases do clima que nunca mais é regulamentada, documento fundamental de toda a estratégia ambiental do país; da aprovação do Simplex Ambiental, que apresenta a regulamentação ambiental como um empecilho ao desenvolvimento, ou mesmo do licenciamento, pouco claro, da exploração de lítio no país, entre muitos outros exemplos.
Há que reconhecer que o país já tem muito trabalho desenvolvido em termos de legislação ambiental, no entanto, e de uma forma geral, falta um maior compromisso na sua implementação e fiscalização. O Governo português tem implementado um conjunto de medidas para promover a preservação e proteção do ambiente, como o Plano Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (PNAAC), o Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC2050), o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), o Roteiro Nacional para a Adaptação 2100, o Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC) só para mencionar alguns. No entanto, fica sempre no ar um sentimento de resultados medíocres, pouco conseguidos, face aos objetivos traçados.
O facto é que o País enfrenta uma série de desafios ambientais incontornáveis, onde se destaca, a adaptação às alterações climáticas, a neutralidade carbónica, a diminuição da poluição nas suas diversas formas e o uso insustentável dos recursos naturais.
As alterações climáticas já estão a ter um impacto significativo em Portugal, nomeadamente no aumento da frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos (seca prolongada, cheias e ondas de calor). É necessário adaptar-se aos impactos das alterações climáticas, investindo em infraestruturas resilientes e desenvolvendo planos de adaptação. Portugal comprometeu-se em atingir a neutralidade carbónica até 2045, antecipando-o em 5 anos, mas a verdade é que existe um longo caminho a percorrer. É necessário acelerar a transição energética, para uma economia neutra em carbono, investindo em energias renováveis, eficiência energética e mobilidade sustentável. A poluição é um problema ambiental que afeta todos os ecossistemas em Portugal, sendo necessário desenvolver estratégias que permitam reduzir a poluição atmosférica, a poluição da água e a poluição do solo, investindo em inovação e tecnologia, infraestruturas de tratamento e promovendo a educação e sensibilização ambiental. Por fim, o uso insustentável dos recursos naturais que, sendo uma das principais causas da degradação ambiental coloca em causa a nossa sobrevivência como espécie.
O desafio que Portugal tem pela frente exigirá de todos nós um esforço sério, comprometido e concertado de todos os agentes da sociedade. É necessário um novo modelo de economia que permita o equilíbrio entre aquilo que são as necessidades da sociedade e os limites do planeta, permitindo que este continue a fornecer o necessário suporte à nossa existência.
O Governo tem aqui um papel fundamental na definição do caminho, devendo assumir um papel de liderança, criando as condições para a definição de políticas ambientais ambiciosas e promoção da participação pública na definição dessas políticas. As empresas, por sua vez, têm a responsabilidade social de adotar práticas sustentáveis e em investir em tecnologia que permita diminuir os danos no ambiente, mas também, ajudar à sua preservação. Os cidadãos, por sua vez, precisam de estar conscientes do seu papel e decidir de forma a diminuir o impacto das suas ações no ambiente, mas também, atuar como agentes da mudança pressionando governos e empresas a atuar. O sucesso deste novo modelo é essencial para o futuro de Portugal.