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UCRANIANOS BARATOS

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Alimentar a guerra na Ucrânia é a maneira mais barata de evitar que a Rússia seja uma ameaça para a NATO.

Como entender o conceito de “barato” perante a morte de centenas de milhar de pessoas, sejam eles russos ou ucranianos?

Quem falou assim foi a ministra da defesa da Holanda, senhora Kajsa Ollongren.

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“Tinto ou branco?” perguntou Isaltino

“Já foram à Casa Galega? O arroz de lavagante é maravilhoso!”, foi assim que Isaltino começou a enumerar, em plena reunião da Assembleia Municipal,  as suas opções para almoços de trabalho. E sendo de trabalho, pagos pela Câmara Municipal.

Ao justificar as suas escolhas, “e os bifes fritos, e a feijoada?”, Isaltino virou o feitiço contra o feiticeiro, pelo menos do ponto de vista dos proprietários das casas de pasto mencionadas, cerca de 50 ao todo. Os que ficaram de fora, certamente que se apressaram a convidar o autarca, na esperança de que ele volte a promover uma segunda fileira de especialidades gastronómicas.

“Tinto ou branco?” perguntou Isaltino. E há quem responda: se for Pêra Manca, cheio. A lista quase completa (passe a publicidade) fica aqui:

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Aquilo que começou por ser um escândalo e apontado como maus exemplos de como Isaltino gasta o dinheiro dos munícipes, foi rapidamente transformado numa tremenda ação de promoção dos restaurantes do município.

No fundo, no fundo, talvez nem seja o que parece. Há sacrifícios que nem sonhamos…

cartoon de Hélder Dias

LUTA NA LAMA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

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Ficou provado que se quiserem tirar a extrema-direita da Assembleia da República, as outras forças políticas apenas têm de confrontar com firmeza os deputados do Chega.

Eles fingem que saem em protesto, mas saem da sala e o ar fica, certamente, mais respirável.

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MUNDO PERIGOSO

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Nos “States”, cresce a contestação ao apoio militar à Ucrânia, na mesma medida em que aumenta o som da voz dos que estão dispostos a bombardear o México. Bom, sempre será uma guerra de maior proximidade. E com objetivos mais percetíveis para o comum dos estadounidenses: a proteção da fronteira, o combate à imigração ilegal, a guerra contra os narcotraficantes.

É verdade que aumenta o número de imigrantes ilegais a passar a fronteira do México, mas também parece evidente que há uma campanha mediática para enfatizar a questão.

Subitamente, nas redes sociais começaram a circular inúmeros vídeos sobre entrada de imigrantes. E muitos vídeos com cenas pungentes de multidões de viciados que deambulam vacilantes pelas ruas de várias cidades dos EUA.

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O aproveitamento político é evidente. Donald Trump joga tudo para conseguir ser novamente nomeado candidato presidencial pelo Partido Republicano. Se falhar, o risco de ser preso é real, devido aos processos judiciais que correm contra ele, pelo patrocínio que deu à invasão do Capitólio, por fraudes fiscais, etc.

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Trump foi o primeiro a dizer que se o México não tem capacidade para resolver os problemas no seu território que os EUA deveriam tomar essa iniciativa.

notícia sobre a preparação de uma guerra contra o México, caso Trump venha a ser eleito Presidente dos EUA

Um discurso que tem sido copiado por outros políticos, alguns deles concorrentes de Trump. Por exemplo, o governador da Flórida, Ron DeSantis, prometeu que enviaria forças militares para o México no “primeiro dia” caso fosse eleito presidente. Vivek Ramaswamy, empresário que se tornou candidato à presidência, disse que usaria “a força militar para dizimar os cartéis, ao estilo Osama bin Laden, ao estilo Soleimani” nos primeiros seis meses da sua presidência. O senador Will Hurd disse que quer “desmantelar as redes de cartéis e de contrabando de seres humanos, tratando-os da mesma forma que tratamos os Taliban e a Al Qaeda”.

Em janeiro, no Congresso, 21 republicanos – liderados pelos deputados Dan Crenshaw e Michael Waltz – apresentaram uma proposta de lei para autorizar o uso da força militar contra os cartéis do México. Em março, o senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, anunciou que iria apresentar uma proposta para “preparar o terreno” para uso de força militar no México. O senador James Comer, disse ter sido um “erro” Trump não ter não ter dado ordem de “disparar mísseis contra o México para destruir os laboratórios de drogas”.

Ao nível do palavreado, estamos nisto.

notícia que cita o secretário da defesa da presidência de Donald Trump sobre a ideia de bombardear o México

‘ESPÍRITO PARA O NEGÓCIO’

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Depois dos EUA, a Alemanha talvez seja o principal fornecedor de armamento à Ucrânia. Além do famoso tanque Leopard, construído pela empresa Krauss-Maffei, armado pela Rheinmetall e motorizado pela MTU Friedrichshafen, a Alemanha fornece blindados Marder e munições em barda. Como não se trata de doações, a dívida ucraniana já deve atingir números galácticos que, na verdade, ninguém imagina como vai ser paga.

Ao mesmo tempo que a Alemanha vende armamento, vende igualmente material médico. Entre as empresas alemãs que se destacam nesta área, está o nome OttoBock, num extenso rol de fornecedores. A guerra já se transformou num negócio multimilionário para tudo o que é fabricante, traficante, intermediário, comissionista ou contrabandista de armamento, rações de combate, ansiolíticos e… próteses.

OttoBock é uma empresa fabricante de produtos médicos, nomeadamente próteses, órteses e cadeiras de rodas tecnologicamente avançadas. É igualmente dinheiro em caixa, uma vez que se estima que mais de 50 mil pessoas tenham ficado amputadas de um ou mais membros, desde que a guerra começou, na Ucrânia.  

Mas, é muito curioso vermos o que foi publicado no jornal norte-americano Wall Street Journal. A OttoBock também fornecia os seus produtos à Rússia, igualmente com um elevado número de amputados, quer militares quer civis. O negócio com a Rússia foi interrompido subitamente, quando o jornal americano o destapou.

Claro que os negócios com a Rússia eram feitos “indiretamente”, mas é para isso que servem os intermediários. Nos pormenores, os alemães revelam-se tipos com grande pragmatismo e fiéis à máxima “o dinheiro não tem cor”.

Para algumas pessoas, a guerra não precisa de ser um drama.

VINHO ENGARRAFADO HÁ 50 SÉCULOS

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É vinho e foi engarrafado há uns 5 mil anos. Nunca foi bebido. Os jarros estão ainda selados. São centenas de jarros que foram cheios de vinho e enterrados na tumba de uma rainha egípcia, de nome Merneith ou Meret-Neith.

Uma rainha que é uma personagem ainda mal conhecida, que terá governado durante a 1ª dinastia, uns 3 mil anos antes de Cristo, mas que gostava de vinho, atrevemo-nos a dizer. De outro modo, o que faziam ali centenas de jarros cheios de vinho, se não fosse para Sua Excelência se deleitar nas longas horas da eternidade…?

A tumba e os jarros foram encontrados durante escavações arqueológicas num sítio chamado Umm El Qa’ab, no centro do Egipto.

alguns dos jarros de vinho desenterrados em Umm El Qa’ab

Um dos arqueólogos abriu um dos jarros e encontrou restos de vinho. Talvez a borra possa ser agora analisada para nos dizer alguma coisa sobre a produção antiga desse néctar milenar. Aprender alguma coisa sobre os métodos de vinificação de há 50 séculos, seria interessante, sem dúvida.

trabalhos arqueológicos em Umm El Qa’ab

A TÁTICA É DESPEDIR

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O que se está a passar na TSF e no jornal A Bola é paradigma do que estamos a falar. Quando Marco Galinha apareceu, parecia cheio de certezas. Com o tempo, percebemos que as “certezas” eram meras tentativas de rentabilizar um mau negócio que, paulatinamente, se revelavam atos falhados.

O que este tipo de gestor sabe melhor fazer é despedir trabalhadores. Um método que o tempo já mostrou não resultar sequer em fábricas de panelas, menos ainda em empresas de comunicação social.

Sempre foi assim. Já em 2002, na 1ª vaga de crise na comunicação social, os delegados sindicais dos jornalistas da SIC atreveram-se a publicar no jornal Público uma carta aberta aos acionistas da empresa, na tentativa de fazer parar o primeiro despedimento coletivo então em marcha.

Dizia essa carta que “aquilo que constituiu sempre a primeira razão do sucesso da SIC – os trabalhadores da empresa – começa a desaparecer na voragem desta gestão” e adivinhavam um futuro repleto de incertezas e de prejuízos. O que os delegados sindicais dos jornalistas disseram aos acionistas da SIC foi que eles “pelo menos, podiam ajudar a empresa a voltar a um clima sereno onde se gerem soluções bem pensadas para retomar os caminhos do sucesso, do lucro” e do prazer de trabalhar (que era o grande trunfo da SIC). Não foram escutados, foram despedidos juntamente com muitos outros trabalhadores. A SIC demorou duas décadas até voltar a liderar o prime-time.

É um exemplo que poderia iluminar o pensamento dos atuais acionistas e gestores de outros órgãos de comunicação social. Infelizmente, não acreditamos que sejam capazes de despir a tradicional arrogância que costumam ostentar.

Hoje, no site do Sindicato dos Jornalistas, lemos que a administração da Global Media ameaça todos os trabalhadores com uma espécie de solução final, “última e decisiva tentativa de salvar um projeto que se encontra insustentável”. Ao ler isto, percebemos que não pode haver ninguém na redação da TSF capaz de ir trabalhar com serenidade, sem angústias e incertezas.

No mesmo site, o que se passa no jornal A Bola: “o grupo suíço (Ringier ) optou por uma estratégia agressiva para tentar ver-se livre de dezenas de jornalistas, procedimento que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) condena e lamenta. É uma ação de uma dimensão poucas vezes vista em Portugal.”

Adivinhamos a tática dos suíços: despedir 100 para contratar 50 com salário mínimo. É dinheiro em caixa e para o público que existe, sucedâneo de bacalhau basta (adaptação de um velho ditado popular às atuais circunstâncias).

A Bola vai ser mais um sítio com um chorrilho de títulos extravagantes, com conteúdos alavancados em parcerias comerciais com sites da Microsoft, como já se está a ver, de resto.

promoção a conteúdos do jornal A Bola

O que vai resultar é o desastre completo de um jornal histórico português, coisa desprezível para um suíço, apostamos.

LIBERDADE PARA CONTINUAR A POLUIR

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Aparentemente fartos de regras ambientais, na verdade submetidos às necessidades da indústria, um grupo de países membros da União Europeia tomaram posição contra a aplicação da chamada norma Euro 7, a diretiva que impunha sérias restrições às emissões de carbono nos automóveis. Em junho disseram não, demorou pouco a fazerem-lhes a vontade.

A reboque dos interesses da indústria, a Euro 7 vai ser reescrita, acaba de ser anunciado. A nova orientação destina-se a atenuar os custos de produção dos automóveis, o que não significa que eles venham a ficar mais baratos. Significa apenas que vão continuar a poluir mais ou menos o mesmo. Garantido fica, também, o lucro financeiro.

Estamos a assistir a contradições em série, não só de decisões da UE, mas também face aos apelos da ONU para que políticas ambientalistas sejam adotadas com urgência, para minimizar prejuízos decorrentes das alterações climáticas. Em simultâneo, as principais marcas de automóveis garantem que dentro de seis ou sete anos só irão vender veículos elétricos no mercado europeu. É um quadro de mensagens confusas.

A descarbonização do setor automóvel era um dos pilares dessas políticas ambientalistas, mas depois da França e da Itália terem recusado a norma Euro 7, afirmando que são demasiado ambiciosos e irrealistas para os fabricantes de automóveis, a definição dos limites de emissão de gases de escape a partir de 2035 ficou relegada para as calendas gregas.

Para renegociar esta questão, a Espanha, que detém a presidência rotativa da União Europeia, apresentou um texto de compromisso que teve a concordância  do Conselho da União Europeia e o grupo de ministros da UE. O Conselho, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia irão agora negociar um acordo final sobre os novos regulamentos. A coisa caiu no mundo dos burocratas, fazedores de labirintos onde os cidadãos demoram a perceber que estão perdidos.

O PRISIONEIRO QUE PINTAVA

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Fulton foi apanhado a vender droga. É negro. Foi condenado a prisão perpétua. Acontece na América.

Os Estados Unidos da América batem todos os records de população encarcerada. A dureza do código penal não diminui a criminalidade. Só condenados a prisão perpétua são mais de 17 mil americanos, a maioria por crimes relacionados com droga. Fulton era um deles, até ter beneficiado de um perdão presidencial.

A filha de Fulton tinha 2 anos quando o pai foi condenado. Vinte anos depois, perante a iniquidade da pena aplicada ao pai, escreveu uma carta a pedir clemência a Barack Obama. E foi o que aconteceu.

pintura representativa da carta enviada ao presidente dos EUA e que mudou a sorte de Fulton Leroy Washington

O que faz esta história diferente é que, apesar de ter estado 21 anos numa cela, sem esperança de voltar a ser livre, Fulton nunca se sentiu encarcerado. Por impulso, começou a pintar. E o espírito viajou livremente pelas montanhas da criatividade. Pintou o que via e o que sabia serem os sonhos e os anseios dos outros que o rodeavam. Afinal, não seriam tão diferentes dos seus próprios demónios.

quadros de Fulton Leroy Washington
quadro de Fulton Leroy Washington

Os quadros de Fulton saíram com ele da cadeia. Foram juntos para casa e hoje servem de tema para conferências sobre o sistema prisional.

no atelier de Fulton Leroy Washington

O antigo prisioneiro continua a pintar. A vocação descoberta na cadeia continua a ser alimento para a alma. Os que se vendem, contribuem para o sustento de um homem de 63 anos que não tem qualquer hipótese de encontrar um trabalho com salário digno.

Fulton Leroy Washington a pintar

Os quadros de hoje têm sorrisos. Os de ontem mostram solidão, desesperança, saudade, sonhos, memórias.

quadros de Fulton Leroy Washington

Fulton tem um site onde mostra o trabalho que produz, onde podemos comprar algum quadro e contribuir para os dias que continuam a ser de luta por justiça. O endereço do site é artbywash.com – um nome que recorda a alcunha de Fulton na cadeia, “Mr. Wash”.

PORTAGENS COM DESCONTO DE 30%

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O Governo anunciou uma redução de 30% nas portagens de algumas autoestradas. Mas o que parece ser uma redução na despesa, acaba por não ser. É que a ministra Ana Abrunhosa, ao anunciar esta decisão, acrescentou que vai ser necessário “encontrar uma compensação” porque as concessionárias das autoestradas não podem perder essa receita, algo estimado em 72 milhões de euros anuais.

Portanto, se não pagamos na portagem, vamos acabar por pagar de outra maneira. No que diz respeito à coleta de impostos e taxas, a imaginação dos governantes não tem limites.

O ideal seria, mesmo, acabar com todas as portagens. O financiamento da construção e manutenção dessas vias poderia ser feita diretamente, sem nenhuma necessidade de intermediários, que é o que os concessionários são.

Os descontos agora anunciados irão incidir nas portagens da  A22 (Via do Infante), A23 (Beira Interior), A24 (Norte), A25 (Beiras), A4 (Marão), A13 e A13-1 (Pinhal Interior), entre outras, quase todas entre as chamadas ex-SCUTS.

O desconto de 30% é em exclusivo para veículos classe 1. As viaturas das restantes classes, como veículos pesados de passageiros e de mercadorias, vão beneficiar de um desconto de 13% no período diurno, mantendo-se os valores atuais no período noturno. Tudo isto é um bocado confuso, dá a ideia de não haver regras genéricas para este tipo de cobranças.

colagem fotográfica

A ministra da Coesão Territorial justificou a medida como sendo “de caráter excecional”, e que o Governo não pretende alargar a outras vias, porque se trata de uma questão de “justiça territorial” porque, naqueles territórios “as pessoas muitas vezes não têm vias alternativas nem transportes públicos coletivos”. O problema da falta de transportes públicos permanece para quem não tem carro próprio.

colagem fotográfica