A RÚSSIA E A CHINA

O fim da Pax Americana que de pax sempre teve muito pouco. O que vem aí, também não deve ser melhor.

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Photo Credit: The Cradle

A recente visita de Xi Jinping a Moscovo tem várias leituras. No ocidente, a China é um aliado perigoso da Rússia e aproveita a oportunidade para ocupar o lugar das empresas europeias e norte-americanas que foram obrigadas a abandonar a Rússia, por causa das sanções impostas a Moscovo. Na Rússia, significa o apoio chinês à ideia de Putin de criação de uma nova ordem mundial. Na China, será um aviso à NATO e aos americanos: na Ásia manda a China. E se a Rússia não tem lugar na Europa, a China abriga-a debaixo do seu chapéu de sol.

Xi e Putin estiveram reunidos quatro horas e meia. No final, Putin acompanhou Xi até ao carro. Uma cortesia que significa entendimento entre ambos. Nenhum diplomata no mundo terá dúvidas sobre isso. Tudo isto aconteceu depois do mandato de prisão passado pelo Tribunal Penal Internacional. Um mandato que não é reconhecido pela Rússia, China e, ironicamente, nem pelos Estados Unidos.

Todos sabemos que a política se sustenta nas oportunidades económicas. Todos os regimes políticos precisam de alimentar o povo para prevenir problemas. Sem sabermos bem o que ficou decidido relativamente à Ucrânia, sabemos que a Rússia é o principal fornecedor de gás natural da China, à frente do Turquemenistão e do Qatar. O gás vai diretamente da Sibéria para Heilongjiang, no nordeste da China, através do gasoduto Power of Siberia que entrou em funcionamento em 2019. E há uma segunda rota pronta a entrar em atividade, através da Mongólia, com o gasoduto Power of Sibéria 2.

A cooperação entre a Rússia e a China vai muito para lá do gás natural. É comércio, é construção aeronáutica, construção de maquinaria industrial, pesquisa espacial, agroindústria, etc. Um valor global de milhares de milhões de euros em investimentos.

A China tem interesse estratégico em África. Através da cooperação bilateral, a China destronou a Europa e os EUA como parceiro primordial da grande maioria dos países africanos. O que fez Putin? Na véspera da chegada de Xi Jinping, Putin reuniu com diplomatas de 40 países africanos para anunciar 20 mil milhões de dólares de perdão de dívida de estados africanos à Rússia.

A última subtileza destas manobras sino-russas foi a data escolhida para tudo acontecer, exatamente 20 anos depois da invasão americana do Iraque.

*com The Cradle.co

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