EUROPA NÃO QUER ELÉTRICOS CHINESES BARATOS

O preço dos automóveis elétricos chineses está a provocar uma espécie de “alergia” aos construtores e aos dirigentes políticos e a Presidente da Comissão Europeia acaba de anunciar que deu início a uma investigação para apurar se o preço dos carros chineses se deve a financiamento estatal. Caso isso venha a ser dado como provado, a UE irá aplicar sanções às importações de veículos chineses, de modo a equilibrar os preços.

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Se a senhora Ursula von der Leyen falasse claro, ela diria que os chineses produzem 20% mais barato porque têm condições únicas para isso, a saber: mão de obra barata e inesgotável, acesso previligiado a matéria prima, controlo do ciclo industrial desde os componentes eletrónicos às partes metálicas, crédito bancário desburocratizado, ausência de entraves ambientais para a implantação de novas unidades industriais. Isto só para mencionar o que é mais evidente, mas haverá outros fatores que contribuem para o preço final dos veículos elétricos, um dos quais não será de desprezar, que é um mercado interno imenso capaz de suportar o esforço de internacionalização das marcas chinesas.

A questão da concorrência não devia constituir polémica em economias capitalistas, mas o que vemos é que só não é polémica quando se trata de esmagar direitos de trabalhadores. Quando toca nos lucros das empresas ocidentais, torna-se polémica. E, bem nos lembramos, que foram essas empresas as primeiras a deslocalizar unidades industriais para a China, para aproveitar a mão-de-obra barata e o imenso mercado interno, deixando um rasto de desemprego por essa Europa fora.

Na verdade, todos os países financiam as indústrias que consideram importantes para as respetivas economias. São os terrenos industriais cedidos a custo zero, são as isenções fiscais, são os apoios financeiros por via de “bazucas” comunitárias ou outras, mais os créditos bonificados, mais a ausência de aplicação de leis sancionatórias nos casos de desvio dos descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, etc.

Há ainda outra questão, política. A China é um dos principais aliados da Rússia e, nesta fase de confronto entre os exércitos da NATO e o russo, o ocidente precisa de minar, tanto quanto possível, a economia chinesa, para complicar o esforço de guerra da Rússia e, ainda, para contrariar as ideias do BRICS de abandonar o dólar americano como moeda principal do comércio internacional.

No momento em que a China já é o primeiro ou segundo exportador mundial de veículos automóveis, atacar o setor parece ser fundamental, segundo o plano de Ursula von der Leyen.

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